terça-feira, 2 de janeiro de 2007

È Lula de novo na bunda do povo!!!


Lula da Silva será Presidente do Brasil por mais quatro anos, mas o seu novo mandato nasce enfraquecido. Destaco o facto de a economia brasileira continuar a registar um comportamento positivo, tendo "reagido" de forma bastante favorável a toda a agitação normal duma época eleitoral. Ontem, foi celebrada a tomada de posse do novo mandato de Lula da Silva assim como de todos os Governadores estaduais eleitos nas eleições de Outubro passado.

Depois de uma primeira volta renhida, Lula da Silva venceu as eleições brasileiras na segunda volta, com uma vantagem de cerca de 20% dos votos contra Geraldo Alckmin. Lula da Silva conseguiu 60,83% do total dos votos válidos, e Geraldo Alckmin 39,17%. Este resultado foi ao encontro das sondagens, e mostrou que, face aos resultados da primeira volta, Lula da Silva ganhou cerca de 11,6 milhões de votos, enquanto que Alckmin perdeu cerca de 2,5 milhões.

A pergunta que certamente irá prevalecer durante os próximos tempos é: o que irá acontecer no novo mandato de Lula? Em primeiro lugar existirá a necessidade de saber quem será a nova equipa ministerial, e principalmente quem irá ficar com a pasta da economia, e a presidência do Banco Central (estas informações poderão ser conhecidas apenas no final de Novembro). Em segundo lugar, será importante saber como é que Lula da Silva irá conseguir apoio da oposição, já que a mesma se encontra fortalecida. A este respeito será talvez mais relevante saber como é que Lula da Silva conseguirá relacionar-se com o PSDB, e como serão as relações com um PMDB mais fortalecido e mais dividido no que concerne ao apoio a Lula. Tudo isto é importante principalmente para se conseguir tentar antever qual o caminho das reformas estruturais necessárias, nomeadamente da reforma política e da reforma fiscal. É que só assim o Brasil conseguirá atingir níveis mais elevados de crescimento sustentado. A este respeito refira-se que, logo após serem conhecidos os resultados, Lula da Silva fez um convite abrangendo toda a oposição, no sentido de conseguir apoio no Congresso para poder avançar com as reformas que propõe. A reforma política poderá ser proposta já durante o primeiro semestre do próximo ano. Quanto à reforma fiscal, existe primeiro a necessidade de que Lula da Silva esclareça exactamente o que pretende abranger.

No Congresso, o que parece quase certo é a preparação de uma candidatura conjunta (entre o PSDB e o PFL) à presidência do Senado. Se assim for, este poderá ser um poderoso instrumento da oposição contra o novo governo de Lula da Silva. Isto porque o PFL e o PSDB têm em conjunto 33 lugares no Senado, podendo solicitar investigações parlamentares (CPI's). Quanto ao parlamento (Câmara baixa), apesar de o PT e o PMDB terem em conjunto 130 lugares, não atingem sozinhos os dois terços necessários para aprovar reformas constitucionais.

Quanto à envolvente externa, o Banco Central acredita que o maior impacto do aumento da aversão ao risco já terá passado, e terá sido reduzido. Sendo assim, parece confirmar-se a ideia de que o Brasil estará actualmente mais resistente a choques externos. Por outro lado, a expectativa de que a política monetária dos EUA irá manter-se estável durante algum tempo é também um factor de impulso positivo para o Brasil. Resta agora saber se o abrandamento da economia norte-americana poderá atingir dimensões capazes de atingir a economia global de forma mais negativa.

sábado, 30 de dezembro de 2006

FELIZ ANO NOVO!


Mais um ano que finda. Tempo de fazer o balanço do ano que passou, traçar objectivos e metas a atingir nos próximos meses. Ao contrário da época natalícia, sempre fui um grande entusiasta da celebração da passagem de ano junto dos amigos mais próximos.
No Brasil, descobri um novo tipo de festejos que me seduziram de imediato. Devido às condições climatéricas favoráveis, as praias tornam-se o palco previligiado para comemorar a chegada do ano novo. Uma conjugação perfeita dos mistérios da noite e do mar, partilhada por milhares de pessoas vestidas essencialmente de branco que endereçam os seus desejos sob a forma de flores lançadas ao mar.
No que me diz respeito, este não foi um ano muito favorável, mas tenho plena convicção que o ano de 2007 será de muito trabalho, grandes transformações e realizações na minha vida. Pode ser um lugar comum, mas nesta noite festiva, fico sempre bastante entusiasmado e confiante num ano novo em grande estilo.
O Capitão-Mor deseja um FELIZ ANO NOVO a todos os seus amigos, comentadores e leitores deste blogue, convidando-os para um alegre brinde virtual.
Divirtam-se ao máximo, se conduzirem não bebam e vemo-nos no próximo ano!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Brasil Contacto



