terça-feira, 13 de maio de 2008

Estreia Promissora


A história do "conflito entre dois rapazes de níveis sociais diferentes que se apaixonam" dá corpo a Cidade Proibida, o romance de estreia do escritor Eduardo Pitta, lançado há dias.

"Para além da paixão, há um choque de personalidades, pelo facto de serem pessoas vindas de meios socialmente diferentes", disse o poeta e crítico literário à Agência Lusa.
Cidade proibida narra a relação de Martim, nascido no Estoril, doutorado em Oxford, com um cargo superior numa empresa do padrinho, e o britânico Rupert, oriundo da classe trabalhadora inglesa, professor no Instituto Britânico em Lisboa.
Os dois decidem viver juntos em Setembro de 2001, mas Martim tem de deixar aos cuidados da mãe, Nora, o seu gato Teddy, porque Ruppert não gosta de gatos.
"Quem ler este romance poderá ficar um pouco abananado pela situação", admite o escritor, assegurando que o texto "é absolutamente ficcionado" e excluindo "qualquer semelhança, que não seja por coincidência, com pessoas reais".

"Claro que ao longo da narrativa há aquilo a que chamaria de adereços com verosimilhança, nomeadamente a alusão a factos históricos como o `Bloody Friday` de 1972, o 25 de Abril de 1974 ou os atentados do 11 de Setembro de 2001", assinalou.
"Por outro lado - acrescentou -, há coisas compostas, situações que vivi, pessoas com que lidei, o que me ajudou a construir a narrativa".
Concretamente, indicou, a personagem Afonso Cordes Sacadura, primo de Martim, é o seu alter-ego.
"O Afonso, natural de Moçambique, homossexual, com uma relação estável e também escritor, reconheço que sou eu", disse.
Afonso é uma personagem recuperada dos contos "Persona", publicados em 2000, e que a editora Quidnovi irá colocar novamente no mercado, esgotada que está a 1ª edição.
Eduardo Pitta dedica à escrita três horas por dia, o que corresponde a cerca de 15 páginas que reescreve no dia seguinte, contou à Lusa.
Cidade proibida levou cerca de 30 meses a escrever, tendo sido iniciado em Lisboa em Junho de 2004 e terminado em Afife em Dezembro do ano passado.
Pitta reconhece haver "um certo contexto erótico" no romance e até uma "certa pulsão erótica na escrita, como referem alguns críticos".

3 comentários:

Evelyne Furtado disse...

Deve ser interessante. Gostei de sua resenha, capitão. Abraços.

Maríita disse...

Tem boa pinta...falta-me só o carcanhol...

Beijinhos

AnadoCastelo disse...

Já apontei para o comprar.
Bejos