segunda-feira, 30 de abril de 2007

ABC campeão estadual do RN


O ABC vence o Clássico-rei goleando o América/RN por 5 a 2, quebra o favoritismo da equipe alvirrubra e conquista o título de campeão estadual de 2007.
A equipe abcedista tinha empatado a primeira partida pelo placard de 1 a 1 e precisava da vitória a todo custo para levantar a taça, mas o ABC mostrou força e conseguiu reverter a vantagem americana, batendo o arqui-rival por goleada. Após o término dos campeonatos estaduais, aguarda-se o início do campeonato brasileiro no próximo dia 13 de Maio. Relembro aqui, que o América-RN irá marcar novamente presença na divisão primidivionária após dez anos de interregno. Também será importante, realçar a impotência das autoridades policiais para evitar distúrbios nestas partidas mais importantes. Esta final ficou mais uma vez marcada pela violência. Na semana passada, uma jovem de 19 anos foi apedrejada após o término da partida, vindo a falecer horas mais tarde.
Lá na "terrinha", o meu Sporting ficou-se por um empate frente aos rivais da Luz, adivinhando-se um final de campeonato escaldante. Haja coração!

sábado, 28 de abril de 2007

Praia da Pipa


















Pipa está localizada a 85 km de Natal, no município de Tibau do Sul, nome indígena que significa “entre duas águas” (já que é cercado pela Lagoa de Guaraíras e o Oceano Atlântico). A praia começou a ficar famosa nos anos 80 com a prática do surf. Mas Pipa oferece muitas actividades como caminhadas na areia, trilhos, passeio de buggy, caiaque, cavalo e tudo o que se pode fazer no cenário da Mata Atlântica. Pipa também é morada de golfinhos e tartarugas que podem ser observados através de mergulhos. Um destino que dispensa grandes apresentações visto que já se tornou sobejamente conhecido em Portugal, sendo um dos locais do Brasil onde se devem avistar mais portugueses por m2.

ATRACÇÕES:

Dentro do Santuário Ecológico de Pipa há cerca de 16 trilhos para os visitantes. Seguem alguns:
Trilha Caminho do Jacu
Trilha Luminosa e arejada que passa pela parte mais elevada da Chácara do Madeiro, 80 m acima do nível do mar. Este trilho tem 200 m de extensão.

Caminho da Jibóia
Trilho serpentina que desce até o recanto mais ermo da floresta, com 340 metros de extensão.

Vereda da Moça Branca
Paisagem encantadora por um túnel onde o visitante parece estar a brincar às escondidas com o mar, com 400 metros de percurso.

Lagoas de Guaraíras
Diariamente há barcos saindo de Tibau do Sul com destino às lagoas. O passeio dura cerca de 3 horas, dependendo do caminho escolhido.

Baía dos Golfinhos – Praia do Curral
A praia do Curral é a preferidas dos golfinhos, que costumam receber os visitantes com saltos e acrobacias marítimas.

Descida de Sandboard
Em Pipa, um bom lugar para arriscar uma descida são as dunas de Cacimbinhas, que ficam bem em frente da Praia de Cacimbinhas, no canto esquerdo da Praia do Madeiro. Ao chegar a Pipa, vindo de Tibau do Sul, as dunas estão à direita da estrada.

Praia dos Afogados
Ponto de encontro de surfistas e gente bonita, a Praia dos Afogados tem ondas o ano inteiro.

Ponta do Pirambu
Passeio que pode ser disfrutado num dia, a Ponta do Pirambu é um complexo com restaurante, lojinhas, piscinas, centro de terapia e massagem. Ainda conta com um elevador panorâmico que leva os clientes do topo da falésia à areia da praia. O acesso pode ser feito pela estrada principal.

Passeio de camião pau-de-arara
O passeio leva os turistas para conhecer, durante todo o dia, as praias de Pipa, Minas, Sibaúma, Barra do Cunhaú, Cacimbinhas e Tibau do Sul. O roteiro inclui piscinas naturais, passeios de barco, skibunda, sandboard, finalizando com um lindo pôr-do-sol nas dunas e crepe nas margens das Lagoas de Guaraíras.

Praia do Amor
Essa praia possui esse nome devido ao seu formato de um coração e também pelo facto que nela praticava-se nudismo.

Noite em Pipa
A noite em Pipa é bem agitada, e cada dia da semana tem pelo menos uma casa nocturna preparada para receber os clientes. Informem-se qual é o lugar da festa em determinado dia da semana antes de sair do hotel ou pousada. Também são célebres as rave-partys realizadas no areal das praias.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

A Missão

Com um elenco soberbo, composto de astros do porte de Robert de Niro, Jeremy Irons e Liam Neeson, A Missão retrata a guerra estabelecida por portugueses e espanhóis contra jesuítas idealistas que catequisavam os índios de Sete Povos das Missões, na América do Sul no século XVIII. De Niro interpreta o papel de um violento mercador de escravos indígenas, que arrependido pelo assassinato do seu irmão, realiza uma auto-penitência e acaba por se converter num missionário jesuíta. Ele ajuda o líder dos catequistas, Gabriel (Jeremy Irons) a criar um novo mundo em Sete Povos das Missões, mas os colonizadores ibéricos têm outros planos para aquele lugar. Quando Gabriel recusa-se a deixar o que foi construído, o Exército é enviado para retirá-los à força. Um filme emocionante, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e que notabiliza também pela belíssima banda sonora composta por Ennio Morricone. Mais um dos filmes da minha vida...

Título Original: The Mission
País de Origem/Ano Produção: Grã-Bretanha (1986)
Realização: Roland Joffé
Elenco: Robert de Niro
Jeremy Irons
Liam Neeson...

A menina dança?


A blogosfera é um autêntico viveiro de personagens fascinantes. Apresento-vos a Teresa, uma simpática nortenha que festeja o seu aniversário neste dia. Já sei que o serão será preenchido com muita dança...
Parabéns!!!

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Thinking Blogger Award


Não sou grande entusiasta de qualquer tipo de correntes bloguísticas ou da mera distinção do melhor disto ou daquilo. Acredito que o exercício de escrita na blogosfera deverá ser encarado de forma despretensiosa e de acordo com os interesses de quem os escreve. No entanto, esta semana, a minha amiga iscspiana Rubina decidiu distinguir-me com uma menção honrosa na sua lista de blogues preferidos ou que pelos menos a fazem pensar um pouco. Quero expressar aqui o meu agradecimento, porque nunca acreditei que esta anarquia de de ideias e conteúdos fosse alvo de tanta atenção. Para completar esta espécie de jogo, eu terei que nomear cinco blogues do meu interesse. Contudo, após uma breve reflexão, esta tarefa não se revelou muito simples. Existem blogues aos quais me sinto ligado por amizade pessoal com os seus autores, outros que fui descobrindo ao longo destes meses, uns outros tantos que me divertem e por fim, um restrito número de páginas que estão intímamente relacionadas com os meus gostos e interesses pessoais. Curiosamente e, por razões de isenção, as minhas nomeações fazem parte deste último lote. São blogues que visito assíduamente, embora os comente de forma esporádica. Todos eles fazem parte da minha lista de links e gostaria que vocês os descobrissem, dada a qualidade estética, de conteúdos e escrita que revelam. E os nomeados são:

- 31 da Armada

- Brava Dança

- Claras em Castelo

- Império dos Sentidos

- Sexo na Noite

Segundo as regras, penso que os autores destes blogues teriam que nomear os cinco blogues que os fazem pensar, mas não acredito que o façam...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Hoje é dia de festa!

