quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Casamento à Vista?


Durante os últimos tempos, tenho seguido com especial interesse as divertidas picardias entre o Réprobo e a T. Bem a propósito, após o almoço, recebi aqui no forte a visita do feiticeiro da tribo dos potiguares que revelou ter tido contacto com os espíritos dos seus antepassados. Nessas visões, foi-lhe comunicado que haverá um grandioso casamento na metrópole durante este ano. Temendo ter chegado a hora de ser laçado, tratei logo de aprofundar a questão e qual não foi o meu espanto, quando soube que o matrimónio envolvia estes dois parceiros blogosféricos que adoram degladiar-se carinhosamente.
Assim sendo, ofereço-me desde já para ser padrinho de casamento do ilustre Visconde de Birre e até já tratei de me adiantar nos preparativos para a festa. Espero que gostem dos modelitos que a minha comitiva escolheu para a cerimónia e quanto a datas, proponho o dia 31 de Julho. Porque depois entra Agosto...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Regresso ao ISCSP


Por vezes, sinto que a minha permanência no Brasil me está a deixar baralhado em termos de referências e linguagem. Nesta madrugada, o meu subconsciente fez-me ter um sonho muito estranho. Fiz uma viagem ao passado, em que recuei aos tempos de estudante universitário no ISCSP. Lá estava o belo palácio Burnay, onde este instituto se localizava. Logo na entrada, vejo alguns colegas da época misturados com pessoas que conheço daqui. Depois subo as escadarias e noto que o jardim está profundamente alterado. Esgueiro-me para um dos terraços do palácio e deparo-me com uma paisagem invulgar. Não era a velha Rua da Junqueira que eu avistava, mas sim, a praia de Ponta Negra aqui em Natal.
Lembro-me que mesmo no sonho, eu tinha consciência que havia algo de errado. Recordo-me também que andava à procura da Rubina que tinha ficado de me emprestar uns livros, mas tardava em aparecer. A revelação mais bizarras, foi verificar que todas as pessoas se dirigiam a mim, expressando-se em português com sotaque brasileiro, inclusive os meus mestres António Marques Bessa e Jaime Nogueira Pinto.
Pouco depois, entro na cantina e cruzo-me com a Josinete, antiga empregada da minha casa, e entro em pânico. Desato a correr na direcção da rua, tropeço em qualquer coisa e acordo alagado em suor...

Pesca Grossa


Instigado pelo meu amigo Réprobo, ao raiar da manhã, debrucei-me nas muralhas do forte e lancei a minha rede de pesca no mar. Minutos depois, fui surpreendido com a captura de uma magnífica sereia que sintetiza da melhor forma a exuberância sensual da mulher brasileira. A beldade soprou-me no ouvido o seu nome - Carol - e confidenciou-me já ter feito sucesso num célebre reality show da televisão brasileira.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

RN lidera investimentos estrangeiros


Não há uma fonte única a ser consultada quando o assunto é investimento estrangeiro nos sectores turístico e imobiliário do Rio Grande do Norte. Mas há pistas que dão uma idéia de quanto o dinheiro “importado” representa na economia do estado. Segundo informações da Secretaria Estadual de Turismo (Setur), cerca de 300 empreendimentos turísticos podem começar a ser construídos até o fim de 2008; além disso, somente os espanhóis vão aplicar R$ 3,2 bilhões nos próximos anos. No entanto, a recente prisão de integrantes da máfia norueguesa levantou suspeitas sobre os investidores do exterior. Contudo, quem conhece o mercado afirma: a ilegalidade é uma pequena excepção, reflexo da imensa visibilidade que Natal está ganhando lá fora.

Um levantamento feito pelo economista potiguar José Aldemir Freire, com base nos Boletins Estatísticos dos Mercados Supervisionados do Banco Central, mostra que, entre 2004 e 2005, US$ 54,7 milhões entraram no RN. A maior parte deste valor (65%) era de origem espanhola. Itália, Estados Unidos, Noruega e Portugal vinha em seguida, nesta ordem, no ranking dos países que mais enviavam dinheiro para o estado. Ao que parece, a Espanha deverá permanecer no topo da lista. Os R$ 3,2 bilhões que os espanhóis vão investir nos próximos anos representam 56% dos recursos dos investimentos em turismo, urbanismo e setor imobiliário da Agenda de Crescimento, pacote de ações do Governo do Estado para desenvolver o RN até 2010.

