sábado, 19 de abril de 2008

1808


A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleónicas, revoluções republicanas, escravidão formaram o caldo no qual se deu a mudança da corte portuguesa e a sua instalação no Brasil.
O propósito deste maravilhoso livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correcta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos atrás. Escrito por um dos mais influentes jornalistas da atualidade, 1808 é o relato real e definitivo sobre um dos principais momentos da história brasileira.

Literatura de Cordel


A presença da literatura de cordel no Nordeste tem raízes lusitanas; veio-nos com o ramanceiro penisular, e possivelmente começam estes romances a ser divulgados, entre nós, já no século XVI, ou o mais tardar, no XVII." - escreve o Professor Gilfrancisco em detalhado artigo sobre as origens desta tradição.
O primeiro estudioso brasileiro a indicar essas fontes para as narrativas em verso e registo de factos memoráveis em folhetos, foi Luis da Câmara Cascudo (1898-1986), autor de uma obra fundamental para os estudos etnográficos e antropológicos no Brasil.

Literatura de Cordel, denominação dada em Portugal e difundida no Brasil, é poesia popular, história contada em versos, em estrofes a rimar, escrita em papel comum feita para ler ou cantar. A capa do folheto é em xilogravura, trabalho artesão que esculpe em madeira um desenho preparando a matriz para reprodução.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Nosso Império é a Língua Portuguesa

Depois de perdida a soberania com que nos ampliámos em África, agarrámo-nos à língua.

Já venho tarde, mas não queria deixar de saudar a boa nova. Não me refiro à baixa do IVA, anunciada pelo ministro das Finanças, mas à nossa "expansão", prevista pelo ministro da Cultura. É verdade: vamos expandir-nos. Está para chegar um Portugal maior. Talvez a sua população e riqueza até venham a diminuir, mas que importa? Temos uma arma secreta para conquistar o mundo: aquela que Fernando Pessoa insinuou maliciosamente ser a "pátria" dele - a língua portuguesa. É o que nos prometem os crentes do Acordo Ortográfico: um Reich na ponta da língua.
Não vou discutir ortografia, mas os termos curiosos em que a temos debatido nas últimas semanas. De um lado, falaram-nos do "c" de "facto" com a intransigência possessiva que os sérvios dedicam ao Kosovo, e avaliou-se o Acordo "estrategicamente", como se estivéssemos perante uma nova partilha de África, com o Brasil no papel oitocentista da Inglaterra. Do outro lado, recomendaram-nos a nova grafia como a oportunidade de não "ficar aqui como uma espécie de dialecto" (horror), e podermos desfilar ao lado do Brasil na "afirmação de um poder à escala mundial" (segundo o nosso entusiasmado embaixador em Brasília).
Acho comovedor este uso despudorado da linguagem típica do imperialismo ("expansão", "estratégia", "afirmação do poder à escala mundial", etc.) para nos referirmos à língua que partilhamos com mais umas dezenas de milhões de pessoas de outras origens e nacionalidades. Quando nos puxam pela língua, acontece-nos isto: de repente, este país pachorrento e decadente revela-se uma potência beligerante, ciosa das suas aquisições e decidida a novas conquistas. Sim, porque através da "pátria" de Pessoa, nós somos grandes. Tal como a casa da velha canção brasileira, o nosso "império" não tem soldados, nem dinheiro, mas é feito com muito esmero - da língua que outros usam na América, na África e (segundo gostamos de acreditar) na Ásia. E assim prosseguimos a nossa expansão ultramarina, por mais que ninguém dê por isso.
Definitivamente, continuamos a não ser um país pequeno. No tempo do Estado Novo, isso provava-se com os mapas das colónias; agora, pacífica e correctamente instalados em democracia, evocamos a "quarta língua a nível mundial", e os seus "200 milhões" de súbditos. É compreensível. No fundo, há algo de deprimente nas nações reduzidas. George Simenon dizia que ser belga é como não ter país. E talvez por isso, muita gente está preparada para lhe atribuir a ele ou a Hergé, tal como aos suíços Rousseau e Constant, uma pátria (a França) mais consentânea com a sua grandeza individual. As elites portuguesas, que durante a Monarquia sonharam fazer aqui um país tão próspero como a Bélgica e durante a I República tão democrático como a Suíça, nunca se conformaram com o estatuto de pequeno país que era o dessas nações, apesar de liberais e ricas. E depois de perdida a soberania com que nos ampliámos em África, agarrámo-nos à língua, a ver se por aí continuávamos a fazer uma sombra grande no mundo.

