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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Manjericos & Sardinha Assada


Hoje a minha bela cidade natal, veste-se de gala para celebrar o Santo António, seu santo padroeiro. A rivalidade dos bairros agudiza-se no desfile das marchas populares e as ruas enchem-se de povo para uma noite de farra. Em todos os recantos se avistam os incontornáveis manjericos e sente-se o aroma das sardinhas a assar na brasa.
Pois que se celebre a tradição com alegria e sinta-se vaidade em ser lisboeta. Por aqui, festeja-se o dia dos namorados em devoção a esse santo casamenteiro.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Dia de Portugal, Camões e das Comunidades


A minha paixão não é pelo Portugal dos portugueses. Importa-me a reinvenção da Pátria, porque o país corpóreo nem por um instante me atrai.
Fazer reviver no povo português a alma lusitana é o meu sonho, porque tal coisa é essencial para que Portugal viva, entre outros países, uma vida própria e bela, independente,portanto. Mas não se imagine que a reinvenção significa simples regresso ao passado. Esse renascimento, consiste em retirar das fontes originárias da vida, uma nova vida.
As nações de pequena dimensão só se podem opor às tendências absorventes das grandes nações, como defesa da sua independência, o carácter, a originalidade do seu espírito activo e criador, a autonomia moral.
Ora, a nossa Pátria possui felizmente essas qualidades que se ergueram, outrora, ao longo das nossas fronteiras talhadas a golpes de espada, e se espalharam depois através dos mares e terras longínquas. O que é urgente é ressuscitá-las, para que adquiram a actividade perdida. E despertas que sejam essas nossas qualidades, Portugal dará, pela segunda vez, alguma coisa de novo à civilização europeia.

"Porque puderam romper os Portugueses os claustros impenetráveis do oceano, e conquistaram nas outras três partes do mundo, sendo um Reino tão pequeno, tantas, tão novas e tão poderosas nações, senão porque estava escrito? Porque, estando sujeitos a Castela e debaixo dos seus presídios, sacudiram tão feliz e animosamente o jugo, e em um dia restauraram sua liberdade, em Portugal, na África, na Ásia e na América, senão porque estava escrito?"
Padre António Vieira in História do Futuro - Esperanças de Portugal e Quinto Império do Mundo

Relembro ainda neste dia festivo, que faz precisamente dois anos que se deu início a uma cruzada de direita monárquica, nacionalista e atlântica na blogosfera, da qual fiz parte com muito gosto. Infelizmente, o Condado foi sol de pouca dura...

GRITEMOS BEM ALTO O NOSSO ORGULHO DE SERMOS PORTUGUESES!!!

domingo, 8 de junho de 2008

Bugiada de Sobrado


Todos os anos, a 24 de Junho, o povo acorre ao Sobrado, uma pequena freguesia do concelho de Valongo - distrito do Porto-, para assistir à Bugiada, o mais louco dos combates entre o Bem e o Mal. É um ritual único, que celebra um milagre de São João, encenado segundo regras definidas por uma lenda antiga.

Os mouros tinham uma povoação nas serras agrestes de Cuca Macuca, de cujas entranhas retiravam o sustento: pepitas de ouro. Os seus vizinhos eram gente simples, cristãos que viviam da agricultura e da pastorícia nos vales férteis de Pias e Couce. Estes, devotos de São João, a quem suplicavam favores em momentos de aflição, viam nos infiéis das serranias uma ameaça constante. Porém, a confiança no santo não tinha limites; com a sua fama de milagreiro, não deixaria mal sem remédio.
Quis um dia que a filha do rei mouro fosse acometida de doença desconhecida dos sábios. Já sem qualquer esperança, mas sabedor das proezas de S. João, o rei suplicou aos cristãos o empréstimo da imagem do santo, negado várias vezes. Por fim, o seu desespero despertou uma piedade colectiva, e lá foi o santo para terras infiéis, incumbido de arrancar a jovem princesa às sinistras garras do demo. Transbordando de felicidade, mandou então o rei mouro um mensageiro, convidando os seus benfeitores para um banquete de graças.