Outra informação que mostra o crescente interesse de estrangeiros pelo estado vem do Ministério do Trabalho. De acordo com o órgão, o RN lidera os investimentos diretos (declarados quando é concedido visto permanente) do país entre 2004 e 2006, com US$ 46,6 milhões acumulados - se considerarmos a cotação do dólar em 29 de dezembro de 2006, esse volume isolado equivale a R$ 99,2 milhões, ou 5,1% da arrecadação de ICMS do ano passado. Em 2005, o montante trazido pelos estrangeiros ao RN foi o primeiro lugar do país. No ano passado, o estado caiu para a terceira posição, mas ainda à frente de nomes como Rio de Janeiro e Bahia .
O interesse de estrangeiros começou a surgir em 1996, época em que pequenos e amadores “desbravadores” do exterior começaram a descobrir o potencial turístico de Natal. Hoje, os grandes investidores são atendidos por uma equipas multidisciplinares, composta por engenheiros, arquitectos, advogados e corretores, que interagem com entidades privadas e órgãos públicos para dar o melhor encaminhamento ao capital internacional.

Colonos & Arruaceiros

Obviamente que notícias como as que são descritas no post acima, não podem agradar a todos, sobretudo numa região que nunca fez parte das tradicionais rotas de imigração para o Brasil e onde uns poucos previlegiados acreditavam ser donos e senhores destas terras. Ontem, ao folhear a edição de domingo da Tribuna do Norte, deparo-me com um trecho da coluna de Eliana Lima que me deixou incomodado pelos seus contornos xenófobos.

Um...
Um apaixonado por estas terras potiguares desabafa em torno das tantas grandiosidades anunciadas para o ‘desenvolvimento’ do Estado: - Não sou contra esses mega-empreendimentos que priorizam turismo de segunda residência para europeus; mas o que isso realmente significa?
Significa que estamos vendendo barato pedaços significativos do território brasileiro, que se tornarão enclaves de outros países aqui dentro. Ou você acha que brasileiros poderão circular livremente por esses condomínios? Só se for puxando carrinhos com tacos de golfe....

...Desabafo...

“Adicionalmente estaremos importanto uma população que não interessa mais aos seus países de origem: idosos para os resorts de praia e arruaceiros desqualificados em busca de sexo-turismo para os flats da capital. O Estado e os municípios terão que abrir seus rotos cofres e pagar por toda a infraestrutura que esses empreendimentos vão demandar: estradas, energia elétrica, esgotamento hidrossanitário, coleta e tratamento de resíduos sólidos e efluentes, segurança pública, hospitais, escolas e tudo o mais”.

...Pelo RN

“Na minha opinião, quem tem que pagar por tudo isso são os empreendedores! Porém, uma viagenzinha para a Espanha aqui, um jantarzinho com Antoniosbanderasdavida acolá, com as pessoas certas, e está tudo resolvido: somos nós, os pobres brasileiros, que vamos pagar por todo o bem-estar desses “excluídos”, que só dão prejuízo a seus países de origem”.
É isso!!!


Numa primeira análise, sou levado a acreditar que esse tal "apaixonado" pelas terras potiguares, é um forte adepto das teorias da conspiração. Ele deve imaginar que todos os europeus que chegam por aqui, serão malévolos agentes secretos que ameaçam a soberania da nação brasileira.
Quanto ao resto, devo informar a este iluminado, caso ele ainda não se tenha apercebido, que vivemos numa sociedade globalizada e que o sistema capitalista e a propriedade privada imperam no mundo ocidental. Eu pelo menos, nunca encarei diversos resorts do Algarve, predominantemente frequentados por britânicos e alemães, como ameaças e também não acredito que os espanhóis estejam a planear a irradicação dos alemães em Palma de Maiorca.
Mais uma vez, fico indignado com esta teoria de que os estrangeiros são fonte de grande parte dos problemas do Rio Grande do Norte. Bons e maus exemplos existem em qualquer local do planeta, mas o que se torna errado é tomarem as más referências como base de catalogação de pessoas. Ou serão todos os brasileiros residentes no exterior, exemplos veneráveis de honestidade, moral e bons costumes?
Não me acusa a consciência de nada. O que tenho é meu, foi fruto do meu trabalho e nunca roubei nada a ninguém. Até mesmo as mulheres que se cruzaram aqui na minha vida, estiveram comigo de livre e espontânea vontade e não porque lhes efectuei qualquer tipo de pagamento.
Tomem mais atenção com problemas de pontes superfacturadas, com políticos que desviam verbas de merendas escolares, a ineficiência dos serviços públicos ou compras de votos e só depois se lembrem dos incómodos que os estrangeiros vos possam causar. Estrangeiros esses, que continuam a injectar capital na região, a criar postos de trabalho, a fazer boa parte da promoção turística de Natal além-fronteiras e que também acolhem milhares de cidadãos brasileiros nos seus países de origem.
Por outro lado, entendo que este tipo de opiniões seja proveniente dos retrógados coronelistas nordestinos, que ainda encaram os ventos de mudança como ameaça ao seu status quo. A resistência ao cosmopolitismo e à mudança de mentalidades ainda persiste numa terra onde os compadrios falam mais alto.
Para concluir e não me querendo alongar em temáticas desagradáveis, gostaria de saber em que categoria de estrangeiros, a D.Eliana me enquadraria. Não sendo idoso, parece que serei catalogado de arruaceiro pervertido que não interessa mais ao seu país de origem...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Bom Fim de Semana!


