segunda-feira, 5 de março de 2007
Ser estrangeiro
No entanto, a realidade é um pouco diferente e verifico que a minha adaptação aos trópicos ainda não foi totalmente bem sucedida a caminho de três anos.
A minha visão do Brasil era algo mitificada pelos meus conhecimentos de História, pela literatura e pelas minhas viagens turísticas. Desde logo, verifiquei que o meu estabelecimento por aqui seria árduo e necessitaria de esforços redobrados. O primeiro grande obstáculo, foi a obtenção do visto de residência por intermédio de investimento, que se arrastou por quase um ano, num verdadeiro embate com a complexa burocracia brasileira que não cede um milímetro. O segundo grande choque foi a nível cultural, educacional e de mentalidades. Eu costumo dizer que a única semelhança existente entre o Nordeste brasileiro e Portugal, é o uso de uma língua comum, embora com diferenças substanciais. Natal, foi até meados dos anos 90, uma pacata cidade do litoral nordestino que foi descoberta pela indústria do turismo. As mudanças nos hábitos locais foram algo bruscas e foi com alguma apreensão que verifiquei que uma grande parte da população não soube adaptar-se à nova realidade. Muitos deles revelam-se bastante adversos à introdução de novos elementos culturais e, por vezes, chegam a ser hostis em relação aos estrangeiros residentes. A própria palavra estrangeiro é pronunciada, algumas vezes, num tom claramente depreciativo.
Acredito que seja um sentimento de inferioridade cultural e económica que os faz agir deste modo absurdo.
A cidade cresceu bastante nestes últimos anos e consequentemente surgiram alguns males sociais, muitas vezes associados ao grande fluxo de turistas estrangeiros na região, sobretudo no que diz respeito ao tráfico de drogas, prostituição e aumento do custo de vida. Mesmo aqueles que trabalham directamente no sector turístico evidenciam algum preconceito e uma hospitalidade postiça. Normalmente, o estrangeiro é bem recebido enquanto turista que vem gastar divisas por aqui, mas quando tenta estabelecer a sua vida na região, o cenário muda um pouco de figura, esquecendo-se que muitas das vezes são esses próprios estrangeiros que através dos seus investimentos possibilitam a criação de empregos a nível local. Muitas coisas têm que ser obtidas por troca de favores ou dinheiro, onde a dualidade de critérios é evidente. Aliás, considero extremamente irritante o hábito local de "tirar vantagem", quando qualquer pessoa com quem se lida quer sempre lucrar alguma coisa no mínimo serviço que presta.
O mito da hospitalidade e alegria espontânea do brasileiro, deixa um pouco a desejar nesta região. Os nordestinos são bastante calados, desconfiados e sisudos e notoriamente racistas em relação a negros. Habitualmente, apenas se aproximam de estranhos por conveniência e a própria cidade funciona num estranho processo de conhecimentos pessoais, familiares e troca de favores, onde a corrupção é mais que evidente. Devo confessar, que neste período de tempo, fiz um círculo de amigos muito restrito porque o choque de mentalidades é bastante profundo. Grande parte dos nordestinos são profundamente ignorantes nem se esforçam por conhecer novas realidades, não possuem hábitos culturais, o machismo impera e bebem em demasia, tendo uma noção de lazer e divertimento algo bizarra, sob a minha perspectiva. Mais estranho ainda é que os hábitos mais pacatos e os bons modos europeus são facilmente cofundidos com arrogância e snobismo.
Outro facto que me deixou algo desgostoso, foi verificar que a propagada amizade luso-brasileira tem pouco entusiastas por aqui. Ao contrário de outras regiões do Brasil, que convivem com comunidades imigrantes há muitos anos, o Nordeste teve mais contacto directo com europeus muito recentemente. Noto que existe uma certa inveja do poder aquisitivo que possuímos, das mulheres que se aproximam com mais facilidade e por vezes ainda escuto piadas sobre os supostos abusos cometidos no período colonial português.
O nordestino é pouco solidário com os menos favorecidos e as classes mais abastadas desprezam profundamente a pobreza, revelando um egoísmo extremo. Ainda fico chocado com om tratamento que dão aos empregados domésticos e revelam-se completamente obcecados pelos bens materiais. Existe um verdadeiro culto da ostentação e torna-se extremamente monótono estabelecer um diálogo com essas pessoas. São capazes de ficar horas a fio a falar sobre a casa que compraram, do carro que tencionam comprar ou sobre a herança que receberam, tudo isto com cifões fornecidos ao pormenor. Creio que esta atitude é fruto de uma certa ignorância, de pessoas vazias que desconhecem que este tipo de diálogo é deselegante e enfadonho. E eu que pensava que os portugueses eram o supra-sumo do novo riquismo!
A sociedade local demonstra ser conservadora e fechada em relação às coisas mais insignificantes. Será difícil encontrar apreciadores de música estrangeira, cinéfilos, são incapazes de experimentar uma gastronomia diferente e ainda olham de viés para pessoas que apresentem um visual menos convencional.
Não quero que fiquem com a ideia de um discurso racista e xenófobo. Acho que seria altura de conhecerem o reverso da medalha de um europeu que escolhe viver no Nordeste brasileiro. È óbvio, que também conheci pessoas maravilhosas e educadas, mas é pena que sejam uma pequena minoria. As coisas boas vocês já sabem: um clima estupendo, lindas paisagens, um custo de vida acessível e a possibilidade de serem empreendedores com mais facilidade.
Contudo, costuma-se dizer que as vitórias são mais saborosas em terreno hostil. È isso que tenho tentado fazer, mostrando os meus princípios, educação e valor profissional. E acreditem que nunca imaginei que um português se pudesse sentir "tão estrangeiro" por terras de Vera Cruz. Tenho a sensação que vou desiludir bastante aqueles que ainda têm a ideia de um paraíso tropical deste lado do Atlântico e terei que aceitar comentários adversos dos leitores brasileiros. Acredito que sempre fiz um esforço para me adaptar a uma nova realidade, mas não me podem pedir para abdicar de ser eu próprio...
"Mas hoje, nesta primeira noite, não te quero falar disso. Queria apenas dar-te conta da primeira impressão que sente um inocente português que sai directamente do Chiado para uma aldeia metida dentro da selva e deixada à deriva no meio do Atlântico, à latitude do Equador: sente-se esmagado pela chuva, derretido pelo calor e pela humidade, comido vivo pélos mosquitos, espantado pelo medo.
E sinto, João, uma imensa e desmedida solidão."in Equador, Miguel Sousa Tavares (Pag.147)
domingo, 4 de março de 2007
Até que enfim!
Cônsul: Francisco José Pereira Falcão Lamy
Endereço: Av. Rio Branco, nº 728 – 1º andar - Cidade Alta
Natal – RN
59025-002
Rio Grande do Norte
Telefone: 84.32150809
Fax: 84.32150819
E-mail: portugalemnatal@suissecolor.com.br
Horário: 2ª a 6ª, das 9:00 às 12:30
Menos mau! Agora já não temos que percorrer cerca de 300km até Recife para tratar de assuntos triviais. Ainda tive esperanças de vir a ser nomeado Cônsul Honorário aqui da região mas, como sempre, existe sempre alguém que se antecipa! :)
sexta-feira, 2 de março de 2007
O mito Dona Beija

Há dias atrás, fui desafiado pela minha blogamiga Rubina, para escrever um pouco sobre Dona Beija, um mito brasileiro que foi imortalizado por diversas obras literárias e uma telenovela em que a actriz Maitê Proença encarnava esta mulher de fibra. Uma história de uma mulher que estava à frente da sua época...
Com a inauguração do Complexo Turístico do Barreiro Araxá passou a ser conhecida nacionalmente. Desde então, o tipo de clima, o valor das suas águas e da lama termal foram associados ao mito Dona Beija, apelido de Anna Jacintha de São José.
Existe, de fato, uma documentação que comprova a existência de Dona Beija indicando que ela nasceu em Formiga, que viveu em Araxá e em Estrela do Sul, onde faleceu em 1873 deixando expressos em testamentos os últimos desejos.
A análise do contexto social da época, sob a ótica dos documentos, nos leva a considerar um factor preponderante: Dona Beija na condição de mulher, de mãe, com estado civil de solteira, moradora no arraial de São Domingos de Araxá nas primeiras décadas do século XIX, teria alcançado ma posição de destaque na sociedade local.
Casou suas filhas com membros de famílias influentes. Num tempo em que as mulheres eram habituadas a saírem de casa somente para assistirem à missa aos domingos (dentro da igreja agrupavam-se na nave, enquanto aos homens era concedido o privilégio de se concentrarem próximos ao altar), Anna Jacintha de São José parece ter sido uma mulher que exerceu a sua cidadania assumindo atitudes atribuídas exclusivamente ao sexo masculino.
A exemplo, algumas iniciativas como solicitar providências à administração pública ou tomar providências que seriam próprias desta, recorrer à justiça, comprar, vender ou construir imóveis, e ocupar uma posição político-partidária como a ocorrida por ocasião do Movimento Político de 1842. Comprovadamente Anna Jacintha de São José foi proprietária de escravos, muitos dos quais ainda baptizou. Foi proprietária de um sobrado situado na praça da antiga Matriz, fato que reforça sua posição social destacada pelo tipo de construção e pela legalização do imóvel na Vila.
Em meados do século XIX, Anna Jacintha de São José teria-se mudado para Bagagem(actual Estrela do Sul) por ocasião da corrida aos diamantes ali encontrados. A busca de novas perspectivas é procedente, bem como, o êxodo da população, já que naquele momento, Araxá atravessava uma fase de estagnação.
A vida de Dona Beija teria despertado atenção e encantamento a partir dos anos 30 e 40, como a construção do Grande Hotel e das Termas do Barreiro. Os trabalhos artísticos que enriquecem as paredes do Balneário mostram a figura dessa personagem e associam sua beleza ao valor das águas e da lama termal. Muitos escritores, araxaenses ou não, escreveram romances que tinham como tema central a vida de Dona Beija.
quinta-feira, 1 de março de 2007
O Crime do MSN

