sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Cangaceiros



Diz-se no Nordeste do Brasil, dos criminosos errantes, isolado ou em grupo, que viviam de de assaltos e saques, perseguidos, até à prisão ou morte numa luta com tropas da polícia ou com outro bando de cangaceiros.
Os tipos de cangaceiros são os mais variados, e múltiplas as razões que os levaram ao crime. Há, desde uma tendência criminosa, a sugestão irradiante dos grandes cangaceiros, determinando a fuga de rapazes para juntar-se ao grupo, até o primeiro homicídio por motivo de honra privada, sempre julgado como punição justa. O fora-da-lei passa a viver debaixo do cangaço, oculto pelos protectores políticos ou pessoas a quem paga para que o informem dos movimentos da polícia, - os coiteiros – e chefiando a malta nos momentos de luta.
Há figuras de relativa nobreza, corajosos, incapazes de uma violência contra mulheres, crianças ou velhos, como Jesuíno Brilhante, e há os brutais como Lampião.

Jesuíno Brilhante
Jesuíno Alves de Melo Calado, depois chamado Jesuíno Brilhante, foi o cangaceiro gentil-homem, o bandoleiro romântico, espécie matuta de Robin Hood, adorado pela população pobre, defensor dos fracos, dos anciões oprimidos, das moças ultrajadas, das crianças agredidas.
Nasceu em Tuiuiú, Patu, Rio Grande do Norte, em 1844 e morreu a lutar em Santo Antônio, Águas do Riacho dos Porcos, Brejo da Cruz, Paraíba, em fins de 1879. Sepultaram-no no mato, no lugar “Palha”.O seu crânio, exumado pelo seu amigo Dr. Francisco Pinheiro de Almeida Castro, esteve durante muito tempo na Escola Normal de Mossoró e foi presenteado no Rio de Janeiro ao Prof. Dr. Juliano Moreira.
Uma rixa de sua família com a família dos Limões, em Patu, valentões protegidos pelos políticos, tornou-o de pacato agricultor em chefe de bando invencível em 1871. Ficaram famosos os assaltos à cadeia de Pombal (PE) para libertar seu irmão Lucas (1874) e, no ano de 1876, à cidade do Martins (RN). Cercados pela polícia local, Jesuíno e seus dez companheiros abriram passagem através das casas, rompendo as paredes, cantando a cantiga “Curujinha” e desapareceram. Ia sempre, disfarçado, às cidades maiores, hospedava-se em residências amigas, adquirindo munição e víveres. Durante a “Seca dos dois sete” (1877) arrebatava os víveres dos comboios oficiais para distribuí-los com os famintos. Nunca exigiu dinheiro ou matou para roubar. Sua popularidade prestigiosa perdura na memória do sertão do Oeste norte-rio-grandense e fronteira paraibana com admiração e louvor inalteráveis.
Rodolfo Teófilo estudou-o no seu romance Os Brilhantes e Gustavo Barroso, num ensaio no Heróis e Bandidos; Rodrigues de Carvalho publicou o “A.B.C. de Jesuíno Brilhante” no Cancioneiro do Norte.

Virgolino Ferreira da Silva, nasceu em Vila Bela, atual Serra Talhada, 1898 ou 1900 e morreu numa gruta da fazenda Angicos, Porto da Folha, Sergipe, em 1938.
Começou, por volta de 1917, a vida de cangaço de Virgolino, que conquistou o apelido de Lampião quando, num de seus encontros com a polícia, se gabava de que, no decorrer de uma luta, sua espingarda não deixava de ter clarão, “tal qual um lampião”.
As lutas de famílias propiciaram o banditismo, em que coiteiros, por hostilidade aos inimigos de Lampião, ou temor de represálias que não tinham limites, cooperavam para o insucesso da perseguição policial.
Com Lampião vigorou a lei do extermínio, indo da violação ao incêndio, do saque ao assassinato frio. Na época da Coluna Prestes, Lampião foi convidado a colaborar com o governo por intermédio do padre Cícero, que lhe ofereceu a patente de capitão. Aproveitou-se do momento para armar melhor todo o seu bando. Fazia dos sertões de Sergipe e da Bahia seu quartel-general, de onde irradiava sua influência para os outros Estados do Nordeste, como Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Chegou a investir contra a cidade de Mossoró, que só se salvou pela ação de seus moradores. Cercou e dominou várias cidades e povoados da região, saqueando o comércio, devastando fazendas, sacrificando vidas.
Em 1929, Lampião conheceu Maria Bonita, que abandonou o marido para acompanhá-lo.
Morreu na fazenda de Angicos, em Sergipe, onde foi surpreendido pela volante de João Bezerra, da polícia de Alagoas, juntamente com Maria Bonita e alguns dos seus companheiros. Os cadáveres foram mutilados. As cabeças de Lampião, Maria Bonita, Luís Pedro e outros ficaram, quase 30 anos, expostos ao público, em Salvador, no Museu Nina Rodrigues.
As façanhas de Lampião geraram todo um ciclo na literatura de cordel do Nordeste e inúmeras referências cinematográficas.

Baile Perfumado


Amigo íntimo do Padre Cícero (Jofre Soares), o mascate libanês Benjamin Abrahão (Duda Mamberti) decide filmar Lampião (Luís Carlos Vasconcelos) e todo o seu bando, pois acredita que este filme o deixará muito rico. Após alguns contatos iniciais ele conversa directamente com o famoso cangaceiro e expõe sua idéia, mas os sonhos do mascate são prejudicados pela ditadura do Estado Novo. Este é um dos inúmeros filmes que abordam a temática do cangaço no Nordeste do Brasil. O mais famoso deles será sem sombra de dúvidas,Cangaceiro (1953), realizado por Lima Barreto.

Título Original: Baile Perfumado
País Origem/Ano de Produção: Brasil (1997)
Realização:Paulo Caldas e Lírio Ferreira
Elenco: Duda Mamberti
Luís Carlos Vasconcelos
Aramis Trindade
Giovana Gold...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

E o Brasil aqui tão perto...