O Capitão-Mor celebra o seu 32°aniversário e adivinha-se para mais tarde,festa rija aqui no Forte. Mais uma vez, os Heróis do Mar serão os meus convidados de honra desta noite. Vamos então recuar até ao ano de 1982 e dançar ao som d´"O Amor"...

segunda-feira, 23 de abril de 2007

O pecado de Paulo Portas


O regresso de Paulo Portas à política activa transformou-se na telenovela preferida da direita portuguesa. Nobre Guedes ameaçava avançar para a liderança do CDS, mas prometia sair da frente assim que Portas aparecesse na esquina. Nuno Melo, líder da bancada parlamentar portista, não escondia, em entrevistas, o inconsolável saudosismo pelos tempos idos do ex-líder.
E até o episodicamente ressuscitado Santana Lopes, trazendo no bolso a ressurreição do famigerado Partido Social Liberal («Admito que possam acontecer mudanças no sistema partidário do centro-direita», avisa, lembrando que não assinou «um contrato de jura eterna com o PSD»), fala num ressurgimento de Portas que poderá dar «origem a fracturas irreversíveis» à direita.
Este sebastianismo recauchutado para o regresso de Portas depara-se, contudo, com três problemas. Primeiro, os portugueses ficaram devidamente vacinados com o espectáculo da dupla Portas/Santana na governação do país. E expressaram-no, de forma exuberante, nas eleições legislativas, ainda recentes, de 2005. Segundo, as próximas legislativas só ocorrem no final de 2009. Alguém, no seu perfeito juízo, como Portas, se daria ao trabalho e ao ónus de fazer cair já Ribeiro e Castro da liderança do CDS, para aí ficar a aboborar e a desgastar-se politicamente durante três anos? Pelos vistos, parece que sim...pela evolução dos últimos meses, sou levado a acreditar que Portas nunca leu A Arte da Guerra.
Terceiro e insuperável problema: Paulo Portas escolheu, ao debutar politicamente, o partido errado. O pequeno CDS nunca poderá satisfazer os limites da sua ambição política. Ambição que o levou a ir para deputado, a depor Manuel Monteiro da chefia do CDS, a aceitar um acordo com o abominável Durão Barroso, a permanecer em palco de braço dado com Santana Lopes. O final não foi feliz.
Mas o pequeno CDS apenas tem para lhe oferecer uma restaurada reposição desse filme menor. E o mesmo papel subalterno. Portas escolheu o partido errado. É esse o seu pecado original.
Eu só sei, que deixei de me rever naquele que foi o meu partido durante vários anos. Nunca tive medo de me assumir como um homem de direita e monárquico, mas sinto-me orfão a nível partidário e creio que assim irei permanecer durante muito tempo. Só lamento o tempo que perdi neste partido, durante o meu período de militância mais activa...

Actualmente, como já deveria ter sido feito em meados da década de 90, urge marcar uma prioridade nacional e não deixar o país avançar (mais ainda?) em caminhos irremediáveis de auto-destruição de soberania - monetária (essa já foi), política ou mesmo militar - por acordos leoninos, por seguidismo bacoco ou optimismo cego, de que seremos defendidos, alimentados, vestidos e apaparicados por nações vizinhas, sem nada em troca!
Nestas coisas, a responsabilidade de risco é fundamental e os efeitos preversos da euforia, deram já, em trinta anos uma "exemplar" descolonização e uma obscura socialização pós-25 de Abril. Hoje, verifico que já se atingiu uma "exemplar" integração europeia que estagnou a economia de Portugal, grande parte por culpa de Governos inoperantes e por uma classe empresarial mal formada.
Durante estes anos, os políticos ignoraram quase por completo a nossa tradicional vocação atlântica que poderia criar uma interessante dinâmica empresarial, em funcionamento paralelo ou alternativo à UE. Acredito que seja mais uma batalha perdida. O Brasil com o seu enorme potencial de mercado e até mesmo os PALOP, já possuem fortes acordos económicos com outros países.
Portugal necessita mais do que nunca, de políticos de fibra e claramente empreendedores. No entanto não será com um CDS/PP com uma indefinição ideológica e eleitoralmente quase moribundo que chegaremos lá. Muito menos com aberrações folclóricas do tipo PNR que pretende ignorar todo o passado histórico de uma nação, colando-se a modelos xenófobos importados de outras paragens.
Faltou-nos um debate sobre um projecto para Portugal. Mas é certo que o "povinho" sempre preferiu alienar-se com futilidades e os governantes foram agindo a seu belo prazer. "A política é uma seca" - diz muita gente da minha geração. Bom, então deixem o barco afundar de vez e depois não se queixem "que isto está mau"...
Bem sei, que me podem acusar de ser um mero expatriado, puramente teórico e que agora se limita a lançar umas bolas para o pinhal. Mas é justamente esse distanciamento que me permite ver com maior clarividência, o abismo em que Portugal se encontra. Apelo aqui a todos, que se preocupem mais com o que se passa à nossa volta a todos os níveis e, que participem pela via política ou cívica de formar a mudar os rumos da nosso país.

domingo, 22 de abril de 2007

Descobrimento do Brasil - 507 Anos


Partindo do Tejo a 9 de Março de 1500, com uma frota de 1.000 homens, Pedro Álvares Cabral seguiu a costa africana. Na altura da Guiné, seguindo as ordens recebidas, desvia-se da rota, com o propósito aparente de procurar melhores condições de vento. A 22 de Abril, chega às novas terras. Avistou em primeiro lugar um monte, que denominou Monte Pascoal, e aportaram numa baía mais ao norte.
A 26 de abril, Frei Henrique Soares rezou uma missa de acção de graças, numa pequena ilha, por eles chamada Coroa Vermelha. Transferiram-se então para o continente, onde asseguraram a posse da terra com outra missa, rezada com a presença dos índios.
Tendo dado por concluída a sua missão ali, Cabral parte no dia seguinte para a Índia, mandando ao mesmo tempo uma caravela com notícias da descoberta para o rei de Portugal. Era uma carta, escrita por Pêro Vaz de Caminha.
Em tão pouco tempo, Cabral não pôde decidir se havia desembarcado num continente ou não, e julgou ter alcançado uma grande ilha, que denominou Ilha de Vera Cruz. Outras expedições vieram explorar o local descoberto por Cabral, e averiguando ser realmente um continente, denominaram-no Terra de Santa Cruz, em homenagem ao Cruzeiro do Sul, principal constelação vista desta área.
Em 1511, depois da descoberta do pau-brasil, madeira muito útil que logo foi explorada pelos portugueses, a nova terra recebeu o nome de Brasil.

sábado, 21 de abril de 2007

Parabéns Robert Smith!


Hoje, Robert Smith, vocalista da lendária banda inglesa The Cure, celebra o seu 48ºaniversário. Aguarda-se para breve, a edição de mais um álbum deste grupo que marcou de forma bastante profunda a minha adolescência. As suas músicas tornaram-se uma espécie de banda sonora de grande parte da minha vida e, por isso presto este singelo tributo a uma personalidade incontornável da cultura pop.
Parabéns Robert!

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Râguebi nos trópicos


A origem do râguebi no Brasil confunde-se com a história do futebol. Segundo registos oficiais, a modalidade começou a ser praticada, mesmo que de forma improvisada, no século XX, introduzido pelo estudante britânico Charles William Miller, o mesmo que difundiu a prática do futebol tradicional no país.
A preferência do brasileiro pelo futebol praticamente, "enterrou" o râguebi, que só voltou a ser jogado com mais frequência no Brasil, a partir de 1925, em São Paulo. A 20 de Dezembro de 1972, foi fundada a Associação Brasileira de Rugby. Mesmo com a institucionalização do desporto, o râguebi brasileiro sempre sofreu com a falta de patrocínios à semelhança do que acontece em Portugal.
Mesmo diante dos problemas, o desporto tem crescido gradualmente desde a criação da ABR, principalmente, nas universidades da região centro-sul do país. A temporada de râguebi no Brasil tem início em Abril e segue até Novembro com a realização de vários campeonatos estaduais, regionais e até nacionais. A modalidade é praticada oficialmente em dez estados do Brasil e espera conquistar novos adeptos na região Nordeste. A história do râguebi no Rio Grande do Norte, assim como a do Brasil, é recheada de contradições. Há relatos de jogos, já em 1920. Mas, só em 2005, a partir da iniciativa de um francês é que a modalidade voltou a ser praticado em Natal. Com saudadesdo desporto que praticava no seu país, o francês William Laborde (30 anos) resolveu apostar no desenvolvimento da modalidade no estado. Em Agosto de 2005, ele reuniu cinco amigos e começaram a jogar, tímidamente, na praia de Ponta Negra. Os novos praticantes foram chegando, graças à propaganda feita "boca a boca".
A 18 de Dezembro do mesmo ano, disputou-se a primeira partida oficial da equipa frente aos Tubarões de Recife, no campo do SEST/SENAT. O grupo foi aumentando com o passar do tempo e passaram a treinar num campo de areia num bairro da cidade. Em Abril de 2006, a Universidade Federal cedeu um dos seus campos relvados para os treinos trisemanais da equipa.
Os dois primeiros tempos, de 40m cada, é propriamente do jogo. Já o terceiro tempo é reservado para a confraternização entre os jogadores. È normal que um ou outro jogador saia mais aborrecido do campo por ter sofrido um choque mais forte. Por isso, é que no fianl do treino, o grupo vai até algum bar ou restaurante brindar e manter o espírito desportivo. Actualmente, o plantel do Rugby Potiguar é constituído por 33 jogadores. Uma interessante mescla internacional, com vinte e seis brasileiros, dois franceses, dois italianos, um português, um espanhol e um paraguaio. Vamos ver o que este ano de 2007 nos reserva...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Batalha dos Guararapes