O paulista Carlos Eduardo Cabral, 18 anos, e seu primo, um adolescente de 17 anos, confessaram ontem envolvimento no assassinato da corretora de imóveis Célia Maria de Carvalho Damasceno, 43 anos, mas divergiram quanto à autoria do crime. Em depoimento à polícia, um atribui ao outro o espancamento e morte da vítima. Para a polícia, além dos dois, a namorada de Carlos Eduardo, uma adolescente de apenas 16 anos, também participou da morte. Ela se apresentou à polícia acompanhada do pai e, na DP, confessou que também bateu na vítima.
Segundo o subsecretário de Defesa Social, Maurílio Pinto de Medeiros, a corretora conheceu o adolescente de 17 anos pelo Messenger, um programa de bate-papo pela internet, há cerca de uma semana. Eles tiveram um encontro e marcaram para a noite de sábado, dia 24, um segundo encontro numa casa abandonada em Jenipapu.
A corretora foi ao encontro com o adolescente sem comunicar seu paradeiro. Sua família estranhou o desaparecimento e, desde o domingo, procurava por pistas de Célia Maria.
Segundo a polícia, a corretora foi estrangulada na noite de sábado e enterrada na madrugada de domingo. O delegado Maurílio Pinto concluiu que ela foi morta por Carlos Eduardo, a namorada dele de 16 anos e o adolescente de 17 anos, todos residentes no Parque das Dunas. “Todos eles estavam na cena do crime e têm participação. A menor, inclusive, ficou com o celular da vítima”, afirmou o delegado.
O motivo do crime ainda não está esclarecido, porque os acusados dão versões diferentes. O menor diz que o primo queria assaltar a vítima. Ele também revelou que a namorada do primo ficou com ciúmes de Célia Maria e, por isso, incentivou o assassinato e participou do estrangulamento. Carlos Eduardo, por sua vez, alega que o menor planejou o assalto que terminou em homicídio. Carlos Eduardo disse ainda que todos o três (ele isentou a namorada de culpa) estavam embriagados. A adolescente alega que a vítima foi morta para dar a senha do banco. “Eduardo chegou a tentar sacar dinheiro, mas não tinha saldo”, disse o delegado.
A polícia também confirmou que os três acusados participaram da ocultação do cadáver no quintal da casa. O corpo de Célia Maria só foi encontrado na noite de terça-feira, quatro horas depois do delegado Maurílio Pinto ter sido acionado para investigar o caso. “Tudo começou às 14 horas de terça-feira. A filha da vítima nos procurou com a cópia das mensagens entre a mãe e o adolescente. Eles falavam num encontro em Jenipabu. Aí descobrimos que uma pessoa havia ligado para o disque denuncia informando que um rapaz tinha enterrado uma mulher em Jenipabu”, explicou.
A filha da corretora marcou um encontro com o adolescente - que não a conhecia - e um policial da Subsecretaria de Defesa Social a acompanhou no carro para detê-lo. Com a localização do adolescente, os policiais civis, com o apoio da PM, chegaram ao primo dele, Carlos Eduardo, que mostrou o local onde o corpo foi enterrado. “A filha da vítima foi muito valente e corajosa. A participação dela foi decisiva para a elucidação do crime”, falou Maurílio Pinto.
“Eu acho que ela foi enterrada viva”
O adolescente de 17 anos, apreendido sob acusação de participação no assassinato, disse que viu a corretora Célia Maria ser assassinada, mas alegou que nada pôde fazer para impedir o crime.
Ele acredita que o primo dele, Carlos Eduardo, teve duas motivações para o assassinato: financeira, para roubar os pertences e sacar dinheiro da conta da vítima, e para mostrar a namorada que ela não precisava ter ciúmes de Célia Maria.
O adolescente também revelou que estava no começo de um “namoro secreto” com a vítima e não tinha interesse em assassiná-la. Ele revelou que tinha sido detido há alguns meses armado com um revólver. O depoimento dele é conflitante com a versão de Carlos Eduardo, que atribui ao menor a autoria do homicídio.
TRIBUNA DO NORTE: Como você conheceu Célia Maria?
Adolescente: Foi pelo Messenger. Eu entrei num bate papo e a encontrei
Esse era seu primeiro encontro com ela?
Adolescente: Não foi o segundo
Por que ela foi morta?
Adolescente: Eu não a matei
Quem matou Célia Maria?
Ele (Carlos Eduardo, primo do adolescente) e namorada dele (uma adolescente de 16 anos) mataram ela na minha frente. Ele (Carlos Eduardo) disse que ia me matar também. Eu não pude fazer nada. Fiquei calado, vendo
Por que você não pôde fazer nada?
Adolescente: Ele (Carlos) é violento. O cara deu uma facada na boca da irmã, bateu no pai dele e já quebrou tudo dentro de casa. Ele não é flor que se cheire. O cara fica doido quando bebe. Se ele fez isso com a irmã, imagine comigo
E por que Carlos Eduardo matou a corretora?
Adolescente: Porque a namorada dele ficou com ciúmes dela. Ela também matou. Querem jogar isso para mim, porque sou de menor
Foi só isso? Seu primo diz que foi você quem matou.
Adolescente: Ele quer jogar para cima de mim porque sou de menor. Ele deu um muro nela e depois ficou doido. A menina segurou ela pelo pescoço e ele ficou batendo. A idéia de matar foi também dela. Eles ficaram batendo, depois ele amordaçou ela com a camisa. Ele disse: se você falar também morre
A polícia está afirmando que seu primo queria assaltá-la. É verdade?
Adolescente: Ele ficou batendo nela e pedindo a senha do cartão. Ele dava chute, murro e a menina segurava. Ela não lembrava das coisas e ele batia mais. Ele bateu de “chapa” nela (com o facão)
Quem decidiu enterrá-la?
Adolescente: Foi eles (SIC). Eu acho que ela foi enterrada viva
Por que?
Adolescente: Porque ela tava quase morrendo. Aí ele pulou no pescoço dela
Você está arrependido?
Sim! Muito
“Eu também bati, mas foi uma porrada”
O paulista Carlos Eduardo Cabral, mais conhecido como “Gugu”, 18 anos, é apontado pela polícia como um dos autores do assassinato da corretora. Ele respondeu a processo em São Paulo por tráfico de drogas e há um ano mora em Natal, onde trabalha com o pai dirigindo cegonhas (carretas usadas para o transporte de carros).
O acusado atribui ao primo menor de idade a autoria do crime, mas confessa que chegou a espancar a vítima e a ocultar o corpo. Ele também nega que sua namorada, de apenas 16 anos, tenha participado do homicídio.
TRIBUNA DO NORTE: Porque você matou Célia Maria?
Carlos Eduardo: Não fui eu
Seu primo diz que foi você e sua namorada
CE: Ele (o adolescente de 17 anos) está mentindo. Ele queria roubá-la. Ele disse que ela tinha dinheiro. Foi ele quem premeditou tudo.
Então, qual a sua participação no crime?CE: Ele disse que queria o dinheiro. Eu disse que ia junto.
Que dinheiro?
CE: Quatro mil. Ele disse que ela ia comprar um carro.
Era um roubo?
CE: Era
E por que vocês a mataram?
CE: A gente foi dormir e ele colocou um pano na boca dela. Ele começou a bater nela, deixou o olho roxo. Eu também bati, mas foi uma porrada. O resto foi ele. Foi ele quem a enforcou
Por que?
CE: Não sei. Ele queria que ela desse o dinheiro
Quem teve a idéia de ocultar o corpo?
CE: Foi ele
Ele cavou e jogou o corpo sozinho?
CE: Ele cavou o buraco sozinho. Depois eu e ele colocamos ela
E depois?
CE: Eu fui embora a pé
Seu primo diz que sua namorada também participou do crime. É verdade?
CE: Não. Foi ele sozinho
Você conhecia a vítima?
CE: Não.
E seu primo, como ele conheceu a vítima?
CE: Não sei. Parece que foi no carnaval da Redinha
E por que ele a matou?
CE: Não sei. Ele queria o dinheiro e começou a bater nela. Ele amarrou ela e começou a bater.
Você não o impediu?
CE: ... (não respondeu)
Você está arrependido?
CE: ...(não respondeu)
Sente remorso?
CE: Sim senhor
Veja a conversa entre o adolescente e Célia Maria
A filha da corretora assassinada recuperou no computador a conversa no Messenger entre sua mãe e o acusado. Os trechos provam que o adolescente convidou a vítima para o local do crime, uma casa em Genipabu. No dia do assassinato, vítima e acusado mantiveram duas conversas, uma de madrugada e outra à tarde. Abaixo, alguns trechos do diálogo divulgado pela polícia.
Trecho da conversa no Messenger entre vítima e adolescente, ocorrida na madrugada de sábado, dia 24, cerca de 23 horas antes do crime.
Célia Maria - Quem vai estar na casa de Genipabu?
Adolescente - Ninguém porque? (a interrogação é vermelha com a fonte estilizada representando sangue escorrendo)
CM - Não vai ter nenhum problema?
A - A gente vai dar um rolé na praia e volta!
CM - Você tem a chave?
A - Não precisa de chave
CM - Como assim?
A - e aberto lá!
A - Mas ninguém entra! Só a gente!
CM - A sei
A - Só nós dois!
CM - Ok.
Trecho da última conversa no Messenger entre vítima e adolescente, ocorrida cerca de oito horas antes do assassinato.
Célia Maria - Acabei de chegar em casa
Adolescente - Ótimo!
A - To tc (teclando) com meu irmão hacker!
CM - Ainda vou ter que mostrar um apartamento a um cliente
CM - Agora, às 16h30
CM - Me ligue às 5 horas
A - Combinado!
CM - De onde eu estiver eu vou
CM - Aí nos encontramos no posto (Posto Jenipabu, perto da casa onde ocorreu o crime)
Adolescente - Então tá ótimo! Combinadíssimo!
CM - Ou no terminal de ônibus
A - Pode ser tb (também)!
CM - Terminal de ônibus
A - Demoro!
CM - Tchau
CM - Tomar banho
CM - Bjo (beijo)
A - Outro.
Adolescente se apresenta com o pai
A adolescente de 16 anos acusada de envolvimento na morte da corretora se apresentou na manhã de ontem ao delegado Maurílio Pinto e, depois de negar envolvimento, disse aos policiais que chegou a bater na vítima.
A jovem, no entanto, ressaltou que não matou a corretora. “O menor diz que o crime foi praticado por Eduardo e a namorada. Eduardo diz que ela não tem nada com o crime. Mas a adolescente confirma que chegou a puxar a roupa da vítima durante a briga. Ela disse que bateu na cabeça da mulher para ela dar a senha do banco. Por isso tudo, comunicamos o caso ao juiz e vamos apresentar a adolescente ao promotor da Infância e da Juventude”, disse Maurílio Pinto.
Corretora foi torturada e depois estrangulada
Segundo a polícia, a corretora Célia Maria foi torturada para fornecer aos bandidos a senha do banco. Ela foi amordaçada com uma camisa, teve as mãos amarradas para trás com o cordão de uma bermuda e ainda teve as pernas amarradas com uma corda. Ela foi espancada com o lado cego da lâmina de um facão e, quando já estava sem forças, foi estrangulada.
Para a polícia, o crime teve requintes de crueldade, sobretudo porque desde o momento que foi rendida, a vítima não apresentou reação. “Ela foi muito espancada. Eduardo diz que eles deram murros, chutes e pauladas”, contou o delegado. Depois de morta, Célia Maria teve o corpo ocultado numa cova rasa.
Célia foi assassinada em uma casa de primeiro andar abandonada, na estrada de Jenipabu, próxima ao posto Jenipabu. A área é habitada. De um lado da casa, tem uma residência colada muro com muro, e do outro funciona um barzinho. Os vizinhos contaram, no entanto, que na noite do assassinato, domingo, não ouviram nem viram nada estranho. Antes, porém, os moradores próximos disseram ter avistado, na casa, Célia na companhia de Carlos e do primo. Também disseram que Carlos era o caseiro do imóvel, que foi comprado há dois anos por uma pessoa que seria seu tio e que mora em São Paulo mas que nunca chegou a investir no local. Segundo os vizinhos, Carlos costumava usar a casa para fazer festinhas regadas à bebida nas quais reunia moças e rapazes. No carnaval, ele foi visto com uma turma farreando lá.
Psicanalista alerta para os riscos da internet
O Orkut e o MSN, sites em que Célia Maria de Carvalho navegava com freqüência para conhecer pessoas, são uma febre. Gente de praticamente todas as idades e de ambos os sexos passam horas neles em busca de relacionamentos virtuais, que funcionam como um excelente remédio para a solidão. E muitos acabam levando o relacionamento do mundo digital para o real, como fez a corretora de imóveis.
A psicanalista Ruth Dantas não entrou no caso particular de Célia, até porque não sabe nada sobre a vida da corretora e da família, mas a recomendação de Ruth serve para todos. Ela diz que é preciso um cuidado redobrado antes de dar um passo à frente.
“Na internet, corre-se um risco muito maior porque no contato real a pessoa vê a outra, suas feições, gestos, jeito. Há algumas pistas para saber quem o outro é. Claro que se pode mentir, enganar, mas na internet é ainda mais fácil”, fala Ruth, lembrando que na net existem muitas pessoas usando nomes e perfis falsos (são os populares “fakes”).
A psicóloga entende que, no geral, os relacionamentos pela internet são a marca dos tempos atuais, em que tudo é descartável. “As pessoas se encontram e depois somem. Fica-se tentando encontrar alguém sem que se precise se comprometer seriamente”, diz a psicanalista. Há, no entanto, casos bem sucedidos de relacionamentos que começam na rede mundial de computadores. Mas o exemplo que deve ser levado em consideração é o e Célia.
A corretora era divorciada, mas morava com o ex-marido. Ela deixou dois filhos, um rapaz de 17 e uma moça de 20 anos.
Artigo de Augusto Bezerra in Tribuna do Norte (01/03/2007)
Um alerta muito sério, para a forma leviana como que muitas vezes expomos a nossa vida privada na internet e nos relacionamos com as nossas amizades "virtuais"...
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
A Noitada - Episódio 4