Após uma semana particularmente cansativa, vou-me recolher ao conforto de casa para um merecido repouso. Vou-me abster de noitadas, aproveitar para colocar algumas leituras em dia e vêr alguns filmes.
Segunda-feira regressarei ao teclado, para actualizar os devaneios aqui do Forte...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cristovão Colombo - O Enigma

O mais recente filme do realizador português Manoel de Oliveira Cristóvão Colombo, o Enigma, faz uma reflexão sobre a possibilidade do navegador ter nascido no Alentejo, em Cuba. O realizador, que completou 99 anos, participou no filme, que estreia hoje, em conjunto com a mulher.
O filme de Manoel de Oliveira baseia-se no livro de Manuel Luciano da Silva e de sua mulher, Sílvia Jorge da Silva, Cristóvão Colón era português, que em Portugal já vendeu mais de 14.000 exemplares.

Manuel Luciano da Silva, médico de profissão, radicado nos Estados Unidos há vários anos, considera que o filme "é uma vitória para o próprio realizador, para o cinema português e para os cinco de milhões de emigrantes".
"Em Portugal enchem muito a boca com os cinco milhões de emigrantes, mas o Manoel de Oliveira contou a história de dois desses entre as milhares de histórias dramáticas e de odisseia", afirmou.
Cristóvão Colombo - o Enigma parte da tese de que o navegador era português, mas acaba por ser uma reflexão sobre a identidade portuguesa e a importância dos Descobrimentos.
A película ficciona a vida do casal Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva, emigrados nos Estados Unidos, em busca de pistas que corroborem a tese da identidade lusa daquele descobridor.
No filme, os autores do livro são retratados por Manoel de Oliveira e pela mulher, Maria Isabel de Oliveira, que contracenam pela primeira vez juntos no grande ecrã.
Os actores Ricardo Trêpa e Leonor Baldaque interpretam os mesmos papéis, mas quando os dois autores eram mais novos.
Com pouco mais de uma hora, o filme foi rodado em Portugal e nos Estados Unidos e termina na ilha de Porto Santo, um lugar onde na realidade Colombo viveu com a mulher, D. Filipa de Perestrelo.
Um filme que representa a vitória humana do mundo português e é sobretudo uma história de amor, de uma vida conjugal normal, com família.

O Grande Aventureiro


Extraordinária personagem da literatura e dos descobrimentos, Fernão Mendes Pinto é o grande aventureiro português. O Marco Pólo lusitano. Da simplicidade de Montemor-o-Velho, viajou entre a exuberante Índia, a misteriosa China e o exótico Japão. Experiências que o levaram a escrever a Peregrinação, extraordinário livro de viagens e aventuras, e a tornar-se uma referência da época de glória de Portugal. Pirata, soldado, mendigo, cativo... Mostrou como os homens, em qualquer parte do mundo, são iguais.
Fernão Mendes Pinto era um escritor talentoso, mas talvez seja lembrado sobretudo pela sua dedicação ao relato das aventuras dos descobrimentos. A sua Peregrinação contribui para esta reivindicação à história. O escritor foi protagonista de uma pequena grande história.

