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quinta-feira, 24 de maio de 2007

Festival Hot D´Or


Durante duas semanas em Maio, cerca de mil produtores, realizadores e estrelas do porno invadem Cannes para o mais famoso, e porventura o mais glamoroso, festival de cinema para adultos do mundo, o Hot d'Or. Para todas as vedetas do Xbiz,ou aspirantes a tal, este é ponto de passagem obrigatório. O Hot d'Or é a resposta do mundo da pornografia ao mediático Festival de Cannes, rivalizando com o certame original através de várias festas orgiásticas, a sua própria cerimónia e premiações. Realizado num enorme complexo hoteleiro vigiado por uma legião de seguranças, o festival é uma impressionante mostra do poder desta indústria a nível mundial. Em suma, uma visão alternativa do mundo do cinema em Cannes.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

A Missão

Com um elenco soberbo, composto de astros do porte de Robert de Niro, Jeremy Irons e Liam Neeson, A Missão retrata a guerra estabelecida por portugueses e espanhóis contra jesuítas idealistas que catequisavam os índios de Sete Povos das Missões, na América do Sul no século XVIII. De Niro interpreta o papel de um violento mercador de escravos indígenas, que arrependido pelo assassinato do seu irmão, realiza uma auto-penitência e acaba por se converter num missionário jesuíta. Ele ajuda o líder dos catequistas, Gabriel (Jeremy Irons) a criar um novo mundo em Sete Povos das Missões, mas os colonizadores ibéricos têm outros planos para aquele lugar. Quando Gabriel recusa-se a deixar o que foi construído, o Exército é enviado para retirá-los à força. Um filme emocionante, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e que notabiliza também pela belíssima banda sonora composta por Ennio Morricone. Mais um dos filmes da minha vida...

Título Original: The Mission
País de Origem/Ano Produção: Grã-Bretanha (1986)
Realização: Roland Joffé
Elenco: Robert de Niro
Jeremy Irons
Liam Neeson...

sábado, 24 de março de 2007

Os Imortais


A partir de agora, prentendo publicar regularmente textos sobre alguns filmes que marcaram a minha vida. Dou início a este périplo com um filme português. Ao contrário de muitas pessoas, sempre me afirmei um forte defensor da nossa cinematografia nacional. È hora de deitar por terra todos os preconceitos existentes em relação ao cinema português e orgulhar-nos das películas que são feitas em Portugal.

Todos os anos, quatro ex-comandos (Joaquim de Almeida, Rogério Samora, Rui Unas e Joaquim Nicolau) combinam juntar-se, na companhia de quatro mulheres (Emmanuelle Seigner, Paula Mora, Ana Padrão e Carla Salgueiro) para comemorar os feitos de guerra e solidificar o espírito de grupo. Naquele Verão de 1985, fartos da "pasmaceira do país", decidem assaltar um banco. Joaquim Malarranha (Nicolau Breyner), um inspector da Judiciária em vésperas de se reformar, vai cruzar-se no seu caminho e, por ironia do destino, acaba a tocar guitarra na casa de fados de um deles. Um filme de polícias e ladrões, de heróis desempregados ou à beira da reforma, de sobreviventes e inadaptados. Um filme sobre uma certa necessidade de solidão masculina que as mulheres nunca irão compreender.

