sexta-feira, 4 de abril de 2008

A Peste do Mosquito


A dengue tem feito vítimas às dezenas e deixado urgências hospitalares sobrecarregadas no Rio de Janeiro, segundo uma reportagem publicada na edição desta sexta-feira do jornal francês Le Monde. O artigo mantém na agenda dos jornais estrangeiros a epidemia que já matou 67 pessoas na cidade. Com a chegada da época das chuvas no Nordeste, teme-se que os focos desta doença possam se multiplicar nesta região.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Blogsérie: Barreira do Inferno - Episódio 1


Cláudia já saía o seu namorado Álvaro havia alguns meses. Ela tinha uma escova de dentes no apartamento dele, mas não as chaves de casa. Álvaro Trigo é português e após algumas dificuldades nos primeiros anos, conseguira vencer naquela cidade do nordeste brasileiro. Portugal ficara para trás há sete anos e ele prosperara com a abertura da mais badalada casa nocturna da cidade, frequentada pelos filhos da elite local. Progressivamente, foi ficando influente e conhecido de todos. De facto, mal se podia olhar para as patéticas colunas sociais da região, sem ver o seu rosto estampado na companhia de outros empresários e alguns políticos.
O que ele estava a fazer com ela era um pouco incerto. Ela era cerca de doze anos mais nova que Álvaro e completamente desconhecida. Porém, trabalhava em publicidade, facto que o deixava curioso e entendiam-se muito bem. Apesar de ele deixar claro que não queria - e não iria - comprometer-se. Era divertido, culto e charmoso. Ela tinha vinte e cinco anos e estava aberta a qualquer coisa.

Naquela noite, Cláudia ficara de se encontrar com Álvaro na sua boate na Praia dos Artistas. Este era o único pormenor de que ela não gostava na relação. Apesar de ele não ficar até muito tarde, era um local pouco propício para conversas e eram constantemente interrompidos por desconhecidos que insistiam em cumprimentá-lo ou grupos de patricinhas que se exibiam para ele.
No entanto, naquela noite, Álvaro dedicava um pouco mais de atenção á sua parceira. Bebiam champagne numa área mais reservada e ele acariciava-lhe com delicadeza as costas, evidenciadas por um sensual decote no vestido preto. Eles contemplavam as pessoas que dançavam freneticamente na pista, localizada no piso inferior. Álvaro pergunta-lhe o que pretendia fazer mais tarde.
- Bem, nós poderíamos contratar uma prostituta - diz Cláudia, querendo excitá-lo.
Eles já vinham conversando sobre isso há semanas. Ela confessara que gostaria de sair com uma mulher e ele disse que sempre quisera estar com duas. Eles não eram diferentes de ninguém em nada. Para homens e mulheres, o ménage a trois é como o Monte Everest da sexualidade - muitos gostariam de testá-lo e, se não querem, querem saber como funciona. É sexy? É algo excessivo?

Cláudia também estava interessada por outras razões. Álvaro afirmava que não conseguia ser fiel e ela imaginava que se eles traíssem o seu relacionamento juntos não seria realmente uma traição. Ela nunca tinha pensado que um dia contrataria uma prostituta, mas isso permitia-lhes evitar solicitações constrangedoras junto de amigos comuns. Contudo, ela tinha perfeita noção que este tipo de fantasias funciona em espiral crescente e provavelmente as coisas não ficariam por ali.
Como era de se imaginar, Álvaro ficou tentado com a sugestão.
- Não é uma má ideia - disse, com um sorriso malicioso.
Apesar de ela não estar muito segura se estava disposta a fazer o que havia sugerido, ele estava tão empolgado que já era tarde demais para mudar de ideias. Após saírem da boate, aceleraram rumo ao apartamento dele no Tirol, onde começou a buscar acompanhantes pela internet enquanto Cláudia procurava nos classificados dos jornais. No final de uma das páginas, ela achou um anúncio de acompanhantes de luxo. Ele ligou de imediato e pediu uma loira " com muita experiência com mulheres". O preço era 500 reais por hora.
- Nossa! O aluguel do apartamento que divido com minha amiga são 500 reais - murmura Cláudia entredentes.
Álvaro passou as informações do cartão de crédito e o seu nome verdadeiro para a pessoa que estava do outro lado da linha. Cláudia ficou incrédula. Ele era uma pessoa conhecida, aquele sotaque era inconfundível mas agia imprudentemente numa cidade conservadora, onde os estrangeiros residentes eram desaprovados com facilidade. Mas Álvaro não se importava. Era como se estivesse a pedir uma pizza por telefone. A mulher na outra ponta diz qualquer coisa. Álvaro sorri, desviando o olhar para a sua namorada.
- Fico feliz por saber que sou tão popular - disse Álvaro para a agente das acompanhantes.
Cláudia questionava se a mulher iria espalhar a história para algum colunista social, mas guardou o pensamento para si mesma.

