quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Viver no Brasil


Estranhamente.... não estranhamente, talvez surpreendentemente, tenho recebido emails de portugueses, ainda em Portugal, que querem “dar o salto” para fora e me colocam algumas questões práticas sobre a vida no Brasil. Ou porque descobriram este blog, pela crise instalada em Portugal ou porque estarão afectados por alguma febre dos trópicos. Também tenho lido algum interesse alguns depoimentos de portugueses residentes no Brasil em alguns sites e foruns na internet. No entanto, verifico que não existe um consenso. Uns dizem maravilhas e outros relatam experiências traumáticas.
Algumas coisas vou contando aqui ou deixando transparecer das minhas aventuras diárias e do meu dia-a-dia, mas obviamente as descrições de determinados aspectos ficam de fora. Assim, decidi resumir algumas informação prática.
Espero que estes dados sejam úteis a quem procura esclarecimento e escassas respostas nos consulados brasileiros. Se precisarem de mais informação, mandem e-mail que eu tento responder. Porém, gostaria de deixar claro que eu NÃO aconselho uma mudança para o Brasil, a menos que sejam pessoas dotadas de grande resistência psicológica, tenacidade, bons conhecimentos por cá ou que venham com muito dinheiro para investir e poder usufruir de uma vida tranquila. Sim, porque isto de viver no Brasil de chinelo no pé e a olhar para as beldades na praia, não passa de uma miragem.

Burocracias:
Ao contrário do que se possa pensar, a obtenção de visto permanente de residência é um processo moroso e complicado. Ele poderá ser obtido de diversos modos: casamento, paternidade de filho nascido em solo brasileiro, trabalho (quase impossível, a não ser que já venham por via de empresas nacionais presentes no país, investimento (que foi o meu caso) e aposentadoria.
Após duras batalhas com a inflexível burocaracia brasileira, talvez tenham a sorte de vos ser fornecido o almejado visto de residência que impede a obrigatoriedade de sair do Brasil a cada seis meses. Convém salientar que o levantamento do visto tem de ser efectuado num consulado brasileiro no exterior o que provoca despesas algo desnecessárias com passagens aéreas. Após a obtenção do visto, é atribuída a identidade de estrangeiro - RNE. O único documento que poderão ter sem o visto é o CPF - equivalente ao número de contribuinte - que é solicitado em diversas operações e funciona como uma espécie de segunda identidade.

Passo seguinte, abrir conta bancária. Missão impossível para todos aqueles que não possuem visto permanente. A única excepção será a abertura de conta para empresas, caso tenham algum negócio próprio. De qualquer modo, esta modalidade ainda tem sérias limitações. Evitem contrair empréstimo bancários no Brasil. A taxa de juro é de 11,25%.

Alojamento e despesas associadas:
O preço das casas varia muito conforme a região do país. Desenganem-se todos aqueles que pensam que os imóveis são ao preço da banana. Nas grandes metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo, um apartamento pode atingir preços proibitivos. No Nordeste, os preços são mais acessíveis mas existe uma especulação crescente, devido à demanada europeia por imóveis de segunda residência na região. Posso dar-vos como exemplo o apartamento que adquiri por aqui em 2004, custou-me cerca de 20.000 euros, vendi-o algum tempo depois, mas sei que neste momento, os apartamentos desse condomínio estão a ser vendidos por cerca de 40.000 euros.
O arrendamento, por outro lado, pode ser uma boa opção, tendo em conta os valores paraticados em Portugal. Com cerca de 300/400 euros consegue-se arrendar um apartamento confortável em bairro nobre. Deste modo, acabam por ter mais liberdade de acção, caso as coisas por aqui não corram da melhor forma.
No caso de possuirem imóvel próprio, terão que contar com o pagamento anual do IPTU, cujo valor varia consoante o preço e localização da casa. Este imposto pode ser parcelado ao longo do ano.

Gás/agua/electricidade. Estas depesas têm valores irrisórios. No caso de morarem em condominios verticais, o preço pode aumentar bastante porque o valor pode incluir alguns destes gastos, associados à manutenção de elevadores, piscinas, segurança e áreas de lazer.

Seguro da casa. Não e obrigatório. Muitos bancos oferecem quando se abre conta bancária.

Empregada. Aqui, elas recebem por norma um salário mínimo (150 euros) por uma jornada diária de oito horas. Empregadas internas são situação frequente e, nesse caso, terão que contar com alojamento e despesas de alimentação.

Salários:
Muito dificil dar números. Procurar trabalho assalariado no Brasil é missão quase impossível para cidadãos estrangeiros, por muitas qualificações profissionais que possuam. Num país, onde as taxas de desemprego são muito elevadas, existe um evidente proteccionismo das vagas disponíveis para brasileiros.
A esmagora maioria dos europeus residentes no país, envereda pela vertente empreeendedora e são proprietários dos seus próprios negócios que incidem principalmente na área do turismo, construção civil, imobiliário e comércio em geral.

Saúde:
Ter seguro de saúde é altamente aconselhado, mas pode ser uma despesa onerosa ao final do mês, visto que os valores variam consoante a faixa etária dos beneficiários. Quem opta pelo serviço público de saúde, arrisca-se a ficar dependente de serviços médicos precários e hospitais sobrecarregados.

Impostos:
È obrigatória a apresentação anual da declaração de imposto de renda. As fórmula de cálculo são diferenciadas, se comparadas com os sistemas europeus. Digamos que os impostos não são muito simpáticos com as empresas. Aliás, o Brasil está classificado como um dos países com taxa de impostos muito elevada, com uma arrecadação semelhante à dos países nórdicos. Infelizmente, os serviços públicos em nada condizem com a arrecadação feita.

Transportes/carro
Os tranportes públicos são eficientes e cobrem a totalidade das cidades e respectivas periferias. No entanto, será aconselhável adquirir veículo particular que dá uma maior liberdade de movimentos e segurança. O preços dos carros populares - fabricados no Brasil - são bastante acessíveis. Carros importados não aconselho, já que o imposto anual (IPVA) pode ser bastante elevado. Também será necessário, ir a uma delegação regional do DETRAN para tratar da equivalência da carta de condução.

Custo de vida (em geral):
Necessidades básicas (alimentos no supermercado, electricidade, água e outros) - é a grande vantagem de residir no Brasil. Valores muito acessíveis. Não será de estranhar, que nos últimos anos, diversos aposentados europeus tenham procurado o Brasil para residir a título permanente, apesar da contínua desvalorização do euro face ao real. Quando aqui cheguei, um euro quivalia a cerca 3.70 reais. Actualmente, o câmbio está na proporção de 2.62 reais por cada euro.

Cultura, luxos (cinemas, teatros, copos, jantares fora, concertos, etc...) - Em comparação com o rendimento médio dos brasileiros, poderei dizer que não são actividades muito baratas.

E se alguém se lembrar de mais algo relevante, diga que eu acrescento.
Para mais, é vir até cá e descobrir com os próprios olhos...

Legião Estrangeira

Longe vão os tempos, em que o grosso da emigração portuguesa era composto de pessoas com pouca formação e oriúndos, na sua maioria, do interior do país onde existiam poucas perspectivas de futuro. Actualmente, existe uma combinação de factores que fazem os jovens portugueses procurar novas oportunidades no estrangeiro. Se por um lado, a situação económica do país não permite grandes sonhos, também existem muitas pessoas com formação superior nas áreas de ciência e tecnologia que não encontram colocação profissional em Portugal.
Durante as últimas semanas, tenho seguido com particular interesse os depoimentos que podem ser lidos no GAP , que dão conta da dimensão do fenómeno desta nova emigração. Lá poderemos acompanhar o percurso destes novos desbravadores em diversos países do mundo. Um dia destes, talvez me arrisque a relatar as minhas aventuras e desventuras naquele espaço...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A Náná de Telheiras


Pelo que me é dado a ver, a indústria de entretenimento para adultos evolui de forma célere em Portugal. Depois do arcaico Fim de Semana Lusitano, surgiram uma infinidade de títulos bizarros onde alguns compatriotas exibem as suas genitálias. Um dos aspectos que sempre me suscitou alguma curiosidade, foi saber como se processavam os castings para estas produções. Agora já tenho a resposta para as dúvidas que tinha, ao ver o potencial artístico da Náná, séria candidata ao título de porno star lusitana. Começo a acreditar que a solução para reverter o PIB português passa definitivamente por estas indústrias lúdicas...