É sabido de todos (se não então passam a saber) que António-Pedro Vasconcelos é "O" reconciliador por excelência do nosso público com o seu cinema. A fórmula que segue é tão simples que devia envergonhar muitos pseudo-realizadores-artistas da nossa praça: saber contar uma história. Assim. Tão simples como isto. Daquelas que têm um princípio, um meio e um fim. Das que não se perdem em dissertações obscuras, com mensagens induzidas a meia-dúzia de indivíduos iluminados que seguem não uma cinefilia, mas algo mais abstracto. Como uma "cosa nostra" a que o comum espectador não pode ter acesso.
Não quero com estas palavras denegrir o chamado "cinema de autor". Apenas recordar aos nossos fazedores da sétima arte que esta, às vezes, deve servir a todos (de preferência sempre).
António-Pedro Vasconcelos foi o realizador do segundo filme português mais visto de sempre nos nossos cinemas. Refiro-me a "O Lugar do Morto", de 1984. Mas também "Jaime" (1999) se encontra nesse top, numa honrosa quinta posição. Melhor que ele só mesmo Joaquim Leitão, que vai alternando alguns filmes de digestão fácil (o primeiro lugar do top, "Tentação") com desastres de realização, vãs tentativas de clonar o modelo americano (o horrível "Inferno").
"Os Imortais" é uma adaptação de um livro assinado por Carlos Vale Ferraz, "Os Lobos Não Usam Coleira". Adaptação muito livre, conforme referiu o realizador, habituado a escrever os seus próprios textos originais. A história centra-se num dia fatídico, no Verão de 1985, numa reunião anual de um grupo de ex-comandos da guerra colonial, homens desadaptados ao actual estado de coisas do país. "Uma pasmaceira", como eles dizem. Depois do 25 de Abril, estes "desempregados da guerra", treinados desde muito cedo para matar e ser violentos, são obrigados a recorrer a comportamentos desviantes para dar algum sentido à sua vida. É então que decidem assaltar um banco.
Os imortais do filme são os actores Joaquim de Almeida, Rogério Samora, Joaquim Nicolau e... Rui Unas.
Exactamente. O apresentador de televisão na sua primeira experiência de representação no cinema. Unas sai-se muito bem, embora num papel que foi feito à sua medida, o de Vitor Pratas. Divertido, desenrascado e conciliador, é talvez o mais esperto e sobrevivente dos imortais.
O eixo da história roda muito em redor dos personagens interpretados por Rogério Samora (Horácio Lobo) e Joaquim de Almeida (Roberto Alua), sendo a interpretação de Joaquim Nicolau (Sérgio Mano) algo apalhaçada e com demasiados tiques.
No meio destes inadaptados vai surgir um investigador da polícia judiciária à beira de se reformar. É o personagem de Nicolau Breyner, único conhecedor dos intentos do grupo de ex-comandos.
Ao elenco juntam-se outros grandes nomes da nossa praça, como Alexandra Lencastre no papel da esposa amargurada de Roberto Alua, Maria Rueff em mais uma investida no cinema ( aqu i como filha do investigador Malarranha, papel de Nicolau Breyner), assim como Ana Padrão ou Carla Salgueiro.
Mas há também uma personagem feminina muito importante na trama policial de "Os Imortais". Nas reuniões do grupo de ex-combatentes é normal que cada um seja responsável por levar uma mulher, "para entreter". É aqui que entra Madeleine, uma mulher francesa que seduz Alua e vai ser a razão de todos os problemas. Esta mulher é interpretada, nada mais nada menos, que por Emmanuelle Seigner, actriz fétiche e casada com o realizador Roman Polanski.
Sem que se possa dizer que estamos perante uma interpretação do outro mundo, Seigner aguenta-se muito bem num papel em que tem de dar o corpo ao manifesto (literalmente).
Em suma, "Os Imortais" é filme que conseguiu entrar no top de bilheteira dos filmes . Uma história bem contada, bem montada, e com uma fotografia acima da média (de Barry Ackroyd, habitué do realizador Ken Loach).

Título Original: Os Imortais
País de Origem/Ano: Portugal (2003)
Realização:António-Pedro Vasconcelos
Elenco: Joaquim de Almeida
Nicolau Breyner
Rogério Samora
Rui Unas
Emmanuelle Seigner
Alexandra Lencastre
Ana Padrão...

sexta-feira, 16 de março de 2007

Com legendas!?


