quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Moda-Verão 2008


Foi com entusiasmo que soube, através da última edição do programa Fantástico da Rede Globo, que a moda do fio dental está de regresso às praias brasileiras. A ala masculina agradece!

A Invasão

Os últimos tempos têm sido marcados por uma crescente animosidade diplomática entre Brasil e Venezuela. Por diversas vezes, o obtuso Hugo Chávez tem-se irritado com Lula da Silva que se tornou o seu principal obstáculo, para as suas ambições políticas na América do Sul. Esta tensão já se tranformou em comédia e até já se imagina como seria uma hipotética invasão do Brasil por tropas venezuelanas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Blogsérie: O Clã - Episódio 5



Estoril - Domingo, 09 de Março 2008 - 15.00h
O grupo estaciona o jipe junto ao forte. Olham em redor. Convinha que não fossem vistos por ninguém, carregando todo aquele aquipamento. Por sorte, naquela tarde de domingo, parecia haver pouquíssimas pessoas a passear por ali. Conforme o combinado, saem rápidamente da viatura e descem pelos rochedos que ladeavam o edifício. Segundo a planta, existia uma pequena porta lateral que lhes poderia facilitar a entrada. Fruto de uma adolescência conturbada, o Lemos, estudou a fechadura. Com o auxílio de um simples grampo, consegue abrir a porta com facilidade. Entrem pé ante pé. A visibilidade era muito pouca e sentem um forte cheiro de humidade e maresia invadir-lhes as narinas. O padre Amaro avança na frente, murmurando algumas orações. Subitamente, ouvem um estrondo atrás deles. A porta fechara-se misteriosamente. Um mau pressentimento invadiu a mente de todos eles. O Paulo, Augusto Luís e o Lemos empunhavam os revólveres com as mãos trémulas. O Fonseca e o Reis preferiram utilizar as bestas. O Ferreira desembaínhara a sua longa espada. O padre Amaro mantinha-se na liderança, segurando um crucifixo e com uma besta na outra mão. Nas costas, carregava uma mochila que continha estacas de madeira, um martelo e uma garrafa com água benta. Todos eles traziam colares feitos com cabeças de alhos.

Prosseguem a marcha por um corredor estreito e mal iluminado. Mais na frente, desembocam num salão amplo. No meio, encontram seis caixões dispostos em forma de círculo. Aproximam-se cautelosamente. Quatro deles, estão vazios. Nos outros dois, dois vampiros dormiam profundamente. Um deles, ainda tinha marcas das queimaduras de água benta, aplicada pelo padre na noite anterior.
- Depressa! Vamos cabar já com estes dois! - diz o padre em voz baixa.
Abre a mochila, tira as estacas e o martelo. Aproxima-se da primeira urna, coloca a estaca na direcção do coração do vampiro e martela com toda a força. Ouve-se um guincho abafado e solta-se um jacto se sangue que suja o rosto do padre. Logo depois, avança para o outro caixão e repete os movimentos.
- Afinal de contas, caçar vampiros é canja! - sopra o Reis.
- Calma rapaz! Isto vai ser mais complicado do que eu pensava. Quatro deles estão escondidos por aí e já devem ter detectado a nossa presença - diz o padre, olhando em volta com o semblante carregado.
Lá fora, o sol brilhava com intensidade. Vantagem para eles. Os vampiros não conseguiriam persegui-los nem retaliar na sua máxima força. O grupo prossegue a sua marcha no interior da fortaleza. Entrem num segundo salão. Sentem uma aragem fria percorrer-lhes o corpo. Ouvem um farfalhar de tecido. Numa fracção de segundos, surgem-lhes os quatro vampiros pela frente. Dois homens e duas mulheres, envergando longos casacos negros. Os olhos avermelhados faíscavam de ódio. Cercaram os invasores como uma onda, apesar da inferioridade numérica.

Ferreira, empossado do espírito de seus ancestrais, perdera o medo. Uma voz rouca soprava no seu ouvido. A espada. Use a espada com firmeza. Ferreira empunhava a arma cortante com as duas mãos. A vampira que o tentara seduzir na noite anterior, correu na sua direcção. Ferreira recuou o pé de apoio e ergueu a espada. Respiração contida. Desenhou um arco para a frente. A vampira não conseguiu alcançá-lo. A cabeça foi ao chão; o corpo cambaleou. Recuperou o equilíbrio e caminhou até bater contra a parede. A decapitação causou certo impacto. Fora uma injecção de confiança no grupo.
O vampiro mais alto estava enfurecido e urrava, fazendo as paredes estremecer. Cabelos compridos amarrados para trás e feições grotescas. Fonseca dispara a sua besta, mas a estava desfere uma curva e estilhaça-se contra a parede. O vampiro ri, mostrando as suas presas pontiagudas.
- Como ousam, simples mortais, invadir o nosso covil? - pergunta numa voz cavernosa - Admiro a vossa valentia, mas podem dizer adeus às vossas vidas miseráveis!
- Viemos em nome de Deus! A sua vontade é soberana! - fritava o padre Amaro.
- Ao longo dos séculos ninguém me conseguiu derrotar! Vou-me sacirar com o vosso sangue pobres mortais! Lacatus será rei e senhor destas terras...
De forma decidida, o padre Amaro avança para o vampiro, erguendo o seu crucifixo. A criatura solta um rugido ensurdecedor, agarra o pescoço do padre e arremessa-o para longe, deixando-o desacordado.
- Porra, e agora? Estamos tramados! - gritava o Reis, em desespero.
- Agora resta-nos combater e acabar com estes cabrões! - atira Augusto Luís.
- È isso mesmo! Um por todos e todos por um! - diz o Paulo, parafraseando os célebres mosqueteiros.

Formam um círculo apertado e vão disparando as suas armas, na ânsia de atingir os adversários. As balas de prata faziam ricochete nas paredes grossas. Estacas de madeira voavam em todas as direcções. Os vampiros pareciam divertir-se com a situação e encenavam um estranho bailado. Passavam perto deles como assombrações e desferiam-lhes golpes no corpo. O Ferreira desferia golpes de espada ao acaso, totalmente desorientado. Os vampiros tinham-se transformado em vultos. Entretanto, Augusto Luís viu quando um dos vultos se tornou mais visível. Apontou a pistola e disparou. Uma bala de prata atinge o ombro da criatura.
O vampiro arqueou o corpo e desviou-se dos disparos seguintes. Sorriu. Grunhiu, mostrando os dentes. Augusto Luís tremeu. Um vampiro poderoso na sua frente. Colocou a mão no pescoço e desprendeu o próximo truque. Flexionou os joelhos e desceu o quadril abaixo do quadril do adversário que já lhe aplicava uma gravata. Com o traseiro, somado a uma potente cotovelada, surpreende o vampiro que folgou a gravata. Depois finalizou o golpe. Ergue a mão livre, agarrando o opositor pela gola. Todas as forças somadas e sincronizadas fizeram o vampiro voar por cima dele.
- Ippon! - grita Augusto Luís, vitorioso.
Em acto contínuo, enfiou o seu colar de alhos na boca do vampiro, que parecia sufocar. O Reis aproxima-se e dispara uma estaca no coração da criatura que se debaria no chão.
- Toma!!! Pessoal, vamos virar o jogo! Já só faltam dois - grita o Reis, em delírio.