Estás a passar de moda!


Um resort cinco estrelas localizado em São Roque, município de Barra de Maxaranguape, com quilómetros de praias virgens ao redor, formado por oito hotéis de categoria internacional, residências luxuosas de veraneio, centro de treino para futebol e pista de kart. É assim que o grupo Brazil Development (Noruega) descreve o novo empreendimento que terá, entre os investidores, o jogador de futebol David Beckham e o piloto de Fórmula 1, Rubens Barrichello.

O anúncio do investimento aconteceu ontem, à beira-mar, no coqueiral de São Roque e contou com a presença da Governadora Wilma de Faria; do jogador David Beckham; Torben Frantzen, presidente diretor do Brazil Development; do presidente da Assembléia Legislativa do RN, Robinson Faria; secretário de turismo Fernando Fernandes e de várias personalidades do Estado
Se vocês acham que David Beckham fez sucesso em Natal, nesta segunda-feira, vocês estão enganados! Pois é... Coitado! David chegou de jacto particular e nem precisou de helicóptero. Para ir até o resort, o marido de Victoria, a Spice Girl, foi de jipe, acompanhado por aproximadamente vinte seguranças.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Lusotropicalismo Romântico


Em Portugal, os casamentos de nacionais com cidadãos brasileiros cresceram quase 50 por cento num ano, tendo-se realizado 2.917 casamentos em 2007.
Os cidadãos brasileiros mantêm-se como os estrangeiros que mais casam com Portugueses.

Gostei disto...


O V Império em formato samba. Agora só me falta ver a aparição de D.Sebastião, desfilando no sambódromo como porta-bandeira!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Os Sonhadores







Fotos 1990/96

Andávamos sempre juntos, dia e noite, com momentos quase sempre divertidos, próprios da nossa idade e de uma rebeldia inconsequente. Passávamos horas à conversa e a jogar futebol. Partilhávamos músicas, filmes e ríamos dos disparates que cada um de nós dizia. É óbvio que, hoje em dia, já não é assim, pelas vidas perticulares de cada um e pela dispersão geográfica, mas se nos encontrarmos, garanto que voltaremos aos "disparates".
Passados os anos que passaram, continuo a pensar que a vida tem coisas boas, e uma delas são os meus amigos. Hoje, apetece-me prestar homenagem ao meu núcleo duro. Todos aqueles que cresceram comigo e que de certo modo, também contribuíram para a construção da minha personalidade. A rapaziada com quem me habituei a partilhar alegrias e tristezas. O grupo que sempre se regeu por princípios nobres, evidenciando sempre notáveis rasgos criativos e que jamais se acomodou com o anonimato e cinzentismo da periferia de Lisboa. Aqueles que, anos mais tarde, sonharam mudar o mundo e se envolveram nas primeiras batalhas políticas que não se ajustavam à nossa noção de verticalidade. Mentes brilhantes que poderiam ter seguido um rumo mais audaz e criativo, mas que nunca souberam abdicar da felicidade. Todos aqueles que guardarei para sempre no meu coração...
Um Abraço!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Alexander Nevski

Eisenstein tornou-se um cineasta de culto, não só graças ao grande clássico O Couraçado de Potemkin mas também pelo seus diversos ensaios e trabalhos em que trata sobre cinema (em especial sobre a montagem). Talvez o seu trabalho mais vivo seja "O sentido do filme" e talvez o filme onde sua teoria se apresenta mais claramente é Alexander Nevsky. Não se trata de um filme mudo, como o seu trabalho mais famoso, e ao contrário de muitos que pecaram pela "tentação romanesca" (o uso indiscriminado e até desnecessário dos diálogos) Einsenstein fez um óptimo uso dos recursos sonoros. Esse filme dá uma ideia bastante clara da sintonia em que os elementos de um filme (enquadramento, som, actuação....) devem ter no decorrer do mesmo, dando ao filme a coesão necessária para que este se apresente como uma peça maciça. Destaque para a antológica cena da "Batalha no Gelo" (cena que aliás é literalmente analisada quadro-a-quadro em "O sentido do filme").
Será ainda importante referir, que este filme foi lançado em 1938, numa época de tensão crescente entre a Alemanha de Hitler e a URSS de Stalin. Um épico fenomenal, que representa da melhor forma a indústria de cinema soviética da época e simboliza acima de tudo um profundo manifesto nacionalista.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Será Grave?


Durante os últimos tempos, tenho-me apercebido de algumas facetas obscuras da minha personalidade e estou desconfiado que sou...fetichista!

O Lampião da Linha


Numa arriscada missão ultra-secreta no submundo da noite na capital do Rio Grande, o Capitão-Mor conseguiu tomar posse de algum material confidencial enviado pelos agentes da ABIN em Lisboa. Tudo indica, que os serviços secretos brasileiros andam a monitorar os passos de alguns dos seus companheiros da blogosfera, com o intuito de os implicar numa intrincada teoria da conspiração que está a colocar os políticos de Brasília em pânico.
Após uma análise do material apreendido, pode-se concluir que todos os alvos da investigação possuem um nome de código. O mais temido, é sem dúvida, o lampião da linha sobre o qual foi reunida bastante informação, inclusive algumas gravações em vídeo como a que é aqui apresentada. Ao que parece, até a última deslocação do Réprobo ao reduto do dragão para acompanhar o seu clube do coração foi considerada altamente suspeita.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Trechos do Exílio

A quantidade de pessoas que não tem nada. Que desaparece porque está cansada. Que volta para o Brasil porque não tem vida deste lado do mar, ou que vive no Brasil porque tem medo de ser encontrada pelo passado e pelos seus vizinhos, pelos conhecidos que conhecem a sua vida, pelos desconhecidos que podem vir a conhecer a sua vida.
Francisco José Viegas, Longe de Manaus

Já viram a minha sorte?


Caso não saibam, Eládio Clímaco - quem tem um nome destes? -, antigo ícone da televisão portuguesa dos anos 80 é meu vizinho aqui na cidade do Natal. O eterno narrador dos Jogos sem Fronteiras transformou-se em contrutor civil e foi um dos pioneiros portugueses por estas bandas, no final da década de 90. Graças a Deus, já aprendeu a vestir-se um pouquinho melhor...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Carnaval do RN


No interior do estado o carnaval já chegou. Quem é súbdito de Momo, já pode pegar a estrada e seguir para algumas cidades, e encontrará a folia armada. A bem da verdade, Natal esforça-se e disponibiliza atracções divertidas, mas para quem gosta de carnaval de verdade, o destino mesmo são as cidades do interior.
Desde orquestras de frevo aos trios eléctricos de Salvador, passando por escolas de samba, não faltam opções de diversão. Tem festa no Seridó, tem festa no litoral. Algumas representações são verdadeiras atracções turísticas, por se terem transformado em tradições imperdíveis. O bloco Ala Ursa de Caicó, e o mela-mela de Macau são manifestações bastante populares.

Já Pirangi, tem a fama de ser um carnaval de gente bonita. Das festas do interior, é a mais perto de Natal, e essa também é uma vantagem. Os organizadores dizem que fazem o melhor carnaval de praia do estado, mas vão ter que concorrer com Areia Branca, cuja população já começou a dar os primeiros gritos de folia, desde o fim-de-semana passado.
Apodi diz ter o carnaval mais tranquilo, mas não menos animado e conclama os foliões de todo o estado para tirarem a prova. Seja no Oeste, no Seridó ou já pertinho da capital, o importante é saber que o potiguar não precisar ir longe para brincar um carnaval de primeira linha.

