quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Viver no Brasil


Estranhamente.... não estranhamente, talvez surpreendentemente, tenho recebido emails de portugueses, ainda em Portugal, que querem “dar o salto” para fora e me colocam algumas questões práticas sobre a vida no Brasil. Ou porque descobriram este blog, pela crise instalada em Portugal ou porque estarão afectados por alguma febre dos trópicos. Também tenho lido algum interesse alguns depoimentos de portugueses residentes no Brasil em alguns sites e foruns na internet. No entanto, verifico que não existe um consenso. Uns dizem maravilhas e outros relatam experiências traumáticas.
Algumas coisas vou contando aqui ou deixando transparecer das minhas aventuras diárias e do meu dia-a-dia, mas obviamente as descrições de determinados aspectos ficam de fora. Assim, decidi resumir algumas informação prática.
Espero que estes dados sejam úteis a quem procura esclarecimento e escassas respostas nos consulados brasileiros. Se precisarem de mais informação, mandem e-mail que eu tento responder. Porém, gostaria de deixar claro que eu NÃO aconselho uma mudança para o Brasil, a menos que sejam pessoas dotadas de grande resistência psicológica, tenacidade, bons conhecimentos por cá ou que venham com muito dinheiro para investir e poder usufruir de uma vida tranquila. Sim, porque isto de viver no Brasil de chinelo no pé e a olhar para as beldades na praia, não passa de uma miragem.

Burocracias:
Ao contrário do que se possa pensar, a obtenção de visto permanente de residência é um processo moroso e complicado. Ele poderá ser obtido de diversos modos: casamento, paternidade de filho nascido em solo brasileiro, trabalho (quase impossível, a não ser que já venham por via de empresas nacionais presentes no país, investimento (que foi o meu caso) e aposentadoria.
Após duras batalhas com a inflexível burocaracia brasileira, talvez tenham a sorte de vos ser fornecido o almejado visto de residência que impede a obrigatoriedade de sair do Brasil a cada seis meses. Convém salientar que o levantamento do visto tem de ser efectuado num consulado brasileiro no exterior o que provoca despesas algo desnecessárias com passagens aéreas. Após a obtenção do visto, é atribuída a identidade de estrangeiro - RNE. O único documento que poderão ter sem o visto é o CPF - equivalente ao número de contribuinte - que é solicitado em diversas operações e funciona como uma espécie de segunda identidade.

Passo seguinte, abrir conta bancária. Missão impossível para todos aqueles que não possuem visto permanente. A única excepção será a abertura de conta para empresas, caso tenham algum negócio próprio. De qualquer modo, esta modalidade ainda tem sérias limitações. Evitem contrair empréstimo bancários no Brasil. A taxa de juro é de 11,25%.

Alojamento e despesas associadas:
O preço das casas varia muito conforme a região do país. Desenganem-se todos aqueles que pensam que os imóveis são ao preço da banana. Nas grandes metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo, um apartamento pode atingir preços proibitivos. No Nordeste, os preços são mais acessíveis mas existe uma especulação crescente, devido à demanada europeia por imóveis de segunda residência na região. Posso dar-vos como exemplo o apartamento que adquiri por aqui em 2004, custou-me cerca de 20.000 euros, vendi-o algum tempo depois, mas sei que neste momento, os apartamentos desse condomínio estão a ser vendidos por cerca de 40.000 euros.
O arrendamento, por outro lado, pode ser uma boa opção, tendo em conta os valores paraticados em Portugal. Com cerca de 300/400 euros consegue-se arrendar um apartamento confortável em bairro nobre. Deste modo, acabam por ter mais liberdade de acção, caso as coisas por aqui não corram da melhor forma.
No caso de possuirem imóvel próprio, terão que contar com o pagamento anual do IPTU, cujo valor varia consoante o preço e localização da casa. Este imposto pode ser parcelado ao longo do ano.

