quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Blogsérie: O Clã - Episódio 4



Av. Marginal, Domingo - 09 de Março 2008, 03.50h
Aquela perseguição parecia não ter fim. Eles mantinham-se a uma distância razoável para não levantar suspeitas. Na chegada a S.João do Estoril, o carro preto abranda ainda mais a sua marcha. Um pouco mais na frente, logo na entrada do Estoril, fazem sinal para a esquerda com o intuito de inverter a marcha.
- Já devemos estar perto do covil... - sopra o padre Amaro.
- Olhem! Eles viraram para a direita. Esperem...eles estão a ir para... - anuncia o Lemos.
- O forte! - exclamam em uníssono.
- E agora? O que fazemos? - pergunta o Ferreira.
- Já sabemos onde se escondem. Só nos resta planear uma invasão ao forte... - explica o pároco.
- E pode explicar-nos como tenciona fazê-lo? È uma fortaleza! Não parece muito simples entrar lá dentro... - resmunga o Augusto Luís.
- Fazemos como nos filmes? Esperamos que amanheça para transformar os vampiros em cinzas? - sugere o Fonseca.
- Nada disso. Todas essas histórias não passam de mitos. Os vampiros são criaturas milenares e, como tal, têm sofrido diversas mutações genéticas ao longo dos séculos. A luz solar, apenas lhes enfraquece os poderes, tornando-os mais vulneráveis. Porém, devemos fazer o ataque esta tarde, aproveitando a hora em que eles repousam. Também seria conveniente, nós descansarmos um pouco... - continua o padre.
- Depois de tudo isto, temos que regressar a Lisboa? - reclama o Fonseca.
- Esperem um pouco. Tive uma ideia! - diz o Ferreira.
- O que vais inventar desta vez? - continua o Fonseca, já impaciente.
- Vou ligar para o meu amigo Paulo que mora aqui perto. Tenho a certeza que eles nos poderá ajudar...
- Quem é o Paulo? - interrompe o Reis.
- È um amigo dos blogues. De vez em quando, aparece lá no Blue Velvet para beber uns copos e ver as gajas...

O Ferreira saca o telemóvel do bolso e liga para o seu amigo. O telefone toca várias vezes. Após um longo momento de espera, ouve-se uma voz estremunhada do outro lado da linha.
- Estou?
- Olá Paulo! È o Ferreira que está a falar...desculpa o adiantar da hora, mas estou a precisar do seu auxílio.
- Hum...mas acnteceu alguma coisa?
- È uma longa história. Estou aqui perto com uns amigos meus. Será que podemos ir agora para sua casa?
- Mas a esta hora!? - a voz de Paulo evidenciava algum nervosismo.
- Trata-se de uma questão de vida ou morte. Infelizmente, não lhe consigo explicar a situação por telefone...
- Está bem. Vou confiar em ti...ainda te lembras do caminho?
- Perfeitamente! Em cinco minutos, estaremos por aí...
- Ficarei à vossa espera.
- Obrigado Paulo! Até já...
Logo depois, O Ferreira vai dando instruções ao padre Amaro e alguns minutos volvidos, estacionam o jipe frente ao portão da casa do Paulo. Saltam para fora do carro e segundos depois, o portão abre-se. O Paulo surge diante deles, envolto num roupão e completamente desgrenhado. Diversos gatos saem cá para fora e vão-se enroscando nas pernas do dono. Ele olha atónito para aqueles seis homens que tencionavam entrar na sua casa.
-Ferreira, podes-me explicar melhor, o que está a acontecer? Convenhamos que não será muito normal apareceres aqui de madrugada, acompanhado de cinco amigos teus... - interpela desconfiado.
O Ferreira e o padre Amaro tomam a dianteira e tentam relatar da melhor forma, os sinistros acontecimentos das últimas horas. Paulo mantinha-se relutante e chegou a pensar que estariam bêbados. No entanto, o discurso hábil do padre acabou por convencê-lo.
- Sendo assim, façam o favor de entrar e descansem. Acredito que este domingo venha a ser um dia complicado...
Paulo entra pelo portão e todos o seguem para o interior da casa. O anfitrião vai distribuindo os rapazes pelos cómodos. Todos precisavam de dormir algumas horas. Adivinhava-se um embate terrível e tos necessitavam de estar na sua máxima força.