Oriundo de uma família de Montemor-o-Velho, cedo tomou contacto com a luxuosa vida na corte. Era ainda muito pequeno quando um tio o levou para Lisboa e o colocou ao serviço na casa do duque D. Jorge, filho natural do rei D. João II. Ali trabalhou durante cinco anos, dois dos quais como moço de câmara do próprio duque, o que lhe possibilitou preservar o elevado estatuto social da sua família, contrariando a precária situação económica que atravessava.
É aos 27 anos que parte para a Índia, ao encontro de dois dos seus irmãos, iniciando assim uma aventura ímpar na história de Portugal.
A sua viagem é contada na obra que escreve, anos mais tarde, já regressado a Portugal. A Peregrinação é um fantástico livro de viagens que relata, ao pormenor, todas as façanhas, aventuras e desventuras de Fernão Mendes Pinto. O seu conteúdo é exótico e raro. Descreve detalhadamente a geografia de destinos longínquos e desconhecidos para a época, como Índia, China, Birmânia, Sião e Japão. Mostra os costumes, credos e tradições destas culturas orientais. O autor é tão descritivo e aventuroso que fez nascer um rol de ironias à volta da obra. Ninguém acreditava ser possível assistir a tantas festas, guerras e funerais, tudo tão diferente e estranho ao mundo ocidental. Foi tão pouco levado a sério que muitos deixaram de chamá-lo pelo nome. Tratavam-no por “Fernão, Mentes? Minto!”. Ainda hoje é assim conhecido.
O problema de Peregrinação, para a época, foi apenas este: o autor contava coisas totalmente desconhecidas. Ninguém aceitava que o Oriente fosse assim.

A entrada na Companhia de Jesus alterou-lhe a personalidade. Libertou todos os seus escravos, entregou a sua fortuna aos pobres e à própria ordem religiosa, em Goa. Contudo, a sua missão como “irmão leigo” dura apenas até 1557, ano em que decide pôr ponto final nessa aventura. A decisão advém da viagem que faz, novamente ao Japão, em 1554, como noviço da Companhia de Jesus e embaixador do vice-rei D. Afonso de Noronha, junto do rei de Bungo. O desencanto foi total, quer com o comportamento do seu companheiro quer com a própria Companhia. Um desgosto que o faz regressar a Portugal. Um homem que faz do seu medo a sua coragem. Personifica a aventura do português do século XVI, que não tem poder e embarca para se safar, que aprendeu tudo o que tinha para aprender. Como os nossos emigrantes.

Já de volta ao seu país e com a ajuda do ex-governador da Índia, Francisco Barreto, Fernão Mendes Pinto compila documentos que comprovam os sacrifícios que realizou pela pátria, tendo direito a uma pensão, que… nunca chegou a receber. O escritor não queria apenas uma colher de compaixão. Queria mais do que isso. Depois deste episódio, voltou-se, abatido, e mergulhou na escuridão. Desiludido, arrumou a vontade e partiu para Vale de Rosal, em Almada, onde escreveu, entre 1570 e 1578, a sua inigualável Peregrinação. A obra só foi publicada 20 anos após a sua morte.
Mensageiro da verdade ou criador de ilusões, Fernão é um guerreiro, um sobrevivente. Como diz Carlos Magno, “é o nosso Marco Pólo. Se fosse americano, certamente Spielberg já teria feito um filme sobre ele”.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Um Leão às Direitas

Meu amigo de longa data, parceiro político e sportinguista de alma e coração, o Tony-Duque do Mucifal, está de regresso à blogosfera após um breve interregno. Em tempos, foi meu companheiro de armas no Condado, um outro forte onde debatíamos temáticas da área política. Resta-me desejar-lhe uma longa estadia neste universo e aproveito para vos convidar a fazer uma visita ao blogue deste meu nobre amigo.

O Feitiço do Império


Francisco Morais, emigrante português nos E.U.A., não esquece o amor à terra natal, o que não sucede com o filho, Luís Morais, que pretende nacionalizar-se americano. Antes de tal ocorrer, e apesar do seu noivado com Fay Gordon, uma rica herdeira de Filadélfia, o pai convence Luís a participar numa caçada em Angola, o que lhe dá ensejo de visitar Lisboa, Guiné, São Tomé, Angola, Moçambique - culminando com flagrantes documentais da visita do presidente Óscar Carmona a Lourenço Marques (Maputo). O conceito de portugalidade e o "feitiço do império" acabarão por influenciá-lo, para tal contribuindo a dedicação com que foi tratado por Mariazinha, filha de um comerciante do mato, após ser ferido por um leão.