Gás/agua/electricidade. Estas depesas têm valores irrisórios. No caso de morarem em condominios verticais, o preço pode aumentar bastante porque o valor pode incluir alguns destes gastos, associados à manutenção de elevadores, piscinas, segurança e áreas de lazer.

Seguro da casa. Não e obrigatório. Muitos bancos oferecem quando se abre conta bancária.

Empregada. Aqui, elas recebem por norma um salário mínimo (150 euros) por uma jornada diária de oito horas. Empregadas internas são situação frequente e, nesse caso, terão que contar com alojamento e despesas de alimentação.

Salários:
Muito dificil dar números. Procurar trabalho assalariado no Brasil é missão quase impossível para cidadãos estrangeiros, por muitas qualificações profissionais que possuam. Num país, onde as taxas de desemprego são muito elevadas, existe um evidente proteccionismo das vagas disponíveis para brasileiros.
A esmagora maioria dos europeus residentes no país, envereda pela vertente empreeendedora e são proprietários dos seus próprios negócios que incidem principalmente na área do turismo, construção civil, imobiliário e comércio em geral.

Saúde:
Ter seguro de saúde é altamente aconselhado, mas pode ser uma despesa onerosa ao final do mês, visto que os valores variam consoante a faixa etária dos beneficiários. Quem opta pelo serviço público de saúde, arrisca-se a ficar dependente de serviços médicos precários e hospitais sobrecarregados.

Impostos:
È obrigatória a apresentação anual da declaração de imposto de renda. As fórmula de cálculo são diferenciadas, se comparadas com os sistemas europeus. Digamos que os impostos não são muito simpáticos com as empresas. Aliás, o Brasil está classificado como um dos países com taxa de impostos muito elevada, com uma arrecadação semelhante à dos países nórdicos. Infelizmente, os serviços públicos em nada condizem com a arrecadação feita.

Transportes/carro
Os tranportes públicos são eficientes e cobrem a totalidade das cidades e respectivas periferias. No entanto, será aconselhável adquirir veículo particular que dá uma maior liberdade de movimentos e segurança. O preços dos carros populares - fabricados no Brasil - são bastante acessíveis. Carros importados não aconselho, já que o imposto anual (IPVA) pode ser bastante elevado. Também será necessário, ir a uma delegação regional do DETRAN para tratar da equivalência da carta de condução.

Custo de vida (em geral):
Necessidades básicas (alimentos no supermercado, electricidade, água e outros) - é a grande vantagem de residir no Brasil. Valores muito acessíveis. Não será de estranhar, que nos últimos anos, diversos aposentados europeus tenham procurado o Brasil para residir a título permanente, apesar da contínua desvalorização do euro face ao real. Quando aqui cheguei, um euro quivalia a cerca 3.70 reais. Actualmente, o câmbio está na proporção de 2.62 reais por cada euro.

Cultura, luxos (cinemas, teatros, copos, jantares fora, concertos, etc...) - Em comparação com o rendimento médio dos brasileiros, poderei dizer que não são actividades muito baratas.

E se alguém se lembrar de mais algo relevante, diga que eu acrescento.
Para mais, é vir até cá e descobrir com os próprios olhos...

Legião Estrangeira

Longe vão os tempos, em que o grosso da emigração portuguesa era composto de pessoas com pouca formação e oriúndos, na sua maioria, do interior do país onde existiam poucas perspectivas de futuro. Actualmente, existe uma combinação de factores que fazem os jovens portugueses procurar novas oportunidades no estrangeiro. Se por um lado, a situação económica do país não permite grandes sonhos, também existem muitas pessoas com formação superior nas áreas de ciência e tecnologia que não encontram colocação profissional em Portugal.
Durante as últimas semanas, tenho seguido com particular interesse os depoimentos que podem ser lidos no GAP , que dão conta da dimensão do fenómeno desta nova emigração. Lá poderemos acompanhar o percurso destes novos desbravadores em diversos países do mundo. Um dia destes, talvez me arrisque a relatar as minhas aventuras e desventuras naquele espaço...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A Náná de Telheiras


Pelo que me é dado a ver, a indústria de entretenimento para adultos evolui de forma célere em Portugal. Depois do arcaico Fim de Semana Lusitano, surgiram uma infinidade de títulos bizarros onde alguns compatriotas exibem as suas genitálias. Um dos aspectos que sempre me suscitou alguma curiosidade, foi saber como se processavam os castings para estas produções. Agora já tenho a resposta para as dúvidas que tinha, ao ver o potencial artístico da Náná, séria candidata ao título de porno star lusitana. Começo a acreditar que a solução para reverter o PIB português passa definitivamente por estas indústrias lúdicas...