As Batalhas dos Guararapes foram duas batalhas travadas nos Montes Guararapes, hoje, município de Jaboatão dos Guararapes, ao sul de Recife, entre as tropas invasoras holandesas e os inssurrectos luso-brasileiros comandados por João Fernandes Vieira. Por terem sido vencidas pelos luso-brasileiros, destacam-se como episódios decisivos na Insurreição Pernambucana, que culminou no término das invasões holandesas do Brasil, durante o século XVII. Assinatura da rendição deu-se em 1654, em Recife, de onde partiram os últimos navios holandeses em direcção à Europa. Terminavam assim, os anos de domínio holandês no Nordeste brasileiro, motivados pela perda de independência de Portugal face a Espanha.
A primeira batalha ocorreu em 19 de Abril de 1648, e a segunda em 19 de Fevereiro de 1649.
A 1ª Batalha dos Guararapes é simbolicamente considerada a origem do Exército Brasileiro.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Férias em Natal - Episódio 7


Como seria de esperar, na chegada a Lisboa, nenhuma das esposas do quinteto de amigos se dignara a esperá-los ao aeroporto. Mais surpresos ficaram ainda, quando chegaram às suas respectivas casas e descobriram que elas também tinham viajado. Não foi preciso muito tempo para ficarem a saber que a ex-mulher do Reis, Lúcia e Rita também tinham ido para o Brasil. Um pouco mais para sul do que eles tinham feito, pois optaram pelo Rio de Janeiro. As mulheres do Lemos e do Ferreira - Marta e Constança - tinham feito uma incursão não menos ambiciosa. Tinham-se deslocado até à gélida Finlândia para uns dias em Rovaniemi, a terra do Pai Natal.
Após o choque inicial, houveram inúmeras discussões conjugais e cenas de ciúmes no regresso das esposas a casa, mas o Natal chegou e os ânimos serenaram um pouco. Os rapazes tiveram apenas direito a uma pequena vingança. Na semana seguinte ao regresso do Brasil, tinham saído algumas fotos deles no Amo.te Natal, em duas revistas sociais, deixando as suas parceiras visivelmente irritadas.
Contudo, algumas coisas tinham mudado na vida do grupo de amigos. O Ferreira mantinha os seus negócios no Brasil, mas tinha sido alvo de um processo disciplinar que ditara a sua expulsão do Serviço Secreto português. O Reis continuava sozinho e mergulhara numa depressão profunda. Passava grande parte das noites enfiados em boites de má fama e abusava cada vez mais do álcool. Fonseca andava bastante irritado pelas diversas contas de cartões de crédito que inundavam a sua caixa de correio todos os meses. Lúcia excedia-se cada vez mais nos gastos e alegava que eram sequelas da depressão pós-parto. O Lemos avançava para o seu quarto divórcio devido a incompatibilidade sexual com Marta. Luís era o único que não tinha sido atingido de forma tão profunda pelas sequelas da viagem a Natal. No entanto, ia mantendo contacto com Patrícia por intermédio da internet e alguns telefonemas. Durante as viagens do grupo, tivera diversos casos, mas nenhuma o marcara tanto como aquela mulher. Nunca tivera coragem de admitir que era casado, sabia que mais tarde ou mais cedo teria que cortar as vias de comunicação, apesar de no seu íntimo não o desejar.

Lisboa, Segunda Feira - 24 de Março 2009, 08:35h
Ferreira dormia um sono profundo, quando o seu telemóvel tocou. Grunhiu um som indecifrável e, sem abrir os olhos, esticou o braço, apalpou o tampo da mesa de cabeceira, pegou no telefone e atende mal humorado.
- Estou? Quem fala? - murmura ele.
- È o Luís. Estou metido numa embrulhada. Só tu me podes ajudar!
- Vai-te lixar! Como é que tens coragem de me ligar a esta hora da madrugada? Não sabem que estão proibidos de me ligar antes das 10 da manhã? - Ferreira falava numa voz arrastada e ainda não tinha aberto os olhos.
- Porra! Ques raio de amigo é que tu és? Acorda!!!
- Hum...que urgência é essa?
- Pá, a tua mulher está aí do teu lado?
- Não. Saíu um pouco mais cedo. Acho que foi renovar um documento na Loja do Cidadão.
- Ah,ok! Lembras-te da Patrícia? Aquela brasileira morena?
- Patrícia!? Não estou a ver...aquela que trabalha no Elefante Branco?
- Dah! Já acordaste mesmo? Aquela que conheci em Natal. Fui mantendo contacto com ela depois do regresso, nunca lhe disse que sou casado e ela decidou fazer-me uma surpresa.
- Já me recordo. Essa mulher é um espanto! Deixa-me adivinhar...ela meteu-se num avião e está em Lisboa.
- Pior que isso! Ligou-me agora mesmo a dizer que está na porta do meu prédio. A sorte é que a Rita já saíu para a Universidade. Eu estou aqui parado no meio do trânsito, a caminho do trabalho.
- Mas como é que a gaja sabe onde moras?
- Enviei-lhe uma encomenda no Natal. Por estupidez, estampei o meu endereço na caixa.
- Foda-se, isso é coisa de amador! E agora, como é que queres que eu te descalce essa bota?
- Não faço a mínima ideia! Sinto-me bloqueado e decidi ligar-te. Pensa em qualquer coisa rápido!
- Fica descansado. Vou tomar um banho e logo vejo o que posso fazer por ti. Ela está na porta da tua casa,certo?
- Isso mesmo. Eu disse-lhe que enviar alguém para lá.
- Com que então já contavas com o ovo no cu da galinha! Não te preocupes...vou arranjar tudo de forma que a Rita não desconfie de nada.
- Nem sei como te agradecer. Vou ligar para a Patrícia a dizer que és tu que vais lá. Fico-te a dever uma.
- Está certo. Vai trabalhar sossegado, que eu logo arranjo uma solução para o teu problema.

