IslândiaO Portugal pós-UE tornou-se um lugar estranho para mim. O facto do progresso ter passado ao lado do país é ilustrada pela mistura de eléctricos antigos e bombas de incêndio dos anos 20 com a invasão maciça de automóveis topo de gama. A tardia mas inteiramente merecida oportunidade de actualização, simpaticamente apoiada pelos parceiros europeus, veio aniquilar boa parte das qualidades do Portugal tradicional. Em meados da década de 80, os governantes foram incapazes de conceber um projecto nacional, no sentido de ter um pensamento substancial e estratégico para Portugal. Que país depois do final do Império e na conjectura interna e externa dessa década? Não só que economia, mas que política, que defesa, que aliados, que função, que grandes objectivos? E qual a linguagem mobiliadora? E que valores sociais?
Decidiu-se apostar na adesão europeia como cura para todos os males. Porém, tudo isto foi feito em jogadas de bastidores, longe do debate público e total ausência de referendos. Paralelamente, vários fenómenos culturais foram afectando a sociedade portuguesa de modo nocivo. A cultura tradicional que exaltava, genuinamente, valores comunitários - generosidade, abnegação e solidariedade - substitui-se uma cultura glorificadora de padrões de mediocridade, consumismo, de egoísmo, que tem a sua tradução para as massas, na vulgaridade da produção televisiva "popular".
A pátria portuguesa e o Estado são um valor. Mas entre 1580 e 1640, Portugal, no quadro da união real com Castela, estava subordinado aos interessses globais da monarquia hispânica que lhe sairam caro. Do mesmo modo que em 1974-75, as convulsões político-ideológicas foram pagas com graves prejuízos políticos e económicos, especialmente com uma coisa a que chamram "descolonização exemplar". E actualmente? Será que não estaremos a ser prejudicados por uma entidade supranacional regida por euro-burocratas que não descansaram enquanto não destruíram por completo o nosso frágil aparelho produtivo?
Ilhas FaroéOs valores, mesmo os políticos, podem, enquanto categorias - a Pátria, a Ordem, a Justiça - transcendem a História.
O importante é que o pensamento português, regressando às grandes linhas e ideiais comunitários, actue com consciência crítica e orientadora das soluções e projectos necessários à Nação.
Não serei um adepto do orgulhosamente sós ou da transformação do país numa espécie de Albânia da época comunista. No entanto, contra a corrente, mantenho-me firme nos meus ideais nacionalistas, tradicionalistas e grande apologista da alternativa atlântica como espaço económico alternativo. Para muitos serei um extremista, portador de ideologias perigosas ou um mero utópico.
Mesmo assim, ainda consigo apontar alguns exemplos no cenário europeu que me agradam no seu modelo governativo, independência e apego às tradições. Todos eles têm origem no Norte gelado e longe de serem territórios de grande importância geopolítica.
Em primeiro lugar indico a Islândia, povoada por descendentes de colonos noruegueses que ocuparam esta ilha situada no meio do Atlântico Norte antes do ano 1000. Os islandeses, os menos de 300.000 que o são, vivem num isolamento esplendoroso e não querem ter nada a ver com a União Europeia. Falam o norueguês antigo, a língua dos vikings, tratam-se pelo nome próprio (e é assim que estão registados na lista telefónica) e comem testículos de carneiro que empurram com uma poção violenta chamada "Morte Negra". Que eu saiba, não são regidos por nenhum ditador e toda a população ususfrui de um bem estar material muito satisfatório.
Outros exemplos curiosos, são os territórios atlânticos da Gronelândia e das Ilhas Faroé pertencentes à Dinamarca. Ambos possuem o seu próprio parlamento local, sendo Copenhaga responsável pela defesa, pela política externa e pela moeda comum. Os gronelandeses aderiram à UE em 1973, tendo-a abandonado seis anos depois, enquanto os cerca de 40.000 habitantes das Ilhas Faroé nunca aderiram. Será isto independência excessiva?!
Obviamente que são regiões em nada comparáveis a Portugal mas servem como testemunhos da existência de vias alternativas de construção europeia. Afinal de contas, existe vida, harmonia e prosperidade fora da influência dos radares de Bruxelas e Estrasburgo.
Gronelândia

















