Seca. Uma primeira olhadela, bastara para perceber porque diabo os porteiros só lhes tinham pedido cinco euros: eram os primeiros clientes da noite. Quem os mandara acreditar no Lemos quando ele garantira que hoje era ladies night? "Ainda é cedo. Vão ver que isto já fica à maneira", chilreava ele. "Se este gajo não se cala, estrangulo-o", pensaram os outros em uníssono.
Turistas! Se calhar, Deus até existia! E era homem pela certa. Em resposta às suas preces colectivas, tinha acabado de chegar um bando de turistas-fêmeas. Meia dúzia, todas com montes de pele recém-tostada à mostra. E ram da variedade civilizada, sem pêlos debaixo dos braços. Notaram que eram inglesas e todos sabiam arranhar um pouco da língua de Sua Majestade.
O grupo deles mudou de mesa num ápice. Sem se mexer só ficou o casalinho Reis. Ela estava mesmo com ar de quem preparava um relatório para as amigas. "Que se lixe", pensou o Luís. Sempre podia dizer que estava bêbado. O que até nem andava já muito longe da verdade.
Universitários. Estavam eles na fase dos olhares sugestivos e dos sorrisinhos à distância, quando a coisa se degradou. Entrara um grupo de estudantes. O folclores era o do costume: capas sebentas e guitarrinhas à tiracolo. Feitos abutres, plantaram-se ao lado delas e desataram a cantar. Como é que um gajo concorre com aquilo? A única coisa digna de nota que o Fonseca sabia fazer era tocar com a língua na ponta do nariz. Venham daí mais umas cervejas, e esperemos que eles sejam todos gays...
Vinolência. O Luís estava farto de cerveja. Num momoneto de coragem, sacou do multibanco e pediu um whisky. Já que não ia facturar, ao menos afogava as mágoas em álcool de qualidade. O Ferreira fazia-lhe companhia; como de costume, deserto para andar à pancada. Mal passava perto dos estudantes, lá saía mais um encontrão. Ainda eram sequelas dos tempos do râguebi universitário!
Xenofobia. Os parvos das capas negras tinham-se sentado na mesa delas. Os mais afoitos estavam já de bracinho em cima das parceiras de ocasião. O Luís encontrava-se escandalizado. As estrangeiras são todas umas promíscuas!
Zebras. A última recordação que o Luís guardou daquela noite foi uma parede decorada num lindo padrão zebrado.
A andar à roda! Depois, vomitou-lhe abundantemente em cima...
FIM
A última adivinha. Que discoteca é esta? A primeira fotografia é apenas para vos despistar...
Os que quiserem lêr esta blosérie na íntegra, terão apenas que clicar no marcador.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Javali à Obelix

Numa época em que as carnes vendidas nos supermercados possuem uma qualidade cada vez mais duvidosa, apresento-vos uma receita de caça, de cujas carnes sempre fui grande apreciador. Trata-se de um prato robusto e de confecção mais complexa, mas com o requinte necessário para receber um grupo de amigos em casa, numa noite de Inverno animada por boas conversas instigadas pelo calor de uma lareira. No entanto,não será muito simples encontrarem peças de caça à venda. Quando pretendia cozinhar alguma peça de caça, dirigia-me normalmente à Charcutaria Tábuas (Rua Barros Queiroz) na baixa lisboeta, onde as peças são de qualidade e sem preços proibitivos.
Ingredientes:
2 alhos franceses
Azeite q.b.
Batata q.b.
0,5 garrafa de espumante
1 ramo de estragão
6kg de javali
Legumes q.b.
10 folhas de louro
Manteiga q.b.
Sal q.b.
2 ramos de salsa
1 ramo de tomilho
2 garrafas de vinho tinto
Tempo de Preparo: 6 horas
Preparação:
São necessários dois dias de preparação, caso o javali seja fresco. No caso da peça ser congelada, juntem mais um dia para o seu descongelamento. Numa panela grande coloquem as peças limpas e partidas (lombo, perna e costoletas) a marinar em vinho tinto de boa qualidade misturado com vinho espumante temperado com sal, bastante salsa picada, cebolinha, louro, estragão, tomilho e alho francês picados. Deixem marinar de um dia para o outro, virando as peças mais ou menos de 3 em 3 horas. Retirem do vinho (reservando o vinho - coado) e untem todas as peças com manteiga e azeite. Levem ao forno num pirex grande, a temperatura baixa-média (pré-aquecido) durante 6 horas. Durante as 3 primeiras horas o javali deve assar totalmente coberto de folha de alumínio, para não esturricar. Depois, retirem o papel e, de tempos a tempos, reguem a carne com um pouco de vinho marinado que reservaram. Sirvam acompanhado de batatas assadas, arroz e legumes cozidos. O vinho da marinada deve servir como molho de acompanhamento.
Vinho aconselhado: Terra d`Ossa (Tinto) - Redondo/Alentejo
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Mário Soares em Natal

O ex-chefe de Estado português Mário Soares estará em Natal, no Rio Grande do Norte, em Março, numa visita cuja agenda já tem dois compromissos: a Aula Magna da Universidade Potiguar (UNP) e uma conferência na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.
Mário Soares pertence à Academia de Letras de Portugal e é membro honorário da Academia Brasileira de Letras. O convite ao antigo presidente português partiu do senador Garibaldi Alves Filho, que recentemente esteve em Lisboa e foi recebido por Mário Soares.
Segundo o jornal "Tribuna do Norte", é possível que José Aparecido de Oliveira - ex-ministro da Cultura do Brasil (no governo José Sarney) e amigo pessoal de Soares - se encontre com o ex-presidente português em Natal, sendo também possível a vinda de José Sarney, cujo mandato na presidência do Brasil coincidiu com o mandato presidencial de Mário Soares em Portugal.
Mário Soares foi, no ano passado, a terceira personalidade a receber o prémio Dário de Moreira Castro Alves, atribuído anualmente pelo Clube de Empresários do Brasil a personalidades que se destaquem nas relações luso-brasileiras. A entrega do prémio foi feita em Maio, em Lisboa.
Estilo americano

Talvez por influência dos filmes americanos, gostei sempre muito do Jeep Wrangler, apesar da sua presença discreta no mercado português. Ele representa as origens do original Jeep Willys, sendo o único 4x4 puro e duro da marca. Pena que a sua motorização a gasolina seja incomportável para o mercado nacional.
domingo, 25 de fevereiro de 2007
A noite do cinema