A Mostra Internacional de Cinema na TV Cultura, apresentada pelo crítico Leon Cakoff, exibe hoje (22.40h), o filme Capitães de Abril (Portugal, 2000), realizado por Maria de Medeiros. O enredo passa-se em Portugal, na década de 70, e traça um panorama da Revolução dos Cravos que acontecia na época e que mudou os rumos políticos e sociais do país. O longa-metragem começa ao som de Grândola - Vila Morena, canção proibida, que toca na rádio como sinal planejado para o início do golpe de Estado. Pela voz do cantor Zeca Afonso, as tropas rebeldes tomaram os quartéis e entraram em Lisboa, sob o comando de jovens militares que lutam pela paz e liberdade, mas sem desrespeitar os civis ou fazer uso da violência. Essa luta se distingue das outras pelo carácter pacífico e lírico. A idéia do filme é mostrar o olhar de uma geração nascida da liberdade, colocando em perspectiva os momentos de intensa paixão política. No elenco, Stefano Accorsi, Maria de Medeiros, Joaquim de Almeida, Frédéric Pierrot, Fele Martínez, entre outros. È curioso que a programação deste filme na TV Cultura, se repete num curto espaço de meses. Será que também irão repetir a colocação de legendas?

Este é um fenómeno algo estranho para a minha compreensão. Será assim tão complicado para os brasileiros, entenderem o sotaque lusitano? Este pormenor tem deturpado as trocas culturais entre os dois países desde sempre. Basta contabilizar o número de espectáculos musicais, telenovelas e peças teatrais brasileiras que têm lugar em Portugal. No sentido inverso, são feitas algumas investidas quase sempre mal sucedidas e, verifico que apenas a literatura nacional tem uma boa aceitação junto do público brasileiro. Lamentavelmente, creio que esta situação irá manter-se no futuro, visto que a sociedade brasileira se aproxima cada vez mais da cultura norte-americana em detrimento das influências europeias e lusófonas. De qualquer modo, trata-se de uma excelente oportunidade para os meus amigos brasileiros conhecerem um pouco do cinema que se faz no meu país.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Brava Dança


O realizador José Francisco Pinheiro e o jornalista Jorge Pereirinha Pires uniram esforços para ver nascer este filme de memórias e de conflitos entre gerações, feito de imagens de um Portugal antigo e moderno, que recupera o trajecto de uma das mais emblemáticas bandas do rock português: os Heróis do Mar.
O documentário recorda o trajecto do grupo na década de 1980 e, através desse percurso, dá a conhecer uma época da música portuguesa ainda com a memória recente da Revolução de 1974, acabando por propor uma reflexão sobre o Portugal cultural do pós-25 de Abril.
Saídos dos Faíscas e do Corpo Diplomático, os Heróis do Mar surgiram em 1981 e eram constituídos por Pedro Ayres Magalhães, Rui Pregal da Cunha, Carlos Maria Trindade, Pedro Paulo Gonçalves e António José de Almeida. Em Agosto desse ano saía o primeiro single com os temas "Saudade" e "Brava Dança dos Heróis". Três meses depois foram actuar no Rock Rendez Vous, em Lisboa, e surpreenderam o público com a sua estética inspirada no imaginário histórico português. Rui Pregal da Cunha distribuiu rosas vermelhas a um público extasiado, enquanto os restantes membros do grupo empunhavam lanças e deflagaram Cruzes de Cristo em amplas bandeiras.
As acusações não tardaram; uns chamaram-lhes fascistas, outros estrelas pop. Dir-se-ia que estavam à frente do seu tempo; o país não estava preparado para que se apossassem da atitude New Wave, tão em voga no resto da Europa, e a subvertessem, miscineigando-o com o passado histórico nacional.
Esta era uma época particularmente fértil em termos de vida cultural e também na música isso se reflectia. Era o início do "rock português", dos GNR, dos UHF, de António Variações, só para citar três exemplos, e "das primeiras tentativas de música eléctrica, como recorda José Pinheiro.
"Brava Dança" reune entrevistas feitas aos cinco elementos dos Heróis do Mar e a dezenas de outras pessoas, entre estilistas, fotógrafos e músicos, que deixam um testemunho sobre o cenário cultural do início da década de 80. Para além das entrevistas, o filme inclui telediscos, fotografias, cartazes, recortes de imprensa, programas televisivos, imagens de arquivos particulares e estrangeiros.
Além do material recolhido da RTP, a equipa conseguiu obter dos arquivos nacionais franceses as únicas imagens que há do Heróis do Mar a tocar ao vivo, com o som e a imagem que tinham quando apareceram.
A ideia de fazer este filme teve-a Jorge Pereirinha Pires quando visitou a casa de Pedro Ayres Magalhães e aí 'tropeçou' numa enorme colecção de recortes de imprensa dos Heróis do Mar. O projectou começou a germinar e o que era para ser um livro acabou por transformar-se nesta revisitação cinematográfica.