O Ferreira desliga o telefone, levanta-se rapidamente e vai tomar um banho. Enquanto a água cai sobre o seu corpo, pensa em possíveis soluções para o caso do seu amigo. Passados uns quinze minutos, já está na rua e lembra-se da sua amiga João. Ela era amiga de longa data do grupo e estava sempre a par dos problemas em que se metiam. Senta-se dentro do carro e liga para ela de imediato.
- Bom dia João! Tudo bem contigo? - atira ele todo simpático.
- Ferreira!? A esta hora? Não me digas que caíste da cama! - responde ela com ironia.
- Trata-se de uma emergência! diz-me uma coisa...tens algum apartamento vago no teu prédio?
- Hum...que eu saiba, nenhum dos septuagenários que lá moram, morreu de ontem para hoje. Mas o que se passa? A Constança expulsou-te de casa? - a voz dela já indiciava irritação.
- È por causa do Luís. Hoje, chegou uma brasileira que ele conheceu durante as férias em Natal e pensei...
- Pensaste uma merda!!! Vocês julgam que eu tenho de estar sempre disponível para aparar os vossos golpes? Nem pensem!
- Mas...
- Nem mas, nem meio mas! Desenrasquem-se! Perdi a paciência para os vossos esquemas. São as gajas, as bebedeiras, as cenas de pancadaria...cresçam por amor de Deus! - berrou a João.
Ela desliga abruptamente e telefone depois de proferir esta frase, Ferreira fica meio atrapalhado a olhar para o seu telemóvel e liga o carro. Arranca a toda a velocidade na direcção do bairro onde Luís morava, ignorando semáforos vermelhos e buzinando de forma desenfreada. Momentos depois, já avistava Patrícia sentada nas escadas do prédio com uma enorme mala de viagem a seus pés. Ele estaciona o carro, sai e dirige-se a Patrícia com um sorriso prazenteiro.
- Bom dia! Tudo bem? Fez uma boa viagem?
- Oi! Foi cansativa, mas aqui estou eu no velho Portugal.
- O Luís pede imensas desculpas por não poder vir pessoalmente. Ele sai para trabalhar cedo e você também não avisou nada com antecedência.
- Quis fazer uma surpresa pra ele...mas entendo que ele não possa vir.
- Você está com fome? Não quer tomar nada?
- Boa ideia. Aquela comida de avião é horrível e já sinto o meu estômago colado nas costas.
- Já ouviu falar nos Pastéis de Belém? São uma delícia! Podemos ir até lá. Também saí de casa à pressa e ainda não comi nada.
- Está certo. Quando posso ver o Luís?
- Hã? Ah...hum...daqui a pouco, eu ligo para ele para saber como está o dia dele e, vocês combinam qualquer coisa. Está bom assim?
Patrícia estranhou a resposta insegura do Ferreira, mas decidiu não fazer mais perguntas. Ele pegou na mala dela, meteram-se no carro e fizeram caminho rumo a Belém. Ficaram cerca de uma hora na conversa, sentados diante de quatro pastéis de nata e bebendo café com leite. Ferreira contava alguns episódios dos anos em que vivera no Brasil que ela escutava atentamente. No entanto, o subconsciente dele divagava sobre o rumo a dar aquela beldade e precisava de ganhar tempo.
Subitamente, ocorre-lhe uma ideia e levanta-se bruscamente.
- Patrícia, preciso de fazer uma ligação para o meu escritório. Importa-se que eu saia por uns minutos? Está muito barulho aqui dentro...
- Fique à vontade. Eu fico aqui. Vou aproveitar para comer este último pastel. - diz ela apontado para o prato.

Ferreira desliza rapidamente para o exterior da pastelaria e procura na agenda telefónica, o número mágico que poderia salvar a pele de Luís. O telefone toca várias vezes e ele deambula de uma lado para o outro, invadido por uma enorme ansiedade. Finalmente, uma voz pastosa atende do outro lado da linha.
- Estou?
- Olá Reis! È o Ferreira...como estás? Tens andado desaparecido da malta...
- Acordei agora mesmo. Ontem apanhei uma bebedeira monumental no Night and Day. Estou com uma ressaca horrível e nem tive coragem de ir dar aulas para aquele bando de adolescentes ruidosos.
- Olha, lembras-te da Patrícia? Aquela morena escultural que o Luís conheceu em Natal?
- Tenho uma vaga ideia...porquê?
- È uma longa história. Diz-me só uma coisa...dá para ela ficar uns dias em tua casa? Ela chegou hoje a Lisboa...
- Pá, não sei...o apartamento é pequeno, está tudo sujo e desarrumado. Sabes como é um gajo que vive sózinho...
- Então vê lá se fazes umas arrumação rápida. Entretanto, vou dar uma volta com ela, levo-a para almoçar e depois deixo-a em Odivelas, na tua casa.
- Mas qual é o problema? Porque não largas a fulana num hotel?
- Vai por mim. Toma um banho, põe-te apresentável e dá um jeito no apartamento.
- Ok, mas não venhas antes das quatro da tarde. Entendido?
- Combinado. Já viste a tua sorte? Alojar aquela beleza tropical?
- Continuo a achar tudo muito estranho. Onde está o Luís?
- Mais tarde explico-te tudo. Agora, tenho de desligar. Até logo!
- Vá, até logo!
Ferreira aproveitou o resto da manhã para mostrar a Patríca, aquela área de Belém que ele apreciava pelas diversas referências à época dos Descobrimentos portugueses. Almoçaram na Vela Latina e no final da refeição, Patrícia decide atacar o Ferreira com algumas perguntas que lhe tinham assombrado a mente durante a manhã.
- Ferreira, preciso fazer umas perguntas pra você. Você está sendo muito gentil comigo, mas sinto que algo está errado. Acredito que você me está enrolando.
Ele engole em seco, olha para o rio através das janelas e tenta disfarçar.
- Como assim? Não estou a entender...
- Não minta para mim! Você prometeu que ia ligar para o Luís e fica me atropelando com conversas e passeios, para eu não falar no assunto. O que é que está rolando?
- Patrícia...realmente existe algo que você precisa de saber. Acredito que seria melhor o Luís dar-lhe uma explicação, mas parece que você já se está a aperceber das coisas - Ferreira dicidira terminar com as encenações.
- O Luís tem namorada? Peraí...eu não acredito numa coisa dessas! Ele é casado!? - atira Patrícia, elevando o tom de voz.
As pessoas das outras mesas olham da direcção deles, Ferreira cora ligeiramente, acende um cigarro e olha-a de frente.
- È casado....é terrível para si, mas é a mais pura das realidades.
- Filho da mãe! Como é possível ele sacanear comigo desta maneira? - diz ela com as lágrimas a deslizarem pelo rosto.
- Tenha calma! Ele não fez por mal...sabe como são os homens sozinhos nas férias.
- São todos uma grande merda! Eu não acredito que possa ter sido tão burra!
- Tente entender...
- Entender o quê? - interrompre Patrícia exaltada - Ele brincou com os meus sentimentos. Eu gostei dele porque era mais maduro, sedutor...agora vejo que não vale nada como todos os outros!
- Oiça, por vezes perdemos o controlo da situação. Acredite que o fundo dele não é mau - Ferreira tentava desculpar o amigo a todo o custo.
- Não me interessa! Pode fazer um favor pra mim? Peça a conta e me leve de volta para o aeroporto. Quero voltar a Natal ainda hoje.
- Nada disso. Já falei com um amigo nosso, para você ficar na casa dele.
- Deus me livre! Você está doido? Não quero ficar nem mais um minuto nesta maldita terra, nem quero papo com mais nenhum de vocês.
- Acalme-se por favor! E vai dar esta viagem como perdida? Se não quiser ficar na casa do Reis, posso-a deixar num hotel e não precisa falar mais connosco. Está bem assim?
Patrícia limpa as lágrimas que lhe molham o rosto, fita os talheres pousados na mesa e desabafa.
- Me desculpe. Você está sendo legal comigo e não tem culpa de nada. Luís é seu amigo e você está cumprindo seu papel.
- E então? Está mais relaxada? Aproveite para conhecer o meu país que é muito bonito. E enquanto você viaja, vai esquecendo este contratempo.
- Não sei. Me sinto enganada...não sei se vou superar esta desilusão. Estou com ódio daquele canalha!
- Aceite o convite do meu amigo Reis. Faz um ano que está divorciado. Após o regresso do Brasil tem andando um pouco abatido. Você irá animá-lo um pouco. Ele é professor de História e nas horas vagas poderão dar uns belos passeios juntos. O que me diz a isto?
- È melhor não. Prefiro ficar num hotel perto do centro...
- Nem pensar. Vai ser pior. Depois disto, vai ficar trancada no quarto sem vontade de sair. O Reis é uma boa pessoa e está a precisar de uma boa companhia. Vá lá, aceite...
- Está bom. Eu aceito. Mas o seu amigo que não venha com graças para cima de mim,viu? Saio correndo de lá e anda dou umas porradas nele!
- Ele é bom rapaz e muito respeitador. Vocês vão-se entender muito bem - conclui o Ferreira apaziguador.