Muitas vezes, fazem-me bastantes perguntas sobre a recente moda de adquirir imóveis de férias no Brasil. Para melhor vos esclarecer, decidi recuperar um artigo da revista Visão ,ainda bastante actualizado e que vos poderá esclarecer melhor. Para o final, deixo alguns conselhos básicos para todos aqueles que pretendam adquirir uma casa por estas paragens para férias, investimento ou com o intuito de se tornarem residentes permanentes.

Cada vez mais portugueses compram casas de férias no Nordeste brasileiro. Por 60 mil euros, é pegar ou largar quatro assoalhadas com vista para uma praia exótica. Mas também há dissabores à espreita.
Calor no Inverno ou no Verão, praias de areia branca e água do mar quente e transparente, gozadas ao sabor de caipirinhas e ao som do forró, a música tradicional do Nordeste brasileiro. A imagem parece tirada de um postal, mas, depois de terem ido atrás da publicidade, muitos portugueses querem mais do que fazer as malas e ficar em hotéis. Estão mesmo a comprar as suas casas de férias por ali e alguns deles acabam por fixar residência e montar os seus próprios negócios nestas regiões, longe do stress da vida nas grandes cidades.

Há vários anos que as imediações da praia de Pipa, perto da cidade de Natal, servem de refúgio a políticos, futebolistas e empresários lusos. O privilégio, porém, já não abençoa só os mais endinheirados. A desvalorização do real face à nossa moeda e a descida dos preços das viagens foram (são) factores que democratizaram a procura. O passa palavra encarregou-se do resto.
As ofertas são muitas e, por pouco mais de 60 mil euros, uma casa à beira da praia, com quatro assoalhadas, torna-se realidade. O negócio é tentador e está a seis/oito horas de avião. «A viagem acaba por demorar quase tanto tempo como uma ida ao Algarve de carro em pleno Verão. Depois, a vida lá é muito mais barata», publicita Fernanda Silva, 45 anos, dona de uma imobiliária em Coimbra.

Com perto de 25 mil euros, ela e o marido, António, esperam construir a sua casa de férias num empreendimento na Lagoa do Iguape, a 46 quilómetros de Fortaleza. O terreno, com 800 metros quadrados, custou há um ano menos de três mil euros. Concluído o licenciamento e aprovado o projecto, o casal quer começar a erguer a casa no início do próximo ano – e o seu filho exulta com o novo poiso estival.
É uma autêntica invasão portuguesa do litoral nordestino brasileiro. Se alguns procuram locais quase desconhecidos – como Galinhos, a 170 quilómetros de Pipa, onde só é possível chegar de carroça –, outros preferem ficar mais próximos das cidades e da animação nocturna. Na praia de Pipa, por exemplo, a forte procura portuguesa fez já disparar os preços. Um lote com 800 metros quadrados no centro vale agora 60 mil euros – mas fora da localidade o preço pode baixar para os nove mil.

Negócios chorudos

Vítor Filipe, 52 anos, gestor e presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, conta formalizar, dentro de pouco tempo, a compra de um bungalow num empreendimento colado a um hotel. Sobre a baía dos Golfinhos, perto de Pipa, fica com um T4 de luxo, electrodomésticos incluídos, por 90 mil euros. A paixão por estas paisagens, partilhada com a esposa, é antiga, mas só se decidiu na última ida, quando conheceu o local onde o seu advogado, também sócio daquele hotel, está a promover um condomínio fechado. «Fiquei encantado», revela. O impacto foi tal que Vítor Filipe fez, na hora, a pré--reserva de um dos bungalows , sem ver, sequer, a maqueta do projecto. Agora, aguarda para conhecer os pormenores e fechar o negócio.

Foi também com a casa ainda no papel que Fernando Sanches, 62 anos, assessor da administração da companhia aérea EuroAtlantic Airways, comprou há um ano um apartamento em Ponta Negra, Natal, por cerca de 30 mil euros. «Há algum tempo comecei a pensar no Nordeste brasileiro, que está em franco desenvolvimento, é seguro, tem temperaturas amenas e água do mar muito quente, entre 27 a 30 graus», explica. O assessor, que viveu sete anos no Brasil, espera receber a chave do seu apartamento, com três assoalhadas, no início do próximo ano. E já pensa em pôr o investimento a render: o apartamento vale agora mais do dobro e nada melhor do que entregá-lo a agências de aluguer, quando não precisar dele.

De pé atrás

O retorno parece garantido. Há mesmo quem compre terrenos para mais tarde os vender. Alexandra Mourão, 34 anos, há cinco no Brasil, adquiriu em 2002 um lote, em Água Fria, na zona nobre de Fortaleza, por 10 800 euros, e há pouco tempo ofereceram-lhe 18 mil por ele. «Ganha-se muito dinheiro com a venda de casas. A procura aumentou muito e a vinda dos portugueses encareceu o custo de vida no Ceará», desabafa a empresária. Apesar da subida dos preços, os terrenos e a mão-de-obra continuam a ser bastante mais baratos do que em Portugal. Com 24 mil euros constrói--se uma casa, com materiais e operários incluídos. Mas, atenção: estes são valores para os casos em que a obra é contratada por brasileiros. Se assim não for, a factura dispara. «Os preços podem subir para os estrangeiros», avisa Alexandra Mourão. «Em vez de pedirem 7,50 euros por cada dia de trabalho, pedem nove.»

«Quem quer comprar casa no Brasil deve conhecer bem os locais primeiro», aconselha ela. A imagem idílica que muitas vezes se cria pode facilmente cair por terra quando se verifica que, a pouco mais de 30 quilómetros de cidades como Fortaleza, onde despontam as praias mais bonitas, as redes de água e de esgotos não passam de miragens. «Mesmo quando existem, não têm a qualidade das portuguesas», esclarece Alexandra Mourão. No entanto, os problemas não ficam por aí: «A criminalidade tem aumentado. Muita gente sai do centro de Fortaleza por causa das favelas. E há também o turismo sexual, que cresceu bastante», alerta a empresária. Ainda assim, só a região do Ceará tem uma dimensão semelhante à de Portugal continental. Há muito por onde escolher.