Restava o líder Lacatus e a vampira ruiva. Eles pareciam menos confiantes. Aquela baixa causara danos morais. Ferreira avança decidido e tenta atingir a vampira com golpes de espada. Na outra extremidade do salão, Paulo corria e disparava a arma ao mesmo tempo, não se apercebendo do vulto que se atravessava na sua frente. Leva um encontrão. Perdeu o equilíbrio e a arma. Sente um forte pontapé nas costelas. Lesão grave. Costelas partidas. Lacatus, possuídor de velocidade vampírica, salta para cima dele. Perdição! Um urro de dor e Lacatus tomba para o lado com uma estaca cravada numa coxa. Nas proximidades, o padre Amaro recuperara os sentidos e disparara a sua besta na direcção de Lacatus que se preparava para aniquilar o Paulo.
- Malditos! Quem pensam que são? Não ecaparão com vida! - sibilava Lacatus.
Ferreira partiu para cima do vampiro, mirando o seu pescoço. A espada cortou o vazio. Lacatus tornara-se sombra e já estava do outro lado, aplicando-lhe um golpe nas costas. A dupla de vampiros parecia recuperar terreno. O padre Amaro atravessa o salão em fúria, despejando água benta em todas as direcções. Num canto, ouve-se um fervilhar e um uivo lancinante. A vampira fora atingida pelo líquido abençoado. Tornou-se mais visível. Fonseca faz pontaria com a besta na sua direcção. Desta vez não podia falhar. Só lhe restava uma estaca de madeira. Disparo certeiro. O projectil atravessa o corpo da vampira, fazendo-a desfalecer no chão.

Restava o poderoso Lacatus. Desta feita, o grupo tentou montar um cerco ao vampiro. Repentinamente, o Lemos é atingido na face. Cai de joelhos, sangrando abundamentemente. Na ânsia de recuperar forças, Lacatus lança-se sobre ele com a intenção de se abastecer de sangue humano. Numa atitude ousada, o padre Amaro atira-se para cima do agressor. Uma luta selvagem. Lacatus parecia levar vantagem. A sua força era sobrenatural. Ainda assim, o padre estica o braço e consegue colocar o crucifixo na boca de Lacatus. Um grito de dor. No meio da confusão, o Lemos agarra uma estaca do chão e crava-a com a sua própria mão, no coração do líder dos vampiros.
O rosto de Lacatus estava transfigurado. O Ferreira surge por detrás dele e aplica-lhe o golpe de misericórdia, decepando-lhe a cabeça com a espada. A batalha chegara ao fim. O padre Amaro estava bastante maltratado, evidenciando diversos ferimentos no corpo.
Em segundos, os corpos dos vampiros tinham-se tranformado em cinzas. Apesar de extremamente cansados, sujos e feridos, saíram todos do forte, felizes e com a sensação de missão cumprida. Pela primeira vez na vida, tinham encarnado o papel de verdadeiros heróis.
As horas seguintes, foram passadas nas urgências do Hospital de Cascais. Um pouco mais tarde, a João e o seu amigo Matias juntaram-se solidariamente a eles. Mal conseguiam acreditar no que o grupo lhes ia relatando. Uma brava dança dos heróis!

FIM

domingo, 30 de dezembro de 2007

Ano Novo, Vida Nova!

Para viver qualquer fase com alegria, viver com elegância e vitalidade, é preciso acreditar que vale a pena. Que existem modos de ser feliz, e podemos persegui-los. Mas essa não é uma caça aos tesouros comprados com dinheiro: é uma perseguição interna, a dos nossos valores, do nosso valor, das nossas crenças e do nosso real desejo.
Tenho um profundo desejo de renovação interior para o ano novo que avizinha. Sei de antemão que vai ser um ano de muito trabalho, boas amizades, conquistas e sucessivas vitórias.
FELIZ 2008!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Recordações do Magrebe







Mazagão - actual El Jadida - conservou-se na posse de Portugal até 1769. Nesse ano, o sultão Sidi Muhammad ben´Abd Allah veio pôr cerco à praça, que se defendeu com dificuldade devido à artilharia que destruía os muros e casas, matando os seus defensores. O governo do Marquês de Pombal, veridicando a inutilidade da conservação da praça que não desempenhava outro papel além de "relíquia" do passado português em Marrocos, ordenou a sua evacuação e o regresso ao Reino dos seus habitantes.
Os colonos de Mazagão, depois de permanecerem dois anos em Lisboa, foram fundar Vila Nova de Mazagão no Brasil, segundo o plano do Marquês de Pombal de povoar a região do Amazonas. Ainda ali se conserva a memória intacta do último reduto português no Magrebe. Em 2001, tive oportunidade de visitar esta magnífica praça forte, durante um périplo em Marrocos com alguns amigos. Torna-se comovente revisitar estes locais onde se consegue sentir a antiga presença dos nossos antepassados que construíram um Império.
Recentemente, descobri o blogue da SM que narra as suas vivências por terras marroquinas, fazendo-me reviver alguns momentos dessa viagem. Mais um exemplo exótico da nossa Raça de andarilhos que consegue adaptar-se a qualquer tipo de universo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Solar Bela Vista


Este é um dos meus locais preferidos na cidade do Natal. Localizado no histórico bairro da Cidade Alta, já foi residência de um industrial abastado e mais tarde reconvertido em hotel. Actualmente, alberga uma instituição que promove cursos e diversos eventos culturais neste edifício. A vista sobre o Rio Potengi ao final da tarde, recompensa uma visita ao local, muitas vezes ignorado pelos habitantes da cidade. Um dos meus recantos de beleza e paz...

O Melhor de 2007


Na minha opinião, este foi o melhor spot publicitário difundido pela televisão brasileira durante este ano.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Blogsérie: O Clã - Episódio 4



Av. Marginal, Domingo - 09 de Março 2008, 03.50h
Aquela perseguição parecia não ter fim. Eles mantinham-se a uma distância razoável para não levantar suspeitas. Na chegada a S.João do Estoril, o carro preto abranda ainda mais a sua marcha. Um pouco mais na frente, logo na entrada do Estoril, fazem sinal para a esquerda com o intuito de inverter a marcha.
- Já devemos estar perto do covil... - sopra o padre Amaro.
- Olhem! Eles viraram para a direita. Esperem...eles estão a ir para... - anuncia o Lemos.
- O forte! - exclamam em uníssono.
- E agora? O que fazemos? - pergunta o Ferreira.
- Já sabemos onde se escondem. Só nos resta planear uma invasão ao forte... - explica o pároco.
- E pode explicar-nos como tenciona fazê-lo? È uma fortaleza! Não parece muito simples entrar lá dentro... - resmunga o Augusto Luís.
- Fazemos como nos filmes? Esperamos que amanheça para transformar os vampiros em cinzas? - sugere o Fonseca.
- Nada disso. Todas essas histórias não passam de mitos. Os vampiros são criaturas milenares e, como tal, têm sofrido diversas mutações genéticas ao longo dos séculos. A luz solar, apenas lhes enfraquece os poderes, tornando-os mais vulneráveis. Porém, devemos fazer o ataque esta tarde, aproveitando a hora em que eles repousam. Também seria conveniente, nós descansarmos um pouco... - continua o padre.
- Depois de tudo isto, temos que regressar a Lisboa? - reclama o Fonseca.
- Esperem um pouco. Tive uma ideia! - diz o Ferreira.
- O que vais inventar desta vez? - continua o Fonseca, já impaciente.
- Vou ligar para o meu amigo Paulo que mora aqui perto. Tenho a certeza que eles nos poderá ajudar...
- Quem é o Paulo? - interrompe o Reis.
- È um amigo dos blogues. De vez em quando, aparece lá no Blue Velvet para beber uns copos e ver as gajas...

