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sábado, 14 de junho de 2008

O Império dos Pardais


Depois de ter escrito a biografia do rei D. Manuel I, o historiador João Paulo Oliveira e Costa acaba de fazer um livro em tudo diferente. Chama-se O Império dos Pardais é uma edição Círculo de Leitores e faz do Rossio o palco privilegiado para as personagens se misturarem, se envolverem e se defrontarem. Este Rossio que ainda hoje continua a fervilhar de gente das mais desvairadas caras, raças, cores, credos e nomes.
Hoje, como no tempo do romance, os pardais continuam a aproveitar os bocadinhos de pão que sobejam da luta entre as gaivotas e os pombos. No romance as potências da Europa são a França, o Império Alemão e a Inglaterra. Como hoje, afinal.
Para além das descrições vivíssimas da zona portuária do Tejo, para além da importância decisiva da Irmandade de Moura, o grupo dos amigos do então duque de Beja, para além das peripécias dos serviços de espionagem e de contra-informação, a mim fascinou-me em particular a morte de um marinheiro, «mestre» Felício, em Beja. O rei D. Manuel I visita-o no leito de morte para garantir que está ali por gratidão e respeito para lhe agradecer as viagens de exploração pelo oceano que não foram registadas pelos cronistas nem tiveram direito a diário de bordo.

Na história continua a haver tempos nebulosos e personagens difíceis que nunca vão sair dos subterrâneos do esquecimento. São pessoas que deram tudo por uma causa mas não foi conveniente divulgar os seus nomes, os seus trabalhos e os seus dias.
Este livro deixa-me reconciliado com uma certa ideia de Portugal. E não falta um estrangeiro (um dinamarquês) para nos dizer lucidamente aquilo que nós não somos capazes de descobrir. Até nesse pormenor este é um livro profundamente português.
Um belo livro que termina como começou - no Rossio, entre pardais, pombos e gaivotas, uma metáfora feliz para falar dos países e das pessoas, suas ambições e seus limites, seus sonhos e suas derrotas.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Imaginário Colectivo


Não me cansarei de afirmar que a 'Saudade' é, em sua última e profunda análise, 'o amor carnal espiritualizado pela Dor ou o amor espiritual materializado pelo Desejo; é o casamento do Beijo com a Lágrima; é Vênus e a Virgem Maria numa só Mulher. É a síntese do Céu e da Terra; o ponto onde todas as forças cósmicas se cruzam; o centro do Universo: a alma da Natureza dentro da alma humana e a alma do homem dentro da alma da Natureza'. A 'Saudade' é a personalidade eterna da nossa Raça; a fisionomia característica, o corpo original com que ela há-de aparecer entre os outros Povos. (...) A Saudade é a manhã de nevoeiro; a Primavera perpétua, 'a leda e triste madrugada' do soneto de Camões. É um estado de alma latente que amanhã será Consciência e Civilização Lusitana...
Teixeira de Pascoaes

terça-feira, 13 de maio de 2008

Estreia Promissora


A história do "conflito entre dois rapazes de níveis sociais diferentes que se apaixonam" dá corpo a Cidade Proibida, o romance de estreia do escritor Eduardo Pitta, lançado há dias.

"Para além da paixão, há um choque de personalidades, pelo facto de serem pessoas vindas de meios socialmente diferentes", disse o poeta e crítico literário à Agência Lusa.
Cidade proibida narra a relação de Martim, nascido no Estoril, doutorado em Oxford, com um cargo superior numa empresa do padrinho, e o britânico Rupert, oriundo da classe trabalhadora inglesa, professor no Instituto Britânico em Lisboa.
Os dois decidem viver juntos em Setembro de 2001, mas Martim tem de deixar aos cuidados da mãe, Nora, o seu gato Teddy, porque Ruppert não gosta de gatos.
"Quem ler este romance poderá ficar um pouco abananado pela situação", admite o escritor, assegurando que o texto "é absolutamente ficcionado" e excluindo "qualquer semelhança, que não seja por coincidência, com pessoas reais".