Habitualmente acompanho as notícias de Portugal através da RTPinternacional, que gosto de complementar com a leitura de algumas edições electrónicas de alguns jornais e com a audição da TSF online. A programação é bastante razoável e durante a semana são apresentados diversos magazines que retratam as várias comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Todas as sextas-feiras, vai para o ar o Brasil Contacto. Um retrato da vida dos milhares de portugueses residentes no maior país da América do Sul, apresentado por João Alves. As reportagens incidem essencialmente nos emigrantes mais antigos que procuraram o Brasil, na primeira metade do século XX e que se estabeleceram essencialmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. O fenómeno da emigração europeia no Nordeste brasileiro, é um fenómeno relativamente recente. Eu costumo dividir os europeus residentes em Natal em dois grupos distintos. Existem aqueles, que tal como eu, que cansados de uma vida na Europa algo desgastante, procuraram refazer a sua vida numa região ensolarada e com uma maior qualidade de vida. Logo a seguir, encontra-se um número bastante elevado de moradores sazonais que são sobretudo pessoas aposentadas que adquirem imóveis de férias e aproveitam para passar a temporada de Inverno nos trópicos.
Podem-se já encontrar grupos consideráveis de portugueses, italianos, espanhóis e nórdicos. No que diz respeito à comunidade portuguesa, é bastante dispersa e sem qualquer tipo de relacionamento ou associativismo. Dedicam-se essencialmente a negócios imobiliários, construção civil, turismo e comércio em geral. Dado o considerável número de cidadãos nacionais residentes e turistas que chegam todas as semanas, julgo que já se justificava a existência de um Consulado de Portugal na cidade de Natal. Qualquer assunto consular tem de ser tratado em Recife, que fica localizado a cerca de 300km daqui, tornando-se uma deslocação incómoda para resolver assuntos mais triviais.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Cachaça


Esta é uma das bebidas predilectas deste lado do Atlântico, apenas superada pelo largo consumo de cerveja. Os brasileiros preferem-na pura e os estrangeiros apreciam-na convertida sob a forma de caipirinhas. È fabricada a partir da cana de açucar, tem um gosto meio adocicado e uma graduação alcoólica menor que qualquer aguardente portuguesa. Ainda fico um pouco espantado, quando observo o estranho hábito que os nordestinos possuem de consumir cachaça na praia, sob um sol ardente. E convém não esquecer, que a ressaca resultante do excesso desta bebida é extremamente devastadora.

Receita de Caipirinha



Ingredientes:
Gelo a gosto
1 colher (sopa) de sumo de lima
4 colheres (chá) de açúcar
1 pitada de sal
2 doses de cachaça
1 lima

Modo de Preparo:
Lavem bem as limas e cortem-nas em cubos de 2 cm. Coloquem num recipiente, reguem com o sumo de lima e salpiquem com sal (que dará o toque especial) e açúcar. Amassem num almofariz e deixem amolecer por 10 minutos. Dividam em dois copos, despejem uma dose da cachaça em cada copo e misturem, completem com bastante gelo picado. Sirvam decorando com rodelas de lima e palhinhas. Podem substituir a cachaça por vodka, mas garanto-vos que não fica tão saborosa.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

O Sexo e a Cidade



Há uns meses atrás, aluguei a caixa com a 2ªtemporada completa desta série de enorme sucesso mundial. Não tenho por hábito ver muita televisão e sentia alguma curiosidade em saber as razões que levam grande parte do mulherio a idolatrar as protagonistas da série norte-americana. Contudo, à medida que os episódios se iam sucedendo, crescia em mim um novo ódio de estimação. Peguei no meu caderno de apontamentos e rabisquei alguns tópicos que gostaria de ver esclarecidos pela audiência maioritariamente feminina deste blogue. È óbvio, que a ala masculina também está convidada a dizer de sua justiça, tornando-se interessante observar o confronto de opiniões.

1- Desde já, gostaria de afirmar que nenhuma das personagens é assim tão bonita e fantástica como julga ser. As mulheres portuguesas e brasileiras são bastante mais apelativas ao olhar masculino.

2- Mulheres supostamente modernas, instruídas e cosmopolitas não deveriam ter outras conversas para além de homens e namoros?

3- Porque será que todos os namorados que as fulanas arranjam têm obrigatoriamente de ser médicos ricos, advogados brilhantes, editores de revistas ou até mesmo um septuagenário multimilionário? Não poderia ser um simples polícia, um pasteleiro ou vendedor de alguma coisa? Com a emancipação económica das mulheres, vocês até já se podem dar ao luxo de sustentar um homem do vosso agrado! Ou será que manter dondocas é um exclusivo masculino!?