Uma armadilha bem montada, era o que era! Foram os cristãos enganados, ridicularizados (serviram-lhes apenas os restos) e roubados, ficando sem santo e sem rei, ambos feitos prisioneiros pelos mouros. De imediato planeiam vingança, o povo envergando trajes muito garridos, máscaras de semblantes horríveis, empunhando castanholas e guizos, a contar com as fortes superstições do inimigo. E foi assim que uma multidão irrompeu, de surpresa, na aldeia mourisca, berrando e pulando, munida de uma enorme serpente de madeira. Perplexos, os inimigos não ofereceram resistência. Resgatados o rei e o santo milagreiro, tudo voltou à normalidade nas terras dos cristãos.
Esta é a lenda, antiquíssima, que as gentes de Sobrado dizem estar na origem da Bugiada, uma festa inigualável em cor e movimento, única no nosso país, e que atrai anualmente, no dia 24 de Junho, milhares de forasteiros. Uma das recordações mais vivas que tenho da terra natal do meu pai.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Eterna Crise


A economia portuguesa está mal. Está mal há muito tempo mas agora está ainda pior. As causas desse mal-estar são muitas e é muito fácil fazer uma lista delas. O mais difícil é determinar os factores mais importantes. Mas comecemos pelas causas, numa lista seguramente consensual.

1.Fracos níveis de eficiência da administração pública e do Estado
2.Excessivo peso do Estado na economia
3.Esclerose institucional no mercado do trabalho
4.Baixos níveis de concorrência nos mercados financeiros e das tecnologias de informação e comunicação
5.Fraco peso do mercado bolsista
6.Fraca qualificação dos recursos humanos, incluindo no trabalho e na gestão
7.Acréscimo da concorrência de Espanha, resultante da adesão à CEE (o único país com que as barreiras alfandegárias foram então substancialmente abolidas)
8.Valorização do Euro
9.Configuração e carga da estrutura fiscal
10.Fracos níveis de poupança das famílias e empresas
11.Excesso de gastos públicos com gastos sociais
12.Redução da poupança do Estado e do investimento público
13.Situação geográfica desfavorável no contexto europeu
14.Fraca dotação de capital por habitante e por trabalhador
15.Situação internacional

Esta lista é caótica mas toda ela é correcta. Se ela tem algum defeito é o de não ser completa. Para sabermos o que falta ou não temos de ter um modelo, mesmo que informal, sobre a economia, temos ter em mente uma ideia de como a economia funciona. Esse exercício é tão fundamental quantas as vezes que é esquecido.

Excerto de excelente artigo redigido por Pedro Lains

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Imaginário Colectivo


Não me cansarei de afirmar que a 'Saudade' é, em sua última e profunda análise, 'o amor carnal espiritualizado pela Dor ou o amor espiritual materializado pelo Desejo; é o casamento do Beijo com a Lágrima; é Vênus e a Virgem Maria numa só Mulher. É a síntese do Céu e da Terra; o ponto onde todas as forças cósmicas se cruzam; o centro do Universo: a alma da Natureza dentro da alma humana e a alma do homem dentro da alma da Natureza'. A 'Saudade' é a personalidade eterna da nossa Raça; a fisionomia característica, o corpo original com que ela há-de aparecer entre os outros Povos. (...) A Saudade é a manhã de nevoeiro; a Primavera perpétua, 'a leda e triste madrugada' do soneto de Camões. É um estado de alma latente que amanhã será Consciência e Civilização Lusitana...
Teixeira de Pascoaes

O Tratado da Treta


Se este livrinho não existe, alguém o devia escrever. De certeza que se vendia como pão quente.

Via Jantar das Quartas

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Enfermeiras de Luxo


Gosto deste governo. É verdade que os implantes mamários nas enfermeiras podem não resolver os problemas das listas de espera, mas tornam a espera muito mais tolerável.
Com enfermeiras destas até eu vou para as listas de espera!

Via 31 da Armada, a propósito desta notícia

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A Casa em Sintra


Eu sei de uma casa em Sintra
Que era onde eu queria morar
Respirar o ar sagrado
Que os antigos conheciam

Sintra foi por muito tempo
O santuário de peregrinação
Era aqui que acabavam
As viagens todas em meditação

E eu vejo aquelas casas
Dos que moram lá em baixo
Não se dão conta de nada
Nunca deram atenção

Ao esplendor da luz da lua
E a todo o ministério quando a noite cai
Qualquer um fica perdido
Não vê no escuro para onde é que vai

Era numa casa em Sintra
Que eu gostava de morar
Nos lugares do fim do mundo
Onde a história se escondeu

Era numa casa em Sintra
Bem por cima de todo o mar
Que eu gostava de ir ao fundo
Descobrir bem quem eu sou

Eu deixei meu cavalo
Nos jardins de Monserrate
Porque quis impressioná-lo
Com o chão que pisaria

Da minha janela em Sintra
Vejo viver todo o universo
A minha guitarra em Sintra
Deixa-me ouvir todo o universo

Era numa casa em Sintra
Que eu gostava de morar
E o desejo era tão grande
Que assim aconteceu

É na minha casa em Sintra
Que eu gosto de chegar
Descansar da volta ao mundo
Descobrir bem quem sou eu

Vamos lá subindo
Por esses montes fora
Que a manhã vem vindo
Dos lados d'aurora...