"Claro que ao longo da narrativa há aquilo a que chamaria de adereços com verosimilhança, nomeadamente a alusão a factos históricos como o `Bloody Friday` de 1972, o 25 de Abril de 1974 ou os atentados do 11 de Setembro de 2001", assinalou.
"Por outro lado - acrescentou -, há coisas compostas, situações que vivi, pessoas com que lidei, o que me ajudou a construir a narrativa".
Concretamente, indicou, a personagem Afonso Cordes Sacadura, primo de Martim, é o seu alter-ego.
"O Afonso, natural de Moçambique, homossexual, com uma relação estável e também escritor, reconheço que sou eu", disse.
Afonso é uma personagem recuperada dos contos "Persona", publicados em 2000, e que a editora Quidnovi irá colocar novamente no mercado, esgotada que está a 1ª edição.
Eduardo Pitta dedica à escrita três horas por dia, o que corresponde a cerca de 15 páginas que reescreve no dia seguinte, contou à Lusa.
Cidade proibida levou cerca de 30 meses a escrever, tendo sido iniciado em Lisboa em Junho de 2004 e terminado em Afife em Dezembro do ano passado.
Pitta reconhece haver "um certo contexto erótico" no romance e até uma "certa pulsão erótica na escrita, como referem alguns críticos".

sábado, 19 de abril de 2008

1808


A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleónicas, revoluções republicanas, escravidão formaram o caldo no qual se deu a mudança da corte portuguesa e a sua instalação no Brasil.
O propósito deste maravilhoso livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correcta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos atrás. Escrito por um dos mais influentes jornalistas da atualidade, 1808 é o relato real e definitivo sobre um dos principais momentos da história brasileira.

Literatura de Cordel


A presença da literatura de cordel no Nordeste tem raízes lusitanas; veio-nos com o ramanceiro penisular, e possivelmente começam estes romances a ser divulgados, entre nós, já no século XVI, ou o mais tardar, no XVII." - escreve o Professor Gilfrancisco em detalhado artigo sobre as origens desta tradição.
O primeiro estudioso brasileiro a indicar essas fontes para as narrativas em verso e registo de factos memoráveis em folhetos, foi Luis da Câmara Cascudo (1898-1986), autor de uma obra fundamental para os estudos etnográficos e antropológicos no Brasil.

Literatura de Cordel, denominação dada em Portugal e difundida no Brasil, é poesia popular, história contada em versos, em estrofes a rimar, escrita em papel comum feita para ler ou cantar. A capa do folheto é em xilogravura, trabalho artesão que esculpe em madeira um desenho preparando a matriz para reprodução.

terça-feira, 18 de março de 2008

Trechos do Exílio

Os acontecimentos políticos e as debandadas de famílias dominavam as atenções em Portugal...
A tia Rita foi, já separada para o Brasil, levando duas das filhas. Lá, primeiramente viveu junta com um industrial americano. Mais tarde casou com um milionário brasileiro. A sua beleza insuperável, o seu charme europeu fizeram furor na classe alta do Brasil tropical.

Luís lá estava no Brasil, longe das nossas aventuras, das nossas paródias...

Manuel Arouca, Os Filhos da Costa do Sol

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Rio das Flores


Esta é uma pequena cidade do estado do Rio de Janeiro, localizada na junção com os estados vizinhos de São Paulo e Minas Gerais. Após a leitura do livro homónimo, a última obra de Miguel Sousa Tavares, decidi pesquisar um pouco sobre esta localidade que seduziu Diogo, o personagem central do enredo. Trata-se de um destino tranquilo, que concentra grande número de fazendas históricas do Ciclo do Café do século XIX, algumas com boa estrutura para receber visitantes.
Na Fazenda União, toda restaurada, existe grande número antiguidades de elevado valor. A Boa Esperança ainda guarda a a ntiga tulha de café. Outra opção de passeio é São José das Três Ilhas, povoado que parou no tempo, com diverso casario colonial e uma igreja de pedra em estilo românico.


Agora que foi feita uma apresentação sumária de Rio das Flores, debrucemo-nos sobre o livro em si. Na minha modesta opinião, Miguel Sousa Tavares confirmou ser um dos mais promissores escritores portugueses para os próximos anos. Após o magnífico Equador, brinda-nos com este Rio das Flores, onde a sua investigação histórica foi ainda mais ambiciosa e a trama tembém me pareceu um pouco mais elaborada. Ao contrário do que já li em outros blogues, gostei mais deste livro. Talvez porque tenha aprendido algumas coisas sobre um período da História sobre o qual não tinha muito domínio ou apenas pelo simples facto de falar sobre o Brasil, esse país que sempre fará parte do imaginário português e realidade onde me englobo. Considero Equador um tratado sobre a solidão humana e Rio das Flores revela-se uma obra sobre sonhos e ideais de vida. No final, não existem vencedores nem vencidos. Cada um busca a felicidade do seu modo e sempre fieis aos seus princípios.
Apesar de ter gostado bastante destes dois livros, resta-me uma pequena crítica a ambas as obras. Parece-me que em ambos os escritos, o último terço da narrativa se torna um pouco previsível, gerando uma espécie de anti-clímax para o leitor. Contudo, não arrogo virtudes de crítico literário e gostaria que quem já leu algum destes livros, partilhasse comigo, as opiniões sobre este autor.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Trechos do Exílio

