sábado, 10 de maio de 2008

Gato por Lebre


O escândalo de Ronaldo com os travestis continua a render piadas. Agora, a Varilux, empresa fabricante de lentes para óculos, resolveu tirar proveito do facto de Ronaldo não se ter apercebido que o travesti, que contratou no calçadão para um programa sexual, não era uma mulher. A Agência Publicis Rio criou para a empresa, um anúncio em que fala: Para não levar André por Andréia, use Varilux.

A peça publicitária já está a ser veiculada na imprensa carioca. Além da empresa, o caso ocorrido no dia 28 de abril ganhou as páginas de jornais no mundo todo e tornou-se piada no site YouTube. No Fantástico de domingo (4), o craque comentou o caso, garantindo ter levado gato por lebre, já que não sabia que estava indo para o motel com um travesti e, quando percebeu, não quis fazer o programa.

Personal Travesti Identifiqueitor


Acho que me vou tornar representante comercial deste produto! Bastante útil para craques de futebol que tendem a confudir as bolas...
Sketch retirado do programa humorístico Casseta & Planeta da Rede Globo.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Blogsérie: Barreira do Inferno - Episódio 6


A variedade e o contraste dão prazer ao paladar, ao sexo, ao som e à visão.
Epicuro


O destino final do casal Álvaro e Cláudia ficou traçado no último capítulo redigido pela Tati. Agradeço desde já a todos aqueles que tiveram o interesse de seguir a blogsérie durante as últimas semanas e espero que tenham gostado desta pequena narrativa escrita a duas mãos.

Enfermeiras de Luxo


Gosto deste governo. É verdade que os implantes mamários nas enfermeiras podem não resolver os problemas das listas de espera, mas tornam a espera muito mais tolerável.
Com enfermeiras destas até eu vou para as listas de espera!

Via 31 da Armada, a propósito desta notícia

terça-feira, 6 de maio de 2008

Novo Embaixador em Brasília


Segundo a comunicação social portuguesa, o actual embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, deverá ser o próximo representante diplomático em Paris, sendo substituído pelo embaixador João Salgueiro, que desempenha as funções de Representante Permanente de Portugal junto das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Praia de Sagi


As paisagens selvagens do extremo sul do Rio Grande do Norte.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Festival Hola Lisboa


O filme brasileiro Tropa de Elite, do realizador José Padilha, abre, no dia 21 de Maio, no cinema São Jorge, a segunda edição do Festival Hola Lisboa, que este ano foi aberto à produção cinematográfica da América Latina.

Além de Tropa de Elite e do também brasileiro Ó pai, Ó, de Monique Gardenberg, a selecção oficial inclui Dot.com, do realizador português Luís Galvão Teles; os chilenos Radio Corazón, de Roberto Artiagoitia, e Pai Nosso, de Rodrigo Sepúlveda; o argentino XXY, de Lucia Puenzo; o colombiano Soñar no cuesta nada, de Rodrigo Triana; e o espanhol Barcelona (un mapa), de Ventura Pons.

Garota Melancia


Não será difícil imaginar a origem do apelido singular. Créu!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Para Sempre Lilya


Abandonada pela mãe, Lilya é uma adolescente de 16 anos que vive sozinha na Estónia tendo como único amigo o pequeno Volodja, enfrentando dificuldades como precárias condições de moradia, falta de dinheiro e alimentos, tendo que recorrer a venda de seu próprio corpo em nome da sobrevivência. Ambos sonham com uma vida melhor e para Lilya a oportunidade surge quando ela se apaixona por Andrej e ele convida-a para ir viver na Suécia com promessas de uma vida melhor.
O filme é forte e cruel. Através da vida de Lilya o filme aborda assuntos como a prostituição de adolescentes, a vida nos subúrbios, as perspectivas de vida de uma juventude que não consegue encontrar esperanças num mundo absurdamente cruel.

Li em algum lugar um comentário sobre como o filme nos faz sentir culpados por termos uma vida pautada por parâmetros de normalidade e tomo esse comentário para mim. Lukas Moodysson, construindo o seu currículo de filmes sobre temas da adolescência, conseguiu trabalhar muito bem em cima de uma história que não chega a ser nenhuma grande novidade (embora sempre realista e actual) e criar uma sequência genial. O expectador envolve-se na vida de Liljya, é absorvido pelas circunstâncias em que se apresentam no seu dia-a-dia, torce por ela e pelo seu pequeno amigo Volodja.