Foi o primeiro filme de ficção a abordar as colónias ultramarinas e a obra colonizadora dos portugueses. Considerado como uma obra de ficção exemplar sobre a visão colonial do Estado Novo, foi produzida pela Agência-Geral das Colónias e integrada na Missão Cinegráfica às Colónias de África, de que António Lopes Ribeiro foi o director técnico e realizador. Integravam essa Missão, ainda, o major Carlos Afonso dos Santos, escritor e dramaturgo com o pseudónimo de Carlos Selvagem, que chefiava a equipa, Manuel Luís Vieira, como operador de câmara, e Paulo de Brito Aranha, responsável pelo som.
O argumento, da autoria de António Lopes Ribeiro, foi baseado num texto, muito diferente, de Joaquim Mota Junior, vencedor de um concurso realizado pela Agência-Geral das Colónias para o efeito. Lopes Ribeiro considerou "O Feitiço do Império" como a sua melhor película sobre a África portuguesa.
Estreou comercialmente no cinema Eden, em 23 de Maio de 1940, com a presença do Presidente da República.
Apenas está conservada (Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema) a banda de imagem que tive a sorte de poder assistir, graças a um amigo meu que trabalhou lá durante algum tempo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Crónica da Terra


Se eu tivesse de definir a cidade do Natal em poucas palavras, diria que se trata de uma cidade de média dimensão, que tem vindo a ter um crescimento impressionante nos últimos anos. Com uma população de cerca de 800.000 mil habitantes, a capital do Rio Grande do Norte é o ponto de partida para a descoberta de um extenso litoral, com as belas praias ao sul e as famosas dunas de Genipabu, na costa norte. O Morro do careca, o principal cartão postal de Natal, situa-se na praia de Ponta Negra, dentro do perímetro urbano. È nesta praia que se concentra grande parte da infraestrutura turística da cidade que tem vindo a marcar pontos como destino de lazer, a nível nacional e internacional.
Mas nem só de turismo e praias se vive por aqui e, noto que Natal tem vindo a adquirir características verdadeiramente cosmopolitas, dispondo de uma ampla rede de serviços equivalente a qualquer outra capital brasileira. Esta definição talvez fosse suficiente para um simples parágrafo de um guia de viagens, mas carce claramente de emoção. Então proponho-vos um roteiro, redigido pela Evelyne, nascida e criada nesta terra que me acolheu. Trata-se também de uma forma de homenagear a minha amizade com esta mulher sensível e amante das letras, que me proporciona bons momentos de leitura por intermédio dos seus blogues. Para terminar, não posso deixar de esboçar um sorriso, ao confidenciar-vos que ela chegou a suspeitar que eu era um agente secreto português infiltrado em território potiguar...

Peguem na Mochila


Ao longo do tempo, tenho desenvolvido o meu gosto em fazer viagens sózinho. Desse modo, liberto-me das rotinas de horários e itenerários pré-estabelecidos, companhias aborrecidas e permite-me o contacto com pessoas das mais diversas origens.
A partir da adolescência, tornei-me adepto das viagens de mochila às costas e das estadias em pousadas de juventude. Aprecio o clima informal e a convivência que se estabelece entre os hóspedes difíceis de concretizar em unidades hoteleiras convencionais. Aqui no Brasil, já tive oportunidade de conhecer alguns destes albergues que me proporcionaram dias muito divertidos. Com uma organização surpreendente, a rede de pousadas de juventude brasileiras, está presente na grande maioria dos pontos turísticos, constituíndo por si só um interessante melting pot, principalmente nesta época do ano. Podem espreitar aqui, o ambiente que se vive nestes estabelecimentos por estes dias. Locais pouco aconselháveis para os mais pacatos...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Essência de Heroísmo


Vice-rei da Índia. Serviu os reis D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I, que o mandou para a Índia, em 1503. Afonso de Albuquerque tinha um vasto plano para o Império e a conquista de posições estratégicas no Índico. Com uma pequena armada, Afonso de Albuquerque conseguiu feitos espantosos, daí ter uma hoste de inimigos. Apoderou-se da cidade de Goa. Grande administrador e diplomata. Ferido em combate, morreu à vista de Goa, deixando-nos esta frase repassada de sabedoria e amargura: Mal com os homens por amor del-rei e mal com el-rei por amor dos homens.