Recordações de uma época que não volta mais. Na minha opinião, os Heróis do Mar a par da Sétima Legião e Madredeus constituem uma trilogia de ouro que teve origem na década de 80. A defesa intransigente dos valores nacionais e o orgulho de ser português, com o génio Pedro Ayres Magalhães a ditar as regras. Um filme a não perder! Quando for editada a versão em DVD, não se esqueçam aqui do vosso amigo...
Todo este imaginário nacionalista, fez-me recordar as minhas andanças pelo Condado, do qual já tenho alguma saudade.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

A noite do cinema



Esta noite, realiza-se mais uma entrega dos Òscares de Hollywood, os troféus mais cobiçados pelos profissionais da indústria cinematográfica. A presente edição apresenta um bom lote de filmes e a luta adivinha-se renhida nas principais categorias. Devido a um fuso horário mais favorável, posso assistir à cerimónia num horário razoável e espero que o serão reserve algumas surpresas agradáveis. Mais uma vez, lamento que nenhum filme português tenha sido nomeado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Será uma utopia?

Óscares 2007 - Lista de Nomeações:

Melhor Filme
Babel
Entre Inimigos (The Departed)
Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima)
Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos (Little Miss Sunshine)
A Raínha (The Queen)

Melhor Realizador
Alejandro González Iñárritu - Babel
Martin Scorsese - Entre Inimigos (The Departed)
Clint Eastwood - Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima)
Stephen Frears - A Rainha (The Queen)
Paul Greengrass - Voo 93 (United 93)

Melhor Actor Principal
Leonardo DiCaprio -Diamante de Sangue (Blood Diamond)
Ryan Gosling - Half Nelson
Peter O'Toole - Venus
Will Smith - Em Busca da Felicidade (The Pursuit of Happyness)
Forest Whitaker - O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland)

Melhor Actor Secundário
Alan Arkin - Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos (Little Miss Sunshine)
Jackie Earle Haley - Pecados Íntimos (Little Children)
Djimon Hounsou - Diamante de Sangue (Blood Diamond)
Eddie Murphy - Dreamgirls
Mark Wahlberg - Entre Inimigos (The Departed)

Melhor Actriz
Penélope Cruz - Voltar (Volver)
Judi Dench - Diário de Um Escândalo (Notes on a Scandal)
Meryl Streep - O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada)
Helen Mirren - A Rainha (The Queen)
Kate Winslet - Pecados Íntimos (Little Children)

Melhor Actriz Secundária
Adriana Barraza - Babel
Cate Blanchett - Diário de Um Escândalo (Notes on a Scandal)
Abigail Breslin - Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos (Little Miss Sunshine)
Jennifer Hudson - Dreamgirls
Rinko Kikuchi - Babel

Melhor Filme Estrangeiro
After the Wedding (Dinamarca)
Days of Glory (Indigènes) (Argélia)
As Vidas dos Outros (The Lives of Others) (Alemanha)
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth) (México)
Water (Canadá)

Melhor Argumento Adaptado
Borat (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan) - Sacha Baron Cohen & Anthony Hines & Peter Baynham & Dan Mazer & Todd Phillips
Os Filhos do Homem (Children of Men) - Alfonso Cuarón & Timothy J. Sexton e David Arata e Mark Fergus & Hawk Ostby
The Departed - Entre Inimigos (The Departed) - William Monahan
Pecados Íntimos (Little Children) - Todd Field & Tom Perrotta
Diário de Um Escândalo (Notes on a Scandal) - Patrick Marber