Artigo de Rita Montez in Visão (18/09/2005)

Lista de cuidados básicos a ter na compra de casa no Nordeste brasileiro:

Exigir a carta topográfica do local, onde estão descritas as características do terreno.

Comprar apenas através de mediadores credenciados.

Perto de lagos e rios é frequente existirem mosquitos, incluindo os transmissores de dengue.

Os terrenos alagadiços são frequentes.

Confirmar que não existem hipotecas e penhoras e se o terreno está legalizado para construção.

Quem pretender obter um visto de residência no Brasil, a compra de um imóvel pode ser o passaporte mais eficaz. Pode-se requerer o visto de investidor que exige um investimento mínimo de 50.000 dólares no país e a compra do imóvel pode contar como parcela deste investimento. Existem regras diferenciadas para aposentados que possuam rendimentos de nível médio, comprovados por via bancária.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Pêra, uva ou maçã?


Quais as frutas que estimulam sexualmente as mulheres? E porquê? As italianas respondem:
Pelo significado: Maçã
Pelo formato: Banana
Pelo sabor: Morango

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Vaquejada - Paixão Nordestina

Pelos meados da década de 40, mas sem registos precisos de data, a corrida de mourão começou-se a tornar um desporto popular na região nordeste, na medida em que os vaqueiros das fazendas do sul da Bahia ao norte do Ceará, começaram a tornar públicas as suas habilidades e de seus cavalos na lida com o gado. O rebanho, criado solto na caatinga e no cerrado, era manejado pelo sertanejo com muita dificuldade, devido a quantidade de espinhos e pontas de galhos secos que entrelaçavam seu caminho; os laços quase sempre ficavam atados às selas enquanto os vaqueiros faziam verdadeiros malabarismos, com o animal em movimento, para escapar dos arranhões e derrubar, pelo rabo, o animal que estivesse precisando de alguma assistência. Com o passar do tempo as montarias, que eram basicamente formadas por cavalos nativos daquela região, foram sendo substituídas por animais de melhor linhagem. O chão de terra batida e cascalho, companheiro dos peões aboiadores , deu seu lugar a uma superfície de areia, com limites definidos e um regulamento. Uma banda de forró, dois repentistas e muita mulher bonita, acabaram fazendo do nordestino de hoje, sem o laço e sem o gibão, um desportista nato e orgulhoso de suas raízes. Com o passar do tempo, o desporto se popularizou de tal forma que existem clubes e associações de vaqueiros em todos os estados do nordeste, calendários com datas marcadas e até patrocinadores de peso, dando apoio aos eventos, que envolvem um espírito de competição e um clima de festa capaz de arrastar multidões.
A vaquejada é a festa mais popular e tradicional do ciclo do gado nordestino. De início a vaquejada, marcava apenas o encerramento festivo de uma etapa de trabalho. Reunir o gado, ferrá-lo, castrá-lo e depois conduzi-lo para a "invernada" onde ainda existissem pastos verdes - esse era o trabalho essencial dos vaqueiros. Os coroneis e senhores de engenho, após perceberem que a vaquejada poderia ser um passatempo para as suas mulheres, e seus filhos, tornaram a festa um novo desporto.
Quando perceberam que a vaquejada poderia ser um desporto os coroneis e senhores de engenho começaram a organizar algumas disputas, onde os participantes eram os seus vaqueiros. Atualmente, a vaquejada é uma festa que se comemora sobre um cenário em que dois personagens essenciais são os bois e o vaqueiro. Estas festas tinham como principais características:
- Os participantes eram apenas os vaqueiros dos coroneis.
- Os coroneis faziam apostas entre si.
- Não existiam as famosas inscrições.
- Não existiam premiações para os campeões
- Os coronéis davam um "agrado" para os vaqueiros que ganhavam
Após alguns anos de vaquejada como sendo um esporte restrito aos vaqueiros de senhores de engenho ou de coroneis, pequenos fazendeiros começaram a promover algumas vaquejadas, onde para se participar era preciso apenas que se pagasse uma pequena quantia em dinheiro, e era concedido ao vaqueiro que tinha pago, a oportunidade de se participar da festa, algumas regras foram criadas para este novo modelo de vaquejada. Cada dupla teria direito a correr três bois, onde o
primeiro boi teria um valor de pontuação correspondente a 8 (oitos) pontos,o segundo boi 9 (nove) pontos, e o terceiro boi valendo 10 (dez) pontos, estes pontos eram somados e no final era feita a contagem de pontos, a dupla que somasse mais ponto era considerada a campeã, e recebia um valor em dinheiro. Este tipo de vaquejada foi, e ainda é popularmente chamado de "Bolão".
Aqui estão algumas palavras tiradas dos peões da VAQUEJADA no Nordeste.