O Portugal metropolitano e os burocratas confortavelmente instalados em Lisboa era como se pertencessem a outro planeta, tal como o meu pai me explicou anos mais tarde. Numa crise, tínhamos de ser em grande parte auto-suficientes. Tratava-se de uma lição que eu iria aprender, uma e outra vez em África.
Adelino Serras Pires, Ventos de Destruição

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Trechos do Exílio

A quantidade de pessoas que não tem nada. Que desaparece porque está cansada. Que volta para o Brasil porque não tem vida deste lado do mar, ou que vive no Brasil porque tem medo de ser encontrada pelo passado e pelos seus vizinhos, pelos conhecidos que conhecem a sua vida, pelos desconhecidos que podem vir a conhecer a sua vida.
Francisco José Viegas, Longe de Manaus

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O Grande Aventureiro


Extraordinária personagem da literatura e dos descobrimentos, Fernão Mendes Pinto é o grande aventureiro português. O Marco Pólo lusitano. Da simplicidade de Montemor-o-Velho, viajou entre a exuberante Índia, a misteriosa China e o exótico Japão. Experiências que o levaram a escrever a Peregrinação, extraordinário livro de viagens e aventuras, e a tornar-se uma referência da época de glória de Portugal. Pirata, soldado, mendigo, cativo... Mostrou como os homens, em qualquer parte do mundo, são iguais.
Fernão Mendes Pinto era um escritor talentoso, mas talvez seja lembrado sobretudo pela sua dedicação ao relato das aventuras dos descobrimentos. A sua Peregrinação contribui para esta reivindicação à história. O escritor foi protagonista de uma pequena grande história.

Oriundo de uma família de Montemor-o-Velho, cedo tomou contacto com a luxuosa vida na corte. Era ainda muito pequeno quando um tio o levou para Lisboa e o colocou ao serviço na casa do duque D. Jorge, filho natural do rei D. João II. Ali trabalhou durante cinco anos, dois dos quais como moço de câmara do próprio duque, o que lhe possibilitou preservar o elevado estatuto social da sua família, contrariando a precária situação económica que atravessava.
É aos 27 anos que parte para a Índia, ao encontro de dois dos seus irmãos, iniciando assim uma aventura ímpar na história de Portugal.
A sua viagem é contada na obra que escreve, anos mais tarde, já regressado a Portugal. A Peregrinação é um fantástico livro de viagens que relata, ao pormenor, todas as façanhas, aventuras e desventuras de Fernão Mendes Pinto. O seu conteúdo é exótico e raro. Descreve detalhadamente a geografia de destinos longínquos e desconhecidos para a época, como Índia, China, Birmânia, Sião e Japão. Mostra os costumes, credos e tradições destas culturas orientais. O autor é tão descritivo e aventuroso que fez nascer um rol de ironias à volta da obra. Ninguém acreditava ser possível assistir a tantas festas, guerras e funerais, tudo tão diferente e estranho ao mundo ocidental. Foi tão pouco levado a sério que muitos deixaram de chamá-lo pelo nome. Tratavam-no por “Fernão, Mentes? Minto!”. Ainda hoje é assim conhecido.
O problema de Peregrinação, para a época, foi apenas este: o autor contava coisas totalmente desconhecidas. Ninguém aceitava que o Oriente fosse assim.

A entrada na Companhia de Jesus alterou-lhe a personalidade. Libertou todos os seus escravos, entregou a sua fortuna aos pobres e à própria ordem religiosa, em Goa. Contudo, a sua missão como “irmão leigo” dura apenas até 1557, ano em que decide pôr ponto final nessa aventura. A decisão advém da viagem que faz, novamente ao Japão, em 1554, como noviço da Companhia de Jesus e embaixador do vice-rei D. Afonso de Noronha, junto do rei de Bungo. O desencanto foi total, quer com o comportamento do seu companheiro quer com a própria Companhia. Um desgosto que o faz regressar a Portugal. Um homem que faz do seu medo a sua coragem. Personifica a aventura do português do século XVI, que não tem poder e embarca para se safar, que aprendeu tudo o que tinha para aprender. Como os nossos emigrantes.

