sábado, 31 de março de 2007

Um abraço português

Dois temas musicais que retratam na perfeição, uma união entre Portugal e Brasil. A primeira música - O Brasil - remonta aos primeiros tempos dos Madredeus. Uma composição rítmica da autoria de Pedro Ayres Magalhães,feita após uma viagem ao Brasil em 1986. O segundo tema é um fado escrito por Vinicius de Morais para a diva Amália Rodrigues. "Saudades do Brasil em Portugal" é interpretado aqui por Gonçalo Salgueiro, um dos nomes da nova geração de fadistas. Dedico estes dois temas à minha blogamiga Sofia. Haja o que houver estaremos por aqui...

sexta-feira, 30 de março de 2007

BRASIL 2014


O Brasil decidiu avançar com a candidatura do país, como sede do próximo Mundial 2014. O sucesso do Europeu 2004 é apontado por todos como o grande modelo de referência a ser seguido.

"Portugal deu um exemplo, na Europeu 2004, de como um País com
uma população de 10 milhões de habitantes, e pequeno território, em
comparação ao Brasil, se pode organizar.
A Sociedade Euro 2004 S.A. foi responsável por 54,8% do capital.
A FPF (Confederação como a CBF) ficou com 40,2%. O Governo por
tuguês com 5%.
A construção de cinco novos estádios custaram R$ 2,3 bilhões, custo
que se dividiu entre a Sociedade Euro 2004 (12%), Clubes (47%), Go-
verno português (4%) e Câmaras Municipais das Cidades sedes
(37%).
Para os acessos aos estádios foram investidos R$ 275 milhões pelo Es
tado. Autocarros e Metro levaram os adeptos para todos os estádios.
A segurança mereceu um invstimento de R$ 43 milhões pelo Governo,
que adquiriu 400 viaturas e outras ferramentas.
Foi implementado um sistema de venda de bilhetes para os jogos via
INTERNET, com identificação do comprador e limitada a 4 bilhetes por
pessoa/jogo.
Foi arrecadado só em patrocínios com Empresas portuguesas,R$ 26,2
milhões.
A Federação da Europa, UEFA, arrecadou com a Euro 2004.... 589 mi
lhões de Euros ( 136% a mais que o torneio anterior em 2000 ).

INVESTIMENTOS EM ESTÁDIOS (valores em milhões de Euros) :
Europeu 2004 - Portugal = 620,4
-Dinheiro privado : 278,4 (44,8)
-Governo : 105 (17%)
-Prefeituras : 236 (38,2%)
-Estádios : 10
-Lugares : 377.427
Uma constatação :
A economia portuguesa é 4 vezes MENOR que a brasileira."


CAPITAIS FEDERAIS ENUNCIADAS PARA ACOLHER O TORNEIO:
Rio de Janeiro - Maracanã - 90 mil
São Paulo - Morumbi - 80 mil
Belo Horizonte - Mineirão - 90 mil
Porto Alegre - Beira Rio - 65 mil
Brasília - Mané Garrincha - 50 mil
Goiânia - Serra Dourada - 54 mil
Curitiba - Arena da Baixada - 30 mil
Florianópolis - Orlando Scarpelli - 30 mil
Salvador - Barradão - 45 mil
Belém - Mangueirão - 60 mil
Maceió - Rei Pelé - 45 mil
Fortaleza - Castelão - 80 mil
Recife - Arrudão - 60 mil

Ao nível das cidades escolhidas pelo comité organizador, discordo com duas ou três escolhas. A decisão ainda não foi tomada a nível definitivo, mas creio que a aposta em Maceió e Goiânia não são muito correctas. Tratam-se dse duas capitais federais que ficam claramente deslocadas das principais rotas aéreas internacionais e apresentam diminutos atractivos turísticos. Não querendo puxar a brasa à minha sardinha, creio que a escolha de Natal seria uma boa aposta. È o destino turístico que mais cresce no Nordeste brasileiro, o Estádio Machadão (40.000 lugares) está a ser alvo de profundas reformas que serão concluídas até ao final deste ano, existe uma rede hoteleira diversificada e esta é a cidade brasileira mais próxima da Europa e África. Contudo, apesar do Brasil ser o país do futebol, acredito que esta candidatura não terá grande sucesso. Os índices de criminalidade do país são muito elevados, a estrutura de transportes públicos é deficitária e grande maioria dos estádios necessita de amplas obras de melhoramento. Creio que a decisão final será tomada em Novembro deste ano e vamos ter esperanças que o Brasil seja bem sucedido nesta investida. Poderemos até pensar que existirão outras prioridades no país, mas de qualquer modo estes eventos constituem sempre um forte incentivo na economia.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Férias em Natal - Episódio 4


Natal, Quinta Feira - 05 Dezembro 2008, 21:30h

Primeira noite do Carnatal. O Ferreira providenciara convites para assistirem ao mais famoso carnaval fora de época do Brasil. Estavam num dos camarotes mais badalados, o barulho era infernal e fazia-se sentir um forte calor. Lá embaixo, no corredor da folia, desfilavam os tradicionais trios eléctricos que animavam os blocos e uma multidão multicolor pulava freneticamente.
Durante esse dia, tinham tido imensa dificuldade para convencer o Luís a acompanhá-los. Ele era bastante adverso a qualquer tipo de manifestação carnavalesca e a perspectiva de ficar muito tempo a olhar para um bando de foliões, não o motivava minimamente. Já eram decorridas quatro noites mal dormidas e ele preferia ficar no apartamento a descansar um pouco. No dia seguinte, iria-se encontrar com Patrícia e teria de estar com os sentidos bem despertos. No entanto, os amigos não lhe tinham dado tréguas durante horas e ele acabou por ceder. A festa tinha início relativamente cedo e o grupo acabou por não ter tempo para jantar. Escusado será dizer, que a ingestão de bebidas alcoólicas teve um efeito catastrófico bastante rápido. Entraram rapidamente no ritmo da folia, pulavam como uns doidos e transpiravam abundantemente. Até mesmo o Luís parecia ter esquecido Patrícia por alguns momentos e rodopiava sem parar com latas de cerveja na mão. Apenas o Lemos, se mostrava mais comedido nos movimentos porque ainda se encontrava bastante dorido pelo escaldão que apanhara na praia.

Por alturas da passagem do último bloco, o êxtase colectivo é interrompido por um alerta do Reis.
- Atenção pessoal! Olhem ali! O Fonseca já se orientou com uma gaja... - aponta num misto de admiração e inveja.
- Epá, sim senhor! Mas isto foi ela que se foi agarrar nele. De certeza absoluta - afirma o Ferreira céptico.
Num canto do camarote, o Fonseca beijava ferverosamente uma rapariga que aparentava ter uns vinte anos, de cabelo oxigenado e trajes diminutos. Ela nota que o grupinho observava o casal e acena com a mão na direcção de umas amigas que estavam próximas. Juntam-se todas, segredam, sorriem para os rapazes e avançam na direcção deles. A oxigenada pega na mão do Fonseca trôpego, que olha para os amigos com um sorriso de orelha a orelha.
- Oi rapazes! Os portugas estão gostando do Carnatal? - atira a oxigenada num tom atrevido.
- A festa está óptima! E vejo que o meu amigo já está acompanhado de uma bela rapariga - responde o Luís cheio de sorrisos.
- Rapariga foi quem te pariu, seu safado!!! - dispara ela em fúria.
Luís fica atónito com o tom agressivo da resposta e o Ferreira decide intervir para evitar um incidente diplomático.
- Calma! Desculpe meu amigo. Lá no nosso país, rapariga não é nada de mais. Ele não quis ofendê-la, minha querida. Tá certo?
- Ah,bom! E aí? A festa está acabando por aqui. Que vão fazer a seguir? - pergunta novamente a oxigenada.
- Hum...ainda não sabemos. Alguma ideia? - continua o Ferreira com malícia.
- Também não sei. Minhas amigas estão doidinhas para conhecer vocês. Podíamos fazer qualquer coisa legal - diz ela, olhando para as amigas que estavam junto dela.
- Vocês estão em algum hotel da Via Costeira? - pergunta uma das amigas que tinha um decote bem sugestivo.
- Não. estamos num apartamento lá em Ponta Negra - diz o Fonseca com a voz arrastada.
- Porque não vamos até lá? Que tal fazer uma festinha todos juntos? - atira a decotada provocante.
- Boa! Boa! - grita o Lemos.
- È isso mesmo. Até temos uma garrafa de champagne à nossa espera. Vamos embora? - avança o Reis eufórico.
- Calma...não sei se dá certo. O pessoal já bebeu demais, acabámos de nos conhecer...é meio estanho. - profere o Ferreira hesitante.
- Qual é portuga? Tá com medo da mulherada? Vamos curtir o resto da noite de um jeito bem gostoso - a oxigenada não desarmava.

Deixaram-se ficar por ali durante alguns minutos a conversar, fizeram-se apresentações rápidas, mas às tantas cada um deles já se tinha agarrado a uma delas. Trocavam-se alguns beijos, as mãos avançavam de forma insinuante e soltavam-se piadas brejeiras. Pouco depois, o grupo já procurava o carro nas imediações do recinto com o intuito de fazerem o caminho de casa. Durante o percurso, Luís liberta-se da sua parceira e faz sinal ao Ferreira para ele fazer o mesmo. O amigo deixa-se ficar um pouco para trás e nota algo de estranho no olhar de Luís.
- Ouve lá, não achas esta cena meio arriscada? - pergunta Luís receoso.
- Estás a pensar o mesmo que eu. Também estou a estranhar tanta facilidade...
- Eu não quero acordar amanhã debaixo de uma placa de cimento como os outros fulanos de Fortaleza, entendes?
- O que queres que eu faça? os outros três estão perdidos de bêbados e agora nem adianta fazê-los desistir. Olha ali o Fonseca todo atraçalhado com a loira - diz o Ferreira, apontando para o amigo que já estava encostado no carro.
- Que merda! Mais valia ter ficado em casa...isto cheira-me a esturro!
- Oxalá que não. Vamos pensar positivo. Estas malucas se calhar só querem mesmo uma noite de farra. Quem sabe?
- Pode ser que tenhas razão. Talvez seja hoje, que eu faço o meu vídeo caseiro - finaliza o Luís, caminhando na direcção dos outros.

Depois de conseguirem a façanha de enfiar dez pessoas dentro de um Fiat Palio, arrancam em direcção ao apartamento. Quando chegam ao acesso à garagem, o porteiro olha-os de modo desconfiado e abre o portão. Sobem em grande algazarra até ao 10ºandar, entram em casa, dirigem-se para a sala e ligam a aparelhagem. A música soava bem alto apesar de já ser tarde e o Fonseca ataca o frigorífico. Traz para a sala todas as latas de cerveja que restavam e a prometida garrafa de champagne. Continuavam a beber desenfreadamente, dançam com elas, beijam-se e as mãos avançam de modo cada vez mais ousado.
Entretanto, uma delas propõe uma sessão de strip-tease para os rapazes. O Luís vai até ao quarto buscar a sua câmera e a oxigenada vai para a cozinha. Tinha anunciado que iria preparar a caipirinha mais saborosa da região. Procura os condimentos necessários nos armários e enquanto isso, as restantes vão-se despindo na outra divisão de maneira lenta e sensual. Eles estão em delíro. Berram, riem e aplaudem. Elas vão atirando as peças de roupa para cima deles, provocam-nos e o Lemos também já se vai despindo de forma atabalhoada. Na sala iam-se misturando os odores da cerveja, dos cigarros e do suor.
A oxigenada surge da cozinha com uma bandeja com vários copos de caipirinha de aspecto delicioso. Distribui pelo grupo masculino. O Luís era o único que parara de beber. O seu estômago era sensível a misturas, receando vomitar. No entanto, depois da insistência da moça, aceita o copo e delicia-se com aquele néctar saboroso.
A sala parecia um forno, eles vão-se libertando das roupas e agarram as parceiras de ocasião. O Ferreira já se aninhava num dos sofás com uma delas quando sente uma ligeira tontura. A sua visão escurece e uma dormência sobre pelo seu corpo. Tenta olhar para o rosto da mulher e apenas vislumbra um vulto indistinto. Levanta-se aflito, esfrega os olhos e sente a sua cabeça andar à roda. As pernas perdem a sua firmeza e tomba no chão. A última imagem de que se recorda, foi ter visto o Reis passar junto dele em cuecas e meias.

terça-feira, 27 de março de 2007

Memórias do Lumiar


Janela da casa da minha avó, no Paço do Lumiar. Edifício do século XIX.