Delfins, Ser Maior - Uma História Natural

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Além-Tejo


Nas terras do Além-Tejo
ao fim dos vales, um monte
Quatro noites para um rio
encontrei-te junto á ponte...



Do passado de um rio
ficou por contar a primeira vez
O passado de um rio
ficou de voltar outra vez
Passaste como um rio
que eu cantei e me deixou aqui
passaste como um rio
e eu não sei passar sem ti...



Soube o teu nome além Tejo
talvez fosses quem perdi
Passaste como um rio
e hoje não passo sem ti


Sétima Legião, Mar D´Outubro

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Euroalternativos

Islândia

O Portugal pós-UE tornou-se um lugar estranho para mim. O facto do progresso ter passado ao lado do país é ilustrada pela mistura de eléctricos antigos e bombas de incêndio dos anos 20 com a invasão maciça de automóveis topo de gama. A tardia mas inteiramente merecida oportunidade de actualização, simpaticamente apoiada pelos parceiros europeus, veio aniquilar boa parte das qualidades do Portugal tradicional. Em meados da década de 80, os governantes foram incapazes de conceber um projecto nacional, no sentido de ter um pensamento substancial e estratégico para Portugal. Que país depois do final do Império e na conjectura interna e externa dessa década? Não só que economia, mas que política, que defesa, que aliados, que função, que grandes objectivos? E qual a linguagem mobiliadora? E que valores sociais?
Decidiu-se apostar na adesão europeia como cura para todos os males. Porém, tudo isto foi feito em jogadas de bastidores, longe do debate público e total ausência de referendos. Paralelamente, vários fenómenos culturais foram afectando a sociedade portuguesa de modo nocivo. A cultura tradicional que exaltava, genuinamente, valores comunitários - generosidade, abnegação e solidariedade - substitui-se uma cultura glorificadora de padrões de mediocridade, consumismo, de egoísmo, que tem a sua tradução para as massas, na vulgaridade da produção televisiva "popular".
A pátria portuguesa e o Estado são um valor. Mas entre 1580 e 1640, Portugal, no quadro da união real com Castela, estava subordinado aos interessses globais da monarquia hispânica que lhe sairam caro. Do mesmo modo que em 1974-75, as convulsões político-ideológicas foram pagas com graves prejuízos políticos e económicos, especialmente com uma coisa a que chamram "descolonização exemplar". E actualmente? Será que não estaremos a ser prejudicados por uma entidade supranacional regida por euro-burocratas que não descansaram enquanto não destruíram por completo o nosso frágil aparelho produtivo?
Ilhas Faroé

Os valores, mesmo os políticos, podem, enquanto categorias - a Pátria, a Ordem, a Justiça - transcendem a História.
O importante é que o pensamento português, regressando às grandes linhas e ideiais comunitários, actue com consciência crítica e orientadora das soluções e projectos necessários à Nação.
Não serei um adepto do orgulhosamente sós ou da transformação do país numa espécie de Albânia da época comunista. No entanto, contra a corrente, mantenho-me firme nos meus ideais nacionalistas, tradicionalistas e grande apologista da alternativa atlântica como espaço económico alternativo. Para muitos serei um extremista, portador de ideologias perigosas ou um mero utópico.
Mesmo assim, ainda consigo apontar alguns exemplos no cenário europeu que me agradam no seu modelo governativo, independência e apego às tradições. Todos eles têm origem no Norte gelado e longe de serem territórios de grande importância geopolítica.
Em primeiro lugar indico a Islândia, povoada por descendentes de colonos noruegueses que ocuparam esta ilha situada no meio do Atlântico Norte antes do ano 1000. Os islandeses, os menos de 300.000 que o são, vivem num isolamento esplendoroso e não querem ter nada a ver com a União Europeia. Falam o norueguês antigo, a língua dos vikings, tratam-se pelo nome próprio (e é assim que estão registados na lista telefónica) e comem testículos de carneiro que empurram com uma poção violenta chamada "Morte Negra". Que eu saiba, não são regidos por nenhum ditador e toda a população ususfrui de um bem estar material muito satisfatório.
Outros exemplos curiosos, são os territórios atlânticos da Gronelândia e das Ilhas Faroé pertencentes à Dinamarca. Ambos possuem o seu próprio parlamento local, sendo Copenhaga responsável pela defesa, pela política externa e pela moeda comum. Os gronelandeses aderiram à UE em 1973, tendo-a abandonado seis anos depois, enquanto os cerca de 40.000 habitantes das Ilhas Faroé nunca aderiram. Será isto independência excessiva?!
Obviamente que são regiões em nada comparáveis a Portugal mas servem como testemunhos da existência de vias alternativas de construção europeia. Afinal de contas, existe vida, harmonia e prosperidade fora da influência dos radares de Bruxelas e Estrasburgo.
Gronelândia