Entraves ao Investimento


Falta de vôos internos, elevada carga fiscal e burocracia nos licenciamentos são os principais obstáculos ao desenvolvimento do turismo no Brasil, afirmam investidores portugueses do sector.
O representante do grupo Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, disse que o "turismo tem tudo para dar certo no Brasil", principalmente pela qualidade dos destinos e da mão-de-obra, mas os investidores sofrem com algum excesso de zelo das autoridades nos processos de licenciamento ambiental, que causa atrasos e custos a mais nos projectos.
"Os primeiros hotéis que fizemos no Brasil correram muito bem, mas as dificuldades têm vindo a agravar-se", disse Almeida, criticando a intervenção das autoridades federais em projetos aprovados e em construção.
"Depois de o investidor andar dois ou três anos de volta de um projecto, depois de o Brasil ter feito um grande esforço para captar investimentos, de repente os projetos ficam parados, volta tudo à estaca zero", afirmou.
Rebelo de Almeida chamou ainda atenção para a necessidade de aumento da oferta de transporte aéreo e de simplificação e diminuição da carga fiscal.

O presidente da Espírito Santo Turismo, Miguel Rugeroni, afirmou que o governo brasileiro "deve estar atento" à questão das ligações aéreas e dos licenciamentos.
Segundo Rugeroni, para estar mais próximo da realidade local, o grupo turístico assinou uma parceria com a brasileira Investur, tendo em vista a identificação de oportunidades de investimento e o desenvolvimento de projetos conjuntos.
O representante do grupo Pestana, José Roquette, afirmou que existe uma falta de uniformidade de regras das exigências ambientais nos processos de licenciamento, e que "a carga fiscal é significativa e começa a pesar nas decisões de investimento".
Roquette citou ainda a imagem do país no exterior, prejudicada pelos episódios de violência frequentemente registados no Rio de Janeiro, "porta de entrada" do país.
Presente no Brasil há mais de uma década, o grupo Pestana tem dez hotéis no Brasil e cerca de 20% das suas receitas no país.

Segundo dados divulgados pelo vice-ministro português do Turismo, Bernardo Trindade, o investimento português no setor turístico brasileiro deve chegar a 500 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão) nos próximos dois ou três anos, maioritariamente em unidades de luxo.
Trindade afirmou que o fluxo de investimentos é resultado da "confiança na estabilidade política" do Brasil por parte dos empresários portugueses, que "contam com a solidariedade" do governo português.
O secretário de Estado do Turismo citou ainda "o notável trabalho que a TAP tem vindo a realizar", para fazer de Portugal "plataforma preferencial" de saída de turistas para o Brasil.
Ao lado do vice-presidente da TAP, o brasileiro Luiz Gama Mor, Trindade pediu que o fluxo Portugal-Brasil, com mais de 60 vôos semanais e perto de um milhão de passageiros em 2007, proporcione mais estadias em Portugal e a emissão de turistas brasileiros em sentido inverso.
Fonte:Agência Lusa do Brasil

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Conde dos Olivais


Na semana passada, tive a agradável surpresa de descobrir o blogue de um amigo e ex-colega de trabalho no sector automóvel. Na sua página podemos constatar o seu apreço pelas amizades de longa data, revisitar o bairro dos Olivais e dar-nos conta da sua enorme paixão pelos automóveis.
Torna-se cada vez mais curioso, verficar como o universo da blogosfera nos consegue aproximar de velhos conhecidos ou pessoas que simplesmente partilham dos mesmos interesses. Como ilustração do post, deixo uma foto que eu sei que ele conseguirá decifrar em termos iconográficos.

Com este calor...


Só me apetece beber, aquela que será provavelmente a melhor cerveja do mundo! Acompanhada, de preferência, com uns camarões ou caranguejos...

domingo, 20 de janeiro de 2008

No Rasto de Vlad, o Impalador


Em 1998, embarquei rumo à Roménia. O leste europeu sempre me causou um certo fascínio alimentado pelo obscurantismo da época da Cortina de Ferro, assim como o seu rico folclore e imaginário popular. Foi então que decidi aventurar-me neste país algo fantioso para mim, visto que durante a minha dolescência, era grande entusiasta de histórias de vampiros cujas lendas estão fortemente enraizadas nesta região. A história do cruel príncipe Vlad Tepes que deu origem ao personagem do conde Drácula e os mitos de vampiros tornaram-se atracção turística na Roménia, que na época, ainda apresentava uma infraestrutura turística precária. No entanto, foram doze dias fascinantes que vou tentar retratar entre fotos e trechos do meu diário de viagem.

Bucareste, 11 de Agosto de 1998
(...) Aqui e ali entremeiam-se edifícios comunistas, igualmente imponentes mas sóbrios na decoração. Embora os dirigentes comunistas não tenham pedido a opinião a ninguém acerca da necessidade da beleza arquitectónica, parecem ter escolhido os projectos mais adequados a uma época em que faltava satisfazer necessidades mais básicas.
Até Ceaucescu parece ter compreendido esta sobriedade que de autêntica chega ao bom gosto, este luto branco com que a cidade se parece cobrir, e que acabou por cobrir também o seu Palácio do Povo (...)


Transilvânia, 14 de Agosto de 1998
(...) É a Transilvânia, mais impressionante que nos filmes, talvez porque eu esperasse que o exagero cénico estivesse nos filmes. Mas não. As casas de madeira escura, de telhados de duas abas inclinadíssimos e de acabamentos funestos são cenário propício a um filme de terror. Acima delas, acompanhando a encosta, vejo uma floresta de montanha muito densa, onde a luz do dia não penetra completamente (...)

(...) Talvez algures na Suiça se possa encontrar a Transilvânia dos Alpes, a imitar a dos Cárpatos(...)


(...)O castelo de Bran, com muralhas altíssimas e torres delgadas a terminar em agulha, como que para tornar o seu aspecto mais inexpugnável e fazer qualquer invasor desistir. Observo um crespúsculo mais intenso que os céus do filme de Coppola. Rosas e laranjas ensanguentados rodeiam cumes afiados cmo facas, como se ali se sofresse o castigo de todas as barbárie de Vlad, o Impalador(...)

(...) Até agora, o meu romeno limitado tem sido suficiente para que as pessoas me entendam. Todos são amigáveis, desejosos de ajudar, de saber coisas sobre Portugal, de saberem o meu nome e de saberem que diabos ando eu a fazer sozinho na Roménia!(...)


Roménia Central, 16 de Agosto de 1998
(...) estações perdidas na noite escura. Não vejo luzes das estrelas nem da civilização. Aqui e ali, edifícios sinistros de arquitectura transilvânica, cuja aparência assustadora é redobrada por eu não saber a que cidades pertencem. Será que apanhei o comboio certo?(...)

(...) Agora as pessoas estão livres para expressarem os seus sentimentos e opiniões e para falarem com estrangeiros sem o medo constante de um cidadão trair o outro, passando informações para a Securitate - polícia secreta da época de Ceaucescu (...)


(...) As raparigas romenas são bonitas, se cabelos negros e pele clara. No entanto, parecem acanhadas no contacto com viajantes. Por favor mordam-me o pescoço!
Os homens bebem em demasia, mas adoram falar sobre futebol. Ficam em delírio quando cito nomes de jogadores romenos, ao que correspondem com gritos de "Figo, Figo!" ou "Eusébio, Eusébio!"

(...) Ao que parece, os habitantes da Transilvânia acreditam mesmo em lendas de vampiros e lobisomens. Em Sighisoara - cidade natal de Vlad Tepes - um velhote, numa mistura de romeno, francês e mímica tentou contar-me algo desse tipo. Chegou mesmo a apontar para um molho de alhos que tinha pendurado perto de uma janela(...)

(...) Agora que a viagem está no final, chego à conclusão que o grande vampiro deste país e deste povo fpoi o ditador comunista Ceaucescu e toda a sua família opressora(...)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Quem te viu e quem te vê...


