sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Lição de Solidariedade


Chegou ao fim, o impasse que envolvia um grupo de treze imigrantes ilegais africanos que desembarcaram no litoral do Rio Grande do Norte no dia 28 de Janeiro. O grupo desembarcou no RN depois de ficar encalhado em Caiçara do Norte.
A Polícia Federal vai ouvir todo o grupo, individualmente, para instaurar processo de deportação ou repatriação. Até que isso aconteça, o grupo permanece sobre os cuidados da PF. Eles podem entrar com um processo na delegacia da polícia federal para pedirem refúgio. Para isso têm que provar a existência de violação dos direitos humanos no seu país de origem.
Os africanos chegaram ao litoral potiguar em um barco veleiro a motor que media aproximadamente oito metros, depois de passarem dezassete dias no mar. O destino do grupo era Trinidad Tobago, na América Central, porém o combustível acabou quando a embarcação chegou à costa do Rio Grande do Norte. Há cinco dias o grupo já não tinha mais comida e só não ficou também sem água durante esse período por causa das chuvas que eram frequentes na última semana.
O barco foi encontrado encalhado na praia de Caiçara do Norte, distante 150 km de Natal. Os africanos ganharam dos moradores do município: abrigo, roupa, comida e atenção. Desde o primeiro dia não falta nada ao grupo, que aos poucos foi-se familiarizando com os moradores do lugar.

Os treze africanos que até então estavam sob os cuidados da Colónia de Pescadores Almirante Gomes Pereira em Caiçara do Norte foram transferidos pela Polícia Federal, no final da tarde de ontem, para Natal, passando a ser acolhidos por uma família do bairro da Cidade da Esperança, que acompanhou o caso pela imprensa e se sensibilizou com o drama dos estrangeiros.Um delegado e três agentes federais, utilizando um autocarro da própria polícia realizaram a transferência e momentos antes da partida puderam testemunhar o carinho da população para com todos eles, pois foram muitos os abraços, choros, acenos e aplausos, tão logo o veículo iniciou a viagem de regresso.
No decorrer dos próximos dias, o grupo deverá prestar depoimento, fornecer impressões digitais, além de ser fotografado. Após tal providência, a Delegacia de Polícia de Imigração-Delemig, tentará identificá-los oficialmente através das Embaixadas e Consulados dos países os quais afirmam ser originários. A Polícia Federal ainda não tem uma data definida para anunciar qual o destino que os treze africanos deverão tomar após os procedimentos de praxe.

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