Pormenor da fachada de um dos vários palacetes do Paço do Lumiar. Este era pertencente à família dos banqueiros Espírito Santo.

Painel de azulejos (sec.XIII) na Quinta dos Azulejos, localizada nos terrenos pertencentes ao Colégio Manuel Bernardes no Paço do Lumiar.

Largo da Igreja do Lumiar (sec.XIII), com a fachada do Museu do Traje como pano de fundo.

Rua Direita do Paço do Lumiar. Um bom exemplo de alguns restauros que têm sido feitos em imóveis do bairro.

Capela de S.Sebastião (sec.XVII), no Paço do Lumiar. Necessita de urgentes obras de restauro.

O belo Parque Monteiro Mor, anexo ao Museu do Traje. Um óptimo lugar para relaxar um pouco, namorar ou lêr um bom livro.

Uma das poucas colectividades de bairro que resistiram à modernidade.

Azinhaga do Jogo da Bola - Paço do Lumiar

Este é um dos meus bairros preferidos de Lisboa. Aqui reside a minha avó e grande parte da minha família materna. Outrora foi local de residência da nobreza, facto comprovável pela existência de vários palacetes e aqui se localizava a zona rural da cidade, onde se cultivavam vários produtos que abasteciam os mercados da capital. Os anos foram passando, as urbanizações cresceram, o campo foi dando lugar ao betão, mas algumas áreas ainda conservam aquela magia de uma Lisboa de outros tempos. Aqui morei os primeiros dois anos da minha existência. Uns anos mais tarde, incentivado pelo meu avô, fui aprendendo a dar os meus primeiros pontapés numa bola e surge a minha paixão pelo Sporting, com as primeiras idas ao Estádio de Alvalade que fica logo ali ao lado. Doces memórias...

domingo, 25 de março de 2007

Parabéns Portugal!

A Selecção portuguesa de râguebi assegurou, ontem , pela primeira vez na história, a presença num Campeonato do Mundo. Apesar de ter sido derrotada ontem em Montevideu, ante o Uruguai (12-18), valeu a vantagem do jogo da primeira «mão» (12-5).
Os «lobos» asseguraram a última vaga no Mundial, a realizar em Setembro, onde serão os únicos amadores a participar. Nova Zelândia, Escócia, Itália e Roménia serão, então, os adversários a defrontar, inseridos no Grupo C da competição que decorrerá em França. Um exemplo para as modalidades profissionais!

sábado, 24 de março de 2007

Os Imortais


A partir de agora, prentendo publicar regularmente textos sobre alguns filmes que marcaram a minha vida. Dou início a este périplo com um filme português. Ao contrário de muitas pessoas, sempre me afirmei um forte defensor da nossa cinematografia nacional. È hora de deitar por terra todos os preconceitos existentes em relação ao cinema português e orgulhar-nos das películas que são feitas em Portugal.

Todos os anos, quatro ex-comandos (Joaquim de Almeida, Rogério Samora, Rui Unas e Joaquim Nicolau) combinam juntar-se, na companhia de quatro mulheres (Emmanuelle Seigner, Paula Mora, Ana Padrão e Carla Salgueiro) para comemorar os feitos de guerra e solidificar o espírito de grupo. Naquele Verão de 1985, fartos da "pasmaceira do país", decidem assaltar um banco. Joaquim Malarranha (Nicolau Breyner), um inspector da Judiciária em vésperas de se reformar, vai cruzar-se no seu caminho e, por ironia do destino, acaba a tocar guitarra na casa de fados de um deles. Um filme de polícias e ladrões, de heróis desempregados ou à beira da reforma, de sobreviventes e inadaptados. Um filme sobre uma certa necessidade de solidão masculina que as mulheres nunca irão compreender.

É sabido de todos (se não então passam a saber) que António-Pedro Vasconcelos é "O" reconciliador por excelência do nosso público com o seu cinema. A fórmula que segue é tão simples que devia envergonhar muitos pseudo-realizadores-artistas da nossa praça: saber contar uma história. Assim. Tão simples como isto. Daquelas que têm um princípio, um meio e um fim. Das que não se perdem em dissertações obscuras, com mensagens induzidas a meia-dúzia de indivíduos iluminados que seguem não uma cinefilia, mas algo mais abstracto. Como uma "cosa nostra" a que o comum espectador não pode ter acesso.
Não quero com estas palavras denegrir o chamado "cinema de autor". Apenas recordar aos nossos fazedores da sétima arte que esta, às vezes, deve servir a todos (de preferência sempre).
António-Pedro Vasconcelos foi o realizador do segundo filme português mais visto de sempre nos nossos cinemas. Refiro-me a "O Lugar do Morto", de 1984. Mas também "Jaime" (1999) se encontra nesse top, numa honrosa quinta posição. Melhor que ele só mesmo Joaquim Leitão, que vai alternando alguns filmes de digestão fácil (o primeiro lugar do top, "Tentação") com desastres de realização, vãs tentativas de clonar o modelo americano (o horrível "Inferno").
"Os Imortais" é uma adaptação de um livro assinado por Carlos Vale Ferraz, "Os Lobos Não Usam Coleira". Adaptação muito livre, conforme referiu o realizador, habituado a escrever os seus próprios textos originais. A história centra-se num dia fatídico, no Verão de 1985, numa reunião anual de um grupo de ex-comandos da guerra colonial, homens desadaptados ao actual estado de coisas do país. "Uma pasmaceira", como eles dizem. Depois do 25 de Abril, estes "desempregados da guerra", treinados desde muito cedo para matar e ser violentos, são obrigados a recorrer a comportamentos desviantes para dar algum sentido à sua vida. É então que decidem assaltar um banco.
Os imortais do filme são os actores Joaquim de Almeida, Rogério Samora, Joaquim Nicolau e... Rui Unas.
Exactamente. O apresentador de televisão na sua primeira experiência de representação no cinema. Unas sai-se muito bem, embora num papel que foi feito à sua medida, o de Vitor Pratas. Divertido, desenrascado e conciliador, é talvez o mais esperto e sobrevivente dos imortais.
O eixo da história roda muito em redor dos personagens interpretados por Rogério Samora (Horácio Lobo) e Joaquim de Almeida (Roberto Alua), sendo a interpretação de Joaquim Nicolau (Sérgio Mano) algo apalhaçada e com demasiados tiques.
No meio destes inadaptados vai surgir um investigador da polícia judiciária à beira de se reformar. É o personagem de Nicolau Breyner, único conhecedor dos intentos do grupo de ex-comandos.
Ao elenco juntam-se outros grandes nomes da nossa praça, como Alexandra Lencastre no papel da esposa amargurada de Roberto Alua, Maria Rueff em mais uma investida no cinema ( aqu i como filha do investigador Malarranha, papel de Nicolau Breyner), assim como Ana Padrão ou Carla Salgueiro.
Mas há também uma personagem feminina muito importante na trama policial de "Os Imortais". Nas reuniões do grupo de ex-combatentes é normal que cada um seja responsável por levar uma mulher, "para entreter". É aqui que entra Madeleine, uma mulher francesa que seduz Alua e vai ser a razão de todos os problemas. Esta mulher é interpretada, nada mais nada menos, que por Emmanuelle Seigner, actriz fétiche e casada com o realizador Roman Polanski.
Sem que se possa dizer que estamos perante uma interpretação do outro mundo, Seigner aguenta-se muito bem num papel em que tem de dar o corpo ao manifesto (literalmente).
Em suma, "Os Imortais" é filme que conseguiu entrar no top de bilheteira dos filmes . Uma história bem contada, bem montada, e com uma fotografia acima da média (de Barry Ackroyd, habitué do realizador Ken Loach).

Título Original: Os Imortais
País de Origem/Ano: Portugal (2003)
Realização:António-Pedro Vasconcelos
Elenco: Joaquim de Almeida
Nicolau Breyner
Rogério Samora
Rui Unas
Emmanuelle Seigner
Alexandra Lencastre
Ana Padrão...

sexta-feira, 23 de março de 2007

Areia Branca









Areia Branca é um dos municípios do Rio Grande do Norte, localizado a cerca de 320km da capital Natal, bem perto da divisa com o Ceará. A sua economia centra-se na extracção de sal marinho e alguma actividade portuária. Apesar de possuir belas e amplas praias, o turismo ainda se encontra relativamente subdesenvolvido, apresentando amplas oportunidades para os mais aventureiros. A grande concentração de veraneantes, dá-se por altura do Carvanal que é um dos mais animados da região. Sejam bem-vindos à Costa Branca.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Vamos jantar?



Numa das colinas de Lisboa, perto de jardins verdejantes e zonas de típica arquitectura, a fachada simples do Restaurante Clara encerra um espaço de calma e requinte onde se cruzam a melhor tradição e a necessária modernidade.
Além de uma variada cozinha - algumas vezes premiada - e de um serviço de superior qualidade, o Clara oferece uma espaçosa sala (aquecida no Inverno por uma acolhedora lareira), que se prolonga num aprazível jardim, sempre apetecido nos dias de calor.
Como alternativa, a gerência põe à disposição dos seus clientes um luxuoso bar, ideal para encontros de negócios, e uma sala privada para situações em que se requer maior intimidade.
Hoje apetecia-me reunir um simpático grupo de amigos, para um jantar e ficar horas a fio na conversa. Esta seria a minha escolha para este dia. Um excelente restaurante que tive o previlégio de conhecer na minha última viagem a Portugal. A simpatia, o charme e a arte de bem receber da sua proprietária Célia Pimpista são apenas um bónus para uma noite bem passada. Na impossibilidade de me deslocar até Lisboa neste momento, que tal ficarmo-nos por um brinde virtual?

Restaurante Clara
Campo Mártires da Pátria, nº49 - Lisboa

quarta-feira, 21 de março de 2007

Férias em Natal - Episódio 3


Na chegada a Natal, o quinteto de amigos acomoda-se no apartamento que o Ferreira costumava alugar na cidade, durante as as suas visitas de negócios. Ficava situado no turístico bairro de Ponta Negra, possuía uma ampla vista de mar, constituíndo o refúgio ideal para o descanso após as noitadas que pretendiam fazer. Contudo, logo na primeira noite, o Fonseca estranhara o facto de um dos quartos se encontrar fechado à chave. Ele espreitara pela fechadura e conseguiu enxergar uma secretária com muita papelada desordenada, um laptop e alguns aparelhos, cuja finalidade ele desconhecia por completo. Ao interrogar o Ferreira sobre o assunto, o amigo tentara contornar a situação, dizendo momentos depois que era a sua sala de trabalho e que os aparelhos eram de natureza médica. Uma representação comercial que tinha iniciado recentemente. O Fonseca estranhou um pouco, mas o assunto acabou por morrer ali.