O Ferreira saca o telemóvel do bolso e liga para o seu amigo. O telefone toca várias vezes. Após um longo momento de espera, ouve-se uma voz estremunhada do outro lado da linha.
- Estou?
- Olá Paulo! È o Ferreira que está a falar...desculpa o adiantar da hora, mas estou a precisar do seu auxílio.
- Hum...mas acnteceu alguma coisa?
- È uma longa história. Estou aqui perto com uns amigos meus. Será que podemos ir agora para sua casa?
- Mas a esta hora!? - a voz de Paulo evidenciava algum nervosismo.
- Trata-se de uma questão de vida ou morte. Infelizmente, não lhe consigo explicar a situação por telefone...
- Está bem. Vou confiar em ti...ainda te lembras do caminho?
- Perfeitamente! Em cinco minutos, estaremos por aí...
- Ficarei à vossa espera.
- Obrigado Paulo! Até já...
Logo depois, O Ferreira vai dando instruções ao padre Amaro e alguns minutos volvidos, estacionam o jipe frente ao portão da casa do Paulo. Saltam para fora do carro e segundos depois, o portão abre-se. O Paulo surge diante deles, envolto num roupão e completamente desgrenhado. Diversos gatos saem cá para fora e vão-se enroscando nas pernas do dono. Ele olha atónito para aqueles seis homens que tencionavam entrar na sua casa.
-Ferreira, podes-me explicar melhor, o que está a acontecer? Convenhamos que não será muito normal apareceres aqui de madrugada, acompanhado de cinco amigos teus... - interpela desconfiado.
O Ferreira e o padre Amaro tomam a dianteira e tentam relatar da melhor forma, os sinistros acontecimentos das últimas horas. Paulo mantinha-se relutante e chegou a pensar que estariam bêbados. No entanto, o discurso hábil do padre acabou por convencê-lo.
- Sendo assim, façam o favor de entrar e descansem. Acredito que este domingo venha a ser um dia complicado...
Paulo entra pelo portão e todos o seguem para o interior da casa. O anfitrião vai distribuindo os rapazes pelos cómodos. Todos precisavam de dormir algumas horas. Adivinhava-se um embate terrível e tos necessitavam de estar na sua máxima força.

Estoril, Domingo - 09 Março 2008, 12.00h
Ferreira acorda lentamente em cima de um sofá, sentindo uma coisa áspera no seu rosto. Quando abre os olhos, dá de caras com um corpulento gato branco que o lambia carinhosamente. Levanta-se em sobressalto e dirige-se para uma sala anexa. O Paulo, Fonseca e o padre estavam frente ao televisor, prestando atenção às notícias do dia. O tumulto do dia anterior na discoteca Lux, era a matéria mais difundida. Contudo, não existia uma explicação lógica para o sucedido. As entrevistas com testemunhas oculares eram confusas e contraditórias. Apenas de sabia, que o estabelecimento sofrera danos profundos e que dois dos seguranças tinham sido mortos por homens vestidos de negro.
O Paulo reunira alguns livros sobre vampiros que conseguira resgatar na sua vasta biblioteca. Todos se debruçaram sobre eles de forma atenta, embora o padre os tenha prevenido que muitas das coisas que eram escritas sobre o assunto não passavam de meras fantasias.
Um pouco mais tarde, estão todos reunidos na mesa de almoço. Após a refeição, o padre Amaro pigarreia e toma a palavra, de modo solene.
- Caros amigos...estamos perante um poderoso clã de vampiros que precisa de ser exterminado. Eles são oriúndos da cidade de Sighisoara na Transilvânia, actual Roménia. Tudo teve início com um carregamento de antiguidades medievais, encomendado por um importante antiquário de Lisboa. Foram remexer em casas antigas e o mal foi desperto. Os vampiros acabaram por embarcar clandestinamente, no porto de Varna, na Bulgária rumo a Lisboa. Pelas informações secretas fornecidas pelo Vaticano, eles estarão por aqui à solta faz uns dois meses. Depois de várias tentativas, ontem consegui localizá-los graças a vocês...
- Bom, mas agora fiquei com alguma dúvidas. O sr.padre diz que eles são romenos, mas recordo-me que ontem, a vampira se dirigiu a si, falando em português... - interrompe o Reis.
- Deixem-me terminar! Os vampiros são seres extremamente inteligentes e com um poder de metamorfose espantoso. Eles conseguem adaptar-se a regiões ou épocas totalmente diferentes e aprendem novas línguas em poucos dias. Por outro lado, mantêm um forte instinto animal. Quando escolhem as suas presas, perseguem-nas de modo implacável. Ontem, foram vocês os escolhidos...
- E quantos são eles? - pergunta o Fonseca.
- Estou convicto que sejam seis ou sete. São liderados pelo temível Lacatus que vocês ainda não viram. Tem feito numerosas vítimas ao longo dos séculos...
- Lacatus? Mas esse fulano não foi jogador do Steaua de Bucareste? - o Fonseca não perdia uma chance para exibir os seus conhecimentos enciclopédicos sobre futebol.
- Por favor, poupem-me dos vossos disparates! Continuando...durante este tempo, eles têm feito algumas vítimas com o intuito de se alimentarem de sangue. Aliás, as primeiras vítimas foram alguns marinheiros do navio que os transportou. Semanas depois, foi a vez do antiquário falecer em circunstâncias misteriosas...
- Acho que li sobre isso no jornal. - refere o Paulo - Mas porque não se avisam as autoridades competentes?
- Impossível. Seríamos rapidamente internados num hospital psiquiátrico. - explica o padre - E seria uma catástrofe porque muito poucos sabem lidar com fenómenos sobrenaturais. Como eu disse há pouco, até agora eles têm feito vítimas para se alimentarem, mas rapidamente irão tentar alargar o seu clã com novos vampiros. Uma espécie de epidemia que se pode alastrar pelo país inteiro. Temos que os dizimar!
- E como faremos isso? Será que temos força suficiente para executar essa tarefa? - interroga o Ferreira.
- Deus está do nosso lado. Quer aliado mais forte? - afirma o padre com convicção - Trouxe algumas armas comigo. Estão escondidas no carro. Daqui a pouco, irei buscá-las para vos explicar o seu funcionamento.
- Armas? Mas eu nem prestei o serviço militar! - desabafa o Reis.
- Não te preocupes com isso, meu filho! Os vampiros são combatidos com armas arcaicas e muita fé. Nas lendas de vampiros, apenas uma coisa é verdadeira. Eles morrem com estacas de madeira cravadas no coração ou cortando suas cabeças.