Esta noite, realiza-se mais uma entrega dos Òscares de Hollywood, os troféus mais cobiçados pelos profissionais da indústria cinematográfica. A presente edição apresenta um bom lote de filmes e a luta adivinha-se renhida nas principais categorias. Devido a um fuso horário mais favorável, posso assistir à cerimónia num horário razoável e espero que o serão reserve algumas surpresas agradáveis. Mais uma vez, lamento que nenhum filme português tenha sido nomeado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Será uma utopia?
Óscares 2007 - Lista de Nomeações:
Melhor Filme
Babel
Entre Inimigos (The Departed)
Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima)
Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos (Little Miss Sunshine)
A Raínha (The Queen)
Melhor Realizador
Alejandro González Iñárritu - Babel
Martin Scorsese - Entre Inimigos (The Departed)
Clint Eastwood - Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima)
Stephen Frears - A Rainha (The Queen)
Paul Greengrass - Voo 93 (United 93)
Melhor Actor Principal
Leonardo DiCaprio -Diamante de Sangue (Blood Diamond)
Ryan Gosling - Half Nelson
Peter O'Toole - Venus
Will Smith - Em Busca da Felicidade (The Pursuit of Happyness)
Forest Whitaker - O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland)
Melhor Actor Secundário
Alan Arkin - Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos (Little Miss Sunshine)
Jackie Earle Haley - Pecados Íntimos (Little Children)
Djimon Hounsou - Diamante de Sangue (Blood Diamond)
Eddie Murphy - Dreamgirls
Mark Wahlberg - Entre Inimigos (The Departed)
Melhor Actriz
Penélope Cruz - Voltar (Volver)
Judi Dench - Diário de Um Escândalo (Notes on a Scandal)
Meryl Streep - O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada)
Helen Mirren - A Rainha (The Queen)
Kate Winslet - Pecados Íntimos (Little Children)
Melhor Actriz Secundária
Adriana Barraza - Babel
Cate Blanchett - Diário de Um Escândalo (Notes on a Scandal)
Abigail Breslin - Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos (Little Miss Sunshine)
Jennifer Hudson - Dreamgirls
Rinko Kikuchi - Babel
Melhor Filme Estrangeiro
After the Wedding (Dinamarca)
Days of Glory (Indigènes) (Argélia)
As Vidas dos Outros (The Lives of Others) (Alemanha)
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth) (México)
Water (Canadá)
Melhor Argumento Adaptado
Borat (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan) - Sacha Baron Cohen & Anthony Hines & Peter Baynham & Dan Mazer & Todd Phillips
Os Filhos do Homem (Children of Men) - Alfonso Cuarón & Timothy J. Sexton e David Arata e Mark Fergus & Hawk Ostby
The Departed - Entre Inimigos (The Departed) - William Monahan
Pecados Íntimos (Little Children) - Todd Field & Tom Perrotta
Diário de Um Escândalo (Notes on a Scandal) - Patrick Marber
Melhor Argumento Original
Babel - Guillermo Arriaga
Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima) - Iris Yamashita & Paul Haggis
Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos (Little Miss Sunshine) - Michael Arndt
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth)- Guillermo del Toro
A Rainha (The Queen) - Peter Morgan
Melhor Filme de Animação«Carros» («Cars») - John Lasseter
«Happy Feet» - George Miller
«Monster House» - Gil Kenan
Melhor Direcção Artística
Dreamgirls - John Myhre, Nancy Haigh
O Bom Pastor (The Good Shepherd) - Jeannine Oppewall, Gretchen Rau e Leslie E. Rollins
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth)- Eugenio Caballero, Pilar Revuelta
Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest) - Rick Heinrichs, Cheryl A. Carasik
O Terceiro Passo(The Prestige) - Nathan Crowley, Julie Ochipinti
Melhor Cinematografia
A Dália Negra (The Black Dahlia) - Vilmos Zsigmond
Os Filhos do Homem (Children of Men) - Emmanuel Lubezki
O Ilusionista (The Illusionist)- Dick Pope
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth) - Guillermo Navarro
O Terceiro Passo(The Prestige) - Wally Pfister
Melhor Guarda-Roupa
A Maldição da Flor Dourada (Curse of the Golden Flower) - Yee Chung Man
O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada) - Patricia Field
Dreamgirls - Sharen Davis
Marie Antoinette - Milena Canonero
A Rainha (The Queen) - Consolata Boyle
Melhor Documentário
Deliver Us from Evil - Amy Berg e Frank Donner
Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth)- Davis Guggenheim
Iraq in Fragments - James Longley e John Sinno
Jesus Camp - Heidi Ewing e Rachel Grady
My Country, My Country - Laura Poitras e Jocelyn Glatzer
Melhor Montagem
Babel - Stephen Mirrione e Douglas Crise
Diamante de Sangue (Blood Diamond) - Steven Rosenblum
Os Filhos do Homem (Children of Men)- Alex Rodríguez e Alfonso Cuarón
The Departed - Entre Inimigos (The Departed) - Thelma Schoonmaker
Voo 93 (United 93) - Clare Douglas, Christopher Rouse e Richard Pearson
Melhor Caracterização
Apocalypto - Aldo Signoretti e Vittorio Sodano
Click - Kazuhiro Tsuji e Bill Corso
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth) - David Marti e Montse Ribe
Melhor Banda Sonora Original
Babel - Gustavo Santaolalla
O Bom Alemão (The Good German) - Thomas Newman
Diário de Um Escândalo (Notes on a Scandal) - Philip Glass
O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth)- Javier Navarrete
A Rainha (The Queen) - Alexandre Desplat
Melhor Canção Original
I Need to Wake Up - Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth), Música e letra de Melissa Etheridge
Listen - Dreamgirls, Música de Henry Krieger e Scott Cutler. Letra de Anne Preven
Love You I Do - Dreamgirls, Música de Henry Krieger. Letra de Siedah Garrett
Our Town - Carros - Música e letra de Randy Newman
Patience - Dreamgirls, Música de Henry Krieger. Letra de Willie Reale
Melhor Curta-Metragem
Binta and the Great Idea (Binta Y La Gran Idea) - Javier Fesser e Luis Manso
Eramos Pocos (One Too Many) - Borja Cobeaga
Helmer & Son - Soren Pilmark e Kim Magnusson
The Saviour - Peter Templeman e Stuart Parkyn
West Bank Story - Ari Sandel
Melhores Efeitos Sonoros
Apocalypto - Kevin O'Connell, Greg P. Russell e Fernando Camara
Diamante de Sangue (Blood Diamond) - Andy Nelson, Anna Behlmer e Ivan Sharrock
Dreamgirls - Michael Minkler, Bob Beemer e Willie Burton
As Bandeiras dos Nossos Pais (Flags of Our Fathers) - John Reitz, Dave Campbell, Gregg Rudloff e Walt Martin
Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest) - Paul Massey, Christopher Boyes and Lee Orloff
Melhores Efeitos Visuais
Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest) - John Knoll, Hal Hickel, Charles Gibson e Allen Hall
Poseidon - Boyd Shermis, Kim Libreri, Chaz Jarrett e John Frazier
Super-Homem: O Regresso (Superman Returns) - Mark Stetson, Neil Corbould, Richard R. Hoover e Jon Thum
Oscar Honorário: Ennio Morricone
via TSF online
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Ronda Nocturna - Carnaval 2007

Querem fazer umas palhaçadas comigo?

Onde está o meu Mickey Mouse?

Eis a prova que o Capitão-Mor não é homofóbico! Posei sem preconceitos com alguns travestis numa das festas mais animadas da cidade. Mas reparem que não estava muito descontraído. LOL!!!!


Esta engana bem! :)

A misantropa enjaulada!

A festa tem mais piada quando se está bem acompanhado...

Lois, ainda continuas a preferir as ibéricas?

O Brasil consegue causar sérias deformações mentais!

Tony, não tinhas ficado de passar por aqui no Carnaval?

A agitação dos camarotes.

Fim de festa!
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Quando os euros não pagam as expectativas