4- Quando tudo decorre dentro da normalidade numa relação, será justo ou normal, a mulher procurar obsessivamente defeitos nos seu companheiro chegando ao cúmulo de revistar os seus objectos pessoais às escondidas?

5- È normal as mulheres terem ciúmes das actrizes de filmes pornográficos ou acreditarem que o homem precisa de os visionar para se excitar, desprezando as capacidades da sua parceira?

6- Porque é que as mulheres têm uma inveja mórbida da felicidade das suas amigas? Será que vocês, depois dos 30 anos, se convertem em caçadoras de machos que desesperam quando alguma amiga vossa alcança alguma estabilidade emocional?

7- Deixem de viver obcecadas com essa ideia de ficarem magras e esbeltas para um príncipe encantado que nunca aparece. E porque não acompanham os cuidados estéticos com a aquisição de alguma bagagem intelectual? Não me adianta passear ao lado de uma brasa que não saiba articular o mínimo raciocínio lógico.

8- Não procurem modelos de perfeição no sexo oposto. Vocês pensam que é fácil encontrar, ao virar da esquina, um namorado com a aparência do Brad Pitt, a inteligência do Miguel Esteves Cardoso e com um cavalheirismo do século XIX?

9- Párem com esse cliché que todos os homens traem as suas companheiras! As mulheres não traem cada vez mais mais? Nem que seja nos vossos pensamentos mais íntimos?

10- Guardei a melhor pergunta para o final...Um homem não circuncisado é semelhante a um sharpei, tornando-se esse facto motivo de separação!?

Meninas, expliquem-me a piada disto porque eu não entendi. Já não bastavam algumas revistas femininas para vos confundir a cabeça? Bem sei, que por vezes sou um pouco machista e conservador, mas vocês têm de admitir que a mulher moderna adora ligar o complicómetro no que diz respeito a relacionamentos.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Alguém se lembra?




Sou um saudosista por natureza. Este meu comportamento patológico, leva-me até a ter saudades de marcas e modelos de automóveis do passado. Hoje, recordo o UMM Alter, viatura todo-o-terreno de fabrico nacional que alcançou um relativo sucesso no final dos anos 80 e princípios da década de 90. Era produzido nas instalações da União Metalo Mecânica, em Queluz de Baixo, tendo sido comercializado até 1993. Nesses anos, era frequente cruzarmo-nos com estes jipes nas estradas portuguesas, muitos foram adquiridos pelas Forças Armadas e também eram exportados para os PALOP. Tinham uma aparência bastante rústica, eram equipados com um motor 2500cc diesel da Peugeot e possuidores de um excelente desempenho fora de estrada. A marca era presença habitual em provas desportivas de todo-o-terreno, chegando mesmo a participar no célebre Paris-Dakar.
Recordo-me perfeitamente, que foi o primeiro carro que sonhei adquirir, ainda durante o período de aprendizagem de condução. No entanto, por prudência paternal, acabei por me estrear ao volante de um carro bem mais convencional.
Actualmente, já se torna difícil avistar algum destes jipes nas nossas estradas. Chegou-se a especular o regresso da marca ao mercado com um modelo mais evoluído, mas os projectos nunca saíram do papel. De qualquer modo, acredito que seja um modelo a ser preservado pelos coleccionadores de automóveis. A recordação de um carro totalmente português.

sábado, 23 de dezembro de 2006

A Todos um Bom Natal!


Pórtico dos Reis Magos na entrada da cidade de Natal-RN

Nunca fui grande entusiasta do Natal. Creio que a partir dos 14 anos, a data deixou de me proporcionar grandes emoções. Em parte, este meu sentimento terá sido provocado pelo facto de ter crescido numa família reduzida e bastante desunida, tudo isto misturado com as minhas débeis convicções religiosas.

A quadra natalícia torna-se ainda mais penosa para os solteirões inveterados. Os amigos ficam enclausurados em casa com as suas respectivas famílias, as ruas ficam desertas e não existe nada aberto. O Natal é a grande celebração da família e das crianças e numa visão algo exagerada, o celibatário é sempre olhado de soslaio pelos membros mais conservadores da família. À mesa surgem sempre os comentários e perguntas inevitáveis: "Rapaz, quando é que te casas?"; "Com a tua idade já tinha a minha casa e filhos para criar." ou "Precisas assentar e ganhar juízo nessa cabeça". Como se o casamento fosse algo perfeito e todas as pessoas casadas fossem exemplos supremos da moral e bons costumes.Cumpre ao solteirão de plantão manter-se em silêncio, responder com diplomacia ou cumprir a função de bobo da festa com o relato das suas aventuras amorosas, muitas das vezes escutadas pela ala masculina com uma pontinha de inveja.