Já de volta ao seu país e com a ajuda do ex-governador da Índia, Francisco Barreto, Fernão Mendes Pinto compila documentos que comprovam os sacrifícios que realizou pela pátria, tendo direito a uma pensão, que… nunca chegou a receber. O escritor não queria apenas uma colher de compaixão. Queria mais do que isso. Depois deste episódio, voltou-se, abatido, e mergulhou na escuridão. Desiludido, arrumou a vontade e partiu para Vale de Rosal, em Almada, onde escreveu, entre 1570 e 1578, a sua inigualável Peregrinação. A obra só foi publicada 20 anos após a sua morte.
Mensageiro da verdade ou criador de ilusões, Fernão é um guerreiro, um sobrevivente. Como diz Carlos Magno, “é o nosso Marco Pólo. Se fosse americano, certamente Spielberg já teria feito um filme sobre ele”.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Morte de Um Dissidente


Em 2006, o dissidente Alexander Litvinenko foi envenenado e, diante das câmeras do mundo todo, anunciou que o responsável era ninguém menos que Vladimir Putin, então acusado de cercear a liberdade de imprensa na Rússia. Morte de um Dissidente é a história desse crime, típico dos tempos da KGB, e também um retrato detalhado da Rússia atual, de sua nova dinâmica política e da subida de Putin ao poder. Uma boa análise sobre os actuais rumos da espionagem, após a queda da Cortina de Ferro.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Ministério do Silêncio


Vocês sabiam que os serviços secretos brasileiros, diferentemente da CIA e da Mossad - que estão voltados para o inimigo externo -, tem poder para investigar e perseguir cidadãos brasileiros? E que em 78 anos de existência, nascido muito antes do golpe militar de 64, o serviço secreto do Brasil acumula mais barbaridades (chantagem, perseguição política, cumplicidade em assassinato, tortura e ocultação de cadáveres, estelionato etc.) que sucessos entre seus feitos? O jornalista mineiro Lucas Figueiredo, autor do premiado Morcegos Negros, conta em MINISTÉRIO DO SILÊNCIO, com surpreendentes detalhes, a história do serviço secreto no Brasil. Um livro inédito e revelador.
Ilustrado com fotos e documentos inéditos; e recheado de depoimentos de agentes e ex-agentes, o livro consumiu mais de sete anos de pesquisa de Lucas, que reuniu 26 quilos de arquivos sigilosos e mais de 100 horas de entrevistas com agentes e aposentados do serviço secreto, conseguindo assim a mais completa radiografia sobre o tema no Brasil.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

X Feira de Sebos


Ontem, teve início a décima edição da feira de sebos (alfarrabistas) de Natal que irá decorrer até ao próximo dia 14. O evento tem lugar na histórica Praça André de Albuquerque, onde nasceu o primeiro núcleo urbano da cidade em 1599, por obra dos colonos portugueses. A animação do espaço estará a cargo de agrupamentos musicais e palestras com autores locais. Para mim, será uma boa oportunidade para resgatar alguns livros e gravuras antigas, referentes à época da capitania que tenho vindo a coleccionar desde a minha chegada.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

O Triplo Lançamento do Ano!!!


"O conhecido louco Luís Graça (igualmente notório como escritor) foi acometido de mais um ataque de grau 7 e prepara-se para lançar três livros no mesmo dia, a menos que seja impedido pelas autoridades competentes, ou seja, Júlio de Matos e Miguel Bombarda.

A tripla insanidade ocorrerá a partir das 18 horas do dia 17 de Maio (quinta-feira), na Livraria Bulhosa Entrecampos, em Lisboa (15 minutos a pé a partir do Júlio de Matos, um pouco mais a partir do Miguel Bombarda).

Produtos de uma mente doentia e delirante (mesmo perigosa), os livros "De boas erecções está o Inferno cheio, King Kong Size, Edição Especial para Masturbadores" (poesia), "A mulher que fazia recados às putas e mais contos perversos" (contos) e "15 desatinónimos para Fernando Pessoa" (contos) estarão disponíveis para todos os corajosos que se quiserem arriscar a
comparecer no referido espaço de confraternização literária.