Estás a passar de moda!


Um resort cinco estrelas localizado em São Roque, município de Barra de Maxaranguape, com quilómetros de praias virgens ao redor, formado por oito hotéis de categoria internacional, residências luxuosas de veraneio, centro de treino para futebol e pista de kart. É assim que o grupo Brazil Development (Noruega) descreve o novo empreendimento que terá, entre os investidores, o jogador de futebol David Beckham e o piloto de Fórmula 1, Rubens Barrichello.

O anúncio do investimento aconteceu ontem, à beira-mar, no coqueiral de São Roque e contou com a presença da Governadora Wilma de Faria; do jogador David Beckham; Torben Frantzen, presidente diretor do Brazil Development; do presidente da Assembléia Legislativa do RN, Robinson Faria; secretário de turismo Fernando Fernandes e de várias personalidades do Estado
Se vocês acham que David Beckham fez sucesso em Natal, nesta segunda-feira, vocês estão enganados! Pois é... Coitado! David chegou de jacto particular e nem precisou de helicóptero. Para ir até o resort, o marido de Victoria, a Spice Girl, foi de jipe, acompanhado por aproximadamente vinte seguranças.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Lusotropicalismo Romântico


Em Portugal, os casamentos de nacionais com cidadãos brasileiros cresceram quase 50 por cento num ano, tendo-se realizado 2.917 casamentos em 2007.
Os cidadãos brasileiros mantêm-se como os estrangeiros que mais casam com Portugueses.

Gostei disto...


O V Império em formato samba. Agora só me falta ver a aparição de D.Sebastião, desfilando no sambódromo como porta-bandeira!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Os Sonhadores







Fotos 1990/96

Andávamos sempre juntos, dia e noite, com momentos quase sempre divertidos, próprios da nossa idade e de uma rebeldia inconsequente. Passávamos horas à conversa e a jogar futebol. Partilhávamos músicas, filmes e ríamos dos disparates que cada um de nós dizia. É óbvio que, hoje em dia, já não é assim, pelas vidas perticulares de cada um e pela dispersão geográfica, mas se nos encontrarmos, garanto que voltaremos aos "disparates".
Passados os anos que passaram, continuo a pensar que a vida tem coisas boas, e uma delas são os meus amigos. Hoje, apetece-me prestar homenagem ao meu núcleo duro. Todos aqueles que cresceram comigo e que de certo modo, também contribuíram para a construção da minha personalidade. A rapaziada com quem me habituei a partilhar alegrias e tristezas. O grupo que sempre se regeu por princípios nobres, evidenciando sempre notáveis rasgos criativos e que jamais se acomodou com o anonimato e cinzentismo da periferia de Lisboa. Aqueles que, anos mais tarde, sonharam mudar o mundo e se envolveram nas primeiras batalhas políticas que não se ajustavam à nossa noção de verticalidade. Mentes brilhantes que poderiam ter seguido um rumo mais audaz e criativo, mas que nunca souberam abdicar da felicidade. Todos aqueles que guardarei para sempre no meu coração...
Um Abraço!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Alexander Nevski