"Marco, Paula, Margarida, Inês e Bruno não constam do número de licenciados inscritos nos centros de emprego. Eram 42 mil em 2005. Marco, Paula, Margarida Inês e Bruno têm entre 23 e 30 anos, têm uma licenciatura, têm um emprego, mas nenhum dos cinco exerce a função para a qual recebeu formação. Rima. Rima também com frustração e uma lista de sacrifícios para que ao fim do mês sobre alguma coisa e não falte estímulo para continuar à procura de um lugar compatível e que alguns, apesar de tudo, acham que o mercado ainda tem para lhes dar.
Escusado será dizer que, dos cinco, nenhum tem é independência. Essa não se compra com 300, 400, 500 ou mesmo 600 euros, sobretudo quando se vive em Lisboa e se quer comprar casa e carro. Nenhum conseguiu. Apesar do curso superior, o tal canudo que, como refere Inês, "os governantes e os pais" lhes vendem como garante de um futuro mais digno.
Marco, Paula, Margarida, Inês e Bruno são uma pequena amostra num imenso universo que falta quantificar. Sentem-se rejeitados por um mercado que não os aceita como trabalhadores, mas que os aliciou com o eldorado que poderia representar uma licenciatura. Licenciaram-se e agora trabalham como caixa em supermercado, vendem material de escritório, desgravam entrevistas que outros fazem, trocam o dinheiro que outros têm. Houve quem no meio de tudo isso, desta lengalenga que é o entra e sai em trabalhos precários, descobrisse outros gostos, outras motivações, mas as habilitações continuam a ser a mais para o menos que levam para casa ao fim do mês.
Marco, Paula, Margarida, Inês e Bruno são um retrato. Pessoal. Irrepetível por si. Mas têm reflectidas neles as frustrações de outros.
Margarida Ferra
Transcrição de entrevistas
300 euros
29 anos
Licenciatura em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa
Quando tenta arranjar um termo que defina o trabalho que faz, Margarida Ferra, 29 anos, recorre à expressão de um amigo. "Ele diz que sou uma mulher-a-dias do texto." Complexo de inferioridade? Nenhum. "Não encontro melhor definição", atira, no sorrir aberto de quem se incomoda pouco em limpar impurezas e repetições, em lidar com as palavras dos textos dos outros que sabe não serem, muitas vezes, as que usaria se a assinatura fosse sua. Mas não é. Ela ouve e transcreve. Tal qual. Expressão a expressão. Excepto quando lhe dão liberdade para fazer alguma tarefa de edição e livrar-se da "palha", substantivo que nestes domínios designa o que não acrescenta nada à mensagem. Mas Margarida acaba por confessar: "Estou nos bastidores, mas gostava de estar um bocadinho mais à frente..."
Margarida desgrava entrevistas, depoimentos, dissertações. Ganha à hora. Uma hora de gravação equivale a... pouco. Defina-se, então, "pouco": em 2005 ganhou cerca de 400 euros por mês, em 2006, a média, somados todos os recibos verdes que passou, não foi além dos 300. Não se queixa. "Este ano está a aparecer mais trabalho." Talvez chegue aos 400 euros novamente. Confessa que precisaria de mais 200 para conseguir "comprar umas roupas, ir mais vezes jantar...". O seu orçamento dá uma pequena ajuda em casa. Com o grosso das despesas a cargo do marido, ela paga à empregada para lhe "organizar a casa uma vez por semana", paga para lhe passarem a roupa a ferro, paga a conta do telemóvel e a Segurança Social. O que sobra? Nada. "É incrível ter de pagar 150 euros por mês por ter facturado em 2004 o equivalente a nove salários mínimos. É um convite a não fazer nada", indigna-se.
Como trabalha em casa, não gasta em transportes e tem tempo para os dois filhos. Bebés de dois anos e quatro meses, respectivamente. A Alice e o Pedro, que dormem a sesta numa tarde de chuva em que não se houve um ruído no apartamento onde vivem, num bairro popular de Lisboa.
Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, Margarida, na hora de escolher uma especialização, soube o que não queria. E não queria a vertente "jornalismo", sentia que não tinha "bagagem" para se aventurar no cinema, e a televisão não era um projecto que encarasse. Optou por "comunicação e cultura", coisa vaga, concede, mas que lhe permitia não se afastar do que gostava. Os livros.
E enquanto fazia o curso, foi fazendo outras coisas. Trabalhou no IPJ, escreveu para várias publicações, como o Jornal de Letras ou a revista dos Artistas Unidos, fez revisão de texto. Ganhava à peça. Fixo, só quando foi para uma galeria de arte ou esteve na Clepsidra, livraria especializada em poesia, com porta aberta em Massamá. Era lá que Margarida fazia o que mais gosta. Vender livros, aconselhar, falar de livros mesmo com quem nada sabe deles. Mais tarde haveria de ir para a Barata, de Campo de Ourique, fazer o mesmo até que se cumpriu o princípio do seu grande projecto: "Ser mãe de dois filhos antes dos 30." No início de 2005 nascia Alice. No Verão de 2006 haveria de nascer Pedro.
O projecto cumpriu-se. Além de lidar com as palavras dos outros, Margarida gostava agora de apostar nas dela. Até porque de tanto desgravar entrevistas foi aprendendo a técnica de as fazer. E gostava de tentar a reportagem. Escrever em casa, por agora, enquanto Pedro faz a sesta e Alice fica no infantário... Ah!, e se pudesse, fazia uma pós-graduação em Letras e um curso de espanhol, porque descobriu que gosta de traduzir, e...
Marco Afonso
Funcionário de uma casa de câmbios
650 euros
27 anos
Licenciatura em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE, terminada em 2006
O tempo está contado. Uma hora e 15 minutos de bocejo em que Marco funciona como um autómato. Gestos mecanizados que o levam de um barco a um autocarro e, finalmente, a um comboio. Começa no Barreiro, acaba no Cacém. Doze horas depois, regressa. O ciclo repete-se. Mais uma hora e 15 minutos de sonolência para um percurso inverso em que a música do leitor de MP3 sempre ajuda a matar o que resta de um dia que começou bem cedo, antes das sete da manhã.
Feitas as contas, são doze horas diárias de trabalho numa casa de câmbios - horário sem pausa -, a que há a somar mais duas horas e meia de transportes. Prosseguindo nas contas, 14 horas e meia resultam em 650 euros no fim do mês, mais prémio menos prémio, e descontados os impostos.
Pouco dinheiro? Demasiado tempo? Tudo depende das expectativas. As de Marco Afonso, 27 anos, eram maiores. Não tanto em relação ao salário, nem ao dispêndio de um tempo que dá para pouco mais do que cabecear junto às várias janelas que ligam um su-búrbio a outro e sem reter vistas da cidade. "Já tentei ler, mas não há concentração possível. O cansaço vence-me", desabafa. Sobram-lhe as folgas para fazer o que gosta. "Dois dias de trabalho dão direito a dois dias livres", diz, com o sorriso da "compensação possível" para quem queria era poder ter uma palavra a dizer em matéria de "programação cultural".
Licenciado em História Moderna e Contemporânea pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), Marco Afonso "queria mesmo era trabalhar numa autarquia", confessa, manuseando um cigarro que não acende, mas do qual não retira o olhar. É refúgio para uma frustração que o riso vai temperando. "Mandei uns 15 currículos para outras tantas autarquias e tive apenas duas respostas." Um, não obrigado, dito duas vezes. Pouco eco para quem esperava pelo menos a convocação para uma conversa. Não houve. E um amigo arranjou-lhe um emprego para ganhar algum dinheiro, poder sustentar-se. Até...
É que Marco Afonso teve 13 mensagens sem feedback e duas respostas negativas, mas isso não chega para o fazer desistir do que quer. "O meu sonho é trabalhar no departamento de cultura da Câmara Municipal do Barreiro". E o cigarro lá continua a mudar de uma mão para outra, sem que o sorriso se desfaça. "Acho que vou conseguir." Não sabe quando. Por enquanto trabalha dois dias sim, dois dias não a lidar com o dinheiro dos outros e a gerir o seu. Dos 650 euros que leva para casa, 220 vão para a prestação do carro, que optou por não levar para o trabalho. "Se fosse de carro gastava uns 120 euros em gasolina. Nos transportes gasto 50 euros, preço do L123". Depois há o resto. O tabaco, um ou outro CD, cinema, algumas saídas à noite. A casa e a alimentação ficam por conta dos pais, com quem vive, fora os dias em que fica com a namorada. No fim do mês sobra sempre qualquer coisa. Uns 80 euros e a certeza de "ter de" comprar uma casa sua... "Mais tarde", atira. Afinal, há colegas meus que conseguem..." É que a vida dá muitas voltas, tantas quantas o cigarro deu nas suas mãos.
Inês
Relações Públicas
560 euros
30 anos
Licenciatura em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social, terminada em 2001
Inês gosta do que faz. Mas Inês não diz o resto do nome. Chama-se Inês e trabalha com livros. Resumo biográfico para uma identidade inconformada. Inês gosta do que faz e vai sempre sublinhando esse gostar num discurso onde a mágoa fica por conta dos sacrifícios que tem de fazer só por fazer o que gosta. Lengalenga. É que as vezes a vida é uma lengalenga. E Inês olha a sua um pouco assim.
Não foi para trabalhar com livros que Inês, 30 anos, fez uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Não. Inês queria mesmo era ser jornalista e ainda andou pelos regionais. Aliás, só andou pelo regionais. Jornais regionais que pagavam mal e exigiam disponibilidade total. Sempre assim. "Ah, e invariavelmente pagavam mal." Impossível para quem tem aspirações a uma vida além de uma secretária e de um computador que lhe garantia ao fim dos mês 423 euros. Por isso Inês foi saltitando. Sempre na esperança de encontrar um sítio mais estável. "O que é isso?" Ela pergunta, mas ela nunca chegou a saber a resposta. Pelo menos no jornalismo. Por isso não hesitou em aceitar lugar numa editora quando essa oportunidade lhe surgiu.
Relações públicas, copy, assessora de imprensa... Os livros são o seu metier de segunda a sexta, das nove às cinco, com meia hora para almoço. Gosta. Diz mais uma vez. Nunca pensou gostar tanto, insiste. Mas não flecte. Não se curva ao facto de receber 560 euros que leva limpos de impostos. Não lhe chegam, por exemplo, para viver na casa que comprou, "sabe lá com que dificuldade! Que banco dá crédito a quem ganha o que eu ganho?" Conseguiu um apartamento de 85 mil euros, na Moita, que está a pagar a 46 anos, a meias com o namorado, e que lhe leva uma prestação mensal de 400 euros.
Uma casa muito longe de Cascais, onde sempre viveu e onde vive ainda durante a semana, em casa da avó, porque o que ganha não lhe daria para os transportes, nem para as contas que sustentam uma casa própria. Vai pagando a prestação e juntando o que sobra para ir comprando móveis para a casa da Moita onde por enquanto só passa os fins- -de-semana.
Inês tem 30 anos e gostaria de não ter de viver assim. Porque, afinal, trabalha no que gosta e gostaria de poder continuar a fazer o mesmo: Edição. Mesmo assim revolta-se. Contra um "sistema" que lhe fez acreditar no que veio a confirmar ser uma impossibilidade. "Quem tira uma licenciatura pensa que é garantia para qualquer coisa de bom. Era isso o que nos diziam os governantes, era isso que nos incutiam os nossos pais."
Inês, a Inês que trabalha com livros e gosta do que faz, só não gostou que lhe tivessem "mentido" um dia quando lhe fizeram crer que podia ser jornalista e viver bem disso. "Bem é com dignidade", define. Sem ter de contar todos os tostões nem poder pensar em fazer grandes projectos. Os normais na vida. Casar, ter filhos...
Inês, que trabalha com livros, sente-se enganada e faz-se ouvir nesse protesto. Apesar de ter descoberto que pode haver gosto em fazer outra coisa, acha que as habilitações que tem, o investimento que fez na sua formação, lhe dariam para ter a tal "dignidade". Não pensar duas vezes quando lhe apetece comprar uma revista, não poder passar um fim-de-semana fora... "A taxa de esforço é bastante grande. No fim do mês não sobra nada..."
Bruno Leonardo
Vendedor
675 euros
23 anos
Licenciatura em Sociologia pelo ISCTE e frequência de mestrado em Comunicação
"As minhas namoradas têm sorte. Às vezes escrevo-lhes poemas e elas ficam sempre um pouco espantadas." Bruno confessa a poesia como se de um segredo. Um dom, a palavra que lhe sai sempre fluida, sem gaguez ou hesitação, escrita ou falada. E não há poemas sobrepostos porque namoradas, só uma de cada vez. O riso é de puto, mas o discurso sai coeso.
Bruno queria escrever, fazer jornalismo, mas, acima de tudo "queria comunicar". Na televisão, de preferência. Nada de surpreendente na sua geração. Mais inusitada "é a cena da poesia". Inesperada, pelo menos, para quem a recebe, sem aviso, de um rapaz de 23 anos, roupa desportiva, olhar irrequieto, adrenalina de sobra para trabalhar, fazer um mestrado em Comunicação e praticar desporto diariamente e ainda sair quando dá, andar sempre a correr. "Se não for agora..."
Quando será que Bruno Leonardo conseguirá cumprir o seu sonho? "Ser jornalista desportivo." Não estabeleceu prazos. Encolhe os ombros, mexe nos dedos, que parecem poucos para acompanhar o ritmo com que vai desfiando vontades. É que pelo meio de um percurso tão curto - começou a trabalhar em Setembro - descobriu que pode fazer carreira numa empresa começando como vendedor e sem se sentir frustrado com isso. "Lá está...", diz. E é à facilidade de comunicação - "a tal" - a que se refere. É que um sonho pode levar a outro. Basta que a ambos se apliquem os argumentos que justificam a escolha de um modo de vida. E à comunicação junta-se aqui a vantagem de ser dono do seu próprio tempo, o que só depende da capacidade que tiver para gerir os clientes que encontrar.
Licenciado em Sociologia pelo ISCTE, Bruno está a frequentar um mestrado que o há-de preparar para trabalhar em comunicação. Espera. Aí entram "jornalismo, televisão, rádio, cultura tecnológica da informação". É também no ISTE. "Uma especialização depois de um curso de que não gostei." Assim. Confessado sem um único mas, porque o arrependimento também se finta e afinal sempre houve alguma coisa que se aproveitou ao longo de uma licenciatura que aconteceu não ser a que escolheu. "Não entrei por uma décima na Escola Superior de Comunicação Social." Precisava de 16,5. Teve 16,4. E o que se aproveitou então na Sociologia segundo a experiência de Bruno: os inquéritos. "Disso gostei." De resto, a matéria foi feita de "coisas que não têm muito a ver comigo. Demasiada teoria".
Agora a prática é a de vender material de escritório numa empresa onde pensa que tem meios para progredir. "Fazer carreira", como diz. Porque não? A pergunta é dele. A resposta também. "Tento não idealizar. Ser racional e se me der bem por aqui..." Faz uma pausa, mas não espera perguntas. Prossegue. "Tenho humildade para ver os mais velhos, aprender com eles, e a vantagem de ter mais habilitações. Afinal, sempre tenho uma licenciatura e isso pode ajudar na progressão."
Se financeiramente justificar, Bruno está disposto a sacrificar a escrita, o "trabalho com as palavras para o qual até dizem que tenho jeito" pela carreira comercial. Ganha à comissão. Tira uns 675 euros e pode juntar a isso uns prémios. No mês passado foram mais 300 euros e vai dando para as despesas fixas. Pagar o portátil, o carro, o seguro e as mensalidades do mestrado, que deve andar pelos 2500 euros na totalidade. Como vive com os pais, ainda lhe dá para ir ao cinema, sair à noite e ficar com uns 250 euros de reserva."
Artigo de Isabel Lucas in DNOnline (18/02/2007)
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
A Noitada - Episódio 3