Estoril, Domingo - 09 Março 2008, 12.00h
Ferreira acorda lentamente em cima de um sofá, sentindo uma coisa áspera no seu rosto. Quando abre os olhos, dá de caras com um corpulento gato branco que o lambia carinhosamente. Levanta-se em sobressalto e dirige-se para uma sala anexa. O Paulo, Fonseca e o padre estavam frente ao televisor, prestando atenção às notícias do dia. O tumulto do dia anterior na discoteca Lux, era a matéria mais difundida. Contudo, não existia uma explicação lógica para o sucedido. As entrevistas com testemunhas oculares eram confusas e contraditórias. Apenas de sabia, que o estabelecimento sofrera danos profundos e que dois dos seguranças tinham sido mortos por homens vestidos de negro.
O Paulo reunira alguns livros sobre vampiros que conseguira resgatar na sua vasta biblioteca. Todos se debruçaram sobre eles de forma atenta, embora o padre os tenha prevenido que muitas das coisas que eram escritas sobre o assunto não passavam de meras fantasias.
Um pouco mais tarde, estão todos reunidos na mesa de almoço. Após a refeição, o padre Amaro pigarreia e toma a palavra, de modo solene.
- Caros amigos...estamos perante um poderoso clã de vampiros que precisa de ser exterminado. Eles são oriúndos da cidade de Sighisoara na Transilvânia, actual Roménia. Tudo teve início com um carregamento de antiguidades medievais, encomendado por um importante antiquário de Lisboa. Foram remexer em casas antigas e o mal foi desperto. Os vampiros acabaram por embarcar clandestinamente, no porto de Varna, na Bulgária rumo a Lisboa. Pelas informações secretas fornecidas pelo Vaticano, eles estarão por aqui à solta faz uns dois meses. Depois de várias tentativas, ontem consegui localizá-los graças a vocês...
- Bom, mas agora fiquei com alguma dúvidas. O sr.padre diz que eles são romenos, mas recordo-me que ontem, a vampira se dirigiu a si, falando em português... - interrompe o Reis.
- Deixem-me terminar! Os vampiros são seres extremamente inteligentes e com um poder de metamorfose espantoso. Eles conseguem adaptar-se a regiões ou épocas totalmente diferentes e aprendem novas línguas em poucos dias. Por outro lado, mantêm um forte instinto animal. Quando escolhem as suas presas, perseguem-nas de modo implacável. Ontem, foram vocês os escolhidos...
- E quantos são eles? - pergunta o Fonseca.
- Estou convicto que sejam seis ou sete. São liderados pelo temível Lacatus que vocês ainda não viram. Tem feito numerosas vítimas ao longo dos séculos...
- Lacatus? Mas esse fulano não foi jogador do Steaua de Bucareste? - o Fonseca não perdia uma chance para exibir os seus conhecimentos enciclopédicos sobre futebol.
- Por favor, poupem-me dos vossos disparates! Continuando...durante este tempo, eles têm feito algumas vítimas com o intuito de se alimentarem de sangue. Aliás, as primeiras vítimas foram alguns marinheiros do navio que os transportou. Semanas depois, foi a vez do antiquário falecer em circunstâncias misteriosas...
- Acho que li sobre isso no jornal. - refere o Paulo - Mas porque não se avisam as autoridades competentes?
- Impossível. Seríamos rapidamente internados num hospital psiquiátrico. - explica o padre - E seria uma catástrofe porque muito poucos sabem lidar com fenómenos sobrenaturais. Como eu disse há pouco, até agora eles têm feito vítimas para se alimentarem, mas rapidamente irão tentar alargar o seu clã com novos vampiros. Uma espécie de epidemia que se pode alastrar pelo país inteiro. Temos que os dizimar!
- E como faremos isso? Será que temos força suficiente para executar essa tarefa? - interroga o Ferreira.
- Deus está do nosso lado. Quer aliado mais forte? - afirma o padre com convicção - Trouxe algumas armas comigo. Estão escondidas no carro. Daqui a pouco, irei buscá-las para vos explicar o seu funcionamento.
- Armas? Mas eu nem prestei o serviço militar! - desabafa o Reis.
- Não te preocupes com isso, meu filho! Os vampiros são combatidos com armas arcaicas e muita fé. Nas lendas de vampiros, apenas uma coisa é verdadeira. Eles morrem com estacas de madeira cravadas no coração ou cortando suas cabeças.