Instala-se um silêncio na sala. Olham uns para os outros. Os rostos reflectiam medo e apreensão.
- O Paulo forneceu-me uma planta antiga do forte. Recentemente, chegou a ser uma discoteca, mas acredito que os pontos mais vulneráveis ainda sejam os mesmos - continua o padre - Eu vou buscar as armas e iremos planificar a invasão do forte...
Depois de estudarem a planta e terem aprendido o manejo das armas, foram-se preparando para sair de casa. Era uma espécie de viagem no tempo. Carregavam bestas com estacas de madeira pontiagudas, revólveres antigos carregados com balas de prata e espadas. Antes de saírem, o padre Amaro, forçou-os a fazer uma oração colectiva. Ao entrarem no jipe, o Ferreira sente um cheiro desagradável.
- Que raio de cheiro é este?
- Alhos! - responde o padre - Trouxe uma saca deles lá da minha terra. Eles ajudarão a manter esses malditos afastados de nós! Uma receita antiga que é imbatível...
- Odeio alho! - reclama o Ferreira.
Depois de se acomodarem no interior do velho UMM, arrancam aos solavancos rumo ao forte. Todos sentiam um nó no estômago. Estava dado o pontapé de saída para uma dura batalha!

Ultimo episódio na próxima semana...

domingo, 23 de dezembro de 2007

Natal


"Como folhas secas vão caindo os dias
e no calendário o ano chega ao fim
e lá volta o Natal, as iguarias,
as luzes, o pinheiro, o frenesim.

Como eu gosto disto assim
e como eu queria
que não fosse só Natal
por ser o dia!

Mas na azáfama as horas vão passando.
Enfeitamos, embrulhamos, entregamos
e esta roda viva é um cansaço
sem tempo para pôr na alma um laço.

Este Natal, eu sei, não fui capaz
de aconchegar em mim o dom da Paz
e o Menino Deus que a ofereceu,
só porque eu tinha cá a alma aos tombos,
ficou exactamente onde nasceu."

José D´Almansor in Crónicas do Benim

O Capitão-Mor deseja um Santo Natal a todos os seus amigos e leitores.
Um abraço ultramarino!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Sugestão

Imagino que alguns de vocês, ainda estejam indecisos no que diz respeito aos presentes natalícios que irão destinar aos vossos amigos e familiares. Nesse sentido, gostaria de apresentar a minha sugestão para os mais retardatários. Trata-se da edição em DVD da série documental, Portugal,Um Retrato Social. Uma excelente produção da televisão pública, cujos episódios devorei com interesse via RTPinternacional. Um presente que irá agradar aos mais velhos e de extrema utilidade didáctica para as gerações mais jovens.
Portugal, um Retrato Social, um programa, ou se quiseremos, um documentário da autoria de António Barreto com a realização de Joana Ponte, foi apresentado na RTP durante este ano de 2007.
Este trabalho pretendeu ser um retrato do nosso país. Um retrato da sociedade contemporânea. É um retrato de grupo: dos portugueses e dos estrangeiros que vivem connosco. É um retrato de Portugal e dos Portugueses de hoje, que melhor se compreendem se olharmos para o passado, para os últimos trinta ou quarenta anos.
Dividido em sete diferentes episódios (que a seguir se descriminam), “Portugal, um Retrato Social” terá sido, na minha opinião, um dos trabalhos mais bem elaborados e produzidos no nosso país sobre a evolução da sociedade portuguesa nos últimos sessenta anos. O facto de ter o cunho de António Barreto, não será estranho a este sucesso…
Por esse motivo,ficam aqui as sinopses dos diferentes episódios que poderão recordar.

Gente diferente: Quem somos, quantos somos e onde vivemos
Os portugueses são hoje muito diferentes do que eram há trinta anos. Vivem e trabalham de outro modo. Mas sentem pertencer ao mesmo país dos nossos avós. É o resultado da história e da memória que cria um património comum. Nascem em melhores condições, mas nascem menos. Vivem mais tempo. Têm famílias mais pequenas. Os idosos vivem cada vez mais sós.

Ganhar o pão: O que fazemos
O trabalho mudou muito nestas últimas décadas. A maioria dos portugueses trabalha nos serviços. Poucos trabalham na agricultura e ainda menos nas pescas. Muitos emigraram. As mulheres são metade das pessoas que trabalham, o que é uma grande diferença com o passado recente. Com a integração europeia, a economia portuguesa fez uma grande mudança. Todos vivem melhor, mas há muitas empresas que não conseguiram adaptar-se às novas condições

Mudar de vida: O fim da sociedade rural
A sociedade contemporânea, urbana, era ainda há pouco tempo rural. Mudou muito depressa. Muitos portugueses emigraram, a maior parte saiu das aldeias e foi viver para as cidades e para o litoral. O campo está despovoado. As cidades cresceram. As estradas aproximaram as regiões. Nas áreas metropolitanas, organizou-se uma nova vida quotidiana. Há mais conforto dentro das casas, mas as condições de vida nas cidades são difíceis.

Nós e os outros: Uma sociedade plural

Há quarenta anos, havia só um povo, uma etnia, uma língua, uma cultura, uma religião e uma política. Hoje, Portugal é uma sociedade plural. Primeiro a emigração e o turismo, depois a democracia, finalmente os imigrantes estrangeiros, fizeram de Portugal uma sociedade aberta. Falam-se todas as línguas, reza-se a todos os deuses, há todas as convicções políticas. Os Portugueses aprendem a viver com os outros.


Cidadãos

Com a sociedade aberta, a democracia, a integração europeia e o crescimento económico, os Portugueses são hoje cidadãos plenos pela primeira vez na sua história. Têm os direitos políticos e sociais e as respectivas garantias. As mulheres são iguais aos homens. Mas a justiça, que deveria acompanhar este progresso e adaptar-se à nova sociedade, tem dificuldades em garantir os direitos dos cidadãos.

Igualdade e conflito: As relações sociais
As famílias portuguesas têm hoje mais rendimentos e mais conforto. Em vinte ou trinta anos, o bem-estar melhorou mais que nos cem anteriores. Cresceram as classes médias. Desenvolveu-se a sociedade de consumo de massas. O comércio, as modas, a escola, a televisão e a cultura fazem uma sociedade onde todos parecem iguais. Mas subsistem diferenças muito importantes de classes, de poder económico, de geração, de sexo e de região.