O que seriam três semanas de férias em Portugal, transformara-se em meses. O Reis entendera-se às mil maravilhas com Patrícia que o salvara do abismo eminente. Apesar da tristeza inicial, a morena encontrara nele, um companheiro inteligente, afável e bastante carinhoso que a fizera esquecer Luís. No princípio de Maio e, apesar de algumas reticências de Patrícia, assumiram o namoro. O Reis tinha ganho um novo ânimo, voltou a dar aulas com entusiasmo e abandonou o álcool por completo. Entretanto, Constança convidara a brasileira para trabalhar com ela na sua boutique e Patricia ia desistindo da ideia de regressar ao seu país. Só por altura dos Santos Populares é que ela voltou a rever Luís, numa noitada do quinteto. Ficou surpreendida pela sua própria reacção. Talvez tudo não tivesse passado de um breve romance de verão. O Reis preenchi-a por completo e inesperadamente, acabaram por marcar o casamento nessa mesma noite para o dia 15 de Agosto do corrente ano. Foi o caso de uma paixão meteórica!
Por ironia do destino, Luís e Rita foram os padrinhos de casamento do noivo, Ferreira e Constança apadrinharam a bela Patrícia, numa cerimónia simples e reservada para os amigos mais íntimos.
Consta que o quintento de amigos ficou um pouco mais calmo após as férias em Natal e, que o casal luso-brasileiro viveu feliz para sempre.
FIM

Confesso que ao clicar na label - blogsérie, fiquei surpreendido com o meu próprio volume de escrita nas duas séries que escrevi nos últimos meses! Aproveito para endereçar o meu agradecimento à Tati que durante estas semanas nos brindou com um excelente contraponto feminino desta história. Para o próximo mês, tenho prevista a edição de mais uma blosérie que será escrita na lógica de "quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto", numa perspectiva ainda mais interactiva. Aguardem...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Macau


A praia ao cair da noite.

Uma bela miragem.

A energia eólica tem sido uma das apostas na cidade.

As famosas salinas da região.

Um dos barcos da numerosa colónia de pescadores.

A entrada da cidade.

Localiza-se na Microrregião Salineira, a 180 km de Natal, sendo o maior produtor de sal do Brasil e um dos maiores do mundo, com alta qualidade e pureza. As monumentais pirâmides de sal marinho formam um belo e inesquecível cenário, que encantam turistas e inspiram poetas. Do solo macauense brota petróleo nas bacias marítima e terrestre, tornando a região salineira pólo de investimentos.
Macau possui praias calmas e límpidas, formando, assim, um complexo natural e paradisíaco para a prática de banhos e de desportos náuticos. Para os amantes da gastronomia, Macau possui uma rica e eclética culinária marinha a base de camarões, lagostas, sururus, ostras, búzios, caranguejos, siris e peixes para todos os gostos, que formam um delicioso e inesquecível cardápio.
O turista poderá encontrar no destino colónias de pescadores, onde terão um contacto directo com os nativos, suas tradições e costumes. O município tem uma vocação festiva, realizando um dos maiores carnavais do Rio Grande do Norte, além de duas grandes festas do calendário religioso: a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Agosto e a de Nossa Senhora da Conceição, em fins de Novembro e início de Dezembro. Realiza, ainda, a Festa do Sal e do Reencontro, comemorada no período de 01 a 09 de Setembro, juntamente com a emancipação política de Macau.

sábado, 14 de abril de 2007

Estou quase convencido!


Algumas boas razões para um homem preferir uma mulher de 40 em vez de uma de 20.

- A de 20 é linda, mas acha-se horrível
- A de 40 não é divina, mas considera-se o máximo.

- A de 20 está cheia de projectos, fantasias e sonhos.
- A de 40 tem vontade de viver em paz.

- As de 40 são independentes financeiramente.
- As de 20 saem muito mais caro.

- As de 20 ainda possuem muitos complexos a nível sexual.
- Com as de 40, vale tudo menos tirar olhos.

- As de 40 já são mães.
- As de 20 ainda querem ter um par de filhos.

Não é por acaso que Monica Belluci é a minha diva. O supra-sumo da beleza europeia. Um puro sangue italiano!!! No campo nacional, as minhas preferências vão para a Teresa Salgueiro que é o verdadeiro ícone da beleza portuguesa e, que também já entrou na bonita fase dos quarenta anos. Deste lado do Atlântico, ainda não me consegui decidir tal, a quantidade de beldades!

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Capitão-Mor, o cantor

Quando se fala em música portuguesa no Brasil, o nome de Amália Rodrigues é sempre citado. Algumas pessoas mais esclarecidas são capazes de mencionar os Madredeus ou Mariza, mas o grande campeão por terras de Vera Cruz é mesmo Roberto Leal. Há umas semanas atrás, fui forçado por um grupo de amigos a cantar um medley de vários temas deste cantor popular. O mais engraçado foi ter colocado grande parte dos brasileiros que estavam no bar, a dançar uma espécie de folclore português! Um dia destes ainda me arrisco a cantar uns fados...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Vigorexia: A Doença da Vaidade


As pressões da sociedade moderna são responsáveis pelo surgimento
de distúrbios da imagem corporal. Uma doença cuja frequência tem aumentado nos últimos anos é a vigorexia, que tem como principal sintoma a valorização excessiva da silhueta perfeita
A pessoa que possui este distúrbio busca tornar o corpo magro e musculoso a qualquer custo, mesmo que isto lhe traga prejuízos futuros. Apesar da vigorexia ser mais comum entre homens, ela também pode ser vista em mulheres.
Os ginásios costumam ser os lugares preferidos dos vigoréxicos. Lá, eles realizam exercícios físicos por horas a fio, pesam-se várias vezes ao dia e comparam sua musculatura com a de seus colegas. O uso de esteróides e anabolizantes pode ser um recurso frequente, por facilitar a obtenção de resultados imediatos.
Além disto, há uma preocupação excessiva com a alimentação: as gorduras são evitadas e as proteínas são consumidas de forma exagerada.
“Mais importante do que exibir um corpo musculoso e perfeito é ostentar uma imagem saudável, que não seja construída em detrimento do próprio bem-estar”
Entre as características psicológicas dos vigoréxicos, encontram-se o sentimento de inferioridade, retracção social e timidez que fazem com que a pessoa busque se afirmar através de um corpo perfeito. Apesar de serem musculosos os vigoréxicos sentem-se internamente enfraquecidos e distantes de si e de seus ideais.
A vigorexia causa um desgaste orgânico e mental e pode trazer consequências semelhantes às do stress, tais como: insônia, desinteresse sexual, falta de apetite, irritabilidade, fraqueza, cansaço, entre outros. Além disto, são também freqüentes os problemas físicos e estéticos, como desproporção dos membros, problemas ósseos e articulares e falta de agilidade.
A situação torna-se mais grave com o uso de anabolizantes, pois estes aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e das disfunções sexuais além de diminuírem o tamanho dos testículos e criarem maior propensão ao cancro de próstata.
É desejável que as pessoas tenham preocupação com o próprio físico, desde que esta não se torne uma obsessão e venha a prejudicar outros sectores da vida. Reconhecer as pressões estéticas impostas pela sociedade e saber lidar com elas de maneira saudável é a chave para evitar doenças como a vigorexia e outros distúrbios da imagem corporal. Mais importante do que exibir um corpo musculoso e perfeito é ostentar uma imagem saudável, que não seja construída em detrimento do próprio bem-estar.

Já temos a anorexia, a bulimia, a vigorexia, os viciados na internet...que outras doenças a modernidade irá trazer?

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Férias em Natal - Episódio 6


Natal, Sábado - 07 de Dezembro 2008, 00:15h

Luís terminara de jantar com Patrícia. A conversa tinha fluído de modo agradável e ele sentia-se cada vez mais atraído pelo olhar daquela morena. Após o jantar, entram no carro e permanecem em silêncio. Luís sempre fora um mulherengo de primeira linha, mas existia algo em Patrícia que o deixava mais acanhado. Ela decide tomar a iniciativa. Coloca as mãos na nuca dele; as duas bocas tocam-se num beijo intenso. Ambos eram suficientemente adultos para terem plena consciência de como aquela noite iria terminar. Luís liga o carro e arrancam na direcção de um motel que o Ferreira lhe indicara. Após terem estacionado o automóvel na garagem, sobem até ao quarto e Patrícia diz que precisa de tomar um banho. Ele despe-se, atira-se para cima da cama redonda e liga o televisor. No ecrã passava um monótono filme pornográfico. "Porque será que as mulheres são tão demoradas?" - pensava Luís, enquanto escutava a água do chuveiro. O vinho do jantar e as noites mal dormidas faziam-no sentir o corpo cansado, os olhos pesavam cada vez mais...