A interpretação da actriz principal - Oksana Akinshina - por si só não chega a ser louvável, mas nada que comprometa o conjunto. O grande destaque fica mesmo por conta da química perfeita entre os dois personagens principais, as cenas com Artyom Bogucharsky primam pelo envolvimento.
Para Sempre Lilya é um filme triste. Começa triste, torna-se muito triste e termina triste. Vale muito a pena, mas recomendo, veementemente, evitá-lo naqueles dias em que vocês sentem que tudo está uma merda. A sensação só tenderá a piorar.
Lembro-me que vi este filme em 2003 e saí do cinema com a sensação de ter levado um soco no estômago. Há dias tive oportunidade de o rever em formato em DVD e as sensações fortes voltaram a repetir-se..

Luxo Português no Brasil


Inaugurado em Outubro de 2005, o Pestana Convento do Carmo, em Salvador, é o primeiro hotel histórico de luxo do Brasil.

O prédio em que se encontra começou a ser erguido em 1586 pela Ordem Primeira dos Freis Carmelitas, que aí instalaram o seu Convento, e foi, ao longo dos séculos, palco de grandes acontecimentos: serviu de quartel às tropas portuguesas e foi lá que foi assinado o acto de rendição das forças holandesas, em 1625.
É considerado uma das principais obras da arquitectura colonial brasileira.
Agora, depois de meticulosa restauração, enquadrada no projecto de requalificação do centro histórico da cidade que se encontra classificado pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade, o Convento do Carmo dá corpo a um conceito de hotelaria que até agora não existia no Brasil, tendo sido eleito como uma das melhores novas unidades hoteleiras do mundo pela revista norte-americana “Travel+Leisure"

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Blogsérie: Barreira do Inferno - Episódio 5

Recapitulando...
Episódio 1
Episódio 2
Episódio 3
Episódio 4


Ana sentia-se particularmente entediada naquela tarde de domingo. Chovia intensamente lá fora e a água batia furiosamente nas vidraças da sala. Os seus pais tinham viajado para o interior e só regressariam no dia seguinte. Ela é filha única dos proprietários de uma das principais imobiliárias de Natal. Tinha sido mimada ao extremo e agora com vinte e sete anos, dedicava grande parte da sua existência a uma trilogia de luxo, prazeres e cama. Apesar de ser formada em Administração, os negócios da família pouco ou nada lhe interessavam. Preferia ser uma socialite de província que preenchia os seus dias com um sem número de futilidades. Ana aparentava estar sempre alegre e despreocupada mas era um disfarce que escamoteava uma certa solidão interior que emergia em dias como aquele.
Ela estava deitada no enorme sofá da sala, assistindo a um monótono filme erótico que passava num canal para adultos. O cinzeiro transbordava de cinzas e pontas de cigarro. Na sua mente ainda desfilavam os acontecimentos dos últimos dias. Sentia uma raiva surda pela aparente felicidade e independência que Cláudia irradiava.
O seu desejo por Álvaro tinha sido substituído por um desprezo, que se acentuara após a reprimenda que ele lhe dera na boate durante a semana anterior. Tinha chegado o momento de ela revelar a vida secreta de Álvaro mesmo que isso obrigasse ela a confidenciar coisas que sempre escondera da sua amiga.
Entretanto, levanta-se do sofá e debruça-se sobre a mesa de centro onde estavam dispostas algumas linhas de cocaína. Pega numa nota de cinquenta enrolada e aspira duas linhas, numa tentativa de combater aquela irritabilidade. Um ligeiro ardor invade-lhe as narinas. Esfrega o nariz e procura o seu celular. Liga para a Cláudia.
- Alô?
- Oi amiga! Tudo bem com você? Onde você está?
- Estou saindo da casa de Álvaro...
- Certo. Não quer passar na minha casa? Meus pais viajaram e só regressam amanhã. Tou aqui morrendo de tédio!
- Ok! Estou indo para aí. Chego daqui a uns quinze minutos...
- Ótimo! Fico te aguardando.