Não nos fica mal desejarmos ser muito mais do que aquilo que somos. O que talvez seja menos recomendável é o modo como usamos esta grandeza imaginária para nos pouparmos ao reflexo da nossa realidade. A Europa pesa cada vez menos no mundo, e Portugal pesa cada vez menos na Europa. A língua é a balança avariada com que nos atribuímos robustez. Infelizmente, tudo o que assim sobe acaba por descer: eis que a Venezuela proíbe às suas crianças os Simpson e quer (como compensação?) ensinar-lhes português - e logo o nosso Governo tem de confessar que nos falta dinheiro e pessoal para acompanhar o último capricho de Chávez.
O Brasil, muito citado acerca do Acordo Ortográfico, forma outro capítulo pungente do nosso irrealismo. Nunca percebemos que a ignorância mútua, ritualmente lamentada, não está à mercê de um "acordo". Fingimos desconhecer o fenómeno do "nativismo" no Brasil, que faz com que por cada Gilberto Freyre haja dez Sérgio Buarque de Holanda, ardendo em fervor antilusitano. Imaginamos que a incapacidade dos livros portugueses para hoje chegarem onde chegou Cabral em 1500 se deve simplesmente ao "c" de "facto". Nem sequer admitimos que o Brasil, no fundo, não nos importa demasiado. Vamos lá de férias: quantos aproveitam para ir ao teatro ou às livrarias? E quantos conhecem a política ou os escritores mais recentes do Brasil? A verdade é que o Brasil ainda não é suficientemente interessante para nós, e nós já não somos suficientemente interessantes para o Brasil. O resto é conversa de um império de conversa.


Rui Ramos, Público (16/04/2008)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Blogsérie: Barreira do Inferno - Episódio 3


Álvaro acorda um pouco antes do meio-dia. Ainda ensonado, olha para o visor do seu celular pousado na cabeceira. Fica desapontado ao vêr que Cláudia ainda não retornara nenhuma das suas ligações do dia anterior. Nem sequer se dignara a enviar uma simples mensagem de texto. Levanta-se irritado e vai tomar um banho. Logo depois, veste uns calçoes, uma t-shirt e vai para a cozinha, onde prepara um sanduíche e algumas frutas para um almoço improvisado.
Antes de sair para a praia e incapaz de conter a sua ansiedade, volta a ligar para a Cláudia. Após escutar três toques, ela atende com uma voz alegre.
- Oi amor!
- Boa tarde! Cláudia, o que aconteceu ontem? Fartei-me de ligar para você...
- Me desculpe. Acho que fiquei meio confusa com os acontecimentos daquela noite. Mas pode ficar tranquilo...admito que foi uma experiência gostosa.
- Hum...menos mau! Já estava a ficar preocupado. Não queria ter a preocupação de a ter forçado a fazer algo desagradável.
- Não se preocupe. Aliás, temos que pensar em outras fantasias deste tipo... - susurra Cláudia, com voz sensual.
- Está certo - Álvaro sorri. - Aceita jantar aqui em casa? Hoje apetece-me cozinhar para você. Oito horas, pode ser?
- Claro que sim. Temos muitas coisas para conversar...
- Bom...agora vou descer até à praia e depois tenhos uns assuntos a tratar na boate. Até logo. Beijo!
- Beijos, meu amor! Te amo!

Álvaro desce até ao estacionamento, entra no jipe e arranca rumo à Praia do Forte. Esta era uma das coisas que ele mais gostava de fazer. Ao caminhar sozinho eplo areal, aproveitava para relaxar e reflectir sobre alguns assuntos. Naquela tarde, os seus pensamentos fizeram-no viajar para bem longe. Lembrou-se da sua família em Portugal e interrogou-se sobre o que eles pensariam sobre o estilo de vida que adoptara. Álvaro era oriúndo de uma família abastada e tradicional. Tivera uma educação burguesa, católica e conservadora. Era o mais novo de cinco irmãos e desde tenra idade, revelou ter um espírito rebelde e fora dos padrões convencionais.
A sua opção de viver no Brasil nunca foi bem aceite pela família que o censurava constantemente, à excepção de sua mãe Luísa e sua irmã Mafalda, que não eram tão rígidas e até achavam alguma piada á sua irreverência. No campo oposto, estavam o seu pai, Dr. Manuel Trigo e o seu irmão Duarte que durante os últimos anos se dedicara de corpo e alma à vida política, tentando organizar um pequeno partido da extrema direita portuguesa.
Álvaro era o único dos irmãos que ainda não tinha casado e procriado. Os seus irmãos eram totalmente diferentes dele. Seguiram os passos dos pais. Fizeram bons casamentos, possuíam carreiras profissionais bem sucedidas e tiveram filhos bonitos e saudáveis. Ele era uma espécie de ovelha negra que destoava nas belas fotografias de família onde todos pareciam imaculados e perfeitos.
As suas viagens a Portugal tinham-se tornado esparsas. preferia os telefonemas de ocasião no Natal e aniversários. Ainda assim, todos eles estavam longe de imaginar as suas loucas aventuras amorosas. Porém, Álvaro sentia que chegara o momento de estabilizar um pouco e Cláudia tocara o seu coração. As coisas com ela poderiam ser diferentes e talvez tentassem estabelecer um tipo de relacionamento alternativo que fosse satisfatório para ambos.

