terça-feira, 2 de janeiro de 2007

È Lula de novo na bunda do povo!!!


Lula da Silva será Presidente do Brasil por mais quatro anos, mas o seu novo mandato nasce enfraquecido. Destaco o facto de a economia brasileira continuar a registar um comportamento positivo, tendo "reagido" de forma bastante favorável a toda a agitação normal duma época eleitoral. Ontem, foi celebrada a tomada de posse do novo mandato de Lula da Silva assim como de todos os Governadores estaduais eleitos nas eleições de Outubro passado.

Depois de uma primeira volta renhida, Lula da Silva venceu as eleições brasileiras na segunda volta, com uma vantagem de cerca de 20% dos votos contra Geraldo Alckmin. Lula da Silva conseguiu 60,83% do total dos votos válidos, e Geraldo Alckmin 39,17%. Este resultado foi ao encontro das sondagens, e mostrou que, face aos resultados da primeira volta, Lula da Silva ganhou cerca de 11,6 milhões de votos, enquanto que Alckmin perdeu cerca de 2,5 milhões.

A pergunta que certamente irá prevalecer durante os próximos tempos é: o que irá acontecer no novo mandato de Lula? Em primeiro lugar existirá a necessidade de saber quem será a nova equipa ministerial, e principalmente quem irá ficar com a pasta da economia, e a presidência do Banco Central (estas informações poderão ser conhecidas apenas no final de Novembro). Em segundo lugar, será importante saber como é que Lula da Silva irá conseguir apoio da oposição, já que a mesma se encontra fortalecida. A este respeito será talvez mais relevante saber como é que Lula da Silva conseguirá relacionar-se com o PSDB, e como serão as relações com um PMDB mais fortalecido e mais dividido no que concerne ao apoio a Lula. Tudo isto é importante principalmente para se conseguir tentar antever qual o caminho das reformas estruturais necessárias, nomeadamente da reforma política e da reforma fiscal. É que só assim o Brasil conseguirá atingir níveis mais elevados de crescimento sustentado. A este respeito refira-se que, logo após serem conhecidos os resultados, Lula da Silva fez um convite abrangendo toda a oposição, no sentido de conseguir apoio no Congresso para poder avançar com as reformas que propõe. A reforma política poderá ser proposta já durante o primeiro semestre do próximo ano. Quanto à reforma fiscal, existe primeiro a necessidade de que Lula da Silva esclareça exactamente o que pretende abranger.

No Congresso, o que parece quase certo é a preparação de uma candidatura conjunta (entre o PSDB e o PFL) à presidência do Senado. Se assim for, este poderá ser um poderoso instrumento da oposição contra o novo governo de Lula da Silva. Isto porque o PFL e o PSDB têm em conjunto 33 lugares no Senado, podendo solicitar investigações parlamentares (CPI's). Quanto ao parlamento (Câmara baixa), apesar de o PT e o PMDB terem em conjunto 130 lugares, não atingem sozinhos os dois terços necessários para aprovar reformas constitucionais.

Quanto à envolvente externa, o Banco Central acredita que o maior impacto do aumento da aversão ao risco já terá passado, e terá sido reduzido. Sendo assim, parece confirmar-se a ideia de que o Brasil estará actualmente mais resistente a choques externos. Por outro lado, a expectativa de que a política monetária dos EUA irá manter-se estável durante algum tempo é também um factor de impulso positivo para o Brasil. Resta agora saber se o abrandamento da economia norte-americana poderá atingir dimensões capazes de atingir a economia global de forma mais negativa.

2 comentários:

Maria disse...

Em termos gerais é expectável que a economia mundial cresca logo o Brasil deve crescer também.

Lula continua manchado pelos escandâlos de corrupção ou passaram um pano sobre o passado dele?

Beijinhos

Paulo Cunha Porto disse...

A Maria tocou na feriuda: suponho que, para não tributar as qactividades ilícitas, a compra de provas incriminatórias de opositores e a corrupção de parlamentares continuarão isentas, na nova fiscalidade lulesca.
Abraço, Caro capitão-Mor.