quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Blogsérie: O Clã - Episódio 3


Augusto Luís avança decidido sobre a mulher que aguçava os dentes na direcção do seu amigo. Aplica-lhe uma placagem que a atinge na cintura. A mulher grunhiu de forma assustadora, durante a queda. Ouviram-se urros. Tinha mais três homens trajados de negro ao seu redor.
- Quem são vocês? - berrou.
Como resposta, a mulher empurra-o com violência, projectando-o por uma dezena de metros. Instala-se o caos na discoteca. Os seguranças avançaram na direcção do tumulto, sem entender muito bem o que estava a acontecer. Um dos góticos agarra um dos seguranças e quebra-lhe o pescoço com a maior das facilidades, como se fosse dotado de uma força sobrenatural. Gritos de pânico ecoavam por todo o lado. Ouvia-se o estilhaçar de copos no chão. As pessoas fogem desesperadamente na direcção das saídas. O Ferreira permanecia imóvel no centro da pista, alheio a tudo. O Fonseca corre na sua direcção.
- O que se passa contigo? Estás bem? - pergunta ele, sacudindo o amigo pelos ombros.
- Hã? O que foi? - Ferreira parecia despertar de um transe hipnótico.
- Acorda pá! Temos que bazar daqui para fora! - gritava Fonseca em desespero.
De repente, o Fonseca sente uma mão a tocar no seu braço. Gira a cabeça e sente o sangue congelar nas suas veias, ao deparar-se com um homem horrendo. Exibia uns dentes enormes, sorrindo de forma malévola. Numa fracção de segundos, nota a presença de um vulto atrás do agressor. Era o Reis que vinha em seu auxílio. Parecendo sair de um filme de artes marciais, o Reis voa por cima do opositor, fazendo-o tombar no chão.
- Cuidado Reis! Esses gajos só podem ser vampiros! - preveniu o Fonseca.
Quando o vampiro se preparava para contra atacar, aproxima-se um outro homem vestido de preto, que traz uma garrafinha na mão. Despeja parte do seu conteúdo por cima daquela figura diabólica.
- Arde maldito! As forças das trevas nada podem fazer face ao poder divino! - vociferava aquele homem franzino.
O vampiro debatia-se no chão e soltava urros arrepiantes. A sua pele acinzentada borbulhava, deixando-o com uma silhueta ainda mais sinistra. O líquido parecia funcionar como um ácido na sua pele. Entretanto, o Ferreira parecia ter recuperado a lucidez e comenta para os outros:
- È um padre! Reparem que ele usa cabeção e aquele líquido só pode ser água benta...
- Quero lá saber disso! Vamos sair daqui para fora? - cuspia o Fonseca, arrastando os parceiros.
- Calma! Onde está o resto da malta? - pergunta o Reis.
- Eu estou aqui! - diz Augusto Luís, surgindo do nada com a camisa rasgada - Podem-me explicar o que está a acontecer?
- São vampiros, porra!!! Vamos fugir! - suplicava o Fonseca.
Dito isto, o homem que fizera frente ao vampiro, aproxima-se deles.
- Acompanhem-me rapazes! Não há nada a temer! As forças do bem estão do nosso lado - afirma com autoridade.

Os quatro seguem-no meio atarantados. Próximo de uma das saídas, avistam o Lemos em apuros. Era eviedente que o pavor se apoderara dele. Fazia frente a uma vampira, mantendo-a à distância com uma cadeira. Ela parecia troçar dele e arreganhava os dentes na sua direcção. Quando o grupo se preparava para socorrer o Lemos, são barrados pelo homem que os acompanhava.
- Alto lá! Vocês ainda não estão preparados para isto!
Com bravura, ele vai para perto da vampira de cabelos ruivos. Tira um crucifixo do bolso do casaco, enquanto vai rezando em voz alta. A vampira olha na direcção dele com uma fúria desmedida. Era uma autêntica figura animalesca de olhos avermelhados. Ele avança lentamente. Ela recuava de forma traiçoeira.
- Venha até mim, padre! Deixa os outros e vem até mim. Os meus braços estão famintos de ti. Vem e podemos descansar juntos. Vem, meu querido...
Havia algo de diabolicamente erótico no tom de voz, algo do tinir do vidro, que ecoava nos cérebros dos que estavam próximos. O padre dá um salto em frente e quase toca com o crucifixo no rosto dela. Ela afasta-se com uma feição distorcida, plena de raiva e amarinha pela parede numa acção de fuga. O Lemos estava pálido e ofegante. Finalmente, conseguem sair do interior da discoteca.