Peitoral - É a faixa de couro para proteger o peito do animal de possíveis acidentes na pista.
Véstia ou gibão - Espécie de casaco que o vaqueiro veste sobre a camisa.
Guarda Peito - Tem a finalidade de proteger o tórax do vaqueiro. É ligado por correias ou tiras em forma de X, po trás dos ombros.
Perneiras ou guardas - O vaqueiro veste para proteger-se até a cintura contra espinhos ou outros riscos em sua ação na pista.
Boi riscado - Quando o boi pára bruscamente.
Mandioqueiro ou Jacu - Vaqueiro iniciante.
Afundar a mão - O vaqueiro impulsiona mão para baixo no momento em que se prepara para derrubar o boi.
Sair do boi - Cavalo bom que muda de direção na hora da derrubada.
Queimado - O boi que cai tocando a marca de cal nos 10 metros.
Boi chiado - Boi de fora para dentro da faixa.
Afrouxar - Abrir a mão na hora da derrubada.
Abrir a tampa - Soltar o boi.
Rabo da Gata - Vaqueiro chamado e não comparecido, ficando, então, para correr no último rodízio.
Valeu Boi - O boi foi válido e os pontos são computados para o final.
Arrocha o Nó - Não abrir a mão no momento em que for derrubar o boi.
Zero - O boi não foi válido para a contagem de pontos.
Ficou no meio - O vaqueiro cai do cavalono meio da faixa.
Regras
Numa pista de 120 metros de cumprimento por 30 metros de largura demarca-se uma faixa aonde os bois deverão ser derrubados. Dentro deste limite será válido o ponto, somente quando o boi, ao cair, mostrar as quatro patas e levantar-se dentro das faixas de classificação. O boi será julgado de pé; deitado, somente caso não tenha condições de levantar-se. Participam desta competição sempre uma dupla de vaqueiros que terá direito a ter inscrito o animal designado para puxar em apenas uma vaquejada, estando o esteira permitido a participar de duas provas. O boi que ficar da pá para frente , em cima da faixa receberá nota zero de imediato. A disputa do Campeão dos Campeões será feita na ordem decrescente, ou seja, da última colocação para a primeira.
Como é a soma dos pontos ?
A Vaquejada começa na Sexta-feira, o treino ou o reconhecimento da pista. No Sábado inicia a seleção ou classificação das duplas de vaqueiros, cada dupla enfrenta três bois. O primeiro boi vale em 8pontos, o segundo 9pontos e o terceiro 10 pontos. Isso Totaliza 27 pontos. No Domingo começa de novo só que o numero de pontos são diferentes. O primeiro vale11, o segundo12 e o terceiro13. Com isso somam 36 pontos, somado com os pontos anteriores ( 27 pontos ) é igual a 63 pontos. Os 20 melhores colocados concorrem para ver quem é o campeão.
Como é na pista? O que acontece?
A "pista" nada mais é do que um brete, um curral e a pista ( que tem 150m e de largura começa com 12m e termina com 42m).
A dupla tem que derrubar o boi entre as duas linhas ou faixas que tem 10m entre uma e outra. Cada dupla tem o vaqueiro de esteira ( aquele que ajuda o puxador, ajeitando e alinhado o boi na pista ), o puxador ( puxa o boi pelo rabo e derruba entre as linhas ). Se o puxador derrubar o boi entre as faixas então "Valeu boi" e a dupla ganha seu respectivo ponto.
Corrida
"Boi saído é boi corrido"
Expressão muito comum entre os locutores de vaquejada. Traduzindo diz que, a partir daquele momento, uma vez solto, o boi tem todas as condições de ser convertido em pontos. Exceto se durante o percurso ele virar sua cabeça em direção ao ponto de partida ou acontecer um acidente com o cavalo.
O puxador, após a saída do boi, aguarda a passagem de sua calda pelo "bate – esteira ", que está naquela posição para alinhar a corrida e conferir a queda no meio das faixas, fazendo valer o boi.
A festa é toda dos vaqueiros, mas há quem diga que no que diz respeito a habilidade, a proporção é de 50% para cavalo e cavaleiro. Logo, um bom vaqueiro não consegue se apresentar sem um cavalo bem adestrado. O mérito de uma boa apresentação não fica somente com o puxador e o seu cavalo, mas sim com o cavalo de esteira, que além de ter o mesmo valor comercial, por algumas vezes "rouba a cena", impedindo com o próprio corpo que o boi role para fora da última faixa e ajudando o puxador a derrubar, desequilibrando o gado com uma pancadinha sutil antes da carga.
Normalmente a competição é disputada em dois dias, num total de 6 bois por cada inscrição feita. Os três primeiros valem, respectivamente, 8, 9 e 10 pontos e são corridos no mesmo dia. Os de 11,12 e 13 pontos, são corridos no dia seguinte. A disputa de prêmios acontece entre os mais pontuados, com 1 boi para cada, em sistema de eliminação. O vaqueiro que não estiver presente na hora de sua chamada, fica para o "rabo da gata", ou seja corre no último bloco, após todas as chamadas, os seus bois perdidos, consecutivamente.
Em algumas situações, se durante a corrida de "rabo da gata" o vaqueiro perder algum boi e todas as vagas de prêmio já estiverem preenchidas, ocorre a "morte súbita", que é a desclassificação sumária, pois mesmo que ele pontue dalí pra frente, sua soma ainda assim será inferior ao do último candidato a prêmio. Entretanto, em circuitos de etapas com somatório por ponto corrido, é dado o direito ao participante de correr todos os seus bois. O valor dos pontos e a maneira com que a competição é conduzida pode variar um pouco de região para região, mas o exemplo dado ilustra bem de perto o objetivo da festa:" Derrubar o boi na faixa".
Cavalos
Os mais preferidos são os da raça QUARTO DE MILHA, puros ou cruzados com PSI , ÁRABE, ou APPALOOSA. O cruzamento, além de ser responsável por mais de 80% do plantel de eqüinos de competição nesta modalidade, vem se destacando por produzir animais de extrema docilidade, versatilidade, agilidade e vigor físico.
Fonte: Irará.com.br

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

O que é preciso para se ser famoso em Portugal?


Basta um flash para lhes tirar os pés do chão. O nome pronunciado de fugida no programa da manhã ou estampado a cores vivas nas revistas faz-lhes o dia valer a pena. São famosos por serem famosos. Querem a fama e o proveito e há sempre quem que lhes ampare o jogo. Eles são tantos que apetece perguntar: qualquer um pode ser famoso em Portugal?

Com a receita certa, há quem diga que sim. Abel Dias, colunista social, mexe cordelinhos há mais de três décadas. "Fabriquei muitos famosos", diz sem pejo. Com uma fotografia à beira da piscina, uma legenda numa festa, uma referência a propósito de nada, transforma anónimos em personagens. "É a insistência que os faz." Se são fotografados aqui e ali, começam a fazer parte do cenário. Quando Abel chega a uma festa e fotografa um casal de desconhecidos, "os mais novos perguntam logo quem são e se devem fotografá-los".

