quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Quando os euros não pagam as expectativas



"Marco, Paula, Margarida, Inês e Bruno não constam do número de licenciados inscritos nos centros de emprego. Eram 42 mil em 2005. Marco, Paula, Margarida Inês e Bruno têm entre 23 e 30 anos, têm uma licenciatura, têm um emprego, mas nenhum dos cinco exerce a função para a qual recebeu formação. Rima. Rima também com frustração e uma lista de sacrifícios para que ao fim do mês sobre alguma coisa e não falte estímulo para continuar à procura de um lugar compatível e que alguns, apesar de tudo, acham que o mercado ainda tem para lhes dar.
Escusado será dizer que, dos cinco, nenhum tem é independência. Essa não se compra com 300, 400, 500 ou mesmo 600 euros, sobretudo quando se vive em Lisboa e se quer comprar casa e carro. Nenhum conseguiu. Apesar do curso superior, o tal canudo que, como refere Inês, "os governantes e os pais" lhes vendem como garante de um futuro mais digno.
Marco, Paula, Margarida, Inês e Bruno são uma pequena amostra num imenso universo que falta quantificar. Sentem-se rejeitados por um mercado que não os aceita como trabalhadores, mas que os aliciou com o eldorado que poderia representar uma licenciatura. Licenciaram-se e agora trabalham como caixa em supermercado, vendem material de escritório, desgravam entrevistas que outros fazem, trocam o dinheiro que outros têm. Houve quem no meio de tudo isso, desta lengalenga que é o entra e sai em trabalhos precários, descobrisse outros gostos, outras motivações, mas as habilitações continuam a ser a mais para o menos que levam para casa ao fim do mês.
Marco, Paula, Margarida, Inês e Bruno são um retrato. Pessoal. Irrepetível por si. Mas têm reflectidas neles as frustrações de outros.


Margarida Ferra
Transcrição de entrevistas
300 euros
29 anos
Licenciatura em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa


Quando tenta arranjar um termo que defina o trabalho que faz, Margarida Ferra, 29 anos, recorre à expressão de um amigo. "Ele diz que sou uma mulher-a-dias do texto." Complexo de inferioridade? Nenhum. "Não encontro melhor definição", atira, no sorrir aberto de quem se incomoda pouco em limpar impurezas e repetições, em lidar com as palavras dos textos dos outros que sabe não serem, muitas vezes, as que usaria se a assinatura fosse sua. Mas não é. Ela ouve e transcreve. Tal qual. Expressão a expressão. Excepto quando lhe dão liberdade para fazer alguma tarefa de edição e livrar-se da "palha", substantivo que nestes domínios designa o que não acrescenta nada à mensagem. Mas Margarida acaba por confessar: "Estou nos bastidores, mas gostava de estar um bocadinho mais à frente..."
Margarida desgrava entrevistas, depoimentos, dissertações. Ganha à hora. Uma hora de gravação equivale a... pouco. Defina-se, então, "pouco": em 2005 ganhou cerca de 400 euros por mês, em 2006, a média, somados todos os recibos verdes que passou, não foi além dos 300. Não se queixa. "Este ano está a aparecer mais trabalho." Talvez chegue aos 400 euros novamente. Confessa que precisaria de mais 200 para conseguir "comprar umas roupas, ir mais vezes jantar...". O seu orçamento dá uma pequena ajuda em casa. Com o grosso das despesas a cargo do marido, ela paga à empregada para lhe "organizar a casa uma vez por semana", paga para lhe passarem a roupa a ferro, paga a conta do telemóvel e a Segurança Social. O que sobra? Nada. "É incrível ter de pagar 150 euros por mês por ter facturado em 2004 o equivalente a nove salários mínimos. É um convite a não fazer nada", indigna-se.
Como trabalha em casa, não gasta em transportes e tem tempo para os dois filhos. Bebés de dois anos e quatro meses, respectivamente. A Alice e o Pedro, que dormem a sesta numa tarde de chuva em que não se houve um ruído no apartamento onde vivem, num bairro popular de Lisboa.
Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, Margarida, na hora de escolher uma especialização, soube o que não queria. E não queria a vertente "jornalismo", sentia que não tinha "bagagem" para se aventurar no cinema, e a televisão não era um projecto que encarasse. Optou por "comunicação e cultura", coisa vaga, concede, mas que lhe permitia não se afastar do que gostava. Os livros.
E enquanto fazia o curso, foi fazendo outras coisas. Trabalhou no IPJ, escreveu para várias publicações, como o Jornal de Letras ou a revista dos Artistas Unidos, fez revisão de texto. Ganhava à peça. Fixo, só quando foi para uma galeria de arte ou esteve na Clepsidra, livraria especializada em poesia, com porta aberta em Massamá. Era lá que Margarida fazia o que mais gosta. Vender livros, aconselhar, falar de livros mesmo com quem nada sabe deles. Mais tarde haveria de ir para a Barata, de Campo de Ourique, fazer o mesmo até que se cumpriu o princípio do seu grande projecto: "Ser mãe de dois filhos antes dos 30." No início de 2005 nascia Alice. No Verão de 2006 haveria de nascer Pedro.
O projecto cumpriu-se. Além de lidar com as palavras dos outros, Margarida gostava agora de apostar nas dela. Até porque de tanto desgravar entrevistas foi aprendendo a técnica de as fazer. E gostava de tentar a reportagem. Escrever em casa, por agora, enquanto Pedro faz a sesta e Alice fica no infantário... Ah!, e se pudesse, fazia uma pós-graduação em Letras e um curso de espanhol, porque descobriu que gosta de traduzir, e...

Marco Afonso
Funcionário de uma casa de câmbios
650 euros
27 anos
Licenciatura em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE, terminada em 2006


O tempo está contado. Uma hora e 15 minutos de bocejo em que Marco funciona como um autómato. Gestos mecanizados que o levam de um barco a um autocarro e, finalmente, a um comboio. Começa no Barreiro, acaba no Cacém. Doze horas depois, regressa. O ciclo repete-se. Mais uma hora e 15 minutos de sonolência para um percurso inverso em que a música do leitor de MP3 sempre ajuda a matar o que resta de um dia que começou bem cedo, antes das sete da manhã.
Feitas as contas, são doze horas diárias de trabalho numa casa de câmbios - horário sem pausa -, a que há a somar mais duas horas e meia de transportes. Prosseguindo nas contas, 14 horas e meia resultam em 650 euros no fim do mês, mais prémio menos prémio, e descontados os impostos.
Pouco dinheiro? Demasiado tempo? Tudo depende das expectativas. As de Marco Afonso, 27 anos, eram maiores. Não tanto em relação ao salário, nem ao dispêndio de um tempo que dá para pouco mais do que cabecear junto às várias janelas que ligam um su-búrbio a outro e sem reter vistas da cidade. "Já tentei ler, mas não há concentração possível. O cansaço vence-me", desabafa. Sobram-lhe as folgas para fazer o que gosta. "Dois dias de trabalho dão direito a dois dias livres", diz, com o sorriso da "compensação possível" para quem queria era poder ter uma palavra a dizer em matéria de "programação cultural".
Licenciado em História Moderna e Contemporânea pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), Marco Afonso "queria mesmo era trabalhar numa autarquia", confessa, manuseando um cigarro que não acende, mas do qual não retira o olhar. É refúgio para uma frustração que o riso vai temperando. "Mandei uns 15 currículos para outras tantas autarquias e tive apenas duas respostas." Um, não obrigado, dito duas vezes. Pouco eco para quem esperava pelo menos a convocação para uma conversa. Não houve. E um amigo arranjou-lhe um emprego para ganhar algum dinheiro, poder sustentar-se. Até...
É que Marco Afonso teve 13 mensagens sem feedback e duas respostas negativas, mas isso não chega para o fazer desistir do que quer. "O meu sonho é trabalhar no departamento de cultura da Câmara Municipal do Barreiro". E o cigarro lá continua a mudar de uma mão para outra, sem que o sorriso se desfaça. "Acho que vou conseguir." Não sabe quando. Por enquanto trabalha dois dias sim, dois dias não a lidar com o dinheiro dos outros e a gerir o seu. Dos 650 euros que leva para casa, 220 vão para a prestação do carro, que optou por não levar para o trabalho. "Se fosse de carro gastava uns 120 euros em gasolina. Nos transportes gasto 50 euros, preço do L123". Depois há o resto. O tabaco, um ou outro CD, cinema, algumas saídas à noite. A casa e a alimentação ficam por conta dos pais, com quem vive, fora os dias em que fica com a namorada. No fim do mês sobra sempre qualquer coisa. Uns 80 euros e a certeza de "ter de" comprar uma casa sua... "Mais tarde", atira. Afinal, há colegas meus que conseguem..." É que a vida dá muitas voltas, tantas quantas o cigarro deu nas suas mãos.