Na década de 90, aderi entusiasticamente ao CDS/PP juntamente com alguns amigos meus. Fomos seduzidos pela dupla dinâmica Monteiro-Portas que tinha tomado de assalto, a direcção de um partido praticamente moribundo. Os discursos nacionalistas e anti-federalistas faziam todo o sentido naquela época. "Uma Europa de Nações", bradavam os jovens turcos. Em matéria de defesa, segurança e luta contra o crime, o CDS/PP advogava os princípios que faziam parte de uma tradição realista e conservadora.
Na política social, a exigência de um mínimo ético de solidariedade, que todos devemos aos nossos compatriotas - exigência cristã e de elementar compaixão e humanidade - equilibrava-se com uma forma realista e responsável de financiar tais gastos com equidade.
Estas bases programáticas e a confiança nas convicções dos líderes do CDS na época, fizeram-nos abraçar uma militância activa. Após as eleições de outubro de 1995, em primeira análise, a não obtenção dos dois dígitos percentuais, que fora uma espécie de marca simbólica de sucesso, foi compensada, por uma ultrapassagem do PCP, tornando-se o terceiro partido nacional. Passada a barreira da sobrevivência, que tinha de ser alcançada como foi - com agressividade, com risco, algum popularismo e partir de loiça - não se conseguiu construir uma imagem sólida de partido de direita. Preferiu-se enveredar pela espectacularidade táctica, acrobacias mediáticas, vedetismos e o partido estilhacou-se em diversas facções que e canibalizaram entre si.

No final da década de 90, ficou claro para mim e para os que me acompanhavam, que a pequena política que se fazia no Largo do Caldas não era compatível com a nossa noção de ética e de vida partidária. As pequenas vaidades, a sabotagem e intrigas absurdas fizeram-nos desacreditar no partido que nos mobilizara. No entanto, optei por um recuo táctico e aguardar que novos ventos soprassem nas hostes populares. De nada adiantou. A gota de água que viticinou o meu afastamento total - embora ainda tenha o meu cartão de militante - deu-se quando vi figuras execráveis como João Almeida, João Rebelo ou até mesmo uma figura obscura como José Lino Ramos - ex-Governador civil de Lisboa - assumirem posições de destaque.
Anos mais tarde, digamos que a prestação dos populares no Governo de coligação com o PSD também não foi particularmente brilhante e o partido foi-se afundando cada vez mais. O avanço prematuro de Paulo Portas para mais uma liderança está-se a revelar desastroso, os quadros de valor debandaram e jamais se conseguirá reunir as condições favoráveis de 1995.
Sou um homem de direita, este panorama não me agrada mas prevejo que o CDS/PP não irá sobreviver às eleições de 2009. As cores azuis e amarelas serão varridas do mapa político português. Lamento, porque acredito que os partidos políticos são a necessariamente locais de debate, de planeamento e a única forma democrática de atingir o poder. Actualmente, considero-me orfão político e não me consigo rever em nenhuma cor partidária, numa época em que o país necessita, mais do que nunca, de políticos de fibra para evitar o declínio total de Portugal ainda embriagado por uma falsa noção de grandeza que a UE nos injectou.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Chaimite


A população de Lourenço Marques, em 1894, sob os frequentes ataques das hordas vátuas. Projectos iniciais de Campanha Africana, por António Enes e seus colaboradores. As façanhas de Caldas Xavier, Ayres Ornelas, Eduardo Costa, Paiva Couceiro, Freire de Andrade e, mais tarde, Galhardo, Mouzinho de Albuquerque, para libertarem Moçambique. Grandes jornadas de guerra: Marracuene, Magul, Coolela, incêndio de Manjacaze. Chaimite (rapto de Gungunhana), Macontene... Paralelamente, o amor de dois soldados pela mesma rapariga.

Considerada, pelo Estado Novo, como uma obra de ficção exemplar, na exaltação da gesta colonial. Em 1953, foram-lhe atribuídos pelo SNI o Grande Prémio e o Prémio ao Melhor Actor - Emílio Correia (pelo desempenho em "Chaimite e em "Planície Heróica, de Perdigão Queiroga.
Jorge Brum do Canto domina todos os sectores do filme, indo até ao ponto de interpretar a personagem de Paiva Couceiro, de modo a ajustar-se ao seu perfil lendário.
Talvez um pouco longo, Chaimite tem o ritmo e a força visual que o realizador sabe imprimir às suas imagens, nomeadamente nas cenas de evocação dos combates, tratados num clima de heroísmo e vibração patriótica. O filme, de resto, como "O Feitiço do Império", sugere o esforço português para defender o ultramar da cobiça estrangeira. Mais do que um filme contra o desejo de libertação encarnado por Gungunhana e pela revolta vátua, é um filme denunciador do imperialismo inglês, que pretende revoltar o povo moçambicano contra Portugal para o sujeitar ao seu domínio.

Após O Feitiço do Império, é o segundo grande filme colonial português, mas ninguém se pareceu comover muito com tal fervor patriótico e o único interesse da obra é servir para o estudo da propaganda colonialista do Estado Novo, sobretudo na exemplar sequência que opõe o herói de Chaimite (e do filme), Mouzinho de Albuquerque, ao régulo negro Gungunhana, que ele próprio trouxe cativo para Lisboa em 1897 em gesto delirantemente saudado pelo povo da capital que nele viu a nossa "desforra" face ao humilhante ultimatum inglês.
Estreou no Monumental, em Lisboa, em 4 de Abril de 1953. Tendo em conta o elevadíssimo custo de produção, teve uma carreira que não favoreceu a produtora(Cinal), falida pouco tempo depois.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Pedro Teixeira


Pouco se conhece sobre a sua família ou os seus primeiros anos de vida.
No contexto da Dinastia Filipina participou, com Jerónimo de Albuquerque, na campanha para expulsar os franceses de São Luís do Maranhão, no litoral nordeste do Brasil.
Após a expulsão destes, em fins de 1615, a Coroa Portuguesa determinou o envio de uma expedição à foz do rio Amazonas, com vistas a consolidar a sua posse sobre a região. Uma expedição de três embarcações, sob o comando de Francisco Caldeira Castelo Branco, foi enviada, nela seguindo o então alferes Pedro Teixeira. A 12 de janeiro de 1616, as embarcações ancoraram na baía de Guajará onde, numa ponta de terra, foi fundado o Forte do Presépio, núcleo da atual cidade de Belém do Pará.
Lutou contra os holandeses, os ingleses e os Tupinambás. Em 1627, frei Vicente do Salvador, na sua obra "Historia do Brazil", destacou a sua actuação.
Entre 1636 e 1638, chefiou uma expedição de mais de mil homens subindo o curso do rio Amazonas, buscando confirmar a comunicação entre o oceano Atlântico e o Peru, rota percorrida no século anterior por Francisco de Orellana. Empregando cerca de 50 grandes canoas, partiu de Belém do Pará e alcançou Quito, no Equador. Fundou Franciscana na confluência do rio Napo com o Aguarico, no alto sertão, para delimitar as terras de Portugal e Espanha, segundo o Tratado de Tordesilhas. A viagem foi registrada pelo jesuíta Cristóbal de Acuña em obra editada em 1641.
Como reconhecimento por sua extensa lista de serviços prestados na conquista da Amazônia brasileira, foi agraciado com o cargo de capitão-mor da Capitania do Grão-Pará. Tomou posse em fevereiro de 1640, mas a sua gestão foi curta, tendo durado apenas até Maio de 1641,vindo a falecer em Julho desse mesmo ano.

Casamento à Vista?