Numa tentativa de afastar os seu pensamentos, corre na direcção do mar e mergulha naquelas águas mornas. Dá umas fortes braçadas e deixa-se flutuar com o rosto virado para o sol abrasador. Demora-se na praia e por volta das quatro da tarde, volta para o jipe e percorre o curto trajecto até à sua boate. Lá dentro, já se encontrava o Plínio que verificava se tudo estava em ordem para mais uma jornada nocturna. Mal entra no estabelecimento é interpelado por Plínio, o seu homem de confiança.
- Boa tarde, Sr. Álvaro! Tudo bom?
- Oi Plínio! Alguma novidade?
- Por aqui tudo em ordem para hoje à noite. Mas encontrei um envelope para o senhor na entrada. Deve ter sido colocado ontem, mas o senhor não viu...
- O que é? Espero que não seja mais uma conta para eu pagar - graceja Álvaro.
- Não. Acho que é pessoal - Plínio estende-lhe um envelope branco manchado com duas marcas de sapato - Desculpe, mas o envelope estava aberto... - diz Plínio, olhando para o chão com embaraço.

Álvaro olha com seriedade para o seu funcionário e abre o envelope. Engole em seco quando se apercebe do seu conteúdo. Sente o seu rosto ruborizar.
- Ahhh...isto deve ser alguma brincadeira de mau gosto - gagueja, sem conseguir encarar Plínio - Vou para o escritório. Peço que não me interrompam. Entendeu?

Segue em passo acelerado para o seu pequeno gabinete de trabalho nos fundos da boite. Tranca a porta, atira o envelope para cima da mesa e senta-se. Respira fundo e despeja as fotos no tampo da mesa. Seis fotografias. Imagens de má qualidade, provavelmente tiradas com um telefone celular. Mas era inegável que a sua imagem aparecia em todas elas, em diversas posições sexuais e várias parceiras. Umas dessas parceiras, ele conhecia bem. Era a Ana, uma das melhores amigas da sua namorada. Álvaro tivera um pequeno caso com ela, antes de conhecer Cláudia. Curiosamente, a sua actual namorada tinha-lhe sido apresentada através dela. Nunca lhe contaram o sucedido e pior que isso, ainda chegaram a ter dois encontros depois de ele ter assumido o namoro com Cláudia. E uma dessas vezes estava documentada naquelas fotos. Ele lembrava-se bem de a ter acompanhado Ana naquela festa swinger, realizada numa fazenda em Ceará-Mirim, promovida por um conhecido deputado estadual.
Álvaros ente uma súbita dor de cabeça e os seus olhos parecem hipnotizados por aquelas imagens de uma noite louca no início de janeiro.
No verso de uma das fotos, ele vislumbra uma incrição: "Estou com saudades de nossas aventuras. Beijos! Ana"
Ficara estabelecido que a relação dos dois acabaria após aquela orgia. Ele acreditava que Ana não gostaria de magoar uma amiga de infância. Ele nunca sentira nada de especial por ela. Tratou-se de pura atracção sexual. Havia algo naquela mulher que o repelia. Ligeiramente mais velha que Cláudia, era bissexual assumida e tinha uma líbido fora do comum. O mais estranho, eram as suas súbitas variações humor e um espírito auto-destrutivo alimentado pelo uso de cocaína. Por vezes, ele pensava que Ana lhe poderia vir a causar problemas e nunca entendera como a sua namorada confiava tanto nela. Será que Ana lhe conseguia esconder o seu lado obscuro?

