
A carteira recheada de dinheiro abre as portas a uma noite única, num mundo diferente e ilusório. Mulheres, muitas mulheres, bonitas, elegantes e bem arranjadas, são a companhia ideal para homens solitários. Normalmente o ambiente é seleccionado, o que torna difícil encontrar alguém com trajes menos formais. Muita gravata, muito fato de bom corte e bastantes cabelos com gel. O cheiro a perfume também se sente a cada pessoa que passa. As próprias meninas vestem de forma diferente. Os vestidos são provocante q.b., mas têm nível. A forma como elas abordam o cliente também demonstra que têm "escola" e sabem perfeitamente quem é que devem atacar. Geralmente, as presas mais apetecíveis são os famosos ou os que aparentam ser mais edinheirados. A esses, elas pedem bebidas caras e tentam sempre convencê-los a passar uma hora diferente longe dali. Os preços variam, mas nunca abaixo dos 100 euros. O sotaque brasileiro ouve-se em todos os recantos, intercalado aqui e ali pela pronúncia carregada de algumas beldades do Leste Europeu. As bebidas são bastante inflaccionadas e os clientes habituais normalmente optam pela aquisição de uma garrafa de whisky cujos preços oscilam entre os 100/150 euros. Tentei elaborar deste modo, um guia completo da noite de Lisboa claramente vocacionada para o público masculino. Devo adiantar às feministas mais inflamadas que jamais recorri a serviços de prostituição. Todavia, fui durante algum tempo frequentador assíduo de alguns destes estabelecimentos. Movia-me a curiosidade mórbida pelo lado obscuro da noite e a companhia de alguns colegas de trabalho que eram habitués de longa data. Actualmente prefiro locais mais saudáveis e menos dispendiosos. A ordem deste roteiro do red light district lisboeta é perfeitamente aleatória e onde misturei casas com filosofias bastante diferentes. Escusado será dizer, que optei apenas por abordar os estabelecimentos mais credenciados e deixando de parte outros tantos que faço questão de não conhecer.
Elefante Branco - Rua Luciano Cordeiro, 83-A, ao Campo de Santana
Para além dos jantares que serve, onde pontificam excelentes bifes, o Elefante Branco é um mito da noite lisboeta. Durante anos a fio, dominou o mercado, mas recentemente começou a sofrer forte concorrência de outras casas nas proximidades. Contudo, a clientela é selecccionada e a cada esquina do "trombinhas" pode encontrar-se uma cara famosa. O que facilmente se pode constatar pelo parque automóvel estacionado na porta da boite. As moças são topo de gama mas a decoração está completamente obsoleta, fazendo-nos recuar à década de 80. Aqui teve início a derrocada de muitos futebolistas da nossa preça.
Champagne Club - Rocha Conde de Óbidos, armazém 115, Alcântara
Os espectáculos das Champagne Girls em palco são apenas de topless. Quem quiser ver tudo terá que pagar uma onerosa dança privada. A casa orgulha-se de já ter trazido a Portugal uma das maiores strippers do mundo, a norte-americana Roxy Le Roux. Com quase dois metros, esta loira arrastou multidões durante três dias. Ambiente seleccionado e preços exagerados. Bastante frequentado por futebolistas depois dos jogos e numerosos grupos de adeptos de equipas europeias que vêm jogar a Lisboa.
Passerelle - Av. Óscar Monteiro Torres, 8B, ao Campo Pequeno
Outra boite especializada em striptease que foi ganhando fama ao longo do tempo. As bailarinas são todas oriúndas do Leste Europeu e abundam grupos de homens que celebram despedidas de solteiro e empresários nortenhos de visita a Lisboa. Existe um estabelecimento homónimo dedicado ao público feminino. E pelo que consta, também está sempre a rebentar pelas costuras.
Gallery - Av. Duque de Loulé, 47, ao Marquês de Pombal
Estabelecimento de grande sucesso nos últimos anos e que se tornou o principal concorrente do Elefante Branco. Decoração requintada, atendimento personalizado, mulheres escolhidas a dedo e preços pouco simpáticos. Muitos empresários, profissionais liberais, dirigentes desportivos e vendedores de automóveis. Bastante difícil encontrar alguém sem gravata.
Night and Day - Av. Duque de Loulé, 51
Um grande clássico da noite lisboeta. O ambiente é mais popular, elas são pouco seleccionadas e a escuridão assusta um pouco. A decoração ainda deve ser dos anos 70 mas as bebidas têm preços moderados. Frequentado por uma clientela deveras herogénea: taxistas, jornalistas, donos de restaurantes, polícias, informantes e diversos grupos de chineses, cuja presença assídua nunca entendi muito bem.
Tamila - Av. Duque de Loulé, 43
Um discreto clube de striptease que possui das melhores bailarinas de Lisboa. Decoração agradável, ambiente tranquilo e preços inflaccionados. Não são muito receptivos a grupos numerosos.
Boite San-Payo - Rua Rodrigues Sampaio, 36
Nunca simpatizei muito com o local. Um striptease de segunda linha que faz a delícia dos burocratas do eixo Marquês Pombal-Av. República que se desculpam em casa com serões no escritório.
Royal Maxime - Praça da Alegria, 58
Uma autêntica antiguidade da noite alfacinha. Fado, folclores e strip! Dá para acreditar? Muito frequentado por actores da velha guarda e estrangeiros hospedados nos hotéis da Av. da Liberdade.
Hipopótamo - Av. António Augusto de Aguiar, 3A
Um dos sítios de "meninas" com mais tradições. A decoração é a mesma desde 1970 e acredito que muitos dos nossos pais já tenham passado por lá após algum jantar de negócios. As mulheres são de terceira categoria.
Black Tie - Rua Martens Ferrão, 11, ao Saldanha
Um local que recomendo apenas aos mais afoitos. O after-hours onde convergem os piores espécimes da noite lisboeta. Homens visívelmente embriagados, muitas mulheres irritadas porque ainda não fizeram dinheiro e alguma máfia nacional vigiada por agentes da PJ infiltrados. A entrada dá-se por volta das 04h e encerra pelas 08h. Um espaço estéticamente agradável que é estragado por um ambiente extremamente pesado. Os porteiros são uns atrasados mentais que insistem em pedir 25 euros para entrar neste "buraco".
Bar da Tina - Av. Marginal, Estoril
Uma simpática proposta fora do perímetro urbano de Lisboa. As bailarinas de leste são de nível médio, o ambiente quase familiar e a decoração um pouco descatualizada faz lembrar um pub inglês. Os preços também são um pouco salgados. Uma vez disseram-me que era propriedade da esposa do cantor Vítor Espadinha. Será verdade?
Muito mais poderia escrever sobre este tema, mas a prosa já vai demasiadamente longa. A publicação deste post neste mês não é casual. Por estes dias ocorrem sempre os tradicionais jantares de Natal promovidos por grande parte das empresas. Todos sabemos que estas celebrações constituem sempre um excelente pretexto para homens comprometidos e não só, darem uma espreitadela nestes locais. Estou a mentir? Aproveitem bem, mas não se descuidem com gastos excessivos!