Os primeiros dias em Natal decorreram da forma esperada. Muita praia, sol, passeios de buggy, uma visita ao Forte dos Reis Magos, algumas fotografias para a posteridade e muita cerveja para a tenuar o forte calor. Alugaram um carro e o Ferreira fornecera-lhes as coordenadas de orientação, já que este não os podia acompanhar sempre durante os dois primeiros dias, devido a alguns compromissos profissionais. As noite eram sagradas. Saíam invariavelmente para jantar junto à praia e empaturravam-se de marisco, regado a litros de cerveja. Depois do jantar iam em busca de caça feminina pela animada vida nocturna local. Vivia-se a estação alta brasileira e a cidade estava cheia de forasteiros em busca de sol e diversão. No entanto as deambulações nocturnas do grupo mostravam-se infutíferas em termos prácticos. Como sempre, o Luís era o mais afoito com as gajas e o Ferreira também revelava grande à vontade. Afinal de contas, aquela fora o seu território durante uns anos.
De facto, as brasileiras eram bastante extrovertidas e comunicativas. Eles conheceram e falaram com imensas durante aquelas noites. Por vezes o diálogo não era muito fluente, ora porque elas não entendiam muito bem o sotaque lusitano, ora o grupinho ficava meio embasbacado com as roupas ousadas que elas vestiam e faltavam-lhes as palavras. No entanto, algo estava a falhar. Falavam muito, riam, brincavam e nada de facturar! Na madrugada de terça-feira tudo parecia correr de feição para o Reis que se tinha agarrado a uma matulona loira. Passado um bom bocado, surge junto dos amigos esbaforido e com um ar assustado. Era um travesti! Qualquer coisa tinha de mudar na estratégia deles para obterem a glória desejada.

Na quarta-feira, à hora de almoço, o Ferreira lembra-se do convite que a Cinha Jardim lhes fizera no avião para a inauguração do bar do seu namorado. Ligou-lhe de imediato, cumprimentaram-se efusivamente e combinaram encontrar-se à noite para a festa de abertura do AMO.TE NATAL. Os amigos escutavam a ligação atentamente e mal ele desligou bombardearam-no com perguntas.
- Atão pá? Como vai ser? Há festança logo à noite? - disparou rapidamente o Lemos.
- Como foi? A gaja cortou-se? - perguntou o Fonseca receoso.
- Qual quê! A Cinha faz questão da nossa presença no evento. Somos convidados VIP - afirmou o Ferreira eufórico.
- Bom...esta noite temos de facturar! Chega de conversa da treta. As gajas que se cuidem esta noite - diz Luís com um brilho nos olhos.
- Devem estar estar lá vários fotógrafos das revistas sociais! Vamos chegar em Portugal e vamos ver as nossas carinhas larocas fotografadas ao lado do jet-set. Já imaginaram a cena? - disse o Ferreira, dando mais uma vez largas à sua faceta de pseudo-tio.
- Bah!Dispenso essa porcaria. Se a minha mulher vê isso estou frito! Ela compra essas revistas todas - reclamou o Lemos.
- Que se lixe! Esta noite é nossa, meu amigo. Vão lá estar resmas de gajas boas e seremos os reis da festa - acrescentou o Ferreira delirante.

Natal, Quarta-Feira - 04 de Dezembro de 2008 - 23:58h
Estava uma noite perfeita. O grupo tinha deixado os calções, as t-shirts e os chinelos de parte e vestiram as melhores roupas que tinham trazido na bagagem. Estavam todos muito bem penteados e perfumados, apostando num visual propício ao ataque do mulherio. Apenas o Lemos destoava um pouco, já que apresentava um valente escaldão do sol. Estava tão vermelho que mais parecia uma lagosta cozida.
A fachada do novíssimo AMO.TE NATAL estava iluminada por fortes holofotes e os convidados iam desfilando na entrada. Mal entraram, o Ferreira ficou algo desapontado com a lista de convidados. Para além dos anfitriões da noite, Pedro Miguel Ramos e Cinha Jardim, apenas marcavam presença, Fátima Felgueiras que desta vez tinha-se refugiado em Natal para se esquivar novamente da justiça portuguesa, Eládio Clímaco, o ex-treinador Quinito, o falido Artur Albarran, o Cônsul local e Ricardo Pereira que estava mais uma vez no Brasil para gravar a telenovela Um Portuga em Apuros nos Trópicos.
Passada a decepção inicial, os cinco amigos entusiasmaram-se com as beldades locais convidadas para a festa e atiram-se às bebidas da casa. Noites de bar aberto não aconteciam todos os dias. Posaram para algumas fotografias da praxe para gáudio do Ferreira e circularam alegremente pelo espaço. Por volta das duas da manhã, quando estavam reunidos em círculo, de copo na mão e em alegre cavaqueira, o Luís dá com os olhos numa morena dislumbrante. Ela tinha uns belos cabelos, olhar expressivo e dançava com uma amiga no centro da pista. Momentos depois, ela apercebe-se do olhar ostensivo de Luís, encara-o e sorri. Luís já não conseguia ouvir as conversas dos amigos e fica hipnotizado por aquele sorriso enigmático. As suas mãos suavam um pouco, mas decide arriscar. Pisca-lhe o olho e faz-lhe um discreto gesto com a cabeça na direcção do balcão. Precisava de se libertar dos companheiros e falar a sós com aquela mulher que o deixara electrizado. Aproveitado a chegada da Cinha junto do grupo com a sua histeria habitual, esgueira-se sorrateiramente para junto do balcão. Ela ao aperceber-se deste movimento, segreda qualquer coisa no ouvido da amiga e avança para perto dele.
- Olá! Tudo bem? Eu sou o Luís.
- Oi! Meu nome é Patrícia. Você não daqui, pois não?
- Não. Sou português. Estou aqui de férias com uns amigos. Um deles até já morou aqui.
- Nossa! Que legal! Eu desconfiei que você não era daqui. Pelo sotaque e pelo jeito da sua roupa - diz ela sorridente.
- Hum...você é linda, sabia? - atacou ele.
- Obrigada. Você também é um gato! Notei que você estava-me paquerando...
- Não consigo resistir a uma mulher bonita!

O diálogo entre os dois manteve-se nesta toada durante mais ou menos uma hora. Luís ignorava os gracejos e gestos que os amigos lhe faziam de longe e continuava a falar junto do ouvido de Patrícia. Apenas estranhou o facto do Ferreira já não estar junto dos outros. Avistava-o num canto, aos segredinhos com o Cônsul. Deviam ser negócios, pensou Luís.
Um pouco mais tarde, a amiga de Patrícia chega junto dela e diz que quer ir para casa. Ele apercebe-se que nessa noite continuaria a zero, mas tivera o previlégio de conhecer uma rapariga linda e no fundo nunca gostara muito de mulheres fáceis.
- Luís, sinto muito, mas tenho que ir embora. Tô de carona com a minha amiga. Você entende...
- Sim, claro que entendo. Mas gostaria de te ver antes de domingo. Amanhã, vou com os meus amigos espreitar o Carnatal. Você vai?
- Não vou. Não sou muito chegada em micaretas. Mas vou dar meu número pra você. Me ligue na sexta-feira para combinar qualquer coisa, tá?
- Está combinado! - responde Luís prontamente.
Patrícia anota o seu número de telefone num guardanapo, coloca na mão dele e despede-se com um suave beijo nos seus lábios. Luís deixa-se ficar por alguns segundos, encostado ao balcão. Sentia-se meio zonzo mas não era da bebida. Aquela mulher mexera com o seu íntimo e isso fazia-o sentir-se confuso. Volta para junto do grupo que estava morto de curiosidade.
- Quem era aquela brasa? - interroga o Reis.
- Linda, não é? Chama-se Patrícia, tem 27 anos e trabalha como guia turística. Vou sair com ela na sexta-feira. - atira Luís cheio de orgulho.
- Ai, se eu telefono à tua mulher é que está tudo estragado! E pensava que só gostavas de ibéricas, meu caro amigo - diz Ferreira trocista.
- Que piada! Atreve-te! E tu, o que contas? Passaste quase uma hora a cochichar com o Cônsul. Alguma coisa de interesse?
- Nada, nada...ele não me via há imenso tempo e estávamos a pôr a conversa em dia. Apenas isso...
- Tens a certeza? - insiste Luís ao notar a insegurança da resposta.
- Porra, agora já não posso falar com outras pessoas? Olhem, já são quatro da manhã e isto está quase vazio. Que tal irmos embora? - era notória a irritação do Ferreira.
O grupo despede-se dos anfitriões da festa, saem para a rua e rumam ao apartamento, lamentando-se por mais uma noite sem marcar pontos junto da ala feminina. Tanto trabalho e discussões para se libertarem das mulheres e nada de engates. Apenas Luís permanecia em silêncio e não reclamava de nada. Ele conhecera a "sua" Patrícia e ainda sentia o cheiro do seu doce perfume...mal podia esperar por sexta-feira.

Episódio 4 - Ainda é preciso dizer!?

segunda-feira, 19 de março de 2007

Nacional-Saudosismo

Na sequência da recente estreia de "Brava Dança", aproveito para apresentar o respectivo trailer do filme e alguns temas dos Heróis do Mar, em plena década de 80. Actualmente, algumas destas imagens poderão parecer extremamente kitsch, mas é sempre bom recordar a sonoridade de uma das bandas mais carismáticas da nossa música popular. A legião de fãs dos nobres guerreiros, liderados por Pedro Ayres Magalhães também se poderão deliciar com o blogue idealizado pelos autores do documentário que poderão encontrar na minha barra de links.

sábado, 17 de março de 2007

O regresso do espartilho



Parece que a estética vitoriana está de volta por terras brasileiras. O espartilho voltou a ser moda nos adereços íntimos femininos. Isto serve como alerta para a ala masculina. Por detrás de um corpo magnífico, pode-se esconder um monte de banhas condensadas sob um apertado disfarce. Ou talvez não...
As meninas que se interessaram pelo artigo, podem saber um pouco mais, consultando o site que abaixo menciono.
www.madamesher.com

sexta-feira, 16 de março de 2007

Com legendas!?


A Mostra Internacional de Cinema na TV Cultura, apresentada pelo crítico Leon Cakoff, exibe hoje (22.40h), o filme Capitães de Abril (Portugal, 2000), realizado por Maria de Medeiros. O enredo passa-se em Portugal, na década de 70, e traça um panorama da Revolução dos Cravos que acontecia na época e que mudou os rumos políticos e sociais do país. O longa-metragem começa ao som de Grândola - Vila Morena, canção proibida, que toca na rádio como sinal planejado para o início do golpe de Estado. Pela voz do cantor Zeca Afonso, as tropas rebeldes tomaram os quartéis e entraram em Lisboa, sob o comando de jovens militares que lutam pela paz e liberdade, mas sem desrespeitar os civis ou fazer uso da violência. Essa luta se distingue das outras pelo carácter pacífico e lírico. A idéia do filme é mostrar o olhar de uma geração nascida da liberdade, colocando em perspectiva os momentos de intensa paixão política. No elenco, Stefano Accorsi, Maria de Medeiros, Joaquim de Almeida, Frédéric Pierrot, Fele Martínez, entre outros. È curioso que a programação deste filme na TV Cultura, se repete num curto espaço de meses. Será que também irão repetir a colocação de legendas?

Este é um fenómeno algo estranho para a minha compreensão. Será assim tão complicado para os brasileiros, entenderem o sotaque lusitano? Este pormenor tem deturpado as trocas culturais entre os dois países desde sempre. Basta contabilizar o número de espectáculos musicais, telenovelas e peças teatrais brasileiras que têm lugar em Portugal. No sentido inverso, são feitas algumas investidas quase sempre mal sucedidas e, verifico que apenas a literatura nacional tem uma boa aceitação junto do público brasileiro. Lamentavelmente, creio que esta situação irá manter-se no futuro, visto que a sociedade brasileira se aproxima cada vez mais da cultura norte-americana em detrimento das influências europeias e lusófonas. De qualquer modo, trata-se de uma excelente oportunidade para os meus amigos brasileiros conhecerem um pouco do cinema que se faz no meu país.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Férias em Natal - Episódio 2


Aeroporto da Portela, Domingo - 01 Dezembro de 2008, 12:50h

O Ferreira, Lemos, Reis e Fonseca estavam reunidos na mesa de um café no átrio do aeroporto, aguardando a chamada para o voo YSS800 com destino a Natal, de partida marcada para às 13.40h. Os meses tinham decorrido de forma tranquila e, a viagem para o Brasil tornara-se o tema principal dos habituais jantares do grupo. Luís era o elemento que demonstrava menos entusiasmo em relação a esta incursão por terras de Vera Cruz. Precisamente por este motivo, o Ferreira evidenciava alguma inquietação no início daquela tarde. Ele já tinha tomado três bicas de enfiada, fumava sem parar e preparava-se para descarregar a sua irritação em alguém. Fixou o olhar no Lemos e atirou:
- Já viste bem a tua figura ridícula? Que raio de vestimenta é essa?
- Qual é o problema? Não vamos para o Brasil? - defendeu-se o Lemos meio espantado.
- Tu pensas que o avião aterra directamente na praia? Não sei se já reparaste, mas todas as pessoas que passam olham para ti!
O Lemos deve-se ter esquecido que fazia frio em Lisboa e apostara numa indumentária tropical. Vestia uns calções caqui, uma camisa amarela com flores estampadas, um boné horrível e não tirava os óculos de sol.
- Realmente era só o que me faltava! Aturar um parolo e ter de esperar pelo Luís. Ningúém disse que ele tinha de estar aqui com duas horas de antecedência? - proferiu o Ferreira exasperado.
- Hum...muito estranho. O gajo é sempre pontual e farta-se de reclamar com os nossos atrasos nos jantares - acrescentou o Fonseca.
- Olhem fiquem pra aí a discutir que eu vou mas é fazer o meu check-in! Está na hora pessoal...se o Luís não aparecer, azar o dele! - atalhou o Reis num tom autoritário.
- Tens razão! Vamos nessa - disse o Ferreira, já empurrando o seu carrinho de bagagem - E pode ser que aquele parvalhão ainda apareça...

