segunda-feira, 10 de março de 2008

Olho por olho, dente por dente!


Uma das notícias que mais se destacou durante a semana passada na comunicação social brasileira, foi o incidente diplomático que envolveu o Brasil e a Espanha. Tudo isto a propósito de um grupo de trinta brasileiros que foram barrados no aeroporto de Barajas, em Madrid. No seio deste grupo, estavam alguns estudantes de pós-graduação que se deslocavam a Lisboa para fazer a apresentação de trabalhos científicos. Eles afirmam terem sido maltratados pelas autoridades espanholas que justificaram a sua acção, alegando que os viajantes não traziam dinheiro suficiente para a estadia no país.
Nesta sexta-feira, os brasileiros deportados chegaram ao Brasil. Tanto o Itamaraty como o Presidente Lula vieram a terreno proferir ameaças subtis em relação à reciprocidade de procedimentos com cidadãos espanhóis que derem entrada em aeroportos brasileiros. Curiosamente, na quinta-feira, sete turistas espanhóis foram retidos no aeroporto de Salvador e enviados de regresso ao seu país com a mesma justificativa. No sábado, mais cinco mais espanhóis foram recambiados para casa no mesmo aeroporto. A Polícia Federal refere que o caso foi uma mera coincidência. Ora, só mesmo um inocente para acreditar nessa teoria.

Este assunto merece uma reflexão séria e objectiva. Ambos os países são soberanos e têm pleno direito de interditar a entrada de elementos suspeitos no seu território. As notícias falam de puro preconceito em relação ao povo brasileiro. Porém , eu defendo que chegou a altura dos orgõs copmpetentes estudarem a fundo o fenómeno da emigração massiva de brasileiros nos últimos anos. Eu nunca acreditei em preconceitos injustificados. Seria de extrema utilidade as autoridades do país fazerem uma análise do perfil sociológico dessas pessoas e tentar conhecer o seu estilo de vida no exterior.
Na minha opinião, outro dos argumentos defendido está claramente desfasado no tempo. Falou-se que o Brasil acolheu durante a sua História, diversos imigrantes das mais variadas proveniências. Isso é uma verdade inquestionável. Contudo, não se podem esquecer que tudo isso aconeteceu numa época de grandes progressos no Brasil que necessitava de muita de mão-de-obra. Na Europa vive-se uma situação oposta. Algusn países que tiveram um franco desenvolvimento na década de 90, mostram sinais de recessão e a taxa de dsemprego aumenta a cada ano. Aliado a tudo isto, há que admitir que muitos dos imigrantes de hoje têmj evidentes dificuldades de adaptação e respeito pela cultura os países onde se inserem. Por vezes, pequenas minorias acabam por enveredar pela criminalidade e alimentam as economias do submundo.

Tudo isto é um prato cheio para o surgimentos de fenómenos xenófobos e existe uma tendência de maior rigor na admissão de estrangeiros numa Europa que não tem mais espaço para imigrantes. Por vezes será mais sensato aniquilar um sonho à partida antes que ele se torne um pesadelo, embora nada justifique a existência de maus tratos e faltas de respeito como parece ter acontecido em Madrid.
A questão da reciprocidade parece-me um pouco ridícula, visto que são situações completamente diferentes. Não me parece que turistas espanhóis tenham intenções de permanecer ilegalmente no Brasil. No campo oposto, todos sabem que as coisas não funcionam deste modo. Nos últimos anos, tornaram-se bastante conhecidas diversas técnicas para a permanência ilegal na Europa. Usualmente, o disfarce de turistas e vistos de estudante são artimanhas comuns.
Reforço novamente a ideia de que o Brasil deveria tentar conhecer um pouco melhor a sua comunidade que vive no estrangeiro e abordar estas questões emigratórias com pesos e medidas sensatas. Será conveniente lembrar que o Brasil também dificulta bastante a obtenção de vistos permanentes, num processo rigoroso, demorado e envolto num mar de burocracia. No meu caso, nunca me foram dadas grandes facilidades por aqui e também já sofri de preconceitos camuflados. Ou será que os brasileiros entendem que mandam no seu território e os países estrangeiros têm de receber os seus cidadãos de braços abertos e sem o mínimo controle?
Torna-se urgente um diálogo sereno e realista entre as autoridades do Brasil e da UE para evitar que os justos paguem pelos pecadores.

6 comentários:

Júlia Moura Lopes disse...

ora, Capitão! Concordo consigo planamente. Foi ao fundo da questão!

Essa veia d jornalista!

Evelyne Furtado disse...

Boa semana, Capitão, sen xenofobia.
Acabei de ver uma matéria no JN sobre o assunto. Começou lá, mas o ministro Traso Genro diz que não há revide. Será?

Carla disse...

capitão
parabéns por esta análise lúcida e justa...a realidade brasileira dentro e fora de portas nem sempre é aquilo que se quer mostrar ao mundo, claro está que depois muitas vezes paga o justo pelo pecador...um diálogo sereno poderia resolver muitas questões!
bom dia

Cristina disse...

Não te lembras de um caso semelhante entre Portugal e Angola há uns tempos?! O jogador angolano Pedro Mantorras teve problemas com a carta de condução, aqui em Portugal... e uma semana depois, em Angola, uns quantos portugueses tiveram problemas com os vistos. Coincidências a mais!

Beijinho e boa semana :)

gotaelbr disse...

Muito bem dito...aliás escrito. Plenamente de acordo !
Abraço.

Gil disse...

A diferença está, em ser-se imigrante rico, ou imigrante pobre eheh!
Abraço