Molhada. À porta uma confusão sem nome.
Acotovelavam-se ali para cima de cinquenta pessoas, todas em bicos de pés, tentando chamar a atenção dos funcionários encarregues da selecção. Os dois porteiros, de smoking a pedir reforma, olhavam para os potenciais clientes como se estivessem a escolher gado para o matadouro. Alguns "clientes habituais" abriam caminho por entre a populaça, penetrando sem mais esforço que uns apertos de mão aos gatos-pingados. Os Escolhidos podiam vir em grupos só de gajos, podiam até ter mau aspecto; o facto é que lá iam entrando.
Népia! Esta foi a única resposta que o Fonseca obteve quando chegou à fala com um dos porteiros. Pelo que ouviam, estava gente ali que já esperara mais de uma hora. O Luís mantinha-se elegantemente à margem daquele preocesso aviltante. Nem que aquilo estivesse pejado de boazonas; o orgulho de um homem não tem preço. Implorar, nunca!
Ó que saudades...dos dias da Expo 98. Quando a malta saía dos empregos para ir beber uns copos e acabava a noite naquele bar dançante. Como levavam sempre as porcas das secretárias e telefonistas, a entrada nunca era complicada.
Pulos. Lá dentro, no andar de cima, a cena do costume. Tudo aos pulos em cima das mesas. O Luís fechou os olhos e viu centenas de coxas jovens, cobertas por meias de rede e suor. Outras imaginava-as de calças brancas justas com a marquinha da cueca fio dental perceptível pela tranparência do tecido. Imaginou-se a passear entre as mesas, com o nariz a centímetros daquele frenesim de hormonas descontroladas.
Hum...talvez até nem fosse assim tão mau implorar!
Quéfrô? Com o sorriso mais alarve deste mundo, o vendedor enfiara-lhe um molho de rosas em cima das narinas. Mas de onde saíam aqueles gajos todos? Deviam andar em Lisboa mais vendedores de rosas que polícias!
Revolta. Vinte e cinco euros de consumo mínimo. Como ninguém tinha tanto dinheiro na carteira, a escolha foi fácil. Melhor seria partirem em busca de um estabelecimento onde apreciassem gente com estilo. E, se calhar, muitas daquelas pernas tinham varizes, consolou-se em silêncio o Luís. O Fonseca, do fundo do seu desespero, ainda arranjou energias para lançar uma praga aos porteiros: "Tomara que pulem tanto que essa porra vos caia toda em cima!"
Episódio 4 (e último) - Na próxima quarta-feira.
A adivinha desta semana é bastante fácil. Em que bar lisboeta decorre este episódio? Devo adiantar que fez furor de 1998 a 2001, mas entrentanto fechou as suas portas...
sábado, 17 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Imaginem a seguinte visão. Um lindo céu azul, uma bela cerca branca e um agradável jardim com rosas vermelhas. É manhã numa pacífica cidade americana do Mid-West. As pessoas são gentis e cumprimentam-nos com sorrisos no rosto. Um homem rega o seu jardim na companhia do seu cãozinho. Tudo está perfeito no mundo. O homem contorce-se de dor e cai ao chão agonizando. O seu imprestável cachorrinho limita-se apenas a latir. Enquanto ele sofre, é possível observar de perto a relva do jardim. Escondida dentro dela, um grupo de insectos nojentos rasteja na escuridão em alguma actividade incompreensível e desagradável. Bem vindo ao mundo de David Lynch.
Esta é a cena de abertura de um de seus filmes mais conhecidos, o clássico Veludo Azul (1986). Possivelmente o melhor ponto de partida para entrar em contacto com a filmografia do cineasta, pois estão presentes todas as suas características mais marcantes.
O realizador pode ser comparado a outros grandes cineasta contemporâneos, como Tim Burton, também um criador de mundos, Brian DePalma e Lars Von Trier, que de maneira semelhante trabalham com os limites do cinema e as sensações que ele provoca.
Um típico jovem americano, Jeffrey (Kyle MacLachlan), da pequena cidade de Lumberton, faz uma surpreendente descoberta, uma orelha humana amputada. Ao tentar descobrir o "dono" da orelha, percebe que o seu mundo é maior e mais assustador do que pensava. Lumberton tem dois lados, sua aparente tranqüilidade e sua sombra assustadora. Tudo lembra um filme de atmosfera noir, com sua femme fatale Dorothy (Isabella Rossellini), a jovem inocente Sandy (Laura Dern) e o memorável vilão Frank Booth (Dennis Hopper).
Em princípio, estamos diante de outro representante do género policial, mas as aparências enganam. Com absoluto controle sobre imagens e sons, Lynch desfaz a ilusão de realidade. É impossível ter certeza da época em que se passa a trama, cenas de horror e violência contrastam com a beleza do lugar, criminosos cantam In Dreams enquanto torturam suas vítimas e mortos recusam-se a cair no chão, permanecendo em pé. Veludo Azul lembra um sonho, alternando momentos terríveis e belos.
Com as frequentes referências a sonhos e a própria atmosfera onírica de seus filmes, é difícil não pensar em Lynch como um surrealista. Seus filmes não são repletos de metáforas indecifráveis, como os seus detratores costumam afirmar. Não há metáforas, só cinema. Sensações quase abstractas e não compreendidas pelo espectador, mas sentidas pelo subconsciente. Aceitar o seu cinema envolve não o uso da razão, mas o da intuição.
O surrealismo possui características em comum, como a ruptura dos padrões tradicionais de espaço e tempo, ênfase em deformações físicas e mutilações, clima de mistério e humor negro satirizando instituições respeitáveis da sociedade como o Estado e a Família. Lumberton é a perfeita utopia americana, um lugar onde todos são felizes e conformados com suas vidas. Mas a cortina de felicidade é rasgada, revelando um mundo de drogas, violência e perversão.
Ao final, Jeffrey resolve o mistério e derrota a ameaça de Frank Booth e seus comparsas. No entanto, o pássaro que surge para anunciar o triunfo da bondade é falso, mecânico. Não se ignora o horror, após presenciá-lo. Jeffrey e seus amigos preservam a inocência, o espectador jamais. É uma crítica subtil ao final feliz fácil de Hollywood, talvez a instituição respeitável mais atacada por Lynch.
Para atingir este estágio de perfeição estética e artística, o realizador teve um começo de carreira interessante. Inicialmente um estudante de pintura, logo passou a interessar-se pela possibilidade de criar imagens em movimento. Nascia um cineasta. Sua primeira longa-metragem, Eraserhead (1977) é famoso por suas imagens incomuns e pelo clima grotesco. O sucesso no circuito cult bastou para dirigir o Homem-Elefante (1980) e a polémica adaptação de Dune (1984).
O primeiro filme narra a vida de John Merrick (John Hurt), deformado ao ponto de ter ganho o apelido de Homem-Elefante. Aberração de circo em 1884, Merrick é descoberto por um médico inglês e apresentado ao resto do mundo. Sua transição do mundo do circo para o lado respeitável da sociedade será traumático.
Além de excelentes actuações, também conta com uma fotografia em P&B fantástica, de inspiração expressionista, o que demonstra as influências do expressionismo no cinema de Lynch, influência que também pode ser vista noutros filmes, comprovando o misto de referências e influências do realizador.
O expressionismo seria a busca pelo lado escuro da alma humana, um retrato deformado de sensações como angústia e melancolia, com a intenção de mostrar que nem tudo no mundo é belo. Veludo Azul expressa o dilema entre o desejo por uma vida tranqüila e as nossas necessidades mais inconfessáveis. Esse dilema pode ser visto em practicamente todos os filmes do autor.
David Lynch também não segue as regras de caracterização típicas de outros filmes. Inicialmente, suas personagens são propositadamente superficiais, caricatos até. Por exemplo, Jeffrey é um rapaz americano comum e bem intencionado. Nada mais é dito sobre ele, seu passado, suas relações com a família, etc.
Esse "método" de caracterização além de auxiliar na aura de mistério (comum ao surrealismo e ao expressionismo), aumenta o impacto quando os personagens trocam de identidade. Situação surreal freqüente no cinema de Lynch, pois levanta questões sobre identidade, tempo e espaço. Exemplificando, essa metamorfose ocorre explicitamente em Estrada Perdida e Mulholland Drive e de maneira apenas sugerida em Veludo Azul. Na cama com Dorothy, o bom rapaz Jeffrey mostra o quão "bom menino" realmente é.
Coração Selvagem (1990), aprofundou seu estilo marcante. É um road-movie sobre o casal Sailor (Nicolas Cage) e Lula (Laura Dern), cujo amor é proibido pela família dela. Ambos partem pela estrada, mas com assassinos no encalço. Além de sua atmosfera absurda, também é lembrado por sua extrema violência (algumas cenas são revoltantes) e pelo humor cínico. Coração Selvagem antecede em muitos anos Assassinos Natos, Tarantino e toda uma série de filmes violentos-e-engraçadinhos que surgiram nos anos 90.
Também é uma sátira as aventuras e clichés típicos de Hollywood. Não importa as ameaças, o casal está destinado a vencer seus inimigos e consumar seu amor. Bem adequado ao senso de humor do filme, poucas vezes um Deux Ex Machina foi tão artificial e levou a um final feliz ridículo, de tão exagerado.
Em seguida, Lynch movimentou-se numa direção inesperada, ao criar a série de televisão Twin Peaks, cujo mistério sobre a morte de Laura Palmer intrigou espectadores tanto quanto os seus excêntricos personagens. No entanto, problemas nos bastidores para manter o controlo sobre a série geraram o seu pior filme, Os Últimos Dias de Laura Palmer, um filme arrastado, confuso e despropositado,onde Lynch não parecia saber muito bem o que estava a fazer.
Mas a obra-prima de Lynch talvez seja mesmo Estrada Perdida (1997), um dos grandes filmes dos anos 90. Fred (Bill Pulman) e Renee (Patricia Arquette) são um casal com problemas de relacionamento e assustados com a entrega em casa de perturbadoras cassetes de vídeo. Uma noite Renee é morta e Fred preso, considerado culpado pela sua morte.
No entanto, esta breve sinopse não explica realmente o filme, cujo desenvolvimento da trama, que envolve troca de identidades e rupturas no espaço e no tempo, complica-se e surpreende a todo instante. Ignora intencionalmente qualquer lógica racional na sequência dos eventos, subvertendo a noção de como deve ser um filme "normal". Poucas vezes no cinema uma frase simples e objectiva como "Dick Laurent está morto" foi tão repleta de mistério.
A Estrada Perdida é um longo e sombrio pesadelo, cuja estrutura do guião lembra o anel de moëbius, aquele que aparenta ter dois lados como qualquer outro anel, mas tem apenas um, num ciclo infinito. Também é uma homenagem ao noir no cinema, cujos elementos comuns, como tramas complexas e mulheres fatais são exacerbadas ao limite aqui. Fred tenta escapar da sua culpa, qualquer que seja ela, e reencontrar seu amor perdido por Renee. Mas "Você jamais me terá", ela afirma na conclusão.
Já Uma História Simples, inverte todas as expectativas. Inspirado numa história verídica, Alvin Straight (Richard Farnsworth), de 73 anos de idade, decide viajar para reencontrar o seu irmão doente, utilizando um pequeno tractor, já que não pode conduzir um carro.
Uma História Simples (1999) é terno e emocionante, um belo sonho, repleto de belas imagens e a música de Angelo Badalamenti, colaborador frequente do realizador. Não há perversão por trás das aparências, como em Veludo Azul. Também há espaço para um mundo de bondade e uma bela visão da relação de amor existente entre irmãos.
Recentemente em 2001, Mulholland Drive recebeu muita atenção. É um mistério de inspiração noir, onde Betty (Naomi Watts) recém chegada a Hollywood com o sonho de ser actriz, busca ajudar a amnésica Rita (Laura Harring) a encontrar o seu passado, enquanto ocorre uma misteriosa conspiração nos bastidores da terra do cinema.
Combinando a beleza intensa de História Simples com um enredo menos complexo do que em Estrada Perdida, mas ainda confundindo o espectador e lançando dúvidas sobre a trama, com trocas de identidades e situações inesperadas. Além de questionar a importância da memória e da identidade, o cineasta também critica a maneira como Hollywood conduz os seus negócios e a pretensão do grande cinema comercial americano em simular a realidade.
É inesquecível o momento em que Betty e Rita estão no misterioso Clube do Silêncio. Um mestre de cerimónias anuncia no palco que "Não há música! Está tudo gravado! É tudo uma ilusão!". Apesar do aviso, impossível não se surpreender e se emocionar com a performance dos músicos e de uma cantora, cujo número é interrompido diversas vezes, mas a música continua.
Difícil traduzir a sensação que dá ver essa seqüência. Aberta a qualquer interpretação, uma leitura possível é compreende-la como a representação metalingüística do próprio estilo cinematográfico de David Lynch. É a ilusão que se cria e se destrói diversas vezes. Sabemos ser apenas uma miragem, mas somos seduzidos mesmo assim. Nos mundos que Lynch constrói e desconstrói, certezas são dúvidas, ilusões são reais e anarquia é regra. Mas quem tem certeza do que é real ou não?
Lynch nos lembra constantemente que tudo é possível no cinema e desta maneira busca libertar o olho domesticado do espectador, como Buñuel mostrava o órgão ocular sendo cortado no surrealista Um Cão Andaluz.
Sua filmografia causa o mesmo espanto e perplexidade que escritores tão distintos entre si, mas igualmente notórios como James Joyce, William Burroughs, Kafka e Lewis Carroll. Diante de seus filmes, somos como Alice entrando na toca do Coelho e admirando o Gato com sorriso e o sorriso sem Gato. Cineasta das sensações, autor de imagens e sons inesquecíveis, David Lynch é o nosso motorista numa estrada perdida.
Como ilustração do post, deixo-vos uma cena sublime de Estrada Perdida, o meu filme favorito da sua extensa obra.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Pénis Atómico em São Tomé
Na costa de São Tomé existe um bar e uma bebida que o torna um lugar incontornável para quem quer conhecer o verdadeiro calor africano. De aspecto pouco convidativo, o “Pilolo Atómico” é apenas um líquido castanho numa garrafa transparente. Apesar desta aparente humildade etílica, o “Pilolo” – que quer dizer pénis –, esconde toda uma pujança, que segundo Maria João Pombo, a dona do bar, já é falado pelo Presidente Fradique de Menezes.
Maria João também não esconde os segredos desta bebida. “É feita de uma mistura de um brandy local com cascas de árvores”, aproveitando para realçar o sabor amargo da mesma. “Nós também o saboreamos com coisas como canela porque é muito amargo”, confessa, acrescentando: “Aqui, em São Tomé, dizem que é afrodisíaco”.
Maria João está na ilha africana há cinco anos e começou a servir esta bebida há um e meio, depois de descobrir tratar-se da invenção erótica local. Após alguns melhoramentos, a bebida ganhou finalmente forma, e claro, conteúdo. “Eu sabia que as pessoas aqui comiam cascas de plantas e engoliam-nas com o que chamavam de ´bebida quente´”, estava prestes a nascer um novo néctar. “Decidi então combinar os ingredientes e colocá-los numa garrafa". O resto é história São-Tomense.
Antes de Maria misturar tudo e dar-lhe o nome de “pilolo”, já a bebida era consumida, embora para outros fins, para além do lúdico. As pessoas comiam as cascas de árvores para curar dores no estômago e hérnias, ou ainda para terem forças para caminhar quilómetros sem comer ou beber mais nada.
A dona do bar que baptizou a bebida por sugestão de alguns amigos, confessa que não sabia exactamente o que significava a palavra “pilolo”. Foi quando decidiu registar o nome que descobriu o seu significado fálico. “Depois da bebida ter começado a tornar-se popular, decidi registar o nome e o produto mas não deixaram. Foi então que descobri que ‘pilolo’ significava pénis".Como em tudo na vida, existem sempre os detratores e o caso do “pilolo” não foge à regra. Os mais críticos teimam em apontar que a popularidade do cocktail se deve unicamente ao seu nome polémico.
Os bebedores mais assíduos defendem a “menina dos seus olhos” e refutam todos os ataques ao seu néctar predilecto. “Quando bebo apenas um copo de ‘pilolo’, eu sinto-me forte durante 12 horas. Acredite, realmente funciona", diz o cliente Miguel. Mas não se pense que o “Pilolo Atómico” é bebida exclusiva do sexo masculino, as mulheres também não desdenham os seus efeitos afrodisíacos. “É fantástico, muito melhor do que a pílula azul”, diz Alexia, uma fã da bebida, numa referência ao “Viagra.”
Ainda há outros clientes que defendem o “primeiro estranha-se, depois entranha-se”, acreditando que o sabor poderá ser melhor apreciado com o tempo pois “tem um gosto sujo”, afirma Bibi.
Num continente onde a sida reclama largos milhões de infectados, esta bebida poderia ser o gatilho que levaria a mais algumas tragédias humanas, mas até aí Maria João esteve na vanguarda. Por cada “pénis” ou “pilolo” engolido, o bar oferece um preservativo. Para que nem todas as histórias se tornem uma estatística.
Artigo de Pedro Chaveca in Expresso África (26/01/2007)
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
A Noitada - Episódio 2