Uns minutos depois, já estavam os quatro na fila do check-in do balcão 89. Os passageiros eram despachados a bom ritmo e nem sinais de vida do Luís. O Fonseca já suava em bica e não cessava de olhar para trás para ver se via o seu comparsa desaparecido.
- E agora pá? O Luís, orienta-se sempre bem com as gajas com as suas falinhas mansas e dá-nos sempre uma ajudinha. Vai ser complicado...vou mas é tentar ligar mais uma vez para ele - o desalento de Fonseca era notório.
- Nã, nem adianta! Não viste que eu já tentei umas cinco ou seis vezes? O telemóvel está desligado. E não tenhas medo. Eu vou sempre ao Brasil e nunca precisei da ajuda dele para facturar. Ele tem é muita garganta! - disse Ferreira exaltado.
- E o méne vai perder o dinheiro da viagem? - interrogou o Fonseca sempre preocupado com os detalhes financeiros.
- Problema dele. Quem o manda ser otário? - resmungou o Reis.

Já todos tinham cumprido as formalidades de check-in e dirigiam-se lentamente para o portão de embarque, quando escutam um grito vindo de trás. Era o Luís que corria de forma desenfreada pelo átrio em direcção ao balcão que já estava prestes a encerrar. Fonseca não disfarçava a sua alegria e deslizou rapidamente para junto do amigo, que estendia o passaporte e o bilhete de avião para a funcionária de serviço.
- Então? O que te aconteceu? A malta já pensava que te tinhas baldado!
- Nem te conto! - Luís tentava recuperar o fôlego - Tive uma discussão brutal com a minha mulher antes de sair. Ela recusou-se a vir-me deixar no aeroporto e tive que chamar um taxi. A meio do caminho apercebi-me que tinha deixado o passaporte em casa, voltei para trás e quase que levava com o rolo da massa. Resumindo, tive uma discussão familiar com direito a encore.
- Sejas bem aparecido! Já te estava a rogar pragas meu sacana - interrompeu o Ferreira.
- Sabes como é...problemas conjugais pré-embarque! - disse Luís com um sorriso.
- Luís, já vens com a câmera de filmar na mão? - perguntou o Lemos no gozo.
- Porra! Que merda de roupa é essa? - Luís olhava estupefacto para o visual do amigo.
- Foda-se! Hoje combinaram embirrar todos comigo? E tu que já vens de câmera de filmar na mão?
- Tenho de ver como isto funciona. Os meus sogros ofereceram-ma no meu aniversário, mas ainda não mexi muito nela. Estou interessado em realizar uns vídeos amadores por lá - respondeu o Luís com um brilho malicioso no olhar.

Na sala de embarque, o ambiente do grupo transformara-se completamente. O azedume foi substituído por um ambiente de euforia. Falavam entre si aos berros, riam imenso e trocavam piadas entre si. Pareciam um grupo de adolescentes prestes a embarcar para umas férias fora da alçada dos pais e, até o Luís parecia ter abandonado as suas reservas iniciais em relação à viagem.
No entanto, as peripécias teriam início antes mesmo de descolarem de Lisboa. O Reis fora o único que trouxera bagagem de mão. Numa tentativa atabalhoada de colocar a sua mochila na bagageira por cima do seu assento, o fecho abre-se repentinamente e chovem dezenas de preservativos por cima de uma loira que estava sentada na poltrona da frente. Uma das hospedeiras acorre ao local, o Reis fica vermelho até à raiz dos cabelos e olha para o rosto da loira que se sacudia vigorosamente. Quando dá de caras com ela, abre a boca de espanto.
- Não acredito! Mas você...você é a Cinha Jardim! Peço-lhe mil desculpas. Sabe...isto são amostras de uns produtos que represento no Brasil. Não é nada daquilo que está a pensar...
- Mas você está parvo? Quem você pensa que é, seu suburbano? - a grande dama do jet-set de Portugal e arredores não continha a sua indignação.
- D.Cinha, mais uma vez peço-lhe mil desculpas. Mas é que esta bagageira está cheia de mais e aconteceu este azar.
- Cale-se imediatamente! Como ousa falar assim para mim? Apanhe lá essas coisas e sente-se bem longe de mim, tá bem?

Cinha fazia-se acompanhar pelo seu enésimo namorado para mais uma viagem ao Brasil. Desta feita, era o Pedro Miguel Ramos, que entretanto despachara a Fernanda Serrano e deslocava-se a Natal para a inauguração do seu primeiro Amo.te além fronteiras. Juntamente com o casal, viajavam alguns fotógrafos, visto que o par romântico fizera as delícias da imprensa cor-de-rosa, durante os últimos meses. O Ferreira, ao se aperceber da confusão com os colunáveis, tratou de se armar em saliente mais uma vez. Era a sua faceta de pseudo-tio. O gajo tinha a mania que tinha sangue azul, a sua nobreza imaginária subia-lhe à cabeça nestes momentos e decide meter-se na discussão.
- Olá tia! Tá boa? - atirou com o seu melhor sorriso.
- Mas quem é você? Só pode ser amigo deste tarado, não é? Por acaso conheço-o de algum lado? - pergunta ela, plena de arrogância.
- Acho que sim...lembra-se da festa da SIC, na Kapital, o ano passado? Foi nessa noite que eu a co...hum...quero dizer...que fomos apresentados,recorda-se?
Subitamente, a ilustre passageira pigarreia nervosamente, ruboriza ligeiramente e olha para o PMR que a observava com um olhar incrédulo. Ganha alguns segundos e recompõe-se, encarando o Ferreira de modo embaraçado.
- Tenho uma vaga ideia...
- Pois...calculei que sim. Olhe, desculpe aqui o meu amigo. Ele acaba de sair de um processo de divórcio, anda tenso e decidimos traze-lo por uns dias para o Brasil para relaxar um pouco. Acho que você entende.
- Oh, sim! Realmente não vale a pena stressar por tão pouco.
- Ainda bem. Vamo-nos então sentar e aproveito para lhes desejar uma óptima viagem - disse Ferreira de modo diplomático para o casal.
O Reis recolhe o seu material rapidamente, arruma a mochila debaixo do assento e sentam-se todos ordeiramente. Era por demais evidente, que a Cinha estava desejosa que aqueles gajos se pirassem dali para fora bem rápido. Surgiam-lhe na mente imagens difusas de uma noite em que bebera em demasia. Minutos depois, já deixavam os cèus de Portugal para trás.

Voo YSS800, Domingo - 01 Dezembro 2008, 17:10h
O trajecto de sete horas decorreu de forma bastante animada. O grupo estava decidido a aproveitar a viagem nos seus ínfimos detalhes e, as hospedeiras não tinham mãos a medir com os constantes pedidos de bebidas para a ala central do avião e já demonstravam algum enfado com a algazarra e os constantes assédios do Luísna direcção delas. A própria Cinha não se conteve, aderiu ao entusiasmo e barafunda do povão. Tiraram diversas fotografias juntos, trocaram contactos e combinaram encontrar-se durante aquela semana para uma farra.
- Afinal de contas, vocês são uns queridos! Faço questão de vos convidar para a inauguração do novo bar do meu namorado na próxima 4ªfeira. Não é fofo? - perguntou Cinha na direcção de PMR que cochilava.
- Hã? O quê? - disse meio estremunhado.
- Estou a convidar estes amigos para a inauguração do Amo.te Natal. Eles são animadíssimos! Vai ser o máximo, não acha?
- Ah,sim...claro que estão todos convidados - responde hesitante.
- Perfeito. Podem contar com a nossa presença na festa. A nosa vida é eventos sociais, tá a ver? - disse prontamente o Ferreira - Ligaremos durante a semana.
- Então vá! Aproveitem as férias e portem-se mal, seus marotos! - despediu-se Cinha.

Aterraram às 18.40h no Aeroporto Augusto Severo em Natal, sob fortes aplausos e urros dos passageiros. No meio do entusiasmo geral, o Ferreira e o Fonseca, ainda ensaiaram uma "moshada", antes mesmo de ser dado sinal para desapertar os cintos. Após as formalidades de desembarque e recolha das bagagens, metem-se dentro de dois taxis e rumam em direcção ao apartamento alugado junto à praia. Ao contrário do clima em Lisboa, o princípio de noite estava quente e abafado e tudo parecia indicar que aquela semana seria inesquecível.

Episódio 3: Quarta-feira, pois então! E fiquem antentos às réplicas femininas da Tati e da Maríita que serão publicadas nos próximos dias.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Brava Dança


O realizador José Francisco Pinheiro e o jornalista Jorge Pereirinha Pires uniram esforços para ver nascer este filme de memórias e de conflitos entre gerações, feito de imagens de um Portugal antigo e moderno, que recupera o trajecto de uma das mais emblemáticas bandas do rock português: os Heróis do Mar.
O documentário recorda o trajecto do grupo na década de 1980 e, através desse percurso, dá a conhecer uma época da música portuguesa ainda com a memória recente da Revolução de 1974, acabando por propor uma reflexão sobre o Portugal cultural do pós-25 de Abril.
Saídos dos Faíscas e do Corpo Diplomático, os Heróis do Mar surgiram em 1981 e eram constituídos por Pedro Ayres Magalhães, Rui Pregal da Cunha, Carlos Maria Trindade, Pedro Paulo Gonçalves e António José de Almeida. Em Agosto desse ano saía o primeiro single com os temas "Saudade" e "Brava Dança dos Heróis". Três meses depois foram actuar no Rock Rendez Vous, em Lisboa, e surpreenderam o público com a sua estética inspirada no imaginário histórico português. Rui Pregal da Cunha distribuiu rosas vermelhas a um público extasiado, enquanto os restantes membros do grupo empunhavam lanças e deflagaram Cruzes de Cristo em amplas bandeiras.
As acusações não tardaram; uns chamaram-lhes fascistas, outros estrelas pop. Dir-se-ia que estavam à frente do seu tempo; o país não estava preparado para que se apossassem da atitude New Wave, tão em voga no resto da Europa, e a subvertessem, miscineigando-o com o passado histórico nacional.
Esta era uma época particularmente fértil em termos de vida cultural e também na música isso se reflectia. Era o início do "rock português", dos GNR, dos UHF, de António Variações, só para citar três exemplos, e "das primeiras tentativas de música eléctrica, como recorda José Pinheiro.
"Brava Dança" reune entrevistas feitas aos cinco elementos dos Heróis do Mar e a dezenas de outras pessoas, entre estilistas, fotógrafos e músicos, que deixam um testemunho sobre o cenário cultural do início da década de 80. Para além das entrevistas, o filme inclui telediscos, fotografias, cartazes, recortes de imprensa, programas televisivos, imagens de arquivos particulares e estrangeiros.
Além do material recolhido da RTP, a equipa conseguiu obter dos arquivos nacionais franceses as únicas imagens que há do Heróis do Mar a tocar ao vivo, com o som e a imagem que tinham quando apareceram.
A ideia de fazer este filme teve-a Jorge Pereirinha Pires quando visitou a casa de Pedro Ayres Magalhães e aí 'tropeçou' numa enorme colecção de recortes de imprensa dos Heróis do Mar. O projectou começou a germinar e o que era para ser um livro acabou por transformar-se nesta revisitação cinematográfica.