Igualmente presente estará o pessoano Riba de Castro, brasileiro radicado em Espanha, que comete a loucura de se deslocar expressamente (ou de avião?) de Madrid para o acontecimento, previsivelmente recheado com uma curta-metragem de Riba de Castro alusiva ao vate português ("Pessoalmente") e uma exposição de fotos que é... uma loucura! ("Lisbon Revisited", trabalhos de Inês Ramos e José de Deus, com textos de Luís Graça).

Luís Graça assegura que lhe retirarão a mordaça e o colete-de-forças na hora da sessão de autógrafos."


Como já disse anteriormente, a blogosfera torna-se um local de encontros insólitos. No princípio deste ano, tive o prazer de descobrir os blogues de Luís Graça
que me divertem pela sua escrita insolente, impregnada de um humor inteligente que vai rareando por terras lusitanas. Não podendo estar presente num evento de tamanha importância, endereço-lhe um abraço e desejo-lhe a maior sorte do mundo neste triplo empreendimento. A todos os amantes das letras, apelo a presença massiva na Livraria Bulhosa na próxima quinta-feira, dia 17 de Maio. Podem dizer ao Luís Graça que vão da parte do Capitão-Mor, que ele não vos morde!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

O portuga dos jornais


Tenho quase por hábito religioso, ler a crónica quinzenal do português João Pereira Coutinho na Folha de S.Paulo. Considero-o um dos melhores cronistas da minha geração, a par da equipa da Revista Atlântico e do blogue 31 da Armada.
Os seus textos são sempre marcados por uma uma certa irreverência e uma lúcida leitura dos acontecimentos político-sociais da actualidade. Hoje, não resisto a transcrever a sua última crónica absolutamente deliciosa. Aos interessados, devo informar que nesta quinta-feira, é distribuído de forma gratuita na Sábado, o livro Avenida Paulista que reúne grande parte das crónicas publicadas por este jornalista, no prestigiado diário paulista.

Virgens ofendidas

"A virgindade era um fardo. Leitor que é leitor sabe do que falo. Basta lembrar os 13, ou 14, ou 15 anos, quando as conversas da escola rondavam esses assuntos. Virgens, nós? A imaginação tomava o lugar da experiência e começava o desfile de conquistas para espantar os colegas tão inexperientes como nós. Comiam-se bairros inteiros de amigas, e as mães das amigas, e uma ou outra empregada que entrava no quarto sem bater à porta primeiro. Os outros olhavam-nos com o espanto próprio dos inocentes e, para não ruborizarem em excesso, partilhavam igualmente as mentiras da idade. Virgens, todos. Garanhões, mais ainda. E quando o dia sacramental chegava, o ato era um detalhe. O prazer também. O alívio, total: como se tivessem libertado Sísifo da sua pedra incansável. Vai, Sísifo, esquece o fardo, esquece a pedra.
Por isso é estranho acompanhar as notícias que chegam de Inglaterra. Lydia Playfoot, 16, vai processar a escola. Motivo? A escola não permite que Miss Playfoot (curioso nome) ostente em público a sua virgindade e o comprometimento de chegar intacta ao casamento. Lydia usa um pequeno anel, inventado em 1995 por um evangélico do Arizona. A escola não gosta do anel por razões de segurança e higiene. E porque o anel "viola" (peço desculpa pelo verbo) a política escolar sobre joalharia.

Confesso: as razões de segurança e higiene, eu entendo. Vi umas fotos de Lydia nos jornais e saber que esta jovem de 16 anos gosta de mostrar a sua condição virginal ao mundo é como largar uma galinha na Etiópia. Um convite ao motim e uma barreira evidente à aprendizagem serena e responsável.
Mas interessantes são as leis da escola sobre jóias. Segundo parece, o estabelecimento permite que os alunos muçulmanos ou sikhs possam usar lenços, calças e outros adereços religiosos. O contrário seria uma intromissão intolerável na liberdade de culto e expressão. Mas isso não impede a mesma escola de proibir cruzes ou crucifixos, e qualquer manifestação exterior de religiosidade cristã, ou vagamente cristã. Como o anel.