Uma hora depois, as duas amigas já se encontram a conversar animadamente. Cláudia relata o episódio da loja que lhe proporcionara um contacto directo e perturbador com Rebeca.
- E aí, o que você fez? - pergunta Ana, cheia de curiosidade.
- Absolutamente nada! Fiquei tão nervosa que nem troquei a blusa!
- Que boba! - exclama Ana.
- É claro que depois, fiquei pensando em tudo aquilo que aconteceu. Há qualquer coisa naquela mulher que mexe comigo. Ontem, procurei no jornal o anúncio da agência de acompanhantes onde ela trabalha. Peguei o número mas ainda não tive coragem de ligar...
- Porque não liga para ela? Desfrute este seu momento de descoberta sexual...
- Sabe...Álvaro me arrastou para um universo que desconhecia por completo. Ainda não sei bem se isso é bom ou ruim. É algo que me excita e enoja ao mesmo tempo. Não sei explicar muito bem isso...
- Eu entendo. Posso afirmar que também descobri muito de mim e de minha sexualidade nos últimos anos. Descobri que era bi - diz Ana de forma natural.
- Você é o quê?!
- Bi...bissexual, Cláudia. E já agora, também posso acrescentar que sou swinger.


Cláudia estava incrédula. Ana sempre fora bem mais extrovertida e ousada, mas ela estava longe de imaginar que a amiga se entregava a este tipo de prazeres. Ana apercebeu-se do embaraço que causou mas insistiu no assunto.
- Assim, numa primeira abordagem, que ideia você faz sobre o swing e sobre quem o pratica? - perguntou socraticamente Ana.
Cláudia falou, procurando palavras que não contivessem censura sobre o tema, o qual, na verdade, já não a escandalizava.
- A ideia que eu tenho é que são casais que desenvolvem uma amizade, que a dada altura, passam a ter um envolvimento muito estreito e acontecem as partilhas de parceiros. Devem ser pessoas que gostam muito de sexo e não têm tabus.
- Boa definição. Descobri que a grande maioria das mulheres swingers são bissexuais. Eu não sabia que era, até ter experimentado - salientou Ana, lançando um olhar desafiador a Cláudia.
- Ai!, não olhe para mim desse jeito - diz Cláudia, soltando uma risada - E você tem coragem de praticar isso nesta cidade onde tanta gente se conhece?
- No início também fiquei encucada com isso mas vi logo que era uma coisa muito bem organizada. Aliás, nem deveria ser eu lhe deveria estar explicando tudo isto...
- Como assim?
- Temos um grupo, chamado Ars Amatoria, certo? - pergunta Ana, na ânsia de causar maior curiosidade.
- Sim??? - pergunta Cláudia já impaciente.
- Pois este nosso grupo se resume a cerca de dez casais que se interessam por este estilo de vida e gostam - para além de sexo - falar sobre todos os assuntos relacioandos com o swing, de debater ideias, de discutir noções para se ajudarem mutuamente, a ultrapassar obstáculos e alcançar o objetivo supremo que é estar em sintonia com a vida, com o prazer e o bem-estar. São noites muito legais, com gente super divertida e educada e que acabam...como você imagina - conclui Ana sorrindo maliciosamente.
- Estou ficando curiosa demais! Me conte mais coisas... - diz Cláudia se agitando.
- É um grupo de casais, com uma cultura acima da média, que tem conversas interessantes, que fala sobre sexo sem o menor preconceito... - explica Ana com entusiasmo - um deles é advogado, tem uma jornalista, um deputado estadual, uma médica e tem o líder...
- Um líder? E que é ele?
- O seu namorado português - responde Ana secamente.
- O quê?! O Álvaro?
- Ele mesmo. Foi ele que organizou este grupo há uns três anos. No início, foi tudo elaborado através de contatos da internet. Só mais tarde as coisas evoluiram de outra maneira e ele tornou-se uma espécie de guru daquele grupo. Ele e eu éramos os únicos nunca tínhamos parceiros fixos. Uma espécie de estatuto especial. Poré, ele se afastou do grupo desde que começou namorando você - diz Ana, tentando decifrar a expressão da amiga.