Enquanto isso, os restantes elementos do grupo ainda degustavam um excelente jantar tardio, confeccionado pelo Ferreira que aprimorava cada vez mais os seus dotes culinários. O azar do dia anterior tinha refreado o ímpeto conquistador dos rapazes que, mantinham uma conversa séria, coisa rara nas suas reuniões.
- Por vezes, questiono-me sobre esta nossa necessidade de estar sempre a ter casos paralelos aos nossos casamentos. Vocês não pensam no mesmo? - questiona o Fonseca.
- È claro que penso sobre isso. Olhem para o meu caso. Não posso dizer que tenha sido muito bem sucedido no casamento. Eu sei que vocês acham a minha mulher uma dondoca e não vos tiro a razão. Optei por casar com a Constança porque ela era bonita e elegante. Ficava bem ao meu lado nas festas e tinha aquele ar aristocrático que sempre apreciei. No entanto, com o passar do tempo fui-me cansando das suas futilidades. Ajudei-a na abertura da boutique e proporciono-lhe algum conforto. Em troca, ela não se mete na minha vida, viajo para o Brasil quando quero e claro que ela sabe que tenho os meus casos. A última foi aquela miúda de vinte anos que vocês viram uma vez... - disserta o Ferreira, enquanto fuma um cigarro.
- Cada um com a sua cruz. Olhem, os problemas que tenho com a minha relacionam-se basicamente com dinheiro. Por vezes excede-se nas contas do cartão de crédito. Fico fulo! E também acho que a gravidez dela foi um pouco prematura... - diz o Fonseca.
- Eu divorciei-me da Sónia devido aos ciúmes dela. Como sabem, os meus engates saem quase sempre frustrados, mas ela imaginava-me sempre com um monte de amantes. Para além disso, também já estava saturado do eterno mau humor dela. Mas não se preocupem muito com isso. Nós homens, temos essa necessidade de transgressão que elas nunca irão compreender - refere o Reis.
- Vocês nem vão acreditar no que a minha mulher me disse há tempos! Veio com umas conversas sobre a rotina do nossa relacionamento sexual. Propôs que fôssemos a uma daquelas festas onde se fazem trocas de casais. Swing, não é? Disse que era para apimentar o casamento...dá para acreditar? - confidencia o Lemos um pouco embaraçado.
- Porra! Ela deve estar é doida! Eu nem admitia que minha viesse com uma conversa dessas. A não ser, que ela quisesse convidar uma amiga para dividir a cama connosco -atira o Ferreira, rindo à gargalhada.
- Mudando de assunto...vocês não estranharam, o facto delas ainda não nos terem ligado? - interroga o Lemos.
- Como é que queres que elas nos liguem, se nos roubaram os telemóveis? - responde o Fonseca.
- Sim...mas isso foi na madrugada de quinta-feira. Antes disso, ainda tivemos vários dias contactáveis - relembra o Lemos.
- E tu por acaso tentaste ligar para a Marta? - pergunta o Ferreira no gozo.
- Pá, por acaso até tentei ligar na quarta-feira. Em casa ninguém atendia e o telemóvel dela estava desligado.
- Hum...estranho, não acham? Bom, se isso acontecesse comigo até nem me admirava. Ou estava enfiada no salão de beleza ou então teria ido a um daqueles cocktails cheios de tias e bastante enfadonhos - o Ferreira não perdia o bom humor.
- Cá para mim, juntaram-se todas para conspirar contra nós. E deve ser a Sónia que anda a meter veneno junto das outras. Ela não se conforma de me ter perdido! - opina o Reis.
- È capaz de ser isso. Só espero que a Lúcia não tenha feito despesas desnecessárias na minha ausência - conclui o Fonseca.

Natal, Sábado - 07 de Dezembro 2008, 07:00h
Nessa manhã, Luís acorda com um doce sussurro no seu ouvido.
- Acorde meu querido...está na hora! Tenho de sair para trabalhar.
- Hum...como é? - responde ensonado - Que vergonha! Nem quero acreditar que adormeci desta maneira...
- Eu entendo. Esqueça isso...foi muito bom ter ficado juntinho de você.
- Mas...espere mais um pouco. Assim não vale! - diz ele agarrando Patrícia pela cintura.
- Não posso. È sério...tenho de estar no hotel daqui a pouco. Tenho de acompanhar um grupo de turistas que chegou ontem de S.Paulo.
- Hoje à noite, podemo-nos encontrar novamente? - Luís não escondia a sua frustração.
- Não dá. Tenho muita pena, mas vou ter de acompanhar esse grupo este final de semana inteiro.
- Porque é que não me acordou? - insistia Luís.
- Não se precocupe com bobagens. Foi bom...você fica lindo dormindo, sabia? Por vezes o sexo é apenas um detalhe...
O casal despede-se desta forma abrupta e inesperada. Ambos prometem mantar contacto via internet e telefone. Luís deixa Patrícia na portaria do hotel, onde se despedem com um beijo terno. Quando entra no apartamento, dirige-se para a sala, senta-se no sofá e fica imerso nos seus pensamentos. Os amigos dormiam nos quartos. Ele ficou ali sentado entregue à sua melancolia. Nunca imaginara que uma situação destas lhe pudesse acontecer.

O grupo de amigos decidiu passar o sábado na praia. Para felicidade do Luís, os outros tinham sido bastante discretos e poucas perguntas fizeram sobre a noite anterior. Já estavam na véspera da partida para Lisboa, queriam aproveitar o máximo e regressar aos seus empregos com um bronzeado invejável. A meio da tarde, são abordados por dois rapazes - Mauro e Rodrigo - que os desafiam para uma partida de futebol de praia. O amigável luso-brasileiro terminou com um surpreendente empate a cinco bolas. A equipa portuguesa era constituída por trintões que evidenciavam má forma física, devido aos excessos cometidos naqueles dias, mas que ainda assim deram uma boa réplica aos brasileiros. O jogo ficou marcado por uma excelente exibição de Luís na baliza e pelo instinto goleador do Lemos que marcou três dos cinco golos lusitanos. Os destaques negativos ficaram por conta do Fonseca que não se adaptava ao forte calor e pelo Ferreira que insistia em fazer placagens nos adversários. Ele teimava em confundir as regras do futebol com as do râguebi!
No final da partida, Mauro e Rodrigo, ainda tentaram arranjar uma briga com o grupo, em virtude do excesso de faltas cometidas pelo Ferreira, mas eles decidiram ignorar as provocações. Bastava de sarilhos no Brasil.
Após saírem da praia, fazem uma incursão pelas lojas de artesanato nas proximidades. Aproveitaram para comprar algumas lembranças para as suas esposas, amigos e colegas de trabalho.

O serão foi preenchido com um simpático jantar no restaurante Casa Portuguesa. O Ferreira convocara vários amigos que tinha na cidade e por ali ficaram durante umas horas na conversa. Contudo, os efeitos do vinho ingerido não tardaram a surgir. Na saída, ainda trataram de importunar um grupo de turistas portuguesas que estavam numa mesa próxima. Ao aperceberem-se do estado alcóolico do grupo, decidem ignorá-los ostensivamente e eles acabam por desistir das investidas.
Despedem-se do amigos brasileiros, metem-se no carro e arrancam de forma veloz em direcção ao Forró do Pote que se situava na periferia. Pouco antes do jantar, o Ferreira ainda tentara ensinar os fundamentos daquela dança sensual aos amigos, mas de nada lhes adiantou. A falta de maleabilidade na cintura era exasperante, velendo-lhes mais tarde, a ajuda das parceiras de dança que lhes iam impondo o seu ritmo. A meio da noite, já conseguiam dançar de modo aceitável e aproveitavam a proximidade da dança para dizer um monte de baboseiras nos ouvidos do mulherio. Definitivamente, o álcool e a sedução não eram bons aliados. Elas riam e conversavam com os rapazes mas momentos depois, escapuliam das garras deles. Entretanto, o Luís retirara-se do recinto e dormia no carro. Os amigos tinham estranhado o mau humor dele durante o dia, mas tinham-no poupado de perguntas desnecessárias. O Lemos já pouco se mexia. O jogo de futebol na praia tinha-o deixado exausto. Na pista, restavam apenas o Ferreira, Fonseca e Reis que não paravam de dançar no seu passo cambaleante.
O relógio marcava três e meia, quando decidem retornar a Ponta Negra. Por milagre, chegaram ilesos a casa, já que todos eles se encontravam num estado lastimável. As férias estavam no final. Nenhum deles tinha conseguido atingir o objectivo de conquistar o maior número de mulheres possível. Regressavam a Portugal com o placard a zero e receando enfrentar as crises de ciúmes das suas companheiras.