Inês
Relações Públicas
560 euros
30 anos
Licenciatura em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social, terminada em 2001


Inês gosta do que faz. Mas Inês não diz o resto do nome. Chama-se Inês e trabalha com livros. Resumo biográfico para uma identidade inconformada. Inês gosta do que faz e vai sempre sublinhando esse gostar num discurso onde a mágoa fica por conta dos sacrifícios que tem de fazer só por fazer o que gosta. Lengalenga. É que as vezes a vida é uma lengalenga. E Inês olha a sua um pouco assim.
Não foi para trabalhar com livros que Inês, 30 anos, fez uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Não. Inês queria mesmo era ser jornalista e ainda andou pelos regionais. Aliás, só andou pelo regionais. Jornais regionais que pagavam mal e exigiam disponibilidade total. Sempre assim. "Ah, e invariavelmente pagavam mal." Impossível para quem tem aspirações a uma vida além de uma secretária e de um computador que lhe garantia ao fim dos mês 423 euros. Por isso Inês foi saltitando. Sempre na esperança de encontrar um sítio mais estável. "O que é isso?" Ela pergunta, mas ela nunca chegou a saber a resposta. Pelo menos no jornalismo. Por isso não hesitou em aceitar lugar numa editora quando essa oportunidade lhe surgiu.
Relações públicas, copy, assessora de imprensa... Os livros são o seu metier de segunda a sexta, das nove às cinco, com meia hora para almoço. Gosta. Diz mais uma vez. Nunca pensou gostar tanto, insiste. Mas não flecte. Não se curva ao facto de receber 560 euros que leva limpos de impostos. Não lhe chegam, por exemplo, para viver na casa que comprou, "sabe lá com que dificuldade! Que banco dá crédito a quem ganha o que eu ganho?" Conseguiu um apartamento de 85 mil euros, na Moita, que está a pagar a 46 anos, a meias com o namorado, e que lhe leva uma prestação mensal de 400 euros.
Uma casa muito longe de Cascais, onde sempre viveu e onde vive ainda durante a semana, em casa da avó, porque o que ganha não lhe daria para os transportes, nem para as contas que sustentam uma casa própria. Vai pagando a prestação e juntando o que sobra para ir comprando móveis para a casa da Moita onde por enquanto só passa os fins- -de-semana.
Inês tem 30 anos e gostaria de não ter de viver assim. Porque, afinal, trabalha no que gosta e gostaria de poder continuar a fazer o mesmo: Edição. Mesmo assim revolta-se. Contra um "sistema" que lhe fez acreditar no que veio a confirmar ser uma impossibilidade. "Quem tira uma licenciatura pensa que é garantia para qualquer coisa de bom. Era isso o que nos diziam os governantes, era isso que nos incutiam os nossos pais."
Inês, a Inês que trabalha com livros e gosta do que faz, só não gostou que lhe tivessem "mentido" um dia quando lhe fizeram crer que podia ser jornalista e viver bem disso. "Bem é com dignidade", define. Sem ter de contar todos os tostões nem poder pensar em fazer grandes projectos. Os normais na vida. Casar, ter filhos...
Inês, que trabalha com livros, sente-se enganada e faz-se ouvir nesse protesto. Apesar de ter descoberto que pode haver gosto em fazer outra coisa, acha que as habilitações que tem, o investimento que fez na sua formação, lhe dariam para ter a tal "dignidade". Não pensar duas vezes quando lhe apetece comprar uma revista, não poder passar um fim-de-semana fora... "A taxa de esforço é bastante grande. No fim do mês não sobra nada..."

Bruno Leonardo
Vendedor
675 euros
23 anos
Licenciatura em Sociologia pelo ISCTE e frequência de mestrado em Comunicação


"As minhas namoradas têm sorte. Às vezes escrevo-lhes poemas e elas ficam sempre um pouco espantadas." Bruno confessa a poesia como se de um segredo. Um dom, a palavra que lhe sai sempre fluida, sem gaguez ou hesitação, escrita ou falada. E não há poemas sobrepostos porque namoradas, só uma de cada vez. O riso é de puto, mas o discurso sai coeso.
Bruno queria escrever, fazer jornalismo, mas, acima de tudo "queria comunicar". Na televisão, de preferência. Nada de surpreendente na sua geração. Mais inusitada "é a cena da poesia". Inesperada, pelo menos, para quem a recebe, sem aviso, de um rapaz de 23 anos, roupa desportiva, olhar irrequieto, adrenalina de sobra para trabalhar, fazer um mestrado em Comunicação e praticar desporto diariamente e ainda sair quando dá, andar sempre a correr. "Se não for agora..."
Quando será que Bruno Leonardo conseguirá cumprir o seu sonho? "Ser jornalista desportivo." Não estabeleceu prazos. Encolhe os ombros, mexe nos dedos, que parecem poucos para acompanhar o ritmo com que vai desfiando vontades. É que pelo meio de um percurso tão curto - começou a trabalhar em Setembro - descobriu que pode fazer carreira numa empresa começando como vendedor e sem se sentir frustrado com isso. "Lá está...", diz. E é à facilidade de comunicação - "a tal" - a que se refere. É que um sonho pode levar a outro. Basta que a ambos se apliquem os argumentos que justificam a escolha de um modo de vida. E à comunicação junta-se aqui a vantagem de ser dono do seu próprio tempo, o que só depende da capacidade que tiver para gerir os clientes que encontrar.
Licenciado em Sociologia pelo ISCTE, Bruno está a frequentar um mestrado que o há-de preparar para trabalhar em comunicação. Espera. Aí entram "jornalismo, televisão, rádio, cultura tecnológica da informação". É também no ISTE. "Uma especialização depois de um curso de que não gostei." Assim. Confessado sem um único mas, porque o arrependimento também se finta e afinal sempre houve alguma coisa que se aproveitou ao longo de uma licenciatura que aconteceu não ser a que escolheu. "Não entrei por uma décima na Escola Superior de Comunicação Social." Precisava de 16,5. Teve 16,4. E o que se aproveitou então na Sociologia segundo a experiência de Bruno: os inquéritos. "Disso gostei." De resto, a matéria foi feita de "coisas que não têm muito a ver comigo. Demasiada teoria".
Agora a prática é a de vender material de escritório numa empresa onde pensa que tem meios para progredir. "Fazer carreira", como diz. Porque não? A pergunta é dele. A resposta também. "Tento não idealizar. Ser racional e se me der bem por aqui..." Faz uma pausa, mas não espera perguntas. Prossegue. "Tenho humildade para ver os mais velhos, aprender com eles, e a vantagem de ter mais habilitações. Afinal, sempre tenho uma licenciatura e isso pode ajudar na progressão."
Se financeiramente justificar, Bruno está disposto a sacrificar a escrita, o "trabalho com as palavras para o qual até dizem que tenho jeito" pela carreira comercial. Ganha à comissão. Tira uns 675 euros e pode juntar a isso uns prémios. No mês passado foram mais 300 euros e vai dando para as despesas fixas. Pagar o portátil, o carro, o seguro e as mensalidades do mestrado, que deve andar pelos 2500 euros na totalidade. Como vive com os pais, ainda lhe dá para ir ao cinema, sair à noite e ficar com uns 250 euros de reserva."

Artigo de Isabel Lucas in DNOnline (18/02/2007)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

A Noitada - Episódio 3


Molhada. À porta uma confusão sem nome.
Acotovelavam-se ali para cima de cinquenta pessoas, todas em bicos de pés, tentando chamar a atenção dos funcionários encarregues da selecção. Os dois porteiros, de smoking a pedir reforma, olhavam para os potenciais clientes como se estivessem a escolher gado para o matadouro. Alguns "clientes habituais" abriam caminho por entre a populaça, penetrando sem mais esforço que uns apertos de mão aos gatos-pingados. Os Escolhidos podiam vir em grupos só de gajos, podiam até ter mau aspecto; o facto é que lá iam entrando.

Népia! Esta foi a única resposta que o Fonseca obteve quando chegou à fala com um dos porteiros. Pelo que ouviam, estava gente ali que já esperara mais de uma hora. O Luís mantinha-se elegantemente à margem daquele preocesso aviltante. Nem que aquilo estivesse pejado de boazonas; o orgulho de um homem não tem preço. Implorar, nunca!

Ó que saudades...dos dias da Expo 98. Quando a malta saía dos empregos para ir beber uns copos e acabava a noite naquele bar dançante. Como levavam sempre as porcas das secretárias e telefonistas, a entrada nunca era complicada.

Pulos. Lá dentro, no andar de cima, a cena do costume. Tudo aos pulos em cima das mesas. O Luís fechou os olhos e viu centenas de coxas jovens, cobertas por meias de rede e suor. Outras imaginava-as de calças brancas justas com a marquinha da cueca fio dental perceptível pela tranparência do tecido. Imaginou-se a passear entre as mesas, com o nariz a centímetros daquele frenesim de hormonas descontroladas.
Hum...talvez até nem fosse assim tão mau implorar!

Quéfrô? Com o sorriso mais alarve deste mundo, o vendedor enfiara-lhe um molho de rosas em cima das narinas. Mas de onde saíam aqueles gajos todos? Deviam andar em Lisboa mais vendedores de rosas que polícias!

Revolta. Vinte e cinco euros de consumo mínimo. Como ninguém tinha tanto dinheiro na carteira, a escolha foi fácil. Melhor seria partirem em busca de um estabelecimento onde apreciassem gente com estilo. E, se calhar, muitas daquelas pernas tinham varizes, consolou-se em silêncio o Luís. O Fonseca, do fundo do seu desespero, ainda arranjou energias para lançar uma praga aos porteiros: "Tomara que pulem tanto que essa porra vos caia toda em cima!"

Episódio 4 (e último) - Na próxima quarta-feira.
A adivinha desta semana é bastante fácil. Em que bar lisboeta decorre este episódio? Devo adiantar que fez furor de 1998 a 2001, mas entrentanto fechou as suas portas...

sábado, 17 de fevereiro de 2007

È Carnaval!!!


E ninguém levará a mal! Vou ali brincar um pouco mas volto já...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

O estranho mundo de David Lynch

Hoje, gostaria de prestar uma homenagem ao meu cineasta preferido - David Lynch. Este longo texto fez parte da introdução de um projecto de mestrado, apresentado por mim em 2005, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte que tinha a obra de Lynch como objecto de estudo. Espero que todos aqueles que desconhecem a sua obra, busquem ver algum destes filmes porque estamos perante o cinema na sua essência mais pura.

Imaginem a seguinte visão. Um lindo céu azul, uma bela cerca branca e um agradável jardim com rosas vermelhas. É manhã numa pacífica cidade americana do Mid-West. As pessoas são gentis e cumprimentam-nos com sorrisos no rosto. Um homem rega o seu jardim na companhia do seu cãozinho. Tudo está perfeito no mundo. O homem contorce-se de dor e cai ao chão agonizando. O seu imprestável cachorrinho limita-se apenas a latir. Enquanto ele sofre, é possível observar de perto a relva do jardim. Escondida dentro dela, um grupo de insectos nojentos rasteja na escuridão em alguma actividade incompreensível e desagradável. Bem vindo ao mundo de David Lynch.

Esta é a cena de abertura de um de seus filmes mais conhecidos, o clássico Veludo Azul (1986). Possivelmente o melhor ponto de partida para entrar em contacto com a filmografia do cineasta, pois estão presentes todas as suas características mais marcantes.