Um país como os outros: A formação de uma sociedade europeia
Portugal já não se distingue, na Europa, como o país da ditadura, da pobreza e do analfabetismo. Embora ainda atrasado, os Portugueses são hoje cidadãos livres e têm acesso aos grandes serviços do Estado de Protecção Social. A educação, a segurança social e a saúde são para todos. Mas ainda há insuficiências, corrupção e desperdício. E deficiências na saúde, na educação, na segurança social e na justiça.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Blogsérie: O Clã - Episódio 3


Augusto Luís avança decidido sobre a mulher que aguçava os dentes na direcção do seu amigo. Aplica-lhe uma placagem que a atinge na cintura. A mulher grunhiu de forma assustadora, durante a queda. Ouviram-se urros. Tinha mais três homens trajados de negro ao seu redor.
- Quem são vocês? - berrou.
Como resposta, a mulher empurra-o com violência, projectando-o por uma dezena de metros. Instala-se o caos na discoteca. Os seguranças avançaram na direcção do tumulto, sem entender muito bem o que estava a acontecer. Um dos góticos agarra um dos seguranças e quebra-lhe o pescoço com a maior das facilidades, como se fosse dotado de uma força sobrenatural. Gritos de pânico ecoavam por todo o lado. Ouvia-se o estilhaçar de copos no chão. As pessoas fogem desesperadamente na direcção das saídas. O Ferreira permanecia imóvel no centro da pista, alheio a tudo. O Fonseca corre na sua direcção.
- O que se passa contigo? Estás bem? - pergunta ele, sacudindo o amigo pelos ombros.
- Hã? O que foi? - Ferreira parecia despertar de um transe hipnótico.
- Acorda pá! Temos que bazar daqui para fora! - gritava Fonseca em desespero.
De repente, o Fonseca sente uma mão a tocar no seu braço. Gira a cabeça e sente o sangue congelar nas suas veias, ao deparar-se com um homem horrendo. Exibia uns dentes enormes, sorrindo de forma malévola. Numa fracção de segundos, nota a presença de um vulto atrás do agressor. Era o Reis que vinha em seu auxílio. Parecendo sair de um filme de artes marciais, o Reis voa por cima do opositor, fazendo-o tombar no chão.
- Cuidado Reis! Esses gajos só podem ser vampiros! - preveniu o Fonseca.
Quando o vampiro se preparava para contra atacar, aproxima-se um outro homem vestido de preto, que traz uma garrafinha na mão. Despeja parte do seu conteúdo por cima daquela figura diabólica.
- Arde maldito! As forças das trevas nada podem fazer face ao poder divino! - vociferava aquele homem franzino.
O vampiro debatia-se no chão e soltava urros arrepiantes. A sua pele acinzentada borbulhava, deixando-o com uma silhueta ainda mais sinistra. O líquido parecia funcionar como um ácido na sua pele. Entretanto, o Ferreira parecia ter recuperado a lucidez e comenta para os outros:
- È um padre! Reparem que ele usa cabeção e aquele líquido só pode ser água benta...
- Quero lá saber disso! Vamos sair daqui para fora? - cuspia o Fonseca, arrastando os parceiros.
- Calma! Onde está o resto da malta? - pergunta o Reis.
- Eu estou aqui! - diz Augusto Luís, surgindo do nada com a camisa rasgada - Podem-me explicar o que está a acontecer?
- São vampiros, porra!!! Vamos fugir! - suplicava o Fonseca.
Dito isto, o homem que fizera frente ao vampiro, aproxima-se deles.
- Acompanhem-me rapazes! Não há nada a temer! As forças do bem estão do nosso lado - afirma com autoridade.

Os quatro seguem-no meio atarantados. Próximo de uma das saídas, avistam o Lemos em apuros. Era eviedente que o pavor se apoderara dele. Fazia frente a uma vampira, mantendo-a à distância com uma cadeira. Ela parecia troçar dele e arreganhava os dentes na sua direcção. Quando o grupo se preparava para socorrer o Lemos, são barrados pelo homem que os acompanhava.
- Alto lá! Vocês ainda não estão preparados para isto!
Com bravura, ele vai para perto da vampira de cabelos ruivos. Tira um crucifixo do bolso do casaco, enquanto vai rezando em voz alta. A vampira olha na direcção dele com uma fúria desmedida. Era uma autêntica figura animalesca de olhos avermelhados. Ele avança lentamente. Ela recuava de forma traiçoeira.
- Venha até mim, padre! Deixa os outros e vem até mim. Os meus braços estão famintos de ti. Vem e podemos descansar juntos. Vem, meu querido...
Havia algo de diabolicamente erótico no tom de voz, algo do tinir do vidro, que ecoava nos cérebros dos que estavam próximos. O padre dá um salto em frente e quase toca com o crucifixo no rosto dela. Ela afasta-se com uma feição distorcida, plena de raiva e amarinha pela parede numa acção de fuga. O Lemos estava pálido e ofegante. Finalmente, conseguem sair do interior da discoteca.

No exterior, diversas pessoas gritavam e corriam de um lado para o outro. Pelas portas, ainda saíam alguns retardatários, alguns deles evidenciando leves ferimentos. A discoteca ficara parcialmente destruída pela multidão em fuga. De súbito, dão de caras com a João que estava acompanhada do seu amigo Matias que tremia como varas verdes.
- Meus queridos, podem-me explicar o que foi isto? - pergunta ela.
- Olha, eu ainda não entendi o que foi... - responde Augusto Luís.
- São vampiros! São vampiros! - gritava o Fonseca, fora de si.
- Como é que conseguiste sair tão rápido? - interroga o Ferreira.
- Foi logo que a confusão teve início. Eu e o Matias corremos para a área VIP. Depois, fomos rapidamente evacuados pelos seguranças, juntamente com a comitiva dos Cure, que a esta hora devem estar a caminho do hotel.
- Que horror! Nós ficámos aqui fora à vossa espera...só víamos gente a sair e ouviam-se uns grunhidos terríveis lá dentro! - interrompe o Matias cheio de trejeitos.
Mal acaba de falar, o Matias estremece ao ver um carro avançar na direcção deles a toda a velocidade. Era uma carrinha Saab preta com vidros fumados. Eles conseguem desviar-se a tempo de evitar um acidente. Mesmo assim, o Reis consegue descortinar o rosto de uma das vampiras no interior do automóvel.
- São eles! São eles! - grita ele.
- Rápido! Vamos atrás desses malditos! - diz o padre, correndo na direcção de um jipe UMM a cair aos pedaços.
- Eu não vou a lugar nenhum! - protesta o Fonseca.
- Vá, não há tempo a perder! Deus colocou-vos no meu caminho. Acompanhem-me por favor... - insiste o religioso.
Os amigos entreolham-se amedrontados, mas vão avançando para o jipe. A João corre atrás deles. Ao longe, já se ouviam as sirenes da polícia.
- Deixem-me ir com vocês! - grita exasperada.
- Tem paciência! Na última vez, levaste um tiro por nossa causa, lembras-te? Vai para casa com o teu amigo. Qualquer coisa, nós ligamos para ti, ok? - diz o Reis, saltando para a traseira do jipe, onde os outros já se amontoavam.
Nem houve tempo de escutarem a resposta da João. O padre arrancou do estacionamento, de forma veloz, fazendo o jipe soltar uma baforada de fumo preto.