Álvaro levanta-se e sente as pernas trémulas. Decide socorrer-se de uma garrafa de whisky irlandês que tinha num armário do escritório. Talvez a bebida o deixasse mais calmo. Seerve-se de uma dose generosa e engole-a de um trago. Senta-se novamente, arruma as fotos no envelope e esconde-as numa gaveta. Nessa mesma gaveta, encontra uma caixa de Valium. Tira um comprimido e toma com outra dose de whisky. A sua cabeça fervilha de inquietação. Passa as mãos pelo rosto e acende um cigarro. Dá uma longa tragada e recosta-se na cadeira, tentando racionalizar os seus pensamentos. Pega no telefone e liga para a Ana.
- Alô? Ana?
- Oiiiii! Como vai o meu amigo português? - responde Ana com ironia.
- Você ficou louca? O que pensa que está a fazer? - Álvaro cospe as palavras com fúria.
- Calma, meu querido! Que stress é esse?
- Decidiu arruinar a minha vida? Você deixa estas fotos no meu local de trabalho, à vista de todos e quer que eu fique calmo?
- Foi uma pequena provocação, meu querido. Você nunca mais ligou para mim, depois que começou namorando aquela sonsa!
- E não foi isso que ficou combinado entre nós? Que raio de amiga é você?
- E que belo namorado você é. Lembra que saiu comigo depois de já estar namorando Cláudia. Você tem muita sorte de eu nunca ter contado nada. As tardes no motel, as festinhas, o seu blogue se sacanagem... - dispara Ana, elevando o tom de voz.
Álvaro fica em silêncio por instantes. Sente-se indefeso, sem qualquer tipo de argumentos.
- O que você pretende de mim? - questiona ele num murmúrio.
- As fotos eram uma brincadeira para o provocar. Queria voltar a sair com você. Mas por ironia do destino, fiquei sabendo de umas coisas e alterei meus planos.
- Como assim?!
- Ontem, sua namoradinha me contou sobre o vosso ménage. Tão púdica, coitada! Admito que Cláudia é um mulherão. Você tem bom gosto, seu safado! - solta uma gargalhada - Agora também quero fazer parte das vossas brincadeiras...
- O quê???
- Isso mesmo que você escutou. Já imaginou? Está na sua mão decidir isso. Não esqueça que eu sei de muita coisa que pode estragar o vosso lindo romance!
- Sua doida varrida! - vocifera Álvaro.
- Até mais, meu querido. Beijo!
- Alô? Alô?
Ana tinha desligado. Álvaro pega novamente no cigarro e fecha os olhos em mais uma tentativa de se acalmar.

Continua na próxima semana na Jeca Urbana

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Passeio


De Pipa a Baía da Traição.

Miss Brasil 2008


A gaúcha Natália Anderle foi escolhida a Miss Brasil 2008, na noite do último domingo, no Citibank Hall, em São Paulo.
A nova miss tem 1,75cm e é formada em cosmetologia e estética. Ela representou Encantado no Miss Rio Grande do Sul.
Natália Anderle leva para casa R$ 200 mil, uma jóia, um relógio de brilhantes, um carro de R$ 80 mil, uma viagem para participar do Brazilian Ball e a coroa e a faixa de miss. Além disso, ela vai disputar o Miss Universo, dia 15 de julho, no Vietnam.
Uma BOA escolha...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Além-Tejo


Nas terras do Além-Tejo
ao fim dos vales, um monte
Quatro noites para um rio
encontrei-te junto á ponte...



Do passado de um rio
ficou por contar a primeira vez
O passado de um rio
ficou de voltar outra vez
Passaste como um rio
que eu cantei e me deixou aqui
passaste como um rio
e eu não sei passar sem ti...



Soube o teu nome além Tejo
talvez fosses quem perdi
Passaste como um rio
e hoje não passo sem ti


Sétima Legião, Mar D´Outubro

SOS Chuva


Mais de 10 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas no Rio Grande do Norte em função das fortes chuvas que atingem o Estado há uma semana, com cinco pessoas mortas. Em 35 municípios já foram decretados estado de calamidade, incluindo Mossoró, a segunda maior cidade do Estado com cerca de 220 mil habitantes, onde um temporal no domingo à noite deixou mais de 300 famílias desabrigadas.
“Todos os estados do Nordeste estão enfrentando problemas com as chuvas; mas no Rio Grande do Norte há um agravante, que são os prejuízos em setores produtivos. Quando as águas baixarem, nós não teremos problemas apenas na área social, mas também na nossa economia. A nossa preocupação é, portanto, muito maior, tendo em vista a iminência de demissões”, disse a governadora Wilma de Faria.