Voo YSS501, Domingo - 08 de Dezembro 2008, 19:05h
A cidade de Natal e o calor ficavam para trás. Estavam de regresso a Lisboa. Apesar dos desaires amorosos, a viagem tinha reforçado ainda mais o espírito do grupo. A sua amizade era indestrutível. O grupo parecia outro durante o voo de regresso. Permaneciam silenciosos. Sentiam-se cansados e não tardou muito para que o Reis e Lemos mergulhassem num sono profundo. Luís olhava absorto para a janela do seu lado. Ainda não se tinha recomposto do desaire perante Patrícia. O Ferreira assistia ao filme que passava nos ecrãs e, ao seu lado o Fonseca, lia atentamente uma revista sobre turismo.
Será que teriam alguém à espera deles no aeroporto? A aterragem estava prevista para as seis da manhã de segunda-feira...

Não percam o último episódio desta blogsérie, na próxima quarta-feira!

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Touros


Vista nocturna da praia.

Farol do Calcanhar.

Jangada típica do litoral nordestino.

Panorâmica da praia.

Marco de Touros, colocado durante a expedição de Gaspar de Lemos que fazia parte da esquadra de Pedro Álvares Cabral.

Canhões coloniais no centro da cidade.

Pousada Sino dos Ventos, propriedade do cantor Rui Veloso.

Este município tem lugar assegurado na história como o local em que foi implantado o primeiro e mais antigo monumento de colonização lusitana em território brasileiro, o Marco de Touros, segundo a opinião recente de vários historiadores. O passado e futuro fundem-se no cenário que ilustra um dos polos turísticos mais promissores do estado do Rio Grande do Norte. A 89 Km da capital, pela BR 101, Touros tem uma localização geográfica privilegiada, situada exactamente na esquina do continente. Tem as costas da América Latina mais próximas da Europa e da África. Palco de acontecimentos épicos, o município de Touros guarda relíquias e monumentos que remontam a época da colonização portuguesa. Esse paraíso tropical foi baptizado de Touros porque os colonizadores, ao se aproximarem da costa, avistaram uma grande falésia, rochedo negro conhecido hoje como "tourinho", que dava a impressão de esculpir a cabeça de um touro.

domingo, 8 de abril de 2007

Orkutmania

Se a senhora Buyukkokten tivesse baptizado o filho de John - ou quem sabe de Paul, ele provavelmente não teria criado uma rede de relacionamentos com o próprio nome. Mas talvez aquela mãe turca tenha sentido que o seu rebento estava predestinado a diferenciar-se dos outros. Por isso chamou-o de Orkut. Em Janeiro de 2004, quase três décadas depois do seu nascimento, o jovem Orkut Buyukkokten, então programador do Google, lançou um site em que as pessoas poderiam fazer amigos e criar as suas comunidades. Para entrar, só sendo convidado, o que garantiria uma ligação confiável entre todos os seus membros. Se Orkut desconfiava que isso iria transformar-se num vício de alguns e a febre de tantos, não se sabe. O certo é que ele nunca imaginou que a língua portuguesa dominaria a sua criação. Hoje dos 16 milhões de pessoas que exibem os seus perfis em www.orkut.com, 70% são brasileiras. Este site funciona mais ou menos nos mesmos moldes do Hi.5 que é mais difundido em Portugal. A única diferença é que o Orkut tornou-se uma verdadeira psicose do povo brasileiro, que passa horas a fio a espiar a vida alheia.

O site consegue despertar o voyeur que existe dentro de todos nós. Sim, porque o Orkut faz aflorar uma curiosidade absurda. Quando menos se espera, a pessoa já está a espiar os perfis pessoais, lendo os scraps, ou seja, os recados que as pessoas deixam nas páginas pessoais e os álbuns de fotografias que ficam ali para que todos possam ver. Claro que dá para apagá-los, mas isso é quase como ir contra o que o Orkut propõe: que a vida seja um livro aberto. No entanto, o site funciona de modo algo psicótico. Se a pessoa decidir navegar pelas ondas orkutianas para ler perfis alheios e (re)encontrar pessoas que nos interessaram em algum momento da vida, incluído ex-namoradas e afins, arriscamo-nos a passar por alguns embaraços. Todos ficam a saber que andámos a bisbolhotar nas suas páginas. Isso porque, nos últimos tempos, foi criado um recurso que permite ver quem visitou a nossa página, assim como avisa os outros quando nós entramos na deles. Para quem quer navegar livremente sem ser descoberto, resta uma alternativa que para a mioria é bastante irritante: a criação de um perfil falso.
Essa estratégia da dissimulação é bastante usada pelos que querem descobrir se o namorada ou esposa troca mensagens picantes com outras pessoas. Aliás, não é de hoje que o Orkut é responsabilizado pelo fim de relacionamentos, pelo ciúme doentio e por descobertas nem sempre agradáveis.

Os que só entraram no Orkut para reencontrar amigos do passado acham que ele perde a graça depois que isso acontece. Mas, para os que gostam de encontros inusitados e procuram parceiros sexuais, a empolgação mantém-se por mais tempo.
A busca de uma identidade e a sensação de pertencer a um grupo é mais do que normal, é quase necessária. E isso não vai mudar nunca, daí o sucesso dos sites de relacionamento. No entanto, o mundo não é apenas feito de pessoas de boa índole e muitos usam a internet para falar mal dos outros, lançar ofensas ou mesmo procurar informações nefastas. Há pouco tempo, os jornais noticiaram um jovem que matou a namorada depois de trocar informações numa comunidade do Orkut sobre armas. Existem casos de fotografias de mulheres que, são manipuladas em fotomontagens e colocadas posteriormente em sites pornográficos. Existem vários especialistas em sequestro que fazem pesquisas intensivas nos perfis para identificar os locais que a pessoa frequenta, a casa onde mora e ter uma noção do seu estilo de vida. È por essas e por outras que os peritos em Orkut aconselham: não publiquem fotos de corpo inteiro e prefiram ângulos que fujam do convencional. Fotos de filhos e crianças nem pensar. Apesar da página inicial do Orkut defini-lo como uma comunidade online que conecta pessoas por intermédio de uma rede de amigos confiáveis, lembrem-se que são milhões de pessoas. E nem todos são bisbilhoteiros inocentes como nós.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Férias em Natal - Episódio 5