O realizador pode ser comparado a outros grandes cineasta contemporâneos, como Tim Burton, também um criador de mundos, Brian DePalma e Lars Von Trier, que de maneira semelhante trabalham com os limites do cinema e as sensações que ele provoca.

Um típico jovem americano, Jeffrey (Kyle MacLachlan), da pequena cidade de Lumberton, faz uma surpreendente descoberta, uma orelha humana amputada. Ao tentar descobrir o "dono" da orelha, percebe que o seu mundo é maior e mais assustador do que pensava. Lumberton tem dois lados, sua aparente tranqüilidade e sua sombra assustadora. Tudo lembra um filme de atmosfera noir, com sua femme fatale Dorothy (Isabella Rossellini), a jovem inocente Sandy (Laura Dern) e o memorável vilão Frank Booth (Dennis Hopper).

Em princípio, estamos diante de outro representante do género policial, mas as aparências enganam. Com absoluto controle sobre imagens e sons, Lynch desfaz a ilusão de realidade. É impossível ter certeza da época em que se passa a trama, cenas de horror e violência contrastam com a beleza do lugar, criminosos cantam In Dreams enquanto torturam suas vítimas e mortos recusam-se a cair no chão, permanecendo em pé. Veludo Azul lembra um sonho, alternando momentos terríveis e belos.

Com as frequentes referências a sonhos e a própria atmosfera onírica de seus filmes, é difícil não pensar em Lynch como um surrealista. Seus filmes não são repletos de metáforas indecifráveis, como os seus detratores costumam afirmar. Não há metáforas, só cinema. Sensações quase abstractas e não compreendidas pelo espectador, mas sentidas pelo subconsciente. Aceitar o seu cinema envolve não o uso da razão, mas o da intuição.

O surrealismo possui características em comum, como a ruptura dos padrões tradicionais de espaço e tempo, ênfase em deformações físicas e mutilações, clima de mistério e humor negro satirizando instituições respeitáveis da sociedade como o Estado e a Família. Lumberton é a perfeita utopia americana, um lugar onde todos são felizes e conformados com suas vidas. Mas a cortina de felicidade é rasgada, revelando um mundo de drogas, violência e perversão.

Ao final, Jeffrey resolve o mistério e derrota a ameaça de Frank Booth e seus comparsas. No entanto, o pássaro que surge para anunciar o triunfo da bondade é falso, mecânico. Não se ignora o horror, após presenciá-lo. Jeffrey e seus amigos preservam a inocência, o espectador jamais. É uma crítica subtil ao final feliz fácil de Hollywood, talvez a instituição respeitável mais atacada por Lynch.

Para atingir este estágio de perfeição estética e artística, o realizador teve um começo de carreira interessante. Inicialmente um estudante de pintura, logo passou a interessar-se pela possibilidade de criar imagens em movimento. Nascia um cineasta. Sua primeira longa-metragem, Eraserhead (1977) é famoso por suas imagens incomuns e pelo clima grotesco. O sucesso no circuito cult bastou para dirigir o Homem-Elefante (1980) e a polémica adaptação de Dune (1984).

O primeiro filme narra a vida de John Merrick (John Hurt), deformado ao ponto de ter ganho o apelido de Homem-Elefante. Aberração de circo em 1884, Merrick é descoberto por um médico inglês e apresentado ao resto do mundo. Sua transição do mundo do circo para o lado respeitável da sociedade será traumático.

Além de excelentes actuações, também conta com uma fotografia em P&B fantástica, de inspiração expressionista, o que demonstra as influências do expressionismo no cinema de Lynch, influência que também pode ser vista noutros filmes, comprovando o misto de referências e influências do realizador.

O expressionismo seria a busca pelo lado escuro da alma humana, um retrato deformado de sensações como angústia e melancolia, com a intenção de mostrar que nem tudo no mundo é belo. Veludo Azul expressa o dilema entre o desejo por uma vida tranqüila e as nossas necessidades mais inconfessáveis. Esse dilema pode ser visto em practicamente todos os filmes do autor.

David Lynch também não segue as regras de caracterização típicas de outros filmes. Inicialmente, suas personagens são propositadamente superficiais, caricatos até. Por exemplo, Jeffrey é um rapaz americano comum e bem intencionado. Nada mais é dito sobre ele, seu passado, suas relações com a família, etc.

Esse "método" de caracterização além de auxiliar na aura de mistério (comum ao surrealismo e ao expressionismo), aumenta o impacto quando os personagens trocam de identidade. Situação surreal freqüente no cinema de Lynch, pois levanta questões sobre identidade, tempo e espaço. Exemplificando, essa metamorfose ocorre explicitamente em Estrada Perdida e Mulholland Drive e de maneira apenas sugerida em Veludo Azul. Na cama com Dorothy, o bom rapaz Jeffrey mostra o quão "bom menino" realmente é.

Coração Selvagem (1990), aprofundou seu estilo marcante. É um road-movie sobre o casal Sailor (Nicolas Cage) e Lula (Laura Dern), cujo amor é proibido pela família dela. Ambos partem pela estrada, mas com assassinos no encalço. Além de sua atmosfera absurda, também é lembrado por sua extrema violência (algumas cenas são revoltantes) e pelo humor cínico. Coração Selvagem antecede em muitos anos Assassinos Natos, Tarantino e toda uma série de filmes violentos-e-engraçadinhos que surgiram nos anos 90.

Também é uma sátira as aventuras e clichés típicos de Hollywood. Não importa as ameaças, o casal está destinado a vencer seus inimigos e consumar seu amor. Bem adequado ao senso de humor do filme, poucas vezes um Deux Ex Machina foi tão artificial e levou a um final feliz ridículo, de tão exagerado.

Em seguida, Lynch movimentou-se numa direção inesperada, ao criar a série de televisão Twin Peaks, cujo mistério sobre a morte de Laura Palmer intrigou espectadores tanto quanto os seus excêntricos personagens. No entanto, problemas nos bastidores para manter o controlo sobre a série geraram o seu pior filme, Os Últimos Dias de Laura Palmer, um filme arrastado, confuso e despropositado,onde Lynch não parecia saber muito bem o que estava a fazer.

Mas a obra-prima de Lynch talvez seja mesmo Estrada Perdida (1997), um dos grandes filmes dos anos 90. Fred (Bill Pulman) e Renee (Patricia Arquette) são um casal com problemas de relacionamento e assustados com a entrega em casa de perturbadoras cassetes de vídeo. Uma noite Renee é morta e Fred preso, considerado culpado pela sua morte.

No entanto, esta breve sinopse não explica realmente o filme, cujo desenvolvimento da trama, que envolve troca de identidades e rupturas no espaço e no tempo, complica-se e surpreende a todo instante. Ignora intencionalmente qualquer lógica racional na sequência dos eventos, subvertendo a noção de como deve ser um filme "normal". Poucas vezes no cinema uma frase simples e objectiva como "Dick Laurent está morto" foi tão repleta de mistério.

A Estrada Perdida é um longo e sombrio pesadelo, cuja estrutura do guião lembra o anel de moëbius, aquele que aparenta ter dois lados como qualquer outro anel, mas tem apenas um, num ciclo infinito. Também é uma homenagem ao noir no cinema, cujos elementos comuns, como tramas complexas e mulheres fatais são exacerbadas ao limite aqui. Fred tenta escapar da sua culpa, qualquer que seja ela, e reencontrar seu amor perdido por Renee. Mas "Você jamais me terá", ela afirma na conclusão.

Uma História Simples, inverte todas as expectativas. Inspirado numa história verídica, Alvin Straight (Richard Farnsworth), de 73 anos de idade, decide viajar para reencontrar o seu irmão doente, utilizando um pequeno tractor, já que não pode conduzir um carro.

Uma História Simples (1999) é terno e emocionante, um belo sonho, repleto de belas imagens e a música de Angelo Badalamenti, colaborador frequente do realizador. Não há perversão por trás das aparências, como em Veludo Azul. Também há espaço para um mundo de bondade e uma bela visão da relação de amor existente entre irmãos.

Recentemente em 2001, Mulholland Drive recebeu muita atenção. É um mistério de inspiração noir, onde Betty (Naomi Watts) recém chegada a Hollywood com o sonho de ser actriz, busca ajudar a amnésica Rita (Laura Harring) a encontrar o seu passado, enquanto ocorre uma misteriosa conspiração nos bastidores da terra do cinema.

Combinando a beleza intensa de História Simples com um enredo menos complexo do que em Estrada Perdida, mas ainda confundindo o espectador e lançando dúvidas sobre a trama, com trocas de identidades e situações inesperadas. Além de questionar a importância da memória e da identidade, o cineasta também critica a maneira como Hollywood conduz os seus negócios e a pretensão do grande cinema comercial americano em simular a realidade.

É inesquecível o momento em que Betty e Rita estão no misterioso Clube do Silêncio. Um mestre de cerimónias anuncia no palco que "Não há música! Está tudo gravado! É tudo uma ilusão!". Apesar do aviso, impossível não se surpreender e se emocionar com a performance dos músicos e de uma cantora, cujo número é interrompido diversas vezes, mas a música continua.

Difícil traduzir a sensação que dá ver essa seqüência. Aberta a qualquer interpretação, uma leitura possível é compreende-la como a representação metalingüística do próprio estilo cinematográfico de David Lynch. É a ilusão que se cria e se destrói diversas vezes. Sabemos ser apenas uma miragem, mas somos seduzidos mesmo assim. Nos mundos que Lynch constrói e desconstrói, certezas são dúvidas, ilusões são reais e anarquia é regra. Mas quem tem certeza do que é real ou não?

Lynch nos lembra constantemente que tudo é possível no cinema e desta maneira busca libertar o olho domesticado do espectador, como Buñuel mostrava o órgão ocular sendo cortado no surrealista Um Cão Andaluz.