Prejuízos económicos no RN:
- Cerca de 6.000 empregos comprometidos
- Três sectores produtivos atingidos: carcinicultura (produção de camarão), salineiro e fruticultura.
- Na região salineira do Estado, onde se concentra 30% da produção de camarão do RN, 1.550 hectares de fazendas já foram destruídos pelas águas. Na região, cerca de 2.000 pessoas trabalham, directamente, na actividade (carcinicultura). O Rio Grande do Norte é o maior produtor e exportador do crustáceo no país.
- No segmento salineiro o governo do Estado ainda não concluiu o levantamento que está sendo feito, mas sabe-se que áreas inteiras de produção do sal foram atingidas pelas enchentes. O Rio Grande do Norte produz mais de 90% do sal consumido no país.
- Na fruticultura, principalmente, no Vale do Açu, 15 mil hectares produzem frutas; destes, 5.000 hectares estão debaixo de água. Uma das culturas mais atingidas foi a da banana. O Rio Grande do Norte é um dos principais produtores de frutas do país e o maior exportador de bananas.

Vários sectores da sociedade civil estão a desenvolver esforços para ajudar as vítimas das enchentes, fazendo recolha e entrega de alimentos e vestuário. Neste campo campo, destaco a campanha SOS Chuva promovida pela TV Ponta Negra. Os interessados poderão fazer as suas ofertas na sede da emissora localizada no bairro do Alecrim, em Natal.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Blogsérie: Barreira do Inferno - Episódio 2


Na semana passada dei início a uma nova blogsérie, escrita em estilo de "desgarrada" com a Tati. Ao que parece, após a noite escaldante descrita no episódio inaugural, surge um clima desconfortável no seio do casal protagonista da trama e foi acrescentada uma pitada de mistério. Tal como foi comunicado, a publicação será alternada semanalmente nos dois blogues poderão ler a sequência da história aqui
Entretanto, vou tratar de delinear algumas ideias para o episódio da próxima quarta-feira.

Suave Mistura


A conjugação perfeita dos arranjos musicais de Rodrigo Leão com o doce sotaque brasileiro de Adriana Calcanhoto. Uma integração melódica que consegue unir a melancolia portuguesa, amenizada com uma brisa dos trópicos. Um tema obrigatório na minha playlist lá de casa....

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Euroalternativos

Islândia

O Portugal pós-UE tornou-se um lugar estranho para mim. O facto do progresso ter passado ao lado do país é ilustrada pela mistura de eléctricos antigos e bombas de incêndio dos anos 20 com a invasão maciça de automóveis topo de gama. A tardia mas inteiramente merecida oportunidade de actualização, simpaticamente apoiada pelos parceiros europeus, veio aniquilar boa parte das qualidades do Portugal tradicional. Em meados da década de 80, os governantes foram incapazes de conceber um projecto nacional, no sentido de ter um pensamento substancial e estratégico para Portugal. Que país depois do final do Império e na conjectura interna e externa dessa década? Não só que economia, mas que política, que defesa, que aliados, que função, que grandes objectivos? E qual a linguagem mobiliadora? E que valores sociais?
Decidiu-se apostar na adesão europeia como cura para todos os males. Porém, tudo isto foi feito em jogadas de bastidores, longe do debate público e total ausência de referendos. Paralelamente, vários fenómenos culturais foram afectando a sociedade portuguesa de modo nocivo. A cultura tradicional que exaltava, genuinamente, valores comunitários - generosidade, abnegação e solidariedade - substitui-se uma cultura glorificadora de padrões de mediocridade, consumismo, de egoísmo, que tem a sua tradução para as massas, na vulgaridade da produção televisiva "popular".
A pátria portuguesa e o Estado são um valor. Mas entre 1580 e 1640, Portugal, no quadro da união real com Castela, estava subordinado aos interessses globais da monarquia hispânica que lhe sairam caro. Do mesmo modo que em 1974-75, as convulsões político-ideológicas foram pagas com graves prejuízos políticos e económicos, especialmente com uma coisa a que chamram "descolonização exemplar". E actualmente? Será que não estaremos a ser prejudicados por uma entidade supranacional regida por euro-burocratas que não descansaram enquanto não destruíram por completo o nosso frágil aparelho produtivo?
Ilhas Faroé