Tinha chegado a hora de se prepararem. Foram para o chuveiro; parecia o mais educado a fazer. Cláudia desejava ter colocado uma lingerie mais provocante. Vestiram roupões. O duche tinha diminuído o efeito da bebida, o que não era necessariamente bom. Álvaro acende um cigarro e penteia os cabelos com os dedos. Ele abre uma garrafa de vinho do Porto e coloca um CD de Massive Attack na aparelhagem sonora. Cláudia aproveita para diminuir a luminosidade da sala.
Subitamente, o porteiro interfona para anunciar a chegada da visitante. Cláudia ainda pensou que teria sido mais sensato fazer este programa num motel, ao invés de receberem uma prostituta em casa. Era uma exposição de intimidade bastante arriscada. Ouve-se uma leve batida na porta. Cláudia sente o sangue congelar nas veias, enquanto Álvaro deixava a loira oxigenada entrar. Ela aparentava ter perto de trinta anos e ostentava um olhar felino. Tinha seios volumosos e Cláudia era mais bonita. "Óptimo" - pensou ela para com os seus botões.
Ofereceram uma bebida para ela e conversaram durante breves minutos, sentados nos sofás da sala. Logo depois, dirigiram-se para o quarto onde Álvaro havia acendido algumas velas.

A coisa aconteceu da maneira que se imagina que deve ser. Ele diz para a prostituta que Cláudia nunca tinha estado com uma mulher e pede que ela beije a sua parceira.
- Quero ver - sibila ele.
È curioso pensar que os diálogos dos filmes pornográficos são estúpidos e, depois, lá estamos nós num filme para adultos na vida real a dizer as mesmas idiotices.
Uma hora depois, a loira levanta-se da cama e sai. Charlie Sheen sabia o que falava quando disse que não paga a uma prostituta apenas pelo sexo, mas também para que ela se vá embora. Cláudia já tinha ouvido ópera em Milão, os sinos das igrejas parisienses ao amanhecer, mas o som mais doce que escutara foi daquela porta a bater, atrás daquela mulher.
Na manhã seguinte, Álvaro levantou-se cedo porque ia ter uma reunião importante com o gerente do banco. Cláudia observava-o da cama e pensava se a loira iria perceber quem ele era e aproveitar-se da situação.
Quando chegou à agência, um colega do departamento criativo perguntou-lhe como tinha sido o serão.
- Legal - diz ela, esboçando um leve sorriso.
Foi legal. E ainda estava tudo no início...

Continua na próxima semana na Jeca Urbana

terça-feira, 1 de abril de 2008

Rotas & Destinos


A minha capitania merece uma visita, não concordam?

A Colombo Lusitana


Em Setembro deste ano, o emigrante português José Pereira completa meio século de vida no Brasil, para, dois meses depois, festejar o mesmo meio século de trabalho na Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro.