Durante os últimos tempos, tenho seguido com especial interesse as divertidas picardias entre o Réprobo e a T. Bem a propósito, após o almoço, recebi aqui no forte a visita do feiticeiro da tribo dos potiguares que revelou ter tido contacto com os espíritos dos seus antepassados. Nessas visões, foi-lhe comunicado que haverá um grandioso casamento na metrópole durante este ano. Temendo ter chegado a hora de ser laçado, tratei logo de aprofundar a questão e qual não foi o meu espanto, quando soube que o matrimónio envolvia estes dois parceiros blogosféricos que adoram degladiar-se carinhosamente.
Assim sendo, ofereço-me desde já para ser padrinho de casamento do ilustre Visconde de Birre e até já tratei de me adiantar nos preparativos para a festa. Espero que gostem dos modelitos que a minha comitiva escolheu para a cerimónia e quanto a datas, proponho o dia 31 de Julho. Porque depois entra Agosto...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Regresso ao ISCSP


Por vezes, sinto que a minha permanência no Brasil me está a deixar baralhado em termos de referências e linguagem. Nesta madrugada, o meu subconsciente fez-me ter um sonho muito estranho. Fiz uma viagem ao passado, em que recuei aos tempos de estudante universitário no ISCSP. Lá estava o belo palácio Burnay, onde este instituto se localizava. Logo na entrada, vejo alguns colegas da época misturados com pessoas que conheço daqui. Depois subo as escadarias e noto que o jardim está profundamente alterado. Esgueiro-me para um dos terraços do palácio e deparo-me com uma paisagem invulgar. Não era a velha Rua da Junqueira que eu avistava, mas sim, a praia de Ponta Negra aqui em Natal.
Lembro-me que mesmo no sonho, eu tinha consciência que havia algo de errado. Recordo-me também que andava à procura da Rubina que tinha ficado de me emprestar uns livros, mas tardava em aparecer. A revelação mais bizarras, foi verificar que todas as pessoas se dirigiam a mim, expressando-se em português com sotaque brasileiro, inclusive os meus mestres António Marques Bessa e Jaime Nogueira Pinto.
Pouco depois, entro na cantina e cruzo-me com a Josinete, antiga empregada da minha casa, e entro em pânico. Desato a correr na direcção da rua, tropeço em qualquer coisa e acordo alagado em suor...

Pesca Grossa


Instigado pelo meu amigo Réprobo, ao raiar da manhã, debrucei-me nas muralhas do forte e lancei a minha rede de pesca no mar. Minutos depois, fui surpreendido com a captura de uma magnífica sereia que sintetiza da melhor forma a exuberância sensual da mulher brasileira. A beldade soprou-me no ouvido o seu nome - Carol - e confidenciou-me já ter feito sucesso num célebre reality show da televisão brasileira.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

RN lidera investimentos estrangeiros


Não há uma fonte única a ser consultada quando o assunto é investimento estrangeiro nos sectores turístico e imobiliário do Rio Grande do Norte. Mas há pistas que dão uma idéia de quanto o dinheiro “importado” representa na economia do estado. Segundo informações da Secretaria Estadual de Turismo (Setur), cerca de 300 empreendimentos turísticos podem começar a ser construídos até o fim de 2008; além disso, somente os espanhóis vão aplicar R$ 3,2 bilhões nos próximos anos. No entanto, a recente prisão de integrantes da máfia norueguesa levantou suspeitas sobre os investidores do exterior. Contudo, quem conhece o mercado afirma: a ilegalidade é uma pequena excepção, reflexo da imensa visibilidade que Natal está ganhando lá fora.

Um levantamento feito pelo economista potiguar José Aldemir Freire, com base nos Boletins Estatísticos dos Mercados Supervisionados do Banco Central, mostra que, entre 2004 e 2005, US$ 54,7 milhões entraram no RN. A maior parte deste valor (65%) era de origem espanhola. Itália, Estados Unidos, Noruega e Portugal vinha em seguida, nesta ordem, no ranking dos países que mais enviavam dinheiro para o estado. Ao que parece, a Espanha deverá permanecer no topo da lista. Os R$ 3,2 bilhões que os espanhóis vão investir nos próximos anos representam 56% dos recursos dos investimentos em turismo, urbanismo e setor imobiliário da Agenda de Crescimento, pacote de ações do Governo do Estado para desenvolver o RN até 2010.

Outra informação que mostra o crescente interesse de estrangeiros pelo estado vem do Ministério do Trabalho. De acordo com o órgão, o RN lidera os investimentos diretos (declarados quando é concedido visto permanente) do país entre 2004 e 2006, com US$ 46,6 milhões acumulados - se considerarmos a cotação do dólar em 29 de dezembro de 2006, esse volume isolado equivale a R$ 99,2 milhões, ou 5,1% da arrecadação de ICMS do ano passado. Em 2005, o montante trazido pelos estrangeiros ao RN foi o primeiro lugar do país. No ano passado, o estado caiu para a terceira posição, mas ainda à frente de nomes como Rio de Janeiro e Bahia .
O interesse de estrangeiros começou a surgir em 1996, época em que pequenos e amadores “desbravadores” do exterior começaram a descobrir o potencial turístico de Natal. Hoje, os grandes investidores são atendidos por uma equipas multidisciplinares, composta por engenheiros, arquitectos, advogados e corretores, que interagem com entidades privadas e órgãos públicos para dar o melhor encaminhamento ao capital internacional.

Colonos & Arruaceiros

Obviamente que notícias como as que são descritas no post acima, não podem agradar a todos, sobretudo numa região que nunca fez parte das tradicionais rotas de imigração para o Brasil e onde uns poucos previlegiados acreditavam ser donos e senhores destas terras. Ontem, ao folhear a edição de domingo da Tribuna do Norte, deparo-me com um trecho da coluna de Eliana Lima que me deixou incomodado pelos seus contornos xenófobos.

Um...
Um apaixonado por estas terras potiguares desabafa em torno das tantas grandiosidades anunciadas para o ‘desenvolvimento’ do Estado: - Não sou contra esses mega-empreendimentos que priorizam turismo de segunda residência para europeus; mas o que isso realmente significa?
Significa que estamos vendendo barato pedaços significativos do território brasileiro, que se tornarão enclaves de outros países aqui dentro. Ou você acha que brasileiros poderão circular livremente por esses condomínios? Só se for puxando carrinhos com tacos de golfe....

...Desabafo...

“Adicionalmente estaremos importanto uma população que não interessa mais aos seus países de origem: idosos para os resorts de praia e arruaceiros desqualificados em busca de sexo-turismo para os flats da capital. O Estado e os municípios terão que abrir seus rotos cofres e pagar por toda a infraestrutura que esses empreendimentos vão demandar: estradas, energia elétrica, esgotamento hidrossanitário, coleta e tratamento de resíduos sólidos e efluentes, segurança pública, hospitais, escolas e tudo o mais”.

...Pelo RN

“Na minha opinião, quem tem que pagar por tudo isso são os empreendedores! Porém, uma viagenzinha para a Espanha aqui, um jantarzinho com Antoniosbanderasdavida acolá, com as pessoas certas, e está tudo resolvido: somos nós, os pobres brasileiros, que vamos pagar por todo o bem-estar desses “excluídos”, que só dão prejuízo a seus países de origem”.
É isso!!!


Numa primeira análise, sou levado a acreditar que esse tal "apaixonado" pelas terras potiguares, é um forte adepto das teorias da conspiração. Ele deve imaginar que todos os europeus que chegam por aqui, serão malévolos agentes secretos que ameaçam a soberania da nação brasileira.
Quanto ao resto, devo informar a este iluminado, caso ele ainda não se tenha apercebido, que vivemos numa sociedade globalizada e que o sistema capitalista e a propriedade privada imperam no mundo ocidental. Eu pelo menos, nunca encarei diversos resorts do Algarve, predominantemente frequentados por britânicos e alemães, como ameaças e também não acredito que os espanhóis estejam a planear a irradicação dos alemães em Palma de Maiorca.
Mais uma vez, fico indignado com esta teoria de que os estrangeiros são fonte de grande parte dos problemas do Rio Grande do Norte. Bons e maus exemplos existem em qualquer local do planeta, mas o que se torna errado é tomarem as más referências como base de catalogação de pessoas. Ou serão todos os brasileiros residentes no exterior, exemplos veneráveis de honestidade, moral e bons costumes?
Não me acusa a consciência de nada. O que tenho é meu, foi fruto do meu trabalho e nunca roubei nada a ninguém. Até mesmo as mulheres que se cruzaram aqui na minha vida, estiveram comigo de livre e espontânea vontade e não porque lhes efectuei qualquer tipo de pagamento.
Tomem mais atenção com problemas de pontes superfacturadas, com políticos que desviam verbas de merendas escolares, a ineficiência dos serviços públicos ou compras de votos e só depois se lembrem dos incómodos que os estrangeiros vos possam causar. Estrangeiros esses, que continuam a injectar capital na região, a criar postos de trabalho, a fazer boa parte da promoção turística de Natal além-fronteiras e que também acolhem milhares de cidadãos brasileiros nos seus países de origem.
Por outro lado, entendo que este tipo de opiniões seja proveniente dos retrógados coronelistas nordestinos, que ainda encaram os ventos de mudança como ameaça ao seu status quo. A resistência ao cosmopolitismo e à mudança de mentalidades ainda persiste numa terra onde os compadrios falam mais alto.
Para concluir e não me querendo alongar em temáticas desagradáveis, gostaria de saber em que categoria de estrangeiros, a D.Eliana me enquadraria. Não sendo idoso, parece que serei catalogado de arruaceiro pervertido que não interessa mais ao seu país de origem...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Bom Fim de Semana!


