quarta-feira, 28 de março de 2007

Férias em Natal - Episódio 4


Natal, Quinta Feira - 05 Dezembro 2008, 21:30h

Primeira noite do Carnatal. O Ferreira providenciara convites para assistirem ao mais famoso carnaval fora de época do Brasil. Estavam num dos camarotes mais badalados, o barulho era infernal e fazia-se sentir um forte calor. Lá embaixo, no corredor da folia, desfilavam os tradicionais trios eléctricos que animavam os blocos e uma multidão multicolor pulava freneticamente.
Durante esse dia, tinham tido imensa dificuldade para convencer o Luís a acompanhá-los. Ele era bastante adverso a qualquer tipo de manifestação carnavalesca e a perspectiva de ficar muito tempo a olhar para um bando de foliões, não o motivava minimamente. Já eram decorridas quatro noites mal dormidas e ele preferia ficar no apartamento a descansar um pouco. No dia seguinte, iria-se encontrar com Patrícia e teria de estar com os sentidos bem despertos. No entanto, os amigos não lhe tinham dado tréguas durante horas e ele acabou por ceder. A festa tinha início relativamente cedo e o grupo acabou por não ter tempo para jantar. Escusado será dizer, que a ingestão de bebidas alcoólicas teve um efeito catastrófico bastante rápido. Entraram rapidamente no ritmo da folia, pulavam como uns doidos e transpiravam abundantemente. Até mesmo o Luís parecia ter esquecido Patrícia por alguns momentos e rodopiava sem parar com latas de cerveja na mão. Apenas o Lemos, se mostrava mais comedido nos movimentos porque ainda se encontrava bastante dorido pelo escaldão que apanhara na praia.

Por alturas da passagem do último bloco, o êxtase colectivo é interrompido por um alerta do Reis.
- Atenção pessoal! Olhem ali! O Fonseca já se orientou com uma gaja... - aponta num misto de admiração e inveja.
- Epá, sim senhor! Mas isto foi ela que se foi agarrar nele. De certeza absoluta - afirma o Ferreira céptico.
Num canto do camarote, o Fonseca beijava ferverosamente uma rapariga que aparentava ter uns vinte anos, de cabelo oxigenado e trajes diminutos. Ela nota que o grupinho observava o casal e acena com a mão na direcção de umas amigas que estavam próximas. Juntam-se todas, segredam, sorriem para os rapazes e avançam na direcção deles. A oxigenada pega na mão do Fonseca trôpego, que olha para os amigos com um sorriso de orelha a orelha.
- Oi rapazes! Os portugas estão gostando do Carnatal? - atira a oxigenada num tom atrevido.
- A festa está óptima! E vejo que o meu amigo já está acompanhado de uma bela rapariga - responde o Luís cheio de sorrisos.
- Rapariga foi quem te pariu, seu safado!!! - dispara ela em fúria.
Luís fica atónito com o tom agressivo da resposta e o Ferreira decide intervir para evitar um incidente diplomático.
- Calma! Desculpe meu amigo. Lá no nosso país, rapariga não é nada de mais. Ele não quis ofendê-la, minha querida. Tá certo?
- Ah,bom! E aí? A festa está acabando por aqui. Que vão fazer a seguir? - pergunta novamente a oxigenada.
- Hum...ainda não sabemos. Alguma ideia? - continua o Ferreira com malícia.
- Também não sei. Minhas amigas estão doidinhas para conhecer vocês. Podíamos fazer qualquer coisa legal - diz ela, olhando para as amigas que estavam junto dela.
- Vocês estão em algum hotel da Via Costeira? - pergunta uma das amigas que tinha um decote bem sugestivo.
- Não. estamos num apartamento lá em Ponta Negra - diz o Fonseca com a voz arrastada.
- Porque não vamos até lá? Que tal fazer uma festinha todos juntos? - atira a decotada provocante.
- Boa! Boa! - grita o Lemos.
- È isso mesmo. Até temos uma garrafa de champagne à nossa espera. Vamos embora? - avança o Reis eufórico.
- Calma...não sei se dá certo. O pessoal já bebeu demais, acabámos de nos conhecer...é meio estanho. - profere o Ferreira hesitante.
- Qual é portuga? Tá com medo da mulherada? Vamos curtir o resto da noite de um jeito bem gostoso - a oxigenada não desarmava.