Parece fácil. E é: "Um dia cheguei ao Algarve, não tinha ninguém para fotografar, estava a trabalhar para a Caras, fui ter com um rapaz e uma rapariga que estavam a apanhar banhos de sol, perguntei-lhes o nome. Tinham um nome de família, a Caras gosta de nomes de família, eles eram giros e novos. Fizeram uma página. A revista começou a segui-los, esteve no casamento e na lua-de-mel. Ganharam notoriedade e hoje ela é disputada a peso de ouro como relações públicas de discotecas."

O que eles ganham com isto?

Borlas. À cabeça, férias pagas, um lugar melhor no teatro, um bilhete para a ópera, jantares, relógios, carros emprestados, vestidos de criadores à medida. Depois, quando trabalham, podem ver os seus cachets serem aumentados. "O romance da Merche com o Cristiano Ronaldo, por exemplo, catapultou a carreira de modelo e apresentadora de televisão dela, passou a ser uma presença mais grata em desfiles e discotecas", afirma Abel Dias.

Mas não podem cruzar os braços, avisa. "É preciso fazerem manutenção, começarem a girar por eles próprios, aceitarem os convites para as festas, abdicarem de alguma privacidade." Nessa altura, um romance proibido, uma doença superada, um filho sem pai certo são a cereja em cima do bolo. Um bolo mastigado pelas revistas cor-de-rosa para satisfazer os apetites dos leitores.

É por isso que a primeira pergunta que Luísa Jeremias coloca quando pensa a TV7dias da semana é: "O que faz vibrar o leitor?" A directora recusa a ideia de que as revistas e os jornais fazem famosos. E acredita que Portugal se "limitou a fazer o que outros países já faziam". Que era? Fazer aparecer pessoas de quem toda a gente fala, não pela carreira, mas pelo que comem, pelo que vestem, pelas festas a que vão. Figuras que, parecendo perseguidas pela fama, a perseguem.

Nelas, "que procuram a fama como um fim em si podemos reconhecer-lhes ambição, frustração, narcisismo e necessidade de reconhecimento e aceitação para além do que merecem pelo que fazem ou são, e evidentemente, um desejo comum de saírem do anonimato", analisa o psicólogo Marcelino Mota.

É este desejo que faz com que a sala de espera da agência de recrutamento de figurantes, actores e modelos Real Dream raramente esteja vazia. "Temos cinco mil pessoas em arquivo", conta Manuel Marujo. "Todas querem ser conhecidas." Manuel, que frequenta o meio desde a década de 80, também é rápido no gatilho: "Constrói-se um famoso num segundo."

Quanto tempo se leva a destruí-lo? "Até hoje não me deu jeito destruir pessoas", diz Abel Dias. "Uma hora de avião e acabou-se Portugal! Somos muito pequenos para isso." De resto, com o tempo, as coisas mudam. E os que vendem revistas hoje, podem sempre acabar como capas esquecidas nas salas de espera dos dentistas, nos cabeleireiros, no lixo.

Artigo de opinião de Ângela Marques in DNonline (14/01/2007)

sábado, 13 de janeiro de 2007

Ronda Nocturna - Dom Café









A partir de agora, tenciono apresentar algumas fotografias que ilustram o ambiente dos diversos bares e casas nocturnas, que agitam a vida nocturna de Natal. Inicio este périplo, com o bar Dom Café que é umas das minhas grandes preferências por aqui. Possui uma clientela eclética, música agradável e fica fora da área turística, evitando-se o convívio com estrangeiros visívelmente alcoolizados. Se passarem por aqui, este será um dos locais onde poderão encontrar o Capitão-Mor com mais facilidade.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Potiguês

Desenganem-se todos aqueles que, ainda acreditam que o sotaque lusitano é facilmente entendido no Brasil. No Nordeste, a situação ainda se torna mais complicada e rapidamente me vi obrigado a modelar um pouco a minha pronúncia, para estabelecer uma comunicação mais eficaz no meu quotidiano. Confesso, que nos primeiros tempos, era uma situação que me causava uma ligeira irritação, mas fui-me habituando lentamente e, hoje em dia, muitas das vezes já nem se apercebem que sou português. Mais cómica, é a situação da minha mãe, que manteve o seu sotaque inalterável como se tivesse chegado ontem de Lisboa. Por vezes, dou comigo a rir às gargalhadas, ao escutar os diálogos que ela tenta estabelecer em diversos locais. Normalmente, quando não nos entendem, dizem que falamos muito rápido ou tudo "enrolado", como preferem afirmar.
Como todos sabem, a língua portuguesa utilizada no Brasil, difere bastante da sua matriz lusitana, tanto ao nível de vocábulos e sobretudo no que diz respeito à pronúncia. O nordestino tem, por norma, um sotaque mais carregado, a sua dicção torna-se quase cantada e utiliza diversas expressões idiomáticas hilariantes que não possuem paralelo no resto do país.
Ao longo deste tempo passado por aqui, recolhi algumas palavras que prenderam a minha atenção e procurei entender os seus sinónimos. Devo acrescentar, que muitos destes vocábulos, são mais utilizados no interior do Rio Grande do Norte, onde uma conversa se pode transformar numa situação algo confusa, dadas as diferenças linguísticas.
Usualmente, os naturais desta região, são chamados de potiguares, relembrando a tribo de índios que habitavam no litoral, durante a época da colonização portuguesa. Daí surge, o que podemos designar de potiguês, do qual vos apresento um breve dicionário bastante peculiar.