Para a Colombo, cuja fama atravessou fronteiras, ele é agora o único depositário da "alma lusa" que foi a dos seus fundadores, em 1894.

segunda-feira, 31 de março de 2008

O Delfim


Portugal, finais dos anos 60. Tomás Palma Bravo, o Delfim, o Infante, é o herdeiro de um mundo em decomposição. É ele o dono da Lagoa, da Gafeira, de Maria das Mercês, sua mulher infecunda, de Domingos, seu criado preto e maneta, de um mastim e de um "Jaguar E", que o leva da Gafeira a Lisboa e às putas. Um caçador, detective e narrador, que todos os anos volta à Lagoa para caçar patos reais, descobre, um ano depois, que Domingos apareceu morto na cama do casal Palma Bravo e que Maria das Mercês apareceu a boiar na Lagoa. Quanto a Tomás Palma Bravo e ao mastim, dizem-lhe que desapareceram sem deixar rasto. E que da neblina da Lagoa se ouvem agora misteriosos latidos.
Uma boa adaptação da obra homónima da autoria de José Cardoso e, sinceramente espero que nunca se deixem de fazer filmes destes no limitado cenário cinematográfico português.

Mais Turistas Brasileiros


Portugal é um dos países que têm registado forte crescimento da chegada de visitantes brasileiros.

Os últimos da dados do Proturismo, relativos a Novembro de 2007, indicam que, nesses onze meses, o número de hóspedes brasileiros em estabelecimentos hoteleiros portugueses teve um crescimento de 23,5%, num total de 236.462. Nesse mesmo período, o número de dormidas de brasileiros registou um aumento de19%, atingindo 518.539.
Tanto em número de hóspedes como de dormidas, o mercado brasileiro é o quarto que mais cresceu em percentagem na hotelaria portuguesa, depois da Polónia, República Checa e Rússia, que têm, todavia, bases de partida muito inferiores.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Cigano


Transporto as tralhas da vida
na caravana que sou,
e não sei para onde vou
e nem sei o que me chama;
mas sou da raça andarilha
e tenho pinta cigana.

Mais que desejo é viver
este contínuo mudar
que o fastio de ficar
logo me vence ao chegar

Não me dou a um local
nem refaço o chão que gasto.
Eu sou da serra e do vale
e toda a terra é meu pasto.

Fui roubar a cor ao sol
e a genica aos vendavais,
andei na rota do vento
e descansei no luar.
Sou cigano como o tempo
que não pára nem regressa
porque a vida leva pressa.

Hoje há Frango!

Não será demais?

Li ontem num letreiro dum restaurante:
"Casa dos Frangos de Moscavide: Desde 1961 A Assar o Melhor Frango".

Bolas! E ainda não está pronto?

Via Arcebispo da Cantuária no Atlântico

quarta-feira, 26 de março de 2008

No Território dos Caretos


Quem subir nos penhascos de Trás-os-Montes ficará com a certeza de que chegou ao ponto mais belo do céu. O Douro observado do cimo daquelas escarpas é o Paraíso prometido e gradiosamente belo. As montanhas entrelaçam-se, magníficas, para depois, se escancararem em vales pintados de todos os tons de verdes e castanhos que a natureza inventou. E, pelas encostas, as quintas são pontos brancos que acompanham o silêncio majestoso por onde o rio serpenteia.
Lamento ter conhecido esta região tardiamente, mas tinha a necessidade de fazer o reconhecimento do território imaginado. Olhei com esplendor para as paisagens que Miguel Torga descreveu nas suas obras e fiquei rendido aos seus encantos. O casario de pedra, o folclore único, a natureza agreste e aquele frio intenso que se entranha nos ossos. Paisagens que parecem indiferentes à passagem dos séculos.
O isolamento, a dureza e tenacidade e própria natureza que os rodeira fizeram dos transmontanos um povo peculiar. Bastante orgulhosos das suas origens, crenças e tradições. Portanto, não é de espantar que a máxima "Para lá do Marão, mandam os que lá estão", faça todo o sentido. Acredito que seja este tipo de orgulho e independência que faz falta a muitos portugueses de hoje.
Durante esta viagem, o Capitão-Mor registou esta imagem em pose épica. Agora lanço o desafio à minha amiga Júlia, outra apaixonada pelas região transmontana, de tentar adivinhar qual o local onde foi tirada esta foto.