Os valores, mesmo os políticos, podem, enquanto categorias - a Pátria, a Ordem, a Justiça - transcendem a História.
O importante é que o pensamento português, regressando às grandes linhas e ideiais comunitários, actue com consciência crítica e orientadora das soluções e projectos necessários à Nação.
Não serei um adepto do orgulhosamente sós ou da transformação do país numa espécie de Albânia da época comunista. No entanto, contra a corrente, mantenho-me firme nos meus ideais nacionalistas, tradicionalistas e grande apologista da alternativa atlântica como espaço económico alternativo. Para muitos serei um extremista, portador de ideologias perigosas ou um mero utópico.
Mesmo assim, ainda consigo apontar alguns exemplos no cenário europeu que me agradam no seu modelo governativo, independência e apego às tradições. Todos eles têm origem no Norte gelado e longe de serem territórios de grande importância geopolítica.
Em primeiro lugar indico a Islândia, povoada por descendentes de colonos noruegueses que ocuparam esta ilha situada no meio do Atlântico Norte antes do ano 1000. Os islandeses, os menos de 300.000 que o são, vivem num isolamento esplendoroso e não querem ter nada a ver com a União Europeia. Falam o norueguês antigo, a língua dos vikings, tratam-se pelo nome próprio (e é assim que estão registados na lista telefónica) e comem testículos de carneiro que empurram com uma poção violenta chamada "Morte Negra". Que eu saiba, não são regidos por nenhum ditador e toda a população ususfrui de um bem estar material muito satisfatório.
Outros exemplos curiosos, são os territórios atlânticos da Gronelândia e das Ilhas Faroé pertencentes à Dinamarca. Ambos possuem o seu próprio parlamento local, sendo Copenhaga responsável pela defesa, pela política externa e pela moeda comum. Os gronelandeses aderiram à UE em 1973, tendo-a abandonado seis anos depois, enquanto os cerca de 40.000 habitantes das Ilhas Faroé nunca aderiram. Será isto independência excessiva?!
Obviamente que são regiões em nada comparáveis a Portugal mas servem como testemunhos da existência de vias alternativas de construção europeia. Afinal de contas, existe vida, harmonia e prosperidade fora da influência dos radares de Bruxelas e Estrasburgo.
Gronelândia

sábado, 5 de abril de 2008

A Ilha dos Escravos


A longa-metragem A ilha dos escravos, do realizador português Francisco Manso, chega aos cinemas no mês de Maio.

O filme, que custou cerca de dois milhões de euros, vai ser exibido nos três países onde foi rodado, já tendo garantida a distribuição no Brasil e em Cabo Verde.
Depois da exibição comercial nesses dois países, será transmitido em Portugal pelo canal de televisão de serviço público RTP.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Estrada do Guincho


Eu quero agarrar-te
longe de tudo e de todos
liberto de distracção dos outros

E guiar-te pelo ar
para lá da estrada
onde o tempo não pode passar

Numa serra encantada
ao pé do mar
para lá da estrada do Guincho
numa praia abandonada
só para ti
para lá da estrada do Guincho

Tu consegues imaginar-te
longe de tudo e de todos
livre da confusão dos outros?

A deixares-te guiar
para lá da estrada
onde o amor não sabe parar

Não importa ser um sonho
e não existir
é verdade o que eu estou a sentir!

sente-me
aperta-me no ar
façamos deste sonho um resumo...


Delfins, Desalinhados

A Peste do Mosquito


A dengue tem feito vítimas às dezenas e deixado urgências hospitalares sobrecarregadas no Rio de Janeiro, segundo uma reportagem publicada na edição desta sexta-feira do jornal francês Le Monde. O artigo mantém na agenda dos jornais estrangeiros a epidemia que já matou 67 pessoas na cidade. Com a chegada da época das chuvas no Nordeste, teme-se que os focos desta doença possam se multiplicar nesta região.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Blogsérie: Barreira do Inferno - Episódio 1


Cláudia já saía o seu namorado Álvaro havia alguns meses. Ela tinha uma escova de dentes no apartamento dele, mas não as chaves de casa. Álvaro Trigo é português e após algumas dificuldades nos primeiros anos, conseguira vencer naquela cidade do nordeste brasileiro. Portugal ficara para trás há sete anos e ele prosperara com a abertura da mais badalada casa nocturna da cidade, frequentada pelos filhos da elite local. Progressivamente, foi ficando influente e conhecido de todos. De facto, mal se podia olhar para as patéticas colunas sociais da região, sem ver o seu rosto estampado na companhia de outros empresários e alguns políticos.
O que ele estava a fazer com ela era um pouco incerto. Ela era cerca de doze anos mais nova que Álvaro e completamente desconhecida. Porém, trabalhava em publicidade, facto que o deixava curioso e entendiam-se muito bem. Apesar de ele deixar claro que não queria - e não iria - comprometer-se. Era divertido, culto e charmoso. Ela tinha vinte e cinco anos e estava aberta a qualquer coisa.