Sua filmografia causa o mesmo espanto e perplexidade que escritores tão distintos entre si, mas igualmente notórios como James Joyce, William Burroughs, Kafka e Lewis Carroll. Diante de seus filmes, somos como Alice entrando na toca do Coelho e admirando o Gato com sorriso e o sorriso sem Gato. Cineasta das sensações, autor de imagens e sons inesquecíveis, David Lynch é o nosso motorista numa estrada perdida.
Como ilustração do post, deixo-vos uma cena sublime de Estrada Perdida, o meu filme favorito da sua extensa obra.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Pénis Atómico em São Tomé

O mítico Pau de Cabinda e o moderno Viagra não impressionam muito os clientes do bar Café e Companhia. Aqui o rei dos cocktails chama-se “Pilolo Atómico.”

Na costa de São Tomé existe um bar e uma bebida que o torna um lugar incontornável para quem quer conhecer o verdadeiro calor africano. De aspecto pouco convidativo, o “Pilolo Atómico” é apenas um líquido castanho numa garrafa transparente. Apesar desta aparente humildade etílica, o “Pilolo” – que quer dizer pénis –, esconde toda uma pujança, que segundo Maria João Pombo, a dona do bar, já é falado pelo Presidente Fradique de Menezes.
Maria João também não esconde os segredos desta bebida. “É feita de uma mistura de um brandy local com cascas de árvores”, aproveitando para realçar o sabor amargo da mesma. “Nós também o saboreamos com coisas como canela porque é muito amargo”, confessa, acrescentando: “Aqui, em São Tomé, dizem que é afrodisíaco”.

Maria João está na ilha africana há cinco anos e começou a servir esta bebida há um e meio, depois de descobrir tratar-se da invenção erótica local. Após alguns melhoramentos, a bebida ganhou finalmente forma, e claro, conteúdo. “Eu sabia que as pessoas aqui comiam cascas de plantas e engoliam-nas com o que chamavam de ´bebida quente´”, estava prestes a nascer um novo néctar. “Decidi então combinar os ingredientes e colocá-los numa garrafa". O resto é história São-Tomense.
Antes de Maria misturar tudo e dar-lhe o nome de “pilolo”, já a bebida era consumida, embora para outros fins, para além do lúdico. As pessoas comiam as cascas de árvores para curar dores no estômago e hérnias, ou ainda para terem forças para caminhar quilómetros sem comer ou beber mais nada.

A dona do bar que baptizou a bebida por sugestão de alguns amigos, confessa que não sabia exactamente o que significava a palavra “pilolo”. Foi quando decidiu registar o nome que descobriu o seu significado fálico. “Depois da bebida ter começado a tornar-se popular, decidi registar o nome e o produto mas não deixaram. Foi então que descobri que ‘pilolo’ significava pénis".Como em tudo na vida, existem sempre os detratores e o caso do “pilolo” não foge à regra. Os mais críticos teimam em apontar que a popularidade do cocktail se deve unicamente ao seu nome polémico.
Os bebedores mais assíduos defendem a “menina dos seus olhos” e refutam todos os ataques ao seu néctar predilecto. “Quando bebo apenas um copo de ‘pilolo’, eu sinto-me forte durante 12 horas. Acredite, realmente funciona", diz o cliente Miguel. Mas não se pense que o “Pilolo Atómico” é bebida exclusiva do sexo masculino, as mulheres também não desdenham os seus efeitos afrodisíacos. “É fantástico, muito melhor do que a pílula azul”, diz Alexia, uma fã da bebida, numa referência ao “Viagra.”
Ainda há outros clientes que defendem o “primeiro estranha-se, depois entranha-se”, acreditando que o sabor poderá ser melhor apreciado com o tempo pois “tem um gosto sujo”, afirma Bibi.
Num continente onde a sida reclama largos milhões de infectados, esta bebida poderia ser o gatilho que levaria a mais algumas tragédias humanas, mas até aí Maria João esteve na vanguarda. Por cada “pénis” ou “pilolo” engolido, o bar oferece um preservativo. Para que nem todas as histórias se tornem uma estatística.
Artigo de Pedro Chaveca in Expresso África (26/01/2007)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

A Noitada - Episódio 2



Futebol. Depois de uma humilhante sessão de graxa aos porteiros, tinham entrado todos. Só que arranjar mesa era mentira. O ecrã gigante passava o jogo da selecção contra os eslovenos em diferido. Que cena tão deprimente.
A gerência devia estar a meter-se com o jogador que se sentara a poucos metros do ecrã. Apesar da triste figura que fizera no jogo, o tipo ousava parecer feliz. A mulher dele, com ar de sopeira a precisar de dieta, agarrava-se ao craque como um dobermann a guardar o osso predilecto.

Gajas? Tanto trabalho para se descartarem das mulheres e não havia ali nada para ninguém. As poucas gajas à vista já tinham dono. Ou então circulavam pelo bar como supermodelos em pleno desfile, ignorando ostensivamente os meros mortais desprovidos de Porsches. Se não fosse pela intrometida da mulher do Reis, mais valia terem ido directamente para as boites da Av. Duque de Loulé, já que o Ferreira tinha bons conhecimentos por lá.

Homossexuais. Por todo o lado. Camisinhas de alças, penteados modernaços e músculos à mostra. A galarem-se uns aos outros, todos derretidos. Que grande porcaria!

Inveja. Junto ao bar, estava aquele fulano da novela da TVI, fardado com uma roupa paramilitar e óculos de sol. E agarrado a um "avião" de metro e oitenta, com as mamas cheias de vontade de fugirem do cai-cai. Mas como é que um gajo com tal pinta de servente das obras saca uma grossa daquelas? Só porque fazia as donas de casa suspirarem com os seus bíceps, exibidos em pleno horário nobre? Não há mesmo justiça neste mundo.

Jarretas. Como se não bastasse a concorrccia desleal das vedetas de TV, ainda tinham de aparecer os velhotes com dinheiro, acompanhados de criaturas de sonho com idade para serem netas deles. Como aquele ex-ministro com penteado de roto...

Karaoke! Tinha começado um concurso. A desafinação metia medo: três meninas com pinta de empregadas da Zara trucidavam uma canção do Prince. Só faltava mesmo o Lemos, com a mania que era fadista. Quando este fez menção de se dirigir ao palco, o Luís, antecipando a vergonha, fugiu para o bar.

Latim. Gasto para nada. O Luís, encostado ao balcão com o seu melhor estilo, estivera meia hora a meter conversa com uma ruiva de piercing roxo no umbigo. Quando a senhora se dignou a responder-lhe, falou em romeno, ainda por cima com ar de quem o estava a mandar à merda. Era hora de mudar de poiso.

Um brinde, a quem adivinhar em que bar lisboeta este episódio de desenrola...
Os que perderam o primeiro episódio, podem sempre colocar a leitura em dia, indo até ao final desta página.

Episódio 3 - Na próxima quarta-feira.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Beleza a quanto obrigas

Pode parecer contraditório, mas a mulher brasileira é a que mais faz cirurgia plástica no mundo. O motivo é tão intrigante quanto: a mulher brasileira, considerada aos quatro cantos do planeta como bela, não se acha bonita. Ou seja, a sua auto-estima está baixa. Estes dados foram levantados numa pesquisa encomendada pela Unilever que entrevistou 3,2 milhões de mulheres, entre 18 e 64 anos, em dez países, como Estados Unidos, Japão, Canadá Itália, Brasil entre outros.

A insatisfação com o próprio corpo é o que mais faz com que as brasileiras recorram aos procedimentos estéticos. Segundo o médico gaúcho Carlos Eduardo Garcez, especializado em medicina estética, 70% dos pacientes que o procuram em sua clínica são mulheres. Dessas, a grande maioria quer melhorar o peso e a forma do seu corpo por insatisfação. No ranking, o Brasil só perde para o Japão em quantidade de mulheres desgostosas com sua própria estética corporal. Conforme o estudo, este número chega a 37%, sendo que apenas 1% das brasileiras se descreve como sendo bonita. Outra informação reveladora é que nenhuma das entrevistadas se considera atraente, e mais da metade delas (54%) ou pensa em fazer ou já fez algum procedimento estético.

Os dados da pesquisa mostram que a auto-estima da brasileira é a grande causa da procura pelas correções no corpo e cirurgias plásticas. Para Garcez, o atendimento em uma clínica estética deve começar pela abordagem psicológica do paciente em entrevistas e conversas antes do procedimento em si. "Hoje, não há mais como negar a necessidade da interação entre o corpo e a mente para se buscar a verdadeira beleza, pois esta é sinônimo de saúde, prazer e qualidade de vida", salienta Garcez. Embora mudar a estética seja válido como motivador de uma auto-valorização, o médico diz que esse diálogo prévio com o paciente o prepara para que ele não mistifique o procedimento estético como a solução para a sua felicidade.

Em outra pesquisa, esta encomendada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), descobriu-se que, em 2004, foram realizadas 621 mil cirurgias plásticas no país. Além de o Brasil ter alguns dos melhores profissionais da área - como o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, uma referência mundial neste campo - colabora para este número o fato de o brasileiro possuir um culto ao corpo muito grande. Este ano, devem ser realizadas 800 mil cirurgias deste tipo no Brasil, conforme a SBCP.
Fonte: Site belezainteligente.com.br

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Rio, destino gay


O Rio de Janeiro consolida-se como um dos destinos turísticos mais procurados por gays e lésbicas de todo o mundo. Réveillon e Carnaval na cidade entram no calendário GLS internacional. Mas o que atrai este público ao Rio? Os mesmos encantos que seduzem qualquer mortal, independentemente da opção sexual: natureza e gente bonita. Ao contrário de muitas cidades europeias, e mesmo São Paulo. No Rio as pessoas misturam-se mais e existem inúmeras opções de lazer fora dos habituais ghettos.
Este é um nicho de mercado cada vez mais cobiçado pelos mais diversos sectores económicos e abaixo menciono alguns dados interessantes sobre o perfil do turista gay na cidade carioca.