Melhor Argumento Original
Babel - Guillermo Arriaga
Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima) - Iris Yamashita & Paul Haggis
Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos (Little Miss Sunshine) - Michael Arndt
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth)- Guillermo del Toro
A Rainha (The Queen) - Peter Morgan

Melhor Filme de Animação«Carros» («Cars») - John Lasseter
«Happy Feet» - George Miller
«Monster House» - Gil Kenan

Melhor Direcção Artística
Dreamgirls - John Myhre, Nancy Haigh
O Bom Pastor (The Good Shepherd) - Jeannine Oppewall, Gretchen Rau e Leslie E. Rollins
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth)- Eugenio Caballero, Pilar Revuelta
Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest) - Rick Heinrichs, Cheryl A. Carasik
O Terceiro Passo(The Prestige) - Nathan Crowley, Julie Ochipinti

Melhor Cinematografia
A Dália Negra (The Black Dahlia) - Vilmos Zsigmond
Os Filhos do Homem (Children of Men) - Emmanuel Lubezki
O Ilusionista (The Illusionist)- Dick Pope
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth) - Guillermo Navarro
O Terceiro Passo(The Prestige) - Wally Pfister

Melhor Guarda-Roupa
A Maldição da Flor Dourada (Curse of the Golden Flower) - Yee Chung Man
O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada) - Patricia Field
Dreamgirls - Sharen Davis
Marie Antoinette - Milena Canonero
A Rainha (The Queen) - Consolata Boyle

Melhor Documentário
Deliver Us from Evil - Amy Berg e Frank Donner
Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth)- Davis Guggenheim
Iraq in Fragments - James Longley e John Sinno
Jesus Camp - Heidi Ewing e Rachel Grady
My Country, My Country - Laura Poitras e Jocelyn Glatzer

Melhor Montagem
Babel - Stephen Mirrione e Douglas Crise
Diamante de Sangue (Blood Diamond) - Steven Rosenblum
Os Filhos do Homem (Children of Men)- Alex Rodríguez e Alfonso Cuarón
The Departed - Entre Inimigos (The Departed) - Thelma Schoonmaker
Voo 93 (United 93) - Clare Douglas, Christopher Rouse e Richard Pearson

Melhor Caracterização
Apocalypto - Aldo Signoretti e Vittorio Sodano
Click - Kazuhiro Tsuji e Bill Corso
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth) - David Marti e Montse Ribe

Melhor Banda Sonora Original
Babel - Gustavo Santaolalla
O Bom Alemão (The Good German) - Thomas Newman
Diário de Um Escândalo (Notes on a Scandal) - Philip Glass
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth)- Javier Navarrete
A Rainha (The Queen) - Alexandre Desplat

Melhor Canção Original
I Need to Wake Up - Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth), Música e letra de Melissa Etheridge
Listen - Dreamgirls, Música de Henry Krieger e Scott Cutler. Letra de Anne Preven
Love You I Do - Dreamgirls, Música de Henry Krieger. Letra de Siedah Garrett
Our Town - Carros - Música e letra de Randy Newman
Patience - Dreamgirls, Música de Henry Krieger. Letra de Willie Reale

Melhor Curta-Metragem
Binta and the Great Idea (Binta Y La Gran Idea) - Javier Fesser e Luis Manso
Eramos Pocos (One Too Many) - Borja Cobeaga
Helmer & Son - Soren Pilmark e Kim Magnusson
The Saviour - Peter Templeman e Stuart Parkyn
West Bank Story - Ari Sandel

Melhores Efeitos Sonoros
Apocalypto - Kevin O'Connell, Greg P. Russell e Fernando Camara
Diamante de Sangue (Blood Diamond) - Andy Nelson, Anna Behlmer e Ivan Sharrock
Dreamgirls - Michael Minkler, Bob Beemer e Willie Burton
As Bandeiras dos Nossos Pais (Flags of Our Fathers) - John Reitz, Dave Campbell, Gregg Rudloff e Walt Martin
Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest) - Paul Massey, Christopher Boyes and Lee Orloff