Após uma semana particularmente cansativa, vou-me recolher ao conforto de casa para um merecido repouso. Vou-me abster de noitadas, aproveitar para colocar algumas leituras em dia e vêr alguns filmes.
Segunda-feira regressarei ao teclado, para actualizar os devaneios aqui do Forte...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cristovão Colombo - O Enigma

O mais recente filme do realizador português Manoel de Oliveira Cristóvão Colombo, o Enigma, faz uma reflexão sobre a possibilidade do navegador ter nascido no Alentejo, em Cuba. O realizador, que completou 99 anos, participou no filme, que estreia hoje, em conjunto com a mulher.
O filme de Manoel de Oliveira baseia-se no livro de Manuel Luciano da Silva e de sua mulher, Sílvia Jorge da Silva, Cristóvão Colón era português, que em Portugal já vendeu mais de 14.000 exemplares.

Manuel Luciano da Silva, médico de profissão, radicado nos Estados Unidos há vários anos, considera que o filme "é uma vitória para o próprio realizador, para o cinema português e para os cinco de milhões de emigrantes".
"Em Portugal enchem muito a boca com os cinco milhões de emigrantes, mas o Manoel de Oliveira contou a história de dois desses entre as milhares de histórias dramáticas e de odisseia", afirmou.
Cristóvão Colombo - o Enigma parte da tese de que o navegador era português, mas acaba por ser uma reflexão sobre a identidade portuguesa e a importância dos Descobrimentos.
A película ficciona a vida do casal Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva, emigrados nos Estados Unidos, em busca de pistas que corroborem a tese da identidade lusa daquele descobridor.
No filme, os autores do livro são retratados por Manoel de Oliveira e pela mulher, Maria Isabel de Oliveira, que contracenam pela primeira vez juntos no grande ecrã.
Os actores Ricardo Trêpa e Leonor Baldaque interpretam os mesmos papéis, mas quando os dois autores eram mais novos.
Com pouco mais de uma hora, o filme foi rodado em Portugal e nos Estados Unidos e termina na ilha de Porto Santo, um lugar onde na realidade Colombo viveu com a mulher, D. Filipa de Perestrelo.
Um filme que representa a vitória humana do mundo português e é sobretudo uma história de amor, de uma vida conjugal normal, com família.

O Grande Aventureiro


Extraordinária personagem da literatura e dos descobrimentos, Fernão Mendes Pinto é o grande aventureiro português. O Marco Pólo lusitano. Da simplicidade de Montemor-o-Velho, viajou entre a exuberante Índia, a misteriosa China e o exótico Japão. Experiências que o levaram a escrever a Peregrinação, extraordinário livro de viagens e aventuras, e a tornar-se uma referência da época de glória de Portugal. Pirata, soldado, mendigo, cativo... Mostrou como os homens, em qualquer parte do mundo, são iguais.
Fernão Mendes Pinto era um escritor talentoso, mas talvez seja lembrado sobretudo pela sua dedicação ao relato das aventuras dos descobrimentos. A sua Peregrinação contribui para esta reivindicação à história. O escritor foi protagonista de uma pequena grande história.

Oriundo de uma família de Montemor-o-Velho, cedo tomou contacto com a luxuosa vida na corte. Era ainda muito pequeno quando um tio o levou para Lisboa e o colocou ao serviço na casa do duque D. Jorge, filho natural do rei D. João II. Ali trabalhou durante cinco anos, dois dos quais como moço de câmara do próprio duque, o que lhe possibilitou preservar o elevado estatuto social da sua família, contrariando a precária situação económica que atravessava.
É aos 27 anos que parte para a Índia, ao encontro de dois dos seus irmãos, iniciando assim uma aventura ímpar na história de Portugal.
A sua viagem é contada na obra que escreve, anos mais tarde, já regressado a Portugal. A Peregrinação é um fantástico livro de viagens que relata, ao pormenor, todas as façanhas, aventuras e desventuras de Fernão Mendes Pinto. O seu conteúdo é exótico e raro. Descreve detalhadamente a geografia de destinos longínquos e desconhecidos para a época, como Índia, China, Birmânia, Sião e Japão. Mostra os costumes, credos e tradições destas culturas orientais. O autor é tão descritivo e aventuroso que fez nascer um rol de ironias à volta da obra. Ninguém acreditava ser possível assistir a tantas festas, guerras e funerais, tudo tão diferente e estranho ao mundo ocidental. Foi tão pouco levado a sério que muitos deixaram de chamá-lo pelo nome. Tratavam-no por “Fernão, Mentes? Minto!”. Ainda hoje é assim conhecido.
O problema de Peregrinação, para a época, foi apenas este: o autor contava coisas totalmente desconhecidas. Ninguém aceitava que o Oriente fosse assim.

A entrada na Companhia de Jesus alterou-lhe a personalidade. Libertou todos os seus escravos, entregou a sua fortuna aos pobres e à própria ordem religiosa, em Goa. Contudo, a sua missão como “irmão leigo” dura apenas até 1557, ano em que decide pôr ponto final nessa aventura. A decisão advém da viagem que faz, novamente ao Japão, em 1554, como noviço da Companhia de Jesus e embaixador do vice-rei D. Afonso de Noronha, junto do rei de Bungo. O desencanto foi total, quer com o comportamento do seu companheiro quer com a própria Companhia. Um desgosto que o faz regressar a Portugal. Um homem que faz do seu medo a sua coragem. Personifica a aventura do português do século XVI, que não tem poder e embarca para se safar, que aprendeu tudo o que tinha para aprender. Como os nossos emigrantes.

Já de volta ao seu país e com a ajuda do ex-governador da Índia, Francisco Barreto, Fernão Mendes Pinto compila documentos que comprovam os sacrifícios que realizou pela pátria, tendo direito a uma pensão, que… nunca chegou a receber. O escritor não queria apenas uma colher de compaixão. Queria mais do que isso. Depois deste episódio, voltou-se, abatido, e mergulhou na escuridão. Desiludido, arrumou a vontade e partiu para Vale de Rosal, em Almada, onde escreveu, entre 1570 e 1578, a sua inigualável Peregrinação. A obra só foi publicada 20 anos após a sua morte.
Mensageiro da verdade ou criador de ilusões, Fernão é um guerreiro, um sobrevivente. Como diz Carlos Magno, “é o nosso Marco Pólo. Se fosse americano, certamente Spielberg já teria feito um filme sobre ele”.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Um Leão às Direitas

Meu amigo de longa data, parceiro político e sportinguista de alma e coração, o Tony-Duque do Mucifal, está de regresso à blogosfera após um breve interregno. Em tempos, foi meu companheiro de armas no Condado, um outro forte onde debatíamos temáticas da área política. Resta-me desejar-lhe uma longa estadia neste universo e aproveito para vos convidar a fazer uma visita ao blogue deste meu nobre amigo.

O Feitiço do Império


Francisco Morais, emigrante português nos E.U.A., não esquece o amor à terra natal, o que não sucede com o filho, Luís Morais, que pretende nacionalizar-se americano. Antes de tal ocorrer, e apesar do seu noivado com Fay Gordon, uma rica herdeira de Filadélfia, o pai convence Luís a participar numa caçada em Angola, o que lhe dá ensejo de visitar Lisboa, Guiné, São Tomé, Angola, Moçambique - culminando com flagrantes documentais da visita do presidente Óscar Carmona a Lourenço Marques (Maputo). O conceito de portugalidade e o "feitiço do império" acabarão por influenciá-lo, para tal contribuindo a dedicação com que foi tratado por Mariazinha, filha de um comerciante do mato, após ser ferido por um leão.