Abigobel — desatento
Abilolado — pessoa sem juízo
Achinchelar — usar ténis como chinelos
Afolosar — abrandar
Aí vareia — depende
Alpercata — sandália de dedo
Acochar — apertar
Avie- flexão verbal de “aviar”, mesmo que apressar
Ariado — desnorteado

Bater a caçuleta — morrer
Boyzinha- moça bonita
Bizonho — feio e idiota
Borréia — sem qualidade
Bozó — dados
Breado — sujo, borrado
Bruguelo — bébé
Buceta - vagina

Caboré — homem esquisito
Cacete - pénis
Caningar — chatear
Carne de Sol- comida típica
Dê uma carreira- vá rapidamente!
Descatitar — acelerar, correr
Eita Píula! — interjeição de espanto
Em Riba — em cima

Godela — conseguir algo sem pagar
Goipada — cuspidela
Gorado — ovo estragado
Inhaca — mau cheiro da axila
Infeliz das costa oca — expressão para insultar alguém

Lenhou-se — ficou em má situação
Leso- parvo

Macaxeira- mandioca.
Mãínha/paiínho/vóinha - modo carinhoso de chamar mãe/avó/pai
Malassombrado — mal assombrado; um homem qualquer
Malamanhado — pessoa desleixada
Massa- porreiro, algo muito bom
Muriçoca - mosquito

Né onda não!- Não é brincadeira
Pixototinho — muito pequeno
Pleura — um lugar qualquer, mas bem na mosca
Priziaca — pessoa aborrecida
Prumode? — para quê?

Rapariga - prostituta, mulher de má fama
Reada — pancada, bofetada
Rugi-rugi — tumulto, muita gente
Segunda — trago de cigarro
Tamborete de forró — pessoa pequena
Tisna — cinza de vela
Torar — quebrar, partir
Trololó — conversa fiada
Vixe! - interjeição de espanto
Vogar- Valer a pena
Xanha — comichão na pele
Xeleléu — pessoa chata
Zonar — zombar, gozo
Zunhada — arranhão de unhas

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Diário de um Novo Mundo


1752. Um navio cruza o oceano Atlântico, com a fome e a doença afectando a embarcação. Um dos passageiros é o médico e escritor Gaspar de Fróes, que narra no seu diário os percalços da viagem e a chegada ao Brasil, vindo dos Açores. Após chegar Gaspar se apaixona por Maria, a esposa de um militar português influente, o que lhe causa problemas na nova terra. Nota de destaque para uma notável interpretação do actor português, Rogério Samora.

Título Original: Diário de um Novo Mundo
País de Origem: Brasil (2005)
Realização:Paulo Nascimento
Elenco: Edson Celulari
Rogério Samora
Nicola Siri
Marcos Paulo
Daniela Escobar...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Um homem, Duas mulheres


O fetiche de ver uma mulher com outra na cama ainda é mais um sonho que a realidade. Mas numa pesquisa recente, diversas norte-americanas entrevistadas já pensam no assunto.

3% já tiveram relações com outra mulher na frente do namorado.

7% delas já trocaram beijos e carícias com outra mulher diante do namorado.

9% já dividiram o namorado com outra mulher na cama, mas sem acontecer nada entre as duas.

26% já receberam pedidos do namorado para uma noite a três.

42% admitem aceitar o convite de ficar com outra mulher a pedido dele.

Será a derradeira fronteira sexual dos tempos modernos!?

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Hoje é dia...

De concerto da Marisa Monte em Natal, um dos grandes nomes da actual MPB. Quanto ao tema apresentado, eu gostaria de saber onde fica este vilarejo repleto de paz e harmonia. Será uma espécie de V Império tropical? Dedico esta música ao meu amigo e comentador residente, Paulo Cunha Porto. Ele sabe porquê...
Logo à noite, lá estarei!

Lusa eterna


Nesta época de defeso no campeonato brasileiro, presto uma justa homenagem à Portuguesa dos Desportos, o clube mais português do Brasil. A equipa de São Paulo atravessa um período de declínio, provocado por um corpo dirigente incompetente e escapou da despromoção para a série C, quase por artes mágicas. Espero que a nova época que se avizinha, seja mais tranquila para este clube histórico.
Num dos seus últimos posts, o meu amigo Tony-Duque do Mucifal, especulava sobre o que faria com o prémio do Euromilhões. Pois bem, lanço-lhe aqui o desafio de apostar parte da sua fortuna na aquisição de um clube brasileiro. Ambos somos apaixonados por futebol, possuímos largos anos de experiência na gestão de equipas, jogando manager no PC e seria uma boa hipótese de arregimentar reforços para o nosso Sporting.

domingo, 7 de janeiro de 2007

Lobo do Mar


A propósito da leitura de uns textos em blogues amigos, sobre as fantasias profissionais de infância, gostaria de revelar alguns dos meus desejos da época. Sonhei com diversas ocupações até ao início da vida adulta, mas recordo-me claramente da minha favorita - Oficial da marinha mercante.
Na escola primária, era muito amigo de uns gémeos, cujo pai era comandante de um petroleiro e ficava fascinado com as histórias que me contavam. Mais tarde, apaixonei-me pela época dos Descobrimentos portugueses, pelos livros de piratas e aprofundei o meu fascínio pelo mar, eterno palco de aventuras e perigos diversos. Considerava que ser marinheiro me iria oferecer muitas possiblidades de aventura, tinha aquele imaginário romântico dos longos meses passados no mar, a perda da noção de tempo e viver num mundo sem fronteiras. Um navio era para mim um universo, onde se confrontavam diversas personagens. Lia e relia vezes sem conta vários romances que tinham o mar como pano de fundo.
Uns anos depois, desviei-me desta vocação profissional por diversos motivos. Descobri que o ofício mais romântico que existe requeria uma forte formação matemática que sempre odiei e apercebi-me que o declínio da frota mercantil portuguesa não me iria oferecer um grande futuro. Percorri trilhos completamente opostos e o mar tornou-se unicamente um companheiro de lazer e confidente nos períodos de melancolia. Apenas resistiu o meu espírito aventureiro, mas isso vocês já devem ter percebido.
E quais foram os vossos sonhos de infância? Dou os meus parabéns a todos que os conseguiram concretizar. Ninguém é verdadeiramente feliz quando retira o seu sustento de uma actividade de que não gosta. Um dia destes ainda me dá um ataque de nostalgia e elaboro uma candidatura tardia à Escola Náutica Infante D.Henrique!
Agora gostaria de lançar este desafio às seguintes BlogAmigas, que por sua vez terão que desafiar mais três amigos. Não sou grande entusiasta de "correntes" bloguísticas, mas esta até tem a sua piada.