Cláudia sentiu um turbilhão de emoções a sacudir-lhe a alma e sua garganta ficou subitamente seca.
- Assim sendo, nem preciso perguntar se você já transou com meu namorado...mas fique tranquila com isso. Homem é tudo a mesma merda e mais tarde vou pensar seriamente sobre isso. Agora quero saber ainda mais coisas desse grupo. Quando vocês se reunem? - pergunta Cláudia, tentando afastar os seus pensamentos mais sombrios.
- Todos os primeiros sábados de cada mês - respondia Ana, espantada coma frieza de Cláudia.
- Onde?
Em casa de um outro casal, normalmente naqueles que têm granjas ou casas de praia. E sem vizinhos, de preferência - explica Ana, rindo nervosamente.
- Cada primeiro sábado de cada mês? Isso significa que haverá uma festa no próximo final de semana...
- Olhe, já que a vejo tão interessada, porque não fala com Álvaro sobre isso? Você podia ir com ele e conhecer o grupo. Quem sabe se não seria bom para a vossa relação?
- Pois...quem sabe? - Cláudia queria parecer irónica - Mas você terá que fazer a sua parte.
- Agora não entendi...
- Eu falo com o Álvaro e ele terá que me levar a bem ou a mal. Mas quero que você convide Jonas e Rebeca para o próximo encontro. Pode fazer isso por mim?
- Isso não é assim tão simples- avança Ana hesitante - algumas pessoas convidam casais de curiosos mas isso é sempre feito com consentimento prévio dos restantes elementos. Acho que é meio difícil. Além do mais, quem diz que eles os dois são curiosos?
- Trate de conseguir isso para mim! Acho que é o mínimo que posso exigir de quem já trepou com o meu namorado! - diz Cláudia elevando o tom de voz - E é bom que Álvaro não saiba que eles serão os seus convidados. Você vai com quem?
- Vou com Rogério, aquele cara de Mossoró. Lembra dele?
- Acho que sim...assim vai dar tudo certo. Eles serãos os vossos convidados. Álvaro e eu iremos por nossa conta.
- Mesmo assim, tou achando meio complicado concretizar essa ideia. Como irei abordar o Jonas e essa tal de Rebeca? - pergunta Ana, já ansiosa por ver o circo pegando fogo.
- Fique tranquila. Temos uma semana pela frente para planear tudo isso, certo?
- O que você tem em mente? - Ana não consegue disfarçar a curiosidade.
- Sinceramente, ainda não sei. Mas quero que as coisas sejam feitas desse jeito. A festa, irá ser aqui perto?
- Sim, numa casa na Praia de Pirangi.
- Muito bem. Vamos conversando sobre isto durante esta semana e nos encontramos no sábado.
- Tá certo. O encontro será a meio caminho da praia, na Barreira do Inferno, por volta das nove da noite.
- Ótimo! Vamos ver o que rola durante essa noite... - conclui Cláudia de modo enigmático.

Não percam, durante a próxima semana, o último capítulo desta blogsérie na Jeca Urbana

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Alerta


Campanha local contra o turismo sexual.

Estereótipos


Na sua edição de Abril, agora nas bancas, a revista Brasileiros publica extensa reportagem centrada em Lisboa em que destaca a diferença entre os estereótipos que por vezes ainda existem no Brasil em relação a Portugal e as novas realidades portuguesas.
"Os brasileiros que visitam Portugal surpreendem-se com um país moderno, diferente do que imaginam, e a notícia se espalha" - destaca a revista, citando o presidente da companhia aérea portuguesa TAP, o brasileiro Fernando Pinto

Vida cultural vibrante, sofisticação e urbanidade, uma sociedade miscigenada, em que se cruzam gentes de todas as cores, gente jovem com iniciativa, contactos e consagração na Europa e no mundo, familiarizada com as novas tecnologias, com saudades, sim, mas do futuro - eis o que a"Brasileiros" descobriu em Portugal.
E sempre um olhar de familiaridade com o Brasil, consciente das raízes comuns : "brasileiro não é estrangeiro. É como se fosse parte de nós" - na expressão de um dos entrevistados.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

33


Acredito que este aniversário seja memorável para o resto da minha vida. Ele coincide com uma nova fase da minha vida em que novas perspectivas se abrem no horizonte. Adivinha-se mais um ano de trabalho intenso, astúcia e alguns sacrifícios pessoais.
Encerrei um ciclo e surge uma nova etapa de sonhos e conquistas, onde o meu espírito combativo e empreendedor será posto à prova mais uma vez. Porém, tenho sempre a satisfação de jamais me acomodar a uma existência anónima, cinzenta e rotineira. Nada supera a minha satisfação de ter muitas histórias para contar e de me ter cruzado com tantas pessoas das mais diversas origens. As aventuras e desventuras continuarão noutros lugares, novos personagens e alguns reencontros...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Blogsérie: Barreira do Inferno - Episódio 4


O enredo está-se a tornar deliciosamente complicado...