Foi o primeiro filme de ficção a abordar as colónias ultramarinas e a obra colonizadora dos portugueses. Considerado como uma obra de ficção exemplar sobre a visão colonial do Estado Novo, foi produzida pela Agência-Geral das Colónias e integrada na Missão Cinegráfica às Colónias de África, de que António Lopes Ribeiro foi o director técnico e realizador. Integravam essa Missão, ainda, o major Carlos Afonso dos Santos, escritor e dramaturgo com o pseudónimo de Carlos Selvagem, que chefiava a equipa, Manuel Luís Vieira, como operador de câmara, e Paulo de Brito Aranha, responsável pelo som.
O argumento, da autoria de António Lopes Ribeiro, foi baseado num texto, muito diferente, de Joaquim Mota Junior, vencedor de um concurso realizado pela Agência-Geral das Colónias para o efeito. Lopes Ribeiro considerou "O Feitiço do Império" como a sua melhor película sobre a África portuguesa.
Estreou comercialmente no cinema Eden, em 23 de Maio de 1940, com a presença do Presidente da República.
Apenas está conservada (Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema) a banda de imagem que tive a sorte de poder assistir, graças a um amigo meu que trabalhou lá durante algum tempo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Crónica da Terra


Se eu tivesse de definir a cidade do Natal em poucas palavras, diria que se trata de uma cidade de média dimensão, que tem vindo a ter um crescimento impressionante nos últimos anos. Com uma população de cerca de 800.000 mil habitantes, a capital do Rio Grande do Norte é o ponto de partida para a descoberta de um extenso litoral, com as belas praias ao sul e as famosas dunas de Genipabu, na costa norte. O Morro do careca, o principal cartão postal de Natal, situa-se na praia de Ponta Negra, dentro do perímetro urbano. È nesta praia que se concentra grande parte da infraestrutura turística da cidade que tem vindo a marcar pontos como destino de lazer, a nível nacional e internacional.
Mas nem só de turismo e praias se vive por aqui e, noto que Natal tem vindo a adquirir características verdadeiramente cosmopolitas, dispondo de uma ampla rede de serviços equivalente a qualquer outra capital brasileira. Esta definição talvez fosse suficiente para um simples parágrafo de um guia de viagens, mas carce claramente de emoção. Então proponho-vos um roteiro, redigido pela Evelyne, nascida e criada nesta terra que me acolheu. Trata-se também de uma forma de homenagear a minha amizade com esta mulher sensível e amante das letras, que me proporciona bons momentos de leitura por intermédio dos seus blogues. Para terminar, não posso deixar de esboçar um sorriso, ao confidenciar-vos que ela chegou a suspeitar que eu era um agente secreto português infiltrado em território potiguar...

Peguem na Mochila


Ao longo do tempo, tenho desenvolvido o meu gosto em fazer viagens sózinho. Desse modo, liberto-me das rotinas de horários e itenerários pré-estabelecidos, companhias aborrecidas e permite-me o contacto com pessoas das mais diversas origens.
A partir da adolescência, tornei-me adepto das viagens de mochila às costas e das estadias em pousadas de juventude. Aprecio o clima informal e a convivência que se estabelece entre os hóspedes difíceis de concretizar em unidades hoteleiras convencionais. Aqui no Brasil, já tive oportunidade de conhecer alguns destes albergues que me proporcionaram dias muito divertidos. Com uma organização surpreendente, a rede de pousadas de juventude brasileiras, está presente na grande maioria dos pontos turísticos, constituíndo por si só um interessante melting pot, principalmente nesta época do ano. Podem espreitar aqui, o ambiente que se vive nestes estabelecimentos por estes dias. Locais pouco aconselháveis para os mais pacatos...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Essência de Heroísmo


Vice-rei da Índia. Serviu os reis D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I, que o mandou para a Índia, em 1503. Afonso de Albuquerque tinha um vasto plano para o Império e a conquista de posições estratégicas no Índico. Com uma pequena armada, Afonso de Albuquerque conseguiu feitos espantosos, daí ter uma hoste de inimigos. Apoderou-se da cidade de Goa. Grande administrador e diplomata. Ferido em combate, morreu à vista de Goa, deixando-nos esta frase repassada de sabedoria e amargura: Mal com os homens por amor del-rei e mal com el-rei por amor dos homens.

Canção do Bandido


A Teresa, acompanha-me neste ritmo?

sábado, 5 de janeiro de 2008

Parabéns!


Esta semana, o Gil comunicou-me que as minhas amigas Patrícia Doidinho (na foto) e a Augusta se tornaram mães durante o último trimestre de 2007. Mais uma vez, fiquei embevecido com o poder feminino de criar novas vidas, o milagre dos milagres que só um deus pode realizar. A capacidade da mulher em produzir vida com o seu útero torna-a sagrada. Uma deusa que nunca deixarei de venerar.
Decidi homenagear desta forma singela, estas duas amigas e expressar o contentamento que estas notícias me causaram. Para concluir, resta-me desejar as maiores felicidades aos pimpolhos e estou certo que serão muito amados por estas duas grandes mulheres.

Eu estava contigo no início, na aurora de tudo o que é santo, eu te gerei no ventre antes do raiar do dia.
O que estão a olhar?
A mulher que contemplas é o amor!
Ela habita na eternidade!

Cântico do Hieros Gamos

Morango Importado


A presença do jovem actor e cantor português Angélico Vieira no elenco de Dance, dance, dance (novela da Band), como um estudante que gosta de namorar mulheres mais velhas, indica que a novela pode mesmo parar em alguma emissora de Portugal.
Angélico Vieira actuou em Morangos com açúcar, fenomeno de audiência no nosso país, mas que praticamente não existiu durante sua passagem pelo Brasil. Pelo aspecto geral do rapaz, acredito que ele esteja a causar bastantes suspiros deste lado do Atlântico...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Moda-Verão 2008


Foi com entusiasmo que soube, através da última edição do programa Fantástico da Rede Globo, que a moda do fio dental está de regresso às praias brasileiras. A ala masculina agradece!

A Invasão

Os últimos tempos têm sido marcados por uma crescente animosidade diplomática entre Brasil e Venezuela. Por diversas vezes, o obtuso Hugo Chávez tem-se irritado com Lula da Silva que se tornou o seu principal obstáculo, para as suas ambições políticas na América do Sul. Esta tensão já se tranformou em comédia e até já se imagina como seria uma hipotética invasão do Brasil por tropas venezuelanas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Blogsérie: O Clã - Episódio 5



Estoril - Domingo, 09 de Março 2008 - 15.00h
O grupo estaciona o jipe junto ao forte. Olham em redor. Convinha que não fossem vistos por ninguém, carregando todo aquele aquipamento. Por sorte, naquela tarde de domingo, parecia haver pouquíssimas pessoas a passear por ali. Conforme o combinado, saem rápidamente da viatura e descem pelos rochedos que ladeavam o edifício. Segundo a planta, existia uma pequena porta lateral que lhes poderia facilitar a entrada. Fruto de uma adolescência conturbada, o Lemos, estudou a fechadura. Com o auxílio de um simples grampo, consegue abrir a porta com facilidade. Entrem pé ante pé. A visibilidade era muito pouca e sentem um forte cheiro de humidade e maresia invadir-lhes as narinas. O padre Amaro avança na frente, murmurando algumas orações. Subitamente, ouvem um estrondo atrás deles. A porta fechara-se misteriosamente. Um mau pressentimento invadiu a mente de todos eles. O Paulo, Augusto Luís e o Lemos empunhavam os revólveres com as mãos trémulas. O Fonseca e o Reis preferiram utilizar as bestas. O Ferreira desembaínhara a sua longa espada. O padre Amaro mantinha-se na liderança, segurando um crucifixo e com uma besta na outra mão. Nas costas, carregava uma mochila que continha estacas de madeira, um martelo e uma garrafa com água benta. Todos eles traziam colares feitos com cabeças de alhos.