Deixaram-se ficar por ali durante alguns minutos a conversar, fizeram-se apresentações rápidas, mas às tantas cada um deles já se tinha agarrado a uma delas. Trocavam-se alguns beijos, as mãos avançavam de forma insinuante e soltavam-se piadas brejeiras. Pouco depois, o grupo já procurava o carro nas imediações do recinto com o intuito de fazerem o caminho de casa. Durante o percurso, Luís liberta-se da sua parceira e faz sinal ao Ferreira para ele fazer o mesmo. O amigo deixa-se ficar um pouco para trás e nota algo de estranho no olhar de Luís.
- Ouve lá, não achas esta cena meio arriscada? - pergunta Luís receoso.
- Estás a pensar o mesmo que eu. Também estou a estranhar tanta facilidade...
- Eu não quero acordar amanhã debaixo de uma placa de cimento como os outros fulanos de Fortaleza, entendes?
- O que queres que eu faça? os outros três estão perdidos de bêbados e agora nem adianta fazê-los desistir. Olha ali o Fonseca todo atraçalhado com a loira - diz o Ferreira, apontando para o amigo que já estava encostado no carro.
- Que merda! Mais valia ter ficado em casa...isto cheira-me a esturro!
- Oxalá que não. Vamos pensar positivo. Estas malucas se calhar só querem mesmo uma noite de farra. Quem sabe?
- Pode ser que tenhas razão. Talvez seja hoje, que eu faço o meu vídeo caseiro - finaliza o Luís, caminhando na direcção dos outros.

Depois de conseguirem a façanha de enfiar dez pessoas dentro de um Fiat Palio, arrancam em direcção ao apartamento. Quando chegam ao acesso à garagem, o porteiro olha-os de modo desconfiado e abre o portão. Sobem em grande algazarra até ao 10ºandar, entram em casa, dirigem-se para a sala e ligam a aparelhagem. A música soava bem alto apesar de já ser tarde e o Fonseca ataca o frigorífico. Traz para a sala todas as latas de cerveja que restavam e a prometida garrafa de champagne. Continuavam a beber desenfreadamente, dançam com elas, beijam-se e as mãos avançam de modo cada vez mais ousado.
Entretanto, uma delas propõe uma sessão de strip-tease para os rapazes. O Luís vai até ao quarto buscar a sua câmera e a oxigenada vai para a cozinha. Tinha anunciado que iria preparar a caipirinha mais saborosa da região. Procura os condimentos necessários nos armários e enquanto isso, as restantes vão-se despindo na outra divisão de maneira lenta e sensual. Eles estão em delíro. Berram, riem e aplaudem. Elas vão atirando as peças de roupa para cima deles, provocam-nos e o Lemos também já se vai despindo de forma atabalhoada. Na sala iam-se misturando os odores da cerveja, dos cigarros e do suor.
A oxigenada surge da cozinha com uma bandeja com vários copos de caipirinha de aspecto delicioso. Distribui pelo grupo masculino. O Luís era o único que parara de beber. O seu estômago era sensível a misturas, receando vomitar. No entanto, depois da insistência da moça, aceita o copo e delicia-se com aquele néctar saboroso.
A sala parecia um forno, eles vão-se libertando das roupas e agarram as parceiras de ocasião. O Ferreira já se aninhava num dos sofás com uma delas quando sente uma ligeira tontura. A sua visão escurece e uma dormência sobre pelo seu corpo. Tenta olhar para o rosto da mulher e apenas vislumbra um vulto indistinto. Levanta-se aflito, esfrega os olhos e sente a sua cabeça andar à roda. As pernas perdem a sua firmeza e tomba no chão. A última imagem de que se recorda, foi ter visto o Reis passar junto dele em cuecas e meias.

24 comentários:

Sininho disse...

Bem eu n gostava que acontecesse nesta novela mas será que foram assaltados?

Teresa Durães disse...

hum... também não me aventurava assim ehehhe nem cá quanto mais aí

com_argumentos disse...

-Bem...não que deseja um final mau para esta história...mas é o que mais me esta a parecer!

Espero que tenha sido apenas um mau estar e nada demais...:P

Fica bem.....espero pelo proximo capitulo..:P

SentadaAoLuar disse...

Aguarda-se o próximo capítulo!

P.S. É claro q sou da turma da carocha, é minha amiga do "pêto"
Vivó choco frrrito ;)

Maríita disse...

:o)! Esta história parece-me familiar...as caipirinhas adulteradas. Aguardo o próximo capítulo.

Beijocas

mãos disse...

Passei por aqui passando de blog em blog. Adorei. Irei visitar mais vezes. Um abraço de Africa - Moçambique.

Ouri Pota

Rubina disse...

