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domingo, 20 de janeiro de 2008

No Rasto de Vlad, o Impalador


Em 1998, embarquei rumo à Roménia. O leste europeu sempre me causou um certo fascínio alimentado pelo obscurantismo da época da Cortina de Ferro, assim como o seu rico folclore e imaginário popular. Foi então que decidi aventurar-me neste país algo fantioso para mim, visto que durante a minha dolescência, era grande entusiasta de histórias de vampiros cujas lendas estão fortemente enraizadas nesta região. A história do cruel príncipe Vlad Tepes que deu origem ao personagem do conde Drácula e os mitos de vampiros tornaram-se atracção turística na Roménia, que na época, ainda apresentava uma infraestrutura turística precária. No entanto, foram doze dias fascinantes que vou tentar retratar entre fotos e trechos do meu diário de viagem.

Bucareste, 11 de Agosto de 1998
(...) Aqui e ali entremeiam-se edifícios comunistas, igualmente imponentes mas sóbrios na decoração. Embora os dirigentes comunistas não tenham pedido a opinião a ninguém acerca da necessidade da beleza arquitectónica, parecem ter escolhido os projectos mais adequados a uma época em que faltava satisfazer necessidades mais básicas.
Até Ceaucescu parece ter compreendido esta sobriedade que de autêntica chega ao bom gosto, este luto branco com que a cidade se parece cobrir, e que acabou por cobrir também o seu Palácio do Povo (...)


Transilvânia, 14 de Agosto de 1998
(...) É a Transilvânia, mais impressionante que nos filmes, talvez porque eu esperasse que o exagero cénico estivesse nos filmes. Mas não. As casas de madeira escura, de telhados de duas abas inclinadíssimos e de acabamentos funestos são cenário propício a um filme de terror. Acima delas, acompanhando a encosta, vejo uma floresta de montanha muito densa, onde a luz do dia não penetra completamente (...)

(...) Talvez algures na Suiça se possa encontrar a Transilvânia dos Alpes, a imitar a dos Cárpatos(...)


(...)O castelo de Bran, com muralhas altíssimas e torres delgadas a terminar em agulha, como que para tornar o seu aspecto mais inexpugnável e fazer qualquer invasor desistir. Observo um crespúsculo mais intenso que os céus do filme de Coppola. Rosas e laranjas ensanguentados rodeiam cumes afiados cmo facas, como se ali se sofresse o castigo de todas as barbárie de Vlad, o Impalador(...)

(...) Até agora, o meu romeno limitado tem sido suficiente para que as pessoas me entendam. Todos são amigáveis, desejosos de ajudar, de saber coisas sobre Portugal, de saberem o meu nome e de saberem que diabos ando eu a fazer sozinho na Roménia!(...)


Roménia Central, 16 de Agosto de 1998
(...) estações perdidas na noite escura. Não vejo luzes das estrelas nem da civilização. Aqui e ali, edifícios sinistros de arquitectura transilvânica, cuja aparência assustadora é redobrada por eu não saber a que cidades pertencem. Será que apanhei o comboio certo?(...)

(...) Agora as pessoas estão livres para expressarem os seus sentimentos e opiniões e para falarem com estrangeiros sem o medo constante de um cidadão trair o outro, passando informações para a Securitate - polícia secreta da época de Ceaucescu (...)


(...) As raparigas romenas são bonitas, se cabelos negros e pele clara. No entanto, parecem acanhadas no contacto com viajantes. Por favor mordam-me o pescoço!
Os homens bebem em demasia, mas adoram falar sobre futebol. Ficam em delírio quando cito nomes de jogadores romenos, ao que correspondem com gritos de "Figo, Figo!" ou "Eusébio, Eusébio!"

(...) Ao que parece, os habitantes da Transilvânia acreditam mesmo em lendas de vampiros e lobisomens. Em Sighisoara - cidade natal de Vlad Tepes - um velhote, numa mistura de romeno, francês e mímica tentou contar-me algo desse tipo. Chegou mesmo a apontar para um molho de alhos que tinha pendurado perto de uma janela(...)

(...) Agora que a viagem está no final, chego à conclusão que o grande vampiro deste país e deste povo fpoi o ditador comunista Ceaucescu e toda a sua família opressora(...)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Recordações do Magrebe







Mazagão - actual El Jadida - conservou-se na posse de Portugal até 1769. Nesse ano, o sultão Sidi Muhammad ben´Abd Allah veio pôr cerco à praça, que se defendeu com dificuldade devido à artilharia que destruía os muros e casas, matando os seus defensores. O governo do Marquês de Pombal, veridicando a inutilidade da conservação da praça que não desempenhava outro papel além de "relíquia" do passado português em Marrocos, ordenou a sua evacuação e o regresso ao Reino dos seus habitantes.
Os colonos de Mazagão, depois de permanecerem dois anos em Lisboa, foram fundar Vila Nova de Mazagão no Brasil, segundo o plano do Marquês de Pombal de povoar a região do Amazonas. Ainda ali se conserva a memória intacta do último reduto português no Magrebe. Em 2001, tive oportunidade de visitar esta magnífica praça forte, durante um périplo em Marrocos com alguns amigos. Torna-se comovente revisitar estes locais onde se consegue sentir a antiga presença dos nossos antepassados que construíram um Império.
Recentemente, descobri o blogue da SM que narra as suas vivências por terras marroquinas, fazendo-me reviver alguns momentos dessa viagem. Mais um exemplo exótico da nossa Raça de andarilhos que consegue adaptar-se a qualquer tipo de universo.