Nos instantes que se seguiram, permaneciam todos em silêncio, envoltos nos seus pensamentos mais sombrios. Apenas se ouvia o ronco ensurdecedor do motor a diesel, que deveria estar em rotação máxima. Seguiam o caminho da Av. 24 de Julho. O silêncio é interrompido pelo Lemos que ocupara o banco dianteiro, ao lado do padre.
- Antes de mais...quem é o senhor?
- Sou o padre Amaro.
- A sério? Então foi você que papou a Soraia Chaves naquele filme? Mas você está muito diferente... divaga o Lemos.
- Valha-me Deus! Não diga disparates meu filho...isto é assunto sério!
- Mas diga-me sr.padre...o que estamos a fazer? Qual é o objectivo disto tudo? - pergunta Augusto Luís, tentando imprimir seriedade na conversa.
- Sou ajudante do padre Fontes de Vilar de Perdizes...
- O dono do hotel assombrado em Montalegre! - interrompe o Ferreira.
- Esse mesmo. E sou dos poucos padres com autorização do Vaticano para praticar exorcismo e um dos últimos caçadores de vampiros no mundo - explica com autoridade.
- Vampiros? Está a brincar connosco? - questiona Augusto Luís com cepticismo.
- Não em vai dizer que não viu os dentes das criaturas! E toda aquela força sobrenatural?
- Eu não disse? Eu não disse? - berra o Fonseca - Estamos fritos!
- Tem calma rapaz! Estamos perante um clã de vampiros. Acredito que tenhamos força suficiente para os derrotar. Resta-nos descobrir onde fica o seu esconderijo. Depois disso, terei que vos ensinar algumas coisas - esclarece o padre.
- E você acha que os vamos alcançar nesta lata velha? - pergunta o Lemos com desdém.
- Deus iluminará o nosso caminho! Pelas minhas investigações, sei que eles se refugiam algures na linha de Cascais - continua o padre Amaro, sem despregar os olhos da estrada.
À saída de Algés, conseguem alcançar o Saab preto. Pelos vistos, os vampiros não desconfiavam que eram perseguidos e acreditando estarem a salvo, tinham diminuído a velocidade. A perseguição continuaria pela Av.Marginal...

Continua...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Casos de Polícia

Dentro do medíocre panorama televisivo brasileiro, verifico que os programas policiais têm um enorme sucesso de audiência. Aliás, não será difícil compreender este fenómeno, num país com elevadas taxas de criminalidade. No entanto, acredito que a maioria destes programas envereda por um popularismo e alarmismo excessivo. Olhando para as grelhas de programação locais, destaco o programa Patrulha da Cidade, apresentado pelo folclórico Paulo Wagner, que me proporciona muitas gargalhadas na hora de almoço. Curiosos? Podem ver o seu programa
aqui

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Um Novo Inquilino


Neste fim de semana, a minha mãe acolheu cá por casa um novo inquilino. Trata-se de um coelho bébé mas muito ladino, que decidi baptizar de Camané. Após uma certa timidez inicial, ele está-se a revelar verdadeiramente endiabrado. Depois de ingerir os seus pedaços de cenoura vitaminada, corre pela casa e esconde-se nos locais mais inusitados, tornando-se cada vez mais difícil agarrá-lo. Arranjei forma de atribuir um tratamento princípesco ao meu novo amigo e destinei-lhe um dos quartos vados para seu uso exlusivo. Depois da cadela Pipa
surge o coelho Camané. Veremos que outro género de animais ainda irei acolher aqui em casa...

domingo, 16 de dezembro de 2007

Sabores Lusitanos


No ano de 2006, um casal trocou uma trajectória estável em Portugal pela incerteza de um mercado novo e transformaram o restaurante Santa Maria num ícone da culinária portuguesa em Natal. Ingredientes de primeira - com numerosos pratos de bacalhau -, uma equipa experiente, acompanhamento cuidadoso dos proprietários, boa carta de vinhos nacionais e uma irresistível bandeja de doces sustentam a fama da casa na cidade. Trata-se de um restaurante com uma excelente localização, ambiente acolhedor e uma decoração castiça onde pontificam diversas gravuras de paisagens portuguesas e tapetes de Arraiolos.
A semana passada, passei por lá para jantar com um amigo e tive a oportunidade de provar um delicioso bacalhau à Zé do Pipo, confeccionado pela esposa do proprietário que lidera a equipa da cozinha. Como acontece sempre que encontramos um compatriota além-fronteiras, fiquei em amena cavaqueira com o simpático Sr.Domingos que me relatou as suas experiências por estas paragens. Sendo ele um antigo residente em Carnaxide, acabei por descobrir que temos conhecidos em comum. Mais surpreso fiquei ainda, ao saber que já se realizaram algumas noites de fado no estabelecimento que obtiveram bastante sucesso. Fiquei com a certeza que voltarei em breve a este recanto lusitano. È uma casa portuguesa com certeza!

Laços Eternos




Em raros momentos, a publicidade consegue comover-nos...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Barba & Cabelo


Um simples corte de cabelo, na maioria das vezes, pode-se tornar um excelente momento de conversa. Num salão de beleza masculino, os assuntos rondam invariavelmente três assuntos primordiais: mulheres, anedotas e futebol. Esta semana, a minha sessão de tosquia, foi acompanhada de um diálogo peculiar que vou tentar reproduzir.
Alexandre: Oi portuga!
Capitão-Mor: Oi Alexandre! Tudo bem com você?
A: Tudo beleza! Nossa, se todo o mundo demorasse pra cortar cabelo como você, eu abria falência...
CM: Realmente, faz tempo...
A: Seu penteado é meio diferente. Lá em Portugal, é essa a moda?
CM: Estou por fora das modas de lá. Em Lisboa, diriam que tenho cabelo à beto...
A: Beto? O que é isso?
CM: Hum...o que vocês chamam de mauricinho.
A: Ah,tá! Como vai ser o corte?
CM: Você já sabe como é...só tirar um pouco o volume e não se atreva a tirar-me as costeletas (patilhas).
CM: Entendi. Sabe que a primeira vez que você entrou aqui, eu pensava que você era argentino?
CM: Porquê?
A: Não entendia bem o que você falava e por causa desse cabelão. Aliás, os portugueses têm esse problema...
CM: Que problema?
A: Ou são carecas ou muito cabeludos! Sabe que eu trabalhei numa barbearia de um português, lá em São Paulo?
CM: Ai foi?
A: Ficava na Vila Maria. Tinha um monte de clientes portugueses. Tudo carecas ou cabeludos demais. O patrão, o sr.Vítor, bebia bagaceira logo pela manhã! Pense num negócio doido!
CM: E você, já experimentou a nossa bagaceira?
A: Sim. Ás vezes,ele dava pra mim. Forte demais! Prefiro cana...
Instantes depois, Alexandre larga tudo e vai para a porta do salão.
A: Vixe! Ei portuga, tá vendo aquela bichinha gostosa que está passando?
CM: Não é nada má! - respondo, esticando o pescoço na direcção da porta.
A: Fico doido quando vejo aquela bunda! Tô vendo se pego ela!
CM: Mas você já me disse que é casado...
A: Qual é o problema? Você tá por fora, meu amigo! E você, ainda não casou?
CM: Não. Estou bem assim. Há coisa melhor que ser solteiro?
A: Faz muito bem. Essa mulherada é toda doida! Você casa, uns anos depois ela pede o divórcio e tu se lasca. Pense num negócio sem futuro!
CM: Como assim?
A: Aí você tem que dividir as tuas coisas, dar pensão...entendeu?
CM: Ah, sim! Por enquanto, estou longe desses problemas.
A: Mas você não me engana não! Tu tem cara de playboy! Você tem um jeito mineirinho...sabe como é?
CM: Come pela calada?
A: Isso mesmo! Mas tenha cuidado. As mulheres daqui são loucas pra pegar um gringo!
CM: Já estou farto dessa conversa. Há gente boa e má como em qualquer lugar.
A conversa ainda prosseguiu em torno de personalidades locais, sobre o fracasso do América/RN no campeonato brasileiro e minutos depois, já me vou preparando para sair com um visual renovado.
A: E aí? Está do jeito que você queria?
CM: È...está óptimo!
A: Bom, agora já sei que só vejo você daqui a dois meses!
CM: Ah,ah,ah! Mais ou menos isso...
A: Vou chamar você de Rei Leão, viu?
CM: Pode ser. Bem, vou indo...estou com pressa.
A: Tá certo. Vá com Deus e cuidado com a mulherada. Viu portuga?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Blogsérie: O Clã - Episódio 2