Futebol. Depois de uma humilhante sessão de graxa aos porteiros, tinham entrado todos. Só que arranjar mesa era mentira. O ecrã gigante passava o jogo da selecção contra os eslovenos em diferido. Que cena tão deprimente.
A gerência devia estar a meter-se com o jogador que se sentara a poucos metros do ecrã. Apesar da triste figura que fizera no jogo, o tipo ousava parecer feliz. A mulher dele, com ar de sopeira a precisar de dieta, agarrava-se ao craque como um dobermann a guardar o osso predilecto.
Gajas? Tanto trabalho para se descartarem das mulheres e não havia ali nada para ninguém. As poucas gajas à vista já tinham dono. Ou então circulavam pelo bar como supermodelos em pleno desfile, ignorando ostensivamente os meros mortais desprovidos de Porsches. Se não fosse pela intrometida da mulher do Reis, mais valia terem ido directamente para as boites da Av. Duque de Loulé, já que o Ferreira tinha bons conhecimentos por lá.
Homossexuais. Por todo o lado. Camisinhas de alças, penteados modernaços e músculos à mostra. A galarem-se uns aos outros, todos derretidos. Que grande porcaria!
Inveja. Junto ao bar, estava aquele fulano da novela da TVI, fardado com uma roupa paramilitar e óculos de sol. E agarrado a um "avião" de metro e oitenta, com as mamas cheias de vontade de fugirem do cai-cai. Mas como é que um gajo com tal pinta de servente das obras saca uma grossa daquelas? Só porque fazia as donas de casa suspirarem com os seus bíceps, exibidos em pleno horário nobre? Não há mesmo justiça neste mundo.
Jarretas. Como se não bastasse a concorrccia desleal das vedetas de TV, ainda tinham de aparecer os velhotes com dinheiro, acompanhados de criaturas de sonho com idade para serem netas deles. Como aquele ex-ministro com penteado de roto...
Karaoke! Tinha começado um concurso. A desafinação metia medo: três meninas com pinta de empregadas da Zara trucidavam uma canção do Prince. Só faltava mesmo o Lemos, com a mania que era fadista. Quando este fez menção de se dirigir ao palco, o Luís, antecipando a vergonha, fugiu para o bar.
Latim. Gasto para nada. O Luís, encostado ao balcão com o seu melhor estilo, estivera meia hora a meter conversa com uma ruiva de piercing roxo no umbigo. Quando a senhora se dignou a responder-lhe, falou em romeno, ainda por cima com ar de quem o estava a mandar à merda. Era hora de mudar de poiso.
Um brinde, a quem adivinhar em que bar lisboeta este episódio de desenrola...
Os que perderam o primeiro episódio, podem sempre colocar a leitura em dia, indo até ao final desta página.
Episódio 3 - Na próxima quarta-feira.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Beleza a quanto obrigas
A insatisfação com o próprio corpo é o que mais faz com que as brasileiras recorram aos procedimentos estéticos. Segundo o médico gaúcho Carlos Eduardo Garcez, especializado em medicina estética, 70% dos pacientes que o procuram em sua clínica são mulheres. Dessas, a grande maioria quer melhorar o peso e a forma do seu corpo por insatisfação. No ranking, o Brasil só perde para o Japão em quantidade de mulheres desgostosas com sua própria estética corporal. Conforme o estudo, este número chega a 37%, sendo que apenas 1% das brasileiras se descreve como sendo bonita. Outra informação reveladora é que nenhuma das entrevistadas se considera atraente, e mais da metade delas (54%) ou pensa em fazer ou já fez algum procedimento estético.
Os dados da pesquisa mostram que a auto-estima da brasileira é a grande causa da procura pelas correções no corpo e cirurgias plásticas. Para Garcez, o atendimento em uma clínica estética deve começar pela abordagem psicológica do paciente em entrevistas e conversas antes do procedimento em si. "Hoje, não há mais como negar a necessidade da interação entre o corpo e a mente para se buscar a verdadeira beleza, pois esta é sinônimo de saúde, prazer e qualidade de vida", salienta Garcez. Embora mudar a estética seja válido como motivador de uma auto-valorização, o médico diz que esse diálogo prévio com o paciente o prepara para que ele não mistifique o procedimento estético como a solução para a sua felicidade.
Em outra pesquisa, esta encomendada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), descobriu-se que, em 2004, foram realizadas 621 mil cirurgias plásticas no país. Além de o Brasil ter alguns dos melhores profissionais da área - como o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, uma referência mundial neste campo - colabora para este número o fato de o brasileiro possuir um culto ao corpo muito grande. Este ano, devem ser realizadas 800 mil cirurgias deste tipo no Brasil, conforme a SBCP.
Fonte: Site belezainteligente.com.br
domingo, 11 de fevereiro de 2007
Rio, destino gay