Acompanhem o quarto episódio na Jeca Urbana

Portugal e Brasil - Além das Palavras


"Um Brasil com melhor desempenho económico é parceiro essencial para que Portugal reencontre a sua posição na Europa" - escreveu, em artigo publicado há dias na imprensa brasileira,
Marcelo de Paiva Abreu, professor titular do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

"A ampliação do escopo para a convergência de interesses entre os dois países requer, necessariamente, grande aumento do intercâmbio entre os dois países em todas as esferas. O desafio é dar substância económica à sintonia linguística e cultural. Ir além das palavras."

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A Casa em Sintra


Eu sei de uma casa em Sintra
Que era onde eu queria morar
Respirar o ar sagrado
Que os antigos conheciam

Sintra foi por muito tempo
O santuário de peregrinação
Era aqui que acabavam
As viagens todas em meditação

E eu vejo aquelas casas
Dos que moram lá em baixo
Não se dão conta de nada
Nunca deram atenção

Ao esplendor da luz da lua
E a todo o ministério quando a noite cai
Qualquer um fica perdido
Não vê no escuro para onde é que vai

Era numa casa em Sintra
Que eu gostava de morar
Nos lugares do fim do mundo
Onde a história se escondeu

Era numa casa em Sintra
Bem por cima de todo o mar
Que eu gostava de ir ao fundo
Descobrir bem quem eu sou

Eu deixei meu cavalo
Nos jardins de Monserrate
Porque quis impressioná-lo
Com o chão que pisaria

Da minha janela em Sintra
Vejo viver todo o universo
A minha guitarra em Sintra
Deixa-me ouvir todo o universo

Era numa casa em Sintra
Que eu gostava de morar
E o desejo era tão grande
Que assim aconteceu

É na minha casa em Sintra
Que eu gosto de chegar
Descansar da volta ao mundo
Descobrir bem quem sou eu

Vamos lá subindo
Por esses montes fora
Que a manhã vem vindo
Dos lados d'aurora...

Delfins, Ser Maior - Uma História Natural

sábado, 19 de abril de 2008

1808


A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleónicas, revoluções republicanas, escravidão formaram o caldo no qual se deu a mudança da corte portuguesa e a sua instalação no Brasil.
O propósito deste maravilhoso livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correcta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos atrás. Escrito por um dos mais influentes jornalistas da atualidade, 1808 é o relato real e definitivo sobre um dos principais momentos da história brasileira.

Literatura de Cordel


A presença da literatura de cordel no Nordeste tem raízes lusitanas; veio-nos com o ramanceiro penisular, e possivelmente começam estes romances a ser divulgados, entre nós, já no século XVI, ou o mais tardar, no XVII." - escreve o Professor Gilfrancisco em detalhado artigo sobre as origens desta tradição.
O primeiro estudioso brasileiro a indicar essas fontes para as narrativas em verso e registo de factos memoráveis em folhetos, foi Luis da Câmara Cascudo (1898-1986), autor de uma obra fundamental para os estudos etnográficos e antropológicos no Brasil.

Literatura de Cordel, denominação dada em Portugal e difundida no Brasil, é poesia popular, história contada em versos, em estrofes a rimar, escrita em papel comum feita para ler ou cantar. A capa do folheto é em xilogravura, trabalho artesão que esculpe em madeira um desenho preparando a matriz para reprodução.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Nosso Império é a Língua Portuguesa

Depois de perdida a soberania com que nos ampliámos em África, agarrámo-nos à língua.