Recordações de uma época que não volta mais. Na minha opinião, os Heróis do Mar a par da Sétima Legião e Madredeus constituem uma trilogia de ouro que teve origem na década de 80. A defesa intransigente dos valores nacionais e o orgulho de ser português, com o génio Pedro Ayres Magalhães a ditar as regras. Um filme a não perder! Quando for editada a versão em DVD, não se esqueçam aqui do vosso amigo...
Todo este imaginário nacionalista, fez-me recordar as minhas andanças pelo Condado, do qual já tenho alguma saudade.

A saga continua...

A Maríita decidiu revelar a sua faceta de novelista e, brinda-nos com mais uma versão feminina da blogsérie Férias em Natal. Gostaria de endereçar, desde já, o meu agradecimento ás bloggers que aceitaram o meu desafio. No final, acredito que poderemos condensar as diversas versões e publicar o primeiro livro interactivo com base na blogosfera!

domingo, 11 de março de 2007

Drive a legend



Podem-no chamar de feio, quadrado ou desconfortável, mas o Land Rover Defender é uma das minhas grandes referências no mercado automóvel. Um verdadeiro carro profissional. Em todo-o-terreno, onde ele não conseguir chegar, mais nenhum chega e deverá ser o único modelo automóvel que já esteve presente nos locais mais remotos do planeta. Sofreu um recente restyling que pouco alterou o seu aspecto exterior, conserva a aparência clássica do primeiro modelo. Os clientes gostam desse preservar das origens, não se identificando com o requinte dos jipes actuais, que muitas das vezes nunca são colocados fora de estrada. Apenas o seu preço, se torna pouco simpático para um modelo tão rústico.

sábado, 10 de março de 2007

Amor bandido

"Uma estudante universitária, jovem e bonita, foi presa anteontem pela Polícia Civil de Campinas (95 km de São Paulo) sob acusação de chefiar uma quadrilha que assaltava casas lotéricas e residências.
Ana Paula Jorge Souza, 21, cursa o quarto ano de direito e mora com os pais em um bairro nobre da cidade.
De cabelos loiros e lisos, ela é acusada de guiar o seu Astra 2.0 preto, câmbio automático, para levar e dar fuga para a quadrilha. Ana Paula ainda indicava quais os locais que seriam assaltados, de acordo com as investigações policiais.
Filha de um empresário do ramo de construção civil e de uma assistente social, ela aparece em imagens apreendidas pela polícia em seu apartamento segurando um revólver ao lado de outros três homens acusados de integrar o grupo. Ela namorava um deles, Raoni Renzo Miranda, 18, que continua foragido.
Segundo o delegado do 13º DP de Campinas, José Antonio Serrat de Campos, a estudante pode ter entrado na quadrilha por ter se apaixonado pelo namorado. "Ela disse em seu depoimento que se envolveu com o crime por causa do namoro. Confessou que estava arrependida e que pensou em deixar a quadrilha", disse o delegado.
O namoro entre os dois começou há cerca de seis meses. O namorado possui uma passagem pela polícia sob acusação de participar de um seqüestro-relâmpago. Os dois se conheceram em uma festa rave.
A estudante foi presa às 6h30 de anteontem, no apartamento dos pais. Além dela, a polícia prendeu em outra casa Orlando Ernesto Carpino, 25, acusado de integrar a quadrilha. A polícia procura outros dois acusados, incluindo o namorado da estudante.
A universitária foi indiciada sob a acusação de roubo qualificado, furto qualificado e formação de quadrilha. Está presa na Cadeia Feminina de Indaiatuba (102 km de SP). "Os pais dela disseram ter ficado surpresos com o fato", disse o delegado.

Reconhecida
De acordo com a Polícia Civil, a quadrilha agia em bairros nobres de Campinas, mas pode ter praticado crimes em cidades da região. Uma mulher de Jaguariúna (134 km de SP), vítima de assalto, entrou em contato ontem com a polícia dizendo ter reconhecido a universitária por imagens.
Uma outra mulher, moradora do bairro Jardim Proença, em Campinas, também procurou ontem a polícia e disse ter reconhecido, nas imagens divulgadas, os quatro integrantes da quadrilha.
Dizendo-se vítima do grupo, a mulher relatou que a universitária aparentava chefiar os demais integrantes durante a ação. Ela disse ainda que um deles agia com violência.

Alto Padrão
Ela mora com os pais em um prédio de alto padrão -um apartamento por andar-, no bairro Cambuí, área nobre da cidade, onde reunia a quadrilha quando os pais viajavam.
As investigações foram iniciadas há dois meses. A polícia apreendeu, em quatro locais diferentes, jóias, relógios, celulares, TVs, DVDs e até um faqueiro italiano, além de cheques.
Em um computador apreendido, a polícia encontrou imagens do grupo usando drogas e exibindo armas e dinheiro. No material apreendido, um dos rapazes diz: "Filma. É dinheiro. Caiu aqui no chão. E tem mais na carteira".
Artigo de Maurício Simionato in Folha de S. Paulo (09/03/2007)

No Brasil, este fenómeno está-se a tornar recorrente. Filhos de classes previligiadas, com futuros promissores pela frente, aderem cada vez mais aos apelos do mundo da criminalidade. Uma crise de valores à vista ou a procura de um mundo de aventuras que não conseguem encontrar nas suas vidas confortáveis? Há quem diga que os verdadeiros aventureiros da modernidade já não são os piratas ou exploradores, mas sim todos aqueles que optam por viver no submundo. Será esta a explicação?

sexta-feira, 9 de março de 2007

George W. Bush no Brasil


"Sob forte esquema de segurança, o presidente americano, George W. Bush, chegou às 20h05, ao aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, procedente dos Estados Unidos, a bordo do Air Force One. Acompanhado da primeira dama dos Estados Unidos, Laura Bush, ele desembarcou às 20h15, fazendo um breve aceno. Em seguida, desceu da aeronave a secretária Estado Condoleezza Rice. Menos de dois minutos depois de descer do avião, Bush já ingressava num Cadillac do governo americano, trazido ao Brasil, seguido por uma comitiva de cerca de 40 veículos com destino ao Hotel Hilton, em São Paulo, onde ficará hospedado. Bush foi recebido pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pelo cônsul geral americano em São Paulo, Christopher Mcmullen, pelo secretário municipal de Relações Internacionais, Alfredo Cutait e pelo embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota.
Durante cerca de 20 minutos, não houve nenhum pouso ou decolagem na área do aeroporto em torno do “Air Force One”. O forte esquema de segurança levou oficiais de segurança do governo americano, do Exercito brasileiro e do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar paulista e do esquadrão do antibomba a inspecionarem com cães os equipamentos utilizados pelos jornalistas que cobriam a chegada. Nenhuma das autoridades concedeu entrevista após a saída da comitiva de Bush. Hoje, em companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bush visita pela manhã o Terminal da Transpetro no aeroporto de Cumbica, onde fazem uma declaração à imprensa. No local funciona um terminal da Petrobras Distribuidora, que faz operações de carregamento de produtos como diesel, biodiesel, gasolina e álcool, e um terminal terrestre da Transpetro. Lula e Bush têm novo encontro no início da tarde, seguido de almoço e declaração à imprensa no Hotel Hilton Morumbi. Bush embarcará no início da tarde para o Uruguai, Segunda etapa de sua visita à América Latina.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, mudou a rotina de um dos principais centros empresariais de São Paulo, quando ainda nem havia desembarcado. Vários escritórios da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, no Brooklin, na zona sul, dispensaram os funcionários entre 16 horas e 16h30 de ontem. A avenida passa ao lado do Hotel Hilton, onde Bush está hospedado. A idéia era evitar que o horário de saída deles pudesse coincidir com a chegada da comitiva do presidente dos EUA.

Passeata termina em pancadaria

São Paulo - Um grupo de mais de seis mil pessoas realiza na tarde de ontem, na Avenida Paulista, sentido Consolação, junto à Praça Oswaldo cruz, no centro de São Paulo, passeata em comemoração ao Dia Internacional da Mulher e em protesto contra a visita do presidente americano, George W. Bush, à cidade. De acordo com a Polícia Militar, a manifestação começou por volta das 14 horas e o grupo deve seguir até o Museu de Arte de São Paulo (MASP), liderado por representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). A PM estima que cerca de 10 mil pessoas se juntem ao grupo.
Segundo a CET, por volta das 15h45, os manifestantes, que carregam faixas com os dizeres “Fora Bush!” e “Não à guerra!” ocupavam a faixa exclusiva de ônibus e a faixa direita do sentido Consolação da avenida. O policiamento já foi reforçado na região para evitar que o grupo ocupe toda a via.
Na avenida Paulista, região central da cidade, um confronto entre manifestantes e policiais deixou cinco feridos —três manifestantes, uma tenente da Polícia Militar e um fotógrafo.
Durante a manifestação, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que entraram em confronto com PMs. Os manifestantes responderam com pedras e paus.
O grupo protesta desde as 16h pelos direitos das mulheres e contra a presença do presidente George W. Bush no Brasil. O gás das bombas da PM atingiu, além dos manifestantes que enfrentaram a PM, idosos e crianças que passavam pelo local além de pessoas que participavam do protesto pacificamente. Segundo a PM, 6.000 pessoas estavam no local. A organização do evento falou em 20 mil pessoas.
O trânsito na região também foi afetado pelo protesto. Os manifestantes invadiram a pista sentido Paraíso da avenida. Inicialmente, o protesto estava previsto para ocupar duas faixas da avenida, mas o grupo invadiu todas as faixas no sentido Consolação. A manifestação terminou por volta das 18h50. Às 19h10, a pista sentido Consolação foi liberada ao tráfego às 19h10, mais de três horas após o início do protesto."

in Tribuna do Norte (09/03/2007)

Contraponto feminino

A Tati já escreveu o primeiro contraponto da minha blogsérie Férias em Natal. Vale a pena dar uma vista de olhos e aguardam-se novas alternativas da ala feminina.

quinta-feira, 8 de março de 2007

A todas as mulheres...

Deixo-vos com esta bela declaração de amor...quem resistiria a tão belas palavras sussurradas no ouvido?
Parabéns pelo vosso merecido dia!

quarta-feira, 7 de março de 2007

Blogsérie - Férias em Natal - Episódio 1


Lisboa, Sexta-Feira - 05 Abril de 2008, 14:20h

Luís encontrava-se no escritório e aproveitava alguns minutos de pausa para escrever algo no seu blogue. A sua concentração momentânea é interrompida pelo toque do seu telemóvel pousado em cima da secretária.
- Estou? - atende com voz de enfado.
- Olá Luís! È o Ferreira...onde é que andas?
- No trabalho, onde é que haveria de ser!? Pá, desde quando é que me ligas com um número confidencial?
- Ah,ah,ah! Desculpa, mas é um esquema com uma gaja que conheci a semana passada. Olha, estou a ligar para saber se vais ao jantar do Reis logo à noite. Não te baldes. È uma noite especial...
- Especial? Só se for pelo facto do Reis estar a comemorar o divórcio com a Sónia. Eu entendo-o perfeitamente! A gaja era uma trombuda do piorio. Fora isso, não vejo nenhuma diferença em relação aos outros nossos jantares mensais.
- Não...o jantar deste mês é diferente. O Reis despede-se de um pesadelo de quatro anos e eu estou com umas ideias para as férias da malta.
- Férias da malta? Depois da desgraça que aconteceu em Espanha, dispenso as férias em grupo. Além do mais, a minha mulher já está enjoada das nossas noitadas e falta-me coragem para me escapar novamente para umas férias com o pessoal. Mas peraí...para onde é que nos queres levar? Escuta, nem penses que me arrastas para o Brasil!
- Tem calma. Já conversei com o resto do grupo sobre isso. O Lemos topou logo, o Reis agora quer é festança depois do divórcio e o Fonseca ainda ficou a fazer contas de cabeça. Já sabes como ele é para gastar dinheiro.
- Eu não vou para o Brasil e ponto final! - vociferou Luís que já estava vermelho de raiva.
- Méne, vê lá se te acalmas! Já ouviste falar em Xanax? Logo à noite conversamos sobre isso. E depois do jantar, o que fazemos?
- Sei lá...talvez um strip-tease no Tamila. Já estou farto de rodar Lisboa inteira a fazer figuras tristes convosco.
- Boa ideia.
- Onde é que é mesmo o jantar? Apaguei o mail do Reis sem querer e esqueci-me do nome do restaurante.
- Na Berlenga. Fica na Baixa, pertinho da igreja de São Domingos.
- Certo. Acho que consigo encontrar. Vejam lá se não se atrasam muito como já é hábito. E esquece essas férias no Brasil, ok?
- Vai-te lixar. Mais tarde damos-te na cabeça.
- Brasil nunca! - gritou Luís, mas o Ferreira já tinha desligado para o provocar.