- Maria

- Rita Batata Frita

- Sofia

Corto Maltese


O marinheiro, arquétipo do aventureiro solitário e desencantado, sempre em busca de outras paragens. Um amigo que me acompanha desde a infância...

sábado, 6 de janeiro de 2007

Dia de Reis


Interior da Capela dos Reis Magos no Forte - Natal/RN

Hoje, celebra-se a última data das festas natalícias. Por aqui é feriado municipal, em honra dos Reis Magos que são os padroeiros da cidade do Natal, fundada a 25 de Dezembro de 1598. O fim de semana será marcado pela realização de várias festas em diversas localidades do estado do Rio Grande do Norte, em homenagem aos Santos Reis. Mas agora, o que me apetecia, era uma generosa fatia de Bolo-Rei!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

A grande aventura


Amanhã, terá início mais uma edição do mítico Rallye Lisboa-Dakar, prova que gosto de acompanhar a par e passo. Já não tem os perigos e a imprevisibilidade de anos anteriores, mas mesmo assim é uma grande aventura para todos aqueles que desafiam as areias do deserto rumo às praias de Dakar. A participação nesta prova era um dos meus sonhos de infância, mas em virtude de não possuir um patrocínio milionário, vou-me limitar a seguir a prova pela televisão e testar a minha destreza ao volante através da Playstation. Mais uma vez, espera-se uma boa prestação dos pilotos portugueses que se têm evidenciado nas últimas edições do Dakar.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Caramuru, o primeiro portuga em apuros


Diogo Álvares Correia (Viana do Castelo, Portugal, 1475 — Tatuapara, Bahia, 5 de outubro de 1557) foi um náufrago português que passou a vida entre os índios do Brasil e facilitou seu contato com os primeiros administradores e missionários. Recebeu a alcunha Caramuru dos tupinambá. Considerado o fundador do município baiano de Cachoeira.
Caramuru foi o primeiro europeu a viver no Brasil, iniciando o longo processo de miscigenação que hoje diferencia esse país dos outros países do globo.

Originário do norte de Portugal, Viana do Castelo, nascido por volta de 1475, arribou à Bahia entre 1509 e 1511 como náufrago de uma embarcação francesa. Há historiadores que dizem: « Viajando para São Vicente por volta de 1510, o fidalgo da Casa Real Diogo Álvares naufragou nas proximidades do rio Vermelho, na baía de Todos os Santos. Seus companheiros foram mortos pelos tupinambá, mas ele conseguiu sobreviver e passou a viver entre os índios, de quem recebeu a alcunha de Caramuru, que significa moreia.
Bem acolhido pelos Tupinambá, cujo morubixaba lhe deu uma das filhas, chamada Paraguaçu. Ao longo de sessenta anos manteve contactos com navios europeus que aportavam à Bahia. As relações comerciais com normandos levaram-no, entre 1526-1528, a visitar a França, onde a mulher foi baptizada em Saint-Malo, passando a chamar-se Catarina (Katherine du Brézil), em homenagem a Catherine des Granches, esposa de Jacques Cartier. Na mesma ocasião foi batizada outra índia tupinambá, Perrine, o que fundamenta a lenda de que várias índias, por ciúmes, se lançaram ao mar para acompanhar Caramuru quando este partia para a França com Paraguaçu.

No decurso do governo do donatário da capitania da Bahia, Francisco Pereira Coutinho, recebeu importante sesmaria, tendo procurado exercer função mediadora entre os colonos e os índios, não conseguindo, todavia, evitar o recontro de Itaparica, onde Pereira Coutinho perdeu a vida.
Conhecedor dos costumes nativos, contribuiu para facilitar o contato entre estes e os primeiros missionários e administradores. Em 1548, tendo D. João III a intenção de instituir o Governo Geral, recomendou-lhe que criasse condições para que a expedição inicial fosse bem recebida, facto revelador da importância que havia alcançado.
Tomé de Sousa armou cavaleiros três dos seus filhos (Gaspar, Gabriel e Jorge) e um dos seus genros (João de Figueiredo) pelos serviços prestados à Coroa Portuguesa.
Dispensou importante colaboração aos jesuítas, servindo como intérprete na pregação, doutrina e confissão.
Catarina Paraguaçu e Caramuru tiveram vários filhos e filhas – Ana, Genebra, Apolônia, Graça, Gabriel, Gaspar e Jorge Álvares, que casaram com reinóis vindos com Martim Afonso de Sousa, dos quais descendem as mais importantes famílias da aristocracia baiana, entre os quais os Garcia d'Ávila, da Casa da Torre.
Foi sepultado no Mosteiro de Jesus, dos jesuítas, em Salvador, onde depois foi enterrada a mulher.

Caramuru - A Invenção do Brasil


A Invenção de um país chamado Brasil começa em Portugal, onde o talentoso pintor Diogo Álvares (Selton Mello) cultiva a arte de embelezar a realidade, o que lhe cria alguns problemas com o comandante Vasco de Athayde (Luís Mello). Diogo é contratado por Dom Jayme (Pedro Paulo Rangel), o cartógrafo do Rei, para ilustrar os mapas que seriam usados nas viagens de Pedro Álvares Cabral, mas Diogo envolve-se com a sedutora Isabelle (Debora Bloch), francesa que freqüenta a corte em busca de ouro. A sedutora cortesã rouba o mapa de Diogo, que é punido e deportado para costas brasileiras, onde conhece a bela Índia Paraguaçu (Camila Pitanga) e sua irmã Moema (Deborah Secco), vivendo então o primeiro triângulo amoroso da história do Brasil. A harmonia do novo mundo é então interrompida com a chegada dos colonizadores. Uma comédia deliciosa!