Sexo: 75% são homens; 25% mulheres
Idade: A maior parte (39%) tem de 27 a 35 anos. 35% têm de 18 a 26; 19% de 36 a 47 anos; e 7% já passaram dos 47.
Grau de Instrução: Mais de metade, 55% possuem formação superior. 35% concluíram o ensino secundário e apenas 10% têm somente o ensino obrigatório.
Nacionalidades: 32% são norte-americanos; 20% alemães; 15% ingleses; 12% italianos; 9% argentinos; 6% espanhóis, 4% portugueses e 2% suecos.
Gastos médios por dia: 30% deixam nos cofres cariocas entre US$160 e US$200, mais que o dobro dos turistas heterossexuais. 35% gastam entre US$60 e US$100; 19% entre US$110 e US$ 150; e 16% mais de US$200.
Retorno: Apenas 3% não pretendem regressar ao Rio de Janeiro.
Fonte: Tribuna do Norte

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Erzsébet Báthory - A Condessa Sanguinária


Esta é a história de uma Condessa que se banhava no sangue de jovens moças. Uma história verdadeira, ainda inédita no nosso país. Os documentos que a provam foram muito difíceis de obter, pois tudo aconteceu há mais de trezentos anos numa Hungria em estado ainda primitivo. Nos tempos actuais não é possível ver o retrato, escurecido pela passagem dos séculos, que eterrnizou o olhar severo da bela Erzsébet Báthory. O castelo de Csejthe está em ruínas desde há duzentos anos, lá no alto dos esporões espetados dos Pequenos Cárpatos, perto da Eslováquia. Quanto a vampiros e fantasmas, esses nunca deixaram de habitá-lo, bem como certo pote de barro, a um canto numa das caves, usado para verter o sangue sobre os ombros da Condessa.
O fantasma do Monstro de Csejthe, a Condessa Sanguinária, uiva ainda lancinantemente durante a noite nessas salas cujas janelas e portas foram muradas e assim ficaram para todo o sempre.

Erzsébet Báthory - A Condessa Sanguinária - Valentine Penrose; Assírio e Alvim

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Sonho de consumo



Apesar da elevada qualidade dos seus produtos, tenho de admitir que nunca simpatizei muito com a Mercedes-Benz, associando-a sempre com um certo novo-riquismo reprovável. No entanto, sempre fui apaixonado pela classe G da marca que muitos desconhecem que ainda faz parte do seu catálogo de vendas. Um autêntico aristocrata rural que não se aburguesou com o passar dos anos. Possuidor de uma estética de jipe clássico, com as suas linhas rectas, apresenta um interior requintado e motores para todos os gostos. O único senão, será mesmo o seu preço - a partir de 74500 euros!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Porno íntimo


Quem sonha participar de um filme pornográfico com a sua própria companheira, namorada, noiva ou esposa não precisa adaptar um cenário, improvisar a realização e lamentar o resultado amador. A Live Acts Video, na cidade de Los Angeles (8955,Beverly Hills),aluga diferentes tipos de cenários, todos muito bem elaborados para a sua performance como astro porno.
É possível escolher entre um estábulo, um consultório médico, uma sala de tortura medieval, uma sala de aula ou um luxuoso quarto palaciano, e se a câmera vai ser fixa e privativa ou operada por uma terceira pessoa.
Aliás, três (fora um cameraman) é o número máximo de participantes permitidos na área de filmagem.
No final, podem levar a fita (ou DVD)original, em versão única, íntima e reveladora, só do casal para assistirem quantas vezes quiserem.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Blogsérie - A Noitada - Episódio 1


Sempre possuí uma enorme paixão pela escrita. Desta feita, escrevi uma pequena história de quatro episódios que vou tentar desenvolver durante as próximas semanas. Uma história simples, que narra as peripécias de um grupo de amigos que se reúne para o que seria uma noite em grande estilo. O cenário é Lisboa, a linguagem é a que normalmente utilizamos no quotidiano e muitas destas situações já aconteceram com muitos de nós. Espero que sirva para esboçar alguns sorrisos...

Ai que se faz tarde. Já ia para as onze e nem sinal dos outros marmanjos. O Luís defendia com uma galhardia possível a mesa que reservara "para umas oito pessoas". Os candidatos a comensais miravam-no com um olhar entre o irritado e o invejoso. A fila já era mais que muita. Mas onde se teriam metido? Bem sacava do seu telemóvel topo-de-gama para os tentar contactar; nada. Era sempre a mesma merda: combinar coisas com aqueles gajos só com uma hora de desconto...

Bivalves? Por fim, lá chega a malta quase toda. O Reis tinha trazido a mulher, que vinha de trombas, para variar. Mas não lhe tinham dito mais de trinta vezes que era uma noite só para homens? O Fonseca, por exemplo, não dava abébias: "Ouve lá; eu também me alapo a ti quando vais à cabeleireira? Não me atrofies, que preciso do meu espaço!" E a coisa pegava.
O clássico primeiro momento de atrito: pedir a comida.
Havia sempre um esperto que exorbitava. Àquele preço, quem se lembraria de pedir amêijoas? Só mesmo o Ferreira, com mania de se armar em saliente. E como a conta era a dividir por todos, ninguém quis ficar atrás. Assim cobriram a mesa de gordurosas bandejas "à Bulhão Pato".

Conversa. Enquanto os bifes não chegavam, as loiras iam marchando. As cervejas,claro. Ao fim da segunda rodada de canecas, já todos falavam aos berros. As últimas contratações do Sporting. O julgamento do tipo do Benfica. A subida de divisão do Real Sport Clube. O costume. De gajas não se podia falar, que a mulher do Reis era uma chiba de primeira.

Dar ao dente. Ponto assente: os bifes da Portugália já não são como dantes. O Luís não se lembrava dos magníficos dias "em que a carne era mesmo do lombo e o molho levava mesmo natas". Aqueles bifes cada vez mais lhe sabiam a esferovite mal temperada.

E agora? O segundo ponto clássico de atrito. Onde ir a seguir? O Lemos era da opinião que "as Docas é que estão a dar". O Ferreira dizia-se amigo do porteiro da Kapital e garantia lá infiltrar a malta toda. A mulher do Reis, chunga como sempre, queria ir para umas tascas no Bairro Alto.
Claro está que vieram para a rua ainda sem a menor noção de destino provável. Anunciava-se mais uma noite inesquecível.

Episódio 2 - Próxima quarta-feira.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Portugal x Brasil

Hoje, estão reunidos os ingredientes necessários para uma excelente partida de futebol em Londres. De um lado teremos a nossa selecção nacional, que pretende fazer jus ao seu actual prestígio internacional reforçado pela boa campanha no Mundial 2006, mas que aqui e ali, ainda revela algumas insuficiências, sobretudo ao nível do ataque. No lado oposto, teremos a selecção canarinha que vem para este jogo ainda atormentada pelos fantasmas do passado recente, mas com um treinador novo e competente, àvido de mostrar serviço e algumas caras novas no plantel. Ainda retenho na memória, o excelente jogo disputado há uns anos atrás, pelas duas equipas no Estádio de Alvalade. Que o espectáculo se repita, que vença o melhor, mas que esse melhor seja PORTUGAL! As hostes brasileiras que me desculpem qualquer coisinha...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Já cheira...

A Carnaval!!! Por aqui, costuma-se dizer que o Brasil só começa a funcionar em pleno após a Quarta-Feira de Cinzas...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Ronda Nocturna - Music Club











Sexta-feira é dia de Music! Na minha opinião, esta é melhor discoteca de Natal alternando a música ao vivo com sets dos melhores DJ´s do país. Uma das casas nocturnas mais bem frequentadas da cidade. São raros os turistas que passam por lá, sendo a escolha número um dos filhos da elite local. Para dançar até de manhã...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

O mistério da Miss Brasil


"FLORIANÓPOLIS - A ex-miss Brasil Taíza Thomsen, que está desaparecida há cinco meses, deve estar em Londres. O titular da Polícia Federal em Joinville, delegado Marcos David Salem, informou nesta quarta-feira, 31, que há provas de que ela embarcou dia 14 de abril de 2006, pelo vôo 246 da British Airways, partindo de São Paulo.

Salem disse ainda que está centrando as investigações na capital britânica, onde Taíza teria sido vista pela última vez. Na tentativa de descobrir o paradeiro da ex-Miss, os policiais brasileiros contam com a colaboração da Polícia de Londres.

Ao contrário das expectativas da cidade de Joinville, Taíza ainda não foi encontrada. Se não existem provas de que ela esteja viva, também não existe nada que leve a supor o contrário. "Estamos trabalhando no sentido de encontrá-la, e todas as possibilidades estão sendo investigadas", afirma chefe da investigação.

Demonstrando cautela em relação a especulações ou informações não confirmadas, o delegado Salem diz que neste momento está procurando determinar as circunstâncias em que se deu o embarque de Taíza para Londres, se ela viajou sozinha ou não, com que tipo de visto ela entrou no país estrangeiro e como foi paga a passagem.

Segundo ele, não existe nos autos do processo nenhuma informação sobre eventuais motivos para o desaparecimento, "nem seria papel da Polícia Federal deter-se sobre detalhes da vida pessoal dos cidadãos. Por enquanto, há um desaparecimento e indicações de que a pessoa desaparecida estaria em Londres. É isso que estamos investigando".

O temor da família é de que Taíza esteja sendo mantida presa, embora não se imagine quem a estaria impedindo de fazer contato. Em depoimento ontem, a mãe reafirmou a certeza de que a filha já teria dado notícias se pudesse se comunicar."

in Estado de S.Paulo (31/01/2007)

Este é um mistério, que tem intrigado a opinião pública brasileira nestes últimos dias, originando uma séries de especulações. Uma excelente matéria para um romance policial...

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Um é pouco...


O homem que tem apenas um orgasmo por noite é o pesadelo das mulheres francesas.

67% - Consideram que apenas um orgasmo do parceiro é suficiente.

48% - Vivem com parceiros que nunca dão mais de uma a cada noite.

Bravos rapazes lusitanos, uni-vos! Está na hora de marcar uma excursão "de caridade" por terras gaulesas.

O jipe que veio do frio



O Lada Niva ,foi o veículo todo-o-terreno utilizado durante anos pelo Exército Soviético. Uns anos após o colapso comunista, foi convertido à vida civil e exportado para a Europa Ocidental. No entanto, o seu aspecto espartano e a sua robustez fora de estrada mantiveram-se inalteráveis. Em Portugal, o modelo nunca obteve sucesso nas vendas, foi retirado do mercado em 2001 e será difícil encontrar algum a circular nas nossas estradas.
Este automóvel russo, também foi comercializado no Brasil, embora também já seja uma raridade por aqui. Contudo, eu até gostaria de adquirir um Lada Niva para restaurar cuidadosamente a meu gosto. Afinal de contas, trata-se de uma relíquia motorizada dos tempos da Guerra Fria. Tenho de admitir que tenho um gosto bem pouco convencional para carros!