O Rio de Janeiro consolida-se como um dos destinos turísticos mais procurados por gays e lésbicas de todo o mundo. Réveillon e Carnaval na cidade entram no calendário GLS internacional. Mas o que atrai este público ao Rio? Os mesmos encantos que seduzem qualquer mortal, independentemente da opção sexual: natureza e gente bonita. Ao contrário de muitas cidades europeias, e mesmo São Paulo. No Rio as pessoas misturam-se mais e existem inúmeras opções de lazer fora dos habituais ghettos.
Este é um nicho de mercado cada vez mais cobiçado pelos mais diversos sectores económicos e abaixo menciono alguns dados interessantes sobre o perfil do turista gay na cidade carioca.
Sexo: 75% são homens; 25% mulheres
Idade: A maior parte (39%) tem de 27 a 35 anos. 35% têm de 18 a 26; 19% de 36 a 47 anos; e 7% já passaram dos 47.
Grau de Instrução: Mais de metade, 55% possuem formação superior. 35% concluíram o ensino secundário e apenas 10% têm somente o ensino obrigatório.
Nacionalidades: 32% são norte-americanos; 20% alemães; 15% ingleses; 12% italianos; 9% argentinos; 6% espanhóis, 4% portugueses e 2% suecos.
Gastos médios por dia: 30% deixam nos cofres cariocas entre US$160 e US$200, mais que o dobro dos turistas heterossexuais. 35% gastam entre US$60 e US$100; 19% entre US$110 e US$ 150; e 16% mais de US$200.
Retorno: Apenas 3% não pretendem regressar ao Rio de Janeiro.
Fonte: Tribuna do Norte
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Erzsébet Báthory - A Condessa Sanguinária

Esta é a história de uma Condessa que se banhava no sangue de jovens moças. Uma história verdadeira, ainda inédita no nosso país. Os documentos que a provam foram muito difíceis de obter, pois tudo aconteceu há mais de trezentos anos numa Hungria em estado ainda primitivo. Nos tempos actuais não é possível ver o retrato, escurecido pela passagem dos séculos, que eterrnizou o olhar severo da bela Erzsébet Báthory. O castelo de Csejthe está em ruínas desde há duzentos anos, lá no alto dos esporões espetados dos Pequenos Cárpatos, perto da Eslováquia. Quanto a vampiros e fantasmas, esses nunca deixaram de habitá-lo, bem como certo pote de barro, a um canto numa das caves, usado para verter o sangue sobre os ombros da Condessa.
O fantasma do Monstro de Csejthe, a Condessa Sanguinária, uiva ainda lancinantemente durante a noite nessas salas cujas janelas e portas foram muradas e assim ficaram para todo o sempre.
Erzsébet Báthory - A Condessa Sanguinária - Valentine Penrose; Assírio e Alvim
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Sonho de consumo


Apesar da elevada qualidade dos seus produtos, tenho de admitir que nunca simpatizei muito com a Mercedes-Benz, associando-a sempre com um certo novo-riquismo reprovável. No entanto, sempre fui apaixonado pela classe G da marca que muitos desconhecem que ainda faz parte do seu catálogo de vendas. Um autêntico aristocrata rural que não se aburguesou com o passar dos anos. Possuidor de uma estética de jipe clássico, com as suas linhas rectas, apresenta um interior requintado e motores para todos os gostos. O único senão, será mesmo o seu preço - a partir de 74500 euros!
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Porno íntimo

Quem sonha participar de um filme pornográfico com a sua própria companheira, namorada, noiva ou esposa não precisa adaptar um cenário, improvisar a realização e lamentar o resultado amador. A Live Acts Video, na cidade de Los Angeles (8955,Beverly Hills),aluga diferentes tipos de cenários, todos muito bem elaborados para a sua performance como astro porno.
É possível escolher entre um estábulo, um consultório médico, uma sala de tortura medieval, uma sala de aula ou um luxuoso quarto palaciano, e se a câmera vai ser fixa e privativa ou operada por uma terceira pessoa.
Aliás, três (fora um cameraman) é o número máximo de participantes permitidos na área de filmagem.
No final, podem levar a fita (ou DVD)original, em versão única, íntima e reveladora, só do casal para assistirem quantas vezes quiserem.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Blogsérie - A Noitada - Episódio 1

Sempre possuí uma enorme paixão pela escrita. Desta feita, escrevi uma pequena história de quatro episódios que vou tentar desenvolver durante as próximas semanas. Uma história simples, que narra as peripécias de um grupo de amigos que se reúne para o que seria uma noite em grande estilo. O cenário é Lisboa, a linguagem é a que normalmente utilizamos no quotidiano e muitas destas situações já aconteceram com muitos de nós. Espero que sirva para esboçar alguns sorrisos...
Ai que se faz tarde. Já ia para as onze e nem sinal dos outros marmanjos. O Luís defendia com uma galhardia possível a mesa que reservara "para umas oito pessoas". Os candidatos a comensais miravam-no com um olhar entre o irritado e o invejoso. A fila já era mais que muita. Mas onde se teriam metido? Bem sacava do seu telemóvel topo-de-gama para os tentar contactar; nada. Era sempre a mesma merda: combinar coisas com aqueles gajos só com uma hora de desconto...
Bivalves? Por fim, lá chega a malta quase toda. O Reis tinha trazido a mulher, que vinha de trombas, para variar. Mas não lhe tinham dito mais de trinta vezes que era uma noite só para homens? O Fonseca, por exemplo, não dava abébias: "Ouve lá; eu também me alapo a ti quando vais à cabeleireira? Não me atrofies, que preciso do meu espaço!" E a coisa pegava.
O clássico primeiro momento de atrito: pedir a comida.
Havia sempre um esperto que exorbitava. Àquele preço, quem se lembraria de pedir amêijoas? Só mesmo o Ferreira, com mania de se armar em saliente. E como a conta era a dividir por todos, ninguém quis ficar atrás. Assim cobriram a mesa de gordurosas bandejas "à Bulhão Pato".
Conversa. Enquanto os bifes não chegavam, as loiras iam marchando. As cervejas,claro. Ao fim da segunda rodada de canecas, já todos falavam aos berros. As últimas contratações do Sporting. O julgamento do tipo do Benfica. A subida de divisão do Real Sport Clube. O costume. De gajas não se podia falar, que a mulher do Reis era uma chiba de primeira.
Dar ao dente. Ponto assente: os bifes da Portugália já não são como dantes. O Luís não se lembrava dos magníficos dias "em que a carne era mesmo do lombo e o molho levava mesmo natas". Aqueles bifes cada vez mais lhe sabiam a esferovite mal temperada.
E agora? O segundo ponto clássico de atrito. Onde ir a seguir? O Lemos era da opinião que "as Docas é que estão a dar". O Ferreira dizia-se amigo do porteiro da Kapital e garantia lá infiltrar a malta toda. A mulher do Reis, chunga como sempre, queria ir para umas tascas no Bairro Alto.
Claro está que vieram para a rua ainda sem a menor noção de destino provável. Anunciava-se mais uma noite inesquecível.
Episódio 2 - Próxima quarta-feira.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Portugal x Brasil
Hoje, estão reunidos os ingredientes necessários para uma excelente partida de futebol em Londres. De um lado teremos a nossa selecção nacional, que pretende fazer jus ao seu actual prestígio internacional reforçado pela boa campanha no Mundial 2006, mas que aqui e ali, ainda revela algumas insuficiências, sobretudo ao nível do ataque. No lado oposto, teremos a selecção canarinha que vem para este jogo ainda atormentada pelos fantasmas do passado recente, mas com um treinador novo e competente, àvido de mostrar serviço e algumas caras novas no plantel. Ainda retenho na memória, o excelente jogo disputado há uns anos atrás, pelas duas equipas no Estádio de Alvalade. Que o espectáculo se repita, que vença o melhor, mas que esse melhor seja PORTUGAL! As hostes brasileiras que me desculpem qualquer coisinha...
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Já cheira...
A Carnaval!!! Por aqui, costuma-se dizer que o Brasil só começa a funcionar em pleno após a Quarta-Feira de Cinzas...