Título Orginal: Caramuru - A invenção do Brasil
País Origem/Ano de Produção
: Brasil (2001)
Realização: Guel Arraes
Elenco: Selton Mello
Camila Pitanga
Deborah Secco
Tonico Pereira
Débora Bloch...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Uma portuga em apuros na China


Toda a escrita de viagem é um equívoco, como afirmou Scott Fitzzerald; junte-se o facto de o espaço que se tem debaixo dos pés — que se sente, cheira e vê — estar desorbitado da realidade e dá este livro.

Começa com uma instrução: a China aqui retratada resulta numa diluição da repulsa com a adoração acrítica. Uma e outra reacção têm representantes associáveis: de um lado, os sinófobos, que gritam através da inscrição na T-shirt "I survived China!"; do outro, os tomados por uma espécie de "chinesite aguda", os que se querem comportar como orientais e vêem em cada chinês um descendente directo de Confúcio. No meio, está uma categoria angustiada: os sinólogos, para quem a China é um objecto formal, e que caíram na tentação de ir visitar a China real.
Mas apesar dessa mistura anunciada de extremos, não se dá a garantia de que a China que está dentro destas páginas seja a China verdadeira. Não é uma suspeita — já sabemos — é uma porta de entrada no livro, que já está no título: como ver/compreender o Dragão quando se está mesmo em cima dele? E, afinal, um Dragão imenso e fogoso, de delicado papel ondulante que se desvanece num fósforo. A China é — tem que ser — do princípio ao fim do livro, um sonho.

Esta obra não é um relato de viagem, nem um roteiro, nem um tratado etnográfico, talvez até nem seja especialmente relevante para quem vai visitar a China-destino turístico. É de certeza de muito interesse para quem vai viver para a China e deslocar-se dentro dela. Cláudia Ribeiro frequentou o curso livre de chinês, durante a licenciatura em Portugal, e foi estudante-bolseira em Pequim de 1987 a 1991 (com retorno pontual em 97). O livro é sobre isso: uma estada de anos e viagens de léguas e léguas.
O lapso temporal onde se inscrevem as acções e visões invocadas (usa-se recorrentemente o Pretérito Imperferito — que projecta as acções para o passado, mas que também as toca de irrealidade) é visado sob o tópico da mudança. É esse tópico que serve de delimitação do corpo do texto, feita através da nota-sugestão inicial e final, sobre Tiananmen: no início, a referência ao massacre e ao modo como ele rapidamente se apagou da memória colectiva; no fim, uma imagem, a da Praça cheia de gente descontraída e vestida à ocidental, e um sentimento só, o de que a China está a mexer.

O corpo do texto está organizado em duas partes: uma primeira, a abranger os quatro primeiros capítulos, que podia receber um título geral do tipo "Introdução ao dia-a-dia chinês"; e uma segunda constituída pelo 5º capítulo, que se subdivide em vários subcapítulos, intitulada mesmo — "Registos de viagens". Entre uma e outra há um ponto de viragem (prevista) de perspectivação da China.
A primeira parte arranca com um retrato colectivo dos filhos do dragão através de encadeamentos de conclusões tiradas a partir de percalços vividos ou ouvidos, em fuga à pura listagem de traços e hábitos do povo chinês: a elevada auto-estima, a explícita e escrupulosa hierarquia social baseada no dinheiro, o patriotismo atávico, a burocracia demente, as guanxi (cunhas — como é fácil traduzir para português!), a grosseria dos funcionários públicos (idem), os critérios torcidos para escolher parceiro, os gostos mórbidos, as escarradelas e assoadelas, a falta de higiene geral, a ressaca controversa com Mao e a adoração unânime de Zhou, a miséria atroz. Assim, sem mais, o retrato parece que sairá feio. Há porém na sua elaboração já uma boa dose de condescendência e relativização, que tomam assento mais demorado nos comentários e avaliações, mas que estão sempre presentes na construção dos episódios e situações absurdas e risíveis — sem desdém, a obrigar-nos a olhar para as nossas próprias (ocidentais e portuguesas) ridicularias e desaires.
Segue-se o olhar em espelho, o dos chineses em relação aos ocidentais e ao mundo exterior. A metodologia é a mesma: o registo da experiência própria ou da de outros estudantes ocidentais. Desta vez, bastou, em muitos casos, a captação passiva de conversas entre chineses que não suspeitam que a autora sabe falar chinês — donde saem situações mirabolantes. Quanto ao mundo exterior, ele aparece acentuadamente desnivelado entre os países pobres (de leste e ex-comunistas) e o "Belo País", ou seja, os EUA, a fazer jus ao adágio "enriquecer é glorioso".

O capítulo seguinte reparte-se por itens de uma enciclopédia vivida — as casas de banho, os comboios (o item que causa a sensação mais aguda de desespero), os espectáculos, a saúde, o comércio, o crime, o canibalismo, e curiosidades avulsas da presença de Portugal na China.
Antes de passar às crónicas de viagem, ainda um capítulo dedicado apenas a Pequim — o ancoradouro de todas as viagens, a China-China (por oposição a Xangai ou Cantão). O ritmo discursivo abranda e começam as descrições.
Um excelente livro que retrata a vida de uma portuguesa na China. Eu gostaria de ver mais testemunhos escritos das experiência vividas por portugueses residentes no estrangeiro, tanto em livro como via blogosfera. No que me diz respeito, tenho tentado de forma regular, fornecer alguma informação sobre o Nordeste brasileiro e durante este ano conto publicar algumas reflexões mais pessoais sobre mais de dois anos de vida nos trópicos.

No Dorso do Dragão - Cláudia Ribeiro; Publicações Europa-América

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Ronda Nocturna - Reveillon em Natal








Para iniciar o ano de 2007 em ritmo de festa, deixo-vos com algumas imagens das diversas festas que animaram a passagem de ano por estas paragens. Estava uma noite perfeita, os termómetros marcavam 27C e as celebrações duraram até ao nascer do sol.