Eisenstein tornou-se um cineasta de culto, não só graças ao grande clássico O Couraçado de Potemkin mas também pelo seus diversos ensaios e trabalhos em que trata sobre cinema (em especial sobre a montagem). Talvez o seu trabalho mais vivo seja "O sentido do filme" e talvez o filme onde sua teoria se apresenta mais claramente é Alexander Nevsky. Não se trata de um filme mudo, como o seu trabalho mais famoso, e ao contrário de muitos que pecaram pela "tentação romanesca" (o uso indiscriminado e até desnecessário dos diálogos) Einsenstein fez um óptimo uso dos recursos sonoros. Esse filme dá uma ideia bastante clara da sintonia em que os elementos de um filme (enquadramento, som, actuação....) devem ter no decorrer do mesmo, dando ao filme a coesão necessária para que este se apresente como uma peça maciça. Destaque para a antológica cena da "Batalha no Gelo" (cena que aliás é literalmente analisada quadro-a-quadro em "O sentido do filme").
Será ainda importante referir, que este filme foi lançado em 1938, numa época de tensão crescente entre a Alemanha de Hitler e a URSS de Stalin. Um épico fenomenal, que representa da melhor forma a indústria de cinema soviética da época e simboliza acima de tudo um profundo manifesto nacionalista.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Será Grave?


Durante os últimos tempos, tenho-me apercebido de algumas facetas obscuras da minha personalidade e estou desconfiado que sou...fetichista!

O Lampião da Linha


Numa arriscada missão ultra-secreta no submundo da noite na capital do Rio Grande, o Capitão-Mor conseguiu tomar posse de algum material confidencial enviado pelos agentes da ABIN em Lisboa. Tudo indica, que os serviços secretos brasileiros andam a monitorar os passos de alguns dos seus companheiros da blogosfera, com o intuito de os implicar numa intrincada teoria da conspiração que está a colocar os políticos de Brasília em pânico.
Após uma análise do material apreendido, pode-se concluir que todos os alvos da investigação possuem um nome de código. O mais temido, é sem dúvida, o lampião da linha sobre o qual foi reunida bastante informação, inclusive algumas gravações em vídeo como a que é aqui apresentada. Ao que parece, até a última deslocação do Réprobo ao reduto do dragão para acompanhar o seu clube do coração foi considerada altamente suspeita.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Trechos do Exílio

A quantidade de pessoas que não tem nada. Que desaparece porque está cansada. Que volta para o Brasil porque não tem vida deste lado do mar, ou que vive no Brasil porque tem medo de ser encontrada pelo passado e pelos seus vizinhos, pelos conhecidos que conhecem a sua vida, pelos desconhecidos que podem vir a conhecer a sua vida.
Francisco José Viegas, Longe de Manaus

Já viram a minha sorte?


Caso não saibam, Eládio Clímaco - quem tem um nome destes? -, antigo ícone da televisão portuguesa dos anos 80 é meu vizinho aqui na cidade do Natal. O eterno narrador dos Jogos sem Fronteiras transformou-se em contrutor civil e foi um dos pioneiros portugueses por estas bandas, no final da década de 90. Graças a Deus, já aprendeu a vestir-se um pouquinho melhor...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Carnaval do RN


No interior do estado o carnaval já chegou. Quem é súbdito de Momo, já pode pegar a estrada e seguir para algumas cidades, e encontrará a folia armada. A bem da verdade, Natal esforça-se e disponibiliza atracções divertidas, mas para quem gosta de carnaval de verdade, o destino mesmo são as cidades do interior.
Desde orquestras de frevo aos trios eléctricos de Salvador, passando por escolas de samba, não faltam opções de diversão. Tem festa no Seridó, tem festa no litoral. Algumas representações são verdadeiras atracções turísticas, por se terem transformado em tradições imperdíveis. O bloco Ala Ursa de Caicó, e o mela-mela de Macau são manifestações bastante populares.

Já Pirangi, tem a fama de ser um carnaval de gente bonita. Das festas do interior, é a mais perto de Natal, e essa também é uma vantagem. Os organizadores dizem que fazem o melhor carnaval de praia do estado, mas vão ter que concorrer com Areia Branca, cuja população já começou a dar os primeiros gritos de folia, desde o fim-de-semana passado.
Apodi diz ter o carnaval mais tranquilo, mas não menos animado e conclama os foliões de todo o estado para tirarem a prova. Seja no Oeste, no Seridó ou já pertinho da capital, o importante é saber que o potiguar não precisar ir longe para brincar um carnaval de primeira linha.