O Ferreira vivera alguns anos no Brasil, entretanto regressara a Portugal, mas mantinha alguns negócios do outro lado do Atlântico que implicavam viagens regulares. Luís já receava que mais tarde ou mais cedo, o amigo tentasse arrastar o grupo para umas férias nos trópicos. Ele já jurara a si mesmo que seria país onde nunca pisaria, pois tinha uma antipatia congénita em relação ao Brasil. Sabia antecipadamente que a maioria do grupo já deveria estar excitada com a prespectiva de uns dias cheios de sol, praia, bebedeiras e engates de ocasião. O jantar daquela noite prometia complicações para o seu lado.

Restaurante A Berlenga - Lisboa, 22:55h
O jantar estava animado, a comida estava óptima e o Reis em estado eufórico. Os amigos sentiam-se felizes ao ver o seu parceiro alegre com a liberdade recém conquistada. O Luís era o que se mantinha mais silencioso. Tivera um dia cansativo no trabalho e receava o momento em que as férias no Brasil viessem à tona nas conversas do grupo. Enquanto Luís pensava sobre isto, os empregados colocam os cafés e as aguardentes velhas em cima da mesa e, o Ferreira aproveita o final da refeição para tomar a palvra.
- Atenção pessoal! Já estamos no final do jantar e ainda não falámos sobre as férias no Brasil. Eu tenho uns assuntos a tratar por lá no final do ano e gostaria que me acompanhassem para uns dias de borga. Podemos ficar no apartamento que costumo alugar quando vou a Natal. O que me dizem? - Ferreira ostentava um sorriso entusiasta enquanto vigiava Luís pelo canto do olho.
- Eu já te disse que alinho - respondeu prontamente o Lemos - a vida de vendedor de automóveis não está fácil, mas faz-se um esforço, nem que eu tenha que fazer um empréstimo. Eu quero é gajas!
- Bom...eu ainda não tenho bem a certeza - respondeu o Fonseca. Bem sei que nunca te visitei quando moravas em Natal, mas fica um pouco caro e tenho que dar uma boa desculpa à minha mulher para ir ao Brasil.
- Eu estou no ir! È já a seguir, mas é que é já a seguir! Agora depois do divórcio quero é curtir a vida. Bastaram-me quatro anos seguidos a passar férias na casa dos meus sogros no Algarve - disse o Reis.
- E tu, Luís? Podemos contar contigo? Não posso acreditar que nos vais fazer essa desfeita- inquiriu o Ferreira na direcção do Luís que se mantinha sorumbático.
- Vocês estão é todos malucos! - respondeu Luís, não conseguindo disfarçar a irritação. Eu não tenho vontade de ir ao Brasil e ainda por cima tenciono trocar de carro no final do ano. Até já tinha ligado ao Lemos para saber uns preços...
- Pá, não fica assim tão caro. Estás é com má vontade! - atirou o Ferreira, aumentando o volume de voz.
- Sinceramente não vejo qual é a pidada. E acham que vai ser fácil convencer a minha mulher? Quando regressámos de Espanha, ficou duas semanas sem me dirigir a palavra. Ferreira, eu até entendo que gostes do Brasil porque já viveste lá, tens negociatas em Natal mas não contes comigo para essa cena - afirmou com clareza.
- Hum...ainda bem que falaste das nossas férias em Espanha. Eu não alinhei prontamente dessa vez? Sabes que sou um nacionalista ferrenho e que os espanhóis me causam urticária. E daí? Desisti de ir com o pessoal? - o Ferreira não desarmava facilmente.
- Porra pá! Queres-me obrigar a fazer uma coisa que eu não quero? E neste momento estamos três contra dois, porque o Fonseca ainda não confirmou nada de concreto.

O Ferreira não gostava dos momentos de tensão, que por vezes surgiam no seio daquele grupo de amigos e constatou que a questão tinha de ser resolvida naquele momento.
- Caro Fonseca...como é que é? Ou sim ou sopas! Alinhas ou não? Deixa de ser forreta. Qual é o teu problema? Estás com medo da tua mulher? Tens pena de perder algum jogo do Sporting em Alvalade? - Ferreira disparava na direcção do amigo indeciso.
- Ok, eu vou! A minha mulher vai-me moer o juízo, mas faço-o em nome da nossa amizade e para manter a união do grupo - murmurou o Fonseca, enquanto fitava a chávena de café na sua frente.
- Estás a ver, Luís? Quatro contra um - chutou Ferreira de modo triunfal.
- Deixa-te de merdas. Vai ser porreiro. O Ferreira conhece bem aquilo, há gajas com fartura e tens de admitir que aqueles dias em Espanha não correram muito bem - afirmou o Reis em auxílio do Ferreira.
- Vocês são tramados...e para quando seria isso? - perguintou Luís vacilante.

O Ferreira piscou o olho de modo cúmplice e passou a explicar o plano que traçara com antecedência.
- Bom, eu tenho de ir a Natal de Novembro a Dezembro para fechar uns negócios que tenho em vista. Deste modo, seria óptimo irmos na primeira semana de Dezembro por vários motivos. Aqui já faz frio, o tempo por lá está esplêndido, é a semana do Carnatal e a cidade estpá cheia de gajas boas.
- Nem penses! - ripostou o Luís. Em Dezembro estarei sobrecarregado de trabalho e gosto de fazer as compras natalícias nas calmas. E combinar uma viagem com estes cromos com esta antecedência? Duvido que dê certo...
- Por mim qualquer data está boa - disse o Lemos.
- Realmente, não é um mês muito apropriado para tirar férias mas acho que uma semana apenas não irá fazer diferença - acrescentou o Fonseca.
- Luís, ouve bem o que te digo. Tiras duas semanas neste Verão para ires para a praia com a tua mulher e depois vens para o Brasil com o pessoal nos princípios de Dezembro. È apenas uma semana e lá no Instituto nem irão dar pela tua falta. Por outro lado, todos nós vamos tirar uma semana ou duas de férias no Verão para agradar às nossas parceiras. Senão habilitamo-nos a ter a fechadura de casa trocada quando viermos do Brasil - argumentava o Ferreira sorridente.
- Este gajo pensa em tudo. Ès do caraças! - zombou o Reis.
- Não restam dúvidas que és Touro como eu. A tua teimosia acabou por me convencer. Já sei que vou ter um resto de Dezembro sobrecarregado de trabalho e também terei que me esmerar com a prenda de Natal deste ano para a minha mulher - disse Luís já convencido pelos argumentos do parceiro.

A harmonia voltou a reinar na mesa. O Ferreira levantou-se e deu um forte abraço em Luís. Aproveitando o ambiente de fraternidade, O Fonseca propôs um brinde, erguendo o seu balão de aguardente velha.
- Um brinde ao grupo dos cinco cromos da bola! - gritou entusiasmado.
- Do tipo, um por todos e todos por um? - troçou o Lemos.
Ergueram-se das cadeiras e brindaram à sua longa amizade e fazendo votos que as férias em Natal fossem recheadas de aventuras.
- Vai ser curtir à grande! - exclamou o Ferreira.
- Ui, imagino as figuras de urso! Já faz parte do ritual - ironizou o Luís.
Após pagarem a conta, fizeram caminho rumo à Av. Duque de Loulé. A celebração da libertação do Reis das garras da soturna ex-mulher ainda não tinha terminado. Alguns meses depois iriam estar em paragens bem distantes...

Episódio 2 - Como sempre, ás quartas-feiras. Um desafio às bloggers femininas. Quem se oferece para escrever o contraponto, desta hisória na versão feminina das esposas, namoradas e derivados deste grupo de machistas? Seria uma forma original de criar uma narrativa cruzada, que fizesse os leitores saltar de página em página...

terça-feira, 6 de março de 2007

My name is Mor, Capitão-Mor!


José Vegar é escritor e jornalista, especialmente interessado nos casos de polícia, de corrupção, de segurança. Sobre isso editou recentemente, em parceria com Maria José Morgado, O Inimigo Sem Rosto e, mais recentemente ainda, Serviços Secretos Portugueses - História e Poder da Espionagem Nacional.

«A segurança dos cidadãos e o poder do Estado dependem dos seus serviços secretos. Baseado numa investigação rigorosa com mais de uma década, este livro mostra-nos pela primeira vez a realidade oculta dos serviços secretos portugueses. As ameaças que investigam, os métodos de pesquisa e análise utilizados, o modo como se movimentam no terreno e com que riscos se defrontam os seus operacionais. A ameaça real do terrorismo islâmico no nosso país, o perigo causado pelo crime organizado global, o tráfico de armas e estupefacientes cada vez mais sofisticado, as redes de máfia chinesa impenetráveis, a manipulação do bilhete de identidade nacional por falsificadores de todo o mundo, ou a omnipresença da corrupção numa sociedade cada vez mais dominada por interesses. Serviços de Informações de Segurança, Serviço de Informações Estratégicas de Defesa, Polícia Judiciária, Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, PSP e GNR são as principais forças que entram neste perigoso jogo e se confrontam na disputa do espaço das informações e do controlo de um território marcado pela indefinição de fronteiras e competências. Um mundo onde reina a conflituosidade e a falta de cooperação.»

Que tradição temos de espionagem? Algum agente, ao longo da História houve, assim particularmente carismático? Uma espécie de James Bond à portuguesa? Em tempos, li qualquer coisa sobre uma aparatosa operação ultra-secreta levada a cabo por agentes da SIED em Cabinda - Angola. Alguém tem algum conhecimento adicional sobre este universo nebuloso que queira partilhar? De qualquer modo, acredito que seja uma leitura bastante interessante e já tardava a aparição de alguma informação sobre os nossos serviços secretos. O futuro dos serviços de inteligência nacionais apresenta-se algo limitado. Acredito que num futuro próximo, essas actividades serão controladas na sua maioria pelas forças de segurança convencionais a nível interno e, pelos diplomatas a nível externo.
Por vezes, em tom de brincadeira, costumo dizer que sou agente secreto português destacado para os trópicos com a finalidade de salvar o Reino das forças do mal!