Canção do Bandido


A Teresa, acompanha-me neste ritmo?

sábado, 5 de janeiro de 2008

Parabéns!


Esta semana, o Gil comunicou-me que as minhas amigas Patrícia Doidinho (na foto) e a Augusta se tornaram mães durante o último trimestre de 2007. Mais uma vez, fiquei embevecido com o poder feminino de criar novas vidas, o milagre dos milagres que só um deus pode realizar. A capacidade da mulher em produzir vida com o seu útero torna-a sagrada. Uma deusa que nunca deixarei de venerar.
Decidi homenagear desta forma singela, estas duas amigas e expressar o contentamento que estas notícias me causaram. Para concluir, resta-me desejar as maiores felicidades aos pimpolhos e estou certo que serão muito amados por estas duas grandes mulheres.

Eu estava contigo no início, na aurora de tudo o que é santo, eu te gerei no ventre antes do raiar do dia.
O que estão a olhar?
A mulher que contemplas é o amor!
Ela habita na eternidade!

Cântico do Hieros Gamos

Morango Importado


A presença do jovem actor e cantor português Angélico Vieira no elenco de Dance, dance, dance (novela da Band), como um estudante que gosta de namorar mulheres mais velhas, indica que a novela pode mesmo parar em alguma emissora de Portugal.
Angélico Vieira actuou em Morangos com açúcar, fenomeno de audiência no nosso país, mas que praticamente não existiu durante sua passagem pelo Brasil. Pelo aspecto geral do rapaz, acredito que ele esteja a causar bastantes suspiros deste lado do Atlântico...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Moda-Verão 2008


Foi com entusiasmo que soube, através da última edição do programa Fantástico da Rede Globo, que a moda do fio dental está de regresso às praias brasileiras. A ala masculina agradece!

A Invasão

Os últimos tempos têm sido marcados por uma crescente animosidade diplomática entre Brasil e Venezuela. Por diversas vezes, o obtuso Hugo Chávez tem-se irritado com Lula da Silva que se tornou o seu principal obstáculo, para as suas ambições políticas na América do Sul. Esta tensão já se tranformou em comédia e até já se imagina como seria uma hipotética invasão do Brasil por tropas venezuelanas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Blogsérie: O Clã - Episódio 5



Estoril - Domingo, 09 de Março 2008 - 15.00h
O grupo estaciona o jipe junto ao forte. Olham em redor. Convinha que não fossem vistos por ninguém, carregando todo aquele aquipamento. Por sorte, naquela tarde de domingo, parecia haver pouquíssimas pessoas a passear por ali. Conforme o combinado, saem rápidamente da viatura e descem pelos rochedos que ladeavam o edifício. Segundo a planta, existia uma pequena porta lateral que lhes poderia facilitar a entrada. Fruto de uma adolescência conturbada, o Lemos, estudou a fechadura. Com o auxílio de um simples grampo, consegue abrir a porta com facilidade. Entrem pé ante pé. A visibilidade era muito pouca e sentem um forte cheiro de humidade e maresia invadir-lhes as narinas. O padre Amaro avança na frente, murmurando algumas orações. Subitamente, ouvem um estrondo atrás deles. A porta fechara-se misteriosamente. Um mau pressentimento invadiu a mente de todos eles. O Paulo, Augusto Luís e o Lemos empunhavam os revólveres com as mãos trémulas. O Fonseca e o Reis preferiram utilizar as bestas. O Ferreira desembaínhara a sua longa espada. O padre Amaro mantinha-se na liderança, segurando um crucifixo e com uma besta na outra mão. Nas costas, carregava uma mochila que continha estacas de madeira, um martelo e uma garrafa com água benta. Todos eles traziam colares feitos com cabeças de alhos.