Ultrapassadas as barreiras de segurança, o amigo do Fonseca distribui entre todos, os passes de livre acesso aos camarins. Logo de seguida, faz sinal para que o sigam até ao local onde a banda se encontra. Fonseca ainda olha mais uma vez para trás, mas o grupo que parecia persegui-los, desaparecera do seu campo de visão. Talvez fosse paranóia sua, pensou ele.
Momentos depois, chegam junto a uma área reservada. Perto de uma porta, um pequeno aglomerado de jornalistas e pessoal da produção. Lá dentro, estão os cinco integrantes dos Cure em carne e osso. O ambiente era iluminado por velas e eles estavam sentados numa mesa, onde lhes era servida uma ceia. O fundo musical, era uma suave música indiana. Tudo muito zen. O Ferreira está visívelmente emocionado. Apresentaram-lhes os músicos que se mostraram bastante afáveis. Cumpriu-se o ritual dos autógrafos e fotografias da praxe. Durante o breve diálogo, é-lhes comunicado que mais tarde, haveria uma festa na discoteca Lux. Momentos depois, já fora do recinto, os cinco amigos discutem sobre o rumo a seguir depois de saírem dali.
- Como é pessoal? Vamos para onde? - questiona Augusto Luís.
- Não querem ir ao Lux? - avança o Ferreira ansioso.
- Tu queres ir para o Lux? Estás doente? - ironiza o Lemos.
- Pá, vocês ouviram que a festa vai ser lá...provavelmente com bar aberto para os convidados!
- Chiça! Agora querem-me obrigar a andar atrás desses cromos, o resto da noite? - atira Augusto Luís, irritado.
- A mim não me parece má ideia. Copos à borla! - exclama o Fonseca.
- Augusto, deixa de ser embirrante! Ah, acredito que a João também deve estar por lá - continua o Ferreira.
- Eu queria dar um pulinho à Duque de Loulé - Augusto Luís não desarma.
- Boa ideia! - grita o Lemos - Ou então vamos naquele clube de swing. Ouvi dizer que a minha prima é frequentadora assídua...
- Farto disso estou eu! Ó Lemos, tu só podes ser parvo! Como é que queres enfiar cinco marmanjos numa boite swing? Poupa-me!
- Hum...então bora lá para esse tal de Lux... - responde o Lemos.
- Então, está decidido. Encontramo-nos lá, daqui a vinte minutos? - propõe o Reis apressado.
Acabaram por chegar a um acordo. Augusto Luís faz uma careta, mas segue os amigos, que se vão dirigindo para os locais onde tinham estacionado os seus carros.

Lisboa - Discoteca Lux - 02.20h
Um armazém reconvertido em sala de espera de aeroporto. A decoração aparentava ter sido feita base à base de amostras de fabricantes de cadeiras; não se viam duas iguais. No entanto, a selecção musical era excelente. Num recanto mais discreto, estava a comitiva dos Cure. No meio daquela multidão, o Ferreira tinha conseguido localizar a João acompanhada por um amigo excêntrico que atendia pelo nome de Matias. O grupo conversava alegremente. A eles, tinha-se juntado o Jason, baterista dos Cure, que parecia ter engraçado com o Lemos que tentava dialogar com ele no seu inglês macarrónico.
Ás tantas, todos os olhares pareciam seguir um fulano alto e careca. Atrás dele, uma numerosa corte, maioritariamente composta de gente com ar intelectualóide e óculos de massa.
- Quem é aquele? - interroga o inglês.
- Bem se vê que és estrangeiro. Manuel Reis! - responde o Lemos aos berros, como se isso melhorasse o entendimento.
- E o que é um "Manuel Reis"?
- É o Papa da noite de Lisboa! O Frágil, lembras-te? Era dele. Agora, é dono disto. É sócio daquele actor meio careca...o...Milosevich! Acho que é esse o nome...sei lá!
Jason olha para o Lemos com um ar aparvalhado e encolhe os ombros. Manuel Reis avança na direcção da área VIP. Provavelmente iria cumprimentar a banda. Augusto Luís aproveitou a distracção do povo para chegar ao balcão. Pouco depois já bebericava o seu bloody mary; só que este não dava sinais de contar uma gota de álcool. Mal humorado, dirigiu-se ao barman.
- Vou-te dar uma novidade: é costume isto levar vodka! pelo menos, é assim que costumo beber lá no Blue Velvet do meu amigo Ferreira...
- Eu sei; e esse até tem bastante.
- Mas aqui a vodka é servida com conta gotas?
- Não. È mesmo essa a dose certa.