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Luís da Câmara Cascudo - 1898/1986


Memorial de Câmara Cascudo na Cidade Alta - Natal/RN

Escritor e folclorista, nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 1898 e faleceu na mesma cidade, em 1986. É um dos mais importantes pesquisadores das raízes étnicas do Brasil.
Aos seis anos já sabia ler. Estudou Latim durante três anos com o mestre João Tibúrcio. Em 1922, aprendeu a ler inglês, para acompanhar os viajantes por África e Ásia. É dele a tradução comentada do livro Travels in Brazil, de Henry Koster, viajante inglês, obra das mais valiosas para o conhecimento e interpretação do Brasil, no início do século XIX.

Entrou para a Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador, mas foi abrigado a abandonar o curso por causa de dificuldades financeiras.
Em 1928, formou-se pela Faculdade de Direito do Recife, concluindo também no mesmo ano, o curso de Etnografia, na Faculdade de Filosofia, do Rio Grande do Norte.
Publicou seu primeiro livro aos vinte e três anos de idade, Alma Patrícia (1921), um estudo crítico e biobibliográfico de 18 escritores e poetas norte-rio-grandenses ou radicados no Estado.

Foi professor de Direito Internacional Público, na Faculdade de Direito do Recife e de Etnologia Geral, na Faculdade de Filosofia, em Natal.
Escreveu sobre os mais variados assuntos. Sua especialização foi na etnografia e no folclore, mas sua predileção era pelas áreas de história, geografia e biografia, especialmente do Rio Grande do Norte.
Foi considerado o Papa do folclore brasileiro. Publicou, entre outros, as seguintes obras:

Alma patrícia (1921); Joio: página de literatura e crítica (1924); Conde D´Eu (1933); Vaqueiros e cantadores: folclore poético do sertão de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará (1939); Antologia do folclore brasileiro (1943); Geografia dos mitos brasileiros (1947); Os holandeses no Rio Grande do Norte (1949); Meleágro: depoimento e pesquisa sobre a magia branca no Brasil (1951); Dicionário do folclore brasileiro (1954); História do Rio Grande do Norte (1955); Geografia do Brasil holandês (1956); Jangadas: uma pesquisa etnográfica (1957); Rede de dormir (1959); A cozinha africana no Brasil (1964); Made in Africa: pesquisa e notas (1965); História da República no Rio Grande do Norte (1965); Prelúdio da cachaça (1968); História da alimentação no Brasil (1967-1968); Ensaios de etnografia brasileira (1971); Sociologia da açúcar: pesquisa e dedução (1971); A vaquejada nordestina e suas origens (1974); Antologia da alimentação no Brasil (1977).

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Turismo Sexual


Os portugueses, a par com os italianos, são os principais clientes do turismo sexual no Brasil. De acordo com um estudo realizado durante seis meses em todo o território brasileiro, os nossos compatriotas e os italianos somam mais de 50 por cento de todos os turistas do mundo que vão ao Brasil especificamente à procura de sexo. Os turistas sexuais têm geralmente idades entre os 20 e 40 anos.

Segundo o estudo, realizado pela Organização Mundial do Turismo (OMT), os turistas sexuais chegam ao Brasil em voos fretados, têm uma situação financeira confortável, são geralmente atraentes e têm, na sua maioria, entre 20 e 40 anos.
Esse dado destrói um mito antigo, segundo o qual o turista sexual era homem de meia-idade ou mais, sem muita beleza ou dinheiro.
Os turistas sexuais que chegam ao Brasil, ainda de acordo com o estudo, procuram sobretudo sexo com adultos. Segundo a socióloga Mirtes Albuquerque, uma das coordenadoras do estudo, os dados colhidos entre prostitutas, turistas e outros intervenientes nesse mercado dão conta de que apenas 10 por cento dos estrangeiros procuram mulheres com menos de 18 anos.

A seguir aos portugueses e italianos, os holandeses, norte-americanos e, em menor grau, os ingleses e espanhóis, são os que mais fazem turismo sexual no Brasil. E, de entre todas as grandes capitais brasileiras, as mais procuradas por esses turistas continuam a ser as de estados do Nordeste, como Recife, em Pernambuco, Salvador, na Bahia, e Fortaleza, no Ceará. Aqui em Natal, o turismo sexual também já se vai tornando um flagelo social, que tem sido combatido de forma incorrecta e as redes internacionais de tráfico de mulheres são facilmente identificáveis. È com algum embaraço, que muitas vezes vejo alguns compatriotas a terem comportamentos pouco dignos por estas paragens. Muitos deles até são caras conhecidas da nossa praça, que aproveitam a passagem pelos trópicos para extravasar as suas taras. Ou serão frustrações!?

domingo, 28 de janeiro de 2007

Lagosta à Capitão-Mor


Desde que descobri, que o sexo oposto fica visívelmente impressionado com os dotes culinários masculinos, decidi aprofundar os meus conhecimentos teóricos e prácticos desta arte. Iniciei-me nestas lides com pratos mais simples, mais tarde arrisquei a confecção de pratos mais elaborados e lentamente fui inventando algumas receitas próprias. Hoje, decidi partilhar uma destas receitas convosco. Bem sei que o preço da lagosta nestas paragens é bem mais acessível, mas vale sempre a pena investir um pouco mais num jantar romântico a dois. Não concordam?

INGREDIENTES:
1 kilo de lagosta ao natural
10 dentes de alho (grandes) ou 2 colheres de pasta de alho
sal a gosto
1 colher de sopa de ervas variadas a gosto
2 cebolas picadas
1 pimentão verde picado
1 pimentão vermelho picado
4 tomates maduros picados
4 raminhos de coentro picados
1/2 chávena de azeite

MODO DE PREPARO:
Cozinhem a lagosta numa panela de pressão durante dez minutos, usando pouca água e colocando um fio de azeite.
Depois de cozida escorram toda a água e deixem arrefecer.
Separem a carne da casca e retirem a veia de fel na parte superior do corpo.
Acrescentem o alho amassado, juntamente com as ervas.
Deixem apurar o gosto por, no mínimo, trinta minutos.
Fervam o óleo em fogo brando e fritem os pedaços de lagosta.
Sirvam ainda quente.
Os demais ingredientes devem ser refogados no óleo usado para a fritura e servidos como complemento.
Procedam da mesma forma para com o lombo da lagosta, que apenas deve ser cozido por vinte minutos em panela normal, também acrescentando um fio de azeite, escorrendo toda a água após a fervura.
Tempo de preparo: 1.00h
Vinhos aconselhados: Muralhas de Monção (verde) ou Bucelas (branco maduro) bem gelados.

Lugares homónimos


E esta iguaria bem que poderia ser servida neste restaurante, que descobri numa das minhas navegações pela internet. Fica localizado em Lagos - Algarve. Parece ser um local bem castiço...

sábado, 27 de janeiro de 2007

A Grande Família - O Filme


A casa de Nenê (Marieta Severo) e Lineu (Marcos Nanini) e a pastelaria do Beiçola (Marcos Oliveira) estão visivelmente ampliadas e com novas cores. A residência de Agostinho (Pedro Cardoso) e Bebel (Guta Stresser) também passou por reformas. E até o salão de Marilda (Andréia Beltrão), como diz a actriz, ganhou um up-grade, ou seja, tornou-se uma simpática casinha duplex. A série "A Grande Família", que já tem 6 anos no ar, e audiência de novelas das 20h - a série mantém a média de 45 pontos - veio parar nas telas de cinema - com a trupe completa e, com direito a muitas confusões. A história do filme gira em torno da notícia de que Lineu - O patriarca da família Silva, interpretado por Marco Nanini - poderá estar com cancro no pulmão. Ao retornar do enterro de um colega de repartição, Lineu (Marco Nanini) sente-se mal e vai ao médico, de onde sai com a certeza quase absoluta de que morrerá em breve. Deprimido, ele esconde a situação da família e desiste de ir ao tradicional baile onde começou a namorar Nenê (Marieta Severo). Sem entender o que está a acontecer, Nenê decide provocar o marido e convida um ex-namorado, Carlinhos (Paulo Betti), para o baile. A chegada de Carlinhos atiça Agostinho (Pedro Cardoso) e Tuco (Lúcio Mauro Filho), que buscam algum meio de se aproveitarem dele, além de atrair a atenção de Marilda (Andréa Beltrão), que deseja conquistá-lo. A situação piora ainda mais quando Mendonça (Tonico Pereira), colega de trabalho de Lineu, tenta melhorar o seu ânimo ao tentar envolvê-lo com uma nova funcionária, Marina (Dira Paes).
Esta é uma das raras séries que gosto de ver na televisão pública brasileira, habitualmente exibida na rede Globo todas as quintas-feiras. Em Portugal, creio que podem assistir a algumas trapalhadas desta alegre família no canal GNT da TVCabo. Esta versão cinematográfica, estreou ontem nas salas de cinema de todo o Brasil.

Título Original: A Grande Família - O Filme
País de Origem/Ano de Produção: Brasil (2006)
Realização: Maurício Farias
Elenco: Marcos Nanini
Marieta Severo
Andréa Beltrão
Lúcio Mauro Filho
Pedro Cardoso...

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Serra da Estrela


Apesar das modas mais recentes, apontarem a Sierra Nevada como um dos destinos de neve mais populares destes últimos anos, eu continuo a preferir a nossa Serra da Estrela. Esta escolha não se baseia apenas numa atitude nacionalista. As infraestruturas melhoraram bastante, existem boas unidades hoteleiras, fica mais perto e a gastronomia local é de fazer crescer água na boca. Este fim de semana apetecia-me dar um saltinho até lá para brincar um pouco com a neve. Gostava de sentir um pouco de frio, uma sensação física que esqueci quase por completo em mais de dois anos de trópicos.

