
Se vierem todos, são 53 os chefes de Estado e de Governo africanos que vão estar em Lisboa para a
Cimeira União Europeia-África, de 7 a 9 de Dezembro. Se acrescentarmos a estes os dirigentes dos 27 países da União Europeia, não será exagero dizer-se que Lisboa vai estar no centro das atenções da política internacional.
Se partirmos do princípio que todos os dirigentes europeus são conhecidos dos portugueses - o que é duvidoso -, o mesmo não se pode certamente dizer dos africanos.
José Eduardo dos Santos será possivelmente o mais reconhecível. Presidente de Angola desde 1979, aguarda-se há vários anos a marcação de eleições legislativas e presidenciais. Um exemplo de despotismo que ninguém ousa questionar. Ou não fosse Angola, uma magnífica fonte de petróleo e diamantes.
Algums reconhecerão também Robert Mugabe, que domina o Zimbabwé desde a independència, em 1980. A sua vinda leva ao boicote de, pelo menos, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, a esta cimeira.
Mas no campo dos regimes ditatoriais, nenhum iguala a Guiné Equatorial, governada por Teodoro Nguema, que subiu ao poder em 1979 depois de derrubar - e posterioremente matar - o seu próprio tio, que governava o país desde a independência, em 1968.
Embora não pareça, devido ao tempo que os dirigentes africanos por vezes permanecem no poder, existem poucas monarquias no continente. Uma delas é a Suazilândia - o Rei Mswati III foi convidado e veremos se vem acompanhado das suas várias dezenas de mulheres. Ora aqui está uma coisa que invejo neste senhor!
E por falar em comitivas grandes, nenhuma deve igualar a de Khaddafi, chefe de Estado da Líbia. No poder desde 1969, Khadafi já se deslocou ao estrangeiro com mais de 300 acompanhantes.
No entanto, este dirigente africano não será dor de cabeça para os organizadores no que respeita à luta sem tréguas por quartos de hotel - ou antes, por andares inteiros dos melhores hotéis. Isto porque Khadafi, fiel à tradição do deserto, vai acampar numa tenda no forte de São Julião da Barra. E eu que pensava que esta atracção por fortes, era um exclusivo do Capitão-Mor...
Espero que seja uma boa ocasião para Portugal, assumir o seu papel de mediador fulcral nestas questões africanas, pelas quais tenho grande interesse. Definir rumos uma desejável política atlântica que está esquecida de há uns anos para trás, provocando o contínuo avanço dos chineses no espaço da África lusófona. Porque existe mundo além da UE e nós sempre fomos mais fortes, quando voltados para o mar.