Entraves ao Investimento


Falta de vôos internos, elevada carga fiscal e burocracia nos licenciamentos são os principais obstáculos ao desenvolvimento do turismo no Brasil, afirmam investidores portugueses do sector.
O representante do grupo Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, disse que o "turismo tem tudo para dar certo no Brasil", principalmente pela qualidade dos destinos e da mão-de-obra, mas os investidores sofrem com algum excesso de zelo das autoridades nos processos de licenciamento ambiental, que causa atrasos e custos a mais nos projectos.
"Os primeiros hotéis que fizemos no Brasil correram muito bem, mas as dificuldades têm vindo a agravar-se", disse Almeida, criticando a intervenção das autoridades federais em projetos aprovados e em construção.
"Depois de o investidor andar dois ou três anos de volta de um projecto, depois de o Brasil ter feito um grande esforço para captar investimentos, de repente os projetos ficam parados, volta tudo à estaca zero", afirmou.
Rebelo de Almeida chamou ainda atenção para a necessidade de aumento da oferta de transporte aéreo e de simplificação e diminuição da carga fiscal.

O presidente da Espírito Santo Turismo, Miguel Rugeroni, afirmou que o governo brasileiro "deve estar atento" à questão das ligações aéreas e dos licenciamentos.
Segundo Rugeroni, para estar mais próximo da realidade local, o grupo turístico assinou uma parceria com a brasileira Investur, tendo em vista a identificação de oportunidades de investimento e o desenvolvimento de projetos conjuntos.
O representante do grupo Pestana, José Roquette, afirmou que existe uma falta de uniformidade de regras das exigências ambientais nos processos de licenciamento, e que "a carga fiscal é significativa e começa a pesar nas decisões de investimento".
Roquette citou ainda a imagem do país no exterior, prejudicada pelos episódios de violência frequentemente registados no Rio de Janeiro, "porta de entrada" do país.
Presente no Brasil há mais de uma década, o grupo Pestana tem dez hotéis no Brasil e cerca de 20% das suas receitas no país.

Segundo dados divulgados pelo vice-ministro português do Turismo, Bernardo Trindade, o investimento português no setor turístico brasileiro deve chegar a 500 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão) nos próximos dois ou três anos, maioritariamente em unidades de luxo.
Trindade afirmou que o fluxo de investimentos é resultado da "confiança na estabilidade política" do Brasil por parte dos empresários portugueses, que "contam com a solidariedade" do governo português.
O secretário de Estado do Turismo citou ainda "o notável trabalho que a TAP tem vindo a realizar", para fazer de Portugal "plataforma preferencial" de saída de turistas para o Brasil.
Ao lado do vice-presidente da TAP, o brasileiro Luiz Gama Mor, Trindade pediu que o fluxo Portugal-Brasil, com mais de 60 vôos semanais e perto de um milhão de passageiros em 2007, proporcione mais estadias em Portugal e a emissão de turistas brasileiros em sentido inverso.
Fonte:Agência Lusa do Brasil

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Conde dos Olivais


Na semana passada, tive a agradável surpresa de descobrir o blogue de um amigo e ex-colega de trabalho no sector automóvel. Na sua página podemos constatar o seu apreço pelas amizades de longa data, revisitar o bairro dos Olivais e dar-nos conta da sua enorme paixão pelos automóveis.
Torna-se cada vez mais curioso, verficar como o universo da blogosfera nos consegue aproximar de velhos conhecidos ou pessoas que simplesmente partilham dos mesmos interesses. Como ilustração do post, deixo uma foto que eu sei que ele conseguirá decifrar em termos iconográficos.

Com este calor...