Contudo, sempre tive um mórbido fascínio daquelas reuniões de famílias numerosas, com casas elegantemente enfeitadas, mesas repletas de iguarias e onde todos parecem imensamente alegres. Mesmo sabendo que no final da noite, muitos já falam mal nas costas uns dos outros, críticam-se indumentárias ou faz-se uma estúpida comparação dos presentes trocados.
Quero acreditar que a minha visão do período natalino possa mudar um pouco no futuro, quando construir a minha própria família, tiver um maior contacto com crianças e a memória do meu falecido pai estiver mais esbatida.

No entanto, acredito que nunca irei ter paciência para o consumismo desenfreado da época, para as enormes filas nos centros comerciais, para o cinismo familiar e para discuros hipócritas sobre paz e fraternidade. O Natal, parece-me cada vez mais uma época de expiação dos pecados da humanidade, demasiadamente ocupadas com um mundo competitivo que não combina bem com as camadas sociais mais desfavorecidas. È pena que os sentimentos de harmonia e as doações para os pobrezinhos durem apenas uma quinzena. No dia 26 de Dezembro já está tudo esquecido, viramos a cara à pobreza e estamos prontos para espezinhar quem se cruze no nosso caminho.

Sempre me irei irritar com o Natal das mesas exageradamente fartas e do excesso de brinquedos caros oferecidos a crianças cada vez mais egoístas e materialistas. Lá fora no frio, existirão sempre pessoas que irão apenas comer uma sopa e que não poderão oferecer nada aos seus filhos. Era isto que que Jesus queria para o nosso mundo, quando nasceu neste dia? Recuso-me a acreditar que sim...

Por ironia do destino, vim parar a uma cidade chamada Natal. O meu ténue espírito natalício desapareceu quase por completo nestas paragens. Imaginem-se a celebrar o Natal em pleno Julho ou Agosto, com uma temperatura na ordem dos 30C e com pessoas na praia. O Pai Natal derrete debaixo das barbas postiças e as usuais imagens de neve tornam-se ridículas. A única vantagem de eu passar aqui o meu terceiro Natal consecutivo, é não te que aturar mais uma edição do Natal dos Hospitais e as cançonetas no Coro de Sto.Amaro de Oeiras. No restante, não vejo a mínima piada num Natal passado nos trópicos.
Seja como for, e como todos não podem partilhar das mesmas ideias que eu, gostaria de desejar um Feliz Natal para todos os meus amigos, comentadores e leitores deste modesto blogue. Repararam no título do post? Estarei com algum ataque de saudades do Coro de Sto.Amaro de Oeiras!?
Um abraço ultramarino!

A Festa


"Uma família dinamarquesa reúne-se num hotel campestre para comemorar o aniversário do avô. Mas o que parecia ir ser um fim-de-semana de divertimento e convívio, transforma-se numa noite de tragédia, por via da revelação feita por um dos filhos do aniversariante, também proprietário do hotel. Colega de Lars Von Trier no movimento Dogma 95, Thomas Vinterberg assina aqui a sua segunda longa-metragem, filmada segundo os preceitos técnico-estilísticos «naturalistas» daquele grupo, que contribuem decisivamente, junto com os actores, para que «A Festa» faça uma transição convincente de comédia familiar para filme de terror em família. Prémio do Júri em Cannes 98, «ex aequo» com «La Classe de Neige», de Claude Miller."
Eurico de Barros in Cinema 2000

Ao invés de vos recomendar um tradicional filme natalício, aconselho-vos esta obra cujo visionamento é altamente desanconselhável em reuniões familiares. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência...

Título Original: Festen
País de Origem/Ano de Produção: Dinamarca (1998)
Realização: Thomas Vinterberg
Elenco: Ulrich Thomsen
Henning Moritzen
Thomas Bo Larsen
Paprika Steen...

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Postais de Natal


Vista da Praia de Ponta Negra, o principal cartão postal da cidade de Natal.


Interior de um dos buggys que realizam os tradicionais passeios na dunas.


Praia de Perobas. A água tem uma tranparência impressionante.


Interior do Forte dos Reis Magos em Natal. Um dos raros vestígios da presença colonial portuguesa na cidade.


Praia de Pirangi do Norte, localizada a cerca de 35km de Natal. Foi o meu primeiro local de residência nestas paragens e esta era mais ou menos a vista que tinha do meu quarto.