Um Cantar Distante


Anda pela noite só
um capote errante, ai, ai
e uma sombra negra cai, em redor
do homem do cais
das ruas antigas vem
um cantar distante, ai, ai
e ninguém das casas sai, por temor
de uns passos no cais

Se eu cair ao mar, quem me salvará
que eu não tenho amigos, quem é que será,
ai ó solidao, que não andas só,
anda lá à vontade, mas de mim tem dó...

cantar, sempre cantou
jamais esteve ausente, ai ai
e uma vela branca vai, por amor
largar pela noite

Pedro Ayres Magalhães , A Sombra

segunda-feira, 24 de março de 2008

Mitologia


Venham, passemos uma hora agradável a contar histórias, e nossa História servirá para a educação dos nossos heróis.
Platão, República, Livro II

Festa Portuguesa


Finalmente, a cidade do Natal vai ter direito a uma festa portuguesa. Está sendo organizada pela gerência do restaurante Duas Marias e agendada para o próximo dia 25 de Abril, data da Revolução dos Cravos e do meu aniversário. A festa terá lugar na Praça das Flores, localizada no elegante bairro de Petrópolis. Esta será uma tentativa de recriar uma festa de rua, ao estilo popular, que terá início com fados e terminará com o balanço de Luiz Couto que eu não faço a mínima ideia de quem seja.
Uma noite regada com vinhos nacionais, comidas típicas e as inevitáveis sardinhas na brasa. A praça irá vestir as cores vermelha e verde numa iniciativa original e faço votos que se repita no futuro. Assim, sendo não será muito difícil adivinhar onde irei festejar o meu aniversário este ano. Se estiver particularmente animado, talvez me arrisque a cantar o "Cavalo Ruço"!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Páscoa


Que fazes tu, Senhor,
aí pregado,
a olhar para nós do cimo dessa cruz?
Não fiques tão distante e arrumado,
mas volta a ser começo
onde já é fim,
desce daí, Senhor,
e vive em mim,
que se desceres,
eu subirei contigo!


Desejo uma BOA PÁSCOA para todos vocês!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Pai

Colares - Sintra (1975)

Certamente que neste dia todos se lembrarão dos seus pais, uns de uma forma presente, outros de uma forma ausente e só fisicamente porque qualquer Ser nunca esquecerá o seu Pai.
Todos demos ou ainda damos importância óbvia ao “elemento pai”, pois crescemos com o seu amparo, com o seu carinho e com a sua dedicação.
A imagem nunca deixará de estar presente, no entanto com o tempo o pai vai ficando de fora do mundo dos seus filhos, talvez por falta de tempo destes ou porque a distancia é a justificação procurada para colmatar o vazio que se vai preenchendo. Por último existem razões profissionais que estão sempre justificadas e o pai passa para o segundo plano, porque a vida em constante mutação nos imprime um ritmo sem limites e de opções, queremos a nossa própria capacidade viver sem dependências.
Nunca gerimos o nosso tempo da forma que queremos mas da forma que precisamos no momento em que nos propomos a decidir, assim, como consequência abdicamos dos mais próximos porque sabemos que somos facilmente compreendidos. É um acto de amor, não o nosso mas o do que nos compreende sem julgar, do que sem perguntar descobre a resposta que justifica a ausência. É esse o “elemento pai”, que ama sem exigir retorno, sofre sem querer o sofrimento e que essencialmente perdoa sem que exista qualquer murmúrio de arrependimento.
O pai é saudade porque já fomos felizes junto dele, é amor porque de uma forma individual ou personalizada o associamos a alegria, a infância, ao espírito, e o nomeamos como primeiro responsável do que de bom somos. Certamente foi o nosso primeiro ídolo.
Por mim, a sua existência preenchia a minha noção de satisfação com a vida, pois é a componente que entre outras, ajuda a gerar a alegria e o entusiasmo com que vivia cada dia. Após a tua morte, muita coisa mudou e houve algo em mim que definhou.
Ele era o meu espelho do futuro no presente. A minha energia renovada, o meu primeiro oásis social e o meu refugio final em caso de emergência.
O Dia do Pai é comemorado neste dia, mas na realidade é sentido com uma intensidade sobrenatural em todos os dias do ano.