Natal, Sexta Feira - 06 Dezembro de 2008, 14:40h

Luís acorda em cima de um dos sofás da sala. Abre os olhos com dificuldade. Sente uma ligeira dor de cabeça, as articulações presas e um gosto amargo na boca. Senta-se com alguma dificuldade e franze os olhos, devido à claridade que entrava pelas janelas da sala. Olha ao seu redor e sente um aperto no coração. Os amigos estavam todos deitados pelo chão da sala, absolutamente imóveis. Estariam mortos? Surgem na sua memória alguns flashes da noite anterior e rapidamente se apercebe do que tinha acontecido. Haviam sido drogados pelo grupo de raparigas que tinham levado para o apartamento. Reinava uma enorme desarrumação na casa. Copos vazios, latas de cerveja, roupas espalhadas e gavetas reviradas. De súbito, sente um enorme pavor apossar-se da sua mente. Seria ele, o único sobrevivente de uma noitada irresponsável? Ganha coragem, levanta-se rapidamente e aproxima-se do Fonseca que estava mais perto. Segura-lhe o pulso e sente um grande alívio ao constatar que o seu amigo apenas dormia um sono profundo.
- Fonseca, Fonseca! Acorda pá! Estás a ouvir? Acorda por favor! - berrava o Luís.
- Hã? O quê? - Fonseca desperta lentamente.
- Levanta-te rápido! Aquelas cabras drogaram-nos e parece que roubaram algumas coisas.
- O que estás para aí a dizer? - o amigo já se sentara no chão e passava as mãos no rosto.
- Hello??? As gajas de ontem pá! Porra, caímos que nem uns patinhos! Eu vi logo que o esquema ia acabar mal - a revolta de Luís era evidente.
Perto da mesa da sala, o Reis acordara e olhava ao seu redor com um ar meio perdido.
- O que se passou aqui? - pergunta balbuciante.
- Fomos roubados, seu otário! Estás a ver o resultado da bebedeira de ontem? Eu e o Ferreira desconfiámos logo das gajas. Vocês são os culpados desta merda! - gritava o Luís.
- Nós!? - pergunta o Fonseca ainda confuso.
- Sim, vocês. Nunca viram mulheres na vida? Parecia que estavam com o cio! Temos sorte delas não nos terem cortado as goelas...
- Putas de merda! - exaltou-se o Ferreira que se erguera entretanto. Avança atordoado em direcção ao corredor. Pára em frente duma porta, roda a maçaneta e parece aliviado ao constatar que o quarto se mantinha inviolável. Entra no aposento do lado e depara-se com um cenário desolador. Tudo revirado do avesso. Já estavam todos acordados e lentamente foram-se apercebendo das coisas que faltavam. Todos os telemóveis, cartões bancários, dinheiro, relógios e alguma roupa de marca tinham desaparecido dos quartos. A câmera do Luís e as máquinas fotográficas também tinham sido furtadas.
- Que bronca! Levaram a câmera que os meus sogros me ofereceram - lamenta o Luís.
- E o meu dinheiro? Os meus cartões? Para não falar do telemóvel que comprei pouco antes de vir - diz o Fonseca com os olhos marejados de lágrimas.
- Ei pessoal! E os nossos passaportes e passagens aéreas? - interrompe o Ferreira aos gritos.
- Estamos tramados! - exclama o Luís.
- Fiquem tranquilos... - diz o Reis, acenando com um pequeno saco de plástico na mão. Como a malta é meio desorganizada, reuni os passaportes e os bilhetes de avião neste saco para não se perderem. Depois, arrumei na estante da sala. Por sorte, não mexeram lá...
- Ufa, estamos safos! - soltou o Lemos.
- Podes crer...sem passaportes, não sei como iríamos fazer para sair daqui no domigo - acrescenta o Ferreira.
- Se calhar, nem sabiam o valor que um passaporte pode ter no mercado negro. Queriam outro tipo de coisas... - explica o Luís.
- Dentro do azar, acabámos por ter sorte. Os passaportes escaparam das mãos delas e estamos vivos. Poderia ter sido bem pior! - diz o Reis meio conformado.
- E agora? Prestamos queixa à polícia? - pergunta o Fonseca.
- È melhor não. Não quero polícia aqui dentro do apartamento. E o que temos para explicar? Que ficámos bêbados e trouxemos umas gajas desconhecidas para aqui? Nem sequer sabemos os nomes delas - atira o Ferreira.
- A que estava comigo chamava-se Silvana. A loira era Mônica, creio eu... - refere o Lemos hesitante.
- Deixa de ser idiota! Ias dizer isso à polícia? Provavelmente os nomes são falsos e ainda podiam alegar que teríamos abusado de menores de idade. Esqueçam a polícia,ok? - o Ferreira evidenciava um grande nervosismo.
- Pois...mas ainda temos tês dias pela frente e nem um centavo no bolso. Como vamos fazer? - interroga o Fonseca.
- Eu tenho conta bancária no Brasil, mas hoje é sexta-feira e a esta hora já não tenho tempo de passar na minha agência. - continua o Ferreira pesaroso - Mas conheço uma pessoa que nos poderá ajudar. Vai ser complicado ter de lhe explicar o caso, mas enfim...
- Outra coisa...porque é que foste logo verificar se aquela porta tinha sido arrombada? - Fonseca aponta na direcção do quarto que se mantivera trancado durante aqueles dias.
Trata-se de material médico muito caro. O prejuízo seria bem maior e fiquei preocupado com isso - desta vez o Ferreira respondera de forma convincente.
- Ok, já entendi - Fonseca parecia convencido.

O Ferreira tomou um banho, vestiu uma roupa lavada e desceu até à recepção do prédio para telefonar ao Cônsul Frederico Robles.
- Estou? È o Dr. Frederico Robles?
- Sim...é o próprio. Quem fala?
- Agente 0069. A noite passada aconteceu um imprevisto e necessito do seu auxílio.
- Qual é o problema, meu caro?
- Sabe como é...ontem levei os meus amigos para conhecer o Carnatal. Bebemos além da conta e trouxemos umas moças para o apartamento. Deram-nos umas bebidas adulteradas e acabámos por perder a consciência. Quando acordámos, vimos que nos tinham roubado várias coisas.
- Mas...mas como é que um agente ao serviço da nação, pode ser tão irresponsável? Na última conversa, já lhe tinha dito que tinha sido uma imprudênca trazer esse grupo de arruaceiros para aquela casa. E agora, você tem coragem de me contar uma coisa dessas? E o equipamento? Os vossos passaportes? Foi tudo roubado? - o Cônsul não difarçava o seu ultraje.
- Nada disso. A sala de trabalho manteve-se inviolável e os passaportes estão em nossa posse.
- Menos mau...e o que pretende de mim?
- Estamos em dinheiro. Precisamos de uma pequena quantia para nos aguentarmos até domingo. Quando chegar a Portugal, poderemos acertar as contas consigo.
- Eu não acredito no seu descaramento! Vou providenciar uma quantia e mandarei entregar aí mesmo. Mas quero que saiba que tudo sito irá ser reportado à sede do Serviço em Lisboa. Tem consciência de quais serão as consequências?
- Dr. Robles, mas...estou? Estou?
O Cônsul já tinha desligado. O Ferreira para além dos seus negócios além-mar, tinha-se revelado durante os últimos anos, um excepcional agente secreto ao serviço da República Portuguesa nos trópicos. Contudo, ele calculava que aquela infantilidade iria arruinar a sua carreira nos serviços de inteligência nacionais. Aquele apartamento era a sua célula secreta, o misterioso quarto trancado albergava sofisticados equipamentos de espionagem e diversos ficheiros secretos. Como pudera ser tão imprudente?

Ao entrar novamente no apartamento, os amigos estranham, o seu ar cabisbaixo.
- O que te aconteceu? Estás branco como a cal! - inquiriu o Luís.
- Não foi nada. O dinheiro já vem a caminho. O meu amigo já enviou um estafeta para cá - diz o Ferreira, tentando desviar o assunto.
- Falaste com os porteiros sobre as gajas? Eles não estranharam nada? - pergunta o Lemos.
- Os seguranças acreditaram que nos teríamos contratado prostitutas, para fazer uma orgia. Disseram-me que saíram às duas e meia da manhã. Por isso, não nos roubaram o carro. Iria levantar suspeitas e seriam barradas no portão da garagem.
- Nem me lembrei do carro...sabem o que vos digo? Depois do dinheiro chegar, vou passear um pouco para espairecer e aproveito para ligar à Patrícia. Só mesmo aquela beldade para me fazer esquecer tudo isto - disse o Luís.
- Cuidado com as caipirinhas! - gracejou o Reis.
- Vê lá se te cai um dentinho com a piada! E vocês vão fazer o quê?
- O Ferreira disse-nos que vai fazer um petisco. Hoje, devemos ficar por casa - continuou o Reis.
- Parece-me bem. Pelo menos, não irão meter-se em mais encrencas - rematou o Luís.