Só me apetece beber, aquela que será provavelmente a melhor cerveja do mundo! Acompanhada, de preferência, com uns camarões ou caranguejos...

domingo, 20 de janeiro de 2008

No Rasto de Vlad, o Impalador


Em 1998, embarquei rumo à Roménia. O leste europeu sempre me causou um certo fascínio alimentado pelo obscurantismo da época da Cortina de Ferro, assim como o seu rico folclore e imaginário popular. Foi então que decidi aventurar-me neste país algo fantioso para mim, visto que durante a minha dolescência, era grande entusiasta de histórias de vampiros cujas lendas estão fortemente enraizadas nesta região. A história do cruel príncipe Vlad Tepes que deu origem ao personagem do conde Drácula e os mitos de vampiros tornaram-se atracção turística na Roménia, que na época, ainda apresentava uma infraestrutura turística precária. No entanto, foram doze dias fascinantes que vou tentar retratar entre fotos e trechos do meu diário de viagem.

Bucareste, 11 de Agosto de 1998
(...) Aqui e ali entremeiam-se edifícios comunistas, igualmente imponentes mas sóbrios na decoração. Embora os dirigentes comunistas não tenham pedido a opinião a ninguém acerca da necessidade da beleza arquitectónica, parecem ter escolhido os projectos mais adequados a uma época em que faltava satisfazer necessidades mais básicas.
Até Ceaucescu parece ter compreendido esta sobriedade que de autêntica chega ao bom gosto, este luto branco com que a cidade se parece cobrir, e que acabou por cobrir também o seu Palácio do Povo (...)


Transilvânia, 14 de Agosto de 1998
(...) É a Transilvânia, mais impressionante que nos filmes, talvez porque eu esperasse que o exagero cénico estivesse nos filmes. Mas não. As casas de madeira escura, de telhados de duas abas inclinadíssimos e de acabamentos funestos são cenário propício a um filme de terror. Acima delas, acompanhando a encosta, vejo uma floresta de montanha muito densa, onde a luz do dia não penetra completamente (...)

(...) Talvez algures na Suiça se possa encontrar a Transilvânia dos Alpes, a imitar a dos Cárpatos(...)


(...)O castelo de Bran, com muralhas altíssimas e torres delgadas a terminar em agulha, como que para tornar o seu aspecto mais inexpugnável e fazer qualquer invasor desistir. Observo um crespúsculo mais intenso que os céus do filme de Coppola. Rosas e laranjas ensanguentados rodeiam cumes afiados cmo facas, como se ali se sofresse o castigo de todas as barbárie de Vlad, o Impalador(...)

(...) Até agora, o meu romeno limitado tem sido suficiente para que as pessoas me entendam. Todos são amigáveis, desejosos de ajudar, de saber coisas sobre Portugal, de saberem o meu nome e de saberem que diabos ando eu a fazer sozinho na Roménia!(...)


Roménia Central, 16 de Agosto de 1998
(...) estações perdidas na noite escura. Não vejo luzes das estrelas nem da civilização. Aqui e ali, edifícios sinistros de arquitectura transilvânica, cuja aparência assustadora é redobrada por eu não saber a que cidades pertencem. Será que apanhei o comboio certo?(...)

(...) Agora as pessoas estão livres para expressarem os seus sentimentos e opiniões e para falarem com estrangeiros sem o medo constante de um cidadão trair o outro, passando informações para a Securitate - polícia secreta da época de Ceaucescu (...)


(...) As raparigas romenas são bonitas, se cabelos negros e pele clara. No entanto, parecem acanhadas no contacto com viajantes. Por favor mordam-me o pescoço!
Os homens bebem em demasia, mas adoram falar sobre futebol. Ficam em delírio quando cito nomes de jogadores romenos, ao que correspondem com gritos de "Figo, Figo!" ou "Eusébio, Eusébio!"

(...) Ao que parece, os habitantes da Transilvânia acreditam mesmo em lendas de vampiros e lobisomens. Em Sighisoara - cidade natal de Vlad Tepes - um velhote, numa mistura de romeno, francês e mímica tentou contar-me algo desse tipo. Chegou mesmo a apontar para um molho de alhos que tinha pendurado perto de uma janela(...)