Instala-se um silêncio na sala. Olham uns para os outros. Os rostos reflectiam medo e apreensão.
- O Paulo forneceu-me uma planta antiga do forte. Recentemente, chegou a ser uma discoteca, mas acredito que os pontos mais vulneráveis ainda sejam os mesmos - continua o padre - Eu vou buscar as armas e iremos planificar a invasão do forte...
Depois de estudarem a planta e terem aprendido o manejo das armas, foram-se preparando para sair de casa. Era uma espécie de viagem no tempo. Carregavam bestas com estacas de madeira pontiagudas, revólveres antigos carregados com balas de prata e espadas. Antes de saírem, o padre Amaro, forçou-os a fazer uma oração colectiva. Ao entrarem no jipe, o Ferreira sente um cheiro desagradável.
- Que raio de cheiro é este?
- Alhos! - responde o padre - Trouxe uma saca deles lá da minha terra. Eles ajudarão a manter esses malditos afastados de nós! Uma receita antiga que é imbatível...
- Odeio alho! - reclama o Ferreira.
Depois de se acomodarem no interior do velho UMM, arrancam aos solavancos rumo ao forte. Todos sentiam um nó no estômago. Estava dado o pontapé de saída para uma dura batalha!

Ultimo episódio na próxima semana...

8 comentários:

O Réprobo disse...

Beeem, muito credível este Paulo, apenas diferente de um que eu cá sei por imaginar que no País ainda existam autoridades competentes para o que quer que seja.
Já o o estou a ver a acompanhar os Amigos empunhando a espada de oficial de Infantaria que tem na biblioteca, ehehehehe.
A mim o que me espanta é que ainda haja vampiros, muito temerários nese tempo da SIDA (AIDS).
Mas vamos à luta, a vitória é difícil mas é nossa.
Abraço, estou empolgadíssimo.

Cristina disse...

Imagino a cara do pobre Paulo ao ver quatro mânfios e um padre a entrarem-lhe pela casa dentro... hahaha!! Excelente Capitão ;)

Como correu esse Natal? Beijooooo

Evelyne Furtado disse...

Torcerei por vocês contra esses vampiros horríveis. Adoro sua imaginação e estou ansiosa pela batalha.
Bjs

MRP disse...

grande história, capitao. diz aos gajos para terem cuidado com esses romenos; se já lá anda um Lacatus, nao me admirava nada que ainda encontrassem também por lá um Boloni qualquer!

O Réprobo disse...

Uma achega, Caríssimo:
O Paulo em que estou a pensar teve uma colega de liceu que depois veio a ter responsabilidades directivas na fortificação, quando ela era estabelecimento de lazer. Quem sabe se ela não nos revela uma passagem secreta que facilite a tarefa?
Abraço

AnadoCastelo disse...

Excelente!!! Mas já o fim? O último episódio para a semana??? Não acredito.
Bjs

LoiS disse...

Só para informar que ainda ontem passei pelos lados do Forte. Por acaso nada de mais verifiquei por ali. Não voltarei a olhar para lá sem ter muito mais atenção ;)

SM disse...

Acabar ?!? Ja ?!?

So espero que seja sinal de que o nosso brilhante escritor ja tem mais uma blogserie na calha ...

Aguardamos com expectativa !!!

Beijocas grandes