Sandboard

Neve foi algo nunca visto por estas latitudes. Na impossibilidade de se praticarem os tradicionais desportos de inverno, aproveitam-se as numerosas dunas da região para fazer sandboard.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Ronda Nocturna - Seven Pub










Este é um dos espaços da cidade que previligia a música ao vivo. Tem apenas o inconveniente de ser um espaço fechado, que se torna bastante quente em noites de maior agitação.A melhor quinta-feira de Natal. Hoje, também vou colocar algumas fotografias de uns rapazotes mais ou menos apresentáveis para regalo da ala feminina.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Em semana de BTL...

Quem se deslocar ao certame é bem capaz de ver algumas destas imagens. O Turismo do Brasil aposta sempre forte no evento de Lisboa, visto que Portugal já é o principal mercado emissor de turistas para o Nordeste brasileiro.

Investimentos portugueses no Brasil


Estudo do ICEP revela que já existem 666 empresas nacionais no mercado brasileiro .
As 666 empresas portuguesas que actuam no Brasil já deverão ter investido cerca de 20 mil milhões de dólares naquele mercado e já são responsáveis pela criação de 110 mil postos de trabalho, revelam as projecções de um estudo realizado por uma equipa de investigadores e patrocinado pelo Instituto do Comércio Externo de Portugal (ICEP). As estatísticas só contabilizam 11,2 mil milhões de dólares investidos, mas só contam com os investimentos realizados a partir de Portugal e não registam os recursos enviados pelas empresas portuguesas a partir de outros países ou mesmo de paraísos fiscais, pelo que o investimento real deverá ser bem superior.

O portuguesas no Brasil actuam em todos os sectores da economia, mas actualmente é o turismo na região Nordeste do Brasil o grande receptor de investimentos nacionais. Trata-se da terceira vaga de investimentos, que decorre de 2002 até à actualidade, marcada por pequenos e médios investidores. A primeira fase caracterizou-se pelos investimentos de um grupo reduzido de empresas que, isoladamente, se foram estabelecendo no Brasil, entre os anos de 1960 a 1995. Nesse grupo, destaca-se o Banco Espírito Santo (BES), que está desde 1975 no Brasil, país onde actualmente o grupo financeiro mantém o maior volume de investimentos no estrangeiro.

A segunda vaga e a maior delas em termos de volume de investimentos registou-se entre 1996 e 2001, período em que o Brasil promoveu as privatizações de grandes empresas públicas, nomeadamente nos sectores de telecomunicações e de energia. Época em que Portugal foi o maior investidor estrangeiro per capita, com o Brasil a receber 42% de todo o investimento português no exterior.

Os grupos Portugal Telecom (PT) e EDP - Energias de Portugal lideraram os investimentos nesse período, ao vencerem concursos públicos de privatização de operadoras de telefonia móvel, como a Telesp Celular, e de distribuidoras de energia eléctrica, como a Bandeirante, Escelsa e Enersul. O grupo Pestana também assinalou a sua entrada no Brasil nesse período, ao adquirir um hotel no Rio de Janeiro. Actualmente, a rede hoteleira detém sete unidades, representando um investimento total de cerca de 100 milhões de euros naquele mercado. A meta é atingir a marca de dez hotéis até 2007, segundo o presidente do grupo, Dionísio Pestana.

Um terço das empresas portuguesas no Brasil registou uma facturação 50% superior no ano passado, face a 2003, o que faz com que 71,4% delas estejam actualmente em processo de expansão da actividade, salienta o estudo. E as subsidiárias brasileiras já contribuem em média com a 25% do seu volume total de negócio. Instadas a responder à questão sobre se "voltariam a investir hoje no Brasil", 96% das empresas responderam afirmativamente. Mas a recente valorização da moeda brasileira tem levado algumas delas a fazerem o caminho inverso. No fim de Setembro, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) encaixou 638,9 milhões de euros com a venda da participação que detinha no Unibanco, a terceira maior instituição privada brasileira.

O grande desafio do futuro é fazer com que os investimentos portugueses estimulem o aumento das exportações para o Brasil, actualmente em torno de 250 mil milhões de dólares. O comércio bilateral ascendeu a mais de mil milhões de dólares no ano passado, o maior de sempre, com um saldo francamente favorável ao Brasil
Fontes: ICEP/Agência Lusa

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

O problema dos brasileiros

Na semana passada, numa das minhas navegações pela internet, deparei-me com um artigo bastante interessante do advogado Miguel Reis que sintetiza da melhor forma, as actuais relações diplomáticas entre Portugal e Brasil. Não concordo com todos os pontos de vista apresentados, mas vale a pena reflectir sobre os problemas que provocam sérias divergências entre os dois supostos países irmãos.

O que foi anunciado em termos de acordo entre Portugal e o Brasil para,
alegadamente, resolver o problema dos brasileiros que vivem irregularmente em Portugal não augura nada de bom para as relações entre os dois países. Os brasileiros são doces na fala mas não brincam em trabalho e já estou a imaginar como vão reagir os quadros portugueses que forem obrigados a esperar em Buenos Aires ou em Santiago os dias compensatórios da espera que o governo português promete, em Vigo ou em Sevilha, para os brasileiros da Costa da Caparica.

Esta de ter que ir ali ao lado para colher um visto, que só pode ser concedido depois de consultar Lisboa, não passa pela cabeça de ninguém.
Há por aí uns génios que continuam a imaginar um Brasil em que as pessoas andam de tanga e falam guarini. Esse Brasil já não existe; o Brasil real tem muitos aspectos em que a administração pública é superiormente evoluída por relação à portuguesa.

O problema do relacionamento entre Portugal e o Brasil é muito delicado e começa no modo como o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras vem tratando os cidadãos brasileiros que chegam a Portugal, mesmo os que são considerados emigrantes pela lei portuguesa.Mesmo que os brasileiros continuem a sorrir com aquele seu ar superdelicado, esse mau tratamento pode vir a ter implicações gravíssimas para as comunidades de portugueses residentes no Brasil.

"No Brasil, um português só não pode ser Presidente da República". De resto encontramo-los por todo o lado, desde a magistratura judicial à do ministério público, passando pelos governos dos estados e pelas autarquias.
Portugal não sabe quantos portugueses há no Brasil, pela simples razão de que nunca quis adoptar um mecanismo idóneo de recenseamento. O que conta para os números oficiais são as inscrições consulares que, paradoxalmente, não podem fazer-se pelo correio, pela internet ou no quadro de uma cooperação com as dezenas de associações de emigrantes portugueses existentes no Brasil.
É, porém, pacifico que os emigrantes portugueses no Brasil - considerando os que como tal são classificados pela lei - são mais de três milhões. Uns são portugueses, outros são binacionais e outros (filhos de portugueses) têm apenas a nacionalidade brasileira.
Uns têm a sua situação regularizada de acordo com as leis da imigração brasileira. Outros, entre os quais muitos quadros de empresas portuguesas, vivem no Brasil em situação irregular.

O tratamento que está a ser dado aos brasileiros que aportam a Portugal é vexatório e é aí que reside a raiz do problema. Os portugueses entram à vontade no Brasil, sem que alguém lhes pergunte o que vão fazer, que lugares vão visitar, o que é que sabem dos pontos turísticos do Brasil. Cada brasileiro que entra em Portugal, se não se tiver preparado muito bem para responder aos agentes do SEF corre o risco de ser detido e devolvido à procedência no próximo avião.
O modo como é feito o inquérito, aproveitando o efeito surpresa e não facultando ao detido (porque é de uma efectiva detenção que se trata) a assistência de advogado é absolutamente incompreensível para pessoas que, pese embora algumas deficiências que o Brasil ainda tem, estão habituadas a um nível de garantismo muito superior ao nosso.

Os brasileiros têm o direito de entrar no País sem visto, podendo aqui permanecer durante noventa dias.
É certo que a lei prevê que possa ser impedida a sua entrada, se o cidadão for suspeito de querer imigrar. Parece-me, porém, que esta medida só deve ser adoptada se as suspeitas existirem antes da própria entrada do cidadão no território nacional e não em consequência do interrogatório a que o visitante é sujeito depois da detenção.
Os brasileiros são muito ciosos da sua dignidade e da sua independência e não tolerarão esta injúria por muito tempo. É muito provável que se repitam a breve prazo situações de recusa de entrada a portugueses que viagem para o Brasil, usando os mesmos métodos que são usados pelo SEF e acabando com a liberdade de circulação que nos tem sido outorgada. Anoto a propósito, que o número de viajantes transportados pelos operadores turísticos continua a ser muito inferior ao dos que se deslocam ao Brasil apoiando a sua estadia nos familiares e nos amigos.

O drama está em que esse caminho pode abrir uma tragédia para as comunidades de portugueses residentes no Brasil.Conversei recentemente com um membro do Congresso, que me deu conta de que está em preparação um projecto visando "o estabelecimento de uma rigorosa reciprocidade de direitos", o que passa, desde logo, pela eliminação dos normativos da Constituição Federal que discriminam positivamente os portugueses. Disse-me esse congressista, por acaso descendente de portugueses, que as medidas devem ir mais longe.

Na hipótese de haver expulsão de brasileiros de Portugal por se encontrarem em situação irregular, entende ele que devem ser expulsos do Brasil os portugueses que também estão em situação irregular, a começar por muitos quadros das companhias portuguesas que operam no Brasil.Mas, para além disso há quem entenda que devem ser anulados para o futuro todos os privilégios de que os portugueses beneficiaram, a não ser que eles renunciem à nacionalidade portuguesa e adquiram, se para tanto tiverem condições, a nacionalidade brasileira.

Para além de milhares de funcionários públicos em posições que os brasileiros nunca poderiam ocupar em Portugal, volta a falar-se da questão das equivalências universitárias.
O Brasil reconhece a maioria dos diplomas emitidos por universidades portuguesas. Em contrapartida, uma boa parte dos cursos universitários mais reputados no Brasil não têm reconhecimento prático em Portugal.