Serviços Secretos Portugueses: História e Poder da Espionagem Nacional - José Vegar - A Esfera dos Livros

segunda-feira, 5 de março de 2007

Ser estrangeiro

Acredito que até agora, tenho transmitido a ideia de um Brasil essencialmente pitoresco e turístico. Muitos de vocês devem-me imaginar com uma vida edílica, percorrendo praias ensolaradas, a repousar na sombra de um coqueiro, rodeado de belas mulheres e com um quotidiano tranquilo.
No entanto, a realidade é um pouco diferente e verifico que a minha adaptação aos trópicos ainda não foi totalmente bem sucedida a caminho de três anos.
A minha visão do Brasil era algo mitificada pelos meus conhecimentos de História, pela literatura e pelas minhas viagens turísticas. Desde logo, verifiquei que o meu estabelecimento por aqui seria árduo e necessitaria de esforços redobrados. O primeiro grande obstáculo, foi a obtenção do visto de residência por intermédio de investimento, que se arrastou por quase um ano, num verdadeiro embate com a complexa burocracia brasileira que não cede um milímetro. O segundo grande choque foi a nível cultural, educacional e de mentalidades. Eu costumo dizer que a única semelhança existente entre o Nordeste brasileiro e Portugal, é o uso de uma língua comum, embora com diferenças substanciais. Natal, foi até meados dos anos 90, uma pacata cidade do litoral nordestino que foi descoberta pela indústria do turismo. As mudanças nos hábitos locais foram algo bruscas e foi com alguma apreensão que verifiquei que uma grande parte da população não soube adaptar-se à nova realidade. Muitos deles revelam-se bastante adversos à introdução de novos elementos culturais e, por vezes, chegam a ser hostis em relação aos estrangeiros residentes. A própria palavra estrangeiro é pronunciada, algumas vezes, num tom claramente depreciativo.
Acredito que seja um sentimento de inferioridade cultural e económica que os faz agir deste modo absurdo.

A cidade cresceu bastante nestes últimos anos e consequentemente surgiram alguns males sociais, muitas vezes associados ao grande fluxo de turistas estrangeiros na região, sobretudo no que diz respeito ao tráfico de drogas, prostituição e aumento do custo de vida. Mesmo aqueles que trabalham directamente no sector turístico evidenciam algum preconceito e uma hospitalidade postiça. Normalmente, o estrangeiro é bem recebido enquanto turista que vem gastar divisas por aqui, mas quando tenta estabelecer a sua vida na região, o cenário muda um pouco de figura, esquecendo-se que muitas das vezes são esses próprios estrangeiros que através dos seus investimentos possibilitam a criação de empregos a nível local. Muitas coisas têm que ser obtidas por troca de favores ou dinheiro, onde a dualidade de critérios é evidente. Aliás, considero extremamente irritante o hábito local de "tirar vantagem", quando qualquer pessoa com quem se lida quer sempre lucrar alguma coisa no mínimo serviço que presta.

O mito da hospitalidade e alegria espontânea do brasileiro, deixa um pouco a desejar nesta região. Os nordestinos são bastante calados, desconfiados e sisudos e notoriamente racistas em relação a negros. Habitualmente, apenas se aproximam de estranhos por conveniência e a própria cidade funciona num estranho processo de conhecimentos pessoais, familiares e troca de favores, onde a corrupção é mais que evidente. Devo confessar, que neste período de tempo, fiz um círculo de amigos muito restrito porque o choque de mentalidades é bastante profundo. Grande parte dos nordestinos são profundamente ignorantes nem se esforçam por conhecer novas realidades, não possuem hábitos culturais, o machismo impera e bebem em demasia, tendo uma noção de lazer e divertimento algo bizarra, sob a minha perspectiva. Mais estranho ainda é que os hábitos mais pacatos e os bons modos europeus são facilmente cofundidos com arrogância e snobismo.

Outro facto que me deixou algo desgostoso, foi verificar que a propagada amizade luso-brasileira tem pouco entusiastas por aqui. Ao contrário de outras regiões do Brasil, que convivem com comunidades imigrantes há muitos anos, o Nordeste teve mais contacto directo com europeus muito recentemente. Noto que existe uma certa inveja do poder aquisitivo que possuímos, das mulheres que se aproximam com mais facilidade e por vezes ainda escuto piadas sobre os supostos abusos cometidos no período colonial português.
O nordestino é pouco solidário com os menos favorecidos e as classes mais abastadas desprezam profundamente a pobreza, revelando um egoísmo extremo. Ainda fico chocado com om tratamento que dão aos empregados domésticos e revelam-se completamente obcecados pelos bens materiais. Existe um verdadeiro culto da ostentação e torna-se extremamente monótono estabelecer um diálogo com essas pessoas. São capazes de ficar horas a fio a falar sobre a casa que compraram, do carro que tencionam comprar ou sobre a herança que receberam, tudo isto com cifões fornecidos ao pormenor. Creio que esta atitude é fruto de uma certa ignorância, de pessoas vazias que desconhecem que este tipo de diálogo é deselegante e enfadonho. E eu que pensava que os portugueses eram o supra-sumo do novo riquismo!

A sociedade local demonstra ser conservadora e fechada em relação às coisas mais insignificantes. Será difícil encontrar apreciadores de música estrangeira, cinéfilos, são incapazes de experimentar uma gastronomia diferente e ainda olham de viés para pessoas que apresentem um visual menos convencional.
Não quero que fiquem com a ideia de um discurso racista e xenófobo. Acho que seria altura de conhecerem o reverso da medalha de um europeu que escolhe viver no Nordeste brasileiro. È óbvio, que também conheci pessoas maravilhosas e educadas, mas é pena que sejam uma pequena minoria. As coisas boas vocês já sabem: um clima estupendo, lindas paisagens, um custo de vida acessível e a possibilidade de serem empreendedores com mais facilidade.
Contudo, costuma-se dizer que as vitórias são mais saborosas em terreno hostil. È isso que tenho tentado fazer, mostrando os meus princípios, educação e valor profissional. E acreditem que nunca imaginei que um português se pudesse sentir "tão estrangeiro" por terras de Vera Cruz. Tenho a sensação que vou desiludir bastante aqueles que ainda têm a ideia de um paraíso tropical deste lado do Atlântico e terei que aceitar comentários adversos dos leitores brasileiros. Acredito que sempre fiz um esforço para me adaptar a uma nova realidade, mas não me podem pedir para abdicar de ser eu próprio...

"Mas hoje, nesta primeira noite, não te quero falar disso. Queria apenas dar-te conta da primeira impressão que sente um inocente português que sai directamente do Chiado para uma aldeia metida dentro da selva e deixada à deriva no meio do Atlântico, à latitude do Equador: sente-se esmagado pela chuva, derretido pelo calor e pela humidade, comido vivo pélos mosquitos, espantado pelo medo.
E sinto, João, uma imensa e desmedida solidão."
in Equador, Miguel Sousa Tavares (Pag.147)

domingo, 4 de março de 2007

Até que enfim!

Consulado Honorário de Portugal em Natal
Cônsul: Francisco José Pereira Falcão Lamy
Endereço: Av. Rio Branco, nº 728 – 1º andar - Cidade Alta
Natal – RN
59025-002
Rio Grande do Norte
Telefone: 84.32150809
Fax: 84.32150819
E-mail: portugalemnatal@suissecolor.com.br
Horário: 2ª a 6ª, das 9:00 às 12:30

Menos mau! Agora já não temos que percorrer cerca de 300km até Recife para tratar de assuntos triviais. Ainda tive esperanças de vir a ser nomeado Cônsul Honorário aqui da região mas, como sempre, existe sempre alguém que se antecipa! :)

sexta-feira, 2 de março de 2007

O mito Dona Beija


Há dias atrás, fui desafiado pela minha blogamiga Rubina, para escrever um pouco sobre Dona Beija, um mito brasileiro que foi imortalizado por diversas obras literárias e uma telenovela em que a actriz Maitê Proença encarnava esta mulher de fibra. Uma história de uma mulher que estava à frente da sua época...

Com a inauguração do Complexo Turístico do Barreiro Araxá passou a ser conhecida nacionalmente. Desde então, o tipo de clima, o valor das suas águas e da lama termal foram associados ao mito Dona Beija, apelido de Anna Jacintha de São José.
Existe, de fato, uma documentação que comprova a existência de Dona Beija indicando que ela nasceu em Formiga, que viveu em Araxá e em Estrela do Sul, onde faleceu em 1873 deixando expressos em testamentos os últimos desejos.
A análise do contexto social da época, sob a ótica dos documentos, nos leva a considerar um factor preponderante: Dona Beija na condição de mulher, de mãe, com estado civil de solteira, moradora no arraial de São Domingos de Araxá nas primeiras décadas do século XIX, teria alcançado ma posição de destaque na sociedade local.

Casou suas filhas com membros de famílias influentes. Num tempo em que as mulheres eram habituadas a saírem de casa somente para assistirem à missa aos domingos (dentro da igreja agrupavam-se na nave, enquanto aos homens era concedido o privilégio de se concentrarem próximos ao altar), Anna Jacintha de São José parece ter sido uma mulher que exerceu a sua cidadania assumindo atitudes atribuídas exclusivamente ao sexo masculino.
A exemplo, algumas iniciativas como solicitar providências à administração pública ou tomar providências que seriam próprias desta, recorrer à justiça, comprar, vender ou construir imóveis, e ocupar uma posição político-partidária como a ocorrida por ocasião do Movimento Político de 1842. Comprovadamente Anna Jacintha de São José foi proprietária de escravos, muitos dos quais ainda baptizou. Foi proprietária de um sobrado situado na praça da antiga Matriz, fato que reforça sua posição social destacada pelo tipo de construção e pela legalização do imóvel na Vila.

Em meados do século XIX, Anna Jacintha de São José teria-se mudado para Bagagem(actual Estrela do Sul) por ocasião da corrida aos diamantes ali encontrados. A busca de novas perspectivas é procedente, bem como, o êxodo da população, já que naquele momento, Araxá atravessava uma fase de estagnação.
A vida de Dona Beija teria despertado atenção e encantamento a partir dos anos 30 e 40, como a construção do Grande Hotel e das Termas do Barreiro. Os trabalhos artísticos que enriquecem as paredes do Balneário mostram a figura dessa personagem e associam sua beleza ao valor das águas e da lama termal. Muitos escritores, araxaenses ou não, escreveram romances que tinham como tema central a vida de Dona Beija.

quinta-feira, 1 de março de 2007

O Crime do MSN


O paulista Carlos Eduardo Cabral, 18 anos, e seu primo, um adolescente de 17 anos, confessaram ontem envolvimento no assassinato da corretora de imóveis Célia Maria de Carvalho Damasceno, 43 anos, mas divergiram quanto à autoria do crime. Em depoimento à polícia, um atribui ao outro o espancamento e morte da vítima. Para a polícia, além dos dois, a namorada de Carlos Eduardo, uma adolescente de apenas 16 anos, também participou da morte. Ela se apresentou à polícia acompanhada do pai e, na DP, confessou que também bateu na vítima.
Segundo o subsecretário de Defesa Social, Maurílio Pinto de Medeiros, a corretora conheceu o adolescente de 17 anos pelo Messenger, um programa de bate-papo pela internet, há cerca de uma semana. Eles tiveram um encontro e marcaram para a noite de sábado, dia 24, um segundo encontro numa casa abandonada em Jenipapu.
A corretora foi ao encontro com o adolescente sem comunicar seu paradeiro. Sua família estranhou o desaparecimento e, desde o domingo, procurava por pistas de Célia Maria.

Segundo a polícia, a corretora foi estrangulada na noite de sábado e enterrada na madrugada de domingo. O delegado Maurílio Pinto concluiu que ela foi morta por Carlos Eduardo, a namorada dele de 16 anos e o adolescente de 17 anos, todos residentes no Parque das Dunas. “Todos eles estavam na cena do crime e têm participação. A menor, inclusive, ficou com o celular da vítima”, afirmou o delegado.
O motivo do crime ainda não está esclarecido, porque os acusados dão versões diferentes. O menor diz que o primo queria assaltar a vítima. Ele também revelou que a namorada do primo ficou com ciúmes de Célia Maria e, por isso, incentivou o assassinato e participou do estrangulamento. Carlos Eduardo, por sua vez, alega que o menor planejou o assalto que terminou em homicídio. Carlos Eduardo disse ainda que todos o três (ele isentou a namorada de culpa) estavam embriagados. A adolescente alega que a vítima foi morta para dar a senha do banco. “Eduardo chegou a tentar sacar dinheiro, mas não tinha saldo”, disse o delegado.