Prosseguem a marcha por um corredor estreito e mal iluminado. Mais na frente, desembocam num salão amplo. No meio, encontram seis caixões dispostos em forma de círculo. Aproximam-se cautelosamente. Quatro deles, estão vazios. Nos outros dois, dois vampiros dormiam profundamente. Um deles, ainda tinha marcas das queimaduras de água benta, aplicada pelo padre na noite anterior.
- Depressa! Vamos cabar já com estes dois! - diz o padre em voz baixa.
Abre a mochila, tira as estacas e o martelo. Aproxima-se da primeira urna, coloca a estaca na direcção do coração do vampiro e martela com toda a força. Ouve-se um guincho abafado e solta-se um jacto se sangue que suja o rosto do padre. Logo depois, avança para o outro caixão e repete os movimentos.
- Afinal de contas, caçar vampiros é canja! - sopra o Reis.
- Calma rapaz! Isto vai ser mais complicado do que eu pensava. Quatro deles estão escondidos por aí e já devem ter detectado a nossa presença - diz o padre, olhando em volta com o semblante carregado.
Lá fora, o sol brilhava com intensidade. Vantagem para eles. Os vampiros não conseguiriam persegui-los nem retaliar na sua máxima força. O grupo prossegue a sua marcha no interior da fortaleza. Entrem num segundo salão. Sentem uma aragem fria percorrer-lhes o corpo. Ouvem um farfalhar de tecido. Numa fracção de segundos, surgem-lhes os quatro vampiros pela frente. Dois homens e duas mulheres, envergando longos casacos negros. Os olhos avermelhados faíscavam de ódio. Cercaram os invasores como uma onda, apesar da inferioridade numérica.

Ferreira, empossado do espírito de seus ancestrais, perdera o medo. Uma voz rouca soprava no seu ouvido. A espada. Use a espada com firmeza. Ferreira empunhava a arma cortante com as duas mãos. A vampira que o tentara seduzir na noite anterior, correu na sua direcção. Ferreira recuou o pé de apoio e ergueu a espada. Respiração contida. Desenhou um arco para a frente. A vampira não conseguiu alcançá-lo. A cabeça foi ao chão; o corpo cambaleou. Recuperou o equilíbrio e caminhou até bater contra a parede. A decapitação causou certo impacto. Fora uma injecção de confiança no grupo.
O vampiro mais alto estava enfurecido e urrava, fazendo as paredes estremecer. Cabelos compridos amarrados para trás e feições grotescas. Fonseca dispara a sua besta, mas a estava desfere uma curva e estilhaça-se contra a parede. O vampiro ri, mostrando as suas presas pontiagudas.
- Como ousam, simples mortais, invadir o nosso covil? - pergunta numa voz cavernosa - Admiro a vossa valentia, mas podem dizer adeus às vossas vidas miseráveis!
- Viemos em nome de Deus! A sua vontade é soberana! - fritava o padre Amaro.
- Ao longo dos séculos ninguém me conseguiu derrotar! Vou-me sacirar com o vosso sangue pobres mortais! Lacatus será rei e senhor destas terras...
De forma decidida, o padre Amaro avança para o vampiro, erguendo o seu crucifixo. A criatura solta um rugido ensurdecedor, agarra o pescoço do padre e arremessa-o para longe, deixando-o desacordado.
- Porra, e agora? Estamos tramados! - gritava o Reis, em desespero.
- Agora resta-nos combater e acabar com estes cabrões! - atira Augusto Luís.
- È isso mesmo! Um por todos e todos por um! - diz o Paulo, parafraseando os célebres mosqueteiros.

Formam um círculo apertado e vão disparando as suas armas, na ânsia de atingir os adversários. As balas de prata faziam ricochete nas paredes grossas. Estacas de madeira voavam em todas as direcções. Os vampiros pareciam divertir-se com a situação e encenavam um estranho bailado. Passavam perto deles como assombrações e desferiam-lhes golpes no corpo. O Ferreira desferia golpes de espada ao acaso, totalmente desorientado. Os vampiros tinham-se transformado em vultos. Entretanto, Augusto Luís viu quando um dos vultos se tornou mais visível. Apontou a pistola e disparou. Uma bala de prata atinge o ombro da criatura.
O vampiro arqueou o corpo e desviou-se dos disparos seguintes. Sorriu. Grunhiu, mostrando os dentes. Augusto Luís tremeu. Um vampiro poderoso na sua frente. Colocou a mão no pescoço e desprendeu o próximo truque. Flexionou os joelhos e desceu o quadril abaixo do quadril do adversário que já lhe aplicava uma gravata. Com o traseiro, somado a uma potente cotovelada, surpreende o vampiro que folgou a gravata. Depois finalizou o golpe. Ergue a mão livre, agarrando o opositor pela gola. Todas as forças somadas e sincronizadas fizeram o vampiro voar por cima dele.
- Ippon! - grita Augusto Luís, vitorioso.
Em acto contínuo, enfiou o seu colar de alhos na boca do vampiro, que parecia sufocar. O Reis aproxima-se e dispara uma estaca no coração da criatura que se debaria no chão.
- Toma!!! Pessoal, vamos virar o jogo! Já só faltam dois - grita o Reis, em delírio.

Restava o líder Lacatus e a vampira ruiva. Eles pareciam menos confiantes. Aquela baixa causara danos morais. Ferreira avança decidido e tenta atingir a vampira com golpes de espada. Na outra extremidade do salão, Paulo corria e disparava a arma ao mesmo tempo, não se apercebendo do vulto que se atravessava na sua frente. Leva um encontrão. Perdeu o equilíbrio e a arma. Sente um forte pontapé nas costelas. Lesão grave. Costelas partidas. Lacatus, possuídor de velocidade vampírica, salta para cima dele. Perdição! Um urro de dor e Lacatus tomba para o lado com uma estaca cravada numa coxa. Nas proximidades, o padre Amaro recuperara os sentidos e disparara a sua besta na direcção de Lacatus que se preparava para aniquilar o Paulo.
- Malditos! Quem pensam que são? Não ecaparão com vida! - sibilava Lacatus.
Ferreira partiu para cima do vampiro, mirando o seu pescoço. A espada cortou o vazio. Lacatus tornara-se sombra e já estava do outro lado, aplicando-lhe um golpe nas costas. A dupla de vampiros parecia recuperar terreno. O padre Amaro atravessa o salão em fúria, despejando água benta em todas as direcções. Num canto, ouve-se um fervilhar e um uivo lancinante. A vampira fora atingida pelo líquido abençoado. Tornou-se mais visível. Fonseca faz pontaria com a besta na sua direcção. Desta vez não podia falhar. Só lhe restava uma estaca de madeira. Disparo certeiro. O projectil atravessa o corpo da vampira, fazendo-a desfalecer no chão.

Restava o poderoso Lacatus. Desta feita, o grupo tentou montar um cerco ao vampiro. Repentinamente, o Lemos é atingido na face. Cai de joelhos, sangrando abundamentemente. Na ânsia de recuperar forças, Lacatus lança-se sobre ele com a intenção de se abastecer de sangue humano. Numa atitude ousada, o padre Amaro atira-se para cima do agressor. Uma luta selvagem. Lacatus parecia levar vantagem. A sua força era sobrenatural. Ainda assim, o padre estica o braço e consegue colocar o crucifixo na boca de Lacatus. Um grito de dor. No meio da confusão, o Lemos agarra uma estaca do chão e crava-a com a sua própria mão, no coração do líder dos vampiros.
O rosto de Lacatus estava transfigurado. O Ferreira surge por detrás dele e aplica-lhe o golpe de misericórdia, decepando-lhe a cabeça com a espada. A batalha chegara ao fim. O padre Amaro estava bastante maltratado, evidenciando diversos ferimentos no corpo.
Em segundos, os corpos dos vampiros tinham-se tranformado em cinzas. Apesar de extremamente cansados, sujos e feridos, saíram todos do forte, felizes e com a sensação de missão cumprida. Pela primeira vez na vida, tinham encarnado o papel de verdadeiros heróis.
As horas seguintes, foram passadas nas urgências do Hospital de Cascais. Um pouco mais tarde, a João e o seu amigo Matias juntaram-se solidariamente a eles. Mal conseguiam acreditar no que o grupo lhes ia relatando. Uma brava dança dos heróis!

FIM