Naquela noite, Cláudia ficara de se encontrar com Álvaro na sua boate na Praia dos Artistas. Este era o único pormenor de que ela não gostava na relação. Apesar de ele não ficar até muito tarde, era um local pouco propício para conversas e eram constantemente interrompidos por desconhecidos que insistiam em cumprimentá-lo ou grupos de patricinhas que se exibiam para ele.
No entanto, naquela noite, Álvaro dedicava um pouco mais de atenção á sua parceira. Bebiam champagne numa área mais reservada e ele acariciava-lhe com delicadeza as costas, evidenciadas por um sensual decote no vestido preto. Eles contemplavam as pessoas que dançavam freneticamente na pista, localizada no piso inferior. Álvaro pergunta-lhe o que pretendia fazer mais tarde.
- Bem, nós poderíamos contratar uma prostituta - diz Cláudia, querendo excitá-lo.
Eles já vinham conversando sobre isso há semanas. Ela confessara que gostaria de sair com uma mulher e ele disse que sempre quisera estar com duas. Eles não eram diferentes de ninguém em nada. Para homens e mulheres, o ménage a trois é como o Monte Everest da sexualidade - muitos gostariam de testá-lo e, se não querem, querem saber como funciona. É sexy? É algo excessivo?

Cláudia também estava interessada por outras razões. Álvaro afirmava que não conseguia ser fiel e ela imaginava que se eles traíssem o seu relacionamento juntos não seria realmente uma traição. Ela nunca tinha pensado que um dia contrataria uma prostituta, mas isso permitia-lhes evitar solicitações constrangedoras junto de amigos comuns. Contudo, ela tinha perfeita noção que este tipo de fantasias funciona em espiral crescente e provavelmente as coisas não ficariam por ali.
Como era de se imaginar, Álvaro ficou tentado com a sugestão.
- Não é uma má ideia - disse, com um sorriso malicioso.
Apesar de ela não estar muito segura se estava disposta a fazer o que havia sugerido, ele estava tão empolgado que já era tarde demais para mudar de ideias. Após saírem da boate, aceleraram rumo ao apartamento dele no Tirol, onde começou a buscar acompanhantes pela internet enquanto Cláudia procurava nos classificados dos jornais. No final de uma das páginas, ela achou um anúncio de acompanhantes de luxo. Ele ligou de imediato e pediu uma loira " com muita experiência com mulheres". O preço era 500 reais por hora.
- Nossa! O aluguel do apartamento que divido com minha amiga são 500 reais - murmura Cláudia entredentes.
Álvaro passou as informações do cartão de crédito e o seu nome verdadeiro para a pessoa que estava do outro lado da linha. Cláudia ficou incrédula. Ele era uma pessoa conhecida, aquele sotaque era inconfundível mas agia imprudentemente numa cidade conservadora, onde os estrangeiros residentes eram desaprovados com facilidade. Mas Álvaro não se importava. Era como se estivesse a pedir uma pizza por telefone. A mulher na outra ponta diz qualquer coisa. Álvaro sorri, desviando o olhar para a sua namorada.
- Fico feliz por saber que sou tão popular - disse Álvaro para a agente das acompanhantes.
Cláudia questionava se a mulher iria espalhar a história para algum colunista social, mas guardou o pensamento para si mesma.

Tinha chegado a hora de se prepararem. Foram para o chuveiro; parecia o mais educado a fazer. Cláudia desejava ter colocado uma lingerie mais provocante. Vestiram roupões. O duche tinha diminuído o efeito da bebida, o que não era necessariamente bom. Álvaro acende um cigarro e penteia os cabelos com os dedos. Ele abre uma garrafa de vinho do Porto e coloca um CD de Massive Attack na aparelhagem sonora. Cláudia aproveita para diminuir a luminosidade da sala.
Subitamente, o porteiro interfona para anunciar a chegada da visitante. Cláudia ainda pensou que teria sido mais sensato fazer este programa num motel, ao invés de receberem uma prostituta em casa. Era uma exposição de intimidade bastante arriscada. Ouve-se uma leve batida na porta. Cláudia sente o sangue congelar nas veias, enquanto Álvaro deixava a loira oxigenada entrar. Ela aparentava ter perto de trinta anos e ostentava um olhar felino. Tinha seios volumosos e Cláudia era mais bonita. "Óptimo" - pensou ela para com os seus botões.
Ofereceram uma bebida para ela e conversaram durante breves minutos, sentados nos sofás da sala. Logo depois, dirigiram-se para o quarto onde Álvaro havia acendido algumas velas.