Augusto Luís imaginou o troféu do funcionário da semana. Seria entregue, ao empregado que conseguisse servir 180 doses com uma só garrafa! Pertinho dele, com ar de pânico, a João puxava-lhe uma das mangas.
- Vê se controlas o mau génio. È que eu gostava de cá poder voltar...
Já era demais. Augusto Luís estavas prestes a explodir.
- João, numa coisa posso ficar descansado. Se este é o teu local preferido, já não tenho de me preocupar com a hipótese de dares em alcoólica. E se os teus amigos são todos como esse Matias de cachecol rosa choque, também sei que não é tão cedo que ficas grávida...
Entretanto, a zanga é interrompida pelo Fonseca que surge esbaforido, perto deles.
- Porra! Olhem ali para a pista! Eu não acredito no que estou a ver...
No meio da pista, via-se o Ferreira espartilhado nas suas roupas pretas. dançava na companhia de uma bela morena que ostentava uns longos cabelos negros. Ele parecia hipnotizado pelo olhar daquela mulher de aspecto misterioso.
- Não estou a ver nada de mais...já sabes que o Ferreira não pode ver um rabo de saias! - diz Augusto Luís com displicência.
- Não estás a entender! Aquela mulher e os amigos dela estão-nos a perseguir desde a hora do concerto. Eu vi-os aqui há uns cinco minutos e tratei de avisar o pessoal. Agora vejo que é tarde demais!
- Mas tu estás bêbado? Não dizes coisa com coisa!
- Acreditem no que estou a dizer! Há alguma coisa muito estranha com aqueles gajos - explica o Fonseca, em desespero.
Dito isto, Augusto Luís concede o benefício da dúvida e fixa o olhar no dueto que se rebolava ao som das batidas electrónicas. Instantes depois, ele vê a morena envolver o seu amigo num abraço sedutor. Beija-o numa atitude de luxúria. De seguida, ele observa que ela aproxima a boca do pescoço do Ferreira. Subitamente, Augusto Luís arregala os olhos ao vêr o tamanho dos dentes da mulher. Solta um grito e avança rapidamente para a pista, empurrando o pessoal todo.

Continua...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Mãos à Obra!


Na impossibilidade de obter um exemplar original da Garrett, este ano vou tentar confeccionar pela primeira vez um bolo-rei, tradicional iguaria do Natal português e que servirá para matar saudades. Parece-me um pouco trabalhoso, mas estou confiante nas minhas artes de pasteleiro. Se estiver inspirado, ainda sou capaz de me arriscar a fazer umas broas castelares que aprecio bastante.

Bolo Rei

Ingredientes:
1,250 Kg de farinha de trigo
50 g de fermento de padeiro ou 25 g de fermento organico
3 dl de leite
250 g açucar
12 ovos
300 g de manteiga
1 g de sal
150 g de passas
100 g de cidrão doce
100 g de ameixas
100 g de amêndoas
150 g de nozes
150 g de pinhões
frutas cristalizadas

Confecção:
Amassam-se duzentos e cinquenta gramas de farinha de trigo da melhor com cinquenta gramas de fermento de padeiro ou com vinte e cinco gramas de fermento orgânico em pasta, desfeito qualquer deles em um decilitro de leite morno, tapa-se bem e deixa-se a massa a levedar em sítio quente, por cinco a seis horas.
À parte deita-se num alguidar um quilofrinha, amassando-o com duzentos e cinquenta gramas de açúcar em pó, seis ovos inteiros, seis gemas, trezentas gramas de manteiga derretida, um grama de sal fino e dois decilitros de leite, devendo ficar uma massa consistente; podendo-se deitar mais leite se for necessário por a farinha ser muito seca. Misturam-se os duzentos e ciquenta grama de farinha que se amassaram com o fermento, amassando tudo bem, e, em estando a mistura bem homogénia, juntam-se cento e cinquenta gramas de passas, cem gramas de cidrão doce cortado miúdo, cem gramas de ameixas de Elvas cortadas aos quartos e sem caroço, cem gramas de amêndoas despeladas, cento e cinquenta gramas de nozes cortadas em quatro bocados e cinquenta gramas de pinhões; amassa-se novamente para encorporar bem na massa todos os elementos que se juntam, cobrindo-se com um pano deixando levedar até aumentar o volume de metade, o que precisará de pelo menos de seis a dez horas, conforme a temperatura do ar e o estado atmosférico, sendo preferível preparar a massa à noite para cozer no dia seguinte.
Estando a massa bem levedada,fazem-se bolos em coroa, pondo-se no vazio do centro uma tigela ou um copo para não fechar; por cima da massa põem-se algumas ameixas de Elvas cortadas ao meio e pêras ou outras frutas secas cristalizadas e algumas amêndoas, deixando repousar por duas horas, polvilhando com açúcar pilé e pondo-os a cozer no forno com calor forte.
Antes de pôr no forno, pode-se pintar a massa por cima com gema de ovo.
Feita a massa fazem-se os bolos e pôem-se em tabuleiro indo ao forno de calor brando.

Morte de Um Dissidente


Em 2006, o dissidente Alexander Litvinenko foi envenenado e, diante das câmeras do mundo todo, anunciou que o responsável era ninguém menos que Vladimir Putin, então acusado de cercear a liberdade de imprensa na Rússia. Morte de um Dissidente é a história desse crime, típico dos tempos da KGB, e também um retrato detalhado da Rússia atual, de sua nova dinâmica política e da subida de Putin ao poder. Uma boa análise sobre os actuais rumos da espionagem, após a queda da Cortina de Ferro.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Geração Solteira


Se até as beldades enfrentam problemas na área, imagine as mortais comuns. Bonitas, bem-sucedidas e inquietas, as neo-solteiras querem casar, mas elencaram tantas condições para os pretendentes que não conseguem manter uma relação estável.
Elas já inspiraram séries norte-americanas - SEX AND THE CITY - e são fonte inesgotável de livros de auto-ajuda. Nas grandes metrópoles, o grupo de solteiras bem-sucedidas é cada vez maior. São mulheres entre 30 e 40 anos que investiram tudo na profissão, deixaram o casamento para depois e agora estão ansiosas para encontrar um homem que assuma compromisso e queira ter uma família. Mas não está fácil nem para as lindas e famosas. Não que tenham problema para arranjar namorado. Isso nunca!

O consenso feminino é que os homens não foram educados para conviver com mulheres tão auto-suficientes e ficam confusos. empecilho, prefiro ficar sozinha".
Muitas mulheres querem constituir família, mas não a qualquer preço. Diferentemente das solteiras do passado, que se sentiam humilhadas por não terem sido escolhidas, as novas solteiras orgulham-se de quem são e têm até data comemorativa - o Dia da Solteira, 15 de Agosto. Elas acham que estão sozinhas porque não encontram homens à altura. Mas será só isso?
A neo-solteira deseja encontrar alguém igual ou melhor do que ela. Isso significa alguém bem-sucedido no trabalho, com um ótimo círculo de amigos e programas interessantes para propor. Ou seja: uma versão masculina do que a mulher vê no espelho.

As neo-solteiras não vêem graça na velha ideia romântica de largar tudo por um grande amor. O motivo é simples: elas também sentem ardente paixão pelo trabalho, sobretudo aquele que foi escolhido por vocação.
A situação é paradoxal: as solteiras querem, mas também não querem casar. Várias mulheres na faixa dos 30 anos são filhas de pais divorciados, já viram muitos casais se desfazerem e desconfiam dos acordos conjugais.
Essa geração não vê sentido na dor. Se sofrer com um amor, encara a experiência como um erro que não se deve repetir. Assim, fecha-se para novos encontros ou vai trocando de namorado.
Com tanta confusão nas cabeças das meninas de hoje, só tenho pena de não ter optado pela carreira de psicanalista, já que não tenho o poder de me transformar no super-homem que elas tanto procuram...