(...) Agora que a viagem está no final, chego à conclusão que o grande vampiro deste país e deste povo fpoi o ditador comunista Ceaucescu e toda a sua família opressora(...)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Quem te viu e quem te vê...


Na década de 90, aderi entusiasticamente ao CDS/PP juntamente com alguns amigos meus. Fomos seduzidos pela dupla dinâmica Monteiro-Portas que tinha tomado de assalto, a direcção de um partido praticamente moribundo. Os discursos nacionalistas e anti-federalistas faziam todo o sentido naquela época. "Uma Europa de Nações", bradavam os jovens turcos. Em matéria de defesa, segurança e luta contra o crime, o CDS/PP advogava os princípios que faziam parte de uma tradição realista e conservadora.
Na política social, a exigência de um mínimo ético de solidariedade, que todos devemos aos nossos compatriotas - exigência cristã e de elementar compaixão e humanidade - equilibrava-se com uma forma realista e responsável de financiar tais gastos com equidade.
Estas bases programáticas e a confiança nas convicções dos líderes do CDS na época, fizeram-nos abraçar uma militância activa. Após as eleições de outubro de 1995, em primeira análise, a não obtenção dos dois dígitos percentuais, que fora uma espécie de marca simbólica de sucesso, foi compensada, por uma ultrapassagem do PCP, tornando-se o terceiro partido nacional. Passada a barreira da sobrevivência, que tinha de ser alcançada como foi - com agressividade, com risco, algum popularismo e partir de loiça - não se conseguiu construir uma imagem sólida de partido de direita. Preferiu-se enveredar pela espectacularidade táctica, acrobacias mediáticas, vedetismos e o partido estilhacou-se em diversas facções que e canibalizaram entre si.

No final da década de 90, ficou claro para mim e para os que me acompanhavam, que a pequena política que se fazia no Largo do Caldas não era compatível com a nossa noção de ética e de vida partidária. As pequenas vaidades, a sabotagem e intrigas absurdas fizeram-nos desacreditar no partido que nos mobilizara. No entanto, optei por um recuo táctico e aguardar que novos ventos soprassem nas hostes populares. De nada adiantou. A gota de água que viticinou o meu afastamento total - embora ainda tenha o meu cartão de militante - deu-se quando vi figuras execráveis como João Almeida, João Rebelo ou até mesmo uma figura obscura como José Lino Ramos - ex-Governador civil de Lisboa - assumirem posições de destaque.
Anos mais tarde, digamos que a prestação dos populares no Governo de coligação com o PSD também não foi particularmente brilhante e o partido foi-se afundando cada vez mais. O avanço prematuro de Paulo Portas para mais uma liderança está-se a revelar desastroso, os quadros de valor debandaram e jamais se conseguirá reunir as condições favoráveis de 1995.
Sou um homem de direita, este panorama não me agrada mas prevejo que o CDS/PP não irá sobreviver às eleições de 2009. As cores azuis e amarelas serão varridas do mapa político português. Lamento, porque acredito que os partidos políticos são a necessariamente locais de debate, de planeamento e a única forma democrática de atingir o poder. Actualmente, considero-me orfão político e não me consigo rever em nenhuma cor partidária, numa época em que o país necessita, mais do que nunca, de políticos de fibra para evitar o declínio total de Portugal ainda embriagado por uma falsa noção de grandeza que a UE nos injectou.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Chaimite


A população de Lourenço Marques, em 1894, sob os frequentes ataques das hordas vátuas. Projectos iniciais de Campanha Africana, por António Enes e seus colaboradores. As façanhas de Caldas Xavier, Ayres Ornelas, Eduardo Costa, Paiva Couceiro, Freire de Andrade e, mais tarde, Galhardo, Mouzinho de Albuquerque, para libertarem Moçambique. Grandes jornadas de guerra: Marracuene, Magul, Coolela, incêndio de Manjacaze. Chaimite (rapto de Gungunhana), Macontene... Paralelamente, o amor de dois soldados pela mesma rapariga.

