quarta-feira, 19 de março de 2008

Pai

Colares - Sintra (1975)

Certamente que neste dia todos se lembrarão dos seus pais, uns de uma forma presente, outros de uma forma ausente e só fisicamente porque qualquer Ser nunca esquecerá o seu Pai.
Todos demos ou ainda damos importância óbvia ao “elemento pai”, pois crescemos com o seu amparo, com o seu carinho e com a sua dedicação.
A imagem nunca deixará de estar presente, no entanto com o tempo o pai vai ficando de fora do mundo dos seus filhos, talvez por falta de tempo destes ou porque a distancia é a justificação procurada para colmatar o vazio que se vai preenchendo. Por último existem razões profissionais que estão sempre justificadas e o pai passa para o segundo plano, porque a vida em constante mutação nos imprime um ritmo sem limites e de opções, queremos a nossa própria capacidade viver sem dependências.
Nunca gerimos o nosso tempo da forma que queremos mas da forma que precisamos no momento em que nos propomos a decidir, assim, como consequência abdicamos dos mais próximos porque sabemos que somos facilmente compreendidos. É um acto de amor, não o nosso mas o do que nos compreende sem julgar, do que sem perguntar descobre a resposta que justifica a ausência. É esse o “elemento pai”, que ama sem exigir retorno, sofre sem querer o sofrimento e que essencialmente perdoa sem que exista qualquer murmúrio de arrependimento.
O pai é saudade porque já fomos felizes junto dele, é amor porque de uma forma individual ou personalizada o associamos a alegria, a infância, ao espírito, e o nomeamos como primeiro responsável do que de bom somos. Certamente foi o nosso primeiro ídolo.
Por mim, a sua existência preenchia a minha noção de satisfação com a vida, pois é a componente que entre outras, ajuda a gerar a alegria e o entusiasmo com que vivia cada dia. Após a tua morte, muita coisa mudou e houve algo em mim que definhou.
Ele era o meu espelho do futuro no presente. A minha energia renovada, o meu primeiro oásis social e o meu refugio final em caso de emergência.
O Dia do Pai é comemorado neste dia, mas na realidade é sentido com uma intensidade sobrenatural em todos os dias do ano.

Pai,
Nunca seria capaz de descrever os proveitos, as alegrias, as emoções, a educação e o sentido de lealdade que me deste. Demoraria uma eternidade a menciona-los um a um. Só lamento não ter tido tempo suficiente de ter dito estas coisas enquanto viveste...

11 comentários:

Júlia Moura Lopes disse...

ihhh

Fez-me chorar, Capitão...Nem vou continuar a ler. Hoje não. Fica para amanhã. Digo-lhe apenas que ninguem diz aos pais o qu deveria ter dito. Ser filho é isso...Mas ser um bom filho é lamentar o facto, é guardar as palavras do Pai no coração.

Bonita homenagem!

ps- Hoje faz uns quantos anos que falei a ultima vez com o meu.

T disse...

O amor nunca acaba. Apesar da dor e da saudade.
Um grande abraço meu querido amigo.

Breaking the Waves disse...

Fiquei sem palavras... e de lágrima no olho :)

Costumo dizer que no fim de tudo pelo menos ficam as memórias e essas ninguém tas tira...

Júlia Moura Lopes disse...

Capitão,linkei o seu texto e segui a sua ideia. coloquei foto com as suas palavras!

beijinho

a voz disse...

Tanta Dor e tanta Saudade. Mas a Vida é assim mesmo.
O que escreveu é para mim um certo bálsamo.
Obrigado.

Abraço.
Mário

Gabi disse...

E...agora...é na dôr dessa presença ausente que corro em busca do seu colo in...atingível...

Evelyne Furtado disse...

Capitão, essa semana escrevi sobre o meu pai e chorei muito enquanto me dirigia a ele. Dia 17 fez 21 anos que ele se foi, com apenas 50 anos. O amor é o mesmo e a gente o sente aqui dentro. Continue a falar para o seu pai, ele vai te escutar. Eu falo silenciosamente com o meu.Diga o que sente e aceite que ele já não está fisicamente com você, mas "está" com você.
Lindo seu texto!
Abraço.

Rui Moio disse...

Eu também chorei!!!
Trata-se de uma magnífica peça literária e psicológica que espelha elegantemente os sentimentos que todos os filhos sentem quando confrontados com o remorso de não terem tido "tempo" de dizerem ao pai, enquanto vivo, o que de bom pensavam dele.
Meu pai morreu novo, com apenas 52 anos mas, enquanto viveu, eu não fui capaz de lhe dizer o quanto o admirava e amava.

TONY, Duque do Mucifal disse...

o que se diz e o que nao se diz.
por mais horas que tenha o dia, por mais dias que tenha a semana, por mais meses que tenha o ano, NUNCA seremos capazes de afirmar o nosso amor pela nossa familia.
Porque o sentir é inato e nem sempre se exterioza aquilo que sentimos. Nao preciso dizer que "gosto de te Pai", preciso é caminahr nesse sentido. No meu dia a dia. Compreender para ser compreendido.
O tempo ceifa-nos a vida...é um facto.Mas nao precisamos de ser escravos do tempo...
o sentimento nao tem hora nem duraçao.
o que interessa é que fizeste tudo no momento em que o teu Pai mais precisou de ti.E aí mais do que as palavras foram os gestos que ficaram na sua memoria.
Por isso amigo, sabemos que o tempo nao te castrou a espernaça e a vontade que demonstraste.
Tenho uma amiga que tem o pai muito doente mas passou um dia o mais feliz possivel com ele.Quiça "o ultimo dia do pai da vida dela" mas foi um dia feliz.
Eu também me lamento quando me falta a lucidez ou o tempo, mas quero que os meus gestos sejam eternos...no sentido que o meu amor pela minah familia também o é!

Lourenço Marques? disse...

Pedro,
Aqui fica um Grande Abraço para ti!
cps

Cláudia Pinto disse...

Confesso que estou absolutamente arrepiada. Sentida e justa homenagem. Um texto lindíssimo e sentido. Conseguiste mesmo o que nem todos conseguem: deixar-me com pele de galinha!

Parabéns pelas linhas e pelo facto do teu texto fazer mexer os nossos sentidos!

Beijinhos e saudações iscspianas