A polícia também confirmou que os três acusados participaram da ocultação do cadáver no quintal da casa. O corpo de Célia Maria só foi encontrado na noite de terça-feira, quatro horas depois do delegado Maurílio Pinto ter sido acionado para investigar o caso. “Tudo começou às 14 horas de terça-feira. A filha da vítima nos procurou com a cópia das mensagens entre a mãe e o adolescente. Eles falavam num encontro em Jenipabu. Aí descobrimos que uma pessoa havia ligado para o disque denuncia informando que um rapaz tinha enterrado uma mulher em Jenipabu”, explicou.
A filha da corretora marcou um encontro com o adolescente - que não a conhecia - e um policial da Subsecretaria de Defesa Social a acompanhou no carro para detê-lo. Com a localização do adolescente, os policiais civis, com o apoio da PM, chegaram ao primo dele, Carlos Eduardo, que mostrou o local onde o corpo foi enterrado. “A filha da vítima foi muito valente e corajosa. A participação dela foi decisiva para a elucidação do crime”, falou Maurílio Pinto.

“Eu acho que ela foi enterrada viva”

O adolescente de 17 anos, apreendido sob acusação de participação no assassinato, disse que viu a corretora Célia Maria ser assassinada, mas alegou que nada pôde fazer para impedir o crime.
Ele acredita que o primo dele, Carlos Eduardo, teve duas motivações para o assassinato: financeira, para roubar os pertences e sacar dinheiro da conta da vítima, e para mostrar a namorada que ela não precisava ter ciúmes de Célia Maria.
O adolescente também revelou que estava no começo de um “namoro secreto” com a vítima e não tinha interesse em assassiná-la. Ele revelou que tinha sido detido há alguns meses armado com um revólver. O depoimento dele é conflitante com a versão de Carlos Eduardo, que atribui ao menor a autoria do homicídio.


TRIBUNA DO NORTE: Como você conheceu Célia Maria?
Adolescente: Foi pelo Messenger. Eu entrei num bate papo e a encontrei

Esse era seu primeiro encontro com ela?
Adolescente: Não foi o segundo

Por que ela foi morta?
Adolescente: Eu não a matei

Quem matou Célia Maria?
Ele (Carlos Eduardo, primo do adolescente) e namorada dele (uma adolescente de 16 anos) mataram ela na minha frente. Ele (Carlos Eduardo) disse que ia me matar também. Eu não pude fazer nada. Fiquei calado, vendo

Por que você não pôde fazer nada?
Adolescente: Ele (Carlos) é violento. O cara deu uma facada na boca da irmã, bateu no pai dele e já quebrou tudo dentro de casa. Ele não é flor que se cheire. O cara fica doido quando bebe. Se ele fez isso com a irmã, imagine comigo

E por que Carlos Eduardo matou a corretora?
Adolescente: Porque a namorada dele ficou com ciúmes dela. Ela também matou. Querem jogar isso para mim, porque sou de menor

Foi só isso? Seu primo diz que foi você quem matou.
Adolescente: Ele quer jogar para cima de mim porque sou de menor. Ele deu um muro nela e depois ficou doido. A menina segurou ela pelo pescoço e ele ficou batendo. A idéia de matar foi também dela. Eles ficaram batendo, depois ele amordaçou ela com a camisa. Ele disse: se você falar também morre


A polícia está afirmando que seu primo queria assaltá-la. É verdade?

Adolescente: Ele ficou batendo nela e pedindo a senha do cartão. Ele dava chute, murro e a menina segurava. Ela não lembrava das coisas e ele batia mais. Ele bateu de “chapa” nela (com o facão)

Quem decidiu enterrá-la?
Adolescente: Foi eles (SIC). Eu acho que ela foi enterrada viva

Por que?
Adolescente: Porque ela tava quase morrendo. Aí ele pulou no pescoço dela

Você está arrependido?
Sim! Muito

“Eu também bati, mas foi uma porrada”

O paulista Carlos Eduardo Cabral, mais conhecido como “Gugu”, 18 anos, é apontado pela polícia como um dos autores do assassinato da corretora. Ele respondeu a processo em São Paulo por tráfico de drogas e há um ano mora em Natal, onde trabalha com o pai dirigindo cegonhas (carretas usadas para o transporte de carros).

O acusado atribui ao primo menor de idade a autoria do crime, mas confessa que chegou a espancar a vítima e a ocultar o corpo. Ele também nega que sua namorada, de apenas 16 anos, tenha participado do homicídio.

TRIBUNA DO NORTE: Porque você matou Célia Maria?
Carlos Eduardo: Não fui eu

Seu primo diz que foi você e sua namorada
CE: Ele (o adolescente de 17 anos) está mentindo. Ele queria roubá-la. Ele disse que ela tinha dinheiro. Foi ele quem premeditou tudo.

Então, qual a sua participação no crime?CE: Ele disse que queria o dinheiro. Eu disse que ia junto.

Que dinheiro?
CE: Quatro mil. Ele disse que ela ia comprar um carro.

Era um roubo?
CE: Era

E por que vocês a mataram?
CE: A gente foi dormir e ele colocou um pano na boca dela. Ele começou a bater nela, deixou o olho roxo. Eu também bati, mas foi uma porrada. O resto foi ele. Foi ele quem a enforcou

Por que?
CE: Não sei. Ele queria que ela desse o dinheiro

Quem teve a idéia de ocultar o corpo?
CE: Foi ele

Ele cavou e jogou o corpo sozinho?
CE: Ele cavou o buraco sozinho. Depois eu e ele colocamos ela

E depois?
CE: Eu fui embora a pé

Seu primo diz que sua namorada também participou do crime. É verdade?
CE: Não. Foi ele sozinho

Você conhecia a vítima?
CE: Não.

E seu primo, como ele conheceu a vítima?
CE: Não sei. Parece que foi no carnaval da Redinha

E por que ele a matou?
CE: Não sei. Ele queria o dinheiro e começou a bater nela. Ele amarrou ela e começou a bater.

Você não o impediu?
CE: ... (não respondeu)

Você está arrependido?
CE: ...(não respondeu)

Sente remorso?
CE: Sim senhor

Veja a conversa entre o adolescente e Célia Maria

A filha da corretora assassinada recuperou no computador a conversa no Messenger entre sua mãe e o acusado. Os trechos provam que o adolescente convidou a vítima para o local do crime, uma casa em Genipabu. No dia do assassinato, vítima e acusado mantiveram duas conversas, uma de madrugada e outra à tarde. Abaixo, alguns trechos do diálogo divulgado pela polícia.

Trecho da conversa no Messenger entre vítima e adolescente, ocorrida na madrugada de sábado, dia 24, cerca de 23 horas antes do crime.

Célia Maria - Quem vai estar na casa de Genipabu?

Adolescente - Ninguém porque? (a interrogação é vermelha com a fonte estilizada representando sangue escorrendo)

CM - Não vai ter nenhum problema?
A - A gente vai dar um rolé na praia e volta!

CM - Você tem a chave?
A - Não precisa de chave

CM - Como assim?
A - e aberto lá!
A - Mas ninguém entra! Só a gente!

CM - A sei
A - Só nós dois!

CM - Ok.

Trecho da última conversa no Messenger entre vítima e adolescente, ocorrida cerca de oito horas antes do assassinato.
Célia Maria - Acabei de chegar em casa
Adolescente - Ótimo!
A - To tc (teclando) com meu irmão hacker!

CM - Ainda vou ter que mostrar um apartamento a um cliente
CM - Agora, às 16h30
CM - Me ligue às 5 horas

A - Combinado!

CM - De onde eu estiver eu vou
CM - Aí nos encontramos no posto (Posto Jenipabu, perto da casa onde ocorreu o crime)

Adolescente - Então tá ótimo! Combinadíssimo!

CM - Ou no terminal de ônibus
A - Pode ser tb (também)!

CM - Terminal de ônibus
A - Demoro!

CM - Tchau
CM - Tomar banho
CM - Bjo (beijo)

A - Outro.

Adolescente se apresenta com o pai

A adolescente de 16 anos acusada de envolvimento na morte da corretora se apresentou na manhã de ontem ao delegado Maurílio Pinto e, depois de negar envolvimento, disse aos policiais que chegou a bater na vítima.

A jovem, no entanto, ressaltou que não matou a corretora. “O menor diz que o crime foi praticado por Eduardo e a namorada. Eduardo diz que ela não tem nada com o crime. Mas a adolescente confirma que chegou a puxar a roupa da vítima durante a briga. Ela disse que bateu na cabeça da mulher para ela dar a senha do banco. Por isso tudo, comunicamos o caso ao juiz e vamos apresentar a adolescente ao promotor da Infância e da Juventude”, disse Maurílio Pinto.

Corretora foi torturada e depois estrangulada

Segundo a polícia, a corretora Célia Maria foi torturada para fornecer aos bandidos a senha do banco. Ela foi amordaçada com uma camisa, teve as mãos amarradas para trás com o cordão de uma bermuda e ainda teve as pernas amarradas com uma corda. Ela foi espancada com o lado cego da lâmina de um facão e, quando já estava sem forças, foi estrangulada.
Para a polícia, o crime teve requintes de crueldade, sobretudo porque desde o momento que foi rendida, a vítima não apresentou reação. “Ela foi muito espancada. Eduardo diz que eles deram murros, chutes e pauladas”, contou o delegado. Depois de morta, Célia Maria teve o corpo ocultado numa cova rasa.
Célia foi assassinada em uma casa de primeiro andar abandonada, na estrada de Jenipabu, próxima ao posto Jenipabu. A área é habitada. De um lado da casa, tem uma residência colada muro com muro, e do outro funciona um barzinho. Os vizinhos contaram, no entanto, que na noite do assassinato, domingo, não ouviram nem viram nada estranho. Antes, porém, os moradores próximos disseram ter avistado, na casa, Célia na companhia de Carlos e do primo. Também disseram que Carlos era o caseiro do imóvel, que foi comprado há dois anos por uma pessoa que seria seu tio e que mora em São Paulo mas que nunca chegou a investir no local. Segundo os vizinhos, Carlos costumava usar a casa para fazer festinhas regadas à bebida nas quais reunia moças e rapazes. No carnaval, ele foi visto com uma turma farreando lá.

Psicanalista alerta para os riscos da internet

O Orkut e o MSN, sites em que Célia Maria de Carvalho navegava com freqüência para conhecer pessoas, são uma febre. Gente de praticamente todas as idades e de ambos os sexos passam horas neles em busca de relacionamentos virtuais, que funcionam como um excelente remédio para a solidão. E muitos acabam levando o relacionamento do mundo digital para o real, como fez a corretora de imóveis.

A psicanalista Ruth Dantas não entrou no caso particular de Célia, até porque não sabe nada sobre a vida da corretora e da família, mas a recomendação de Ruth serve para todos. Ela diz que é preciso um cuidado redobrado antes de dar um passo à frente.

“Na internet, corre-se um risco muito maior porque no contato real a pessoa vê a outra, suas feições, gestos, jeito. Há algumas pistas para saber quem o outro é. Claro que se pode mentir, enganar, mas na internet é ainda mais fácil”, fala Ruth, lembrando que na net existem muitas pessoas usando nomes e perfis falsos (são os populares “fakes”).

A psicóloga entende que, no geral, os relacionamentos pela internet são a marca dos tempos atuais, em que tudo é descartável. “As pessoas se encontram e depois somem. Fica-se tentando encontrar alguém sem que se precise se comprometer seriamente”, diz a psicanalista. Há, no entanto, casos bem sucedidos de relacionamentos que começam na rede mundial de computadores. Mas o exemplo que deve ser levado em consideração é o e Célia.

A corretora era divorciada, mas morava com o ex-marido. Ela deixou dois filhos, um rapaz de 17 e uma moça de 20 anos.

Artigo de Augusto Bezerra in Tribuna do Norte (01/03/2007)

Um alerta muito sério, para a forma leviana como que muitas vezes expomos a nossa vida privada na internet e nos relacionamos com as nossas amizades "virtuais"...