Pai,
Nunca seria capaz de descrever os proveitos, as alegrias, as emoções, a educação e o sentido de lealdade que me deste. Demoraria uma eternidade a menciona-los um a um. Só lamento não ter tido tempo suficiente de ter dito estas coisas enquanto viveste...

terça-feira, 18 de março de 2008

Trechos do Exílio

Os acontecimentos políticos e as debandadas de famílias dominavam as atenções em Portugal...
A tia Rita foi, já separada para o Brasil, levando duas das filhas. Lá, primeiramente viveu junta com um industrial americano. Mais tarde casou com um milionário brasileiro. A sua beleza insuperável, o seu charme europeu fizeram furor na classe alta do Brasil tropical.

Luís lá estava no Brasil, longe das nossas aventuras, das nossas paródias...

Manuel Arouca, Os Filhos da Costa do Sol

Irreversível


Porque o tempo destrói tudo. Porque alguns actores são irreparáveis. Porque o homem é um animal. Porque o desejo de vingança é um sentimento natural. Porque a perda de um amor destrói-nos como um relâmpago. Porque toda a história descreve-se com sémen e sangue. Porque as premonições não alteram o percurso das coisas. Porque o tempo revela tudo. O pior é o melhor.

Irreversível é de tal forma forte, de tal forma dominador, até de tal forma brilhante, que nos põe o coração e a cabeça do avesso.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Falta de Chá


Por diversas vezes, foi-me dito que a minha vida por aqui poderia ser mais facilitada caso eu tivesse uma maior abertura e convívio com a elite local, próxima dos círculos de poder. Admito que sempre tentei o caminho inverso com evidentes danos pessoais. Se em Portugal, eu já tinha notórias dificuldades de relacionamento com as pretensas elites emergentes, essa lacuna agravou-se nestas paragens, onde os gestos e atitudes dessa classe social possuem um mau gosto redobrado. Evito frequentar certos locais, nunca aprofundei laços de amizade com certas figuras que me foram apresentadas e sempre que posso recuso convites para festas, das quais aponto os aniversários de quinze anos como as celebrações mais aberrantes que certamente ofenderiam a elegância dos bailes de debutantes de outros tempos.

Não poderei aprofundar uma análise sobre a alta sociedade brasileira, visto que o meu conhecimento é circunscrito a uma região. No entanto, este fim de semana fiz uma incursão por este universo, ao aceitar o convite para o casamento da filha de um importante empresário da cidade. Nestas ocasiões revelo-me um homem de poucas falas e prefiro assumir o papel de observador. Logo ficou evidente que, todo aquele ambiente me iria proporcionar uma noite de tédio. A maior parte das senhoras ostentava uns modelitos de gosto duvidoso e o exagero cénico da festa, pareceu-me uma celebração de um novo riquismo pavoroso.
No evento estavam presentes diversos empresários e políticos do estado e ficou claro que existiam diversas categorias de convidados de acordo com a sua influência. Convém clarificar que estas críticas não se fundamentam neste caso pontual. Infelizmente, são fenómenos que tenho vivido e presenciado com uma regularidade impressionante. Isto faz-me concluir que gosto desta terra essencialmente pela sua beleza natural, o clima estupendo e uma certa sensação de liberdade. Lamento não possuir a mesma opinião em relação a grande parte das pessoas que conheci até ao presente momento. Longe de mim, querer insinuar qualquer tipo de sentimento de superioridade. Apenas não me consigo identificar com atitudes que diferem completamente dos valores e princípios que regem a minha vida.