Panorâmica da Praia de Pipa. Muito bonita mas com excesso de turistas portugueses.


Barra de Cunhaú. A minha praia preferida nesta região.


Um mico na Praia de Pipa. São uns macaquinhos afáveis e totalmente inofensivos.

Ao contrário das usuais gravuras sacras, figuras do Pai Natal e paisagens cobertas de neve, apresento-vos uma sequência de fotografias com paisagens deste cantinho do Brasil. Imagino que na Europa, o frio já seja intenso e espero que ao verem estas imagens, possam sentir um pouco do calor que se faz sentir aqui no Nordeste brasileiro.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Onde está o meu bacalhau?


Este ano, o preço do fiel amigo nestas paragens encontra-se claramente inflaccionado. Sendo assim, decidi equipar-me a rigor e mergulhar no mar, em busca do saboroso manjar que é presença obrigatória em qualquer Consoada portuguesa.
Desde logo verifiquei que estava perante um grave problema de localização geográfica, mas ainda alimentava a esperança que algum espécime estivesse a veranear por águas mais quentes. Admito que quando me iniciei nas actividades subaquáticas, sonhava um dia deparar-me com uma bela sereia no fundo dos mares. Creio que não simpatizam muito comigo ou andam demasiado ocupadas ao redor de Neptuno. Pois hoje, sereias nem vê-las e do bacalhau nem o cheiro!
Com tanta frustração acumulada, o Capitão-Mor ficou embuído de um enorme instinto predatório que o fez vasculhar os recifes com fúria redobrada. A meio da manhã, tive o meu espírito apaziguado com a captura deste magnífico mero, um troféu bastante cobiçado por qualquer praticante de pesca submarina. Agora deixem-me lá ir ao supermercado comprar o meu bacalhau, que se irá juntar na mesa de Consoada ao leitão assado que me deu um trabalhão para ser encontrado por aqui.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Ricos, Bonitos e Loucos


Patrick Bateman é elegante, bem educado e inteligente. Trabalha de dia na Wall Street, ganhando uma fortuna para juntar àquela com que nasceu. As suas noites passa-as ele de formas que ninguém se atreveria a imaginar. Tem 26 anos e está a viver o seu próprio Sonho Americano. Psicopata Americano passa-se num mundo e numa época que nos são familiares. A elite rica é cada vez mais rica; os pobres e marginais são atirados paras as ruas às dezenas de milhar, e tudo, até o mais horrível parece possível. Mesmo assim, Bateman, que exprime a sua verdadeira natureza através da tortura e do assassinato, prefigura um horror apocalíptico, impossível de suportar para qualquer sociedade. Trata-se de um livro tão profundamente moral como necessariamente repugnante.

O norte-americano, Bret Easton Ellis foi revelado ao público português com Menos que Zero, que publicou com apenas 20 anos,e rapidamente se tornou o romance emblemático de uma geração. Desde então, a Teorema tem publicado todas as suas obras. As Regras da Atracção, Os Confidentes, Glamorama e Lunar Park. O universo dos seus romances gira em torno do mundo dos famosos, ricos e poderosos que escondem mentes perturbadas e vazias. Grande parte da sua obra já foi alvo de adaptações cinematográficas, inclusive este romance de que vos falo.

"Só acordo quando uma delas me toca na mão sem querer. Abro os olhos e aviso-as que não toquem no Rolex, que não tirei durante o tempo todo. Elas estão deitadas uma de cada lado, caladas, tocando-me de vez em quando no peito ou passando as mãos nos músculos do abdómen. Meia hora depois, estou outra vez duro. Levanto-me e vou ao armário onde tenho, ao lado da pistola de pregos, um cabide de arame afiado, uma faca de manteiga enferrujada, fósforos do bar Gotham e um charuto meio fumado; ao voltar-me, nu, com a erecção espetada em frente de mim, mostro-lhes os utensílios e explico num murmúrio rouco: "Ainda não acabámos..." Uma hora depois, levo-as à porta com impaciência, já vestidas e soluçantes, a sangrar mas bem pagas. Amanhã a Sabrina vai estar a coxear. A Christie, provavelmente, vai ter um olho negro e grandes arranhões nas nádegas, feitos com o cabide, ao lado da cama vai estar Kleenex amarrotado e cheio de sangue, juntamente com uma embalagem vazia de sal italiano que comprei no Dean & Deluca."
Pag.181

Bookcrossing


O Bookcrossing é um clube de livros global, que atravessa o tempo e o espaço. É um grupo de leitura que não conhece limites geográficos. Os seus membros gostam tanto de livros que não se importam de se separar deles, libertando-os, para que possam ser encontrados por outros.
O objectivo do Bookcrossing é transformar o mundo inteiro numa biblioteca.