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Estrada do Guincho


Eu quero agarrar-te
longe de tudo e de todos
liberto de distracção dos outros

E guiar-te pelo ar
para lá da estrada
onde o tempo não pode passar

Numa serra encantada
ao pé do mar
para lá da estrada do Guincho
numa praia abandonada
só para ti
para lá da estrada do Guincho

Tu consegues imaginar-te
longe de tudo e de todos
livre da confusão dos outros?

A deixares-te guiar
para lá da estrada
onde o amor não sabe parar

Não importa ser um sonho
e não existir
é verdade o que eu estou a sentir!

sente-me
aperta-me no ar
façamos deste sonho um resumo...


Delfins, Desalinhados

segunda-feira, 31 de março de 2008

Mais Turistas Brasileiros


Portugal é um dos países que têm registado forte crescimento da chegada de visitantes brasileiros.

Os últimos da dados do Proturismo, relativos a Novembro de 2007, indicam que, nesses onze meses, o número de hóspedes brasileiros em estabelecimentos hoteleiros portugueses teve um crescimento de 23,5%, num total de 236.462. Nesse mesmo período, o número de dormidas de brasileiros registou um aumento de19%, atingindo 518.539.
Tanto em número de hóspedes como de dormidas, o mercado brasileiro é o quarto que mais cresceu em percentagem na hotelaria portuguesa, depois da Polónia, República Checa e Rússia, que têm, todavia, bases de partida muito inferiores.

quarta-feira, 26 de março de 2008

No Território dos Caretos


Quem subir nos penhascos de Trás-os-Montes ficará com a certeza de que chegou ao ponto mais belo do céu. O Douro observado do cimo daquelas escarpas é o Paraíso prometido e gradiosamente belo. As montanhas entrelaçam-se, magníficas, para depois, se escancararem em vales pintados de todos os tons de verdes e castanhos que a natureza inventou. E, pelas encostas, as quintas são pontos brancos que acompanham o silêncio majestoso por onde o rio serpenteia.
Lamento ter conhecido esta região tardiamente, mas tinha a necessidade de fazer o reconhecimento do território imaginado. Olhei com esplendor para as paisagens que Miguel Torga descreveu nas suas obras e fiquei rendido aos seus encantos. O casario de pedra, o folclore único, a natureza agreste e aquele frio intenso que se entranha nos ossos. Paisagens que parecem indiferentes à passagem dos séculos.
O isolamento, a dureza e tenacidade e própria natureza que os rodeira fizeram dos transmontanos um povo peculiar. Bastante orgulhosos das suas origens, crenças e tradições. Portanto, não é de espantar que a máxima "Para lá do Marão, mandam os que lá estão", faça todo o sentido. Acredito que seja este tipo de orgulho e independência que faz falta a muitos portugueses de hoje.
Durante esta viagem, o Capitão-Mor registou esta imagem em pose épica. Agora lanço o desafio à minha amiga Júlia, outra apaixonada pelas região transmontana, de tentar adivinhar qual o local onde foi tirada esta foto.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Mitologia


Venham, passemos uma hora agradável a contar histórias, e nossa História servirá para a educação dos nossos heróis.
Platão, República, Livro II

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Nós, Portugueses

"...Este povo profundamente autocrítico, absorvido pelo seu próprio passado, para o qual a mudança é um desafio, sobrecarregado por uma burocracia e por serviços ineficazes, pressionado por um baixo rendimento, por custos e impostos elevados."
Marion Kaplan

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Quem te viu e quem te vê...


