sábado, 23 de fevereiro de 2008

Vendaval Maravilhoso


História do poeta brasileiro Castro Alves, desde o seu nascimento em 1847, passando pelo início do seu repúdio contra a escravatura nos anos sessenta, a sua passagem pelo curso de Direito e a acesa defesa poética pelos direitos dos escravos. Aos dezoito anos conhece Eugénia Câmara, uma actriz que pertencia à companhia de Teatro Furtado Coelho.
Eugénia rompe a sua ligação com Furtado Coelho e vai viver com o poeta. O casal acolhe um fugitivo negro que lhes pede auxílio, apenas para o verem morrer mais tarde, ferido pelas autoridades. Castro Alves começa a declamar os seus poemas abolocionistas e denunciadores no meio estudantil, em Academias e em reuniões sociais. Eugénia representa a peça Gonzaga da autoria do seu amante que recebe grandes elogios.
Conforme o reconhecimento público de Castro Alves aumenta, assim azeda a relação entre o poeta e a actriz, situação aproveitada por Furtado Coelho que acaba por reconquistar Eugénia. Num acidente com uma espingarda, Castro Alves fere-se numa perna tendo de ser amputada. Desiludido e desmoralisado, reencontra Heloísa, seu amor da adolescência.
Os jornais vão relatando o sucesso do abolocionismo. Castro Alves vai ver Eugénia ao teatro e é reconhecido pelo público. a actriz vai até ao camarote de Castro Alves e é mal recebida. Enquanto Castro Alves se encontra no seu leito de morte, Eugénia canta um fado em palco e as notícias do fim da escravatura fazem-se soar.

Vendaval Maravilhoso foi a primeira tentativa de produção luso-brasileira, tendo sido, até então, o filme português mais caro.
Na estreia de gala, no Tivoli, em 26 de Dezembro de 1949, o filme foi, numa atitude inédita em tais solenidades, pateado e a recepcão no Brasil não foi melhor. Para Luís de Pina (in História do Cinema Português) "o filme reflecte todas as dificuldades da produção, as mutilações do argumento cinematográfico (o guião inicial foi proibido pela nossa Censura), o desfazamento entre a ambição e a realidade."
Depois de Vendaval Maravilhoso, Leitão de Barros não regressaria mais ao cinema de ficção.
Apenas estão conservados 131 minutos de banda de imagem. Existe a versão distribuída no Brasil, mais curta do que a portuguesa.
Posso ainda acrescentar, a título de curiosidade que grande parte das cenas foram filmadas no Paço do Lumiar em Lisboa e a minha mãe chegou a fazer parte do elenco de figurantes com oito anos de idade.

6 comentários:

Evelyne Furtado disse...

Nunca tinha ouvido falar nessa produção, Capitão. O amor de Castro Alves (adoro, o poeta que morreu tão cedo)por Eugênia, o abolicionismo, Amália como atriz e teve essa repercussão triste. Que pena! Gostei da informação.
Bom domingo!

Mad disse...

Mais uma coisa em comum: a minha mãe também fez um pequeno papel num filme (com algumas falas e tudo!) e a fotografia apareceu no cartaz. E já tinha uns bons 65 anos. Não é fantástico?

Paula Crespo disse...

Este cartaz é terrível! Mas que foto... a Amália está muito maltratada, coitada! Merecia melhor ;-))
Quanto ao filme, desconhecia, e tenho a agradecer a dica.

Anónimo disse...

Ótimo texto! Me ajudou muito.

Anónimo disse...

Ótimo texto! Me ajudou muito.

NelsonMP disse...

Olá,
a minha mãe assistiu este filme na época ela tinha 18 anos, e ficou muito tocada de maneira que sempre cita como um filme que gostaria muito de rever.
Vi em outros artigos que ele passou por um minucioso processo de restauração. Você sabe como posso conseguir uma cópia?
Muito obrigado!
Nelson
pnelsonm@gmail.com