Já venho tarde, mas não queria deixar de saudar a boa nova. Não me refiro à baixa do IVA, anunciada pelo ministro das Finanças, mas à nossa "expansão", prevista pelo ministro da Cultura. É verdade: vamos expandir-nos. Está para chegar um Portugal maior. Talvez a sua população e riqueza até venham a diminuir, mas que importa? Temos uma arma secreta para conquistar o mundo: aquela que Fernando Pessoa insinuou maliciosamente ser a "pátria" dele - a língua portuguesa. É o que nos prometem os crentes do Acordo Ortográfico: um Reich na ponta da língua.
Não vou discutir ortografia, mas os termos curiosos em que a temos debatido nas últimas semanas. De um lado, falaram-nos do "c" de "facto" com a intransigência possessiva que os sérvios dedicam ao Kosovo, e avaliou-se o Acordo "estrategicamente", como se estivéssemos perante uma nova partilha de África, com o Brasil no papel oitocentista da Inglaterra. Do outro lado, recomendaram-nos a nova grafia como a oportunidade de não "ficar aqui como uma espécie de dialecto" (horror), e podermos desfilar ao lado do Brasil na "afirmação de um poder à escala mundial" (segundo o nosso entusiasmado embaixador em Brasília).
Acho comovedor este uso despudorado da linguagem típica do imperialismo ("expansão", "estratégia", "afirmação do poder à escala mundial", etc.) para nos referirmos à língua que partilhamos com mais umas dezenas de milhões de pessoas de outras origens e nacionalidades. Quando nos puxam pela língua, acontece-nos isto: de repente, este país pachorrento e decadente revela-se uma potência beligerante, ciosa das suas aquisições e decidida a novas conquistas. Sim, porque através da "pátria" de Pessoa, nós somos grandes. Tal como a casa da velha canção brasileira, o nosso "império" não tem soldados, nem dinheiro, mas é feito com muito esmero - da língua que outros usam na América, na África e (segundo gostamos de acreditar) na Ásia. E assim prosseguimos a nossa expansão ultramarina, por mais que ninguém dê por isso.
Definitivamente, continuamos a não ser um país pequeno. No tempo do Estado Novo, isso provava-se com os mapas das colónias; agora, pacífica e correctamente instalados em democracia, evocamos a "quarta língua a nível mundial", e os seus "200 milhões" de súbditos. É compreensível. No fundo, há algo de deprimente nas nações reduzidas. George Simenon dizia que ser belga é como não ter país. E talvez por isso, muita gente está preparada para lhe atribuir a ele ou a Hergé, tal como aos suíços Rousseau e Constant, uma pátria (a França) mais consentânea com a sua grandeza individual. As elites portuguesas, que durante a Monarquia sonharam fazer aqui um país tão próspero como a Bélgica e durante a I República tão democrático como a Suíça, nunca se conformaram com o estatuto de pequeno país que era o dessas nações, apesar de liberais e ricas. E depois de perdida a soberania com que nos ampliámos em África, agarrámo-nos à língua, a ver se por aí continuávamos a fazer uma sombra grande no mundo.

Não nos fica mal desejarmos ser muito mais do que aquilo que somos. O que talvez seja menos recomendável é o modo como usamos esta grandeza imaginária para nos pouparmos ao reflexo da nossa realidade. A Europa pesa cada vez menos no mundo, e Portugal pesa cada vez menos na Europa. A língua é a balança avariada com que nos atribuímos robustez. Infelizmente, tudo o que assim sobe acaba por descer: eis que a Venezuela proíbe às suas crianças os Simpson e quer (como compensação?) ensinar-lhes português - e logo o nosso Governo tem de confessar que nos falta dinheiro e pessoal para acompanhar o último capricho de Chávez.
O Brasil, muito citado acerca do Acordo Ortográfico, forma outro capítulo pungente do nosso irrealismo. Nunca percebemos que a ignorância mútua, ritualmente lamentada, não está à mercê de um "acordo". Fingimos desconhecer o fenómeno do "nativismo" no Brasil, que faz com que por cada Gilberto Freyre haja dez Sérgio Buarque de Holanda, ardendo em fervor antilusitano. Imaginamos que a incapacidade dos livros portugueses para hoje chegarem onde chegou Cabral em 1500 se deve simplesmente ao "c" de "facto". Nem sequer admitimos que o Brasil, no fundo, não nos importa demasiado. Vamos lá de férias: quantos aproveitam para ir ao teatro ou às livrarias? E quantos conhecem a política ou os escritores mais recentes do Brasil? A verdade é que o Brasil ainda não é suficientemente interessante para nós, e nós já não somos suficientemente interessantes para o Brasil. O resto é conversa de um império de conversa.


Rui Ramos, Público (16/04/2008)