Ai ai. Parece que os tugas vão ser mesmo assaltados. Muito bom este episódio capitão. E afinal qual é o significado de rapariga no Brasil? Tenho é pena de estar a confundir os personagens, já não me lembro quem é casado com quem. Beijocas

Capitão-Mor disse...

Rubina:
Rapariga é uma das palavras mais ofensivas que existe no Nordeste. È o mesmo que estar a chamar uma mulher de prostituta...
Há tempos, publiquei aqui um breve diccionário de potiguês! :)

LoiS disse...

Essa de Rapariga não sabia, mas elas eram mesmo umas boas Raparigas então! hahahahahaha

Aventuras dessas, num país estranho, é algo que se aprende na cartilha do viajante a nunca fazer! Ainda para mais com alcool, bebidas oferecidas E NO BRASIL!

Irra...até perdi a tusa qd desenhaste a ida para casa dessa trupe!

Please, não mates o Luís ;)

Abraços,
LoiS

sem-comentarios disse...

Os moços só querem é raboia...eles que curtam com as raparigas...ahahaha

bjs

(espero que o final não seja sangrento!)

Anónimo disse...

Precisamos urgentemente de um Outdoor como este em Natal:

dn.sapo.pt/2007/03/29/569282.jpg

Talvez não com um afeminado de cavanhaque estilo Village People como imagem, mas um Outdoor que sirva para expulsar toda essa gentalha portuga fascista, amante de Salazar, de volta pra sua terrinha fedorenta. Brasil para os brasileiros. FORA DO MEU PAÍS PORTUGA NOJENTO.

Barão da Tróia II disse...

Pá tens um amigo anónimo 5 estrelas, o gajo é memo ressabiado. Ganda aventura essa aí com as cachopas, boa semana.

Gi disse...

Capitão só hoje consegui vir aqui:(
fiquei a assistir na coxia por causa do atraso :).
para além da história a que todos já fizeram alguma refer~encia e não me vou repetir, ficou-me uma dúvida (pequena) que gostava de ver esclarecida. Na foto que deixas a mocita tem um dóidói no rabiosque. Quéquéaquilo????

beijinhos

mau feitio disse...

Foi culpa da rapariga, só pode.

Tati disse...

vixe......
Raparigas das nossas, não das suas.....
Concordo com o Lois, deixa o Luis vivinho, bem vivinho, pra poder ter a recepção que merece da minha Rita....
E você mandou uns portugas meio desajustados pra cá, hein? Além de safados e mulherengos, ainda tê mal gosto... Com tanta mulher bonita e de família no Brasil eles foram se atracar JUSTO com as "oxigenadas e de trajes mínimos..."
Imagino até a cara da fulana....
Sorte que no Rio as coisas serão beeeeem diferentes......
hehehe
beijo grande

Tati disse...

contraponto no ar! beijo

Capitão-Mor disse...

Anónimo:
Só mesmo os covardes para se travestirem de anónimos. Normalmente gosto que digam essas coisas na minha cara. Podia fazer o favor de ser menos ignorante? Vá completar o primeiro grau e depois conversamos.
Saudações lusitanas!

Phantom disse...

Grande Party! Então e o resto do "relato"??

AnadoCastelo disse...

É lá a coisa está a dar para o torto. Esperemos os próximos episódios.
Bjs

collor de melo disse...

"Brasil Para os brasileiros"...

Lol

Já não vos chega de Ordem e de Progresso?

Breaking the Waves disse...

Bom eu não sou muito de advinhar continuações de séries... mas estou tãoooo curiosa!!!
E onde anda Patrícia e o Consul (acho que era ele) do episódio anterior? Aí tem gato... polícias e ladrões?? Vão ser salvos por Patricia agente infiltrada!! hahahah
Estou a divagar, não ligues é da hora matinal!
Também, já estou baralhada com quem é quem... tenho de ir lá atrás reler.

Patrícia Pêra disse...

Que rambóia! Estou chocada.. eheh.

Estou curiosa pelo seguimento da história.

Tuche disse...

Amigo desculpa só ter vindo hoje para ler mais um extraordinário episódeo.

Está cada vez mais empolgante ahah

Beijosssssssss

Magaleando disse...

é infeliz esse tipo de situação... sou um tanto arcaica neste assunto, não valorizo esse tipo de atitude, nem por parte de mulher nem de homem. Uma última romântica talvez, mas ainda acredito nos significados dos contatos físicos, dos olhares e envolvimentos. Fico triste que isso esteja se perdendo na atualidade...Acho que há tantas outras maneiras de sentir prazer sem chegar a tais extremos...a facilidade pode sim ser desconfiada, mas infelizmente em grande parte é apenas uma facilidade precipitada...