Torna-se impossível identificar-me com um padrão de sociedade onde as pessoas valem o dinheiro ou o peso político que possuem. Uma região que não valoriza o mérito nem a inteligência, preferindo-se enveredar por um bairrismo bacoco e um certo feudalismo moderno, onde prevalecem os nomes das famílias influentes que controem uma muralha invisível ao seu redor. Não é por acaso que se diz por aqui que só é bem sucedido quem tem QI. Desenganem-se aqueles que pensam que me refiro a percentuais de inteligência. Falo-vos antes das siglas de QUEM INDICA. Poderei ser mais claro?
Sou totalmente incapaz de me integrar em círculos onde a maioria das conversas são fúteis e, onde fica sempre explícita a rejeição de visões diferenciadas e o preconceito em relação aos forasteiros. Ainda sou menos tolerante com faltas de educação que merecem um simples virar de costas. E acreditem que não estou a exagerar. Como seria que vocês reagiriam se fossem expulsos de forma subtil pela irmã da noiva da mesa para a qual tinham sido convidados pelo próprio patriarca da família e estando acompanhados de uma prima dela?
Talvez por mera coincidência, uns vinte minutos depois, a minha cadeira era ocupada por um iminente secretário estadual. Não necessitarei referir que não demorei muito no recinto da festa, não fosse a minha presença incomodar alguém pela minha falta de notoriedade.

O mais irónico de tudo é que normalmente sou apelidado de preconceituoso e elitista. Assim sendo e, partindo esses adjectivos deste tipo de pessoas, passarei a ter muito orgulho nessas minhas características.
Aliás, vai-me parecendo que esta minha passagem pelos trópicos talvez se aproxime do seu final. Afinal de contas, não se pode viver exclusivamente de paisagens e isolado da convivência social. Acredito que por vezes, talvez me tente enganar a mim próprio ou talvez seja um eterno sonhador. Por muito pardacenta que a realidade portuguesa me possa parecer, as nossas relações sociais ainda se pautam por valores diferenciados e o mérito ainda é reconhecido por muitos.
Como diria uma amiga minha, "merda por merda, prefiro aquela que já conheço" ou se prefirem a versão simplista da Mad, apenas tenho a acrescentar "FUCKING ASSHOLES"!

sábado, 15 de março de 2008

Relíquias da Indústria Nacional


Ao contrário do carismático UMM Alter, o jipe Portaro de fabrico nacional foi um produto relativamente anónimo da incipiente indústria automóvel portuguesa. Equipada com um motor diesel da Aro, importado da Roménia, a viatura possuía um aspecto rústico e o conforto de utilização não era o seu forte. Claramente vocacionado para utilização profissional, grande parte da produção da fábrica da marca no Tramagal foi escoada para corporações de bombeiros, autarquias e empresas agrícolas.
No entanto, em textos mais antigos, já fiz notar que sou um apaixonado por jipes puros e duros e recordo-me que em 2000, cheguei a ponderar a aquisição de um carro destes num leilão da Câmara Municipal de Loures. Porém, uma estimativa de custos de recuperação fizeram-me recuar desta pequena loucura. Mesmo assim, gostaria, de retratar para a posteridade um modelo que alguns de vocês devem desconhecer por completo mas que fez parte do limitado mundo automóvel português.

Humor Negro

Em Portugal Hitler não se tinha safado.

Para conquistar as elites a coisa não ia lá com aquela ideia de sermos todos Arianos. Tinham que ser todos Martim ou Salvador ou assim, tá a ver?

Via Arcebispo da Cantuária no Atlântico

quinta-feira, 13 de março de 2008

Próximo Destino - Letónia








A justificação da viagem é muito simples. As imagens ilustram a abundância de monumentos e as belezas naturais desta ex-república soviética.