Prosseguem a marcha por um corredor estreito e mal iluminado. Mais na frente, desembocam num salão amplo. No meio, encontram seis caixões dispostos em forma de círculo. Aproximam-se cautelosamente. Quatro deles, estão vazios. Nos outros dois, dois vampiros dormiam profundamente. Um deles, ainda tinha marcas das queimaduras de água benta, aplicada pelo padre na noite anterior.
- Depressa! Vamos cabar já com estes dois! - diz o padre em voz baixa.
Abre a mochila, tira as estacas e o martelo. Aproxima-se da primeira urna, coloca a estaca na direcção do coração do vampiro e martela com toda a força. Ouve-se um guincho abafado e solta-se um jacto se sangue que suja o rosto do padre. Logo depois, avança para o outro caixão e repete os movimentos.
- Afinal de contas, caçar vampiros é canja! - sopra o Reis.
- Calma rapaz! Isto vai ser mais complicado do que eu pensava. Quatro deles estão escondidos por aí e já devem ter detectado a nossa presença - diz o padre, olhando em volta com o semblante carregado.
Lá fora, o sol brilhava com intensidade. Vantagem para eles. Os vampiros não conseguiriam persegui-los nem retaliar na sua máxima força. O grupo prossegue a sua marcha no interior da fortaleza. Entrem num segundo salão. Sentem uma aragem fria percorrer-lhes o corpo. Ouvem um farfalhar de tecido. Numa fracção de segundos, surgem-lhes os quatro vampiros pela frente. Dois homens e duas mulheres, envergando longos casacos negros. Os olhos avermelhados faíscavam de ódio. Cercaram os invasores como uma onda, apesar da inferioridade numérica.

Ferreira, empossado do espírito de seus ancestrais, perdera o medo. Uma voz rouca soprava no seu ouvido. A espada. Use a espada com firmeza. Ferreira empunhava a arma cortante com as duas mãos. A vampira que o tentara seduzir na noite anterior, correu na sua direcção. Ferreira recuou o pé de apoio e ergueu a espada. Respiração contida. Desenhou um arco para a frente. A vampira não conseguiu alcançá-lo. A cabeça foi ao chão; o corpo cambaleou. Recuperou o equilíbrio e caminhou até bater contra a parede. A decapitação causou certo impacto. Fora uma injecção de confiança no grupo.
O vampiro mais alto estava enfurecido e urrava, fazendo as paredes estremecer. Cabelos compridos amarrados para trás e feições grotescas. Fonseca dispara a sua besta, mas a estava desfere uma curva e estilhaça-se contra a parede. O vampiro ri, mostrando as suas presas pontiagudas.
- Como ousam, simples mortais, invadir o nosso covil? - pergunta numa voz cavernosa - Admiro a vossa valentia, mas podem dizer adeus às vossas vidas miseráveis!
- Viemos em nome de Deus! A sua vontade é soberana! - fritava o padre Amaro.
- Ao longo dos séculos ninguém me conseguiu derrotar! Vou-me sacirar com o vosso sangue pobres mortais! Lacatus será rei e senhor destas terras...
De forma decidida, o padre Amaro avança para o vampiro, erguendo o seu crucifixo. A criatura solta um rugido ensurdecedor, agarra o pescoço do padre e arremessa-o para longe, deixando-o desacordado.
- Porra, e agora? Estamos tramados! - gritava o Reis, em desespero.
- Agora resta-nos combater e acabar com estes cabrões! - atira Augusto Luís.
- È isso mesmo! Um por todos e todos por um! - diz o Paulo, parafraseando os célebres mosqueteiros.

Formam um círculo apertado e vão disparando as suas armas, na ânsia de atingir os adversários. As balas de prata faziam ricochete nas paredes grossas. Estacas de madeira voavam em todas as direcções. Os vampiros pareciam divertir-se com a situação e encenavam um estranho bailado. Passavam perto deles como assombrações e desferiam-lhes golpes no corpo. O Ferreira desferia golpes de espada ao acaso, totalmente desorientado. Os vampiros tinham-se transformado em vultos. Entretanto, Augusto Luís viu quando um dos vultos se tornou mais visível. Apontou a pistola e disparou. Uma bala de prata atinge o ombro da criatura.
O vampiro arqueou o corpo e desviou-se dos disparos seguintes. Sorriu. Grunhiu, mostrando os dentes. Augusto Luís tremeu. Um vampiro poderoso na sua frente. Colocou a mão no pescoço e desprendeu o próximo truque. Flexionou os joelhos e desceu o quadril abaixo do quadril do adversário que já lhe aplicava uma gravata. Com o traseiro, somado a uma potente cotovelada, surpreende o vampiro que folgou a gravata. Depois finalizou o golpe. Ergue a mão livre, agarrando o opositor pela gola. Todas as forças somadas e sincronizadas fizeram o vampiro voar por cima dele.
- Ippon! - grita Augusto Luís, vitorioso.
Em acto contínuo, enfiou o seu colar de alhos na boca do vampiro, que parecia sufocar. O Reis aproxima-se e dispara uma estaca no coração da criatura que se debaria no chão.
- Toma!!! Pessoal, vamos virar o jogo! Já só faltam dois - grita o Reis, em delírio.

