sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Gravidez na Adolescência

No ano passado, 392 mil adolescentes de 15 a 17 anos tiveram pelo menos um filho no Brasil. A Síntese de Indicadores do IBGE mostrou que, no período de dez anos, a proporção de adolescentes com filhos aumentou de 6,9% para 7,6%. Foi a única faixa etária que registou crescimento.
Os dados mostram que a quantidade de filhos é maior nas famílias mais pobres. Em dez anos, a proporção de mulheres de 15 a 49 anos de idade com pelo menos um filho que viviam com rendimento até meio salário mínimo per capita aumentou de 69,3% para 74%. No caso das mulheres com rendimento familiar per capita de dois salários mínimos ou mais, houve redução, de 54,4% para 47,7%. Ou seja, a queda da taxa de fecundidade no país (dois filhos por mulher em 2006)ocorreu principalmente entre aqueles que vivem em famílias com melhores condições financeiras. A maior proporção de adolescentes com filhos ocorreu na região Norte (11,2%).

Em Maio, o Governo federal anunciou um programa de planeamento familiar, com medidas como ampliação de métodos anticoncepcionais. O número de filhos por mulher tem vendo a descrescer no Brasil. Só cresceu na adolescência. Nas regiões mais desenvolvidas, é um opção ter menos filhos. Não é uma questão de dizer se é bom ou mau. A maternidade tem impactos nas condições de vida e no mercado de trabalho. Principalmente nas famílias mais pobres, onde se concentram os casos daquelas com mais de três filhos, sem apoio de creches e postos de saúde.

No levantamento, é referido que a maioria tem apenas o ensino fundamental incompleto e mesmo as que já atingiram os 18 anos não têm actividade profissional. Porém, de nada adianta fazermos uma leitura fria de um estudo deste tipo. Num país de enorme desigualdade social, a maternidade é muitas das vezes sinónimo de afirmação social e respeitabilidade no seio dos estratos menos favorecidos, visto que não existem horizontes para maiores realizações pessoais. Creio que este é um assunto sobre o qual vale a pena reflectir, dado que hoje se celebra o Dia da Criança no Brasil.

10 comentários:

Claudinha disse...

Que bom que voltou, eu não sabia!
Este assunto é preocupante, já fiz um post também há algum tempo. Muito legal a sua maneira de celebrar o dia da criança. Parabéns pela consciência e por nos alertar!
Beijo.

Bel disse...

Esse é um assunto que parece que importa a tão poucos...
Encanta-me a forma como você traz à nossa mente assuntos relevantes. Uma irmã minha teve sua tese de mestrado, há muitos anos, exatamente sobre este tema.

Hilda Botelho disse...

Em Portugal penso que os números são mais arrepiantes, pois cada vez há menos crianças.

Evelyne Furtado disse...

Estive aqui, Capitão e seu blog tem assuntos interessantissimos!
Bjs

Gi disse...

Capitão

Está a falar do Brasil porque conhece essa realidade mas há bem pouco tempo e por razões completamente diferentes vi um programa em que referiam acontecer o mesmo no Reino Unido. Cada vez mais mães adolescentes, cada vez mais novinhas e não tem nada a ver com afirmação ali nem sequer falta de informação se pode falar. O que eu acho é que cada vez as crianças se sentem mais mal amadas. O sexo
é uma forma de colmatarem essa falta de amor. Talvez começar por aí não fosse má ideia .


beijo

Rubina disse...

Na Europa é o Reino Unido que lidera as gravidezes na adolescência, seguido de Portugal!

O Réprobo disse...

Meu Caro Capitão-Mor,
Para além das decalages sociais há outros factores, como a inexperiência que aumenta falhas na contracepção e uma menor preocupação com a carreira, por aida não se ter chegado a ela. Mas, pelo que a Hilda diz, a situação por cá é tão deprimente que mesmo o fenómeno da gravidez acidental da tenra idade aparece mais como uma luz ao fundo do túnel do que como um problema a combater. Para quem está de fora, claro.
Abraço

Anónimo disse...

Um assunto actual e que obriga a pensar em questões tão prementes como a educação, o planeamento familiar e o tempo que dedicamos aos nossos jovens. Urge repensar o futuro, para que as crianças não sejam obrigadas a crescer tão rapidamente
Carla

Breaking the Waves disse...

Tenho tido contacto profissional muito esporádico com mães adolescentes, mas aqui pela ilha vou encontrando algumas. A ultima que conheci teve o filho com 13 anos... fiquei espantada com o orgulho com que me dizia a idade com que teve o menino!!! Hije tem 17 anos, é uma menina a tomar conta de outra criança...

Gostei do texto.

AnadoCastelo disse...

Acho que não é preciso dizer mais nada, disseste resumidamente tudo o que é necessário.
Infelizmente, aqui em Portugal também é o que não falta. E a informação já é prioridade absoluta, mas o que é verdade é que é o número de mães adolescentes continua a subir. E este era assunto para não sairmos daqui.
Bjs