Os três "Erres" do Bookcrossing

Read
Lê um bom livro

Register
Regista-o. Cria um diário para esse livro, dá-lhe um número de identificação(BCID) e cola-lhe uma etiqueta.

Release
Liberta-o para que outra pessoa o possa ler (entrega-o a um amigo, deixa-o num banco do jardim, esquece-te dele num café) e recebe uma notificação por email cada vez que alguém encontra o livro e escreve uma mensagem no seu diário.

Parece fácil, certo? Pois é! É também um exercício fascinante sobre o destino, o karma. E além disso é totalmente grátis e privado.
Por isso tira um ou dois livros da tuas prateleiras (não estão lá a fazer nada pois não? Apenas a ganhar poeira), regista-os aqui e depois oferece-os ou deixa-os onde podem ser encontrados por alguém.
Actualmente, existem 51 pontos de troca em Portugal (13 na Grande Lisboa) e 24 no Brasil.
Para informações mais detalhadas consultem:
www.bookcrossing.com

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Os Profissionais da Noite


Terça-feira. 1 e 45 da manhã, Dock´s. Ladie´s Night.

A Xana, a Magda e a Vanessa vestiram-se a rigor para a noite. Calça Mango preta, top Zara, bota preta Foreva. Tudo muito discreto, muito in, muito moda de shopping. A Magda estuda à noite e o emprego na loja do Forum Almada permite-lhe entrar no turno da tarde. A Xana, que está a tirar Psicologia numa privada, não parece muito preocupada. A Vanessa é cabeleireira, tem o namorado fora e trouxe as amigas no seu carro. È terça-feira e o Dock´s está como se quer: cheio de gajos a quererem pagar copos. As mulheres não pagam. As despesas correm por conta deles. Os tansos!
E ainda julgam que é por pagar uma vodka laranja que nos levam para a cama! Não queriam eles mais nada!
O Armando e o Jorge já estão no bar. Cotovelo apoiado, whisky na mão, cigarro ao canto da boca e olham a fauna feminina. Só miúdas em grupos.
Armando sorri. Tanta gaja boa por metro quadrado!
No Dock´s, à terça, é sempre assim: só escolher. Há sempre quem dê dois dedos de conversa e, se a noite correr bem, ainda se sai acompanhado para um fim de noite em beleza, no carro, ao pé do rio. Se for uma fulana mesmo boa, até se arrsica a levá-la para o seu apartamento em Sacavém. Se não picar nada, para semana há mais ou ainda há tempo para uma passagem pela Duque de Loulé. Anastasia canta numa qualquer versão remixada, tocada no volume máximo. Na semana passada, uma miúda contou ao Armando que aquela letra lhe trazia recordações do ex-namorado. Ali no Dock´s não há espaço para sentimentalistas. O ambiente convida a saltar para a pista. A decoração africanista (zebra, leopardo...) demonstra que aquele é um espaço para predadores natos. Armando sente-se em casa. Nasceu para engatar. Ele é um cliente típico das mais famosas Ladie´s Nights de Lisboa. Não é, certamente figura que se encontre com facilidade nas restantes noites da casa.

Tentei retratar numa versão ficcionada os "profissionais" da noite lisboeta, verdadeiros playboys e mulheres fatais de subúrbio que tentam preencher o seu vazio existencial desta forma. A foto ilustrativa poderia ser de um qualquer Armando da vida, mas foi tirada na discoteca Kapital, um dos meus locais preferidos em Lisboa. A única diferença é que provavelmente, ele não se chamaria Armando, talvez Diogo ou Bernardo. Mas a atitude, a pose e o olhar matador não diferem muito.
Por vezes fico a pensar...Depois de mais de dois anos no exterior, será que ainda tenho entrada franca neste estabelecimento? De qualquer maneira, espero continuar a sair à noite unicamente para me divertir e espero nunca terminar os meus dias como predador da noite! :)