Melhores Efeitos Visuais
Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest) - John Knoll, Hal Hickel, Charles Gibson e Allen Hall
Poseidon - Boyd Shermis, Kim Libreri, Chaz Jarrett e John Frazier
Super-Homem: O Regresso (Superman Returns) - Mark Stetson, Neil Corbould, Richard R. Hoover e Jon Thum

Oscar Honorário: Ennio Morricone
via TSF online

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Hoje, gostaria de prestar uma homenagem ao meu cineasta preferido - David Lynch. Este longo texto fez parte da introdução de um projecto de mestrado, apresentado por mim em 2005, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte que tinha a obra de Lynch como objecto de estudo. Espero que todos aqueles que desconhecem a sua obra, busquem ver algum destes filmes porque estamos perante o cinema na sua essência mais pura.

Imaginem a seguinte visão. Um lindo céu azul, uma bela cerca branca e um agradável jardim com rosas vermelhas. É manhã numa pacífica cidade americana do Mid-West. As pessoas são gentis e cumprimentam-nos com sorrisos no rosto. Um homem rega o seu jardim na companhia do seu cãozinho. Tudo está perfeito no mundo. O homem contorce-se de dor e cai ao chão agonizando. O seu imprestável cachorrinho limita-se apenas a latir. Enquanto ele sofre, é possível observar de perto a relva do jardim. Escondida dentro dela, um grupo de insectos nojentos rasteja na escuridão em alguma actividade incompreensível e desagradável. Bem vindo ao mundo de David Lynch.

Esta é a cena de abertura de um de seus filmes mais conhecidos, o clássico Veludo Azul (1986). Possivelmente o melhor ponto de partida para entrar em contacto com a filmografia do cineasta, pois estão presentes todas as suas características mais marcantes.

O realizador pode ser comparado a outros grandes cineasta contemporâneos, como Tim Burton, também um criador de mundos, Brian DePalma e Lars Von Trier, que de maneira semelhante trabalham com os limites do cinema e as sensações que ele provoca.

Um típico jovem americano, Jeffrey (Kyle MacLachlan), da pequena cidade de Lumberton, faz uma surpreendente descoberta, uma orelha humana amputada. Ao tentar descobrir o "dono" da orelha, percebe que o seu mundo é maior e mais assustador do que pensava. Lumberton tem dois lados, sua aparente tranqüilidade e sua sombra assustadora. Tudo lembra um filme de atmosfera noir, com sua femme fatale Dorothy (Isabella Rossellini), a jovem inocente Sandy (Laura Dern) e o memorável vilão Frank Booth (Dennis Hopper).

Em princípio, estamos diante de outro representante do género policial, mas as aparências enganam. Com absoluto controle sobre imagens e sons, Lynch desfaz a ilusão de realidade. É impossível ter certeza da época em que se passa a trama, cenas de horror e violência contrastam com a beleza do lugar, criminosos cantam In Dreams enquanto torturam suas vítimas e mortos recusam-se a cair no chão, permanecendo em pé. Veludo Azul lembra um sonho, alternando momentos terríveis e belos.

Com as frequentes referências a sonhos e a própria atmosfera onírica de seus filmes, é difícil não pensar em Lynch como um surrealista. Seus filmes não são repletos de metáforas indecifráveis, como os seus detratores costumam afirmar. Não há metáforas, só cinema. Sensações quase abstractas e não compreendidas pelo espectador, mas sentidas pelo subconsciente. Aceitar o seu cinema envolve não o uso da razão, mas o da intuição.

O surrealismo possui características em comum, como a ruptura dos padrões tradicionais de espaço e tempo, ênfase em deformações físicas e mutilações, clima de mistério e humor negro satirizando instituições respeitáveis da sociedade como o Estado e a Família. Lumberton é a perfeita utopia americana, um lugar onde todos são felizes e conformados com suas vidas. Mas a cortina de felicidade é rasgada, revelando um mundo de drogas, violência e perversão.

Ao final, Jeffrey resolve o mistério e derrota a ameaça de Frank Booth e seus comparsas. No entanto, o pássaro que surge para anunciar o triunfo da bondade é falso, mecânico. Não se ignora o horror, após presenciá-lo. Jeffrey e seus amigos preservam a inocência, o espectador jamais. É uma crítica subtil ao final feliz fácil de Hollywood, talvez a instituição respeitável mais atacada por Lynch.

