quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Ricos, Bonitos e Loucos


Patrick Bateman é elegante, bem educado e inteligente. Trabalha de dia na Wall Street, ganhando uma fortuna para juntar àquela com que nasceu. As suas noites passa-as ele de formas que ninguém se atreveria a imaginar. Tem 26 anos e está a viver o seu próprio Sonho Americano. Psicopata Americano passa-se num mundo e numa época que nos são familiares. A elite rica é cada vez mais rica; os pobres e marginais são atirados paras as ruas às dezenas de milhar, e tudo, até o mais horrível parece possível. Mesmo assim, Bateman, que exprime a sua verdadeira natureza através da tortura e do assassinato, prefigura um horror apocalíptico, impossível de suportar para qualquer sociedade. Trata-se de um livro tão profundamente moral como necessariamente repugnante.

O norte-americano, Bret Easton Ellis foi revelado ao público português com Menos que Zero, que publicou com apenas 20 anos,e rapidamente se tornou o romance emblemático de uma geração. Desde então, a Teorema tem publicado todas as suas obras. As Regras da Atracção, Os Confidentes, Glamorama e Lunar Park. O universo dos seus romances gira em torno do mundo dos famosos, ricos e poderosos que escondem mentes perturbadas e vazias. Grande parte da sua obra já foi alvo de adaptações cinematográficas, inclusive este romance de que vos falo.

"Só acordo quando uma delas me toca na mão sem querer. Abro os olhos e aviso-as que não toquem no Rolex, que não tirei durante o tempo todo. Elas estão deitadas uma de cada lado, caladas, tocando-me de vez em quando no peito ou passando as mãos nos músculos do abdómen. Meia hora depois, estou outra vez duro. Levanto-me e vou ao armário onde tenho, ao lado da pistola de pregos, um cabide de arame afiado, uma faca de manteiga enferrujada, fósforos do bar Gotham e um charuto meio fumado; ao voltar-me, nu, com a erecção espetada em frente de mim, mostro-lhes os utensílios e explico num murmúrio rouco: "Ainda não acabámos..." Uma hora depois, levo-as à porta com impaciência, já vestidas e soluçantes, a sangrar mas bem pagas. Amanhã a Sabrina vai estar a coxear. A Christie, provavelmente, vai ter um olho negro e grandes arranhões nas nádegas, feitos com o cabide, ao lado da cama vai estar Kleenex amarrotado e cheio de sangue, juntamente com uma embalagem vazia de sal italiano que comprei no Dean & Deluca."
Pag.181

11 comentários:

Bolacha Maria disse...

Bom dia!

Menos que zero foi um livro que li na adolescência, mas não voltei a ler nada dele...

sem-comentarios disse...

Mais uma excelente dica que nos dás :)
Obrigada :)

Boas festas **

Cris® disse...

hehe é impossível acompanhar seus posts, acho eu que sou lesa mersmu! hehehe
Hoje finalmente te incluí no meu painel de 'visitados', quem sabe agora eu tome mais vergonha na cara !! rsss

Cris® disse...

a análise do filme tem lá seu sentido verdadeiro: os ricos e famosos devem ter a mente vazia mesmo, se preocupando mais com as várias coisas que o dinheiro pode oferecer! Deve ser um livro interessante!
Beijo meu caro amigo-portuga-brasileiro!

marta disse...

Por este bocadinho promete.
Agora já só depois das festas.
Beijinhos Capitão

marco disse...

UM BOM E FELIZ NATAL!!

PORQUE NAO HÁ O PAI CARNAVAL?

MalucaResponsavel disse...

Sugestoes de leituras sao sp bem vindas.. o q acontece é q eu gasto imenso dinheiro em livros... :( bj

Tuche disse...

Ó meu Capitão, vim só deixar um beijão e dizer que hoje começa o Inverno aqui em Terras Lusas :((

Beijoooooooooooooooooooooooo

Maria disse...

Porque será que os ricos e bonitos se tornam ociosos ao ponto de só sentirem adrenalina em situações marginais e aos olhos do comum dos mortais se tornarem loucos?

Essa descrição fez-me lembrar uma série de escandâlos que se deram em Portugal no Estado Novo quando os meninos ricos das famílias mais influentes se entretinham a violar as raparigas que estavam dentro dos carros a namorar ali para os lados da marginal. Foi tudo prontamente abafado e os meninos levaram umas admoestações dos papás.

Beijinhos

Paulo Cunha Porto disse...

Tinha demasiadas arcas parao meu gosto, Caro Capitão-Mor.
Abraço.

Luís Graça disse...

O "Glamorama" continua algures nos meus armários, à espera de vez. O "Psicopata Americano" marchou em 97. Gostei bastante da adaptação do filme e da construção do Bateman.
O "Menos que zero" também marchou em versão livro e filme.