A coisa aconteceu da maneira que se imagina que deve ser. Ele diz para a prostituta que Cláudia nunca tinha estado com uma mulher e pede que ela beije a sua parceira.
- Quero ver - sibila ele.
È curioso pensar que os diálogos dos filmes pornográficos são estúpidos e, depois, lá estamos nós num filme para adultos na vida real a dizer as mesmas idiotices.
Uma hora depois, a loira levanta-se da cama e sai. Charlie Sheen sabia o que falava quando disse que não paga a uma prostituta apenas pelo sexo, mas também para que ela se vá embora. Cláudia já tinha ouvido ópera em Milão, os sinos das igrejas parisienses ao amanhecer, mas o som mais doce que escutara foi daquela porta a bater, atrás daquela mulher.
Na manhã seguinte, Álvaro levantou-se cedo porque ia ter uma reunião importante com o gerente do banco. Cláudia observava-o da cama e pensava se a loira iria perceber quem ele era e aproveitar-se da situação.
Quando chegou à agência, um colega do departamento criativo perguntou-lhe como tinha sido o serão.
- Legal - diz ela, esboçando um leve sorriso.
Foi legal. E ainda estava tudo no início...

Continua na próxima semana na Jeca Urbana

terça-feira, 1 de abril de 2008

Rotas & Destinos


A minha capitania merece uma visita, não concordam?

A Colombo Lusitana


Em Setembro deste ano, o emigrante português José Pereira completa meio século de vida no Brasil, para, dois meses depois, festejar o mesmo meio século de trabalho na Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro.

Para a Colombo, cuja fama atravessou fronteiras, ele é agora o único depositário da "alma lusa" que foi a dos seus fundadores, em 1894.

segunda-feira, 31 de março de 2008

O Delfim


Portugal, finais dos anos 60. Tomás Palma Bravo, o Delfim, o Infante, é o herdeiro de um mundo em decomposição. É ele o dono da Lagoa, da Gafeira, de Maria das Mercês, sua mulher infecunda, de Domingos, seu criado preto e maneta, de um mastim e de um "Jaguar E", que o leva da Gafeira a Lisboa e às putas. Um caçador, detective e narrador, que todos os anos volta à Lagoa para caçar patos reais, descobre, um ano depois, que Domingos apareceu morto na cama do casal Palma Bravo e que Maria das Mercês apareceu a boiar na Lagoa. Quanto a Tomás Palma Bravo e ao mastim, dizem-lhe que desapareceram sem deixar rasto. E que da neblina da Lagoa se ouvem agora misteriosos latidos.
Uma boa adaptação da obra homónima da autoria de José Cardoso e, sinceramente espero que nunca se deixem de fazer filmes destes no limitado cenário cinematográfico português.

Mais Turistas Brasileiros


Portugal é um dos países que têm registado forte crescimento da chegada de visitantes brasileiros.

Os últimos da dados do Proturismo, relativos a Novembro de 2007, indicam que, nesses onze meses, o número de hóspedes brasileiros em estabelecimentos hoteleiros portugueses teve um crescimento de 23,5%, num total de 236.462. Nesse mesmo período, o número de dormidas de brasileiros registou um aumento de19%, atingindo 518.539.
Tanto em número de hóspedes como de dormidas, o mercado brasileiro é o quarto que mais cresceu em percentagem na hotelaria portuguesa, depois da Polónia, República Checa e Rússia, que têm, todavia, bases de partida muito inferiores.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Cigano


Transporto as tralhas da vida
na caravana que sou,
e não sei para onde vou
e nem sei o que me chama;
mas sou da raça andarilha
e tenho pinta cigana.

Mais que desejo é viver
este contínuo mudar
que o fastio de ficar
logo me vence ao chegar

Não me dou a um local
nem refaço o chão que gasto.
Eu sou da serra e do vale
e toda a terra é meu pasto.

Fui roubar a cor ao sol
e a genica aos vendavais,
andei na rota do vento
e descansei no luar.
Sou cigano como o tempo
que não pára nem regressa
porque a vida leva pressa.