Na década de 90, aderi entusiasticamente ao CDS/PP juntamente com alguns amigos meus. Fomos seduzidos pela dupla dinâmica Monteiro-Portas que tinha tomado de assalto, a direcção de um partido praticamente moribundo. Os discursos nacionalistas e anti-federalistas faziam todo o sentido naquela época. "Uma Europa de Nações", bradavam os jovens turcos. Em matéria de defesa, segurança e luta contra o crime, o CDS/PP advogava os princípios que faziam parte de uma tradição realista e conservadora.
Na política social, a exigência de um mínimo ético de solidariedade, que todos devemos aos nossos compatriotas - exigência cristã e de elementar compaixão e humanidade - equilibrava-se com uma forma realista e responsável de financiar tais gastos com equidade.
Estas bases programáticas e a confiança nas convicções dos líderes do CDS na época, fizeram-nos abraçar uma militância activa. Após as eleições de outubro de 1995, em primeira análise, a não obtenção dos dois dígitos percentuais, que fora uma espécie de marca simbólica de sucesso, foi compensada, por uma ultrapassagem do PCP, tornando-se o terceiro partido nacional. Passada a barreira da sobrevivência, que tinha de ser alcançada como foi - com agressividade, com risco, algum popularismo e partir de loiça - não se conseguiu construir uma imagem sólida de partido de direita. Preferiu-se enveredar pela espectacularidade táctica, acrobacias mediáticas, vedetismos e o partido estilhacou-se em diversas facções que e canibalizaram entre si.

No final da década de 90, ficou claro para mim e para os que me acompanhavam, que a pequena política que se fazia no Largo do Caldas não era compatível com a nossa noção de ética e de vida partidária. As pequenas vaidades, a sabotagem e intrigas absurdas fizeram-nos desacreditar no partido que nos mobilizara. No entanto, optei por um recuo táctico e aguardar que novos ventos soprassem nas hostes populares. De nada adiantou. A gota de água que viticinou o meu afastamento total - embora ainda tenha o meu cartão de militante - deu-se quando vi figuras execráveis como João Almeida, João Rebelo ou até mesmo uma figura obscura como José Lino Ramos - ex-Governador civil de Lisboa - assumirem posições de destaque.
Anos mais tarde, digamos que a prestação dos populares no Governo de coligação com o PSD também não foi particularmente brilhante e o partido foi-se afundando cada vez mais. O avanço prematuro de Paulo Portas para mais uma liderança está-se a revelar desastroso, os quadros de valor debandaram e jamais se conseguirá reunir as condições favoráveis de 1995.
Sou um homem de direita, este panorama não me agrada mas prevejo que o CDS/PP não irá sobreviver às eleições de 2009. As cores azuis e amarelas serão varridas do mapa político português. Lamento, porque acredito que os partidos políticos são a necessariamente locais de debate, de planeamento e a única forma democrática de atingir o poder. Actualmente, considero-me orfão político e não me consigo rever em nenhuma cor partidária, numa época em que o país necessita, mais do que nunca, de políticos de fibra para evitar o declínio total de Portugal ainda embriagado por uma falsa noção de grandeza que a UE nos injectou.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Tráfico de Seres Humanos

Leiam no Diário de Notícias
sobre o perfil das cidadãs brasileiras ligadas em Portugal à actividade de prostituição, segundo um estudo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), apresentado no lançamento da campanha sobre Tráfico de Seres Humanos, que teve lugar em Lisboa.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Golegã










Apesar de ser lisboeta de gema, sempre tive um enorme fascínio pelo Ribatejo. Gosto daquelas planícies verdejantes ás margens do Tejo e das vilas acolhedoras que preservam grande parte das tradições genuínamente portuguesas. Sempre que podia, fazia uma visita às festas mais emblemáticas da região e tenho especial afeição à Feira do Cavalo na Golegã, que se realiza nesta época. Sinto saudades de todo aquele ambiente castiço onde touros e cavalos são presenças constantes, das iguarias, dos marialvas, das divertidas garraiadas, dos rostos bonitos das ribatejanas e do delicioso aroma das castanhas assadas.
Tudo isto é belo, tudo isto é Portugal!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Lisboa Hardcore


Eu e a minha terrível atracção pelo submundo da noite lisboeta...
Para os mais esquecidos, relembro aqui um guia que elaborei sobre as noites da capital mais direccionadas para o público masculino.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