Para atingir este estágio de perfeição estética e artística, o realizador teve um começo de carreira interessante. Inicialmente um estudante de pintura, logo passou a interessar-se pela possibilidade de criar imagens em movimento. Nascia um cineasta. Sua primeira longa-metragem, Eraserhead (1977) é famoso por suas imagens incomuns e pelo clima grotesco. O sucesso no circuito cult bastou para dirigir o Homem-Elefante (1980) e a polémica adaptação de Dune (1984).

O primeiro filme narra a vida de John Merrick (John Hurt), deformado ao ponto de ter ganho o apelido de Homem-Elefante. Aberração de circo em 1884, Merrick é descoberto por um médico inglês e apresentado ao resto do mundo. Sua transição do mundo do circo para o lado respeitável da sociedade será traumático.

Além de excelentes actuações, também conta com uma fotografia em P&B fantástica, de inspiração expressionista, o que demonstra as influências do expressionismo no cinema de Lynch, influência que também pode ser vista noutros filmes, comprovando o misto de referências e influências do realizador.

O expressionismo seria a busca pelo lado escuro da alma humana, um retrato deformado de sensações como angústia e melancolia, com a intenção de mostrar que nem tudo no mundo é belo. Veludo Azul expressa o dilema entre o desejo por uma vida tranqüila e as nossas necessidades mais inconfessáveis. Esse dilema pode ser visto em practicamente todos os filmes do autor.

David Lynch também não segue as regras de caracterização típicas de outros filmes. Inicialmente, suas personagens são propositadamente superficiais, caricatos até. Por exemplo, Jeffrey é um rapaz americano comum e bem intencionado. Nada mais é dito sobre ele, seu passado, suas relações com a família, etc.

Esse "método" de caracterização além de auxiliar na aura de mistério (comum ao surrealismo e ao expressionismo), aumenta o impacto quando os personagens trocam de identidade. Situação surreal freqüente no cinema de Lynch, pois levanta questões sobre identidade, tempo e espaço. Exemplificando, essa metamorfose ocorre explicitamente em Estrada Perdida e Mulholland Drive e de maneira apenas sugerida em Veludo Azul. Na cama com Dorothy, o bom rapaz Jeffrey mostra o quão "bom menino" realmente é.

Coração Selvagem (1990), aprofundou seu estilo marcante. É um road-movie sobre o casal Sailor (Nicolas Cage) e Lula (Laura Dern), cujo amor é proibido pela família dela. Ambos partem pela estrada, mas com assassinos no encalço. Além de sua atmosfera absurda, também é lembrado por sua extrema violência (algumas cenas são revoltantes) e pelo humor cínico. Coração Selvagem antecede em muitos anos Assassinos Natos, Tarantino e toda uma série de filmes violentos-e-engraçadinhos que surgiram nos anos 90.

Também é uma sátira as aventuras e clichés típicos de Hollywood. Não importa as ameaças, o casal está destinado a vencer seus inimigos e consumar seu amor. Bem adequado ao senso de humor do filme, poucas vezes um Deux Ex Machina foi tão artificial e levou a um final feliz ridículo, de tão exagerado.

Em seguida, Lynch movimentou-se numa direção inesperada, ao criar a série de televisão Twin Peaks, cujo mistério sobre a morte de Laura Palmer intrigou espectadores tanto quanto os seus excêntricos personagens. No entanto, problemas nos bastidores para manter o controlo sobre a série geraram o seu pior filme, Os Últimos Dias de Laura Palmer, um filme arrastado, confuso e despropositado,onde Lynch não parecia saber muito bem o que estava a fazer.

Mas a obra-prima de Lynch talvez seja mesmo Estrada Perdida (1997), um dos grandes filmes dos anos 90. Fred (Bill Pulman) e Renee (Patricia Arquette) são um casal com problemas de relacionamento e assustados com a entrega em casa de perturbadoras cassetes de vídeo. Uma noite Renee é morta e Fred preso, considerado culpado pela sua morte.