Sem prejuízo da necessidade de regular, de uma forma mais rigorosa as condições da imigração, Portugal só tem a ganhar se aproximar as facilidades concedidas aos brasileiros daquelas que o Brasil concede aos portugueses, ainda que, em muitos casos, de modo quase informal. Pensar de modo diverso é afectar de forma muito grave a situação da numerosa comunidade portuguesa no Brasil, que continua a crescer todos os dias, aliás com emigrantes ilegais, como são quase todos os que se instalaram para investir nos últimos anos no Nordeste.

A questão de fundo é simples de adivinhar numa conversa solta com qualquer político brasileiro. Eles gostam de nós quando somos solidários com eles e não usam as palavras adequadas para classificar esta magna questão. Mas dá para entender que pensam que Portugal continua a portar-se, nalguns aspectos, com o síndroma da velha potência colonial.Por isso - dizem - se inventam cada vez mais anedotas de portugueses. O singular é que elas deixaram de falar dos Manoeis do Brasil, para falar dos Manueis de Portugal.
Sutilesas, como dizem os brasileiros.

Artigo de Miguel Reis (Advogado) in Portugal Expresso (Junho 2006)

domingo, 21 de janeiro de 2007

NIP/TUCK


Nip/Tuck é uma polémica série dramática norte-americana. Foi criada por Ryan Murphy para o canal a cabo FX Networks e logo se tornou um fenómeno de audiência.
Nip/Tuck segue a vida de dois cirurgiões plásticos de Miami, Sean McNamara (Dylan Walsh) e Christian Troy (Julian McMahon). A série, embora não seja estritamente uma telenovela, apresenta alguns “story arcs” (tramas que se desenvolvem ao longo da série e que se ligam ao longo dos episódios). Na sua estréia, Nip/Tuck foi a série de maior audiência na TV cabo americana, e o maior índice de audiência de séries de TV cabo entre telespectadores de 18-49 e 25-54 anos de idade. A primeira temporada teve uma média de 3,25 milhões de telespectadores por espísodio. A série tem atraído críticas de grupos como o Parents Television Council e outros devido às suas cenas explícitas de procedimentos cirúrgicos e actos sexuais.
Esta é a minha série preferida da actualidade, que sigo religiosamente todas as semanas. No Brasil, é transmitida via cabo pela FOX e no canal aberto SBT (Domingos -23h,horário de Brasília). Em Portugal creio que é transmitida pela FOX Life aos fins de semana. As caixas das primeiras temporadas, também já se encontram disponíveis para aluguer e venda directa. Abaixo, traço as linhas gerais das duas personagens principais.

Dr. Sean McNamara (Dylan Walsh) - Um cirurgião plástico perto da meia idade tentando aceitar as escolhas que tomou na sua vida. É co-fundador da clinica de cirurgia plástica McNamara/Troy e tem como sócio seu melhor amigo, Christian Troy. Casou com a sua namorada de faculdade Julia McNamara por 17 anos (atualmente estão divorciados). Tem dois filhos, Matt McNamara e Annie McNamara.

Dr. Christian Troy (Julian McMahon) - Um cirurgião plástico mulherengo a entrar na meia idade. O melhor amigo de Sean McNamara e parceiro de negócios. Pai biológico de Matt McNamara. Tem uma namorada “vai e volta” chamada Kimber Henry. E tem uma paixão secreta pela mulher do seu melhor amigo.

Trailer - NIP/TUCK

Melhor do que palavras, é visionar algumas imagens da série.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Tambaba



Esta é a única praia oficial de nudismo em todo o Nordeste brasileiro, pequena, cercada por rochas e falésias. Homens desacompanhados de mulheres não podem entrar, nem é permitido fotografar ou filmar os frequentadores do local. Pelo acesso principal, asfaltado, existe um trecho para quem usa trajes de banho. Fica localizada a cerca de 225Km de Natal, no estado da Paraíba, nas proximidades de sua capital João Pessoa. Trata-se de uma das praias mais bonitas da região, com extensas áreas desertas, suas enormes falésias avermelhadas e sem qualquer tipo de urbanização.
Aos que se derem ao trabalho de visitar a página deste balneário paraíbano, chamo a atenção para a pousada Dom Quinzote onde o nudismo é obrigatório para todos os hóspedes. Uma pequena dúvida...Onde é que este pessoal guarda a carteira?
www.tambaba.com.br

88º Campeonato Estadual



O ano de 2007, começa cheio de entusiasmo e expectativas para a abertura do Campeonato Estadual de Futebol Profissional de 2007. Este sábado, terá início a 88ª edição do campeonato estadual do Rio Grande do Norte que terá como principais atractivos, a eterna rivalidade entre os dois principais clubes da cidade - América/RN e ABC e observar o comportamento de algumas equipas do interior do estado que causam bastantes surpresas. Este ano, o América após a disputa do estadual e Copa RN, irá participar da série A do campeonato brasileiro, conquistada na época passada, após dez anos de ausência na divisão primidivisionária.
Este ano participam doze clubes dentre eles, ABC, AMÉRICA, ALECRIM FC, ASSU, CORINTIANS DE CAICÓ, SÃO GONÇALO, MACAU, SANTA CRUZ, POTIGUAR(PARNAMIRIM),POTIGUAR(MOSSORÓ), BARAÚNAS E GUAMARÉ.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Cangaceiros



Diz-se no Nordeste do Brasil, dos criminosos errantes, isolado ou em grupo, que viviam de de assaltos e saques, perseguidos, até à prisão ou morte numa luta com tropas da polícia ou com outro bando de cangaceiros.
Os tipos de cangaceiros são os mais variados, e múltiplas as razões que os levaram ao crime. Há, desde uma tendência criminosa, a sugestão irradiante dos grandes cangaceiros, determinando a fuga de rapazes para juntar-se ao grupo, até o primeiro homicídio por motivo de honra privada, sempre julgado como punição justa. O fora-da-lei passa a viver debaixo do cangaço, oculto pelos protectores políticos ou pessoas a quem paga para que o informem dos movimentos da polícia, - os coiteiros – e chefiando a malta nos momentos de luta.
Há figuras de relativa nobreza, corajosos, incapazes de uma violência contra mulheres, crianças ou velhos, como Jesuíno Brilhante, e há os brutais como Lampião.

Jesuíno Brilhante
Jesuíno Alves de Melo Calado, depois chamado Jesuíno Brilhante, foi o cangaceiro gentil-homem, o bandoleiro romântico, espécie matuta de Robin Hood, adorado pela população pobre, defensor dos fracos, dos anciões oprimidos, das moças ultrajadas, das crianças agredidas.
Nasceu em Tuiuiú, Patu, Rio Grande do Norte, em 1844 e morreu a lutar em Santo Antônio, Águas do Riacho dos Porcos, Brejo da Cruz, Paraíba, em fins de 1879. Sepultaram-no no mato, no lugar “Palha”.O seu crânio, exumado pelo seu amigo Dr. Francisco Pinheiro de Almeida Castro, esteve durante muito tempo na Escola Normal de Mossoró e foi presenteado no Rio de Janeiro ao Prof. Dr. Juliano Moreira.
Uma rixa de sua família com a família dos Limões, em Patu, valentões protegidos pelos políticos, tornou-o de pacato agricultor em chefe de bando invencível em 1871. Ficaram famosos os assaltos à cadeia de Pombal (PE) para libertar seu irmão Lucas (1874) e, no ano de 1876, à cidade do Martins (RN). Cercados pela polícia local, Jesuíno e seus dez companheiros abriram passagem através das casas, rompendo as paredes, cantando a cantiga “Curujinha” e desapareceram. Ia sempre, disfarçado, às cidades maiores, hospedava-se em residências amigas, adquirindo munição e víveres. Durante a “Seca dos dois sete” (1877) arrebatava os víveres dos comboios oficiais para distribuí-los com os famintos. Nunca exigiu dinheiro ou matou para roubar. Sua popularidade prestigiosa perdura na memória do sertão do Oeste norte-rio-grandense e fronteira paraibana com admiração e louvor inalteráveis.
Rodolfo Teófilo estudou-o no seu romance Os Brilhantes e Gustavo Barroso, num ensaio no Heróis e Bandidos; Rodrigues de Carvalho publicou o “A.B.C. de Jesuíno Brilhante” no Cancioneiro do Norte.

Virgolino Ferreira da Silva, nasceu em Vila Bela, atual Serra Talhada, 1898 ou 1900 e morreu numa gruta da fazenda Angicos, Porto da Folha, Sergipe, em 1938.
Começou, por volta de 1917, a vida de cangaço de Virgolino, que conquistou o apelido de Lampião quando, num de seus encontros com a polícia, se gabava de que, no decorrer de uma luta, sua espingarda não deixava de ter clarão, “tal qual um lampião”.
As lutas de famílias propiciaram o banditismo, em que coiteiros, por hostilidade aos inimigos de Lampião, ou temor de represálias que não tinham limites, cooperavam para o insucesso da perseguição policial.
Com Lampião vigorou a lei do extermínio, indo da violação ao incêndio, do saque ao assassinato frio. Na época da Coluna Prestes, Lampião foi convidado a colaborar com o governo por intermédio do padre Cícero, que lhe ofereceu a patente de capitão. Aproveitou-se do momento para armar melhor todo o seu bando. Fazia dos sertões de Sergipe e da Bahia seu quartel-general, de onde irradiava sua influência para os outros Estados do Nordeste, como Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Chegou a investir contra a cidade de Mossoró, que só se salvou pela ação de seus moradores. Cercou e dominou várias cidades e povoados da região, saqueando o comércio, devastando fazendas, sacrificando vidas.
Em 1929, Lampião conheceu Maria Bonita, que abandonou o marido para acompanhá-lo.
Morreu na fazenda de Angicos, em Sergipe, onde foi surpreendido pela volante de João Bezerra, da polícia de Alagoas, juntamente com Maria Bonita e alguns dos seus companheiros. Os cadáveres foram mutilados. As cabeças de Lampião, Maria Bonita, Luís Pedro e outros ficaram, quase 30 anos, expostos ao público, em Salvador, no Museu Nina Rodrigues.
As façanhas de Lampião geraram todo um ciclo na literatura de cordel do Nordeste e inúmeras referências cinematográficas.