No exterior, diversas pessoas gritavam e corriam de um lado para o outro. Pelas portas, ainda saíam alguns retardatários, alguns deles evidenciando leves ferimentos. A discoteca ficara parcialmente destruída pela multidão em fuga. De súbito, dão de caras com a João que estava acompanhada do seu amigo Matias que tremia como varas verdes.
- Meus queridos, podem-me explicar o que foi isto? - pergunta ela.
- Olha, eu ainda não entendi o que foi... - responde Augusto Luís.
- São vampiros! São vampiros! - gritava o Fonseca, fora de si.
- Como é que conseguiste sair tão rápido? - interroga o Ferreira.
- Foi logo que a confusão teve início. Eu e o Matias corremos para a área VIP. Depois, fomos rapidamente evacuados pelos seguranças, juntamente com a comitiva dos Cure, que a esta hora devem estar a caminho do hotel.
- Que horror! Nós ficámos aqui fora à vossa espera...só víamos gente a sair e ouviam-se uns grunhidos terríveis lá dentro! - interrompe o Matias cheio de trejeitos.
Mal acaba de falar, o Matias estremece ao ver um carro avançar na direcção deles a toda a velocidade. Era uma carrinha Saab preta com vidros fumados. Eles conseguem desviar-se a tempo de evitar um acidente. Mesmo assim, o Reis consegue descortinar o rosto de uma das vampiras no interior do automóvel.
- São eles! São eles! - grita ele.
- Rápido! Vamos atrás desses malditos! - diz o padre, correndo na direcção de um jipe UMM a cair aos pedaços.
- Eu não vou a lugar nenhum! - protesta o Fonseca.
- Vá, não há tempo a perder! Deus colocou-vos no meu caminho. Acompanhem-me por favor... - insiste o religioso.
Os amigos entreolham-se amedrontados, mas vão avançando para o jipe. A João corre atrás deles. Ao longe, já se ouviam as sirenes da polícia.
- Deixem-me ir com vocês! - grita exasperada.
- Tem paciência! Na última vez, levaste um tiro por nossa causa, lembras-te? Vai para casa com o teu amigo. Qualquer coisa, nós ligamos para ti, ok? - diz o Reis, saltando para a traseira do jipe, onde os outros já se amontoavam.
Nem houve tempo de escutarem a resposta da João. O padre arrancou do estacionamento, de forma veloz, fazendo o jipe soltar uma baforada de fumo preto.

Nos instantes que se seguiram, permaneciam todos em silêncio, envoltos nos seus pensamentos mais sombrios. Apenas se ouvia o ronco ensurdecedor do motor a diesel, que deveria estar em rotação máxima. Seguiam o caminho da Av. 24 de Julho. O silêncio é interrompido pelo Lemos que ocupara o banco dianteiro, ao lado do padre.
- Antes de mais...quem é o senhor?
- Sou o padre Amaro.
- A sério? Então foi você que papou a Soraia Chaves naquele filme? Mas você está muito diferente... divaga o Lemos.
- Valha-me Deus! Não diga disparates meu filho...isto é assunto sério!
- Mas diga-me sr.padre...o que estamos a fazer? Qual é o objectivo disto tudo? - pergunta Augusto Luís, tentando imprimir seriedade na conversa.
- Sou ajudante do padre Fontes de Vilar de Perdizes...
- O dono do hotel assombrado em Montalegre! - interrompe o Ferreira.
- Esse mesmo. E sou dos poucos padres com autorização do Vaticano para praticar exorcismo e um dos últimos caçadores de vampiros no mundo - explica com autoridade.
- Vampiros? Está a brincar connosco? - questiona Augusto Luís com cepticismo.
- Não em vai dizer que não viu os dentes das criaturas! E toda aquela força sobrenatural?
- Eu não disse? Eu não disse? - berra o Fonseca - Estamos fritos!
- Tem calma rapaz! Estamos perante um clã de vampiros. Acredito que tenhamos força suficiente para os derrotar. Resta-nos descobrir onde fica o seu esconderijo. Depois disso, terei que vos ensinar algumas coisas - esclarece o padre.
- E você acha que os vamos alcançar nesta lata velha? - pergunta o Lemos com desdém.
- Deus iluminará o nosso caminho! Pelas minhas investigações, sei que eles se refugiam algures na linha de Cascais - continua o padre Amaro, sem despregar os olhos da estrada.
À saída de Algés, conseguem alcançar o Saab preto. Pelos vistos, os vampiros não desconfiavam que eram perseguidos e acreditando estarem a salvo, tinham diminuído a velocidade. A perseguição continuaria pela Av.Marginal...

Continua...

5 comentários:

Evelyne Furtado disse...

Suspense na medida certa. Estou louca para saber como se sairão os amigos contra os vampiros.
Valeu, Capitão!

Maríita disse...

LOLOLOL! O Matias a tremer que nem varas verdes não é difícil ;)!

Adorei este episódio, agora izz deixarem a João de fora é que não havia necessidade...

Beijinhos

® disse...

Passei para agradecer, e desejar feliz natal para vc tb!

O Réprobo disse...

Estou com a Mariíta, na época da Buffy já se sabe que são Elas as slayers.
Agora, essa da vampiragem se dirigir para as minhas bandas...
...bem que eu tinha desconfiado de alguns vizinhos!
Abraço

AnadoCastelo disse...

Bemmm, está fantástico!!! Só custa o tempo de espera pelo próximo episódio.
Oh Fonseca serás meu primo???
Bjs