domingo, 17 de dezembro de 2006

Forró

Torna-se quase impossível falar do Nordeste brasileiro, sem fazer referência ao forró, o estilo musical mais popular nesta região. Este ritmo encontra-se presente um pouco por todo o lado: nas festas, nos carros que passam nas ruas, nas rádios locais, nas praias ou até mesmo na casa dos vizinhos. Nem mesmo o europeu mais empedernido consegue ficar indiferente ao alegre embalo destas músicas.
O nome forró deriva de forrobodó, "divertimento pagodeiro", segundo o folclorista Câmara Cascudo. Tanto o pagode (que hoje designa samba) como o forró são festas que foram transformadas em gêneros musicais. O forrobodó, "baile ordinário, sem etiqueta", também conhecido por arrasta-pé, bate-chinela ou fobó, sempre foi movido por vários tipos de música nordestina (baião, coco, rojão, quadrilha, xaxado, xote) e animado pela pé de bode, a popular sanfona de oito baixos. Uma versão fantasiosa chegou a atribuir a origem do forró à deturpação da pronúncia dos bailes for all (para todos), que no começo do século os engenheiros ingleses da estrada de ferro Great Western, que servia Pernambuco, Paraíba e Alagoas, promoviam para os operários nos fins de semana.
Com a imigração de grandes camadas da população nordestina para a região sudeste, inúmeras casas de forró foram abertas geralmente nas periferias antes de tornar-se modismo entre parte da juventude e estabelecer seus domínios nas regiões mais abastadas. No Rio, um dos mestres da matéria, o compositor maranhense João do Vale, pontificava no Forró forrado no bairro central do Catete, no final dos 70. No nordeste, as cidades de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB) disputam hoje a cada festa junina o título de capitais do forró com festejos de longa duração capitalizados como eventos turísticos que arrebanham multidões de visitantes.
Actualmente, a essência do forró original, vai sendo adulterada pela introdução de elementos musicais vindos de outros géneros musicais. Os tradicionais quintetos acústicos vão sendo substituídos por bandas de grande dimensão que se regem pela lógica dos agrupamentos Pop-Rock, introduzindo uma forte componente electrónica nas músicas. A temática das canções oscila entre o romântico e o brejeiro, os concertos oferecem um forte aparato cénico e arrastam multidões em toda a região Norte-Nordeste.
Para além de um estilo musical, o forró também é uma dança tradicional extremamente sensual, mas de aprendizagem relativamente fácil. Escusado será dizer que, o Capitão-Mor de vez em quando não se furta de dançar com as belas nativas nas suas noites de folguedo. Como ilustração deste post, coloco um vídeo da banda Saia Rodada que é um bom exemplo da actual sonoridade do forró, com as suas letras de segundo sentido e das reduzidas indumentárias das suas vocalistas. Que fique bem claro que não faço referência a um estilo musical com grandes preocupações estéticas. Única e exclusivamente, puro divertimento!

sábado, 16 de dezembro de 2006

Homens no Divã


Após uma intensa pesquisa em páginas de consultórios sentimentais, elaborei uma colectânea das grandes dúvidas existenciais do ser masculino no relacionamento com o sexo oposto. Desde já, gostaria de contar com as doutas opiniões dos comentadores de ambos os sexos.

1- Digo a verdade quando ela me perguntar se está bonita?

2- Porque será que algumas mulheres no início do relacionamento fingem gostar das mesmas coisas que nós e tempo depois confessam odiar essas mesmas coisas?

3- Já estou cansado de me agarrar com profissionais da noite e agora quero namorar a sério, para casar na Igreja. É verdade que os opostos se atraem ou no fundo procuramos uma pessoa que seja a nossa semelhança. Uma imagem reflectida no espelho?

4- Sou um indivíduo feio e pobre, mas tenho uma namorada que faz parar o trânsito. Quando saímos, existe sempre um monte de fulanos a babarem-se por ela. Será que um dia ela irá despertar para a realidade e acabar tudo comigo?

5- O grande dilema da minha vida é: Como avisar a minha namorada que não tenho a mínima vontade de almoçar com os pais dela todos os domingos?

6- Tenho um pénis com um comprimento acima da média (23cm). Quando tenho relações sexuais com a minha companheira, não entendo muito bem se ela geme de prazer ou de dor.

A Cidade do Sol


Natal (BRASIL) - video powered by Metacafe

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

DESMUNDO


No mês passado, falei-vos aqui de um romance da escritora brasileira Ana Miranda. Desta feita, gostaria de vos apresentar um filme que é a adaptação de um dos seus romances. Desmundo, retrata de maneira bastante objectiva as enormes dificuldades dos primórdios da colonização portuguesa no Brasil e, possiblita-nos uma visão abrangente da vida social dessa época heróica.