Considerada, pelo Estado Novo, como uma obra de ficção exemplar, na exaltação da gesta colonial. Em 1953, foram-lhe atribuídos pelo SNI o Grande Prémio e o Prémio ao Melhor Actor - Emílio Correia (pelo desempenho em "Chaimite e em "Planície Heróica, de Perdigão Queiroga.
Jorge Brum do Canto domina todos os sectores do filme, indo até ao ponto de interpretar a personagem de Paiva Couceiro, de modo a ajustar-se ao seu perfil lendário.
Talvez um pouco longo, Chaimite tem o ritmo e a força visual que o realizador sabe imprimir às suas imagens, nomeadamente nas cenas de evocação dos combates, tratados num clima de heroísmo e vibração patriótica. O filme, de resto, como "O Feitiço do Império", sugere o esforço português para defender o ultramar da cobiça estrangeira. Mais do que um filme contra o desejo de libertação encarnado por Gungunhana e pela revolta vátua, é um filme denunciador do imperialismo inglês, que pretende revoltar o povo moçambicano contra Portugal para o sujeitar ao seu domínio.

Após O Feitiço do Império, é o segundo grande filme colonial português, mas ninguém se pareceu comover muito com tal fervor patriótico e o único interesse da obra é servir para o estudo da propaganda colonialista do Estado Novo, sobretudo na exemplar sequência que opõe o herói de Chaimite (e do filme), Mouzinho de Albuquerque, ao régulo negro Gungunhana, que ele próprio trouxe cativo para Lisboa em 1897 em gesto delirantemente saudado pelo povo da capital que nele viu a nossa "desforra" face ao humilhante ultimatum inglês.
Estreou no Monumental, em Lisboa, em 4 de Abril de 1953. Tendo em conta o elevadíssimo custo de produção, teve uma carreira que não favoreceu a produtora(Cinal), falida pouco tempo depois.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Pedro Teixeira


Pouco se conhece sobre a sua família ou os seus primeiros anos de vida.
No contexto da Dinastia Filipina participou, com Jerónimo de Albuquerque, na campanha para expulsar os franceses de São Luís do Maranhão, no litoral nordeste do Brasil.
Após a expulsão destes, em fins de 1615, a Coroa Portuguesa determinou o envio de uma expedição à foz do rio Amazonas, com vistas a consolidar a sua posse sobre a região. Uma expedição de três embarcações, sob o comando de Francisco Caldeira Castelo Branco, foi enviada, nela seguindo o então alferes Pedro Teixeira. A 12 de janeiro de 1616, as embarcações ancoraram na baía de Guajará onde, numa ponta de terra, foi fundado o Forte do Presépio, núcleo da atual cidade de Belém do Pará.
Lutou contra os holandeses, os ingleses e os Tupinambás. Em 1627, frei Vicente do Salvador, na sua obra "Historia do Brazil", destacou a sua actuação.
Entre 1636 e 1638, chefiou uma expedição de mais de mil homens subindo o curso do rio Amazonas, buscando confirmar a comunicação entre o oceano Atlântico e o Peru, rota percorrida no século anterior por Francisco de Orellana. Empregando cerca de 50 grandes canoas, partiu de Belém do Pará e alcançou Quito, no Equador. Fundou Franciscana na confluência do rio Napo com o Aguarico, no alto sertão, para delimitar as terras de Portugal e Espanha, segundo o Tratado de Tordesilhas. A viagem foi registrada pelo jesuíta Cristóbal de Acuña em obra editada em 1641.
Como reconhecimento por sua extensa lista de serviços prestados na conquista da Amazônia brasileira, foi agraciado com o cargo de capitão-mor da Capitania do Grão-Pará. Tomou posse em fevereiro de 1640, mas a sua gestão foi curta, tendo durado apenas até Maio de 1641,vindo a falecer em Julho desse mesmo ano.