No entanto, esta breve sinopse não explica realmente o filme, cujo desenvolvimento da trama, que envolve troca de identidades e rupturas no espaço e no tempo, complica-se e surpreende a todo instante. Ignora intencionalmente qualquer lógica racional na sequência dos eventos, subvertendo a noção de como deve ser um filme "normal". Poucas vezes no cinema uma frase simples e objectiva como "Dick Laurent está morto" foi tão repleta de mistério.

A Estrada Perdida é um longo e sombrio pesadelo, cuja estrutura do guião lembra o anel de moëbius, aquele que aparenta ter dois lados como qualquer outro anel, mas tem apenas um, num ciclo infinito. Também é uma homenagem ao noir no cinema, cujos elementos comuns, como tramas complexas e mulheres fatais são exacerbadas ao limite aqui. Fred tenta escapar da sua culpa, qualquer que seja ela, e reencontrar seu amor perdido por Renee. Mas "Você jamais me terá", ela afirma na conclusão.

Uma História Simples, inverte todas as expectativas. Inspirado numa história verídica, Alvin Straight (Richard Farnsworth), de 73 anos de idade, decide viajar para reencontrar o seu irmão doente, utilizando um pequeno tractor, já que não pode conduzir um carro.

Uma História Simples (1999) é terno e emocionante, um belo sonho, repleto de belas imagens e a música de Angelo Badalamenti, colaborador frequente do realizador. Não há perversão por trás das aparências, como em Veludo Azul. Também há espaço para um mundo de bondade e uma bela visão da relação de amor existente entre irmãos.

Recentemente em 2001, Mulholland Drive recebeu muita atenção. É um mistério de inspiração noir, onde Betty (Naomi Watts) recém chegada a Hollywood com o sonho de ser actriz, busca ajudar a amnésica Rita (Laura Harring) a encontrar o seu passado, enquanto ocorre uma misteriosa conspiração nos bastidores da terra do cinema.

Combinando a beleza intensa de História Simples com um enredo menos complexo do que em Estrada Perdida, mas ainda confundindo o espectador e lançando dúvidas sobre a trama, com trocas de identidades e situações inesperadas. Além de questionar a importância da memória e da identidade, o cineasta também critica a maneira como Hollywood conduz os seus negócios e a pretensão do grande cinema comercial americano em simular a realidade.

É inesquecível o momento em que Betty e Rita estão no misterioso Clube do Silêncio. Um mestre de cerimónias anuncia no palco que "Não há música! Está tudo gravado! É tudo uma ilusão!". Apesar do aviso, impossível não se surpreender e se emocionar com a performance dos músicos e de uma cantora, cujo número é interrompido diversas vezes, mas a música continua.

Difícil traduzir a sensação que dá ver essa seqüência. Aberta a qualquer interpretação, uma leitura possível é compreende-la como a representação metalingüística do próprio estilo cinematográfico de David Lynch. É a ilusão que se cria e se destrói diversas vezes. Sabemos ser apenas uma miragem, mas somos seduzidos mesmo assim. Nos mundos que Lynch constrói e desconstrói, certezas são dúvidas, ilusões são reais e anarquia é regra. Mas quem tem certeza do que é real ou não?

Lynch nos lembra constantemente que tudo é possível no cinema e desta maneira busca libertar o olho domesticado do espectador, como Buñuel mostrava o órgão ocular sendo cortado no surrealista Um Cão Andaluz.

Sua filmografia causa o mesmo espanto e perplexidade que escritores tão distintos entre si, mas igualmente notórios como James Joyce, William Burroughs, Kafka e Lewis Carroll. Diante de seus filmes, somos como Alice entrando na toca do Coelho e admirando o Gato com sorriso e o sorriso sem Gato. Cineasta das sensações, autor de imagens e sons inesquecíveis, David Lynch é o nosso motorista numa estrada perdida.
Como ilustração do post, deixo-vos uma cena sublime de Estrada Perdida, o meu filme favorito da sua extensa obra.