Restava o líder Lacatus e a vampira ruiva. Eles pareciam menos confiantes. Aquela baixa causara danos morais. Ferreira avança decidido e tenta atingir a vampira com golpes de espada. Na outra extremidade do salão, Paulo corria e disparava a arma ao mesmo tempo, não se apercebendo do vulto que se atravessava na sua frente. Leva um encontrão. Perdeu o equilíbrio e a arma. Sente um forte pontapé nas costelas. Lesão grave. Costelas partidas. Lacatus, possuídor de velocidade vampírica, salta para cima dele. Perdição! Um urro de dor e Lacatus tomba para o lado com uma estaca cravada numa coxa. Nas proximidades, o padre Amaro recuperara os sentidos e disparara a sua besta na direcção de Lacatus que se preparava para aniquilar o Paulo.
- Malditos! Quem pensam que são? Não ecaparão com vida! - sibilava Lacatus.
Ferreira partiu para cima do vampiro, mirando o seu pescoço. A espada cortou o vazio. Lacatus tornara-se sombra e já estava do outro lado, aplicando-lhe um golpe nas costas. A dupla de vampiros parecia recuperar terreno. O padre Amaro atravessa o salão em fúria, despejando água benta em todas as direcções. Num canto, ouve-se um fervilhar e um uivo lancinante. A vampira fora atingida pelo líquido abençoado. Tornou-se mais visível. Fonseca faz pontaria com a besta na sua direcção. Desta vez não podia falhar. Só lhe restava uma estaca de madeira. Disparo certeiro. O projectil atravessa o corpo da vampira, fazendo-a desfalecer no chão.

Restava o poderoso Lacatus. Desta feita, o grupo tentou montar um cerco ao vampiro. Repentinamente, o Lemos é atingido na face. Cai de joelhos, sangrando abundamentemente. Na ânsia de recuperar forças, Lacatus lança-se sobre ele com a intenção de se abastecer de sangue humano. Numa atitude ousada, o padre Amaro atira-se para cima do agressor. Uma luta selvagem. Lacatus parecia levar vantagem. A sua força era sobrenatural. Ainda assim, o padre estica o braço e consegue colocar o crucifixo na boca de Lacatus. Um grito de dor. No meio da confusão, o Lemos agarra uma estaca do chão e crava-a com a sua própria mão, no coração do líder dos vampiros.
O rosto de Lacatus estava transfigurado. O Ferreira surge por detrás dele e aplica-lhe o golpe de misericórdia, decepando-lhe a cabeça com a espada. A batalha chegara ao fim. O padre Amaro estava bastante maltratado, evidenciando diversos ferimentos no corpo.
Em segundos, os corpos dos vampiros tinham-se tranformado em cinzas. Apesar de extremamente cansados, sujos e feridos, saíram todos do forte, felizes e com a sensação de missão cumprida. Pela primeira vez na vida, tinham encarnado o papel de verdadeiros heróis.
As horas seguintes, foram passadas nas urgências do Hospital de Cascais. Um pouco mais tarde, a João e o seu amigo Matias juntaram-se solidariamente a eles. Mal conseguiam acreditar no que o grupo lhes ia relatando. Uma brava dança dos heróis!

FIM

domingo, 30 de dezembro de 2007

Ano Novo, Vida Nova!

Para viver qualquer fase com alegria, viver com elegância e vitalidade, é preciso acreditar que vale a pena. Que existem modos de ser feliz, e podemos persegui-los. Mas essa não é uma caça aos tesouros comprados com dinheiro: é uma perseguição interna, a dos nossos valores, do nosso valor, das nossas crenças e do nosso real desejo.
Tenho um profundo desejo de renovação interior para o ano novo que avizinha. Sei de antemão que vai ser um ano de muito trabalho, boas amizades, conquistas e sucessivas vitórias.
FELIZ 2008!