
Quem subir nos penhascos de
Trás-os-Montes ficará com a certeza de que chegou ao ponto mais belo do céu. O Douro observado do cimo daquelas escarpas é o Paraíso prometido e gradiosamente belo. As montanhas entrelaçam-se, magníficas, para depois, se escancararem em vales pintados de todos os tons de verdes e castanhos que a natureza inventou. E, pelas encostas, as quintas são pontos brancos que acompanham o silêncio majestoso por onde o rio serpenteia.
Lamento ter conhecido esta região tardiamente, mas tinha a necessidade de fazer o reconhecimento do território imaginado. Olhei com esplendor para as paisagens que Miguel Torga descreveu nas suas obras e fiquei rendido aos seus encantos. O casario de pedra, o folclore único, a natureza agreste e aquele frio intenso que se entranha nos ossos. Paisagens que parecem indiferentes à passagem dos séculos.
O isolamento, a dureza e tenacidade e própria natureza que os rodeira fizeram dos transmontanos um povo peculiar. Bastante orgulhosos das suas origens, crenças e tradições. Portanto, não é de espantar que a máxima "Para lá do Marão, mandam os que lá estão", faça todo o sentido. Acredito que seja este tipo de orgulho e independência que faz falta a muitos portugueses de hoje.
Durante esta viagem, o Capitão-Mor registou esta imagem em pose épica. Agora lanço o desafio à minha amiga
Júlia, outra apaixonada pelas região transmontana, de tentar adivinhar qual o local onde foi tirada esta foto.