O pecado de Paulo Portas


O regresso de Paulo Portas à política activa transformou-se na telenovela preferida da direita portuguesa. Nobre Guedes ameaçava avançar para a liderança do CDS, mas prometia sair da frente assim que Portas aparecesse na esquina. Nuno Melo, líder da bancada parlamentar portista, não escondia, em entrevistas, o inconsolável saudosismo pelos tempos idos do ex-líder.
E até o episodicamente ressuscitado Santana Lopes, trazendo no bolso a ressurreição do famigerado Partido Social Liberal («Admito que possam acontecer mudanças no sistema partidário do centro-direita», avisa, lembrando que não assinou «um contrato de jura eterna com o PSD»), fala num ressurgimento de Portas que poderá dar «origem a fracturas irreversíveis» à direita.
Este sebastianismo recauchutado para o regresso de Portas depara-se, contudo, com três problemas. Primeiro, os portugueses ficaram devidamente vacinados com o espectáculo da dupla Portas/Santana na governação do país. E expressaram-no, de forma exuberante, nas eleições legislativas, ainda recentes, de 2005. Segundo, as próximas legislativas só ocorrem no final de 2009. Alguém, no seu perfeito juízo, como Portas, se daria ao trabalho e ao ónus de fazer cair já Ribeiro e Castro da liderança do CDS, para aí ficar a aboborar e a desgastar-se politicamente durante três anos? Pelos vistos, parece que sim...pela evolução dos últimos meses, sou levado a acreditar que Portas nunca leu A Arte da Guerra.
Terceiro e insuperável problema: Paulo Portas escolheu, ao debutar politicamente, o partido errado. O pequeno CDS nunca poderá satisfazer os limites da sua ambição política. Ambição que o levou a ir para deputado, a depor Manuel Monteiro da chefia do CDS, a aceitar um acordo com o abominável Durão Barroso, a permanecer em palco de braço dado com Santana Lopes. O final não foi feliz.
Mas o pequeno CDS apenas tem para lhe oferecer uma restaurada reposição desse filme menor. E o mesmo papel subalterno. Portas escolheu o partido errado. É esse o seu pecado original.
Eu só sei, que deixei de me rever naquele que foi o meu partido durante vários anos. Nunca tive medo de me assumir como um homem de direita e monárquico, mas sinto-me orfão a nível partidário e creio que assim irei permanecer durante muito tempo. Só lamento o tempo que perdi neste partido, durante o meu período de militância mais activa...

Actualmente, como já deveria ter sido feito em meados da década de 90, urge marcar uma prioridade nacional e não deixar o país avançar (mais ainda?) em caminhos irremediáveis de auto-destruição de soberania - monetária (essa já foi), política ou mesmo militar - por acordos leoninos, por seguidismo bacoco ou optimismo cego, de que seremos defendidos, alimentados, vestidos e apaparicados por nações vizinhas, sem nada em troca!
Nestas coisas, a responsabilidade de risco é fundamental e os efeitos preversos da euforia, deram já, em trinta anos uma "exemplar" descolonização e uma obscura socialização pós-25 de Abril. Hoje, verifico que já se atingiu uma "exemplar" integração europeia que estagnou a economia de Portugal, grande parte por culpa de Governos inoperantes e por uma classe empresarial mal formada.
Durante estes anos, os políticos ignoraram quase por completo a nossa tradicional vocação atlântica que poderia criar uma interessante dinâmica empresarial, em funcionamento paralelo ou alternativo à UE. Acredito que seja mais uma batalha perdida. O Brasil com o seu enorme potencial de mercado e até mesmo os PALOP, já possuem fortes acordos económicos com outros países.
Portugal necessita mais do que nunca, de políticos de fibra e claramente empreendedores. No entanto não será com um CDS/PP com uma indefinição ideológica e eleitoralmente quase moribundo que chegaremos lá. Muito menos com aberrações folclóricas do tipo PNR que pretende ignorar todo o passado histórico de uma nação, colando-se a modelos xenófobos importados de outras paragens.
Faltou-nos um debate sobre um projecto para Portugal. Mas é certo que o "povinho" sempre preferiu alienar-se com futilidades e os governantes foram agindo a seu belo prazer. "A política é uma seca" - diz muita gente da minha geração. Bom, então deixem o barco afundar de vez e depois não se queixem "que isto está mau"...
Bem sei, que me podem acusar de ser um mero expatriado, puramente teórico e que agora se limita a lançar umas bolas para o pinhal. Mas é justamente esse distanciamento que me permite ver com maior clarividência, o abismo em que Portugal se encontra. Apelo aqui a todos, que se preocupem mais com o que se passa à nossa volta a todos os níveis e, que participem pela via política ou cívica de formar a mudar os rumos da nosso país.