Brasil, por volta de 1570. Chegam ao país algumas órfãs, enviadas pela rainha de Portugal, com o objectivo de desposarem os primeiros colonizadores. Uma delas, Oribela (Simone Spoladore), é uma jovem sensível e religiosa que, após ofender de forma bem grosseira Afonso Soares D'Aragão (Cacá Rosset) se vê obrigada em casar com Francisco de Albuquerque (Osmar Prado), que a leva para seu engenho de açúcar. Oribela pede a Francisco que lhe dê algum tempo, para ela se acostumar com ele e cumprir com suas "obrigações", mas paciência é algo que seu marido não tem e ele praticamente a violenta. Sentindo-se infeliz, ela tenta fugir, pois quer embarcar num navio e voltar a Portugal, mas acaba sendo recapturada por Francisco. Como castigo, Oribela fica acorrentada num pequeno barracão. Deprimida por estar sozinha e ferida, pois seus pés ficaram muito magoados, ela passa os dias a chorar e só tem contacto com uma índia, que lhe leva comida e a ajuda na recuperação, envolvendo seus pés com plantas medicinais. Quando ela sai do seu cativeiro continua determinada em fugir, até que numa noite ela se disfarça de homem e segue para a vila, pedindo ajuda a Ximeno Dias (Caco Ciocler), um português que também morava na região.

Como o português dito pelos personagens no filme é arcaico, da época em que os acontecimentos mostrados ocorrem, o filme possui legendas em português actual. Com os actuais recursos que a internet possiblita nos dias de hoje, creio que não será muito difícil obterem uma cópia deste filme excepcional.

Título Original: Desmundo
País Origem/Ano Produção: Brasil (2003)
Realização:Alain Fresnot
Elenco: Osmar Prado
Simone Spoladore
Caco Ciocler
Berta Zemei
José Eduardo...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Literatura Pop


Irvine Welsh escreve com um talento, uma inteligência e uma lucidez que atingem a genialidade. Uma pessoa premente, violenta e com um humor gélido, Welsh pode tornar-se num dos mais significativos escritores da Grã-Bretanha. Escreve com estilo e imaginação, retratando de forma sublime as camadas sociais dos subúrbios, que têm comportamentos nada condizentes com a tradicional fleuma britânica. Welsh é o mais dotado da nova geração de escritores ingleses largamente influenciados pela cultura pop.


Porno é uma sequela de Trainspotting cuidadosamente enredada, construída em várias vozes (cada capítulo é narrado por uma das personagens na primeira pessoa), todavia o protagonista é agora Sick Boy, que procura a todo custo reinventar-se como empresário de sucesso do novo milénio. O objectivo: ganhar um lugar de peso na indústria da pornografia.
O reaparecimento de Mark Renton é, naturalmente, problemático, uma vez que pairam sobre ele a traição com o negócio de heroína (há dez anos atrás) e a revigorada fúria de Begbie, cuja psicopatia se agravou com a estada na prisão. Bem diferente é Spud, sobre quem recai o talento de Welsh para descrever a pobreza, a solidão e autodestruição. Além da evolução do grupo em plena crise dos trinta, o autor apresenta-nos a sua primeira personagem feminina trabalhada, a bela e ambiciosa Nicki Fuller-Smith. De volta, desde 1993, em terreno amigável, Porno, tal como Trainspotting celebra a ressaca da juventude. Aconselho a leitura deste autor britânico na sua versão original, pois só dessa forma, a crueza das palavras e as expressões idiomáticas puramente escocesas são captadas na sua essência.


"-Não, mas este é um filme pornográfico.
- Exactamente, é um filme - insiste o Simon - Fingimos. Fizemos o mesmo como fez Tarantino com Ving Rhames, porque Ving fingiu também. Será que ele se virou para Tarantino e disse: "Não quero fazer esta cena porque as pessoas vão pensar que sou paneleiro?" Disse mas foi o caralho!
- Não - berro - porque é diferente! Isto é um filme porno e na porno é um dado adquirido que os participantes não estejam a fingir, mas que façam os actos sexuais!
- Bem, Nikki, informamo-nos com pessoas experientes da indústria pornográfica na Holanda e em Londres. Eu e o Mark pensámos que...Bem, tu sabes...
Viro-me para o Mark que levanta as mãos.
-Não tem nada a ver comigo - diz para Simon - Tu és o grande supremo. Diz na capa - e agarra num vídeo e brande-o. O Rab começa a intervir a nosso favor, apontando para o Simon e dizendo.
-Não é justo,Simon. Fizemos um acordo. Mentiste às raparigas.
A Mel está prestes a explodir, agarrando nos braços da cadeira.
-Fizeste-nos parecer umas putas. Não conheço nenhuma rapariga que chupe um caralho depois de ter levado com ele no cu!
O Terry deita-lhe um ar apaziguador.
- Há raparigas que fazem isso, acredita em mim - afirma.
A notícia não lhe agrada muito.
-Talvez, mas não em vídeo, Terry, não para toda a gente ver!"
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Obras de Irvine Welsh traduzidas para português e editadas pela Quetzal Editores:
- Trainspotting
- Ecstasy
- Lixo
- Porno
- Cola