O caso não ilustra apenas a imbecilidade do sítio. Mostra como o pensamento multiculturalista, que sustenta grande parte das "políticas sociais" na Europa, é, na verdade, um exemplo de intolerância que nega os seus próprios fundamentos. O multiculturalismo pressupõe uma visão neutral sobre culturas distintas, concedendo a cada uma delas a sua dignidade intrínseca. Mas essa suspensão de julgamento termina à porta do Ocidente. Termina, no fundo, à porta da tradição judaico-cristã. Todas as culturas merecem respeito, com a exceção de uma única. Que, por acaso, é a cultura da maioria.
E a virgindade de Lydia? É talvez um pouco risível que uma adolescente de 16 anos prefira anunciar ao mundo o que deve ser um assunto pessoal e privado. Mas a atitude é tão risível e, no limite, tão condenável como as histórias adolescentes e passadas, em que o anel era outro: um anel invisível de conquistas imaginárias para aliviar o fardo real da abstinência.
E se a estupidez é crime, não há adolescente que escape."

terça-feira, 6 de março de 2007

My name is Mor, Capitão-Mor!


José Vegar é escritor e jornalista, especialmente interessado nos casos de polícia, de corrupção, de segurança. Sobre isso editou recentemente, em parceria com Maria José Morgado, O Inimigo Sem Rosto e, mais recentemente ainda, Serviços Secretos Portugueses - História e Poder da Espionagem Nacional.

«A segurança dos cidadãos e o poder do Estado dependem dos seus serviços secretos. Baseado numa investigação rigorosa com mais de uma década, este livro mostra-nos pela primeira vez a realidade oculta dos serviços secretos portugueses. As ameaças que investigam, os métodos de pesquisa e análise utilizados, o modo como se movimentam no terreno e com que riscos se defrontam os seus operacionais. A ameaça real do terrorismo islâmico no nosso país, o perigo causado pelo crime organizado global, o tráfico de armas e estupefacientes cada vez mais sofisticado, as redes de máfia chinesa impenetráveis, a manipulação do bilhete de identidade nacional por falsificadores de todo o mundo, ou a omnipresença da corrupção numa sociedade cada vez mais dominada por interesses. Serviços de Informações de Segurança, Serviço de Informações Estratégicas de Defesa, Polícia Judiciária, Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, PSP e GNR são as principais forças que entram neste perigoso jogo e se confrontam na disputa do espaço das informações e do controlo de um território marcado pela indefinição de fronteiras e competências. Um mundo onde reina a conflituosidade e a falta de cooperação.»

Que tradição temos de espionagem? Algum agente, ao longo da História houve, assim particularmente carismático? Uma espécie de James Bond à portuguesa? Em tempos, li qualquer coisa sobre uma aparatosa operação ultra-secreta levada a cabo por agentes da SIED em Cabinda - Angola. Alguém tem algum conhecimento adicional sobre este universo nebuloso que queira partilhar? De qualquer modo, acredito que seja uma leitura bastante interessante e já tardava a aparição de alguma informação sobre os nossos serviços secretos. O futuro dos serviços de inteligência nacionais apresenta-se algo limitado. Acredito que num futuro próximo, essas actividades serão controladas na sua maioria pelas forças de segurança convencionais a nível interno e, pelos diplomatas a nível externo.
Por vezes, em tom de brincadeira, costumo dizer que sou agente secreto português destacado para os trópicos com a finalidade de salvar o Reino das forças do mal!

Serviços Secretos Portugueses: História e Poder da Espionagem Nacional - José Vegar - A Esfera dos Livros

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Erzsébet Báthory - A Condessa Sanguinária


Esta é a história de uma Condessa que se banhava no sangue de jovens moças. Uma história verdadeira, ainda inédita no nosso país. Os documentos que a provam foram muito difíceis de obter, pois tudo aconteceu há mais de trezentos anos numa Hungria em estado ainda primitivo. Nos tempos actuais não é possível ver o retrato, escurecido pela passagem dos séculos, que eterrnizou o olhar severo da bela Erzsébet Báthory. O castelo de Csejthe está em ruínas desde há duzentos anos, lá no alto dos esporões espetados dos Pequenos Cárpatos, perto da Eslováquia. Quanto a vampiros e fantasmas, esses nunca deixaram de habitá-lo, bem como certo pote de barro, a um canto numa das caves, usado para verter o sangue sobre os ombros da Condessa.
O fantasma do Monstro de Csejthe, a Condessa Sanguinária, uiva ainda lancinantemente durante a noite nessas salas cujas janelas e portas foram muradas e assim ficaram para todo o sempre.

Erzsébet Báthory - A Condessa Sanguinária - Valentine Penrose; Assírio e Alvim